quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Festa da toga: 98% dos juízes de MG ganharam salário acima do teto

Sanguessugado da ClaudiaWallin/Radar Brasil

  


O detalhe indecoroso: enquanto os gastos com os salários dos mais de 17 mil magistrados e servidores de Minas Gerais no mês de julho foram de R$ 60,3 milhões, os valores extra pagos na forma de penduricalhos – como auxílio-alimentação, auxílio-moradia, auxílio-transporte e gratificação natalina – chegaram a R$ 170 milhões. Ou seja, quase o triplo dos gastos salariais. A reportagem é do Estadão.

No total, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais pagou em julho valores líquidos acima do teto constitucional para quase 98% dos magistrados. O teto, de R$ 33.763,00, é equivalente ao salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

O contracheque mais alto foi o de um juiz de entrância especial, no valor de R$ 461.153,91 líquidos em julho. Outros dois juízes o seguiram no ranking, com R$ 408.690,36 e R$ 362.228,19.

Foram R$ 145,2 milhões somente em vantagens eventuais. Nesta categoria de benefícios estão indenização de férias, abono constitucional de 1/3 de férias, antecipação de férias, gratificação natalina, antecipação de gratificação natalina, serviço extraordinário, substituição e pagamentos retroativos, entre outros.

As indenizações – como os auxílios a alimentação, moradia, transporte, pré-escola, saúde, natalidade, além de ajuda de custo e outros tipos de auxílio – custaram R$ 24,8 milhões.

No Tribunal de Justiça de São Paulo, mais da metade dos magistrados (56%) recebeu em julho vencimentos líquidos acima do teto. O Tribunal afirma que todos os valores são pagos “nos exatos termos da lei”.


Saiba mais na reportagem do Estadão: Minas pagou salários acima do teto para 98% dos juízes

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Bob Fernandes: Onde estavam os envergonhados do país nas décadas em que houve evasão de R$ 1 trilhão por parte dos empresários?



Bob Fernandes



Aconteceu na segunda, em Curitiba, a pré-estreia do filme da Lava Jato: "Policia Federal, a Lei é para Todos".
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O filme custou R$ 16 milhões. É segredo quem são os financiadores. No filme, um dos heróis é o juiz Moro. Juiz não acusa, juiz julga. Moro é o julgador na Lava Jato.
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A Lava Jato está longe de acabar. E Moro, que ainda vai julgar muito, estava na pré-estreia. Assistindo a si mesmo num filme que toma partido, tem lado.
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Na plateia, delegados da PF. Entre eles Igor de Paula e Marcio Anselmo, ex-coordenadores na Lava Jato.
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Pós-eleição, em novembro de 2014 e Julia Duialibi revelava no Estadão: Igor de Paula, Marcio Anselmo, Érika Marena e outros delegados tinham perfis fechados no Facebook...
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...Nesses perfis, frases como "Esse é o cara" elogiavam Aécio Neves. E na reprodução de um link a cobrança: "O Brasil precisa se livrar de Dilma e eleger Aécio".
Delegados foram à pré-estreia. Um deles, em 2014, ao comentar frase de Lula escreveu: "Alguém segura essa anta, por favor?".
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O filme da Lava Jato usa áudio de comentário feito aqui nesse espaço e nesse Jornal, em 2014. A frase usada foi:
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-No Brasil, se não se fizer acerto não se coloca um paralelepípedo...
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Título daquele comentário: "Empresário põe a nu cínicos e hipócritas".
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O comentário abordava artigo do empresário Ricardo Semler. Que escrevera:
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 -Desde os anos 70 até recentemente (...) cobravam 10% na importação de petróleo (suborno na Petrobras).
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Em 2014 Semler ironizava a "elite escandalizada com os desvios na Petrobras". E provocava:
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-Onde estavam os envergonhados do país nas décadas em que houve evasão de R$ 1 trilhão por parte dos empresários?
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Aqui, por anos, lembramos: o DNA desse Sistema político apodrecido  já estava nos computadores dos empreiteiros. Então já há anos em posse da Lava Jato.
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Dizíamos então: a opção por investigar e expor apenas uma parte do Sistema era erro grave...


...Quando todos fossem expostos, o que era inevitável e aconteceu, viveríamos decepção, desencanto, desalento e indiferença..

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Justiceiro do Paraná desmoraliza o stf



Bob Fernandes



Gilmar Mendes fazia política no Supremo, concedia habeas corpus polêmicos e batia no PT. Gilmar era amado, incensado e brilhava nas manchetes.
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Os que amavam e aplaudiam Gilmar Mendes agora o odeiam e o atacam.
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Na Folha, Monica Bergamo relata: advogado amigo de Moro é acusado de intermediar negociações com a Lava Jato.
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Carlos Zucolotto é o advogado amigo de Moro. Padrinho do seu casamento com a advogada Rosangela. Ex-sócia de Zucolotto.
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Quem acusa é o ex-advogado da Odebrecht, Tacla Duran... Duran é acusado de lavar dinheiro e integrar organização criminosa.
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Tacla Duran tentou, mas não conseguiu fazer delação premiada. Com dupla nacionalidade, refugiou-se na Espanha.
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Livre, Duran acusa: Zucolotto, amigo de Moro, tentou negociação para "melhorar" os termos da delação.
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Zucolotto responde: "Não existe verdade" nessa história. Moro garante. Seu amigo "Zucolotto é profissional sério e competente".
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Moro lamenta a utilização da "palavra" de um "acusado pela justiça brasileira".
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Cabe uma pergunta: o que é a "palavra" de todos delatores da Lava Jato senão a de "acusados pela justiça brasileira"?
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Em 29 de Março, do ano passado, Moro pediu desculpas ao Supremo. Por ter vazado conversas entre Lula e Dilma.
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À época Moro foi criticado por Teori Zavaski. O ministro Marco Aurelio Mello foi duro e claro:
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-Isso é crime, está na lei. Ele (Moro) deixou a lei de lado.
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Moro acaba de dar entrevista ao New York Times. Esqueceu o pedido de desculpas. Disse não se arrepender pelo vazamento das conversas entre Lula e Dilma. E acrescentou:
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-A democracia ganha quando as pessoas aprendem o que seus líderes fazem nas sombras.
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Filme da Lava Jato estreia em setembro. O convite para alguns jornalistas incluía passagem e hospedagem.
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O juiz Gilmar Mendesagora experimenta súbita conversão: do amor ao ódio, do Supremo ao chão. Já Moro foi idealizado juiz Supremo.
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São amores, dissabores e contradições da República do judiciário. E de juízes escorados por manchetes.

Moro: Pau que dá em Chico, dá em Francisco, menos para os habitantes do Olimpo.


Sérgio Moro é a nova vítima da democracia rarefeita que ajudou a criar

Gustavo Freire Barbosa


Foto: Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


“Criei um monstro”, afirmou Golbery do Couto e Silva, general articulador do golpe de 1964, sobre o Serviço Nacional de Informações (SNI), responsável pelos grampos e arapongas do regime militar. Golbery, que apadrinhou Tarcísio Maia, pai do senador José Agripino Maia, para o cargo de governador biônico do Rio Grande do Norte, reclamava da vida própria que o SNI criara, chegando a engolir o próprio criador em 1981 por ocasião do atentado do Riocentro.

Por meses a fio, a imprensa empresarial insulou a operação Lava Jato e os sucessivos e incontáveis abusos que apareciam na esteira das arbitrariedades do juiz Sérgio Moro, de membros do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. Enquanto a operação mirava seu arsenal no petismo, pouco interessava se coerções coercitivas abusivas, prisões preventivas arbitrárias e divulgações de áudios colhidos em grampos ilegais sangravam a Constituição, o Código de Processo Penal e a legislação pertinente.

Quanto às delações, amesquinhava-se por completo o fato do artigo 4º, parágrafo 16 da Lei nº 12.850/2013 ser categórico ao prever que nenhuma sentença condenatória será proferida com fundamento apenas nas declarações de agente colaborador. Na lua de mel entre a Lava Jato e a mídia comercial, um espirro de um delator da Odebrecht não tinha apenas o status de revelação do próprio Oráculo de Delfos, como também era espremido até que de seu sumo pudesse brotar interpretações incriminatórias que pudessem ser jogadas na conta dos adversários da ocasião. Estado de Direito, presunção de inocência, devido processo legal e todos os avanços civilizatórios correlacionados não passavam de inconvenientes à sanha predatória das redações e das penas amestradas da grande imprensa.

