sábado, 28 de fevereiro de 2015

Mais Mujica e menos o resto: Bolívia terá saída para o mar

Via Ópera Mundi

Uruguai atende demanda histórica e Bolívia terá saída ao Atlântico em porto de águas profundas

Redação

Desde Guerra do Pacífico que Bolívia reivindica saída soberana ao mar; Evo criticou Chile por não respeitar o livre trânsito às exportações bolivianas

Os presidentes de Uruguai e Bolívia, José Pepe Mujica e Evo Morales, formalizaram nesta quinta-feira (26/02) o acordo para outorgar uma saída para o oceano Atlântico, no porto de águas profundas que será construído no departamento uruguaio de Rocha. A reivindicação por uma saída ao mar é uma demanda histórica boliviana após o país ter perdido 400 quilômetros de praia e 120 mil de território na Guerra do Pacífico contra o Chile.

Agência Efe


Morales afirmou que "sentirá falta" de Mujica nos fóruns internacionais

Em um dos seus últimos atos enquanto presidente do Uruguai, Mujica, que deixará o cargo neste domingo (01/03), disse que é “inevitável” que a Bolívia tenha uma saída para o mar e que o intercâmbio comercial marítimo é um “direito natural” para o desenvolvimento das nações. “Todos os países de América do Sul necessitam desta integração para o comércio de complementariedade para o bem do nosso povo”, disse.

A ideia é que o Paraguai, que igualmente é um país sem saída para o mar, também usufrua do porto. “Na realidade, sonho que a humanidade caminhe não para a dissolução dos povos e nações, mas para que cada vez as fronteiras tenham menos sentido na vida futura”, disse Mujica.

Comunicação Bolívia

Movimentos sociais uruguaios respaldaram necessidade boliviana por uma saída ao mar

As declarações foram comemoradas por Evo Morales, que disse estar “muito feliz de poder contar com uma saída para o Atlântico”.

Projeto

No documento assinado ontem, o Uruguai expressa a disposição de conceder facilidades e concessões à Bolívia para a do espaço terrestre do porto e do terminal de águas profundas que será construído na costa atlântica do país. Para o projeto, avaliado em US$ 500 milhões, serão utilizados recursos brasileiros por meio do Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul.

Questões técnicas para o funcionamento do porto serão discutidas nos próximos meses, já sob a gestão do presidente Tabaré Vázquez. Mas, como os países não fazem fronteira, para chegar ao futuro porto de Rocha será necessário que caminhões bolivianos atravessem os estados brasileiros de Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e grande parte do Uruguai ou, em outra rota, passem por Paraguai e parte da Argentina antes de chegar ao destino.

Em ato com Evo Morales, movimentos sociais uruguaios gritam: Mar para a Bolívia (a partir de 15'40'')

Desta forma, a reivindicação boliviana para que o Chile cumpra o Tratado de 1904 e dê livre trânsito às exportações e importações bolivianas para os portos do oceano Pacífico segue na ordem do dia. O país também apresentou, em 2013, uma demanda na Corte Internacional de Justiça para exigir uma decisão que obrigue o Chile a negociar “de boa fé” a restituição do acesso soberano da Bolívia ao Pacífico.

Os chanceleres uruguaio e boliviano, Víctor Oporto e David Choquehuanca, respectivamente, também assinaram acordos na área de mineração, e para a implementação de ações de combate à discriminação racial e de promoção de igualdade de oportunidades nos países, além de um memorando para a instalação de unidades de tratamento de água na Bolívia.

Sérgio Ricardo: O COXISMO BRASILEIRO

Feicibuqui do Sergio Ricardo

Não ha nada mais difícil no mundo do que demover um coxinha de suas convicções.

Uma espécie deprimente de ser, que parece ter caído do purgatório, de paraquedas, para atravancar os caminhos dos que perseguem a chamada transformação, latente no processo de busca dos humanos.

Não há argumento que os convença ou os demova da elementaridade de sua pontificação, risível, primária, prepotente, intransigente, entreguista e estática. Acham-se dotados de uma luz própria a iluminar a escuridão que supõem cobrir seus desiguais, sem perceber a falsa claridão que lhe permeia o cérebro induzindo seus parcos neurônios com a pilha de uma lanterna de bolso.

Na linguagem popular, são os chamados reis da cocada preta. Entre os mais radicais, como babacas.

Esta espécie que se vê como gente, emperra a trajetória natural do destino dos demais.

Estão por toda parte e principalmente na política. e seus olhos não alcançam nada além de si mesmos, de seus próprios bens, sua família, desde que se harmonize com seus dogmas sob pena de uma radical expulsão, e seus asseclas. Sua escala de valores é imutável. passada de geração a geração e do caráter de seus princípios não abre mão. “É assim e assim e fim de papo.

Peito de frango desfiado e fecha a coxinha dourada”, e tome conta bancária na Suíça.

Barreira intransponível, esse aglomerado de civilização esbarra hoje, no país, com o crescimento da consciência de nosso povo a se desvendar no caminho da emancipação, a escalada na correção das agruras em que vegeta ha séculos, no esforço de vencer os obstáculos e a ver se arranca esse fardo dos ombros, imposto pela coxisse de seus algozes.

Muitos deles infiltrados a tentar confundir e desmoralizar o projeto que se impõe pela vontade popular. Felizmente vê-se esclarecida a importância de criminalizar os responsáveis sem celebrar a estratégia dos coxinhas em misturar alhos com bugalhos, como estratégia mesquinha a atravancar o processo. Ainda que para isso tenha o povo que ganhar as ruas, agora não mais só para gritar sua insatisfação, mas com um propósito claro:

O fim do coxismo brasileiro. A Petrobras é nossa!

Jornalistas alemães insurgem-se contra campanha anti-Grécia

Via Esquerda.net

Para pressionar os deputados alemães, que votam esta sexta-feira o acordo do Eurogrupo, o tablóide Bild convidou os leitores a tirarem uma foto ao lado da notícia que diz “Não a mais milhões para os gregos gananciosos!”. A Associação de Jornalistas diz que a campanha foi longe demais.

A página do Bild que serve de modelo para as selfies anti-Grécia.

Esta sexta-feira o acordo no Eurogrupo vai a votos no parlamento alemão. E o tablóide Bild, que tinha feito a manchete “Obrigado Schäuble!” quando o ministro das Finanças parecia estar a inviabilizar o pedido grego, veio agora mobilizar os leitores para pressionarem os políticos a votarem contra a extensão do empréstimo à Grécia.

Com uma manchete intitulada “Não a mais milhões para os gregos gananciosos!”, o tablóide apelou aos leitores para se fazerem fotografar ao lado do jornal com essa mensagem, divulgando depois as fotos para pressionar o sentido de voto dos deputados alemães.

Para a Associação de Jornalistas Alemães, o Bild está a fazer uma campanha política que o afasta da missão do jornalismo. “Podemos ou não gostar da política do governo alemão para a Grécia”, afirmou o presidente Michael Konken, “mas uma campanha dirigida a influenciar decisões políticas não faz parte da missão do jornalismo”.

Redobram os esforços de Washington contra as reformas na América Latina

Sanguessugado do Cultura, Esporte e Política

Paul Craig Roberts/Mahdi Darius Nazemroaya

http://ts1.mm.bing.net/th?&id=HN.608023226192036272&w=300&h=300&c=0&pid=1.9&rs=0&p=0

 

Foi publicada pela Strategic Culture Foundation uma reportagem de Mahdi Darius Nazemroaya sobre o esforço em curso levado a efeito por Washington e pela inteligência argentina para derrubar a presidente reformista da Argentina.

