domingo, 31 de janeiro de 2016

Viagem insólita à periferia dos EUA

Sanguessugado do Outras Palavras



Periferia de Baltimore, estado de Maryland, EUA

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Retratos da Desigualdade: em Baltimore, 25% da população está abaixo da linha de pobreza; índice de homicídios é duas vezes maior que no Rio; polícia agride negros e há bizarros “desertos de comida”

Pedro Abramovay, no Quebrando o Tabu | Imagens: Patrick Joust

A cerca de 40 minutos de trem da capital dos EUA e um pouco mais de duas horas de Nova York fica a cidade de Baltimore, capital do estado de Maryland.

Acabo de sair de lá depois de um dia bastante intenso visitando projetos da Fundação Open Society na cidade.

Logo de manhã ouvi o depoimento de uma moça chamada Jabria. Jabria, quando tinha 16 anos, estava discutindo com sua avó. A avó teve um ataque do coração durante a discussão. Jabria foi presa, em um estabelecimento para adultos, por homicídio. Após cerca de um ano experimentando todo tipo de violências no cárcere, Jabria poderia ter direito a liberdade condicional. O pedido foi negado pelo juiz pelo fato de Jabria ter tido mais de 30 suspensões na escola. As suspensões foram ocasionadas por Jabria chegar na escola com o uniforme sujo, pois sua avó não a deixava lavar o uniforme quando elas discutiam.

Jabria hoje lidera uma iniciativa contra a prisão de adolescentes nos Estados Unidos e sabe que histórias como essa são a regra na sua comunidade.

Depois fui a uma escola. Uma escola que, como todas as outras nos bairros pobres de Baltimore convivia com altos níveis de violência, de suspensão de alunos e, não surpreendentemente, péssimos resultados acadêmicos.

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Bairro periférico de Baltimore
Vale dizer que, até recentemente, Baltimore distribuía seus recursos educacionais da mesma forma perversa com que esses recursos são distribuídos na maioria dos EUA. A escola recebe impostos de acordo com a arrecadação de IPTU no bairro em que ela fica. Assim, escolas de bairros ricos recebem uma enormidade de recursos públicos. Em bairros pobres, vivem na miséria. Felizmente, após uma batalha judicial, foi possível mudar isso em Baltimore.

TEXTO-MEIO
Fiquei muito impressionado ao entrar na escola. Cinquenta anos após os movimentos contra a segregação racial nos EUA, todos, todos, os alunos na escola são negros. O trabalho de justiça restaurativa feito na escola em que eu fui era incrível. As brigas caíram, as suspensões praticamente acabaram e os níveis acadêmicos melhoraram muito. Mas isso ainda é uma gota no oceano em um bairro onde 1/3 dos alunos foram suspensos no ano passado.

Depois da escola fui a uma igreja, ver o trabalho social que eles faziam. Uma senhora, especialista em segurança alimentar, me explicou que um dos maiores problemas da cidade, que contabiliza 25% dos seus habitantes abaixo da linha de pobreza, eram os food deserts (algo como desertos de comida). Áreas da cidade nas quais os moradores não têm acesso a comida. Não há um supermercado ou uma loja que venda comida em um raio de mais de 8 quilômetros. O sistema de transporte público é precário. Assim, as pessoas têm que andar grandes distância para ter acesso a comida. Muitas vezes elas não fazem isso. E acabam comprando Doritos e balas na loja da esquina para alimentar suas famílias, gastando muito mais do que gastariam se comprassem alimentação decente. Ou, simplesmente, passam fome.

Vale lembrar que essa é uma cidade na qual o comparecimento eleitoral chega a 17% da população com idade de votar. O voto, como em todos os EUA, é facultativo.

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Protesto contra a morte de um jovem negro pela polícia em Baltimore 


A taxa de homicídios em Baltimore é altíssima (55 por 100.000 habitantes), equivalente à taxa de cidades da baixada fluminense. Mais que o dobro da taxa do Rio de Janeiro.

Em abril, a polícia matou um rapaz, negro, chamado Freddie Gray. Jovens negros incendiaram a cidade em protesto.

Esse panorama é fundamental para que possamos entender que o capitalismo norte-americano não pode ser visto como um modelo a ser replicado. Baltimore não é um caso isolado nos EUA, não é um acidente. Baltimore é produto de uma sociedade desigual, racista, violenta, injusta e pouco democrática.

Atualmente, sempre que alguém faz um comentário em defesa de mais justiça social, rapidamente ouve-se a resposta: Vai pra Cuba! Não considero Cuba um modelo a ser seguido pelo Brasil. Mas um dia em Baltimore reforçou a ideia de que o modelo de sociedade baseado em um Estado que pune adolescentes, que fortalece o capital privado na decisão de como alocar recursos públicos, que ignora as desigualdades raciais, que acha que o voto facultativo salva a política, esse modelo de sociedade defendido por tanta gente raivosa na internet e inspirada nos EUA. Esse modelo não nos leva ao mundo mágico da Disneyworld. Esse modelo nos leva a Baltimore.

E não vou responder aos #vaipraCuba! que eu ouço com um #vaipraBaltimore. A Baltimore que eu conheci hoje não desejo para ninguém.


Talvez seja difícil saber o que queremos para o Brasil. Mas certamente começar o debate sabendo que não queremos ser nem Cuba nem Baltimore já seria um bom começo.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Leandro Karnal: a corrupção do PT

GilsonSampaio



PARA O CAOS, O SURREALISMO - Izaias Almada

Sanguessugado do Viomundo

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Izaías Almada, especial para o Viomundo

A Oxfan Internacional, organização com sede na Inglaterra e que reúne a seu lado mais de 100 organizações ao redor do mundo estudando a desigualdade social, em seu último relatório, dá uma cifra assustadora: 62 pessoas no mundo acumulam uma fortuna maior do que metade da população mundial, ou seja, mais do que três bilhões e seiscentos milhões de pessoas.

Diante de tal infâmia, no Brasil houve quem dissesse que alguma coisa deve estar errada com o capitalismo… Quá, quá, quá. Descobriu, heim Mané?

Não será por outro motivo que o presidente Macri da Argentina, um gênio político de direita e um dos insistentes defensores do neoliberalismo sul americano, postou em rede social uma foto do seu cão sentado na cadeira presidencial da Casa Rosada.

O mesmo Macri que tão logo regressou de Davos (novo rico, não é fácil, rs,rs,rs…), disse que não iria a reunião do CELAC (Comunidade dos Estados Latino Americanos e do Caribe) no Equador porque foi diagnosticada pelo seu médico uma dor nas costas. Esse é outro direitista que fala grosso com a Venezuela e se ajoelha diante da Inglaterra e dos EUA. A covardia sempre foi um apanágio da direita caipira da América do Sul.

Deboche por deboche…

No Brasil, onde a corrupção começou nos primeiros dias de abril de 1500 com a distribuição de bugigangas aos índios nativos, 516 anos depois, um grupo de policiais, juízes e jornalistas anunciam diariamente ao país que a corrupção é obra de um partido e de um governo que não rezam total e integralmente pela cartilha do neoliberalismo e do quanto pior, melhor. E o país acredita.

“Quem foi que inventou o Brasil? Foi seu Cabral, foi seu Cabral… No dia 22 de abril, dois meses depois do carnaval”.

Wanderlei Silva e João Pedrosa. Quem mesmo? Vou repetir, pois precisam ficar famosos: Wanderley Silva é lutador não sei do que e João Pedrosa, jornalista. Os mais novos e dignos representantes da boçalidade brasileira de classe média, essa cujo ninho principal se encontra na cidade de São Paulo, entre a Barão de Limeira e dois bolsões da Marginal Pinheiros.