Contudo, se tudo que é sólido desmancha no ar, o mesmo pode se dizer das convicções antirrepublicanas das consciências de aluguel e do seu característico moralismo seletivo.

De uns tempos para cá, um naco considerável da imprensa que se consolidou como caudatária dos arroubos absolutistas de Sérgio Moro vem relativizando o que antes era tido como absoluto. O Estadão e a Folha de S. Paulo, em sucessivas matérias, artigos e editoriais, deixaram de massagear com hidratante os pés do magistrado paranaense para dirigir incisivas críticas ao viés monárquico com que lida com a aplicação das leis. Cinismo? Certamente. Afinal, ninguém é ingênuo ao ponto de achar que só agora os clãs dos Frias e dos Mesquita descobriram que a mistura entre moralismo e combate à corrupção costuma causar efeitos indigestos à própria democracia.

Num lampejo matinal, só recentemente descobriram que existe uma coisa chamada presunção de inocência, incompatível com o linchamento moral ocasionado por delações que não se sustentam por si próprias. O mais incrível é que, em outra admirável epifania republicana, passaram a criticar até os vazamentos, os mesmos nos quais se refestelaram quando a operação ainda concentrava suas forças em nomes do PT.

Todavia, o tempo passou não apareceram provas para socorrer delações como a de Delcídio Amaral e as que incriminaram João Vaccari Neto, condenado por Sérgio Moro e absolvido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região sob o fundamento de que fora condenado apenas com base em delações premiadas, insuficientes, como visto, para levar alguém à condenação.

Ainda que a lei expressamente afirme que as delações não têm o valor de prova absoluta e as civilizações ocidentais, em suas democracias formais, baseiem-se em princípios como os do devido processo legal e da presunção de inocência, o terror jacobino em que se transformou a Lava Jato transformou, de forma desonesta e falaciosa, estas garantias constitucionais em obstáculos ao combate à corrupção. O estado democrático de direito, nas lentes sofistas do moralismo vulgar, seria incompatível com os propósitos messiânicos de varrer a corrupção do mapa. É só perceber, por exemplo, como a OAB vem se calando diante da constante violação das prerrogativas da categoria que diz representar.

O problema é que todos, indiscriminadamente, estão sujeitos a sofrer as consequências nefastas de uma democracia rarefeita – incluindo o próprio Sérgio Moro.

Rodrigo Tacla Duran, ex-advogado da Odebrecht e réu na Lava Jato, afirmou que o advogado Carlos Zucolotto Junior, amigo e padrinho de casamento de Moro, atuou no sentido de conseguir facilidades em um acordo de delação premiada por meio de negociações clandestinas com a força tarefa da Lava Jato. A nota divulgada por Moro em resposta é simplesmente incrível: saindo em defesa do amigo, afirmou o magistrado que a acusação carece de provas concretas e que não se deve dar crédito à palavra de um acusado – exatamente o que o próprio Sérgio Moro vem fazendo ao conferir às delações um valor probatório que a própria lei proíbe bem como ao banalizar a decretação de prisões preventivas.

Frente a quantidade de indícios que apontam para a necessidade de esclarecimentos, Moro estaria em péssimos lençóis caso esta situação fosse apreciada por algum juiz justiceiro entusiasta de sua metodologia nada republicana. O juiz e a força tarefa terão, agora, que se valer da presunção de inocência tão vilipendiada pela 13ª Vara Federal de Curitiba para que seus patrimônios morais não sejam injustamente arranhados.

Nos tempos do terror jacobino, nem Robespierre e Danton, líderes da Revolução Francesa, escaparam de ser guilhotinados pela justiça revolucionária. O problema de tirar o Estado Democrático de Direito do bolso quando convém é a inconveniência de ter que lidar com o monstro que crescera se alimentando de pedaços da democracia. As mãos que indolentemente lhe jogaram fatias, ao que parece, são as mesmas que hoje correm o risco de ser devoradas. Agora, que da democracia restam apenas os pés e o pescoço, será possível abrir uma exceção dentro da exceção e salvaguardar Sérgio Moro, Dallagnol e sua equipe da atmosfera jacobina que eles próprios criaram?


Gustavo Freire Barbosa é professor e advogado.

sábado, 26 de agosto de 2017

Enfrentamento aos retrocessos não pode esperar 2018

Sanguessugado do Justificando

Luis Felipe Miguel

Enfrentamento aos retrocessos não pode esperar 2018
Foto: Beto Barata/PR

A frase que resume com mais precisão o atual momento político e os dilemas da esquerda brasileira foi dita por Juarez Guimarães: “Entre nós e 2018 há o abismo”. Intelectual com uma longa trajetória no PT, Guimarães está alertando aqueles (incluindo importantes setores de seu próprio partido) que apostam que as eleições presidenciais levarão, de maneira quase milagrosa, a uma solução para o cenário aberto com o golpe do ano passado. Apenas uma ingenuidade comovente permite manter tamanha fé nas instituições, no exato momento em que elas gritam a plenos pulmões que não são confiáveis.

O abismo diante de nós pode ser abordado de diferentes maneiras. A primeira dela se vincula aos retrocessos. Enquanto esperamos por 2018, avança, de forma acelerada, o desmonte das conquistas obtidas a partir da carta constitucional de 1988 ou mesmo antes. É o fim da CLT e o súbito mergulho na total desproteção das classes trabalhadoras, cuja culminação pretendida é o fim ou a condenação à irrelevância da justiça trabalhista e a extinção dos mecanismos de combate ao trabalho em condições degradantes. É a desnacionalização da economia. É a abolição dos mecanismos de controle, desde sempre insuficientes, dos monopólios da mídia. É a descontinuidade das políticas de promoção da igualdade de gênero, da igualdade racial e do combate à homofobia. É o estrangulamento do Estado, com particular impacto em áreas como saúde, educação e ciência. Temos ainda, em pauta, a revogação dos direitos previdenciários e uma reforma política destinada a reduzir ainda mais a capacidade de influência dos cidadãos comuns. A lista é grande, quase interminável, mas aponta sempre na mesma direção: a construção de um país mais injusto e menos soberano.

"Isto está acontecendo agora e nossa reação não pode esperar por 2018, por dois motivos de fácil entendimento. Primeiro, porque os efeitos nefastos dos retrocessos já se fazem sentir, empurrando milhões de pessoas para maior privação material, reduzindo sua autonomia, estreitando seu horizonte de possibilidades, expondo-as a mais violência. Depois, porque cada centímetro de terreno perdido exigirá muito esforço, muita luta e muito tempo para ser reconquistado."

Outra maneira de encarar o abismo é vendo-o pelo ângulo do recuo nas liberdades políticas e, portanto, nas condições de luta. O golpe fez deteriorar os termos do debate público no Brasil, criminalizando as posições à esquerda, vedando-lhes acesso à discussão, mesclando o uso do aparelho de Estado (sobretudo o judiciário) e do mercado (pelo monopólio privado da informação) para levar a censura a um novo patamar. A repressão policial aos movimento populares ampliou-se. A perseguição judicial com motivação política tornou-se corriqueira. O Estado de direito foi fraturado e as liberdades liberais hoje vigoram de uma maneira que podemos classificar como menos que formal: não foram revogadas, mas os próprios agentes estatais assumem que elas têm vigência condicional, a depender das circunstâncias e dos envolvidos.

Uma terceira abordagem diz respeito ao próprio horizonte de 2018. Mesmo a realização das eleições presidenciais não pode ser considerada como garantida. A transformação do golpe disfarçado de impeachment constitucional em golpe aberto é uma hipótese ainda remota, decerto, mas nem por isso inexistente. Para os grupos hoje no poder, trata-se apenas de um cálculo de custo-benefício entre os riscos de manter a competição eleitoral e o desgaste de descartá-la – ilude-se quem pensa que eles têm alguma posição de princípio em favor das regras democráticas. Balões de ensaio são lançados; o da vez é a mudança do sistema de governo. Estaríamos revivendo 1964 às avessas: agora, o parlamentarismo seria não o prelúdio, mas a coroação do golpe. Mesmo que as eleições ocorram, há o risco de que sua legitimidade seja suprimida, com a exclusão arbitrária do candidato favorito. Mais uma vez, aqui, o que pesa para os donos do poder é o cálculo de custo-benefício.

Por fim, introduzo uma quarta abordagem, talvez a mais dramática de todas: nossa incapacidade de resistir.