Nenhum governo reformista será tolerado por Washington na América Central e do Sul. Por exemplo: a interferência de Washington em Honduras até conseguir derrubar o governo reformista foi legendária. Um dos primeiros atos de governo de Obama foi a derrubada do presidente de Honduras, Manuel Zelaya. Aliado do presidente reformista da Venezuela, Hugo Chávez, Zelaya, como Chávez, foi retratado como sendo um ditador e uma ameaça.

Neste momento, Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina estão na lista de governos a serem depostos por Washington.

Por décadas, Washington teve o que eufemisticamente chamava de “relações próximas” com o exército hondurenho. Já na Venezuela, Bolívia e Equador, a aliança se dá com as elites hispânicas, que tradicionalmente prosperam permitindo que os interesses financeiros dos Estados Unidos saqueiem seus países. Na Argentina, Washington aliou-se ao serviço de inteligência argentina, que neste mesmo instante está trabalhando com Washington e os oligarcas daquele país contra a presidente reformista Cristina Kirchner.

Washington luta contra as reformas até esmagá-las no intento de proteger a capacidade de saquear e de seus interesses comerciais. Sobre seu tempo de serviço na América Central o general dos fuzileiros dos Estados Unidos, Smedley Butler, disse:

Servi em todas as patentes, de Segundo Tenente a General. Durante todo este período, gastei a maior parte do meu tempo fazendo as vezes de “Leão de Chácara” para as grandes empresas, para Wall Street e banqueiros. Resumindo, eu não passava de um chantagista do capitalismo.

Com a já longamente documentada história da interferência dos Estados Unidos nos acontecimentos internos de seus vizinhos do Sul, a charada é saber por que esses países facilitam a derrubada de seus governos acolhendo embaixadas dos EUA e permitindo que empresas norte americanas operem em seu território?

Sempre que um processo político coloca no poder, em qualquer destes países, um líder que pensa em colocar o interesse de seu povo em confronto com os interesses dos Estados Unidos, este líder ou é derrubado através de um golpe ou assassinado. Para os Estados Unidos, a América do Sul existe apenas para servir aos seus interesses, e cuidam, a cada instante, para que isso continue exatamente assim. Com a aliança eventualmente desenvolvida pelos EUA com a “elite” e as Forças Armadas de determinado país, as reformas sofrem um processo de sabotagem contínua.

Países que se abrem para a entrada de embaixadas dos Estados Unidos, de seus interesses comerciais e de ONGs fundadas nos Estados Unidos não perdem por esperar: mais cedo ou mais tarde sua independência ou sua soberania será subvertida.

Uma real reforma na América Latina só acontecerá com a expulsão dos agentes do interesse norte americano e com a desapropriação dos oligarcas.

CPI DA PETROBRAS ? A CRIAÇÃO DE UMA COMISSÃO DA VERDADE SERIA MAIS PRÁTICO

Sanguessugado do Política Econômica do Petroleo

Wladmir Coelho

O relator da CPI da Petrobras, deputado Luíz Sérgio PT- RJ,  defende a inclusão nas investigações do período Fernando Henrique Cardoso. Concordo. E ampliando envio, respeitosamente, uma sugestão ao ilustre relator: O retorno no tempo deve abranger todos os governos desde Getúlio Vargas.

Na realidade o governo precisa criar uma COMISSÃO DA VERDADE DA PETROBRÁS. Escrito desta forma com acento agudo como foi um dia.

Nesta Comissão os membros além do discurso policial – foco da CPI -  apresentariam um histórico da empresa apurando o seguinte: Como foi criada a Petrobrás? A Petrobras cumpriu seus objetivos? Em qual período a empresa distanciou-se de seus objetivos? Em qual governo a Petrobrás foi entregue ao mundo das especulações (vulgo mercado) ? Em quais governos o processo de privatização da Petrobrás foi aprofundado? Como retomar a Petrobrás para o povo brasileiro?

Conhecer a história da Petrobras para entender a sua função e importância para a economia nacional. Este conhecimento vai esclarecer, por exemplo, a contradição daqueles ditos defensores da empresa que buscam uma “salvação” no mercado, mas acusam outros de propagandistas da privatização exatamente por anunciarem a mesma opção mercadológica.

JOSÉ SERRA E O ESQUARTEJAMENTO DA PETROBRAS


O senador José Serra (PSDB-SP) voltou a defender o antigo sonho dos entreguistas de retalhar a Petrobras entregando as partes aos oligopólios.  Esta  proposta existe desde os anos de 1950 para atender aos interesses dos EUA que nunca admitiram a existência de uma empresa para garantir a segurança energética do Brasil.

MINISTRO DEFENDE CONTINUIDADE DOS LEILÕES


Enquanto isso o ministro Eduardo Braga – Minas e Energia -  declarou que o rebaixamento da nota da Petrobras por uma empresa de classificação de investimentos não significa o fim dos leilões do pré-sal. O ministro espera continuar a entrega do petróleo nacional aos interesses dos oligopólios com rebaixamento de nota e tudo.

O governo precisa assumir uma posição clara em relação a Petrobras. Enquanto a empresa continuar submetida ao mercado será fragilizada distante de sua origem. A Petrobras foi criada para garantir os meios necessários a criação de uma política energética nacional nenhuma relação com o pagamento de dividendos aos fundos internacionais de investimentos. 

EMPRESAS DE TRANSPORTE E PREÇO DO DIESEL


Um exemplo da importância de uma empresa nacional de petróleo foi o recente movimento das empresas de transporte que promoveram cercos reclamando, dentre outras situações, da alta no preço do diesel.

Nestas circunstâncias a Petrobras deveria atuar como executora da política nacional de combustíveis garantindo os preços diferenciados para o setor de transporte. Lembre-se: Adam Smith no século XVIII defendia o subsidio da energia. Vejam não estamos falando de Fidel Castro ou Hugo Chaves e sim do pai do liberalismo.

Com o predomínio da voracidade do mercado fica impossível estabelecer critérios, inclusive, em beneficio do empresariado.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Prêmio Nobel da Paz denuncia e repudia interferência dos EUA na Venezuela

Via Diário Liberdade

O argentino Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz em 1980, denunciou a interferência e tentativas de desestabilização do governo dos Estados Unidos contra o presidente Nicolás Maduro e o povo da Venezuela.

 

nobel

 

Em entrevista à Radio del Sur na última terça-feira, Pérez Esquivel afirmou que, após tentar derrubar o então presidente Hugo Chávez, agora os EUA pretendem fazer o mesmo com Maduro, a quem praticamente não deixaram governar mesmo antes do começo de seu mandato, para que não possa avançar com suas políticas.

Destacou o caráter totalmente subserviente da direita venezuelana aos interesses do imperialismo estadunidense. "Me preocupa muito a situação na Venezuela, a oposição deveria se sentar para dialogar com o governo e permitir a governabilidade e não se deixar manipular pelos interesses externos dos EUA e das transnacionais."

Ele pediu união das nações latino-americanas para enfrentar os interesses dos Estados Unidos, que se consideram donos dos países latino-americanos e que nos consideravam seu quintal. "Eu espero que os povos estejam conscientes e não permitam que nos transformem em colônia dos EUA... Washington irá defender seus interesses na região e não lhe interessam os meios a serem utilizados para isso", disse. Deste modo, os EUA não buscam, com suas ações, defender os povos, mas dominá-los, completou.

