sexta-feira, 31 de julho de 2015

Ataque a bomba ao Instituto Lula: Terrorismo midiático libera fascismo de imbecis mal informados

Sanguessugado da Revista Fórum

Vídeo mostra momento exato do ataque ao Instituto Lula



Vídeo mostra momento exato do ataque ao Instituto Lula
 
Nas imagens da câmera de segurança é possível ver um artefato sendo lançado de dentro de um veículo preto em movimento, o que desmonta os boatos de que a explosão seria falsa; polícia investiga se o episódio tem alguma ligação com um protesto realizado por pessoas usando verde e amarelo no mesmo dia em frente ao Instituto. Assista ao vídeo
Por Redação
Foto: Jornalistas Livres
Foto: Jornalistas Livres
Foram divulgadas da tarde desta sexta-feira (31) imagens de câmera de segurança que mostram o momento exato em que a sede Instituto Lula, em São Paulo, sofreu um ataque a bomba na noite desta quinta-feira (30). No vídeo, é possível ver um Honda Civic preto em movimento passando em frente ao Instituto e um artefato sendo jogado a partir do banco traseiro do veículo. As imagens já foram encaminhadas para análise da polícia.
O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, entrou em contato com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e conversou sobre o ataque. Cardozo, por sua vez, disse que acionaria a Polícia Federal para colaborar com as investigações da polícia paulista que, inclusive, já identificou algumas pessoas para trabalhar na apuração do caso. Na tarde desta quinta-feira (30), mesmo dia do ataque, um grupo com cerca de dez pessoas vestidas de verde e amarelo fizeram um protesto “contra a corrupção” em frente a sede do Instituto.
Relatos de médicos e funcionários do hospital São Camilo, que fica em frente ao Instituto, falam de momentos de “pânico” dentro do hospital por conta do forte barulho da explosão.
Em nota, a bancada do PT na Assembleia Legislativa diz que esse “não é um caso isolado”, e lembra que a sede do diretório do PT de Jundiaí foi incendiada e vários ataques contra militantes do PT têm sido registrados.
Confira abaixo o vídeo que registrou o momento em que o artefato é lançado:

Bob Fernandes: Com o investigado Eduardo Cunha, Gilmar Mendes conversa sobre impeachment de Dilma

Via Jornal da Gazeta

Bob Fernandes

Collor, Casa da Dinda, Ferrari, denúncias, milhões em propina... Já vimos esse filme. Mas nunca é demais recordar...

Aquele filme foi precedido por dois anos de reportagens de capa, e horário nobre, sobre o heroico "Caçador de Marajás" das Alagoas.

Valia, valeu tudo para enfrentar o escalado para o papel de "grande vilão" na primeira eleição direta: Brizola. Não foi Brizola e o resto é história.

Gilmar Mendes fez História em 2008, quando preso o banqueiro Daniel Dantas.

Presidente do Supremo, o ministro produziu dois habeas corpus em 48 horas e uma torrente de críticas à Satiagraha, operação sepultada no rastro de vasta pancadaria.

Gilmar atacou o uso de algemas e o que chamou de "ameaça ao Estado de Direito" e "espetacularização das prisões". Sobre operações da Polícia Federal disse:

-Têm notório caráter de retaliação (...) e de controle ideológico contra juízes, terrorismo lamentável (...) Quem faz isso não é agente público, é gângster...

Citando grampo fantasma, suposta gravação que ninguém ouviu, Gilmar e o então senador Demóstenes Torres chamaram o presidente, Lula, "às falas".

Lula, em gravíssimo erro que viria a custar muito, demitiu da ABIN Paulo Lacerda, o delegado que reestruturou e fortaleceu a Polícia Federal.

Gilmar Mendes não tem se pronunciado sobre a atual onda de prisões espetaculares. Mas as repórteres da Folha, Marina Dias e Natuza Nery, revelaram movimentos de Gilmar.

Na última quinta-feira, 9 , o ministro do Supremo foi até a residência do Presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Presente também o deputado Paulinho, da Força Sindical.

Paulinho, já alvo de 5 inquéritos, tem condenação por improbidade administrativa.
Eduardo Cunha, investigado no escândalo de corrupção na Petrobras, pode vir a ser julgado pelo mesmo Supremo.

Com Paulinho da Força e Eduardo Cunha o ministro do Supremo discutiu, em detalhes, cenários da crise. Inclusive um processo de impeachment da presidente Dilma.

O que diria o ministro Gilmar Mendes sobre...o ministro Gilmar Mendes em tal companhia e tertúlia?

A GENTE MORRE TODOS OS DIAS. MAS SE ESQUECE E LEVANTA

Via Revista Bula

 

A gente morre todos os dias. Mas se esquece e levanta

 

 Graça Taguti    

Se tem algo que desperta muita ira em nós é o descontrole sobre a hora da nossa morte. E sobre o momento da nossa concepção e nascimento. Sentimo-nos, paradoxalmente, cada vez mais empoderados, tendo como cúmplices as sucessivas invenções das novas tecnologias. O domínio sobre o universo, objetos coisas e pessoas. A era glass, a era touch e a era do controle (a última apontando a implacável vigilância da internet sobre nossa minuciosa intimidade) convivem na atualidade, aparentemente de mãos dadas. Fato é que simulando nosso império volitivo e ditatorial sobre joysticks materiais e virtuais sentimo-nos firmes comandantes de navios nas ondas da web e da vida.

A gente morre quando acorda. Morre de tédio, de preguiça, morre de mesmice, ou não, como apregoaria Caetano Veloso, com aquela voz de fruta sumarenta e lenta degustada em algum recanto nordestino. Tem pessoas que já morreram faz tempo. E nunca desconfiaram disso. Morrem de medo de encarar o medo, de colocar a coragem debaixo de um braço e o medo apoiado no outro braço e prosseguir caminhando, como ressaltaria Brecht.

Morre-se de pavor de mudar cacoetes, opiniões, certezas, repetindo automaticamente velhos e ranhetas comportamentos. Morre-se de medo de encarar as verdades da alma, no espelho da consciência, cujos reflexos nem sempre soam agradáveis ou digestivos. Medo de e enfrentar a relação puída, mas mantida apesar do visível desgaste, devido às oportunas muletas financeiras e quiçá psicológicas. A gente morre na repetição infindável de defeitos pra lá de conhecidos, nossos e dos outros, e anunciados instante após instante em nossa gestualidade e fala reveladora.

Chico Buarque já entoava em sua composição “Cotidiano”: “Todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode às seis horas da manhã”. Ou ainda, o seminal poeta clamava em “Construção” — de cuja música reproduzo um trecho:

“Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
“Morreu na contramão atrapalhando o sábado”.

Vivemos rodeados por mortes commoditizadas, sem rosto nem débeis desejos. Como se salvar de tamanha e paralítica incompetência atitudinal? Tornar-se aficionado por séries televisivas centradas em zumbis ou vampiros, como “Resident Evil” e similares. Sabe-se que os zumbis namoram a eternidade. O protótipo da infinitude, ainda que se arrastem apodrecidos por terrenos estéreis.

A gente morre de frio e de mentiras. De amor escondido e expurgado pela covardia. De afeto enrijecido e estanque. Da flor não manifesta num discurso que se pretendia doce. Poetas, filósofos, estudiosos, escritores circularam o fascínio deste tema. Na religião, os espíritas, erguem a vitoriosa e redentora bandeira da reencarnação. O rabino Nilton Bonder especula sobre a salvação na obra “A Arte de se Salvar — Sobre Desespero e Morte”. Especialistas no assunto ocupam-se, como a dra. Elisabeth Kübler-Ross, fundadora da Tanatologia (estudo científico da Morte) de auxiliar doentes terminais em suas despedidas.

O cineasta Ingmar Bergman em “O Sétimo Selo”, elege a morte como personagem central da trama. Ariano Suassuna, dramaturgo e romancista apregoa: “Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver”.

Muita gente morre de silêncio. Não joga para fora as fecundas cirandas do coração. Morre de ódio, de inveja. E finge que estes sentimentos, tão descivilizados e deselegantes, pertencem somente aos outros. De soberba, arrogância e interjeições também se morre. E ainda quem deixa a paixão morrer no sexo e faz amor sem prazer. Como quem come uma sobremesa de nariz entupido.

Alguns poetas passeiam com naturalidade pela finitude. Pois parece que sempre há algo de romântico em dizer adeus à existência. Mário Quintana divaga: “Se vale a pena viver e se a morte faz parte da vida, então, morrer também vale a pena”.

Há gente que morre de orgulho, mas não dá o braço a torcer. Criaturas que jamais conheceram a grandeza do perdão, do abraço, da palavra sem mascaramentos.

Impossível deixar de citar também o breve excerto de Manoel Bandeira, no poema “A Morte Absoluta”: “Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra. A lembrança de uma sombra. Em nenhum coração, em nenhum pensamento. Em nenhuma epiderme. Morrer tão completamente. Que um dia ao lerem o teu nome num papel perguntem: Quem foi? Morrer mais completamente ainda. Sem deixar sequer esse nome”.

Nosso amantíssimo Drummond, traça versos em carne viva em “Os Ombros Suportam o Mundo”. Sem qualquer anestesia metafórica, declara na estrofe final deste seu poema: “Alguns, achando bárbaro o espetáculo, prefeririam (os delicados) morrer. Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação”.

NYT, Lava Jato e o programa nuclear brasileiro

Sanguessugado do Cultura, Esporte e Política

Tereza Cruvinel 

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O jornal americano The New York Times registrou com clara satisfação a prisão do almirante Othon Pinheiro da Silva, presidente afastado da Eletronuclear, apontando-o como chefe de um programa nuclear clandestino durante a ditadura e um “militar nacionalista” resgatado do ostracismo em 2003 pelo governo do presidente Lula.

O programa nuclear brasileiro nunca foi clandestino, vinculando-se inicialmente a um acordo internacional com a Alemanha, que muito irritou os Estados Unidos. Foi o acordo que possibilitou a construção das usinas Angra I e Angra II. Mas Angra III já vem sendo construída com tecnologia nacional pela Eletronuclear,  tecnologia desenvolvida a partir das pesquisas estratégicas realizadas pela Marinha. Estas sim, tratadas como segredo de Estado, tanto quanto as empreendidas pelos países ricos nesta e em outras áreas. Othon teve papel relevante neste processo, do qual é considerado como principal líder intelectual.