O que falta? Temos políticas governamentais que são rechaçadas pela ampla maioria da população, que compreende como elas são lesivas ao povo e à nação. Temos um presidente ilegítimo, impopular e reconhecidamente corrupto, cercado de uma quadrilha sobre a qual é revelada um novo escândalo a cada dia. Temos um Congresso que, à luz do dia, vira as costas a seus constituintes e negocia vantagens imorais para si mesmo. Temos um Judiciário cuja figura dominante é Gilmar Mendes (mais nada precisa ser dito). Ou seja: parece não faltar nenhum ingrediente para a eclosão de uma mobilização massiva, em defesa dos direitos, da democracia e mesmo da moralidade pública.

A resposta predominante aos retrocessos é a passividade, a resignação. Se a greve geral de 28 de abril nos deu a ilusão de que era possível alimentar a resistência, essa ilusão já se dissipou.

A ausência de resistência, cujas raízes se encontram na política deliberada de desmobilização popular que fazia parte da estratégia do PT no poder, leva a uma espiral viciosa, fomentando a apatia futura. Somos cada vez mais levados a crer que nossa derrota é inevitável. E somos, no mesmo movimento, empurrados para a crença de que o jogo político se resolve nas “instituições”, aquelas mesmas que nos momentos cruciais mostraram de que lado estão. É preciso romper a espiral. Ampliar a mobilização agora é urgente, até mesmo para aumentar a possibilidade que a mobilização popular gere frutos no futuro.

Se o enfrentamento não for feito a partir de agora, o que nos espera após o abismo é uma situação ainda pior. Não desejo fazer nenhum exercício de futurologia depressiva, mas vamos supor que as eleições de 2018 ocorram “normalmente” e que um candidato com compromisso popular – Lula? – seja o vencedor, tome posse e comece a governar. O que aconteceria?

Lula governaria sob condições muito piores do que antes.

A capacidade de minimizar os efeitos da crise global é muito menor, seja porque a aposta nos BRICS tem sido desmanchada pelo governo golpista, seja porque a própria economia chinesa tem perdido dinamismo. Com isso, a possibilidade de acomodar o conflito distributivo interno fica prejudicada. Ao mesmo tempo, a ideologização radical do discurso conservador, que agora assumiu sem rodeios a defesa das desigualdades, torna mais custosos os acenos aos setores médios, para apaziguá-los. A politização agressiva e à direita do aparelho repressivo do Estado gera dificuldades para que um governo com base popular retome a prática da cooptação da maioria parlamentar pela distribuição de vantagens, como era feito. Mais importante: o capital endureceu suas posições e a “conciliação” que lhe serviu um dia agora não serve mais. Nessas circunstâncias, um novo governo Lula significaria uma versão muito aviltada do anterior, trabalhando em limites muito mais estreitos, com um horizonte de justiça social ainda mais rebaixado. Em vez de reverter o golpe, seu projeto não poderia ir além de amenizar seus efeitos.

É por isso que o investimento na resistência popular é fundamental, mesmo que se imagine que o caminho de uma saída passa por eleições. A passividade dos setores populares e a aceitação de que o jogo se limita às instituições políticas (aceitação enviesada, uma vez que as pressões diretas da burguesia são entendidas desde sempre como parte normal do processo) anula a capacidade de contrapressão em favor dos direitos e das políticas sociais. Mesmo que venha a surgir um governo mais sensível às demandas populares, nenhuma política de combate aos retrocessos – e, quem sabe, de promoção de novos avanços – pode ser implementada sem o apoio ativo das ruas.


Luis Felipe Miguel é doutor em ciências sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professor titular do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB)

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

O novo algoritmo da Google limita o acesso a sites esquerdistas e progressistas da Web

Renzo Bassanetti Bassanetti

Tinha certeza que cedo ou tarde fariam isso, tendo em vista o crescente descrédito da população na grande falsimidia. Acho até que estão interferindo de forma mais ampla, pois estou tendo crescentes dificuldades(demora ou não possiblilidade de entrada ) para acessar alguns sites emblemáticos e independentes na área de geopolítica, como o Elespiadigital e Insurgente.

Abraços,



O novo algoritmo da Google limita o acesso a sites esquerdistas e progressistas da Web


Andre Damon y Niles Niemuth
WSWS.org

Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

Nos  três meses decorridos a partir do momento que a Google, monopolizadora da Internet anunciou planos para impedir que usuários tivessem acesso a “notícias falsas”, caiu significativamente o posicionamento global do tráfego de um amplo leque de organizações esquerdistas e progressistas, contrárias à guerra e favoráveis aos direitos democráticos.

Em 25 de abril de 2017, a Google anunciou  que tinha implementado mudanças em seu serviço de busca para dificultar o acesso dos usuários ao que ela chamou de “informação de baixa qualidade”, tais como teorias da conspiração e notícias falsas.

A companhia disse, através de uma postagem em um blog, que o propósito central das mudanças em seu algoritmo de busca era dar ao gigante das buscas um controle maior para identificar conteúdo  considerado objetável segundo suas pautas. Declarou que “tinha melhorado seus métodos de avaliação e fez atualizações algorítmicas”, com o propósito de “fazer aparecer mais conteúdo confiável”. 

A Google continuou: “No mês passado, atualizamos nossas Pautas para o Posicionador de Qualidade de Buscas para proporcionar exemplos mais detalhados de páginas de baixa qualidade, para que esses posicionadores  os assinalem adequadamente”. Esses moderadores tem instruções  de assinalar experiências incômodas de usuários”, incluindo páginas que apresentam  “teorias da conspiração”, a não ser que a busca indique claramente que o usuário está procurando um ponto de vista alternativo”.

A Google não explica com precisão o que quer dizer com a expressão “teoria da conspiração”. Usando a categoria ampla e amorfa de notícias falsas, o objetivo do sistema de buscas da Google é restringir o acesso a sites web alternativos, cuja cobertura e interpretação dos eventos entra  em conflito  com os meios do stablishment, tais como o New York Times e o Washington Post.

Assinalando o conteúdo de maneira que ele não apareça nas duas primeiras páginas dos resultados de uma busca, a Google é capaz de bloquear de fato o acesso dos usuários a ele. Tendo em vista que enormes quantidades de tráfego na Internet são influenciadas pelo resultados das buscas, a empresa pode de fato esconder ou enterrar conteúdos  que não lhe convenham através da manipulação da posição dos objetos de busca.

Justamente no mês passado, a Comissão Européia multou a companhia em 2,7 bilhões de dólares por manipular os resultados das buscas para direcionar os usuários de maneira imprópria para seu próprio serviço de comparação de compras, Google Shopping. Agora, parece que a Google está utilizando esses métodos criminosos para impedir que os usuários acessem pontos de vista políticos com os quais a companhia não concorda.

O World Socialist Web Site tem sido alvo dos novos “métodos de avaliação” da Google. Enquanto em abril se originaram 422.460 visitas ao WSWS em buscas através da Google, os números baixaram para aproximadamente 120.000 visitas neste mês, uma queda de mais de 70%.
Mesmo utilizando termos de busca como “socialista” e “socialismo”, leitores tem nos informado que está cada vez mais difícil localizar o World Socialist Web Site através de buscas na Google.

 
Buscas na  Google ao WSWS caíram cerca de  70 por cento.
 
Segundo o serviço de ferramentas de administração de sites web do Google, o número de buscas que desembocavam onde o usuário encontrava conteúdo  do World Socialist Web Site (ou seja, onde aparecesse algum artigo do WSWS em uma busca feita no Google), caiu de 467.890 por dia para 138.275 no decorrer da passagem desses três meses. A posição média de artigos em busca, enquanto isso, caiu de 15,9 para 37,2 (sic) no mesmo período. 

David North, diretor da Junta Editorial do WSWS, declarou que a Google está implicada na censura política.

 “O World Socialist Web Site existe  há quase vinte anos”, disse ele, “e conseguiu reunir uma vasta audiência internacional. Durante a primavera passada, o número de visitas individuais   ao WSWS por mês superou os 900.000.

“Enquanto um percentual significativo de nossos leitores acessa o WSWS diretamente, muitos usuários da web chegam ao site através de buscadores, dos quais a Google é o mais amplamente utilizado. Não há nenhuma explicação inocente para a queda extremamente aguda de leitores  através da Google,  quase que da noite para o dia.”