A democracia republicana de alguém que se identifica como ministro da justiça do governo da presidente Dilma dá espaço para a “conscientização” das novas gerações brasileiras, que passa – antes de qualquer coisa – pelo semianalfabetismo, pela falta de informação histórica, pelo linguajar tosco e pela covardia dos ataques nas redes sociais.

E dessa maneira, finalmente há um Brasil que sai do armário e mostra a sua cara: todo cidadão é culpado até provar sua inocência.

Chico Buarque de Holanda? Um canalha, ele e sua família. O ex-presidente Lula da Silva? Um ladrão, ele e sua família. José Genoíno, José Dirceu, João Paulo Cunha? Bandidos e estão tendo o que merecem.

Bons somos nós, cristãos tementes a Deus, cumpridores de nossas obrigações para com o governo, honestos até a medula da raiz. Não é mesmo, caro leitor?

Por falar em boçalidade da classe média, em particular a paulistana, que tal a lista de candidatos que querem enfrentar e tentar impedir a reeleição de Haddad como prefeito? Anotem lá: Martha Suplicy (argh!), Russomano (tá russo, mano), João Dória (rs,rs,rs…), Datena, isso mesmo, que desistiu antes do vexame e da saia justa de ter que transmitir seus programinhas policialescos da sede da prefeitura, quá,quá,quá…  Ou teve dinheiro na jogada?

E assim segue a vida, caro leitor, no mundo e nessa nossa terra brasilis, onde urubu voa de costas. Duvidam?

E o STF que declara, por seu presidente Lewandovsky, que não existem elementos para afastar Cunha da presidência da câmara. Até tu, Lewandovsky?

E nós, ingênuos, que pensávamos que o senhor não tinha medo da mídia? Ora,ora,ora…

E a tal gravação que inocenta José Dirceu de uma das acusações, Dr. Moro? SUMIU? NÃO HOUVE GRAVAÇÃO? Só há gravação quando é para inventar acusações? O Brasil está criando leis e nova jurisprudência?

Jesus, Maria, José! Esculhambação é pouco. Tem gente por aí precisando de camisa de força em Curitiba e juro que não é o José Dirceu.

E essa? Vão investigar todos os moradores, ou melhor, compradores de apartamentos no Edifício Solaris no Guarujá? Caramba, como trabalha o Ministério Público, não? Só não descobrem como acabar com o mosquito que espalha a CHICUNCUNHA.

É isso mesmo: CHICUNCUNHA, que junto com a dengue e a Zica podem causar imensos danos ao país, mais até do que já estão causando. O ministério público da Suíça está preocupado com essa pandemia.

O brasileiro já não sabe o que é pior, se uma telenovela da TV Globo ou a palhaçada da Lava Jato. Por que não transformam a Lava Jato num BBB, hein Pedro Bial e Irmãos Marinho?

Aliás, a direita mundial anda tão atrevida e arrogante, que o governador de um estado qualquer norte-americano quer restituir a guilhotina como instrumento de punição.

Pelo andar da carruagem, logo, logo, corremos o risco de ter que tomar cicuta. Nada como uma onda conservadora pelo mundo. A pobreza de espírito e a mediocridade, onde a média das opiniões é capaz de dar sono em anfetamina, se dão as mãos e se regozijam com o moralismo intolerante dos que nada têm a oferecer ao país a não ser a sua própria ignorância política, histórica e cultural.


Ave Cesar, os que vão morrer te saúdam! Anauê! Heil Hitler!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A concentração da riqueza e a iminência da convulsão social



Estudos da ONG britânica Oxfam apontavam que, há cinco anos, a riqueza de 388 pessoas era equiparada com a quantidade de capital que a metade mais pobre da população mundial possuía.

Hoje, este número caiu para 62 pessoas. Neste grupo de 62 pessoas que possuem riqueza equivalente ao que possui a metade mais pobre da população mundial, estão dois brasileiros.

Todos os dois ganharam dinheiro nesses últimos cinco anos especulando no mercado financeiro. Um deles tinha uma casa de câmbio medíocre em Santos. O outro quebrou duas vezes entre os anos 70 e 80, e se recuperou ganhando dinheiro no mercado financeiro. O que significa que esses dois não ganharam dinheiro dando emprego ao povo, e sim sangrando o povo.

62 pessoas que possuem riqueza equivalente ao que possui a metade mais pobre da população mundial

62 pessoas que possuem riqueza equivalente ao que possui a metade mais pobre da população mundial

Dos outros 60 que têm riqueza que se equipara ao que possui a metade da população mais pobre do mundo, a grande maioria também deve ter ganhado dinheiro no mercado financeiro, que é o mundo sem trabalho, onde os ricos faturam explorando o valor do dinheiro, o que significa sacrificando o povo.

Com este cenário, não há dúvida de que as previsões mais lógicas são as seguintes: ou o mundo financeiro quebra nos próximos anos, podendo dar sinais já no segundo semestre deste ano, ou a invasão que a Europa vem sofrendo dos desempregados miseráveis, basicamente do Oriente, vai proporcionar claramente uma guerra, um confronto mundial.

Guardadas as devidas proporções, é mais ou menos a mesma coisa que acontece num país de 200 milhões de habitantes onde os ricos ganharam dinheiro corrompendo ou no mercado financeiro.

O que se percebe é que a crise social neste país está chegando. Basta ver a pérola que o FMI, com seus doutos sociólogos e financistas, diz: o mundo tem três grandes problemas, o não crescimento da China, a crise social dos países do Oriente e o Brasil.


Imaginem os senhores, o Brasil passou a ser ofensor do mundo.

OS QUATRO CAVALEIROS DO APOCALIPSE

Sanguessugado do Bourdoukan


Georges Bourdoukan 


 

                                                                 Albrecth Dürer



Os governantes sionistas já não têm mais do que reclamar. Depois da invasão e ocupação do Afeganistão, do Iraque e da Libia pelos Estados Unidos, Israel deixou de ser o único detentor do título de último Estado colonial do planeta.

Palestina, Iraque, Líbia e Síria, países semitas que, juntamente com o Afeganistão são de predominância religiosa islâmica, pagam o preço da ignorância e da campanha de difamação e racismo da mídia ocidental, que acusa o islamismo de intolerante, mas não informa que no Afeganistão existe há séculos, uma Mesquita de Maria, em homenagem à mãe de Jesus. Alguém conhece alguma Igreja ou Sinagoga com o nome de ( Muhammad) Maomé?i

NUNCA É DEMAIS REPETIR: QUEM É INTOLERANTE?

No Marrocos, país árabe-islâmico, o judaísmo é a segunda religião. Alguém já ouviu falar em perseguição aos judeus? No Egito, outro país árabe-islâmico, os cristãos ortodoxos coptas são a segunda religião, e o que dizer do Líbano, hoje país de maioria islâmica governado por um cristão?

Quem é intolerante?

Nos países árabes-islâmicos quando o pai fica idoso, ele envelhece e não apodrece. Idoso em árabe é sinônimo de Sheikh, ou seja, pessoa sábia e depositária do saber. Ali, não existe a excrescência denominada “asilo de velhos” ou “casa de repouso”. O idoso fica com a família até o último suspiro.

Na Enciclopédia Judaica está escrito que a época de maior esplendor do judaísmo aconteceu sob os governantes muçulmanos.

Quem é intolerante?