Como escreveu o economista e jornalista José Carlos de Assis em artigo republicado pelo 247, “o almirante Othon é um arquivo vivo de tecnologia”. Foi sob sua coordenação que o projeto Aramar desenvolveu as super-centrífugas brasileiras que processam o urânio a custos 70% menores que outros países, inclusive os Estados Unidos, que sempre quiseram se apropriar da tecnologia brasileira.

O programa nuclear brasileiro foi metaforicamente detonado por Collor, quando fechou o “buraco da serra do Cachimbo”, depósito de dejetos nucleares do programa, em sinal de sua paralização. E por Fernando Henrique, quando deixou o projeto Aramar definhar por falta de verbas. Lula, depois de empossado, visitou o projeto e de fato resgatou o almirante Othon ao resgatar o programa e retomar os investimentos na construção da terceira usina nuclear.

O Brasil foi privilegiado pela natureza com um potencial invejável para a geração de energia hidrelétrica, limpa e relativamente barata. Mas esta fonte está se acabando, quase todos os rios já foram devidamente explorados, forçando a construção de novas usinas na região Norte. Em algum momento, a energia nuclear, bem como a de outras fontes, como a eólica, será fundamental para o desenvolvimento nacional.

A prisão do almirante Othon, um homem de 76 anos, tem uma relação direta com as questões acima. A Lava Jato não apresentou até agora provas de que os recursos na conta de sua empresa sejam oriundos de corrupção.   Ela presta serviços aos construtores das dezenas de pequenas hidrelétricas espalhadas pelo Brasil. Será preciso demonstrar a origem dos recursos.  Mas culpado ou inocente, por tudo o que ele sabe e representa, não pode ser submetido à sanha dos procuradores e delegados por delações premiadas. O Estado brasileiro tem grande responsabilidade por seu destino, ao qual estão vinculados segredos da política nacional de defesa.

Mas até agora, não se ouviu uma palavra do Governo.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Eu chorei por Cecil

Sanguessugado do Palavras Insurgentes

Elaine Tavares

Sim, eu chorei. Chorei pelo tal leão que o dentista estadunidense matou na África. Chorei também pelo dentista, que precisa investir milhares de dólares para ter uma sensação de poder. Chorei pelo leão, como choro pelos palestinos, pelos meninos negros de Serra Leoa, pelos jovens da Guiné, as mulheres do Saharauí, os ciganos, os indígenas de Mato Grosso do Sul, os garotinhos negros das comunidades empobrecidas das grandes cidades brasileiras. Toda essa gente, e muito mais, que é abatida, cotidianamente, por seres como esse homem dos Estados Unidos. Chorei pelo leão, na sua inocência selvagem, entregue ao predador. Choro pelas gentes, violentadas e violadas na sua dignidade e na sua tentativa de simplesmente viver.

Mas, diante destes fatos, que envolvem a vida de bichos e gentes, não basta chorar. Nossas lágrimas não mudam as coisas que já são. O que muda é nossa ação concreta, cotidiana e sistemática. A luta incessante contra um sistema que nos ensina a banalizar a vida. A batalha sem trégua que temos de dar para constituir outro modo de organizar a vida. E isso não é coisa fácil. Muito mais fácil chorar e dormir achando que já fez o suficiente. Mera musculação de consciência.

Sim, a vida do leão é importante, porque ela faz parte do grande equilíbrio cósmico. Ela também enchia de orgulho e autoestima toda uma gente que quase nada tem. Porque quem tem a savana africana como território ancestral sabe que aquele animal, como todos os outros que por ali são protegidos, mantém o mundo deles balanceado. Ali, o homem respeita o bicho e o bicho cumpre seu destino.

Da mesma forma é importante a vida das gentes, em todos os rincões da terra, porque são expressões desse universo mágico e inescrutável. Bicho e gente, gente e bicho, balançando no pêndulo da existência e com direito de viver em paz. O leão precisa existir não para alegrar meus olhos, mas porque há uma razão para que ele exista na natureza: equilíbrio. E, naquela parte da África, eles estão sendo exterminados, até que sua ausência extermine também o homem, porque são um.

E assim é também no sistema político. Os predadores - os que têm as riquezas - vão exterminando os que nada têm, sob pretextos variados: comunistas, terroristas, marginais, possíveis criminosos. Tudo o que constituir ameaça ao mundo de benesses que construíram a custa dos que massacram, eles eliminam. Com a mesma alegria deslavada do matador de leão. Armados com as armas do dinheiro, do poder, eles caçam e decepam as cabeças, riso aberto na cara. Depois, levam os troféus para casa, para enfeitar a sala. É bem assim.

Por isso há que chorar sim. Chorar pelos que são sacrificados. Mas, logo depois, secar as lágrimas e sair para a batalha. O leão vivia numa reserva, aparentemente protegido, inocente, sem consciência da maldade humana. Nós, não.  Nem em reservas, nem protegidos. E, conscientes. Sabemos que há homens com fuzis à espreita. E mais, temos a capacidade de, sabendo disso, nos juntar e dar combate. É a luta de classe.

Vivo por um sonho que persigo com atos concretos: um mundo de riquezas repartidas, de justiça, de vida plena, de equilíbrio entre gente, bicho e planta. Vivo e morro por isso. Um dia o condor encontrará a águia e virá o pachakuti. O tempo novo, pelas nossas mãos.

Assim, choro por Cecil, choro pelas gentes e arreganho os dentes, pronta para as batalhas.

Agosto - O mês do desgosto

Via Diário Liberdade

Laerte Braga

É incrível a capacidade de Dilma Roussef de meter os pés pelas mãos. As sucessivas medidas tomadas pela presidente, entre outras coisas, corroem suas bases e vai precisar delas para se defender da ofensiva de Eduardo Cunha numa ponta e do PSDB noutra ponta, mas ambos ligados num nó de oportunismo político e corrupção sem tamanho. Agosto vai chegar fazendo jus ao velho ditado – “agosto, o mês do desgosto”.

 

Do caráter neoliberal do governo ninguém tem dúvidas. Reeleita com um programa que se desfez na escolha do ministro da Fazenda, um tucano, governa com o programa de seu adversário, o derrotado. Ligou a seta do carro para um lado e virou para outro.

Vetou um aumento de servidores do Judiciário acertado antes da eleição e com recursos previstos no orçamento, 78% escalonados em quatro anos, mas aumentou a gratificação de comissionados em mais de 100%. A mídia se encarrega de dizer que é um “privilégio”, mas esconde o fato que os beneficiados não serão ministros e juízes, cheios de penduricalhos em seus vencimentos.

O dinheiro da banca não. Está a salvo. Joaquim Levy cuida disso.

Há fatos mais graves e que no futuro poderão se transformar em grandes pendências, um deles silenciosamente ocultado pela mídia e por ordem dos patrões. Dilma rompeu o acordo de colaboração para pesquisas espaciais e construção de um foguete capaz de colocar em órbita satélites fundamentais para o Brasil. Foi saudado por inocentes, o acordo era com a Ucrânia e a Ucrânia hoje é uma ditadura neonazista. Diz respeito a privilegiada base espacial de Alcântara.

A decisão foi tomada após o seu regresso da viagem aos EUA e são duas as propostas de acordo para colaboração com o Brasil. Uma do governo russo e outra do governo norte-americano. Será que existem dúvidas sobre a futura decisão de Dilma? A cobiça dos Estados Unidos sobre a base vem desde os tempos de FHC e o acordo com a Ucrânia foi assinado por Lula, numa tentativa de escapar do dilema EUA versus Rússia.

O primeiro foguete construído como resultado do acordo explodiu na própria base, matou pessoas e há evidências de sabotagem que nem a força aérea nega. “Quem, quem?” Seria a pergunta de um dos alunos da velha e até hoje vista Escolinha do Professor Raimundo, sob a batuta de Chico Anísio Quem ficará com a base? Os sabotadores e suas exigências descabidas que transformarão parte do território nacional, estratégica, em pequena, mas de alta importância, possessão estrangeira.

Brasileiros, go home!

Lula e outros líderes petistas se queixam que Dilma não escuta ninguém e quer cumprir uma agenda sozinha, sem o partido e sem qualquer interferência de quem, segundo Delfim Neto, transformou um “poste em presidente da República”. Se perceberam ou não é outra história, mas Dilma percebeu. O alvo é Lula. Escora-se nisso para confiar que os pedidos de impedimento não terão sequência.

É difícil sim, o impedimento da presidente. Mas não impossível. Acuada por um juiz que rasga a Constituição, Sérgio Moro, por um Tribunal de Contas corrupto e sensível a propinas, por um Tribunal Eleitoral onde pontifica Gilmar Mendes, ministro tucano do Supremo Tribunal Federal, não percebeu que se o vice, assumir, logo terá o apoio das forças neoliberais em nome da “democracia”. Michel Temer é um camaleão e sabe que Dilma não é Lula, não cumpre acordos e é temperamental.

Nesses sete meses de governo demos passos quilométricos para trás. E a conta desses recuos está indo para a classe trabalhadora. Em tempo algum a banca ganhou tanto dinheiro como agora.

Um tresloucado Aécio Neves sonhando com a presidência. Um cretino corrupto como José Serra tecendo fios golpistas no Senado para entregar o pré-sal e um ex-presidente, que acredita ter criado o mundo em apenas um dia.

O problema do poste é que ao contrário do “fiat lux”, a luz está se apagando. Brizola estava, como sempre esteve, certo. “Essa Dilma não é de confiança”.

O PT? Salvo exceções de lucidez, no pós José Dirceu, está virando um bando de cegos.

Vem aí agosto, “o mês do desgosto”.

SELIC SOBE 3 PONTOS, DESDE LEVY MÃOS DE TESOURA. BLOG ENTREVISTA RENTISTA

Sanguessugado do Mello

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Taxa Selic saltou de 11,25%, um dia após a reeleição da presidenta Dilma, para 14,25%, valor de ontem DL (Depois de Levy).
O Blog do Mello, num esforço de reportagem, encontrou um rentista disposto a comentar o aumento de 3 pontos percentuais:

BdoM: - Como rentista, que vê seus ganhos crescerem a cada aumento da Selic. Como o senhor explica mais esse aumento?
Rentista - É uma retribuição pelo esforço que fazemos para baixar a inflação. Não produzimos, mandamos trabalhadores pra rua, aumentamos juros de empréstimos a pessoas físicas e jurídicas. Com isso, desaquecemos a economia a ajudamos a controlar a inflação. Temos que ser bem remunerados por esse esforço que fazemos em prol do Brasil. Na próxima reunião, aumenta mais...