Pérez Esquivel lembrou do histórico de golpes na região patrocinados pelos Estados Unidos. "O intervencionismo estadunidense na América Latina é histórico, todo governo opositor ou que tenha certa independência é atacado pelos EUA e não se pode esquecer que este país é responsável por impor ditaduras militares em todo o continente", lembrando os casos recentes em Honduras, onde foi instalado um regime títere dos EUA, e também do Paraguai.

"Fizeram a mesma coisa no Paraguai quando derrubaram Fernando Lugo através de mentiras, e assim também desestabilizaram o governo de Hugo Chávez. Agora está acontecendo algo parecido com Nicolás Maduro: mas assumiu a presidência e não o deixam governar um dia sequer porque começam e tentar denegri-lo e enfraquecer sua gestão para que as políticas que a Revolução vem desenvolvendo não possam avançar", afirmou.

¿Por qué EEUU envía tropas al Perú?

Via Otro Uruguay es posible

Gustavo Espinoza M.


Que Estados Unidos tiene una estrategia continental de dominación, y que se dispone librar una aventura militar contra los pueblos de América Latina, lo hemos dicho en diversas ocaciones.
Algunos, nos tomaron en serio y ratificaron una voluntad antiimperialista que debe concretarse ahora. Otros, en cambio guardaron silencio, quizá con la idea que nuestra afirmación era exagerada, y respondía al clásico estilo de confrontación de lo que ellos llaman "la izquierda tradicional". 
Los hechos, sin embargo, nos van dando la razón de manera constante. La agresividad imperialista contra nuestros países se manifiesta de manera constante; y hoy se concreta en el Perú, con el autorizado ingreso de un verdadero ejército armado de los Estados Unidos en territorio peruano, ateniéndose a un cronograma muy preciso. Y elaborado de común acuerdo por "ambas partes".  
Qué está ocurriendo en este continente, que hace que la primera potencia militar del mundo decidia abrir fuego contra los peruanos?.
A dónde apuntan realmente los fusiles yanquis que dispararán en el VRAE y otras zonas cordilleras de América?

FHC deu a senha para a roubalheira na Petrobras

Via RedeBrasilAtual

'Não há exemplo na história de entreguismo tão deslavado quanto no governo FHC'

Segundo jurista, para discutir problemas de corrupção na companhia de petróleo brasileira, é preciso lembrar que, em 1997, o governo do tucano fragilizou a Lei de Licitações e regra sobrevive até hoje

Eduardo Maretti

Sérgio Lima/Folhapress

Bandeira de Mello_Folhapress

"Governo de FHC foi o mais entreguista da história do Brasil', diz Celso Antônio Bandeira de Mello

São Paulo – A discussão sobre problemas de corrupção da Petrobras precisa levar em conta o momento em que o primeiro mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fragilizou a Lei 8.666/1993 (a Lei de Licitações). Em 1997, o governo FHC editou a Lei n° 9.478/1997, que autorizou a Petrobras a se submeter ao regime de licitação simplificado, descaracterizando determinações da legislação anterior. Para o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, esse foi o momento em que "o governo Fernando Henrique colocou o galinheiro ao cuidado da raposa". Em julgamento de mandado de segurança de 2006, o ministro Gilmar Mendes, do STF (indicado por FHC), concedeu liminar validando a regra da lei do governo tucano. Desde então, outras liminares confirmaram a decisão de Mendes, mas o julgamento do mérito nunca ocorreu.

Na opinião do jurista, embora tudo esteja "sendo feito para prejudicar o governo” no escândalo da Petrobras e denúncias de corrupção, não existe risco de impeachment.

Porém, as dificuldades enfrentadas pelo PT e seus governos, de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, no âmbito do Judiciário, são em grande parte decorrentes do “desprezo” da esquerda pelo direito. "Tanto a esquerda não dá muita importância ao direito que o Supremo (de hoje) praticamente foi composto, em boa parte, por governos do PT. E, no entanto, como é que o Supremo se comportou no chamado mensalão? Condenou, não apenas o Genoino, mas o Dirceu de uma maneira absurda”, diz.

Porém, na opinião do jurista, a partir de agora a esquerda vai ser obrigada a dar mais atenção a aspectos jurídicos ao governar.

Na atual composição do STF, nada menos do que sete ministros foram indicados por Lula ou Dilma: o ex-presidente indicou o atual presidente da corte, Ricardo Lewandowski, além de Cármen Lúcia e Dias Toffoli. Os nomes de iniciativa da presidenta são Luiz Fux, Rosa Weber, Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso.

Leia entrevista concedida à RBA.

Qual sua opinião sobre a “tese” do impeachment, aventada politicamente nos corredores do Congresso, por alguns juristas e alimentada pelos jornais?

Entre os juristas, só vi falar a respeito o Ives Gandra.

O senhor leu o parecer?

Vi aquele artigo do jeito que saiu, por ele mesmo publicado na Folha. Eles perderam a eleição, ficaram aborrecidíssimos – o que se compreende. O que não se compreende é esse tipo de reação de quem, digamos, dá vontade de dizer: vai chorar na cama que é lugar quente. Eles reagiram dessa maneira intempestiva. Não estou muito impressionado com isso, porque para impeachment é preciso muita coisa. Não basta um artigo que alguém escreva e eventualmente algumas pessoas insatisfeitas fazerem menção a isso. Não houve a meu ver nada suficiente para justificar um impeachment, assim como não houve também no Congresso. Impeachment não é assim, “eu não fiquei satisfeito com o resultado das eleições...” Não creio que vá muito pra frente isso, embora eles tenham por eles o Ministério Público e a polícia. A coisa mais difícil de controlar é a polícia.

As informações são vazadas seletivamente...

Tudo está sendo feito para prejudicar o governo. Se formos falar nesse negócio da Petrobras, isso é antiquíssimo. Aliás, qualquer pessoa que pegar meu Curso de Direito Administrativo (editora Malheiros) vai ver que lá está escrito com todas as letras que o governo Fernando Henrique colocou o galinheiro ao cuidado da raposa. Ainda no governo daquele senhor, ele baixou uma medida para as estatais escaparem da Lei de Licitações, a lei 8.666. Essa medida foi autorizada às empresas estatais, que são as grandes realizadoras de obras públicas. A partir do momento em que o governo autoriza as estatais a regulamentarem suas compras, portanto retira a força de Lei de Licitações, o que está fazendo? Entregou o galinheiro à raposa. Então a questão da Petrobras é coisa antiga...

Lembrando o julgamento da Ação Penal 470, ela mudou alguns paradigmas e introduziu a questão da judicialização da política. Considerando isso, o senhor acha plausível a possibilidade de impeachment de Dilma?

Eu não acho, sinceramente. Acho que existe um escândalo e, no fundo, eles gostariam que algum jurista respondesse aquele artigo (de Ives Gandra), para colocar esse tema em pauta. Mas não se deve, na minha opinião. Tanto que nenhum jurista respondeu. Você vê que houve um silêncio de morte. Em geral há muito poucos juristas, de nomeada, de direita. Quase nenhum. Os juristas são de centro, de centro-esquerda, mas não são de direita. Não tem. Sobretudo jurista de direita que seja nacionalmente ouvido, respeitado. É mais raro ainda. Um falou, e ficou nele. E os chamados juristas de centro ou centro-esquerda nem ao menos responderam, não deram bola.

O presidente do PT falou em coletiva, na última semana, sobre violação de direitos fundamentais na Operação Lava Jato. Pessoas serem acusadas e presas sem provas, como até o ministro Marco Aurélio do Supremo comentou...