Os talibãs (estudantes), que chegaram ao poder no Afeganistão com o apoio dos Estados Unidos, foram mais tarde acusados de terroristas não por causa do atentado de 11 de setembro, já que os supostos autores do atentado em sua maioria eram da Arábia Saudita.

E aqui abro um parêntese para reafirmar pela enésima vez que considero uma afronta à inteligência sugerir que tenham sido muçulmanos os autores do atentado de 11 de setembro.

E alguém se importa?

Mas, voltando aos talibãs, a mídia ocidental passou a considerá-los inimigos a partir do momento em que eles se recusaram a liberar o plantio e a produção de ópio. Hoje, graças à democracia americana, o Afeganistão tornou-se o maior produtor de ópio do mundo.

Aliás, para aqueles que não consideram um insulto exercer o raciocínio, basta ver o que acontece na vizinha Colômbia que, ocupada pelas forças armadas dos Estados Unidos, não cessa de aumentar sua produção de cocaína.

Os soldados americanos não combatem pelas armas, mas pelo crime.

Droga, indústria bélica, especulação financeira e mídia pilantra são os Quatros Cavaleiros do Apocalipse que, irmanados, governam a humanidade hoje.



Até quando?

O que os jornais não explicam sobre a dívida pública

Sanguessugado do GGN

José Salvador Faro

Do História, Cultura, Comunicação


Neste caso específico do volume de recursos financeiros que oneram o Estado através da dívida pública, me parece que dois contextos precisam ser obrigatoriamente constituídos para que a dimensão social da notícia seja alcançada. Um primeiro contexto é o da causalidade racional do fato.

Num país de fraca acumulação capitalista e que tem à frente de suas práticas empresariais uma burguesia anêmica e provinciana - mais preocupada em burlar direitos e em lucrar no nível da ganância - corresponde ao Estado o papel de indutor e de promotor dos investimentos. Sem que cumpra essa função - que lhe dá a definição dedesenvolvimentista - o Brasil estaria ainda vivendo o estágio da economia agrário-exportadora da era colonial. Aliás, no agro-negócio há muita semelhança entre um período e outro.

Essa é uma dimensão estrutural da dívida pública e gigantescamente estrutural pois que o valor de R$ 2,8 trilhões indicados na matéria, levando em conta as grandezas do quadro econômico e social de um país como o nosso, é até pequena. E um aumento anual dessa dívida em 21,7% pode perfeitamente ser relativizado frente a outras demandas. Onde isso tudo aparece no noticiário?

O segundo contexto é um círculo que envolve o condicionamento político da dívida pública pelo qual seus próprios beneficiários são culpados: o diabólico sistema de desonerações fiscais e de subsídios de todo o tipo que o governo põe à disposição dos empresários imaginando que com isso vai tirá-los da letargia e do parasitismo em que estão acostumados a viver desde sempre. As matérias indicadas abaixo dão bem a dimensão do problema, mas é suficiente emoldurá-lo: cumprimos todos os anos a liturgia de transferir da sociedade para as mãos privadas da nossa burguesia uma soma estratosférica de recursos e o nome disso é dívida pública.

Os impostos que a precária inteligência da Fiesp quer pagar a menos são o tiro no pé dos próprios empresários. E isso nem o Sr. Paulo Skaf tem coragem de dizer (talvez nem mesmo saiba do que estamos falando) nem os jornais dizem, preocupados como estão em construir textos pobres de entendimento e ricos em espetacularização.

Sugiro a leitura: * Perdas com o serviço da dívida (Nova Democracia) * Dívida pode superar limite de 70% do PIB em 2016 (Valor) * Arrecadação soma $ 1,2 trilhão em 2015, pior resultado em 5 anos(Valor) * Desequilíbrio fiscal brasileiro e as consequências do financiamento da dívida (IHU) * Governo pode perder R$ 116 bi com desoneração (Estadão) * Dilma deu R$ 458 bilhões em desonerações (Folha) * Impostos: quem paga o pato não é a Fiesp (Outras Palavras) * Governo acaba com 'Bolsa Empresário' e fica com dívida de R$ 214 bilhões (Folha).


José Salvador Faro é Professor da UMESP e da PUC-SP

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Bernie Sanders e o caminho para uma esquerda autêntica

Via Carta Capital

Arrancada de candidato democrata revela: é possível vencer preconceitos da mídia com propostas concretas, em vez de discurso doutrinário

Cauê Seignemartin Ameni

Gage Skidmore

Bernie Sanders

Bernie Sanders disputa com Hillary Clinton a candidatura Democrata à presidência dos EUA. Na foto, o atual senador discursa em Phoenix, no Arizona.



Diminui a cada dia, nos EUA, a distância que separava a candidata oligárquica do Partido Democrata à Casa Branca, Hillary Clinton, do outsider à sua esquerda, o senador Bernie Sanders.

O próprio New York Times reconhece: em um mês, Hillary viu sua vantagem de 20 pontos percentuais, entre os membros do partido aptos a votar nas eleições primárias, derreter para 7 pontos. 

Outras sondagens já mostram uma virada na primárias de dois estados importantes. Em Iowa, onde começa a disputa (em 1º/2) e New Hampshire (9/2), Sanders está à frente com 5 pontos de vantagem. Sua liderança concentra-se entre os candidatos mais jovens, onde tem o dobro de preferência. Quais as razões? A esquerda brasileira teria algo a aprender com elas?

A primeira grande barreira que Sanders parece saber enfrentar é a do preconceito. Para frear a ascensão do candidato, seus adversários apostam no desgaste da palavra que o senador emprega para definir a si mesmo: “socialista”.

Contudo, Sanders não se presta ao papel de espantalho, analisa Robert Reich, professor de Políticas Públicas da Universidade de Berkeley e ex-ministro do Trabalho (no governo de Bill Clinton).


Segundo ele, as pessoas começaram a entender que o senador não é o socialista retratado nas caricaturas da Fox News, mas alguém capaz de tratar a aristocracia financeira com a dureza necessária.

“Há um século, Theodore Roosevelt quebrou a Standard Oil porque ela representava um perigo à economia dos EUA. Hoje, os bancos de Wall Street representam um perigo ainda maior”, diz Reich.

 Refere-se a uma proposta de Sanders, que pretende restabelecer a lei Glass-Steagall, revogada em 1999 por pressão do lobby de Wall Street. A lei tem dois objetivos: 1) combater a cartelização bancária; e 2) impedir a especulação desenfreada com ativos financeiros.

Joseph Stiglitz, Nobel de Econômica, e Nouriel Roubini, o economista que previu a crise de  2008, concordam com a reforma em Wall Street proposta pelo senador. “O plano mais modesto de Hillay Clinton é inadequado” conclui Reich.

O colapso financeiro de 2008, causado por Wall Street, parece não ter promovido apenas instabilidade econômica. Também abriu as portas para o que o sociólogo Immanuel Wallerstein chama de “o colapso do centro”, em muitas “democracias” ocidentais.

As pesquisas norte-americanas revelam um cenário eleitoral semelhante ao registrado nas urnas espanholas, portuguesas e gregas, onde parte da esquerda conseguiu se reinventar e transformar a revolta dos 99% em novas esperanças.

Como na Europa, há dois grandes desafios. O primeiro é formular propostas mais ousadas e atraentes que os pré-candidatos da nova direita. Nos EUA, são hoje mais carismáticos e nacionalistas, gente como o bilionário Donald Trump e o religioso Ted Cruz. O segundo é superar velha esquerda, insossa porém poderosa, representada por Hillary Clinton.