Izaías Almada: 14 destinos para o pessoal do “Brasil é uma merda”; será um alívio, se não regressar

Sanguessugado do Viomundo

Izaías Almada, especial para o Viomundo

 

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O DIREITO DE IR E… VIR

 

Há poucas semanas uma dessas celebridades que fazem novelas na Rede Globo, de quem não me lembro o nome, deitou falação contra o fato de ter que pagar um imposto na alfândega sobre um computador trazido dos Estados Unidos (pronunciado, talvez, com a boca cheia de empáfia). Foi defendida por um colega, outra celebridade, essa já com alguma idade (por isso me lembro do nome), o ator Miguel Falabella, que teria dito qualquer coisa sobre o fato de que nós brasileiros devemos apoiar o contrabando sim, pois todo mundo anda roubando no governo, logo… São falas e atitudes de um Brasil incivilizado que, aqui entre nós, já encheu o saco.

Por qual razão muitos desses “reclamões” não vão embora do país? O que é que estão esperando? Tenho várias dicas de países que os receberiam de braços abertos.

Mas antes gostaria de fazer referência e comentar um pouco sobre outros dois fatos que têm a ver com essa mesma questão. O primeiro deles diz respeito à Sra. Marcelo Odebrecht e sua ironia por ter que receber em casa há algum tempo atrás uma sindicalista e pensou em oferecer a ela uma marmitex. Fiquei pensando: caramba, essa gente ganha rios de dinheiro com as mais variadas maracutaias dentro e fora do Brasil, poderiam aprender a tratar melhor seus semelhantes, mas a viseira cultural e ideológica é tão grande, sem falar do preconceito de classe, que não conseguem. O dinheiro por vezes é muito, mas a sensibilidade é mínima. Não adianta.

O segundo caso tomou algumas poucas páginas da mídia, mas ainda assim foi lembrado: até hoje os policiais ingleses que mataram o cidadão brasileiro Jean Charles em Londres “por engano” ainda não foram julgados. A Inglaterra, com certeza, entra no imaginário de muitos brasileiros, alguns até advogados, como sendo um daqueles países do “primeiro mundo” que praticam a justiça com seriedade. Sim, desde que o réu não seja latino, afrodescendente e pobre. Aliás, está aí um bom país para os brasileiros que acham o Brasil uma merda, procurarem. Em São Paulo, por exemplo, o táxi até o aeroporto de Guarulhos é baratinho em relação a muitos outros problemas do Brasil.

Mas vamos à lista para esse pessoal do “Brasil é uma merda”, lembrando que os outros membros dos BRICS não devem ser lá muito boas opções para visitarem, por suposto, Rússia, Índia, China e África do Sul. Ainda assim, sobram muitos, muitos…

1 – Alemanha: país que imortalizou os campos de concentração e acaba de deixar a Grécia de joelhos, por sinal o berço da democracia há 2500 anos, o que não deixa de ser até certo ponto uma atitude emblemática nos dias que correm. A maioria da população é branca de olhos azuis e fala alemão, que é difícil para turistas, mas também o inglês.

2 – Bielorrússia: recomendo tirar informações no Google.

3 – Canadá: belíssimo país que tem por costume aceitar estrangeiros para estudar e trabalhar. No inverno, a barra é pesada e são seis ou sete meses de frio intenso, com ursos a caminhar pelas ruas de algumas pequenas cidades. Normalmente exigem – o governo, não os ursos – formação superior dos imigrantes, entendendo-se por isso conhecimento razoável do que se propõem a fazer e não apenas o diploma que nunca se sabe se foi comprado, comportamento de muitos dos que acham o Brasil um horror…

4 – Dinamarca: país escandinavo em cujo inverno o sol costuma aparecer durante quatro horas por dia ou pouco mais. E isso dura vários meses. Não dá para pegar uma corzinha no final de semana. A língua e a escrita são complicadas para quem pratica a lei do menor esforço.

5 – Espanha: país caliente de “lindas mujeres”, mas vivendo já há alguns anos forte crise econômica, com grande desemprego de jovens. Crise pior que a do Brasil, “esse país de merda”… Lá existem alguns partidos novos de esquerda, como o Podemos e para muitos de nossos emigrantes “talvez não seja o caso”. Na Catalunha e nos Países Bascos a língua falada é mais complicada.

6 – França: povo organizado embora um tanto chauvinista. Ainda usam muito perfume no lugar do banho e gostam de andar ao lado dos alemães nas questões européias. Discriminam um pouco os africanos, os árabes e os sulamericanos, mas isso é o de menos para os brasileiros de elite, educados e civilizados que sentem saudades da ditadura. E da feijoada, quando estão fora do país.

7 – Guatemala: país de grande tradição golpista no passado, hoje mais calmo. Mas sempre se pode aprender um pouco.

8 – Holanda: país belíssimo, com seus diques e cidades limpíssimas, seus habitantes costumam falar vários idiomas. Estiveram lado a lado com os ingleses na colonização da África do Sul, deixando naquele país grandes saudades. Esse fato histórico criou o líder Nelson Mandela que chegou a presidente depois de 27 anos na prisão. Há, contudo, liberdade controlada no uso de drogas para os golpistas mais exaltados.

9 – Indonésia: Recomenda-se muito cuidado com o que levam nas malas (geralmente são muitas para a tentativa de contrabando no retorno). Lá existe a pena de morte por fuzilamento.

10 – México: Normalmente uma bela opção, sempre e quando se tenha em mente que o país está sitiado por cartéis do narcotráfico.

11 – Portugal: Ao lado da Grécia e da Espanha, vive grande crise econômica e social, tornando difícil a absorção de mão de obra estrangeira. E será sempre bom conseguir informações com brasileiros que lá vivem há mais tempo, em particular dentistas, publicitários e o pessoal da construção civil, para sentir como os portugueses andam tratando os “brasucas”.

12 – Suíça: Se for cliente do HSBC ou tiver conta em outro banco e não declarada ao fisco no Brasil é sempre bom tomar algum cuidado, pois há sempre o risco de extradição para os EUA. É possível conseguir boas informações com os advogados de Marin.

13 – USA: no Brasil conhecido apenas como Estados Unidos, esse país lidera a lista dos sonhadores, dos revoltados on-line e dos revoltados fora de linha, na expectativa de que acabem com Lula, Dilma e o PT. Mas Miami é uma bela cidade. Trata-se de um lugar propício e de clima ameno, onde se encontram grandes fortunas levadas de Cuba, Argentina, Venezuela, Bolívia e outros países sulamericanos com tendências ao bolivarianismo.

14 – Venezuela: país do bolivarianismo. Sei que muitos torcerão o nariz, mas penso que vale a pena ver uma ditadura de perto. Ver o “ódio” que os venezuelanos têm a Chávez e Maduro. Podem contratar viagens (excursões) no Congresso em Brasília e pedir os senadores Aécio, Caiado e Aloysio Nunes como guias pela cidade de Caracas. E não se esquecerem de levar exemplares da Veja, do Estadão, da Folha e do Globo, pois há uma crise de papel higiênico no país.

Enfim, todo cidadão tem o direito de ir e vir. Alguns, entretanto, se não quiserem regressar será um alívio para o Brasil.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Agência de risco S&P rebaixa Globo e mantém Petrobras

Quero ver a idiota do mau dia brasil gargalhar com o rebaixamento da nota da grobo como gargalhou hoje do rebaixamento da nota do país.

Sanguessugado do Revista Forum

A agência de classificação de risco revisou hoje (29) a nota de trinta grandes companhias brasileiras, passando a perspectiva de estável para negativa; entre as empresas desse grupo, estão a Rede Globo, a Ambev e a NET. A Petrobras, reconhecida como a maior estatal brasileira, não foi afetada na avaliação

Agência de risco S&P rebaixa Globo e mantém Petrobras

 

Por Redação

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s revisou hoje (29) a nota de trinta grandes companhias brasileiras, passando a perspectiva de estável para negativa. Entre as empresas desse grupo, estão a Rede Globo, a Ambev e a NET. Foi alterado também o viés de onze bancos ou entidades financeiras. A Petrobras, reconhecida como a maior estatal brasileira, não foi afetada pela mudança.

Essa avaliação é um dos pontos considerados por agências de crédito e investidores estrangeiros na hora de fazer suas aplicações. A S&P manteve as notas das empresas e mudou somente a perspectiva, assim como fez com a nota de crédito em moeda estrangeira do Brasil no longo prazo, que permanece em BBB-. Isso significa que o país manteve o grau de investimento, ou seja, continua sendo considerado seguro, mas pode ter a nota rebaixada no futuro.

Confira a lista abaixo.

Bancos e entidades financeiras que tiveram perspectiva revisada para negativa:

- Banco Bradesco S.A.;
- Itau Unibanco Holding S.A.;
- Itau Unibanco S.A.;
- Banco Citibank S.A.;
- Banco do Brasil S.A;
- Banco do Estado do Rio Grande do Sul S.A.;
- Banco Santander (Brasil) S.A.;
- Banco do Nordeste do Brasil S.A.;
- BM&FBOVESPA S.A-Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros;
- Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social;
- Caixa Econômica Federal.

Sofreram a mesma ação as empresas:

- AmBev – Companhia de Bebidas das Americas (AmBev);
- Atlantia Bertin Concessoes S.A. (AB Concessões) e suas subsidiárias,
- Rodovia das Colinas S.A. e Triangulo do Sol Auto-Estradas S.A.;
Arteris S.A. e sua subsidiária, Autopista Planalto Sul S/A.;
Braskem S.A.;
- CCR S.A. e suas subsidiárias, Autoban – Concessionaria do Sistema Anhanguera Bandeirantes S.A., Concessionaria da Rodovia Presidente Dutra S.A., e Rodonorte Concessionaria de Rodovias Integradas S.A.;
- CESP-Companhia Energpetica de São Paulo;
- Companhia de Gás de São Paulo – Comgás;
- Companhia Energética do Ceará – Coelce;
- Duke Energy International Geração Paranapanema S.A. (Duke);
- Ecorodovias Concessões e Serviços S.A. e Concessionária Ecovias dos Imigrantes S.A.;
- Elektro Eletricidade e Serviços S.A. (Elektro);
- Eletrobrás-Centrais Elétricas Brasileiras S.A.;
- Globo Comunicação e Participações S.A. (Globo);
- Itaipu Binacional;
- Multiplan Empreendimentos Imobiliários S.A. (Multiplan);
- Net Servicos de Comunicação S.A. (Net);
- Samarco Mineração S.A.;
- Tractebel Energia S.A.;
- Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A. (TAESA);
- Ultrapar Participações S.A. (Ultrapar);
- Votorantim Participações S.A. e suas subsidiárias, Votorantim Industrial S.A. e Votorantim – Cimentos S.A.