Na verdade, o que aconteceu desde antes do chamado mensalão – e o mensalão foi uma prova disso – é que a esquerda tem um defeito, a meu ver: é o desprezo pelo direito. A esquerda não dá muita importância aos aspectos jurídicos. Tanto não dá que o Supremo (de hoje) praticamente foi composto, em boa parte, por governos do PT. E, no entanto, como é que o Supremo se comportou no chamado mensalão?

Vou citar um caso paradigmático: condenou, não apenas o Genoino, mas o Dirceu de uma maneira a meu ver absurda. E tão absurda que dois expoentes da direita, a saber, Ives Gandra da Silva Martins e depois Cláudio Lembo – que aliás é um excelente constitucionalista, um jurista de muito valor –, os dois disseram que a condenação do Dirceu foi sem provas. Foi absolutamente sem prova. Foi tão escandalosa que essas duas pessoas insuspeitíssimas se manifestaram nesse mesmo sentido. O PT e a esquerda, de modo geral, não dão a menor bola pro direito. Agora vão ser obrigados a dar.

O que seriam atitudes que indicariam levar o direito em consideração, pela esquerda?

Na escolha das pessoas já se vê que não tiveram cuidado. Tanto que escolheram pessoas que foram capazes de condenar sem prova. Eles queriam pegar o Lula, mas era demais, porque era mais fácil cair tudo. Então pegaram quem estava mais alto abaixo do Lula: Dirceu.

Nesse sentido, o senhor considera que Dilma pode ser “pega”?

Acho que esse clima alucinado já passou. Eu tenho dito e repito: no Brasil não há liberdade de imprensa, há meia dúzia de famílias, se tanto, que controlam os meios de comunicação. As pessoas costumam ingenuamente imaginar que esses meios de comunicação têm por finalidade informar as pessoas. Não têm, são empresas, elas têm por finalidade ganhar dinheiro. Portanto, têm que agradar aqueles que os sustentam. E quem são? Os anunciantes. Nunca vão ter isenção. Pelo menos não num país como o nosso.

Em países desenvolvidos têm muitas fontes de informação, o cidadão lê livros, vai ao teatro, ao cinema, ele se ilustra. Em país subdesenvolvido, não existe essa ilustração. Então, o que está escrito nesses meios de comunicação entra como faca na manteiga na cabeça da classe média alta, que é muito influente. O povão não liga, mas a classe média alta liga. E quando é muito insistente, vai se generalizando até para o povo. A eleição (de 2014) foi apertada, por isso estão usando esses expedientes. Se tivesse sido uma vitória esmagadora como a do Lula, não iam se atrever.

Curioso que o parecer de Ives Gandra é de José de Oliveira Costa, advogado de FHC...

Pois é, mas não é para estranhar. Porque o governo desse Fernando, o que não foi defenestrado, foi o governo mais entreguista da história do Brasil. Não há exemplos na história, que eu saiba, de um entreguismo tão deslavado quanto no governo dele. Portanto, desse lado pode se esperar tudo.

Em 2018, a eleição promete ser dura, não?

Promete mesmo ser muito dura. Daqui até lá tem muita água pra correr debaixo da ponte. Ainda é cedo, eu não sei como vai ficar.

A Petrobras sempre foi atacada como pretexto para se atingir governos que desagradam à elite...

Vou dar uma resposta muito pessoal: se eu tivesse dinheiro pra investir era ação da Petrobras que eu ia comprar. Eu creio que ela vai se levantar, que tudo isso é onda. É política, e política dos derrotados, mas os derrotados têm em favor deles todos os meios de comunicação. Não estou falando da Veja, porque a Veja nem considero que é veículo de imprensa, é um veículo, digamos, de mera publicidade. Nós já vivemos situação pior, porque hoje é esse grupinho, mas houve um momento em que o Chateaubriand controlava tudo. Era pior ainda. Hoje temos um grande respiradouro, que é a internet. Eu tenho uma relação de uns 20 sites ou mais que, se achar necessário, recorro a eles. Vão da extrema direita à extrema esquerda, para eu poder me sentir mediocremente informado.

Completo dizendo o óbvio. Quando você vai para a França, por exemplo, os hotéis de alguma qualidade colocam à disposição dos hóspedes dois jornais. O Le Monde, tido como de centro-esquerda, e o Figaro, tido como de centro-direita. Mas se ler um ou ler outro, você continua devidamente informado. Nenhum deles te engana. Eles têm a linha deles. É normal que haja pessoas de direita, de esquerda, de centro, de tudo. Nenhum problema que tenham a linha deles. Mas no Brasil não é assim. No Brasil a imprensa faz tudo pra te enganar.

Os vampiros de sonhos

Sanguessugado do Crônicas do Motta

Carlos Motta

Eles mentem, difamam, caluniam, injuriam, espalham boatos mentirosos, partem para a violência física, agem como se estivessem numa guerra.

Contam, nessa tarefa insana de provocar a instabilidade social e econômica no Brasil, com importantes aliados: praticamente toda a imprensa, emissoras de rádio e televisão, vários portais da internet, juízes, delegados de polícia, promotores públicos, empresários, banqueiros, ruralistas, parlamentares, prefeitos, governadores - enfim, os 10% mais ricos da nação.

Estão bem articulados, dispõem de amplos recursos financeiros, devem até mesmo ter o apoio e o suporte de forças externas, também interessadas em destruir o trabalhismo brasileiro e se apoderar das riquezas nacionais.

Todo o esforço de propaganda perpetrado por mais de uma década deu resultado: hoje, até muitos classe-médias remediados, que ascenderam a esse estrato social recentemente, veem o PT e os petistas como campeões da roubalheira, ignorando fatos históricos, a própria lógica e até mesmo a realidade do dia a dia, que salta a seus olhos.

É como se milhões de pessoas tivessem sido vítimas de uma droga alucinógena, que, além de embotar os sentidos, destrói toda a possibilidade cognitiva cerebral, transforma o indivíduo num idiota, incapaz de raciocinar por si próprio.

Os artífices dessa monumental farsa, cujo desenlace ainda é imprevisível, se mascaram de salvadores da pátria, moralistas incorruptíveis e sábios incontestáveis.

Não se observa, porém, por parte deles, sequer uma ideia original, inovadora, criativa, para o novo Brasil que pretendem impor à custa de toda espécie de trapaças.

Não se vê um plano de governo, um projeto de nação, nada.

Formam, todos eles juntos, um imenso deserto, pontuado aqui e ali por miragens fantasmagóricas de intolerância, ódio, preconceitos, xenofobia e discriminação.

O novo Brasil que eles pretendem construir é aquele que a sua personalidade revela: hipócrita, injusto, medieval, obscuro, fundamentalmente triste.

É isso, eles querem tirar a alegria do brasileiro.

Eles se nutrem somente da infelicidade geral.

São vampiros de almas, vampiros de sonhos.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Algumas lições da crise petrolífera

Via Diário Liberdade

Wladmir Coelho

"A principal tarefa do setor petrolífero dos Estados Unidos consiste em reduzir os custos da produção para manter a sua posição de liderança no mundo". Alan Greenspan

 
Política de preços: A origem geopolítica

A queda no preço do petróleo apresenta em suas origens – veja que não afirmo como única causa – a política de segurança energética dos Estados Unidos. Esta política tem em seu fundamento a independência do país em relação ao petróleo importado do Oriente Médio.

Os EUA abandonaram os príncipes da Arábia?