Aparentemente, Sanders progride. Não decola somente nas pesquisas eleitorais, mas também nos sinais de um engajamento social massivo. O senador atingiu, há dias, nova marca histórica de doações individuais: 2 milhões de apoiadores. Bateu o recorde ao dobrar o inédito desempenho de Obama em 2008.


Nos últimos três meses, angariou US$ 33 milhões para sua campanha, apenas US$ 4 milhões a menos que Hillary — que aceitou doações de Wall Street e de lobistas das grandes redes de prisões privadas. Na soma total Sanders continua em desvantagem: obteve U$ 73 milhões, enquanto Clinton angariou US$ 112 milhões.

Do lado do Partido Republicano, a maior dificuldade dos pré-candidatos tem sido propor saídas para estancar o aumento da pobreza, segundo aponta Eduardo Porter no New York Times. Entre os países da OCDE, os EUA figuram entre as piores colocações quando o assunto é desigualdade de renda e pobreza.

Estão atrás até mesmo dos estigmatizados “PIGS” da Europa (Portugal, Itália, Grécia e Espanha), e à frente apenas do México. Porter mostra como o plano de mais austeridade do histriônico bilionário Donald Trump e Ted Cruz, ligado ao movimento ultradireitista Tea Party e ex-assessor de George W. Bush, só aprofundariam ainda mais a crise no país.

E, para azar dos dois, aliados do 1% da elite financeira, 63% dos norte-americanos acham a questão da desigualdade muito importante, mostra pesquisa recente do Gallup.

 Por isso, mesmo tendo uma cobertura midiática 23 vezes menor que Trump, o socialista Bernie Sanders tem um potencial de vitória crescente, com uma vantagem de 13% nas eleições gerais sobre a principal liderança republicana; e uma rejeição nacional menor que Clinton (59% dos americanos a consideram “desonesta e nada confiável”).

Isso explica porque Sanders foi capaz de reunir multidões – mais de 100 mil pessoas, na soma de seus últimos comícios — além de uma onda de seguidores nas redes sociais. Tornou-se, de longe, a maior atração na campanha eleitoral.


Enquanto os ventos sopram à direita nos países afetados recentemente pela crise, como na América Latina, parecem empurrar à esquerda nos países que hoje lutam contra a recessão imposta após a crise.

Balanço da CGU revela desvios de R$ 2 bilhões da merenda escolar

Via Congresso em Foco

Recursos foram desviados desde 2003 de programas federais que recebem repasses da União

POR AGÊNCIA BRASIL | 27/01/2016 22:24

Balanço divulgado nesta quarta-feira (27) pela Controladoria-Geral da União (CGU) mostra que, desde 2003, foram desviados R$ 2 bilhões destinados à merenda e ao transporte escolar em diversos municípios no país. Os recursos foram desviados de programas federais que recebem repasses da União.

Os ministérios da Justiça, da Educação e a CGU assinaram uma portaria conjunta estabelecendo medidas para combater as irregularidades e atuar na fiscalização desses recursos.

Ao todo, 2,7 mil municípios foram fiscalizados durante esse período. Em 199 deles foram constatadas irregularidades. Em operações conjuntas feitas pela CGU e Polícia Federal, foram presas 350 pessoas. A GCU citou, como exemplo, cinco municípios que, juntos, tiveram um prejuízo estimado em R$ 380 milhões, no período: Sermão aos Peixes (MA), onde foi constatado o desvio de R$ 114 milhões; Infecto (BA), de R$ 90 milhões; Fidúcia (PR), de 70 milhões; Cauxi (AM), de R$ 56 milhões; e, Carona (PE), R$ 50 milhões.

“A corrupção retira recursos públicos que servem para atender as demandas da sociedade. É indiscutivelmente mais grave e doloso quando se vê desvio de verbas na educação e, ainda mais, em áreas como merenda e transporte. Estão minando a possibilidade que o jovem ou a criança venham a ter um futuro melhor”, disse o ministro interino da CGU, Carlos Higino Ribeiro de Alencar.

A CGU constatou, nesses municípios, a relação entre a má gestão e o desempenho dos alunos. A média dos Índices de Desempenho da Educação Básica (Ideb) onde há corrupção é menor que a média nacional. A média nacional é 5,2, enquanto nos locais onde foi constatada fraude nos programas é 3,55.

Alencar disse que, em muitas das cidades visitadas, foi constatada ainda má gestão, o que não necessariamente configura crime. Ele citou, como exemplo, o mau condicionamento dos alimentos que seriam servidos às crianças e a falta de zelo dos gestores com os programas.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou que os desvios foram feitos de recursos enviados diretamente a estados e municípios por meio de ações como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar (Pnate). Pelo primeiro, o Ministério da Educação (MEC) transfere uma complementação de R$ 0,30 a R$ 1,20 por aluno e, pelo segundo, além de comprar ônibus e outros meios de transporte, o MEC transfere recursos para custeio.

Em 2016, a pasta vai investir R$ 3,6 bilhões em alimentação e R$ 600 milhões em custeio do transporte, que inclui tanto verbas para gasolina, quanto para aluguel de veículos, em algumas localidades.

Medidas de combate à corrupção

Para combater os desvios, MJ, MEC, CGU, PF atuarão juntos. A portaria assinada hoje tem o objetivo de aumentar tanto o rigor em relação aos repasses para alimentação, transporte e  fiscalização nos municípios.


“Estamos criando uma força-tarefa. Vamos aumentar o patamar das nossas ações e ampliar a investigação. Nossas áreas de inteligência darão mais atenção a isso”, ressaltou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. O ministro interino da CGU destacou que as operações serão ampliadas. O MEC também vai ampliar o controle e monitoramento da gestão desses recursos.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A verdade que se esconde dos brasileiros



Para o colunista, os brasileiros vivem enganados pelas mentiras da grande imprensa, que esconde sempre a verdade.

Por Mário Augusto Jakobskind, do Rio de Janeiro:

Colunista denuncia o hábito da grande imprensa de esconder a verdade

Colunista denuncia o hábito da grande imprensa de esconder a verdade
Há pelo menos duas décadas, quase diariamente, sucessivos governos federais e a mídia comercial têm denunciado uma suposta crise na Previdência Social. Os propulsores dessa tese advertem também que se nada for feito a Previdência vai quebrar. Jornais conservadores não fazem por menos e divulgam editoriais defendendo de todas as formas possíveis uma reforma que basicamente prejudicaria os assalariados.

Pois bem, a economista Denise Gentil, baseada em argumentos insofismáveis, acaba de apresentar tese de doutorado mostrando que a falência da Previdência Social tão alardeada é mentirosa e não resiste a análise mais aprofundada.

Falso déficit da Previdência

Denise Gentil prova por A mais B a existência de uma gigantesca farsa contábil transformando em déficit o superávit do sistema previdenciário, que atingiu a cifra de R$ 1,2 bilhões em 2006.

No aprofundado trabalho acadêmico da professora do Instituto de Economia da UFRJ fica demonstrado a cascata governamental com total apoio da mídia conservadora.

Omite-se o fato de que o superávit da Seguridade Social, abrangendo a Saúde, a Assistência Social e a Previdência, foi de 72,2 bilhões de reais

E o que aconteceu então? Segundo Denise Gentil, boa parte desse excedente vem sendo desviado para cobrir outras despesas, especialmente de ordem financeira.

Mas tal fato é omitido e os brasileiros recebem a mentira repetida inúmeras vezes com o objetivo de que vire uma verdade, seguindo velha técnica do chefe da propaganda do III Reich nazista, Joseph Goebbels.

