sexta-feira, 28 de abril de 2017

Greve geral: vai parar? Parou

 Correio do Povo

Juremir Machado da Silva via correio de Renzo Bassanetti

O Brasil está parado nesta sexta-feira.

Parou por quê?

Porque a câmara de muitos canalhas aprovou o desmonte da legislação trabalhista e cozinha em fogo alto uma reforma da Previdência dos sonhos do mercado e da mídia ultraconservadora.

Ainda bem que existem jornais como o Correio do Povo para revelar a verdade.

Basta ler a página do CP de hoje que resume a reforma trabalhista.

É de ler chorando por esta segunda morte de Getúlio Vargas.

A reforma trabalhista aprovada pelos crápulas dificulta o acesso à justiça do trabalho, enfraquece os sindicatos, fragiliza as negociações coletivas, valoriza uma capacidade de negociação individual irrealista e em tudo favorece o capital em relação ao trabalho. O mais ilegítimo dos governos brasileiros pós-ditadura joga o jogo do dinheiro que lhe garantiu tomar o poder. Tenta entregar sua pizza.

Michel Maffesoli, sociólogo francês, principal teórico da pós-modernidade, que esteve esta semana em Porto Alegre palestrando na Famecos/PUCRS, sempre diz que o intelectual deve descrever o que aí está e não querer ditar o que deve ser. É um princípio de sabedoria popular. Aquilo que é tem suas razões de ser. A greve geral convocada para esta sexta-feira tem muitas justificativas e razões de ser. Poucas vezes vi uma greve tão legítima, tão necessária e tão justa. O Brasil está parado por dignidade. Um Congresso Nacional apinhado de delatados, citados, investigados por corrupção e suspeitos de coisas nada republicanas decide mudar a toque de caixa leis que regem a vida de todo mundo. Os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado não têm moral para ditar reformas de tipo algum.

São reformistas de ceroulas enxovalhadas.

A reforma da legislação trabalhista sob a alegação de que a CLT é ultrapassada por ser dos anos 1940 quer fazer crer que os trabalhadores não precisam mais de proteção legal e que subitamente passaram a ter condições de negociar de igual para igual com os seus empregadores. A reforma da Previdência é um monstrengo que foi perdendo os pedaços desde que o governo decidiu apresentar um projeto mais parecido com uma declaração de assalto a direitos conquistados. Pretender que alguém a um ano da sua aposentadoria com a integralidade do último salário considere aceitável pagar um pedágio de mais 30 ou 50% de tempo de trabalho e mais aceitável ainda perder algo em torno da metade do ganho previsto é levar a carteira do infeliz e gritar:

– Agradece, otário, por eu te deixar vivo.

Foi esse tipo de ideia genial que o governo concebeu. As mudanças foram tantas, e ainda serão, que tudo é possível: retirar absurdos ou reintroduzi-los. A maneira mais fácil de tentar ganhar a guerra simbólica é chamar de privilégios os direitos alheios. A idade mínima de 65 anos para a aposentadoria dos brasileiros é cruel. Os suecos podem se aposentar aos 61 anos. A verdade é que o governo quer fazer caixa às custas da plebe pois sabe que o capital vadio sempre encontra um modo de fugir das justas taxações às quais se tenta submetê-lo de vez em quando. Se a massa não berrasse, como está fazendo para hoje, iria para o abatedouro na condição de inocente útil. Não sei se o Brasil todo vai parar outras vezes. Sei que deveria. Países desenvolvidos, civilizados e cultos param, trancam rua, atrapalham o trânsito e berram como se estivessem marchando para a guilhotina. Perdem e ganham. Fazem reformas.

Mas são obrigados a discutir.

Volto a dizer, pois nunca é demais ser franco, Michel Temer, com suas reformas atabalhoadas e cruéis, está tentando pagar a dívida que assumiu com o mercado e com a mídia conservadora em troca do apoio à destituição de Dilma Rousseff. Até a sua base sabe que o preço é alto demais. Alguns aliados tentam mostrar-lhe que essa era mais uma promessa para não ser cumprida. O soberano tampão se mantém irredutível. Quer entrar para a história como o algoz da patuleia. No século XIX ele certamente arranjaria emprego de feitor. Exagero? Discurso panfletário? Nada que supere a oratória governista capaz de transformar Donald Trump num perigoso esquerdista. Vai parar? Parou. Aplausos.

É triste ver a Guarda Municipal de Porto Alegre, composta de trabalhadores mal pagos, agredir seus colegas funcionários com gás de pimenta e pancadaria. Uma vergonha. Brasil, país vergonhoso.

Michel Temer aproveita-se da sua ilegitimidade para ferrar a nação.

Afinal, seu compromisso é apenas com Veja, Globo, Estadão, banqueiros e outros endinheirados.

Chegamos ao tempo em que só os chamados clichês dizem a verdade.

O tempo em que o maior produtor de fake news é o governo não eleito.

Existem as empresas fura-greve como a Cabify, que está dando bônus de 500 reais para os motoristas que fizerem mais  corridas hoje e 50% de desconto para funcionários da Prefeitura de Porto Alegre.

Tempo perdido.

Cada um sabe a dor e a tristeza de ser sacrificado.

As ruas brasileiras falam sozinhas.


Será que Temer ouvirá?

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