‘A pretensão da Google de que está protegendo os leitores das ‘notícias falsas’ é uma mentira motivada politicamente. A Google é um monopólio massivo, com vínculos muito estreitos com o Estado e com agências de inteligência, e está bloqueando o acesso ao WSWS e a outros sites web de esquerda e progressistas através de um sistema de busca manipulado”.

Nos três meses decorridos desde que a Google implementou as mudanças em seu buscador, menos pessoas acessaram os sites de notícias de esquerda ou que se opõem à guerra. Com base na informação disponível em Alexas análises, outros sites que experimentaram drásticas quedas no posicionamento incluem WikiLeaks, Alternet, Counterpunch, Global Research, Consortium News e Truthout. Inclusive, grupos proeminentes dos direitos democráticos, como American Civil Liberties Union e Amnestesy International parecem ter sido afetados.   

 
Um amplo leque  de sites de esquerda, progressistas e que se opõem à guerra tem observado seu posicionamento em volume de tráfego cair nesses três meses passados.

Segundo a Google Trends, o termo “notícia falsa” quase quadriplicou sua popularidade no início de novembro, na época das eleições estadunidenses, quando os democratas, meios de comunicação do stablishment e agências de inteligência tentaram  colocar a culpa da vitória eleitoral de Donald Trump sobre Hillary Clinton nas “informações falsas”.

Em 14 de novembro, o New York Times informou que a Google e o Facebook “enfrentavam uma crítica crescente sobre como as notícias falsas em seus sites poderiam ter influído no resultado das eleições presidenciais”, e estariam tomando medidas para combater as “notícias falsas”.  

Dez dias mais tarde, o Washington Post publicava um artigo, “Esforço de propaganda russo ajudou a difundir ‘notícias falsas” durante as eleições, dizem os especialistas”, que citava um grupo anônimo conhecido como ProOrNot, que compilou uma lista de sites de “notícias falsas” que difundiam “propaganda russa”. 

A lista incluía vários sites classificados pelo grupo como “esquerdistas”. De modo significativo, colocou na sua mira a globalresearch.ca, que reproduz frequentemente artigos do  World Socialist Web Site.

Depois das críticas generalizadas de que a matéria era pouco mais do que uma lista negra de sites que se opõem à guerra e ao stablishment, o Washington Post  viu-se obrigado a publicar uma retratação, declarando “O Post, que não citou nenhum dos sites, como tal não dá respaldo à validade das denúncias de ProOrNot”. 

Em 7 de abril, Bloomberg News informou que a Google estava trabalhando diretamente com o Washington Post e o New York Times para “comprovar os fatos” dos artigos e eliminar as ‘notícias falsas’. A isto, seguiu-se a nova metodologia de busca da Google.

Três meses mais tarde, dos 17 sites declarados como de “notícias falsas” pela desacreditada lista negra do Washington Post, 14 viram cair seu posicionamento. A queda média de acessos globais de todos esses sites é de 25%, com alguns chegando a 60% de decréscimo em alcance global. 

“Essas ações por parte da Google se constituem em censura política e são um ataque descarado à liberdade de expressão”, disse North. “No momento em que é generalizada a desconfiança pública em relação aos meios de comunicação do stablishment, esse gigante corporativo está se aproveitando de sua posição monopolizadora para restringir o acesso público  a um amplo espectro de notícias e análises crítica


A Era do Foda-se

Sanguessugado do Sakamoto

Leonardo Sakamoto

"Vivemos a "Era do Foda-se". Sabe aquele esforço em se preocupar com as consequências das próprias ações e palavras e, no mínimo, manter as aparências? Então, ele se aposentou ou tirou férias, mandando avisar que só dá as caras quando a democracia plena voltar ao Brasil. Até lá, cada autoridade ou membro da elite deste país pode falar ou fazer o que quiser, sem medo da repercussão negativa junto à população. Até porque, convenhamos, foda-se.

Alguns dizem que isso vai gerar uma transparência sem igual na sociedade que nos levará a um patamar superior da existência no futuro e o melhor é tudo acontecer à luz do dia ao invés de se passar nos porões do Palácio do Jaburu. Há uma falsa dualidade nessa história, como se fossem possíveis apenas duas opções: pessoas que fazem coisas erradas e são sinceras e pessoas que fazem coisas erradas e mentem. Há a alternativa de fazer a coisa certa e ser sincero, mas - pelo visto - essa opção está no campo da ficção.

As estripulias de Gilmar Mendes são um dos capítulos mais evidentes do "foda-se" geral e irrestrito. O ministro do Supremo Tribunal Federal não tem pudor algum de aconselhar Michel Temer em uma noite e, logo depois, presidir a sessão no Tribunal Superior Eleitoral que salvou o poeta das mesóclises de ser guilhotinado. Também não vê conflito de interesses em mandar soltar, duas vezes em um prazo de 24 horas, um empresário acusado de corrupção de quem ele próprio foi padrinho de casamento de sua filha. Isso sem contar o Aécio.

Vendo as declarações dadas pelo tenente-coronel Ricardo Augusto de Mello Araújo, novo comandante da Rota, tropa da PM paulista, percebi que elas são consequência de nosso tempo. Ele assumiu que não é possível abordar pessoas da periferia e em bairros nobres da mesma forma. "É uma outra realidade. São pessoas diferentes que transitam por lá. A forma dele abordar tem que ser diferente. Se ele [policial] for abordar uma pessoa [na periferia], da mesma forma que ele for abordar uma pessoa aqui nos Jardins, ele vai ter dificuldade. Ele não vai ser respeitado", explicou ao repórter Luís Adorno, do UOL.

"Da mesma forma, se eu coloco um [policial] da periferia para lidar, falar com a mesma forma, com a mesma linguagem que uma pessoa da periferia fala aqui no Jardins, ele pode estar sendo grosseiro com uma pessoa do Jardins que está ali, andando."

Pode ser chocante ver o comandante afirmar que o policial deve se adaptar ao lugar em que está, desconsiderando que a imensa maioria da população, seja em bairros pobres ou ricos, segue a lei e que todos deveriam ser tratados da mesma forma pelo Estado. Isso, porém, não é novidade para qualquer jovem negro e pobre da periferia que, não raro, é suspeito por ser negro e pobre. Seria melhor, contudo, ao assumir a situação, afirmar que vai lutar para mudá-la.

Mello Araújo pode ter a melhor das intenções e todos torcemos para que policiais honestos, que ganham pouco por uma profissão de risco, não se tornem estatísticas de morte do crime organizado. Mas essas declarações dadas sem nenhum porém ou entretanto são consequência de nosso tempo.

O Congresso Nacional é o maior exemplo da Era do Foda-se, com seu descolamento total e abissal com relação aos interesses do restante da sociedade. Boa parte dos que estão ali defendem o seu, o de seus ricos patrocinadores e o de seus grupos de interesse. E ponto. Aprovam propostas que seriam rejeitadas nas urnas e dobram a democracia para garantir sua perpetuação no poder. Vendem seus votos para o Palácio do Planalto com o objetivo de evitar que um presidente denunciado por corrupção seja processado. E legislam em causa própria, chegando ao cúmulo de tentar um autoperdão de suas dívidas bilionárias com o poder público.

A Era do Foda-se tem suas consequências, claro. Vendo autoridades darem de ombros, a população vai deixando de acreditar naquilo que nos mantém unidos como país. E passam a descumprir leis, regras e normas porque percebem que não valem muita coisa mesmo. E iniciado, o processo de derretimento das instituições e do respeito da população a elas não pode ser freado do dia para a noite.

A solução demanda nova pactuação política e social, aliada a muito suor em articulações para a construção de consensos. A dúvida que fica é se a reação em cadeia atualmente em curso inevitavelmente nos levará para o buraco. Leia-se por "buraco" a eleição, por vias democráticas, de uma figura antidemocrática em 2018 ou a busca por soluções autoritárias por parte de uma população cansada do clima de "vale tudo" e de "ninguém é de ninguém". Eu diria "Que Deus nos ajude". 

Mas Jeová deve estar ocupado com o povo de farda que invadiu sua casa sem mandado.