Ao contrário. Este corte nos valores do petróleo não parece preocupar muito os príncipes proprietários da ARAMCO que participam alegremente, vejam o exemplo da refinaria Motiva Port Arthur, dos investimentos necessários à concretização da política de segurança energética dos EUA.

A refinaria Motiva Port Arthur é a maior e a mais moderna dos Estados Unidos está apta para refinar, inclusive, o óleo de xisto e metade desta empresa pertence aos príncipes.

O envolvimento da nobreza árabe em negócios nos Estados Unidos é amplamente conhecida e inclui a participação da oligarquia dos Bush e a família real "proprietária" do petróleo árabe.

Recordando: Durante o fechamento do espaço aéreo dos Estados Unidos em decorrência dos ataques de 11 de setembro somente um avião comercial recebeu autorização para decolar. Esta aeronave transportava dezenas de príncipes e princesas em direção aos seus respectivos palácios. Oligarquia e monarquia tudo a ver.

A segurança energética dos EUA inclui todo o continente americano

A política de segurança energética dos Estados Unidos não encontra limites territoriais. Vejamos:

a) No Canadá a produção de areia betuminosa foi dirigida para atender este objetivo embora desorganize a economia canadense atualmente voltada para a exportação de óleo aos EUA;

b) O governo mexicano, apesar da oposição popular, avança em seu intuito de privatizar a PEMEX garantindo novas áreas produtivas aos interesses de segurança e mercadológico dos EUA;

c) O controle das Ilhas Malvinas também surge como obstáculo à plena execução do projeto de segurança dos EUA. Um governo nacionalista não convém quando o assunto é petróleo.

d) A Venezuela, importante fornecedor dos Estados Unidos, enfrenta problemas para manter a política econômica do petróleo independente. Ao dirigir os recursos decorrentes da exploração ao projeto nacional de desenvolvimento.

A opção evidente dos Estados Unidos é promover a derrubada do presidente Maduro. Fato inédito na história?

Neste ponto precisamos observar que: O governo da Venezuela representa um entrave ao projeto de lucro máximo, mesmo com preços reduzidos, considerando as limitações decorrentes do controle estatal da produção petrolífera.

Nos Estados Unidos os petroleiros estão em greve por aumento de salários e garantias sociais. Este fato não ocorria há 30 anos e mostra o aumento na exploração da mão de obra. O menor preço compensado com maior exploração. A Venezuela representa sim uma barreira ao modelo econômico voltado aos interesses das oligarquias dos Estados Unidos.

Quanto ao aumento da exploração da mão de obra vejam a declaração do ex-diretor da Reserva Federal dos EUA Alan Greenspan: "A principal tarefa do setor petrolífero dos Estados Unidos consiste em reduzir os custos da produção para manter a sua posição de liderança no mundo".

A Petrobras na mira

Alguém ainda considera coincidência a campanha contra a Petrobras? Basta uma simples consulta aos grandes jornais para notar a movimentação descarada dos interessados em privatizar a empresa nacional. Perderam totalmente o pudor e assumem a condição de entreguistas oferecendo o patrimônio do povo brasileiro ao deus mercado.

Os jornais brasileiros apresentam a Petrobras como empresa falida ocultando a crise e números negativos das demais petrolíferas. Neste ponto o leitor pergunta: Está bem prof. Wladmir Coelho; Se todas as empresas encontram-se em dificuldades financeiras quem vai comprar a Petrobras?

Respondo: A política de segurança energética dos Estados Unidos apresenta como elemento executor as empresas privadas de petróleo. O Estado atua como entidade em condições de garantir as estratégias de concentração de mercado apoiando a empresa em melhor condição de controlar as demais. Esta operação é simples e funciona através de fórmulas como acordos comerciais, subsídios, empréstimos financeiros em condições especiais e redução dos encargos trabalhistas. Existindo qualquer entrave para execução destas medidas entra em cena o canhão.

Nenhuma relação com práticas de mercado como andam escrevendo, tentando confundir o povo, nos jornais do Brasil.

Recentemente um grande jornal dos Estados Unidos anunciou que a Exxon seria a empresa ideal para iniciar o processo de aprofundamento da concentração no setor petrolífero.

Vejam bem: A EXXON apresentou queda nos valores de suas ações, anunciou cortes elevados de investimentos, fechou projetos e jornal nenhum do mundo cobrou a troca da direção por nomes mais "identificados com o mercado". Ao contrário: Os executivos das grandes petroleiras reuniram-se e elegeram o presidente da empresa o melhor administrador do ano de 2014.

O retorno da múmia ou a Segurança Continental do general Távora

Nos anos de 1950 o general Juarez Távora defendia a mesma política ora desenvolvida pelos Estados Unidos. Acompanhado de entreguistas, fardados e civis, viajou o país afirmando o seguinte: O Brasil deve manter a propriedade do bem mineral, mas a exploração econômica deve ficar a cargo das empresas dos Estados Unidos. A alegação para fundamentar esta opinião era a Segurança Continental.

A doutrina defendida pelo general Távora entendia que os Estados Unidos, ao controlar a produção, teriam garantido o acesso ao combustível necessário a proteção e defesa do continente. Naquela época a ameaça de plantão eram os soviéticos.

O povo brasileiro não aceitou esta balela e foi às ruas exigir a criação de uma empresa nacional para garantir a auto-suficiência. 60 anos passaram-se e continuam os ataques contra a vontade popular.

De que vive a Moody´s? Basicamente, de “trouxas” e de conversa fiada

Via Jornal do Brasil

A "nota" da Petrobras e a "nota" da Moody's

Mauro Santayana

A agência de classificação de “risco" Moody´s acaba de rebaixar a nota de crédito da Petrobras de Baa2 para Ba2, fazendo com que ela passe de "grau de investimento" para "grau especulativo".

Com sede nos Estados Unidos, o país mais endividado do mundo, de quem o Brasil é, atualmente, o quarto maior credor individual externo, a Moody´s é daquelas estruturas criadas para vender ao público a ilusão de que a Europa e os EUA ainda são o centro do mundo, e o capitalismo um modelo perfeito para o desenvolvimento econômico e social da espécie, que distribui, do centro para a "periferia", formada por estados ineptos e atrasados, recomendações e "notas" essenciais para a solução de seus problemas e a caminhada humana rumo ao futuro.

O que faz a Petrobras ?

Produz conhecimento, combustíveis, plásticos, produtos químicos, e, indiretamente, gigantescos navios de carga, plataformas de petróleo, robôs e equipamentos submarinos, gasodutos e refinarias.

De que vive a Moody´s?

Basicamente, de “trouxas” e de conversa fiada, assim como suas congêneres ocidentais, que produzem, a exemplo dela, monumentais burradas, quando seus "criteriosos" conselhos seriam mais necessários.

Conversa fiada que primou pela ausência, por exemplo, quando, às vésperas da Crise do Subprime, que quase quebrou o mundo em 2008, devido à fragilidade, imprevisão e irresponsabilidade especulativa do mercado financeiro dos EUA, a Moody,s, e outras agências de classificação de "risco" ocidentais, longe de alertar para o que estava acontecendo, atribuíram "grau de investimento", um dos mais altos que existem, ao Lehman Brothers, pouco antes que esse banco pedisse concordata.

Conversa fiada que também primou pela incompetência e imprevisibilidade, quando, às vésperas da falência da Islândia - no bojo da profunda crise europeia, que, como se vê pela Grécia, parece não ter fim - alguns bancos islandeses chegaram a receber da Moody´s o Triple A, o mais alto patamar de  avaliação, também poucos dias antes de quebrar.