“A falsa crise da Seguridade Social no Brasil: uma análise financeira do período de 1990 a 2005”, o título da tese de doutorado deveria ser apresentada como contraponto pela própria mídia conservadora, mas, claro, se ela fosse realmente imparcial como propaga. Mas não é, e por isso os leitores, ouvintes e telespectadores não têm acesso a esse tipo de reflexão.

Mas a edição do Jornal da UFRJ do último dia 11 de janeiro, a economista explica em detalhes a sua tese que contraria a “verdade” que vem sendo propagada há pelo menos duas décadas.

Numa longa entrevista concedida à  Coryntho Baldez, Denise Gentil assinala entre outras coisas que “a  ideia de falência dos sistemas previdenciários públicos e os ataques às instituições do estado de bem estar social tornaram-se dominantes em meados dos anos 1970 e foram reforçadas com a crise econômica dos anos 80 em que o pensamento liberal-conservador ganhou terreno no meio político e no meio acadêmico”.

Em sequência ela afirma que “a questão central para as sociedades ocidentais deixou de ser o desenvolvimento econômico e a distribuição da renda, proporcionados pela intervenção do Estado, para se converter no combate à inflação e na defesa da ampla soberania dos mercados e dos interesses individuais sobre os interesses coletivos. Um sistema de seguridade social que fosse universal, solidário e baseado em princípios redistributivistas conflitava com essa nova visão de mundo”.

“O principal argumento para modificar a arquitetura dos sistemas estatais de proteção social, construídos num período de crescimento do pós-guerra, foi o dos custos crescentes dos sistemas previdenciários, os quais decorreriam, principalmente, de uma dramática trajetória demográfica de envelhecimento da população”.

“A partir de então, um problema que é puramente de origem sócio econômica foi reduzido a um mero problema demográfico, diante do qual não há solução possível a não ser o corte de direitos, redução do valor dos benefícios e elevação de impostos. Essas ideias foram amplamente difundidas para a periferia do capitalismo e reformas privatizantes foram implantadas em vários países da América Latina”.

Fernando Henrique Cardoso que o diga, bem como seus seguidores nos mais diversos campos, um deles Armínio Fraga, consultor amplo e irrestrito do Senador Aécio Neves e muito ligado ao ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy,

Denise Gentil em essência defende a ideia segundo a qual o déficit previdenciário não está correto, porque não se baseia nos preceitos da Constituição Federal de 1988, que estabelece o arcabouço jurídico do sistema de Seguridade Social.

“O cálculo do resultado previdenciário leva em consideração apenas a receita de contribuição ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) que incide sobre a folha de pagamento, diminuindo dessa receita o valor dos benefícios pagos aos trabalhadores. O resultado dá em déficit. Essa, no entanto, é uma equação simplificadora da questão. Há outras fontes de receita da Previdência que não são computadas nesse cálculo, como a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e a receita de concursos de prognósticos. Isso está expressamente garantido no artigo 195 da Constituição e acintosamente não é levado em consideração”.

Foco de corrupção silenciado

Já que este espaço está dedicado a colocar em cheque um falso argumento que vem sendo apresentado para iludir os brasileiros, vale a pena também mencionar artigo do economista José Carlos de Assis mostrando o silêncio total e absoluto da mídia conservadora em relação a um grave foco de corrupção de responsabilidade do Banco Central. Segundo ele, no ano passado foram desviados para o setor financeiro algo em torno de 89 bilhões e 600 milhões de reais, quantia 40 vezes maior do que as fraudes cometidas por bandidos na Petrobras.

Esse desvio passou deliberadamente e ninguém reclamou. Até porque, claro, se o tema for aprofundado vai atingir também muitos setores que se apresentam diante da opinião pública como moralistas de plantão.

No Banco Central, ainda segundo Assis, rouba-se à vontade e longe de qualquer tipo de fiscalização da cidadania. E ainda por cima tudo sob a cobertura de “operações monetárias especiais só dominadas por ‘especialistas’”.

Em seu desabafo muito bem fundamentado, Assis assinala ainda que “generoso com os bandidos do setor financeiro, o Banco Central é excessivamente parcimonioso com os agentes produtivos da economia. Sobre estes recaem as taxas extorsivas de juros que em outros partes do mundo, se efetivadas, resultariam em cadeia”.

Por estas e ainda muitas outras, para se combater para valer a corrupção, não basta apenas espetáculos de pirotecnia como a Operação Lava Jato e outras do gênero. É preciso seguir informando questões como as denunciadas pelo economista José Carlos de Assis e a tese de Denise Gentile.

Lei dos meios de comunicação

E para finalizar, em matéria de silêncio da mídia conservadora vale informar que na Argentina uma juíza federal de San Martin e um juiz federal de Buenos Aires deixaram sem efeito os decretos do presidente argentino Maurício Macri relacionados com a revogação da lei dos meios de comunicação.

Os jornalões e telejornalões deram grande destaque ao que havia determinado Macri, mas ignoraram totalmente as decisões dos juízes mencionados que revogaram o decreto que interessava ao grupo Clarin.

Podem imaginar o motivo do silêncio desinformativo?
A propósito de omissão e silêncio midiático, quando os jornalões e telejornalões vão aprofundar a questão dos 100 milhões de reais de propinas no governo FHC?
Mário Augusto Jakobskind, jornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil). Consultor de História do IDEA Programa de TV trasnmitido pelo Canal Universitário de Niterói, Sede UFF – Universidade Federal Fluminense Seus livros mais recentes: Líbia – Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla , lançados no Rio de Janeiro.


Direto da Redação é um fórum de debates editado pelo jornalista Rui Martins.

Galeria de bandidos do FMI: vigaristas, violadores e trapaceiros

Via Resistir.info


James Petras


Christine Lagarde a dançar em África.
Christine Lagarde a dançar em África. O FMI é a principal organização monetária internacional cujo objetivo público é manter a estabilidade do sistema financeiro global através de empréstimos relacionados com propostas a promover a recuperação económica e o crescimento.

Na realidade, o FMI tem estado sob o controlo dos EUA e dos estados da Europa Ocidental e as suas políticas têm sido concebidas para aumentar a expansão, o domínio e os lucros das suas principais empresas multinacionais e instituições financeiras.

Os EUA e os estados europeus praticam uma divisão de poderes: os diretores executivos do FMI são europeus; os seus homólogos no Banco Mundial (BM) são norte-americanos.

Os diretores executivos do FMI e do BM funcionam em estreita ligação com os seus governos e, em especial, com os departamentos do Tesouro, para decidir prioridades, para decidir quais os países que vão receber empréstimos, quais as suas condições e quanto.

Os empréstimos e condições estabelecidos pelo FMI são estreitamente coordenados com o sistema bancário privado. Quando o FMI assina um acordo com um país devedor, isso é um sinal para que os grandes bancos privados emprestem, invistam e avancem com uma série de transações financeiras favoráveis. Pelo acima exposto, pode-se deduzir que o FMI desempenha o papel de comando geral para o sistema financeiro global.

O FMI abre o caminho para os principais bancos conquistarem os sistemas financeiros dos estados vulneráveis em todo o mundo.

O FMI assume o fardo de fazer todo o trabalho sujo através da sua intervenção. Isto inclui a usurpação da soberania, a exigência de privatizações e a redução das despesas sociais, dos salários e das pensões, assim como a garantia da prioridade do pagamento da dívida. O FMI atua como uma 'cortina' dos grandes bancos, desviando a crítica política e o desassossego social.

Diretores executivos como capangas

Que espécie de pessoas têm os bancos como diretores executivos do FMI? A quem confiam a tarefa de violar os direitos de soberania dum país, de empobrecer o seu povo e de corroer as suas instituições democráticas?