Perspectivas mantidas

Perspectiva estável

- Ache Laboratorios Farmaceuticos S.A.;
- BRF S.A.;
- Embraer S.A.;
- Fibria Celulose S.A.;
- Raízen

Perspectiva negativa

- Natura Cosmeticos S.A.;
- Vale S.A. e sua subsidiária Vale Canada Ltda.

As empresas Klabin S.A.; Neoenergia S.A.; Odebrecht Engenharia e Construção S.A.; e Petroleo Brasileiro S.A. – Petrobras não foram afetadas pela alteração de perspectiva.


Foto de capa: Divulgação

Segredos do Almirante Othon devem ser guardados pelo STM

Sanguessugado do GGN

J. Carlos de Assis*

 

 

A prisão decretada pelo juiz Aldo Moro contra o vice-almirante Othon Luís Pinheiro da Silva, presidente licenciado da Eletronuclear - descrito por um jornal carioca como “ícone” da tecnologia nuclear brasileira -, pode ser um ato duplo de sabotagem do mais importante projeto de Defesa do Brasil, o submarino nuclear, assim como da tecnologia das centrífugas, a produção barata de urânio enriquecido que enche de inveja as próprias potências nucleares. Se ficar por isso mesmo, em mais uma normalidade anormal introduzida pela Lava Jato na vida política brasileira, é mais vantajoso e mais barato entregar o poder total aos procuradores.

O almirante Othon é um arquivo vivo de tecnologia. Metê-lo na cadeia como um prisioneiro comum, sujeito às torturas psicológicas do juiz Moro que se especializou em delações premiadas arrancadas pelo stress da cadeia, é um risco para a segurança nacional e para a Defesa. Não tenho nenhuma confiança em que algum desses promotores ansiosos por fama não caiam na sua própria armadilha de comprar informações pela humilhação, passando a vendê-las pelo dinheiro e pela fama de desnuclearizar o Brasil. Um presidente muito afoito já fez isso em Cachimbo, sem nenhuma contrapartida das potências nucleares!

Os órgãos do Estado responsáveis pela Segurança e Defesa tem a obrigação de agir imediatamente. Primeiro, exigindo que se coloque o inquérito em segredo de Justiça. De uma maneira mais eficaz, exigindo a transferência das investigações para órgãos militares sob controle das Forças Armadas e do STM. Na verdade, se a Marinha, que está fazendo o submarino nuclar e fez as centrífugas, guardou tão bem os segredos relativos a esses desenvolvimentos tecnológicos vitais para o Brasil, é claro que se confia mais em sua discrição do que na do juiz Moro e de seus promotores midiáticos que vivem vazando informações para a mídia internacionalizada.

Fora dos blogs e de raríssimos comentaristas da grande mídia, não tem havido informação honesta sobre a acusação contra o almirante. Fala-se que recebeu em sua conta 4,5 milhões de reais em mais de quatro anos. Pergunto: Qual alto executivo de grande empresa, com menos qualificações que ele, ganhou menos do que isso em período equivalente?  Acha-se na fila de emprego, com salário de iniciante, algum engenheiro com as qualificações dele? E por que chamar de propina, e não de remuneração normal? Em qualquer hipótese, o Brasil deve muito a esse engenheiro nuclear e almirante. Ele merece respeito, e não suspeita.

Mas temos uma questão imediata de Defesa e de Segurança Nacional pela frente. A Lei de Segurança Nacional da Ditadura acabou em boa hora; eu próprio fui vítima dela. Mas há uma lei anterior que está em plena vigência. É a Lei 1802, de 5 de janeiro de 1953, em plena democracia. Vale a pena ver alguns de seus termos, literalmente. Isso ajuda a concluir que, se houver uma providência simples do Governo, será possível proteger nossos segredos nucleares e aqueles que foram responsáveis por seu desenvolvimento a partir da avocação do processo correspondente para a Justiça Militar. Eis alguns de seus artigos pertinentes ao caso:

Art. 29. Conseguir, transmitir ou revelar, para o fim de espionagem política ou militar, documento, notícia ou informação que em defesa da segurança do Estado, ou no seu interêsse político, interno ou internacional, deva permanecer secreto.

    Pena:- reclusão de 6 a 15 anos.

    Parágrafo único. Se se tratar de notícia, documento ou informação cuja divulgação tenha sido proibida pela autoridade competente, a pena será aumentada da metade.

    Art. 30. A pena restritiva de liberdade, estabelecida no art. 202 do Decreto-lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940, será aplicada, sem prejuízo de sanções outras que couberem com aumento de um têrço, se a sabotagem fôr praticada:

    a) em atividades fundamentais à vida coletiva;

    b) em indústria básica ou essencial à defesa nacional;

    c) no curso de grave crise econômica.

    A pena será aplicada com agravação da metade:

    d) em tempo de guerra;

    e) por ocasião de comoção intestina grave, com caráter de guerra civil;

    f) com emprêgo de explosivo;

    g) resultando morte, ou lesão corporal de natureza grave.

    Parágrafo único. Constituem, também, sabotagem os atos, irregulares reiterados e comprovadamente destinados a prejudicar o curso normal do trabalho ou a diminuir a sua produção.

Paralelamente à questão do Almirante Othon, não seria a destruição da Engenharia Nacional pela Lava Jato também um caso de “prejudicar o curso normal do trabalho ou a diminuir a sua produção?”

*Economista, professor, doutor pela Coppe/UFRJ, autor de cerca de 20 livros sobre a economia política brasileira.

OS NOSSOS "YES, BWANA!" E OS NOVOS "HAI, BWANA!" DO FINANCIAL TIMES.

GilsonSampaio

Ainda hoje no mau dia brasil a âncora(no sentido de levar para o fundo) deu um show de vassalagem combinada com idiotia.

O assunto era o rebaixamento da nota dada por uma dessas arapucas que avaliam o grau de investimento no país, uma dessas agência de rating que curiosamente não previram a quebradeira dos bancos americanos(nem mesmo na véspera do anúncio elas rebaixaram a nota dos bancos falidos)  e origem dessa infindável crise mundial.

Pois bem. Um dos sabujos ou sabujas anunciou que com essa queda da nota brasileira a confiança no país teria subido no telhado.

Foi aí que a âncora anta emendou às gargalhadas: “e o telhado está molhado”.

Eu falei anta?

É hiena!

Sanguessugado do Mauro Santayana

OS NOSSOS "YES, BWANA!" E OS NOVOS "HAI, BWANA!" DO FINANCIAL TIMES.

(Jornal do Brasil) - A imprensa brasileira destacou amplamente na semana passada o "duro" editorial da última quinta-feira do jornal inglês Financial Times sobre a crise política e econômica no Brasil, . Com o título “Recessão e politicagem: a crescente podridão no Brasil”, o texto conclui que a “incompetência, arrogância e corrupção abalaram a magia” do nosso país.

Assim como há quem se pergunte, nos moldes da sabedoria popular, de que se riem as hienas, seria o caso de se perguntar de que estava falando o Financial Times, quando chamou o Brasil de "um filme de terror sem fim", em seu editorial, prontamente reproduzido e incensado, com estardalhaço, por uma multidão de "Yes, Bwana!" nativos, prostrados - como os antigos criados negros na frente de seus mestres estrangeiros nos filmes de Tarzan - diante do trovejar do Grande Totem Branco do Reino Unido de Sua Majestade Elizabeth, quando ele se digna a contemplar com sua atenção este “pobre” e “subdesenvolvido” país.Diante de tão poderoso édito e tão diligentes arautos, não há, no entanto, como deixar, também, de se perguntar:Afinal, na economia, de que estava falando - ou rindo, como hiena - o Financial Times?Se a Inglaterra, com uma economia do mesmo tamanho da nossa, tem uma dívida externa 20 vezes maior que a do Brasil, de 430% contra menos de 25% do PIB ?Se as reservas internacionais britânicas são, também segundo o Banco Mundial, quase quatro vezes menores (107 bilhões contra 370 bilhões de dólares) que as do Brasil ?Se o déficit inglês no ano passado, foi de 5,5%, o maior desde que os registros começaram em 1948, e a renda per capita ainda está 1.2% abaixo da que era no início de 2008, antes da eclosão da Crise da Subprime ?Quanto à corrupção, também seria o caso de se perguntar: de que estava falando - ou rindo, como uma hiena - o Financial Times?Se a Inglaterra é tão corrupta, que deputados falsificam notas para receber ressarcimento e aplicam a verba de gabinete até para a assinatura de canais pornográficos?Se a Inglaterra é tão corrupta, que o político conservador e ex-presidente do Comitê de Inteligência do Parlamento Malcolm Rifkind, que trabalhou por mais de uma década nos gabinetes da famigerada Margaret Tthatcher e do ex-primeiro-ministro John Major, e o político trabalhista Jack Straw, ex-secretário de Justiça, Ministro do Interior, Ministro de Relações Exteriores e ex-líder da Câmara dos Comuns, caíram em uma arapuca criada por um jornal e um canal de televisão, no início deste ano, e foram filmados sendo contratados para vender serviços de "consultoria" para pressionar embaixadores britânicos e líderes de pequenos países europeus para favorecer os negócios de uma empresa chinesa (fictícia), por quantias que variavam de 5.000 a 8.000 libras por dia?Se em 2010, o mesmo tipo de reportagem, feita também pelo Channel 4, revelou que deputados e Lordes britânicos, como os ex-ministros trabalhistas Stephen Byers, a ex-secretária (ministra) de Transportes, Governo Local e das Regiões, Patricia Hewitt o ex-secretário (m inistro) de Saúde, Geoff Hoon, e o ex-secretário (ministro) dos Transportes e ex-secretário (ministro) da Defesa Richard Caborn estavam dispostos a fazer lobby em favor de empresas privadas em troca de grandes somas de dinheiro, em um esquema que foi totalmente convenientemente blindado pelo governo do Primeiro-Ministro Gordon Brown?Se, dois anos mais tarde, em maio de 2012, foram revelados que teriam sido oferecidos pelo tesoureiro do Partido Conservador, Peter Cruddas, jantares "íntimos" com o Primeiro-Ministro David Cameron - que está atualmente no poder - pela módica quantia de 250.000 libras, quase um milhão de reais, em "doação" para seu partido, e o gabinete do Primeiro-Ministro se recusou a revelar qualquer detalhe sobre esses jantares, nome dos "convidados", etc, alegando que eles eram "privados"?Já imaginaram se fosse o Lula no lugar do Cameron? O que não iria dizer do Brasil o Financial Times em seus editoriais?Finalmente, quanto à questão política, de que fala, como uma hiena - o Financial Times, com relação à popularidade da Presidente Dilma Roussef, se a desaprovação do Primeiro-Ministro James Cameron, segundo a empresa de monitoramento de redes sociais Talkwalker, subiu de 25% para 65%, e o número de cidadãos que o aprova caiu de 9 para 7 % nos últimos meses?Não seria o caso - se nos preocupássemos com eles da mesma maneira que eles insitem em se meter em nossos assuntos - de escrever um editorial sobre a "permanente podridão da Grã Bretanha" ?É por isso, por sua mania de dar lições aos outros, que os ingleses acabam tomando as suas. Quando a empáfia é muita, ela incomoda os deuses, e o castigo vem a cavalo.Na mesma quinta-feira passada, do seu arrogante editorial sobre a situação brasileira, em suave vingança poética, depois de 153 anos servindo de escudo e biombo para a hipocrisia de um império decadente, erguido por corsários, bandidos e traficantes de drogas - vide a Guerra do Ópio - o Grupo Financial Times - por incompetência e risco de quebra - incluído o próprio jornal e todas as suas outras publicações - foi vendido para o grupo japonês Nikkei.Inc, por 1.3 bilhões de dólares.