Afinal, as agências de classificação europeias e norte-americanas,  agem, antes de tudo, com solidariedade de “classe”. Quando se trata de empresas e nações “ocidentais”, e teoricamente desenvolvidas - apesar de apresentarem indicadores macro-econômicos piores do que muitos países do antigo Terceiro Mundo - as agências “erram” em suas previsões e só vêem a catástrofe quando as circunstâncias, se impõem, inapelavelmente, seguindo depois o seu caminho na maior cara dura, como se nada tivesse acontecido.

Quando se trata, no entanto, de países e empresas de nações emergentes, com indicadores econômicos como um crescimento de 400% do PIB, em dólares, em cerca de 12 anos, reservas monetárias de centenas de bilhões de dólares, e uma dívida pública líquida de menos de 35%, como o Brasil, o relho desce sem dó, principalmente quando se trata de um esforço coordenado, com outros tipos de abutres, como o Wall Street Journal, e o Financial Times, para desqualificar a nação que estiver ocupando o lugar da "bola da vez".

Não é por outra razão que vários países e instituições multilaterais, como o BRICS, já discutem a criação de suas próprias agências de classificação de risco.

Não apenas porque estão cansados de ser constantemente caluniados, sabotados e chantageados por "analistas" de aluguel - como, aliás, também ocorre dentro de certos países, como o Brasil - mas também porque não se pode, absolutamente, confiar em suas informações.

Se houvesse uma agência de classificação de risco para as agências de “classificação” de risco ocidentais, razoavelmente isenta - caso isso fosse possível no ambiente de podridão especulativa e manipuladora dos "mercados" - a nota da Moody´s, e de outras agências semelhantes deveria se situar, se isso fosse permitido pelas Leis da Termodinâmica, abaixo do zero absoluto.

Em um mundo normal, nenhum investidor acreditaria mais na Moody´s, ou investiria um cent em suas ações, para deixar de apostar e aplicar seu dinheiro em uma empresa da economia real, que, com quase três milhões de barris por dia, é a maior produtora de petróleo do mundo, entre as petrolíferas de capital aberto, produz bilhões de metros cúbicos de gás e de etanol por ano, é a mais premiada empresa do planeta - receberá no mês que vem mais um "oscar" do Petróleo da OTC - Offshore Technologies Conferences - em tecnologia de exploração em águas profundas, emprega quase 90.000 pessoas em 17 países, e lucrou mais de 10 bilhões de dólares em 2013, por causa da opinião de um bando de espertalhões influenciados e teleguiados por interesses que vão dos governos dos países em que estão sediados aos de "investidores" e especuladores que têm muito a ganhar sempre que a velha manada de analfabetos políticos acredita em suas "previsões".

Neste mundo absurdo que vivemos, que não é o da China, por exemplo, que - do alto da segunda economia do mundo e de mais de 4 trilhões de dólares em ouro e reservas monetárias - está se lixando olimpicamente para as agências de "classificação" ocidentais, o rebaixamento da "nota" da Petrobras pela Moody´s, absolutamente aleatória do ponto de vista das condições de produção e mercado da empresa, adquire, infelizmente, a dimensão de um oráculo, e ocupa as primeiras páginas dos jornais.

E o pior é que, entre nós, de forma ridícula e patética, ainda tem gente que, por júbilo ou ignorância, festeja e comemora mais esse conto do vigário - destinado a enfraquecer a maior empresa do país - que não passa de um absurdo e premeditado esbulho.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Deus é fiel.

GilsonSampaio

Deus é fiel.

Fiel depositário é um termo jurídico usado para designar um indivíduo a quem a Justiça confia um bem durante um processo. É responsabilidade do fiel depositário zelar pela conservação do bem, sob pena de prisão, caso não o faça.

Em alguns ofícios, o ego infla em tal proporção que tais trabalhadores são acometidos de complexo de Deus e, como se sabe, Deus é onipotente, onisciente e onipresente, portanto, inalcançável a crítica e a justiça humana.

Parece ser esse o caso do juiz(?) que julga(?) o caso de Eike Batista.

Não contente em se autonomear fiel depositário dos bens do réu, já deu um rolezinho com o Porsche do empresário e, agora, ficamos sabendo que o piano de cauda está guardado em sua residência celestial.

Vai ser fiel assim no paraíso.

Isso pode, Arnaldo?

Ou melhor, senhores e senhoras do Conselho Nacional da Justiça, isso pode?

A casta judiciária vai ao paraíso, vai, não!, já está no paraíso.

Ações contra privatização da Vale e Gilmar Mendes

GilsonSampaio

Gilmar só é o que é graça e obra do venal FHC: foi advogado geral da união e nomeado para o STF.

Dalmo Dallari já denunciava o desastre que seria a nomeação de Gilmar: 

Dalmo de Abreu Dallari: Degradação do Judiciário

Nem o mais o mais ingênuo dos ingênuos acredita na isenção de Gilmar.

Via Brasil de Fato

Privatização: página aberta

Dezoito anos depois da venda do controle acionário da Vale, o questionamento judicial do ato ainda está muito longe de um desfecho, mas os autores das ações não desistiram. Esta ainda não é uma página virada da história contemporânea do Brasil.

Lúcio Flávio Pinto

As ações populares propostas contra a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, efetivada em 1997 pelo governo federal, ainda não serão devolvidas à apreciação da justiça federal de Belém, onde elas foram apresentadas originalmente.

Em esclarecimento à nota distribuída pela ex-deputada federal e advogada Clair Martins, que garantia já ser possível a devolução dos autos à justiça de 1º grau, o advogado Eloá dos Santos Cruz, autor de outra das dezenas de ações, esclareceu – em outra nota – que a decisão tomada no dia 3 deste mês pela 2ª turma do Supremo Tribunal Federal no processo principal “ainda está sujeita a recurso e depende também do julgamento de outra ação”.

Esta é uma ação cautelar que, apesar de ser acessória do recurso principal, ainda não foi apresentada em mesa pelo relator, ministro Gilmar Mendes, para o necessário exame dos demais julgadores da turma. Justamente nessa cautelar é que, em 2010, foi proferida a ordem liminar de 15/09/2010 para suspender o andamento de 70 ações populares, que ainda estavam retidas no âmbito do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

O tribunal, instância recursal do juízo singular, examinava a admissibilidade de recursos especiais e extraordinários protelatórios dos atuais controladores da CVRD, que venceram o leilão de privatização de 1997.

Eloá lembra que no dia 13 encaminhou petições ao presidente da 2ª turma do STF, ministro Teori Albino Zavascki, na forma de reclamação por erro de ata, “a fim de que alguma providência seja adotada e o ministro Gilmar Mendes interrompa o injustificável retardamento, apresentando em mesa a acessória ação cautelar para julgamento imediato de uns embargos declaratórios do BNDES e um agravo regimental em nome da própria CVRD sob nova direção, a fim de que possam de fato ser devolvidas as ações populares à Justiça Federal em Belém e realizados em primeira instância os julgamentos de mérito das ações populares, antecedidos da perícia de reavaliação do acervo da CVRD”.

Dezoito anos depois da venda do controle acionário da Vale, o questionamento judicial do ato ainda está muito longe de um desfecho, mas os autores das ações não desistiram. Esta ainda não é uma página virada da história contemporânea do Brasil.

Texto retirado do blog https://valeqvale.wordpress.com/.

E se fossem os russos?