E, uma vez no buraco, cada um vai lutar por sua sobrevivência e as daqueles que veem como seus semelhantes. O bem do coletivo? Foda-se."


quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Belluzzo: Meirelles “não tem noção de nada”


"Hoje, estamos desmontando completamente a base estrutural da economia brasileira", aponta economista

Luiz Gonzaga Belluzzo

Luiz Gonzaga Belluzzo

"Vou vender minha casa para poder jantar. É isso que eles estão fazendo”, diz Belluzzo sobre equipe econômica

 Anúncios como a da privatização da Eletrobrás, feito nessa segunda-feira pelo Ministério das Minas e Energia, é mais um passo na demolição de uma longa construção institucional feita pelo Brasil ao longo das últimas décadas. A avaliação é do economista e professor da universidade Estadual de Campinas, Luiz Gonzaga Belluzzo, em entrevista concedida à Rádio Brasil Atual.

“O que estamos assistindo é uma desconstrução agressiva de todo o arranjo institucional e produtivo que levou o Brasil, no final dos anos 1970, a se transformar na economia em desenvolvimento mais industrializada”, analisa ele, ressaltando que hoje temos uma discussão muito limitada a respeito das condições do avanço do desenvolvimento no país.

Belluzzo fala sobre o processo de desindustrialização vivido pelo Brasil, que saiu de 29% de participação da indústria no PIB para quase 10%, e utiliza o modelo chinês como parâmetro de comparação. “A China se ajustou à industrialização a partir das políticas econômicas nacionais, de investimento em infraestrutura, de atração de capital estrangeiro, de mobilização das suas forças para se transformar e absorver a tecnologia trazida pelas empresas”, destaca. "Não há lá a oposição entre Estado e mercado. Eles sabem que se trata de capitalismo. O capitalismo usa o mercado, mas não pode prescindir do papel de coordenação e articulação do Estado.”

Meirelles “não tem noção de nada”

Perguntado a respeito da declaração do ministro da Fazenda Henrique Meirelles em entrevista, afirmando que um candidato com uma “mensagem reformista” deve ganhar as eleições presidenciais de 2018, o economista foi enfático. “Não sei se tenho vontade de rir, é uma coisa ridícula o que ele está falando. Quando se fala em reforma, todo mundo é a favor, mas essas reformas que estão sendo propostas não estão olhando para frente, mas para trás. Para frente, vamos ter que discutir qual é o projeto estrutural para a economia brasileira. Vamos prosseguir na industrialização, vamos entrar na disputa da indústria 4.0, mais automatizada?”, questiona.

Belluzzo critica a condução da atual política econômica. “É visível que ele (Henrique Meirelles) não tem noção de nada. Na apresentação da revisão do déficit, fiquei espantado com a primariedade. Ele é primário, é só um símbolo que o mercado inventou, mas é uma pessoa inadequada. Desculpe, é uma pessoa mal formada, não tem ideia nenhuma do que está fazendo”, afirma. “Na verdade, a política econômica adotada corresponde exatamente às reivindicações do mercado e dos seus formuladores e representantes que jogaram a economia brasileira num abismo de 7,5% de queda do PIB. Não dá para mostrar uma recuperação consistente. Um sinalzinho aqui ou ali, e eles começam a celebrar.”

Para o economista, a diretriz de cortes de gastos com redução da participação do Estado atenta contra o próprio princípio do mercado. "Em 2014, o déficit primário era de 0,6% do PIB. Hoje, é de praticamente 3%. Se você secciona o movimento de geração de emprego e renda, aumenta o endividamento das empresas com o choque de juros e de tarifas, como é que alguém pode imaginar que isso vai produzir ajuste? Só no hospício. Não há nenhuma consistência nisso, e eles insistem e repetem", critica. “Você ouve a Globonews e se fala que precisa cortar mais. Isso não tem nenhuma consistência lógica. Contradiz exatamente qual é a forma de funcionamento de uma economia de mercado capitalista, em que a renda decorre do gasto. É claro que isso não se pode fazer indefinidamente, tem limites. Mas se se faz um corte dessa magnitude numa economia que está desacelerando – pelo fim do ciclo de commodities, endividamento das empresas –, vai produzir o que ocorreu. O endividamento cresce porque as receitas caem, daí vem a ideia de vender ativos. Vou vender minha casa para poder jantar. É isso que eles estão fazendo”, argumenta.

“Empresas estatais funcionavam como provedoras de vantagens para o setor privado, porque produziam insumos universais – combustível, eletricidade, siderurgia. Chineses não privatizam essas coisas. Sabem que, na articulação com o setor privado, é importante que se tenham empresas provedoras desses insumos a preços razoáveis, e também que coordenem o investimento”, diz Belluzzo. “No Brasil, o setor de bens de capital nasceu com as estatais. O investimento das empresas estatais puxava o investimento do setor privado, que aproveitava espaços criados pelo investimento público. Hoje, estamos desmontando completamente essa base estrutural da economia brasileira.”

Efeitos da Lava Jato na economia
Sobre os impactos da Operação Lava Jato na economia, Belluzzo aponta que os operadores do Direito que integram a força-tarefa não compreendem as consequências da sua interferência em determinados setores econômicos. “Os promotores e juízes carecem de uma formação prática, um pouco de noções básicas de como funciona a economia, de como são articuladas as cadeias produtivas. Estão fazendo uma coisa estritamente a partir dos critérios de punição, critérios jurídicos de sanção aos controladores e às empresas. Teria que separar isso. Uma coisa é a punição dos controladores, outra é a destruição das empresas. É o que eles estão promovendo”, acredita.

Segundo o economista, tal situação decorreria da própria formação de promotores e juízes. “É um problema de nível cultural. As universidades em geral, no mundo inteiro, estão acentuando a especialização, o que é um desastre, porque você perde a capacidade de olhar o conjunto. Isso tem a ver com a formação desses rapazes. É só olhar para eles para perceber que têm claras deficiências intelectuais. Sinto muito dizer isso, mas sou obrigado a dizer, pela maneira como se comportam, como se manifestam”, aponta.


A ruptura com o processo democrático a partir da queda da presidenta Dilma Rousseff estaria na base de todos os retrocessos vindos na sequência, segundo Belluzzo. “Há um ponto de mudança fundamental, que foi a violação do princípio básico da democracia e da soberania popular, com o impeachment da presidenta Dilma. Daí para frente, o que estamos assistindo é um processo de realimentação positiva de fatos negativos”, avalia. “O momento de ruptura foi o impeachment. Surrupiaram o voto, meu voto foi roubado. Nós elegemos a presidenta da República. Não podia ter sido feito daquela maneira, a partir de pretextos insubsistentes. Violaram o princípio da soberania popular, nisso estão associados todos os que fizeram acontecer e os que não impediram que isso acontecesse.”

Eletrobras: mais um crime de lesa pátria

Sanguessugado do GGN

A aberração da venda da Eletrobras
"A avaliação de R$ 20 bilhões equivale a menos da metade de uma usina como Belo Monte. A Eletrobrás tem 47 usinas hidroelétricas, 114 térmicas e 69 eólicas, com capacidade de 47.000 MW, o que a faz provavelmente a maior geradora de energia elétrica do planeta. É uma empresa tão estratégica quanto a Petrobras."

Luis Nassif


O anúncio de venda da Eletrobras para fazer caixa é uma das iniciativas mais aberrantes do governo Temer. A ideia da “democratização do capital” e a comparação com a Vale e a Embraer é esdrúxula. Ambas estão na economia competitiva enquanto a Eletrobrás é uma concessionária de serviços públicos, estratégica para o país.

A avaliação de R$ 20 bilhões equivale a menos da metade de uma usina como Belo Monte. A Eletrobrás tem 47 usinas hidroelétricas, 114 térmicas e 69 eólicas, com capacidade de 47.000 MW, o que a faz provavelmente a maior geradora de energia elétrica do planeta. É uma empresa tão estratégica quanto a Petrobras.

A Eletrobras está sendo contruída desde 1953 e exigiu investimentos calculados em R$ 400 bilhões do povo brasileiro. Além da capacidade geradora, que equivale a meia Itaiupu, a Eletrobras controla linhas de transmissão, seis distribuidoras e a Eletronuclear, empresa estratégica que detém as únicas usinas nucleares brasileiras.

O modelo elétrico brasileiro é uma obra de engenharia fantástica, resultado do pensamento estratégico de especialistas como Octávio Marcondes Ferraz, Mário Thibau, Mário Bhering, um conjunto de técnicos da Cemig – que também corre risco idêntico.

No governo Fernando Henrique Cardoso, o desmonte irresponsável desse modelo promoveu um encarecimento brutal das tarifas, que acabou tirando a competitividade brasileira em vários setores eletro intensivos. Lá, como ágora, moviam-se exclusivamente por visão ideológica, sem um pingo de preocupação com a lógica de um sistema integrado.