A partir de agora, os jornalistas, editores e "analistas" do FT, famosos pela visão colonialista que tem do resto do mundo, vão ter que se acostumar - os que sobrarem, depois das demissões - a trabalhar, debaixo de chibata - em sentido figurado, mas não menos doloroso - para o Império do Sol Nascente, como os figurantes do clássico filme de guerra a Ponte do Rio Kwai, e a pronunciar "Hai, Bwana-San!", para seus novos donos nipônicos, expressão que deveria ser aprendida, por osmose - para que possam reconhecer quem são, a partir de agora, seus novos mestres - pelos "Yes, Bwana!" - nacionais.

Irã: o país impossível

Sanguessugado do Informação Incorrecta

Max 

Hans Humes é o fundador da Greylock Capital Management, um fundo de investimentos com sede
em Manhattan (New York). O acordo sobre o nuclear tinha sido apenas assinado e já o simpático Hans se encontrava num avião para Teherão.
Se passar de bestial para besta é um segundo, também acontece o contrário: agora o Irão é visto como uma espécie de El Dorado.
Durante uma viagem de 10 dias, Hans gostou muito do que viu: uma população bem instruída, bem poucos sem-abrigo, sinais duma economia modernizada:

O apetite do mercado para os Títulos iranianos vai ser muito elevado.

Talvez seja preciso um ano antes que seja possível começar a invadir o Irão, pois as sanções ainda têm que ser completamente levantadas, mas já há fila: além dos fundos de investimentos, há a Royal Dutch Shell, a BP, a Exxon, a Total.
A razão? Sim, o petróleo e o gás, sem dúvida. Mas não é só isso: também a Nigéria tem petróleo e nem pouco. Todavia aí há as companhias de extracção, que chupam a riqueza dos habitantes locais e nada mais. Para o Irão, pelo contrário, estão a preparar-se todos, incluídos os grandes bancos privados internacionais (entre os quais a maior parte europeus).
A verdadeira razão é bem diferente: o Irão tem uma economia sã. Muito sã mesmo.
A Dívida total do governo iraniano no ano passado era apenas 11,4 % do produto interno bruto (PIB). Tanto para ter uma ideia: Portugal tinha 122.9 %, os EUA 106.25 %, África do Sul 42.2 %, Brasil 68.4 %, Índia 66.8 %...  E a maior parte da Dívida iraniana é fruto de empréstimos bilaterais com alguns Países asiáticos.
Amir Zada, director do fundo de investimentos britânico Exotix Ltd.:

Eles actualmente não tem dívida externa.

A Dívida total do Irão é inferior àquela dos 91 % dos Países monitorizados pela CIA. E em 36 anos nunca falhou um pagamento.
E a economia? Apesar das sanções, o Irão cresce 3 % por ano: calcula-se que este dado seja inferior em 15 ou 20 % ao potencial por causa das medidas decididas no âmbito do nuclear.
Ok, vamos resumir: um País com uma Dívida externa inexistente, com uma Dívida total insignificante, com uma taxa de crescimento de 3 %, com pessoas instruídas, uma economia moderna... como é possível tudo isso num País que praticamente não teve acesso aos mercados (o Ayatollah Khomeini antes, o Eixo do Mal depois, etc.)? Onde os bancos não cobram juros? Tudo isso é impossível. O Irão é um País que não pode existir.
O Irão ficou sem as entradas do petróleo e do gás por causa das sanções (é por isso que agora Shell, BP, Total e companhia fazem a fila), mesmo assim continuou a progredir, nunca falhou um pagamento, não construiu o futuro por cima duma Dívida sem fim e hoje apresenta uma economia que é a inveja de qualquer País europeu (e não só).
Como é possível? A resposta é: o Irão auto-financia-se.
Como? Com a Modern Money Theory. Esqueçam a absoluta necessidade dos Mercados, os Títulos que devem ser vendidos aos grandes investidores, os juros "indispensáveis" para que o sistema bancário funcione e tudo o resto. O Irão faz tudo sozinho: imprime dinheiro, empresta-se o dinheiro, controla o seu dinheiro.
Muito simples.
Ipse dixit.
Relacionados:
Modern Money Theory - Parte I
Modern Money Theory - Parte II
Modern Money Theory - Parte III
Os bancos do Islão
O banco sem juros
Sukuk?
Fontes: Bloomberg, Wikipedia (List of countries by public debt)

terça-feira, 28 de julho de 2015

A sociedade da informação falsificada

Via Rebelion

E todos os noticiários que não temos

Fernando Buen Abad Domínguez

Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

Rebelión/Universidad de la Filosofía

Não conseguimos consolidar (até agora) o conjunto de estratégias indispensáveis para gerar os “noticiários” que necessitamos. Em matéria de “produção informativa”, temos sido derrotados sistemática e secularmente. Os poderes hegemônicos, dos púlpitos até os”house  organ” fizeram do controle da informação um exercício de seu poder semiótico diante do qual não temos sabido ficar a salvo com anticorpos e contrataques efetivos e invencíveis. Recém agora você  toma conhecimento?

Com seu modo de “produção de informação“, as oligarquias tem sabido nos impor todas as suas premissas alienantes e conseguido desenvolver laboratórios de guerra informativo-ideológica, de onde nos atacam sistematicamente com mentiras, confusões, calúnias e enganação que nos tem colocado de joelhos sem clemência. Bolívar dizia “pela enganação nos derrotaram mais que pela força”. Tem muita razão ele até o presente.

Eles entenderam, com toda a clareza mercantil, que “informar” é um exercício de poder que pode ser camuflado de muitas maneiras, e o transformaram também num grande negócio. Eles o usam para submeter os trabalhadores e para transformar as consciências dos povos em mercados de sucata intelectual, no qual a verdade brilha por sua ausência e é suplantada pela “espetacularidade” efêmera. Chamam-nos de “noticiários”, “imprensa”, “informativos”.... Há eufemismos a torto e a direito. Para conseguir um certo efeito de credibilidade, eles fabricam para sim mesmos um “prestígio” na medida, santificado pelos donos do negócio “informativo”, e sacralizados por uma boa lista de esbirros “intelectuais” fabricados também sob medida. Ao menos, um balanço geral desde a aparição dos primeiros boletins da igreja, dos primeiros jornais e dos primeiros noticiários lança ao presente resultados arrepiantes. Não se pode esperar coisa melhor de oligarquias que tem sido principalmente foco de ignorantes contagiosos.

Embora tenhamos muito claro o que fazer em matéria de “produção informativa” emancipadora, a práxis tem sido débil. Não é suficiente o rigor teórico nem o debate acalorado, não são suficientes as bibliografias nem as poses dos eruditos “progres” Tampouco nos servem as “panelinhas” dos críticos que falam pelas costas, incapazes de resolver os problemas que há pela frente. O avanço dos modos de produção “noticiosa” capazes de derrotar o modelo hegemônico burguês requer um plano de trabalho político de grande alcance e a partir de condições concretas.  Produzir informação de qualidade revolucionária e divulgá-la exaustivamente deve fazer parte da luta mundial generalizada da classe trabalhadora contra o capitalismo. Não há atenuantes.

Sabemos há muito tempo que um “noticiário” útil à humanidade deve ser fundamentalmente uma ferramenta organizadora em territórios concretos. Uma usina filosófica da organização para intervir corretamente em cenários específicos. Temos sabido que esses cenários específicos  são as frentes de luta da classe trabalhadora, não somente nas fábricas ou no campo contra os latifundiários, mas também nas artes, nas academias, nos escritórios, na cultura... lá onde as vozes dos trabalhadores se organizem para um luta justa é que nasce a agenda dos noticiários revolucionários.

Contudo, não é suficiente encontrar os cenários; é necessário, além disso, encontrar os vocabulários, a sintaxe, os  tons e as maneiras de contar e contagiar a alma organizativa da história revolucionária em sua escala, com as táticas dos trabalhadores e não dos informadores. Isso muda todo o desafio e o torna mais complexo, por que o faz dinâmico, porque o transforma em revolução cultural também dirigida a despojar-nos do modelo “noticioso” inoculado nos povos como se tratasse da única e melhor forma de transmitir informação. Para muitos, é impossível o parricídio em forma e conteúdo mercantil em matéria de “notícias”, mas é preciso fazer isso.

Por exemplo, a Telesur tem deixado uma marca inapagável e sem preço na enorme batalha de transformar a produção de informação numa ferramenta revolucionária dos povos para tornar visíveis suas lutas, tornando-os visíveis como protagonistas. Mas ela não conseguirá muito por si só, uma TV que, para crescer, requer que  cresçam com ela, simultaneamente, muitos outros meios de produção informativa solidários e concatenados na luta contra o modo e os meios capitalistas de informação. Necessita-se de uma ou duas mil “Prensas Latinas”, é são precisos  milhares de meios alternativos e comunitários, TVs, documentaristas, rádios, e material impresso expressando suas táticas e estratégias concretamente, mas com uma agenda de unidade sistematizada nos objetivos prioritários. Ou seja, o que não fizemos até agora.