Via RedeBrasilAtual

Mauro Santayana

O advogado e blogueiro Pettersen Filho reproduz, em seu blog, anúncio da embaixada dos EUA, recrutando jovens “líderes” brasileiros, como “bolsistas”, com a seguinte mensagem:

“O Departamento de Estado dos EUA, por meio do Atlas Corps – uma rede internacional de líderes sem fins lucrativos, tem o prazer de anunciar oportunidades para líderes emergentes da sociedade civil para obter bolsas de estudos de 6 a 18 meses nos Estados Unidos. Interessados em se candidatar devem ter de 2 a 10 anos de experiência trabalhando em alguma ONG, nível universitário, até 35 anos de idade e fluência na língua inglesa…

Os bolsistas selecionados serão inseridos em uma organização renomada na área social nos Estados Unidos. Despesas com passagem aérea, visto de entrada nos EUA, seguro saúde, alimentação, transporte local e acomodação partilhada serão totalmente custeadas. Informações sobre o programa e como se candidatar estão disponíveis no site: http://apply.atlascorps.org.”

Não bastando trazer ONGs de fora, ou criar, aqui mesmo, organizações que se infiltram nos mais diferentes segmentos da sociedade brasileira – e, como lembra Pettersen – estão especialmente ativas na Região Amazônica, os EUA seguem firmes em sua permanente estratégia de cooptação de jovens “líderes” locais de todo o mundo, por meio de organizações de fachada, ou “associadas”.

A esperança é a de que eles, em seu retorno, espalhem o que “aprenderam” e atuem na defesa dos interesses norte-americanos.

Melhor, ainda, se, no futuro, alguns chegarem a posições proeminentes em seus respectivos países, para, como reza o slogan do AtlasCorps, “mudar sua perspectiva e mudar o mundo” – como aconteceu, com certeza, ao menos quanto à primeira metade da frase, com um jovem sociólogo brasileiro, financiado, nos anos 1960 – como lembrou em artigo o jornalista Sebastião Nery – pela Fundação Ford, com expressiva quantia para fundar uma organização chamada CEBRAP, muitos anos antes de chegar à Presidência da República.

Se fossem os russos e os chineses - parceiros do Brasil no BRICS – ou os cubanos – conhecidos por seu envolvimento em causas humanitárias, como o combate ao Ebola – que publicassem por aqui anúncio semelhante, dá para imaginar como seria o alarido fantasioso e anacrônico, “anticomunista” e “anti-bolivariano”, dos hitlernautas brasileiros, nos portais e redes sociais.

Mas como se trata dos EUA – prestes a estrear, nos cinemas nacionais, nova campanha de lavagem cerebral, com o filme “American Sniper” – nação “libertadora” do Iraque, da Líbia e da Síria, países em que suas guerras e “primaveras” deixaram milhões de mortos e refugiados e que estão entregues agora a terroristas originalmente armados pelos próprios EUA para combater quem estava no poder anteriormente – o assunto, com exceção de alguns sites da “blogosfera”, quase passa em brancas nuvens por aqui.

Pense, por que eles foram perseguidos?

Sanguessugado do Cultura, Esporte e Política

Erik Freire Silveira

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"A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”... de Karl Marx.

Querem as elites e a “direita gardenal” repetir 64, jamais passarão, por mais que queiram repetir os ingredientes do golpe, eles fracassarão, GOLPE JAMAIS, DEMOCRACIA SEMPRE.

E é muito triste ver pessoas "teoricamente esclarecidas" entrarem no jogo da grande imprensa e o dos tucanos golpistas e entreguistas e da “DIREITA GARDENAL”, que propalam o golpe e a queda da legalidade democrática.

E essas pessoas não pobres coitados, alguns são profissionais liberais, advogados, funcionários públicos, professores, comerciantes, que se acham agora os defensores da moralidade e da justiça, os paladinos anti-corrupção, mesmo vendendo produtos piratas, sonegando impostos, explorando trabalhadores em geral, etc...

Pobres coitados são massa de manobras da imprensa elites da “direita gardenal” e dos interesses estrangeiros e lhes faltam inteligência e capacidade de discernimento para enxergar a verdade dos fatos.

Desconhecem a história do Brasil e tratam a Dilma como terrorista e o Lula como comunista, saco é muita desinformação e estupidez, para aqueles que julgam os maiorais da sociedade, bem isso aconteceu com João Goulart, quando o chamaram de comunista, mesmo sendo o maior estancieiro do Brasil, detentor de terras que se estendiam do RS, ao Uruguai e Argentina, pois é, nunca vi milionário comunista, só na cabeça de imbecis mesmo.

Foi essa mesma "direita gardenal" em conjunto com a elite golpista, que atentaram contra Getúlio Vargas, JK e Jango, eles nunca respeitaram a vontade e a soberania do povo brasileiro, sempre pregaram o golpe na democracia e sempre mesmo, defenderam com unhas e dentes os interesses internacionais, em detrimento dos interesses de nossa nação.  

O que acontece no país hoje nada mais é do que a velha e boa Luta de Classes o motor da História, segundo o grande Karl Marx e a ascensão dos trabalhadores se dará com ou sem a permissão das elites golpistas e racistas, pois o povo brasileiro é soberano e legítimo defensor de seu futuro e de sua história.

Deixaram. E os idiotas tomaram conta...

Sanguessugado do Crônicas do Motta

Carlos Motta

Os analfabetos políticos, idiotizados por uma mídia partidária que há anos não faz outra coisa a não ser tentar levar o Brasil de volta a um passado tenebroso, estão com tudo. 
Parte deles, principalmente, a palavra de ordem do momento, o mantra que julgam redentor e capaz de purgar os males do país virtual no qual vivem, cheio de mazelas, à beira do caos econômico e social, um horror...

Sem argumentos que sustentem a necessidade do tal "impitimam" que tanto desejam, a não ser vagas acusações paridas no ventre de uma imprensa corrupta, mentirosa e golpista, os idiotas distorcem e inventam fatos, caluniam os "inimigos", disseminam boatos criminosos, pregam o ódio e a violência, pisoteiam os mais básicos princípios da democracia - e da civilização.

O Brasil novo que almejam, depois de expulsar a pontapés, prender e arrebentar a presidenta reeleita com 54 milhões de votos, imputar ao ex-presidente Lula e ao seu partido os crimes mais hediondos do universo, é, porém, velho conhecido de muita gente: uma nação sem brios, sem futuro, completamente à mercê de interesses da maior potência mundial; uma nação dividida entre ricos e pobres, na qual a ínfima porção de endinheirados detém todo o poder - político, econômico, social, moral, ético - e a imensa maioria de desvalidos e remediados se engalfinha para ficar com as sobras do banquete.
É certo que o governo federal tem grande parcela de culpa pela proliferação desses analfabetos políticos.

Não soube, ou não quis, se engajar na batalha da comunicação.

Ao contrário, financiou generosamente seus detratores - ou seja, colocou a corda no próprio pescoço.

Talvez algum dia os motivos de tal comportamento esquizofrênico sejam revelados - é impossível que tantas pessoas que passam o dia todo refletindo e estudando o momento político do país não tenham sequer imaginado que é impossível a um governo, seja ele qual for, ignorar a importância de se comunicar com a sociedade, de transmitir a elas as informações que julga relevante.

Não dá para acreditar que essas pessoas tenham sido tão ingênuas a ponto de terceirizar, para empresas inimigas do trabalhismo e propagadoras entusiasmadas do capitalismo mais selvagem, a tarefa de levar uma informação honesta ao público.