A lista inclui um vigarista financeiro condenado; a atual diretora, que está a ser julgada por acusações de má utilização de fundos públicos, enquanto ministra das Finanças; um violador; um defensor da diplomacia da canhoneira e o promotor do maior colapso financeiro na história de um país.

Diretores executivos do FMI em tribunal

A atual diretora executiva do FMI (julho 2011-2015), Christine Lagarde, está a ser julgada em França, por negligência quanto a um pagamento de 400 milhões de dólares ao magnata Bernard Tapie, quando era ministra das Finanças no governo do presidente Sarkozy.

O anterior diretor executivo (novembro 2007-maio 2011), Dominique Strauss-Kahn, foi forçado a demitir-se depois de ser acusado de violar uma empregada de quartos num hotel de Nova Iorque e foi posteriormente preso e julgado por proxenetismo na cidade de Lille, em França.

O seu antecessor, Rodrigo Rato (junho 2004-outubro 2007), era um banqueiro espanhol que foi preso e acusado de evasão fiscal, escondendo ?27 milhões de euros em 70 bancos ultramarinos e defraudando milhares de pequenos investidores a quem convenceu a pôr dinheiro num banco espanhol, o Bankia, que foi à falência.

O seu antecessor, alemão, Horst Kohler, demitiu-se depois de ter afirmado uma verdade inadmissível – nomeadamente, que a intervenção militar ultramarina era necessária para defender os interesses económicos alemães, como vias de comércio livre. Uma coisa é o FMI agir como instrumento dos interesses imperialistas, outra coisa é um executivo do FMI falar sobre isso publicamente!

Michel Camdessus (janeiro 1987-fevereiro 2000) foi o autor do "Consenso de Washington", a doutrina subjacente à contra-revolução neoliberal global. O seu mandato assistiu ao apoio e financiamento de alguns dos piores ditadores da época, incluindo as suas fotos com o general Suharto, o homem forte e o assassino de massas da Indonésia.

Com Camdessus, o FMI colaborou com o presidente da Argentina, Carlos Menem, na liberalização da economia, na desregulamentação dos mercados financeiros e na privatização de mais de mil empresas. As crises, que se seguiram, levaram à pior depressão da história da Argentina, com mais de 20 mil falências, 25% de desemprego e taxas de pobreza acima dos 50% em bairros da classe trabalhadora… Camdessus, posteriormente, lamentou os seus "erros políticos" em relação ao colapso da Argentina. Nunca foi preso ou acusado de crimes contra a humanidade.

Conclusão

O comportamento criminoso dos executivos do FMI não é uma anomalia nem obstáculo para a sua seleção. Pelo contrário, foram escolhidos porque refletem os valores, os interesses e o comportamento da elite financeira global: vigarices, evasão fiscal, suborno, transferências em grande escala de riqueza pública para contas privadas, são a norma para a instituição financeira. Estas qualidades adequam-se à necessidade que os banqueiros têm de confiar nos seus homólogos "sósias" no FMI.

A elite financeira internacional precisa de executivos no FMI que não hesitem em usar padrões duplos e que passem por alto as grosseiras violações dos procedimentos usuais. Por exemplo, a atual diretora executiva, Christine Lagarde, empresta 30 mil milhões de dólares ao regime fantoche na Ucrânia, apesar de a imprensa financeira descrever com grande pormenor como os oligarcas corruptos roubaram milhares de milhões, com a cumplicidade da classe política ( Financial Times, 12/21/15, pg. 7). A mesma Lagarde muda de regras quanto ao reembolso da dívida [NR] , permitindo que a Ucrânia não cumpra o pagamento da sua dívida soberana à Rússia. A mesma Lagarde insiste que o governo grego de centro-direita reduza ainda mais as pensões na Grécia, abaixo do nível de pobreza, levando a que o regime acomodatício de Alexis Tsipras apele ao FMI para se manter fora do resgate ( Financial Times, 12/21/15, pg.1).

Evidentemente, o corte selvagem dos padrões de vida, que os executivos do FMI decretam por toda a parte, não deixa de estar ligado à sua história pessoal criminosa. Violadores, vigaristas, militaristas, são as pessoas certas para dirigirem uma instituição que empobrece 99% e enriquece 1% dos super-ricos.
[NR] Ver O colapso da ordem financeira global começa dia 21

O original encontra-se em petras.lahaine.org/?p=2069 . Tradução de Margarida Ferreira.


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Índios lideram suicídios no Brasil



Com 74% da população formada por índios, São Gabriel da Cachoeira (AM) tem a maior taxa de mortalidade

THAIS PAIVA

Índio

Apesar de os indígenas representarem apenas 0,4% da população, a taxa de suicídios entre eles corresponde a 1% do total do País. O dado compõe o Mapa da Violência 2014, que trouxe informações alarmantes quanto ao número de índios que recorrem ao ato de tirar a própria vida.

Segundo o levantamento, o município com a maior taxa de mortalidade suicida do Brasil é São Gabriel da Cachoeira, noroeste do Amazonas, cuja população é de 74% de indígenas. Outros locais de assentamento, como São Paulo de Olivença (AM), Tabatinga (AM), Dourados (MS) e Amambai (MS), aparecem nas primeiras posições entre os cem municípios com as taxas mais elevadas.

O problema é mais preocupante no Mato Grosso do Sul. No estado, os indígenas são 2,9% da população, mas correspondem a 19,9% no total de mortes por suicídio. Além disso, jovens de 15 a 29 anos, representantes de 26% do total da população indígena, condizem com 60,9% do total de suicídios entre índios.


“Muitas lideranças diagnosticam que o problema fundamental é que as antigas reservas estão superlotadas e se tornaram um ambiente onde é impossível ter vida saudável em todos os sentidos – corporal, mental, espiritual. Desta forma, o que prescrevem como solução para o problema é retomar as terras de ocupação tradicional”, diz Spensy Pimentel, professor de Etnologia Indígena na Universidade Federal da Integração Latino-Americana.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Nuvens de Veneno: documentário fala sobre problemática do uso de agrotóxicos

Via MST

Documentário revela de que forma algumas corporações conseguem manter esses produtos no mercado através de decisões judiciais, contaminando lençóis freáticos, rios e solo.





Por EcoDebate


O Brasil é um dos maiores produtores do mundo de milho, soja e algodão, mas também um dos maiores consumidores de agroquímicos, ou seja, fertilizantes químicos e defensivos agrícolas, os agrotóxicos.


Para expor as preocupações relacionadas às consequências do uso desses defensivos agrícolas no ambiente, na saúde do trabalhador e na saúde das pessoas que direta ou indiretamente tem contato com eles, foi produzido um documentário que revela de que forma algumas corporações conseguem manter esses produtos no mercado através de decisões judiciais, contaminando lençóis freáticos, rios e solo.


Segundo o professor de Estudos em Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Diretor do documentário “Nuvens de Veneno”, Beto Novaes, o objetivo fundamental desse projeto foi transformar as teses e os trabalhos acadêmicos em imagens, para integrar na universidade, a questão do ensino, pesquisa e extensão:


“Esse documentário, Nuvens de Veneno, foi produto de uma tese, do professor/médico do Mato Grasso, Wanderlei Pignatti, em convênio com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no qual fez uma ampla pesquisa sobre o impacto do agrotóxico na saúde coletiva e na saúde dos trabalhadores, além do impacto no meio ambiente. Ele mediu a contaminação de agrotóxicos nos poços artesianos, mediu a propagação pelo ar, pela deriva, mediu o problema dos desmatamentos nas nascentes dos rios, além das consequências das aplicações dos agrotóxicos na saúde das populações ribeirinhas e populações adjacentes”.