Falamos de uma revolução mundial da produção de informação, capaz de ser inovadora por ser coletiva, democrática e revolucionária; capaz de aprender a somar vozes e fazer com elas um relato poderoso contra as mentiras e, principalmente, assegurar um método de produção no qual seja a multipolaridade dos pontos de vista o que construa fortalezas na luta unificada pela verdade e contra o capitalismo, inimigo comum da espécie humana.  

A outra parte  de nossa derrota histórica é não contar com as escolas de formação que necessitamos para a revolução da informação. Nós não necessitamos formadores “neutros”, necessitamos de cientistas da informação que tomem posição ao lado do povo na inalienável  busca da verdade e sua construção científica, necessariamente social ali onde se luta. Necessitamos compromisso estético e ético para uma revolução do pensamento que precisa da informação assim com a vida precisa do oxigênio. Esse é, nada mais e nada menos, o calibre da responsabilidade e do alcance da tarefa. É tão extraordinária sua importância que não podemos deixá-la na mão do capitalismo nem mais um minuto. Saiba disso.

As Ruínas do Capitalismo

Sanguessugado do Outras Palavras

REDAÇÃO

Ao retratar a decadência urbana e a crise ecológica, a imagética da ruína mostra as pessoas e os lugares que o capitalismo deixou para trás

Bétulas crescendo em livros apodrecidos, em Detroit Disassembled [Detroit Desmontada] (2010). Andrew Moore

Bétulas crescendo em livros apodrecidos, em Detroit Disassembled [Detroit Desmontada] (2010). Andrew Moore

Dora Apel, Jacobin |

Tradução Maria Cristina Itokazu

As imagens do abandono e da decadência urbana produzidos pela desindustrialização e pelo desinvestimento estão em toda parte. E nenhuma cidade é tão retratada em livros, exposições, web sites, filmes e mídias populares quanto Detroit. Ainda que as paisagens desindustriais estejam espalhadas por todo o mundo, notadamente nos centros que costumavam liderar a produção fabril, Detroit tornou-se o exemplo mais evidente de decadência urbana, a metáfora global para o declínio capitalista e o epicentro de um gênero fotográfico: a imagética da ruína desindustrial.

Ao ressaltar a pobreza, a deterioração urbana e as crises econômica e ecológica, a imagética da ruína acentua o fato de que a sociedade capitalista é incapaz de proteger os seus cidadãos e as suas cidades. Enquanto os imperativos econômicos nacionais colidem com as demandas do capital globalizado, a decrepitude de cidades como Detroit, Buffalo e Cleveland, nos EUA, alimenta um pessimismo cultural ubíquo que prevê a desintegração violenta e o colapso — seja através de um vírus pandêmico, da destruição ecológica, da guerra ou da desindustrialização.

Daí o apelo paradoxal da imagética da ruína: conforme a fé num futuro melhor se desgasta, a beleza da decadência nos ajuda a lidar com o terror de um declínio apocalíptico. No imaginário cultural, a ideia de Detroit veio servir de repositório para o pesadelo do declínio urbano num mundo onde a maioria das pessoas vive em cidades.

A imagética da ruína em Detroit também tem outra função — ela circunscreve geograficamente e isola a ansiedade do declínio, fazendo dessa cidade predominantemente afro-americana uma espécie de zona alienígena. As onipresentes fotos de arranha-céus, igrejas, escritórios e casas dilapidados, de fábricas abandonadas como a da Packard — a maior ruína do país — são frequentemente comparadas com zonas de guerra, destroços de furacão e com o resultado de uma explosão nuclear.

Os efeitos do arruinamento são certamente eloquentes: em 2014, a taxa de desemprego em Detroit foi a mais alta entre as 50 maiores cidades e mais de três vezes maior do que a média nacional, enquanto a taxa de educação superior ficou abaixo da média. Os serviços públicos na cidade são lentos e inadequados mas os impostos territoriais são altos, o que para os residentes mais pobres representa uma ameaça permanente de execução de hipoteca e para a cidade significa mais casas dilapidadas e abandonadas. Quase 40% da população da cidade vive abaixo da linha da pobreza. Mas as fotos de bairros em desintegração, por natureza, explicam muito pouco a respeito das complexas causas desse declínio ou das ramificações do arruinamento para o futuro da cidade ou mesmo do país. Ao contrário, a cidade, tal como produzida através das imagens, assume diferentes significados em diferentes contextos. Na imaginação popular, Detroit é vista como exemplo de decadência urbana e como uma cidade singularmente mal administrada.

Como ex-líder da produção manufatureira no mundo e, atualmente, como cidade debilitada predominantemente pobre e negra, Detroit é construída ao mesmo tempo como resultado de tendências econômicas irresistíveis e como uma cidade altamente racializada que causou seu próprio declínio por causa de líderes incompetentes ou corruptos.

Detroit é considerada uma demonstração tanto do declínio inescapável quanto de sua própria história de irresponsabilidade. Desse modo, o resto do país é levado a acreditar que a espiral descendente de Detroit é merecida, ou inevitável, ou uma combinação das duas coisas.

Essas concepções a respeito da cidade permitem que os verdadeiros agentes da degeneração — as corporações e o Estado capitalista — fujam da responsabilidade e justifiquem o controle da cidade pelo Estado, a falência forçada da cidade, o ataque às aposentadorias dos trabalhadores, a privatização dos serviços urbanos e outras medidas de austeridade.

Elas servem também como alerta para cidades e municípios em dificuldades do Maine à Califórnia. Atribuindo o ônus da dívida às pessoas pobres, negras e trabalhadoras sem responsabilizar ninguém, nem a própria cidade, por essas iniquidades, Detroit e suas representações assumem um papel fundamental na definição do futuro da vida nas cidades americanas.

Um tropo padrão na imagética da ruína é a sugestão da eterna luta entre natureza e cultura. As fotos de Andrew Moore, em Detroit Disassembled [Detroit Desmontada], ou Yves Marchand e Romain Mefre, em The Ruins of Detroit [As Ruínas de Detroit], são exemplos conhecidos focados na regeneração pastoral do ambiente construído.

Birches Growing in Decayed Books, Detroit Public Schools Depository  [Bétulas Crescendo em Livros Apodrecidos, Depósito das Escolas Públicas de Detroit], de Moore, mostra mudas de árvores que crescem num carpete de livros podres e apontam para o céu através de uma abertura no teto do antigo depósito de livros. A perspectiva diagonal ascendente e a luz morna criam um senso de renovação na adversidade, evocando o ciclo aparentemente natural que vai das árvores aos livros e de volta às árvores. Com suas cores vibrantes, a foto oferece um tributo comemorativo ao ressurgimento da natureza.

As fotos de Marchand e Meffre foram tiradas em situações nebulosas e obscuras. Frias e sem vida, elas sugerem um lamento melancólico por um estado de rigidez irreversível e mortal. A última imagem do livro mostra os próprios fotógrafos: duas silhuetas diminutas percorrendo uma ruela entre os prédios abandonados do complexo industrial da Packard. A ruela parece terra devoluta e as instalações desertas são uma metonímia para a cidade que, por implicação, também estaria vazia e abandonada. A imagem oferece uma despedida fúnebre, ainda que celebre a aparência pitoresca da cidade.

Parte Sul, fábrica da Packard Motors (2009) em As Ruínas de Detroit (2010). Yves Marchand e Romain Meffre

Parte Sul, fábrica da Packard Motors (2009) em As Ruínas de Detroit (2010).
Yves Marchand e Romain Meffre

São os dois lados de uma mesma estratégia estética. A foto de Marchand e Meffre lamenta o declínio da cidade como deserto desindustrial mesmo quando encontra beleza na decadência, enquanto a foto de Moore embarca em devaneios românticos sobre a luta entre natureza e cultura e vê a mesma beleza na decadência.

A metáfora da natureza retomando a idade, seja em termos negativos ou redentores, neutraliza os processos reais que têm um impacto tão destrutivo sobre a cidade: um racismo virulento, o antissindicalismo e a reestruturação industrial. Essa neutralização é agravada pelo fato de que a maior parte das imagens raramente mostra a multidão urbana — muitos observadores se surpreendem ao saber que Detroit ainda tem quase 700.000 residentes.

Em dezembro de 2013, o New York Times publicou três fotos de Marchand e Meffre para ilustrar um artigo de primeira página anunciando a decisão de uma corte federal que autorizava Detroit a declarar falência sem proteção para as aposentadorias municipais.

A foto superior mostrava a Estação Central de Michigan, uma estrutura cívica grandiosa cujo abandono serve como símbolo do fracasso urbano. Abaixo, imagens do antes luxuoso salão de baile do Lee Plaza hotel, com seu teto finamente pintado e um piano caído de lado, e da sala de aula de uma antiga escola católica.

A primeira página do NYT de 4 de dezembro de 2013, com destaque para três fotos de locais abandonados retratados por Yves Marchand e Romain Meffre

A primeira página do NYT de 4 de dezembro de 2013, com destaque para três fotos de locais abandonados retratados por Yves Marchand e Romain Meffre

Omitindo a presença ativa das pessoas na cidade e a resposta local de luta contra a decisão judicial, o trio de fotos de primeira página sugeria uma cidade já morta e mumificada. Isso era reforçado pela legenda em negrito, “Visões de uma cidade perdida”, que por sua vez dava suporte ideológico para o corte nas aposentadorias dos servidores municipais: se a cidade já está perdida, não é preciso se preocupar com milhares de pessoas que lutam para sobreviver ou proteger suas magras aposentadorias (em média apenas $19.200 por ano).

Se as vítimas do declínio da cidade desaparecem, o discurso do arruinamento se torna um discurso sobre a arquitetura, a paisagem e a inevitável “retomada” da cidade pela natureza, o que pode significar tanto um retorno a um estado pré-civilizado quanto a reemergência de um novo idílio ecológico. Fotos que se concentram apenas na beleza da decadência na arquitetura afastam o observador dos efeitos dessa decadência sobre as pessoas e obscurece a crise da pobreza e desemprego que está em curso.

Esse apagamento da população também reflete e reforça sua invisibilidade para as corporações e o Estado capitalista, que ajudaram a criar os padrões de pobreza segregada e racializada que há muito prevalecem na cidade e ao mesmo tempo se isentaram de qualquer responsabilidade.

A questão não é sugerir o que artistas e fotógrafos deveriam ou não deveriam retratar; ao invés disso, é importante examinar o trabalho cultural realizado pela imagética da ruína e o uso político a que ela se presta. A narrativa romântica sobre a beleza da decadência presente na imagem da ruína produz prazer por conter e controlar a ansiedade do declínio através da segurança e da distância da representação.