O comprador com toda probabilidade será um grupo chinês que por 20 bilhões de reais assumirá o provavelmente maior parque de geração hidroelétrica do planeta. É realmente inacreditável o nível de improvisação, cegueira estratégica, leviandade suspeita atrás desse tipo de decisão de quebra-galho financeiro.

Nos EUA, o parque hidroelétrico, que corresponde a 15% da matriz energética , é estatal federal, porque lá se acredita que energia elétrica, que envolve recursos hídricos são de interesse nacional e não podem ser privados. Lá há muito cuidado com água, rios e represas e nunca se pensou em privatizar.

A ideia de privatizar estava obvia quando a rainha das privatizações da Era FHC  Elena Landau foi colocada como presidente do Conselho da empresa. Há um mês pediu demissão para não ficar evidente demais sua presença com o anúncio da privatização, ligando a lembranças de sua atuação no governo tucano.


Para completar o pesadelo, o Ministro de Minas e Energia é um rapaz de 33 anos, formado em administração de empresas pela FAAP, sem qualquer especialização na área e representando o histórico PARTIDO SOCIALISTA BRASILEIRO, de ilustres nomes como João Mangabeira, que deve estar se revirando na tumba com tal iniciativa por  um "socialista" pernambucano.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

O que sobrou do Brasil?

Feicibuqui do Jorge Furtado



A situação no momento é a seguinte: o governo é ocupado por um mentiroso corrupto e golpista, cercado de uma quadrilha de punguistas, estelionatários e grileiros, todos acusados de vários crimes, acoitados no foro especial para evitar a cadeia; o STF é uma turma de omissos de rabo preso que mascaram sua covardia com um juridiquês arcaico, perucas e data vênias; o TSE é chefiado pelo execrável Gilmar Mendes, cuja especialidade é soltar estupradores e ladrões milionários; o congresso é a maior concentração de bandidos fora dos presídios, legislando em causa própria, enchendo os bolsos de dinheiro público e armando trapaças para se manter no poder; os governos estaduais e as prefeituras, com poucas e honrosas exceções, são ocupados por imbecis e medíocres variados; o judiciário virou uma casa da mãe Joana, com juízes transformados em justiceiros midiáticos; o ministério público está tomado por políticos arrivistas e vaidosos; a polícia federal está dividida em facções políticas; a imprensa jogou no lixo a sua credibilidade faz tempo, protegendo seus bandidos preferidos, perseguindo seus desafetos e dando espaço a humoristas amadores e capachos dos patrões; as igrejas são caça níqueis, povoadas de malucos, homofóbicos e picaretas, que saqueiam o bolso dos miseráveis em nome de Deus; os sindicatos são clubes de privilégios preocupados em fazer caixa; as cidades viraram praças de guerra, com 60 mil mortos à bala por ano; as redes sociais são plataformas de ódio e futilidades. 

O que sobrou do Brasil?

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

terça-feira, 15 de agosto de 2017

São Paulo: a origem

GilsonSampaio

Talvez esteja aí nessa história revista a explicação do, digamos, conservadorismo paulista.
Inconsciente coletivo? Atavismo?

youtube Eduardo Bueno



Um país que perdeu o medo do ridículo

Sanguessugado do GGN

Luis Nassif


Em São Paulo, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima discorre sobre história do Brasil. Fala dos degredados que incutiram nos brasileiros a malandragem atávica, poupando apenas os procuradores.

Em algum lugar do Brasil, o Ministro Luís Roberto Barroso cita Faoro e Buarque e o grande pensador Flávio Rocha, dono das Lojas Riachuelo, para discorrer sobre reforma trabalhista.

No Twitter, o procurador Hélio Telho rebate o economista Paulo Rabello de Castro e diz que ele (Telho) precisa ensinar capitalismo de verdade a esses capitalistas de compadrio.

Seu colega goiano, Ailton Benedito, da Procuradoria dos Direitos do Cidadão, afirma, no Twitter, que os nazistas eram socialistas, porque seu partido se chamava Nacional Socialismo e em que breve os socialistas-nazistas brasileiros matarão os cidadãos nacionais.

Não bastassem os atentados ao estado de direito, a invasão da política, esses gênios do data vênia resolvem agora enveredar por todos os campos do conhecimento, com mesma desenvoltura de um Romário, de Neimar falando platitudes. Tornaram-se celebridades e se sentiram no direito de falar bobagens e não serem cobrados, como fazem as celebridades, que são inimputáveis.

Onde se vai parar esse exibicionismo maluco? Daqui a pouco estarão discorrendo sobre a Teoria da Relatividade, como Ayres Britto. Quando a imprensa terá coragem de dizer para esses gênios que o espaço dado a eles é apenas utilitarista, porque ajudam no seu jogo político e que sua militância intelectual é ridícula e expõe o próprio poder ao qual pertencem?

Esse mundo de faz-de-conta da mídia criou egos tão monumentais, que, além de discorrer sobre os degredados portugueses, Carlos Fernando se viu com o poder de puxar a orelha da futura Procuradora Geral da República! E tudo isso do alto da autoridade conferida por uma cobertura displicente, que não consegue diferenciar o canto da cotovia do zurrar de um jumento.

Dia desses, um desses procuradores estava indignado porque a Polícia Federal tomou medidas internas sem pedir sua opinião.

Ontem anunciou-se que o bravo Ministério Público Federal está proporcionando cursos de Twitter para o procurador que quiser se aventurar. Para quê? Para que exercitem uma militância nociva, politizando as discussões, agindo como partido político com militantes de egos exacerbados?

Para prestar apenas contas de seus atos, não será, porque senão não se permitiria a Dallagnol e outros militantes o uso do Twitter para ataques ao Congresso, por pior que seja, aos advogados e aos críticos da Lava Jato.


É um pesadelo sem fim. Quando se envereda pelo caminho do ridículo, com a sem-cerimônia dos néscios, é porque se chegou ao fim da linha.

domingo, 13 de agosto de 2017

Fascismo em marcha: PM ocupa audiência pública em universidade e intimida alunos e professores

Sanguessugado do Forum


O caso aconteceu na Unifesp da Baixada Santista, em São Paulo. Policiais militares, com placas de “Bolsonaro 2018”, compareceram em peso na audiência pública sobre o Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos para aprovar pautas que retiram conceitos de direitos humanos da educação. Alunos e professores foram ameaçados e intimidados

 

Alunos e professores da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) do campus Baixada Santista (SP) estão assustados com o que aconteceu na última sexta-feira (11).  Foi realizada na universidade, sem muita divulgação, uma audiência pública, convocada pelo Conselho Estadual da Condição Humana, para discutir o texto do Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos de São Paulo. A comunidade acadêmica, de acordo com relatos, foi surpreendida por uma presença massiva de policiais militares – eram cerca de 100 agentes, entre fardados e à paisana.

Segundo professores e alunos, muitos desses policias portavam placas com os dizeres “Bolsonaro 2018” e “Direitos humanos para humanos direitos”. Intrigados, estudantes e docentes resolveram participar da audiência e, então, constataram que os policiais estavam ali, na verdade, para aprovar pautas no plano que limitam o conceito de direitos humanos na educação. Entre as propostas dos policiais, estava “mudar a nomenclatura Ditadura Militar de 1964 para Revolução de 1964”, “retirar a discussão de gênero nas escolas”, entre outras medidas.


De acordo com a Associação dos Docentes da Unifesp (ADUNIFESP), que divulgou nota de repúdio sobre o caso, os policiais não queriam deixar os docentes e estudantes participarem da audiência sob o argumento de que eles não estavam lá desde o início. Como a comunidade acadêmica protestou, os PMs teriam começado a desferir xingamentos como “vagabundos” e fazer intimidações e ameaças, como filmá-los. Ainda mais grave, teriam disparado frases como “Depois morre e não sabe o porquê!” ou “Quando precisarem da polícia, chamem o Batman”.

A reportagem da Fórum entrou em contato com a secretaria de Segurança Pública, responsável pela Polícia Militar, para que se posicionasse quanto às denúncias aqui apresentadas mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

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Confira, abaixo, a nota da ADUNIFESP detalhando o episódio.

Manifestamos nosso mais profundo repúdio ao que ocorreu na Universidade Federal de São Paulo, Campus Baixada Santista, na noite de 11 de agosto de 2017, durante a Audiência Pública convocada pelo Conselho Estadual da Condição Humana para discutir o texto do Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos de São Paulo.

