quinta-feira, 27 de abril de 2017

Neo-servidão humana - I

catado no feicibuqui do FranciscoCosta


PRECISAMOS QUE GETÚLIO VOLTE (I)

Francisco Costa


Antes de entrar no mérito, um dado: o Jornal Valor Econômico apurou que Temer se tornou o político brasileiro mais rejeitado da nossa História, mais rejeitado que Sarney, Collor, FHC e Eduardo Cunha.
À Pergunta como o pesquisado avalia o governo Temer, só 4% o consideraram bom ou ótimo.

Que legitimidade política tem um governo nessas condições, para impor reformas draconianas, que levam o povo à miséria?

Não tivesse imunidade, o presidente da república estaria fazendo companhia a Eduardo Cunha na prisão. Oito dos seus ministros estão sendo investigados por corrupção. Seu líder no Senado está sendo investigado por corrupção. Seu líder na Câmara está sendo investigado por corrupção, e pergunto: que autoridade moral tem este governo para impor reformas draconianas, que levam o povo à miséria?

Indo-se para o Parlamento, o presidente do Senado está sendo investigado, o presidente da Câmara está sendo investigados, os relatores das reformas estão sendo investigados, boa parcela da base de sustentação política do governo está sendo investigada.

Vivemos uma cleptocracia, um governo de ladrões.

Pois num quadro assim é que foi aprovaram a Reforma Trabalhista.

Temer, atendendo aos financiadores do golpe, o grande empresariado, pagando-lhes os investimentos feitos, mandou o projeto de lei – PL, para a Câmara dos Deputados.

Abriu-se a tramitação e criou-se a comissão.

O projeto original, de Temer, com 5 proposições, já acabava com a CLT em muitos dos seus aspectos, mas o relator não se deu por satisfeito e inseriu 117 emendas, liquidando definitivamente com a CLT.
E de onde vieram essas emendas? Temos deputados tão vagabundos, tão irresponsáveis, tão relapsos, que não se deram ao trabalho de mandar as suas assessorias transcreverem os documentos enviados por seus patrões, os que lhes financiaram as campanhas e alimentam com regulares propinas, mensalões e mensalinhos.

Assim, temos emendas em papel timbrado da Fiesp, da Confederação Nacional da Indústria, da Confederação Nacional do Transporte... E até da Odebrecht.

A direita brasileira perdeu o pudor de maneira tão radical que já não disfarça, reduzida a contínua, office boy, moleque de recados, entregadores de documentos das empresas e empresários.

Esta reforma não foi feita por Temer e sua base parlamentar, mas pelo empresariado.

E antes que a maldição coxinha diga que é mentira: estou escrevendo a partir do que ouvi nos discursos, sem desmentidos, apartes contestatórios ou discursos réplicas. Assumiram.

O presidente da Câmara, que deveria ser isento, absurdamente acumula o cargo de líder do governo, repetindo Eduardo Cunha nas manobras e atropelos do Regimento Interno e da Constituição, pondo em votação novamente os pontos em que o governo perdeu, revertendo resultados, cortando a palavra dos opositores.

Por fim, o gran finale, a apoteose, o fim do espetáculo circense: a base parlamentar do governo recusou a votação nominal, para que os deputados de aluguel não fossem identificados e achincalhados nas ruas, nos aeroportos, nos eventos, e já de olho nas próximas eleições, para se reelegerem e continuarem com foro privilegiado. A votação foi secreta.

O discurso predominante dos hipócritas foi que a reforma não tirou direitos, o mesmo discurso canalha de Temer nas redes de televisão.


A CLT acabou, foi revogada ontem, e mostrarei no próximo artigo.

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