Essa é a função cultural da imagética da ruína; o domínio mental daquilo que nos apavora é sua natureza e propósito. Ainda que ela evidencie os efeitos desastrosos do capitalismo, quanto mais esteticamente refinada e agradável for a imagem mais efetivo é o distanciamento.

Não é de surpreender que a proliferação de imagens da ruína tenha ativado um debate sobre a “pornografia da ruína”, expressão que questiona se tais fotos deveriam ser desconsideradas por serem voyeurísticas e abusivas ou se elas dão visibilidade a algo que de outra forma poderia ficar escondido da história. A crítica da pornografia da ruína depende de uma dicotomia entre os “de dentro” e os “de fora”, entre aqueles que se veem como leais à cidade, cuja vida e trabalho são afetados pela cidade (e portanto adquiriram o direito de lucrar com ela), e aqueles que estão apenas “de passagem”.

Para muitos dos moradores pobres de Detroit, as imagens de ruínas na mídia nacional são uma fonte de desmoralização e constrangimento — independentemente de quem fez a foto — e existem muitos fotógrafos locais que registram a paisagem decadente. Eles temem a marginalização irreversível da cidade e a indiferença de uma nação que vê a cidade a partir de uma posição de fascinação estetizada, a uma distância confortável.

Essa sensação de impotência evoca sentimentos de raiva e ressentimento — não contra as condições da cidade diretamente, mas contra as imagens que retratam essas condições. Elas parecem agravar essas condições por divulgá-las, fazendo a cidade parecer estranha e patética e, talvez o pior de tudo, estimulando a compaixão como resposta despersonalizada ao “sofrimento longínquo”, como acontece com as fotos de crianças famintas na África.

Mas a história está repleta de cenas de desastre e decadência que atraem fotógrafos e repórteres de fora, e eles são responsáveis tanto por um sem número de imagens indeléveis quanto pela história escrita. Retratar a miséria sempre carrega um risco de abuso, mas as imagens também são testemunhas da história. Como todas as testemunhas, são subjetivas e imperfeitas. Ainda assim, elas oferecem perspectivas que de outra forma não estariam disponíveis.

A “pornografia da ruína” é, portanto, uma ferramenta de análise crítica altamente problemática, porque o apetite pelas imagens da ruína só cresce conforme o abandono e a decadência se espalham, e porque os moradores da cidade não têm “direito de propriedade” sobre as ruínas. As ruínas de Detroit, como as de Baltimore ou St Louis, são ruínas dos EUA.

Essa imagética intensifica visualmente a realidade da deterioração econômica e cultural. Esses efeitos devastadores ficam tão cruamente visíveis nos serenos retratos da decadência que eles induzem uma série de emoções, desde o prazer até a inquietação. Assim como a arte e a literatura românticas, que criticavam as pretensões imperiais do império, a imagética da ruína contemporânea também funciona como uma crítica implícita do status quo doméstico americano. A estética da decadência serve como um aviso de declínio na medida em que as imagens participam, conscientemente ou não, da construção da narrativa dominante a respeito de Detroit.

Essas imagens podem lamentar, elogiar ou celebrar a decadência que representam; podem criticar implicitamente as forças ou os efeitos do declínio; podem acolher a beleza ou a melancolia desses efeitos; mas não podem disfarçar o impasse do progresso que as ruínas representam. Conforme o medo do declínio aumenta, o limiar do prazer estético compensatório também cresce, exigindo mais imagens de deterioração e desastre pós-apocalíptico para alcançar uma sensação de segurança. Desse modo, a imagética da ruína se investe de um poder cultural ainda maior.

Não é de surpreender que a fascínio das ruínas urbanas de Detroit tenha se intensificado no momento em que a cidade negociava sua falência. E apesar da narrativa que busca marginalizar e isolar a cidade como responsável por seu próprio declínio, Detroit se tornou um símbolo das cidades fragilizadas em qualquer lugar.

Ainda assim, ao desafiar a lógica do neoliberalismo e do Estado capitalista como um protetor efetivo dos seus cidadãos e uma fonte de progresso e racionalidade, a imagética da ruína também nos desafia a considerar como as nossas decadentes cidades podem ser recuperadas e reimaginadas.
Ela nos convida a pensar sobre a reorganização econômica e o planejamento democrático, partes importantes da construção de uma sociedade igualitária baseada em necessidades e não no lucro — onde as cidades obedecem os requisitos de sua população, fornecendo as bases para a realização individual e ajudando a preservar o meio ambiente.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Santayana: O GOOGLE E A MANIPULAÇÃO MIDIÁTICA

Sanguessugado do Mauro Santayana

 

(Jornal do Brasil) - Quando as grandes empresas de internet surgiram, nascidas nas universidades, e não nos grandes grupos de comunicação que já existiam, houve esperança de que elas viessem a contribuir para a consolidação de um ambiente de produção, publicação e troca de informações realmente livre.

Um novo espaço que privilegiasse o indivíduo no lugar do Sistema, ajudando-o a libertar-se do deletério domínio da mídia tradicional, umbilicalmente ligada, de parte a parte, por milhares de tentáculos, aos maiores grupos empresariais privados, que, no mundo inteiro, e em cada país, trabalham para manter o status quo e defender seus interesses, entre eles o de continuar - mesmo depois do surgimento da Rede Mundial de Computadores - a manipular e a explorar, do nascimento à morte, o homem comum.

Website mais visitado do mundo, e a marca mais valiosa do planeta, com aproximadamente 25.000 funcionários, um enorme faturamento e bilhões de usuários, o Google parecia ser uma dessas empresas, voltada, como rezava a missão inicial do  “navegador” criado por Larry Page e Serguey Bryn, para “tornar a informação mundial universalmente útil e acessível.”

A primeira impressão, era a de que o Google buscava, ao menos aparentemente, uma aura de identificação e comprometimento com os “melhores” valores, que se refletia no lema “dont be evil” - “não seja mau”, e outros slogans relacionados de sua “filosofia corporativa”, como “você pode ganhar dinheiro sem fazer o mal”, ou “você pode ser sério sem um terno”.

Uma impressão reforçada - teoricamente - pelo fato do Google não perder  uma oportunidade de declarar seu “marcante” comprometimento com a neutralidade da internet, como diz, quase sempre, seu vice-presidente e “Chief Internet Evangelist”, Vint Cerf, quando afirma  que “não se pode permitir que os provedores de acesso controlem o que as pessoas vêem e fazem online.”

No entanto, o Google, além de ter tido problemas em vários países do mundo no quesito privacidade, sempre esteve estreitamente ligado à comunidade de informações norte-americana, como revelaram jornais como o The Huffington Post , no ano passado, reproduzindo e-mails divulgados pela Al Jazeera America, trocados entre o Presidente da NSA (Agência Nacional de Segurança) dos EUA, o general Keith Alexander, o Presidente do Google, Erick Schmidt, e um dos seus fundadores, Serguey Bryn, nos anos de 2011 e 2012.

Afinal, porque o Google - em uma excelente jogada de relações públicas - por meio do seu presidente Erick Schmidt - fez questão de receber na sede da empresa a Presidente brasileira Dilma Roussef em sua recente visita aos Estados Unidos ?

Não apenas porque o Brasil é o quinto país do mundo em usuários de internet ou abriga o único Centro de Desenvolvimento Tecnólógico do Google na América Latina.

Mas também, e principalmente, porque no auge do escândalo de vigilância global da NSA, e dos Five Eyes - a aliança de espionagem anglosaxônica que reúne os EUA, a Austrália, o Canadá, a Nova Zelândia e o Reino Unido e “parceiros privados” - em que Edward Snowden desnudou ao mundo o gigantesco sistema de monitoramento em massa e a íntima correlação entre agências de informação dos EUA e grandes empresas norte-americanas que dominam o negócio da internet - incluindo, como vimos, o Google - foi Dilma Roussef que liderou a reação mundial aos EUA, suspendendo sua visita de Estado aos Estados Unidos, e aliando-se à Chanceler alemã Angela Merkel, na apresentação e aprovação, na ONU, por 193 países - contra a vontade de Washington - das diretrizes de uma “lei de internet mundial” a resolução sobre “O Direito à Privacidade na Era Digital”.

Diante do gigantismo do Google e do dinheiro que aplica em marketing - incluindo um bilhão de dólares para um fundo de filantropia - é preciso prestar a atenção em detalhes para encontrar provas de seu claro comprometimento com o status quo e as forças mais conservadoras em cada país em que atua.

Talvez a mais evidente delas, que pode passar - e essa é a sua função - desapercebida pela maioria dos leitores, é a presença de uma seção denominada de “Sugestões dos Editores”, que se pode ver no alto da tela, na coluna da direita, da página inicial do Google Notícias.  

Dependendo do momento em que estiver olhando, o leitor pode se deparar com chamadas para matérias prosaicas, como dicas de beleza, dietas, etc.

Mas, na maioria das vezes, ele terá chance encontrar, “casualmente”, no mesmo espaço, no Brasil, por exemplo - mas não apenas em nosso país - o mesmo tipo de conteúdo  reacionário, anacrônico e fascista, que intoxica maciçamente a internet brasileira, hoje, o que leva, naturalmente, qualquer leitor mais atento a se perguntar : que raios de “editores” são esses?

Seriam “editores” do Google? Ou “editores” voluntários, organizados em grupos de leitores?

Não. Trata-se de “editores” de veículos de informação “tradicionais”,  que enviam suas “sugestões”, principalmente de artigos de opinião, ao Google, por meio de feeds.

Em suas informações sobre a seção, o Google explica que qualquer veículo pode enviar uma sugestão.

Mas quem escolhe quais e em que ordem essas sugestões irão ser publicadas na primeira página do Google News?

Se fossemos pensar no âmbito exclusivamente empresarial, compreende-se que, procurando fabricar de óculos a relógios, de carros a balões de reprodução de sinal de internet - e ampliando suas atividades para serviços correlatos de fornecimento de banda larga para usuários finais, que acaba de lançar nos EUA - o Google se sinta cada vez mais como parte do ambiente empresarial  tradicional, voltado para ganhar dinheiro e lucrar com o consumidor final - no seu caso, bilhões de consumidores finais - com os quais  estabelece contato, por meio de seu brownser, todos os dias.