Desde às 18h o campus foi ocupado por policiais, muitos fardados e inicialmente armados (foi exigido que guardassem as armas). A calçada do portão principal ficou abarrotada de viaturas da Polícia Militar. A comunidade acadêmica que ali se encontrava para as atividades diárias tinha pouca informação a respeito e ficou estarrecida quando soube que se tratava de uma audiência em que seriam definidos os rumos da educação em direitos humanos e, mais ainda, quando compreendeu que os policiais militares (que a esta altura chegavam a quase cem) defendiam a proposta de eliminar conteúdos fundamentais à educação pública. Estes bradavam por “direitos humanos aos humanos direitos”, “mudar a nomenclatura Ditadura Militar de 1964 para Revolução de 1964”, “retirar a discussão de gênero nas escolas”, etc

Professores, técnicos e estudantes que estavam no campus, após tomarem conhecimento do que ocorria, decidiram participar da audiência e foram hostilizados pela tropa, que tentou impedir que votassem, sob o argumento de que não estavam lá desde o início. Houve até gritos de “vagabundos”. Se fazem isso contra quem estava no próprio espaço de trabalho e estudo (muitos descendo da sala de aula), o que não farão com pessoas mais vulneráveis em um país com cerca de treze milhões de desempregados?

Estudantes e professores que se manifestaram pacificamente com cartazes em defesa da Escola Pública e dos Diretos Humanos também foram hostilizados. Ouviram-se frase macabras, como “Depois morre e não sabe o porquê!” ou “Quando precisarem da polícia, chamem o Batman”. Além disso, um grupo de militares e seus apoiadores começou a fazer cartazes com “Bolsonaro 2018”, “Liberdade sem libertinagem”, “Pode confiar #”. Situação preocupante em que os que defendem a “escola sem partido” partidarizam sua atuação portando as vestes e as insígnias de uma corporação militar. Ainda mais lamentável: a alta patente fardada nada fez para controlar seus subordinados que, aliás, quase agrediram fisicamente algumas docentes e estudantes.

Feita a leitura do texto-base do Plano Estadual de Educação em Direitos Humanos de São Paulo, começou a “votação”. O que se viu foi um verdadeiro espetáculo de horror. Depois de perderem uma proposta, militares agrediram verbalmente professores e estudantes, chamando-os – mais uma vez – de “vagabundos”. Nas votações subsequentes, intimidaram-nos fazendo pessoalmente a contagem dos votos e filmando, fotografando e olhando de modo ameaçador cada um que votava contra a posição deles. Ao longo da noite, a comunidade acadêmica correu sérios riscos.

Foi aprovada a supressão de qualquer referência a direitos humanos no plano estadual; foi eliminado o item que obrigava o Estado a garantir a permanência e combater a evasão escolar das minorias; foi suprimida a obrigação de formar agentes de segurança pública com base nos princípios dos direitos humanos.

Apesar do temor, a comunidade acadêmica resistiu pacificamente. Externamos nossa forte preocupação com quem pretende, na base do grito, se sobrepor à produção de conhecimentos, à liberdade de pesquisa, à democracia e à autonomia universitária.
A Adunifesp-SSind entende que este ato abusivo e autoritário se insere num movimento maior de ataques à democracia e aos direitos humanos em curso em nosso país. Também o fato de que ele tenha ocorrido dentro da Unifesp escancara o processo de demonização e ataque às Universidades Públicas que é impetrado hoje em dia por setores reacionários da sociedade.
Por fim, repudiamos veementemente o modo como ocorreu a votação e solicitamos que o Conselho Estadual da Condição Humana desconsidere o resultado desta “consulta”.

Queremos esclarecimentos sobre a utilização do espaço da Universidade Federal de São Paulo para episódios desta natureza. Manifestamos nossa preocupação com a integridade física dos professores, técnicos e estudantes que ali defendiam o ensino público e de qualidade, a escola sem mordaça, a permanência dos direitos humanos como princípio norteador da educação. Exigimos que as chamadas autoridades competentes manifestem posição urgente e clara sobre o ocorrido, especialmente no tocante às relações entre disciplina da tropa e Estado de direito.

ADUNIFESP – SSind


Foto: Reprodução/Rádio da Juventude

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Inês é morta?

 feicibuqui do Fernando Horta

Na prática, com a política sendo quase uma questão de herança, o Distritão aprovado, o parlamentarismo e a quantidade de ricos e bilionários podendo bancar suas campanhas seremos governados pelas mesmas pessoas (seus filhos e netos) para sempre. Estão construindo uma "casta" imutável de governantes sustentados com dinheiro do Estado, como já fizeram os juízes (que ganham até auxílio-escola para filho até os 22 anos).

Nasceu filho de político vai viver neste círculo e reproduzir ele com ajuda do dinheiro público. Nasceu filho de juiz, vai ter muita ajuda do Estado para estudar nas melhores escolas (e os currículos agora são diferentes, lembrem-se) reproduzindo o status que recebeu do nascimento.

Filho de pobre não terá nenhuma alternativa a não ser continuar pobre e trabalhador (poderá piorar como mostraram as medidas do Temer)

Estão virtualmente acabando com a mobilidade social além de acabar com a democracia. Tudo numa tacada só.


Isto não é mais um golpe, é um atropelamento seguido de soterramento por carga tóxica.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

AS FRONTEIRAS DA SUBALTERNIDADE ou au au au au au

Sanguessugado do Mauro Santayana

No Brasil de hoje, parece que no trato com os gringos, estamos agindo como se estivéssemos quase sempre, despudoradamente, em permanente consulta proctológica.


Celso Lafer tirou os sapatos e escancarou a subserviência da elite deste País.

Enquanto os EUA suspendem a isenção de vistos para 38 países e o número de brasileiros barrados em aeroportos europeus - principalmente os espanhóis - aumenta em quase 10% - foram 923 apenas no primeiro trimestre - ainda há sujeitos que, no primeiro escalão do governo, defendem a isenção unilateral de vistos para países ditos "desenvolvidos", como se tivéssemos que assumir, na "nova ordem" mundial, a condição de cidadãos de segunda classe.
 
O "trade" turístico que nos desculpe, mas o diabo está nos "detalhes".

O excitatório frenesi dos vira-latas - que, junto ao entreguismo mais abjeto,  não consegue se refrear neste governo - precisa entender que, nas relações internacionais, o limite para o pragmatismo e o déficit de dignidade é o critério de reciprocidade.

Não se deve assegurar ao outro o que ele faz questão - de forma aberta e oficial - de negar-nos.

Especialmente quando somos a quinta maior nação do mundo em território e população e, por mais que a contrainformação fascista e midiática faça questão de ignorar, com  mais de 250 bilhões de dólares emprestados, o quarto maior credor individual externo dos EUA, por exemplo.

Uma condição que se deve, justamente, à atuação de governos que estão sendo goebbelslianamente acusados de terem assaltado e quebrado o país.

Como diriam nossos antepassados, quem muito se abaixa acaba mostrando as nádegas.


No Brasil de hoje, parece que no trato com os gringos, estamos agindo como se estivéssemos quase sempre, despudoradamente, em permanente consulta proctológica.

GOERING FICARIA ORGULHOSO: CONTINUAM OS VIOLENTOS ATAQUES DA EMPIRICUS A LULA NOS MEIOS "EMPRESARIAIS".

Sanguessugado do Mauro Santayana


Um dos fenômenos mais impactantes do processo histórico vivido pelo país neste momento, é a extensão, profundidade e complexidade alcançadas pelo amplo esquema de contrainformação fascista montado nos últimos anos.

Voltado para atingir não apenas o público geral, mas também segmentos específicos da opinião pública, como a juventude, as igrejas (católicas e evangélicas) os ruralistas e os empresários urbanos, ele tem operado, desde 2013, praticamente sem contestação.

Na ausência de planejamento tático, estratégia, determinação ou articulação, a esquerda, que poderia servir de alternativa a esse discurso, reage, junto com o campo nacionalista e democrático, de uma forma tão lamentável e errática, que as derrotas vão se sucedendo, umas sobre as outras, com grande rapidez e facilidade, como ocorreu com o golpe jurídico-parlamentar-midiático de 2016.

Não há no Brasil uma frente pela democracia.