Outro problema trazido pelo documentário foi a dificuldade dos horticultores orgânicos, vizinhos dos grandes produtores agrícolas, consumidores de agroquímicos, de conseguirem um selo orgânico nas suas plantações, pois o vento leva uma parte dos agroquímicos aplicados nas grandes plantações, para as suas hortas ou plantações orgânicas. De acordo com moradores locais, como duas diretoras de escolas da região, Cleusa de Marco e Loini Hermann, devido a pulverização de agrotóxicos, próximo às comunidades, os gramados e plantas locais amarelam e secam, além da contaminação dos lençóis freáticos, nascentes e poços artesianos que atendem à população local. A lavagem dos aviões que pulverizam os agrotóxicos, é feita sem controle ou filtragem da água, que cai no solo e vai infiltrando, até chegar nos lençóis freáticos.


No Brasil ainda é utilizado um agrotóxico que foi proibido na União Europeia, EUA, China e Canadá, e seu uso é preocupante, pois existem denúncias de casos de intoxicações generalizadas, além de ser considerado cancerígeno, teratogênico e neurotóxico: “Essa é uma questão da sociedade, pois ela está se contaminando com o uso desses agroquímicos. O documentário faz um mapeamento das questões ambientais, da saúde coletiva, da saúde do trabalhador e da saúde pública e como utilizar uma ação preventiva com os agentes de saúde, para que eles possam ter alguns parâmetros, alguma percepção desse problema que vá além de combater doenças e sim evitá-las”, alertou Beto Novaes.







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Atrocidades cometidas por la Iglesia Católica a lo largo de la historia: La humanidad tiene memoria

Via HuffPost Voces

Jaime Romay


Galileo Galilei

                                    Vía www.madrimasd.org

Galileo Galilei descubrió a través de un telescopio diseñado por él mismo, que Júpiter contaba con lunas que giraban en torno a dicho planeta, comprobando así, que las órbitas obedecen a las leyes de gravedad y no a las de la Tierra como la Iglesia decretaba. El modelo astronómico conocido como heliocentrismo en el cual los planetas giran alrededor del Sol fue propuesto un siglo anterior por el polaco Nicolás Copérnico y apoyado convincentemente por Galileo Galilei, quien viajó a Roma promoviendo estas ideas, lo que provocó que la Iglesia lo considerara un hereje y lo condenara mediante la Inquisición que lo retuvo bajo arresto domiciliario durante los últimos 9 años de su vida.


William Tyndale
                                                            Vía www.thereformation.info


Reconocido inglés y figura clave del protestantismo fue quien tradujo por primera vez la Biblia al inglés y hebreo, además de ser el primero en imprimirla al inglés. Tyndale desafió al Papa imprimiendo miles de ejemplares del Nuevo Testamento para que tuviera acceso a él la gente común, lo cual fue tomado como un claro desafío para las conveniencias de la Iglesia que más tarde comenzó a confiscar los escritos y a quemarlos. En 1535 Tyndale fue encarcelado y un año más tarde fue amarrado a una estaca para ahorcarlo y quemarlo de manera pública.


Juana de Arco

                                                     Vía culturaguaicaipuro.blogspot.mx


Jeanne DÁrc fue una francesa que tuvo una visión donde Dios le indicaba expulsar a los ingleses de Francia cuando esta nación estaba ocupada por Inglaterra. En 1429, con solo 17 años, convenció al rey Carlos VII de liberar a su nación y encabezó al ejército francés junto con importantes generales para tomar la ciudad de Orleans y sacar a los invasores, aunque más tarde fue capturada por los borgoñeses y entregada a los ingleses, quienes con apoyo de los clérigos, la condenaron brutalmente, no por haber sostenido el escuchar la voz de Dios, sino por haber usado ropa de hombre en la cárcel --lo cual era considerado una herejía y en un juicio lleno de datos infundados por el obispo Cauchon, fue quemada viva en la hoguera en la ciudad de Ruan.


Jan Hus

                                                             Vía terraxaman.blogspot.mx


Teólogo y filósofo checo de los primeros en criticar abiertamente la corrupción moral, los abusos, las ventas de indulgencias y la riqueza acumulada de la Iglesia. Hus proponía una Iglesia pobre y sonsacaba al pueblo para desobedecer a los sacerdotes, puesto que desde su opinión, eran evidentemente pecadores por permitir semejantes abusos. Pensaba que el Papa era el mismo anticristo por solapar tantas atrocidades, por lo que fue condenado por traidor y hereje y quemado en la hoguera en 1415, sus últimas palabras fueron: "Van a asar a un ganso, pero en un siglo se encontrarán con un cisne que no podrán asar".


La Santa Inquisición

                                                            Vía www.misteriosenlared.com


Este término se refiere a las instituciones eclesiásticas que suprimían la herejía a partir de la Edad Media hasta 1800, o sea casi 7 siglos de persecución a personas señaladas como brujas, homosexuales, herejes, blasfemos, vagos, borrachos desobedientes y hasta animales. Los juicios dictados por la "Santa Iglesia" incluían acarreos, vejaciones, torturas y la humillación pública para después quemar el cuerpo al martirizado. Los métodos y objetos de tortura eran diversos dependiendo el caso, pero los más sobresalientes eran: "la dama de hierro", que no era más que un ataúd lleno de picos que se enterraban en el cuerpo al cerrarlo, y "la Cuna de Judas" que era una pirámide puntiaguda de hierro o madera donde se dejaba caer a la víctima sentada.


La persecución de brujas

                                                         Vía www.mujeryciencia.es


Alrededor de 100,000 personas fueron bestialmente asesinadas entre el siglo XVI y XVIII por La Iglesia Católica, quien orquestó una de las más espantosas masacres de la historia mediante la persecución y tortura de mujeres y hombres señalados por practicar brujería bajo la doctrina de que habían sido procreados por Satanás. La Iglesia presionó a la población para denunciar cualquier signo de brujería como lunares en el cuerpo, blasfemias, temor a los interrogatorios y saber nadar (puesto que solo el diablo podía enseñar a dominar el agua), los cuales eran motivos suficientes para ser sospechosos y capturadas(os) por la gente común que, manipulada por las ideas clericales, asesinaba a las victimas flagelándolas, torturándolas, desollándolas, castrándolas, destripándolas, descuartizándolas, asfixiándolas o triturándolas.


Las Cruzadas

                                                    Vía orca-cuantico.blogspot.mx


Estas campañas militares orquestadas desde el Vaticano tuvieron como objetivo restablecer el control cristiano sobre Tierra Santa entre el siglo XI y XIII, aunque algunas se prolongaron hasta el siglo XV en España y el oriente de Europa. Fue una intensa persecución infame que duró más de 200 años y se cobró la vida de miles de seres humanos, musulmanes primordialmente, pero también judíos, rusos, eslavos, paganos, mongoles, cristianos ortodoxos griegos, valdenses, prusianos, cátaros, husitas y en general todo aquél considerado infiel por no practicar el cristianismo y oponerse a los mandatos del Papa.


Evangelización de América

                                                  Vía historiaparaeldebate.blogcindario.com



La evangelización del "Nuevo Mundo" estuvo plagada de abusos y atrocidades, la imposición de la religión católica en América implicó la destrucción del legado cultural y religioso de las culturas prehispánicas. Los "indios" eran considerados en muchos casos herejes por su natural cosmovisión y, junto con los conquistadores, la Iglesia católica solapó y en algunos casos fue parte del maltrato y asesinato de innumerable cantidad de personas que se rehusaban a adoptar las nuevas costumbres extranjeras.