Também se comprende que o Google busque boas relações com grandes empresas jornalísticas dos países em que está presente, de onde busca - ainda - a maior parte do conteúdo informativo apresentado a seus usuários por seu motor de pesquisa, principalmente depois que foi proibido de indexar esse conteúdo - por ter se recusado a pagar por ele - , em países como a Espanha.

O problema é que, ao fazer isso - dar destaque às “sugestões dos editores” - um eufemismo para levar  o consumidor a ter acesso destacado e facilitado, no alto de página, ao diktat da mídia tradicional, manipuladora e conservadora que predomina nos países em que atua, o Google está tomando uma atitude política, e também está renegando, descaradamente, o seu “GUIA DE NEUTRALIDADE DA REDE” e os princípios que ele evidencia, quando afirma que:

“Neutralidade da rede é o princípio de que os usuários da Internet devem estar no CONTROLE DO CONTEÚDO QUE ELES VÊEM e de quais aplicações eles usam na internet. A Internet tem operado de acordo com este princípio de neutralidade desde seus primeiros dias... Fundamentalmente, a neutralidade da rede é a igualdade de acesso à Internet. Em nossa opinião, as operadoras de banda larga não devem ser autorizadas a usar seu poder de mercado para discriminar candidatos ou conteúdos concorrentes. Assim como as empresas de telefonia não estão autorizadas a dizer aos consumidores para quem eles devem ligar ou o que eles podem dizer, as operadoras de banda larga não devem ser autorizadas a utilizar seu poder de mercado para controlar a atividade online.”

E também está, na verdade, rasgando os compromissos assumidos com o público, quando do lançamento do seu serviço de  notícias, em 2002, quando afirmou que havia criado um site “altamente incomum” que oferecia um serviço de notícias compilado UNICAMENTE por algoritmos de computador, SEM INTERVENÇÃO HUMANA, ressaltando que para esse serviço não empregava “editores, editores de gestão, ou editores executivos.”

Como os usuários devem estar no controle do que eles vêem? Como “unicamente” por “algoritmos de computador” e sem “intervenção humana” ?

São robôs os “editores” privados  que determinam com suas “sugestões” no alto da coluna da direita, da página inicial do Google News, todos os dias, o que o leitor deve ler,  nos países em que o Google atua, começando pelos Estados Unidos?

Desse ponto de vista, o Google pode não estar empregando “editores”. Mas nem precisa.

Ao menos nessa seção,  o maior site de buscas do planeta preferiu terceirizar o trabalho de escolher o que seus usuários devem ler para os grandes grupos de mídia. Abrindo mão de estabelecer - por meio da internet - um marco na história da comunicação - um novo patamar na relação entre o indivíduo e o universo informacional, para transformar-se, como um mero aparelho de rádio ou televisão, em apenas mais um instrumento de repetição e disseminação do que dizem os maiores jornais e revistas de cada país em que atua. Delegando a essas empresas e jornais - que tem seus próprios compromissos e interesses - o direito de determinar o que eles acham que é mais importante e conveniente - para eles e seus anunciantes, é claro - que os usuários vejam e leiam.      

Ainda em suas informações sobre o serviço, o Google diz que é possível para o leitor escolher com que “editores” prefere ter mais “vínculos”, e existe até mesmo uma barra deslizante para que ele possa “personalizar esta fonte de notícias”, mas  a maioria dos usuários tem tempo, conhecimento, ou iniciativa para trabalhar com ela ?

E como fica isso no caso das centenas de milhões de usuários que acessam o Google News sem ter uma conta do Google, ou em “lan houses” e “cybercafés”- como ocorre na maioria dos países mais pobres - ou de seu trabalho, por exemplo?

Eles vão deixar de ler, e de ser influenciados, pelas chamadas dessa seção específica?

Seria mais honesto que - caso se visse a isso obrigado, mesmo considerando-se o público que já acarreta para os portais da mídia tradicional - o Google  colocasse como publicidade claramente identificada, banners dirigidos para o conteúdo desses veículos na primeira página do Google News e cobrasse - claramente - por esse serviço.

Ao disfarçar esse conteúdo, colocando-o no alto da página, mas obedecendo ao mesmo layout, tamanho de letra, etc, das chamadas normais de conteúdo automaticamente indexado, o Google mostra que tem reforçado, ao longo do tempo, de forma sutil, mas reconhecível, uma decisão  clara: a de ficar ao lado do Sistema e não do cidadão, ajudando a reproduzir os esquemas de poder, dominação e manipulação que existem no mercado editorial e jornalístico de cada país, na rede mundial de computadores.

Transformando-se em um instrumento e uma extensão a mais da "fabricação do consenso", ou do consentimento, de que fala Noam Chomsky e do controle do sistema jornalístico tradicional sobre o homem comum, e contribuindo para estender o poder dos grandes grupos empresariais de comunicação de cada país sobre a opinião pública.

Com seus carros  que andam sozinhos, o Google Earth, o novo serviço que permite chamar do Gmail para telefones, e suas ações no apoio à pesquisa científica e à filantropia, a marca Google pretende ser apresenbtar-se e ser identificada com uma empresa inovadora, que pareça estar voltada, como um farol, para o século XXI e o futuro.

Livrar-se dessa excrescência incômoda, do ponto de vista moral e político, deixando apenas os algoritmos, a busca temática, e o critério de relevância arimética, como mecanismos de escolha do leitor, na primeira página de seu serviço de notícias - isso, sim, faria do Google, ao menos aparentemente, uma marca realmente inovadora do ponto de vista da relação  da mídia com a opinião pública.

Quem sabe, assim, o Google poderia abrir caminho para se transformar em uma companhia verdadeiramente global - da forma como pretende apresentar-se e quer que o público o reconheça - e não - como ele parece ser agora -  uma mera extensão do poder do establishment norte-americano - e de seus prepostos locais - sobre a internet e os seus usuários em todo o mundo.

E agora, a lista do HSBC

Via CartaCapital

Mino Carta

O disco do Opportunity não foi aberto. Dez anos depois, o Brasil parece disposto a deixar em paz os sonegadores graúdos, protagonistas em ambos os casos

 

carta-capital-editorial

A capa de 12 de outubro de 2005 conta um enredo melancólico que ameaça repetir-se, para a felicidade da casa-grande

Delicioso editorial do Estadão de terça 21, a lembrar os melhores textos do senhor Pott, inolvidável diretor da Gazeta de Eatanswill em os Pickwick Papers de Dickens. Lê-se no jornalão que o ex-presidente Lula “só pensa em 2018”. Era do hábito do senhor Pott que a verdade factual pouco lhe importasse, tratava-se de alguém dotado exclusivamente de certezas. Parece difícil acreditar que Lula, neste exato instante, só pense em 2018. Quem, pelo contrário, cultiva a obsessão aterrorizada do retorno do ex-metalúrgico à Presidência é, de fato, a mídia nativa.

Aos barões midiáticos desaconselho fervorosamente a leitura da coluna de Marcos Coimbra à página 43 desta edição, desde que se dignem a tanto. O diretor do respeitável Instituto Vox Populi aponta em Lula o favorito do próximo pleito presidencial, a despeito das turbulências atuais, com efeitos semelhantes àqueles precipitados pelo chamado “mensalão”.

Só faltava esta, mas Coimbra é cidadão desassombrado. Há escândalos e escândalos, está claro, para influenciar momentos políticos variados, e não me referirei desta vez aos eclodidos durante o governo de Fernando Henrique, monumentais e mesmo assim silenciados. Estrondosamente. Mas também há presidentes e presidentes.

Não preciso perguntar aos meus botões por que a Operação Lava Jato prossegue impávida, a nos brindar com acusações a serem provadas, e até condenações, enquanto em torno da célebre lista dos grandes sonegadores brasileiros que filtrou através do sigilo do HSBC suíço fecha-se a omertà, como se diria na Sicília, igual ao mar sobre um barco furado. Inclusive por parte do jornalista nativo que milita em um Consórcio de dimensões globais, em poder de uma parte do elenco vip (leia a reportagem que começa na página 34).

Moita. Caluda. E não se trata de café-pequeno, e sim de mais de 7 bilhões de dólares escondidos em cofres pretensamente seguros. Me sobe à memória o episódio protagonizado, dez anos atrás, pelo disco rígido capturado pela Operação Chacal na sede do Opportunity do indestrutível, onipresente Daniel Dantas. Aquele mesmo que, preso anos após pela Operação Satiagraha, contou com o pronto socorro de Gilmar Mendes, o ministro do STF disposto a “chamar às falas” o então presidente Lula e provocar o desterro do honrado e competente delegado Paulo Lacerda.

Esquecido o disco rígido, enterrada a Satiagraha. Em 2005, o disco foi entregue ao STF pela PF dirigida por Lacerda, que no segundo mandato de Lula se transferiria para a Abin, substituído por  um duvidoso Luiz Fernando Corrêa. O disco acabou nas mãos da ministra Ellen Gracie, a qual nunca disse por que o seu conteúdo deixou de ser revelado. Em oportunidades diversas, duas autoridades de alto nível pronunciaram em benefício dos meus ouvidos, e na presença de testemunhas, a seguinte frase: “Se abrirem o disco, cai a República”. Não era conjectura. E uma das fontes admitiria que parlamentares exerciam pressões no sentido de jogar ao lixo o fatídico apetrecho, e também um ministro, o chefe da Casa Civil José Dirceu.

Nada disso me surpreendeu, a corrupção é doença endêmica. Hoje em dia o Partido dos Trabalhadores, que vi nascer esperançoso, encanta-se com um site de obscura origem, que desconfio abastecido por dinheiro do inesgotável Dantas, quem sabe com o beneplácito ou intermediação de Dirceu. Cruzam-se os caminhos da corrupção, a bem da confirmação de um vetusto enredo, que não exclui o moralismo primário dos ingênuos e dos hipócritas.

Dispensados de saída, os botões murmuram sinistramente a probabilidade de que os nomes ilustres elencados no disco do Opportunity figurem em parte, ou mesmo in totum, na lista do HSBC. Machuca, soletram constrangidos, que a Argentina mais uma vez mostre a qualidade da sua democracia na comparação com a nossa incipiente, ao investigar seus sonegadores, com a colaboração de Hervé Falciani, revelador do escândalo, entrevistado páginas adiante e pronto a colaborar também com o Brasil.

Pois é, a Argentina... Somos também o país onde os torturadores não são punidos, os ditadores tornam-se nome de ponte e rodovia, e uma comissão dita da verdade, com V pateticamente grande, cuida de preservar uma Lei da Anistia imposta pela ditadura. Meus botões confessam a dúvida: talvez sejamos o que merecemos.