Não existe, no país, um comitê estratégico de comunicação, que pudesse, ao menos em parte, suprir a ausência dessa frente, ou transformar-se no seu braço mais atuante, em defesa da Verdade, da Liberdade, do Estado de Direito e da Constituição.

Nem uma coordenação jurídica nacionalista e desenvolvimentista, que possa restabelecer minimamente a justiça e fazer frente  ao verdadeiro tsunami de calúnias produzido de forma mendaz pelo sistema de manipulação entreguista e fascista, em seus moinhos, ininterruptamente ligados, de ódio, mentira e hipocrisia.

E nem sequer grupos de monitoramento dignos desse nome, para ao menos mapear o que está ocorrendo nesse contexto, na internet e nos meios tradicionais de comunicação.

A cada 24 horas, no âmbito econômico e no institucional,  da desculpa da busca de austeridade - agora ridicularizada pelos mais de 3 bilhões em emendas parlamentares aprovados pelo governo - que disfarça e sustenta a entrega da nação aos estrangeiros, à suposta defesa da honestidade que justifica, por meio do discurso de combate à corrupção, a destruição do Brasil, de programas e projetos no valor de centenas de bilhões de reais, são gerados, livre e maciçamente - na mídia, nos organismos de controle, justiça e segurança da República, nos intestinos de uma plutoburocracia sem nenhuma visão geopolítica ou um mínimo de sensibilidade estratégica para com a dimensão e a história do país que está irresponsavelmente arrebentando - centenas de ataques (milhares, se somarmos as redes sociais) ao Estado, à Democracia e à Política.
Às principais  empresas nacionais e aos nossos bancos públicos - que poderiam nos servir de instrumento para enfrentar a crise em que nos meteram a propaganda, a conspiração e a sabotagem golpista desde a época da Copa do Mundo - distorcendo descaradamente a verdade, invertendo a realidade dos fatos, criando mitos tão mendazes quanto absurdos.

Disseminam-se, como sementes de ódio que brotam assim que atingem o solo - e tivéssemos sido tomados por um cego, orgásmico e orgiático viralatismo - falsos paradigmas que estão chegando - pela constante repetição, no incansável "pós venda" da "pós-verdade" - a milhões de brasileiros, nos mais diferentes nichos da sociedade e regiões do país, cumprindo sua missão de enfraquecer e destruir o Estado, desnacionalizar a economia e nossos principais  instrumentos de desenvolvimento, e de ajudar a entregar, quem sabe definitivamente, o país ao fascismo, com embrulho de presente e tudo, nas próximas eleições.

Para fazer isso, a  aliança entre direita "light", o anticomunismo tosco e anacrônico e o entreguismo mais abjeto, que encontraram no território brasileiro, nos últimos anos, um campo fértil, adubado com o preconceito e a ignorância, não utilizam apenas a mídia de massa - a ponta mais visível do iceberg que está afundando o país.
Mas também os mais insidiosos métodos e instrumentos, desenvolvendo estratégias específicas para cada tipo de público, por meio de instituições ligadas a interesses estrangeiros, vide as ligações entre o MBL e os irmãos Koch, por exemplo.

Há palestras e cursos de formação de "liderança" promovidos e financiados por consulados e embaixadas estrangeiras, de países que nos espionaram ainda nesta década.

Há "seminários" organizados por institutos e fundações de "defesa" da "justiça" e da "democracia", que não apenas levam nossos jovens para  outros países, facilitando por meio de "bolsas" suas viagens e estudos, como depois também promovem e premiam, com plaquinhas, diplomas, medalhas, espelhinhos, festinhas, diplomas e miçangas e palestras remuneradas, sua fiel, abjeta e prestimosa "cooperação", quando alcançam algum poder em suas carreiras.

Há centenas de sites  sofisticados, sem fontes de financiamento claras, e também empresas de "consultoria" e  "research" que, a pretexto de prestar  informações ao mercado e a investidores, fazem o mais descarado proselitismo político e antinacional.

Isso, sem serem incomodadas  ou impedidas, na maioria das vezes,  nem pelas autoridades, nem por quem está sendo por elas impiedosa e constantemente caluniado.

Usando, para pescar otários no oceano dos brasileiros comuns, saturantes- e caríssimas - campanhas de mídia dirigida, que, por sua extensão e capilaridade, devem envolver, principalmente na internet, milhões de reais.

Ora, todo mundo com um mínimo de conhecimento histórico sabe que, desde o início dos tempos, a mentira e o medo são as duas principais muletas do fascismo.

Que as utiliza para percorrer a trilha, pavimentada pela desinformação e o analfabetismo político, que costuma conduzí-lo ao poder, para finalmente calçar, sem abandoná-las como apoio para equilibrar-se, as pesadas botas do terror e do autoritarismo.

Quando na oposição, a falsidade e o preconceito servem ao fascismo para incentivar o golpismo.

Quando na situação, para impedir que ascendam novamente ao poder forças que possam se opor a ele.

Em fevereiro de 2015, denunciamos, em um texto para o qual recomendaríamos novamente a leitura, publicado na "Revista do Brasil", com o título de "O "FIM" DO BRASIL", a realização, na linha do "tenho medo", lembram-se? - de uma ampla campanha de mídia, dirigida principalmente para os meios empresariais, disfarçada como a venda de relatório de conjuntura, que afirmava - dentro da estratégia de  disseminação e justificação do golpismo - que o Brasil iria "quebrar" naquele ano.

Por trás dela, estava uma empresa de "consultoria" cuja principal missão tem sido, nos últimos anos, a de explorar e apoiar abertamente o anticomunismo e o antipetismo no Brasil, adotando o sensacionalismo mais vulgar e o mais descarado terrorismo econômico, mesma estratégia que adota  em outros "mercados", como Portugal, por exemplo.

Não apenas negando as eventuais conquistas que o país obteve na última década, mas, principalmente, assustando um público ignorante em economia, suscetível e contaminado ideologicamente pelo discurso conservador, privatista, entreguista e antibrasileiro vigente.

Ameaçando-o com a perspectiva da volta ao poder de um governo nacionalista, capaz de recolocar o país, por meio de um programa desenvolvimentista, em uma situação minimamente soberana e digna diante do mundo.

Agora, com a mesma estratégia, já denunciada, entre  outros, por Fernando Brito, Tereza Cruvinel e Denise Assis - a de apresentar um discurso escarradamente político, em sua forma e consequências, como peça de propaganda de uma pseudo "análise exclusiva" - essa mesma empresa, a EMPIRICUS - sócia do site Antagonista e da Agora.inc, dos EUA, e já processada pela CVM e o MP de São Paulo - está promovendo outra campanha milionária, que, no lugar de "O FIM DO BRASIL" traz como apelo o alerta "A AMEAÇA QUE PODE ARRUINAR COM O PATRIMÔNIO DE SUA FAMÍLIA".

Nela, ela usa como principal gancho o retorno de Lula - que tirou o Brasil da decima-terceira economia do mundo e levou para sexta, hoje, ainda, nona posição, pagou a dívida com o FMI, triplicou o PIB, e multiplicou por 10, para 340 bilhões de dólares, as reservas internacionais - à Presidência da República e também defende, em outra peça de propaganda, a condenação definitiva do ex-presidente como um fator de melhora da situação para os investidores.

Em homenagem a Goering (Goebbels era mais sofisticado) vale a pena ler, na íntegra, o fac-símile dessa pilantragem:



 




























Agora, resta saber o que o PT poderia fazer a respeito disso.

O leitor escolha, nas alternativas abaixo, como nas provas do Ministério Público:

a) Chamar alguns economistas sérios e incentivar a montagem de uma consultoria para concorrer - ao menos institucionalmente - com a Empiricus, que possa finalmente explicar aos investidores - e a parte da opinião pública - o que realmente ocorreu com a economia  brasileira desde 2002.

b) Mandar alguém fazer um estudo criterioso dos "relatórios" da EMPIRICUS nos últimos anos e mostrar que, entre os alegados 1.6 milhão de "leitores" que a seguem, muita gente jogou dinheiro fora - como no caso das ações da Petrobras - ao se deixar contaminar ideologicamente e indo atrás da conversa fiada deles.  

c) Processar - como já fez no passado - essa pseudo consultoria junto ao TSE por propaganda (ou contra informação) eleitoral antecipada.


d) Não fazer absolutamente nada, porque trata-se  de um caso típico de liberdade de expressão, ou porque "isso não vem ao caso", como diz certo  juiz "imparcial" de Curitiba.