La Legión de Cristo

                                                             Vía turcoviejo.wordpress.com


En 1941 en la Ciudad de México fue fundada por Marcial Maciel la congregación católica con derecho pontifico más escandalosa de la historia contemporánea de la Iglesia. En 2006 su fundador fue removido por el Papa Benedicto XVI sin razones específicas pero en 2009 los superiores de la Legión reconocieron en un comunicado público que su fundador Marcial Maciel había incurrido en actos inmorales como abusos sexuales a seminaristas y menores de edad, relaciones estables con mujeres con las que procreó hijos de los que también abusó así como fraude, extorsión y drogadicción. Este hombre aberrante murió a los 87 años en EE.UU. sin haber sido juzgado por la ley ni por la misma Iglesia, a la que se le imputa (bajo el mandato de Juan Pablo II) haber callado al respecto aún teniendo conocimiento de los hechos.


Y así podemos seguir describiendo casos espeluznantes en los que la Iglesia formó parte de manera directa o simplemente haciendo caso omiso, como en el genocidio de Ruanda, el holocausto nazi, el gran fraude del Banco del Vaticano, el verdadero papel del ala anticomunista Opus Dei, los lazos con la dictadura militar argentina comandada por Videla, o con Pinochet en Chile o con Franco en España, por citar solo algunos. La auténtica espiritualidad se encuentra más allá de los dogmas religiosos y ya en pleno siglo XXI va siendo hora de despertar la conciencia y abrir los ojos para conocer la verdad histórica de la institución religiosa que ha mentido, abusado y manipulado a gran parte de la humanidad durante siglos.

O MINISTÉRIO PÚBLICO E AS “CENAS PROIBIDAS” DA OPERAÇÃO LAVA-JATO.

Sanguessugado do Mauro Santayana

 

(Jornal do Brasil) - A defesa de Marcelo Odebrecht, detido no contexto da Operação Lava-Jato, pediu a reabertura do inquérito – que já entra na fase de julgamento - depois que descobriu que trecho do depoimento em vídeo feito pelo delator “premiado” Paulo Roberto Costa em que ele eximia Odebrecht de participação direta no esquema de propina foi omitido na transcrição feita pelo Ministério Público, e encaminhada ao Juiz Sérgio Moro, ainda antes da prisão do empresário.

 “Se a declaração completa estivesse nos autos, obviamente teria inibido o juiz a determinar a realização de buscas e apreensões e a prisão de uma pessoa que foi inocentada por aquele que é apontado como coordenador das condutas criminosas no âmbito da Petrobras.”- declarou o advogado Nabor Bulhões, que solicitou acesso a todos os outros depoimentos em vídeo que citem seu cliente, para se assegurar que eles não foram alterados e correspondem às transcrições.

Em resposta à solicitação, o Juiz Sérgio Moro disse que “processo anda para frente” e deu a entender que não se pode voltar a etapas já encerradas para mudar essa questão.

E o Ministério Público, por intermédio do Procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, deu a entender que a transcrição não é literal devido ao o termo de declarações ser “fidedigno” porque “sua função é resumir os principais pontos do que foi dito”.   
    
Ao agir como o fez, o MP promove censura subjetiva ao alterar o teor das declarações, quase como se cortasse cenas “proibidas” de um filme inadequado para certos tipos de público.  

 Quem deverá julgar o que é importante ou não no depoimento dos delatores da Operação Lava-Jato, é a sociedade brasileira, no final desse processo interminável que parece pretender se tornar um fator de intervenção permanente no processo político brasileiro.

Principalmente, porque, como correu no caso do “mensalão”,  ele se sustenta, básica e exatamente, nisso: mais em delações “premiadas” e em distorcidas interpretações de teorias como a do Domínio do Fato, do que em provas concretas.   

Cada cidadão brasileiro deve ter o direito de ver, como um strip-tease perverso - e ter a possibilidade de interpretar do jeito que lhe apeteça -  cada detalhe, cada palavra dita, cada suspiro entre frases, cada insinuação, cada sugestão, cada levantar de sobrancelha, de cada um dos presentes em cada audiência em que se procederam essas  “delações”.

Subjetivamente, se for o caso.

Emocionalmente.

Do mesmo jeito que esses mesmos “depoimentos” – e provas ínfimas, cheias de “se”, de ilações e de condicionantes - têm sido produzidas, aceitas, interpretadas e julgadas pelos procuradores e o juiz da Operação Lava-Jato.

A esses senhores não lhes foi facultado o direito de cortar ou alterar um segundo, ou de decidir, per si, o que é ou não relevante na fala de cada “delator”.

Qualquer corte nesses depoimentos poderá ser interpretado como uma tentativa de manipulação e de grave alteração das provas que estão, ou deveriam estar - registradas, protegidas e incólumes - à disposição da justiça e da própria História.

Não é aceitável que, em uma operação como a Lava-Jato, que se sustenta quase que totalmente no disse me disse de bandidos, muitos dos quais já se encontram, na prática, em liberdade, ainda se alterem os depoimentos transcritos em desfavor de citados que podem estar sendo caluniados ou vir a ser condenados devido a essas mesmas delações.

Nesse caso, cada palavra é preciosa, e pode ser fundamental para a defesa dos réus em instâncias superiores às quais eles têm o direito de recorrer, e certamente recorrerão, no futuro.

Está muito equivocado o Ministério Público, quando pretende restringir o que deve ser ou não divulgado ao que “interessa” ou não “interessa” à investigação.

Há muito a Operação Lava-Jato deixou de ser um mero processo judicial.

O que está em jogo, nesse esquema, de flagrante dimensão política,  que se imiscuiu, ao ritmo dessas delações, como os antigos inquéritos stalinistas, por todo o país e os mais variados setores da sociedade e da economia brasileiras, é o futuro da Nação e da República.

E mais grave ainda: a curto e médio prazos, o destino direto e indireto de obras, projetos e programas estratégicos para o desenvolvimento nacional, nas áreas de energia, defesa e infra-estrutura.

Para não falar da sobrevivência da engenharia brasileira e de milhares de trabalhadores que estão perdendo postos de trabalho, porque se confunde o combate a uma ação de corrupção que envolveria teoricamente uma comissão de 3%, com a destruição e a inviabilização, paralisia e sucateamento dos outros 97% que foram efetivamente, inequivocamente, aplicados em equipamentos, obras, empregos, investimentos, com o precioso dinheiro do contribuinte.
   
E que não se alegue sigilo de justiça.

Porque além de “editar” o que se considera que deve ser omitido, permite-se, paradoxalmente, que se divulgue, seletivamente, por outro lado, o que alguns acham que deva ser levado aos olhos e ouvidos da população, em uma operação em que o Juiz defende publicamente o “uso” da imprensa pelo Judiciário, na conquista do apoio da opinião pública, e que desde o início deveria ter sido chamada de “Queijo Suiço”, para ressaltar o seu caráter de inquérito mais vazado da história do Brasil.

Finalmente, a pergunta que não quer calar é a seguinte: se Paulo Roberto Costa tivesse dito que Marcelo Odebrecht tratava diretamente com ele de propina, ou lhe entregava pessoalmente dinheiro, o trecho teria sido cortado da transcrição de seu depoimento?


Ou acabaria “vazando” e sendo amplamente divulgado pelos jornais, portais e revistas?