Na sociedade atual, um ministro de informação vale por dez ministros da área econômica.
Afinal, de que adianta o país ter uma taxa de desemprego baixíssima, cumprir metas de inflação, oferecer crédito barato e fácil para casas, automóveis e educação, desenvolver um programa gigantesco de infraestrutura, manter o maior programa social do mundo, entre outras coisas mais, se essa informação não chega à massa - e quando chega é sempre distorcida negativamente?

Ainda dá tempo para o governo Dilma entrar com força na guerra da comunicação e calar os analfabetos políticos e os idiotas repetidores de calúnias e mentiras.

Mas isso depende de uma decisão política, já que os recursos para tal existem, assim como um farto material humano de excelente qualidade.

E, tudo leva a crer, nem a presidenta nem o seu partido tem o menor interesse em partir para o confronto.

Pois eles devem ainda acreditar que o brasileiro é cordial.

O filtro de barro, o capitalismo e a seca em SP

Via CartaCapital

 

filtro

Uma das maiores sacanagens do capitalismo, em minha opinião, é criar necessidades. Ou seja, fazer você acreditar que precisa de alguma coisa e então passar a não viver mais sem ela. Outra, pior ainda, é conseguir convencer as pessoas de que algo antigo, durável e que funciona perfeitamente na verdade é obsoleto e portanto deve ser substituído. Ambas as situações ocorreram com os filtros de barro no Brasil.

O filtro de barro é, segundo especialistas, a maneira mais segura e eficiente de se filtrar a água de beber que existe. Ela sai do filtro 95% livre do cloro, parasitas, pesticidas, metais como ferro, chumbo e alumínio e o que é melhor, fresquinha, porque a cerâmica diminui a temperatura da água em até 5 graus centígrados. É ainda o único filtro de água que recebe a classificação P-I do Inmetro, capaz de reter partículas de 0,5 a 1 mícron (os demais só acima de 15 mícrons). Uma façanha “tecnológica” do tempo da vovó.

No entanto, a partir da década de 1990, fomos convencidos do contrário: que o filtro de barro era ineficiente e até mesmo “cafona”, e que a melhor água para o consumo humano é a engarrafada, pela qual desde então pagamos dinheiro, em vez de utilizar a que vem da torneira, pela qual também pagamos, e bem mais barato.

O truque da água engarrafada nos fez cair como patinhos. Como a indústria de bebidas sabia que a curva ascendente dos refrigerantes tinha tempo para terminar –já que uma hora as pessoas iam se dar conta de que fazem mal para a saúde–, passou a investir em engarrafar e vender a pura, leve e saudável água. Quem tem algo a dizer contra ela? Resultado: o comércio de água engarrafada é hoje um negócio multibilionário. Só a Nestlé, a maior vendedora de água do planeta, fatura 9 bilhões de dólares anuais com um produto que nem sequer precisa fabricar, basta retirar do solo. A multinacional suíça é dona de mais de 70 marcas de água mineral, inclusive as famosas Perrier e S.Pellegrino.

Na região Sudeste do Brasil, de acordo com números do IBGE, até a década de 1990 mais de 70% das casas possuíam filtros de barro. “Havia inclusive um item na construção, no canto da cozinha, a cantoneira, feita apenas para abrigar o filtro, como se fosse um objeto artístico ou de decoração”, lembra o economista Julio César Bellingieri, autor de uma tese de mestrado na Unesp sobre a indústria da cerâmica em Jaboticabal, terra dos filtros de barro. As fábricas foram atraídas para lá no início do século 20 em virtude de uma abundante jazida de argila na região.

Segundo Bellingieri, o filtro de cerâmica existe no Brasil desde 1910, quando começa a ser produzido por famílias de imigrantes italianos e portugueses. O tradicional filtro São João, de barro vermelho e com vela porosa que ilustra esta reportagem, foi criado entre 1926 e 1928 pela Cerâmica Lamparelli, de Jaboticabal. Em 1947, quatro irmãos da família Stéfani adquiriram a fábrica e continuaram a produzir os filtros com o mesmo nome e aparência até hoje. Com a queda da procura pelos filtros a partir da década de 1980, as demais fábricas faliram e a Cerâmica Stéfani se tornou a maior produtora de filtros de cerâmica do País e quiçá do mundo.

A Stéfani chegou a vender 80 mil filtros de barro por mês, mas quase fechou na última década, diante da concorrência da água engarrafada. Acabou contratando um executivo, Emilio Garcia Neto, para recuperar a empresa, que há quatro anos saiu do vermelho e atualmente exporta filtros de cerâmica para 45 países, 8 deles na África. “Tem gente que acha o filtro antigo, outros acham vintage”, brinca Emilio. A Stéfani fez algumas modificações no design de alguns filtros, substituindo a parte de cima por plástico, mas o São João continua um clássico. 50% do processo de fabricação ainda é feito manualmente.

lamparelli

(Propaganda do filtro São João. Fonte: Julio César Bellingieri)

O economista Bellingieri não sabe afirmar com certeza, mas é possível que o filtro de barro, neste formato, seja invenção brasileira. Já se usavam na Europa filtros de louça e cerâmica, mas iguais aos daqui, de barro vermelho, não –talvez sejam uma evolução das moringas, de origem indígena. Quando foi lançado no mercado, na década de 1920, o filtro de barro chegou a ser símbolo de status. “O público-alvo do filtro São João era formado por indivíduos com uma renda mais alta. Se o público consumidor da Cerâmica Lamparelli fosse ordenado em cinco ‘classes’ de ‘poder de compra’, poder-se-ia dizer que o filtro São João era comprado pelas classes A e B; as classes C e D compravam uma talha com torneira ou um ‘filtro reto’; e a classe E comprava um pote ou moringa sem torneira”, escreveu o pesquisador em sua ótima tese.

Durante os anos 1980, os filtros de barro passaram a sofrer a concorrência dos filtros de carvão ativado, que pareciam a coisa mais moderna do mundo, mas que não purificam a água melhor do que os filtros de barro –e sem usar energia elétrica. Nos anos 1990, as classes média e alta começam a substituir a água filtrada pelos galões de água mineral entregues em domicílio e o velho e bom filtro de barro é aposentado de vez. “A partir dos anos 2000 a venda de água mineral chega ao auge e passa a ser considerado ‘coisa de pobre’ ter um filtro em casa”, diz Bellingieri.

Este aspecto do “status” conferido a quem toma água mineral é curioso. No documentário Bottled Life (2012), do diretor suíço Urs Schnell, se comenta como jovens do Paquistão foram seduzidos pela ideia de que tomar água em garrafinha é cool, e assim a Nestlé conquistou mais um mercado. O documentário investiga o controle da multinacional suíça sobre a água mineral bebida em vários países do mundo, inclusive nos Estados Unidos.

Lá, a Nestlé é dona da marca de água mais vendida do país, a Poland Spring. Em uma passagem do filme, moradores de Fryeburg, no Maine, resolvem proibir que a empresa extraia a água para vender porque estaria poluindo o rio da cidade, e a Nestlé incrivelmente vai à Justiça… contra os cidadãos. E ganha. Em Nova York, a água mineral em garrafinha Poland Springs também é campeã de vendas e virou símbolo do life style saudável e esportista dos novaiorquinos sendo que, ironiza uma especialista no documentário, eles têm na torneira, grátis, a água limpíssima que vem das montanhas Catskill…

É chocante ver como o chairman da Nestlé, o austríaco Peter Brabeck-Lemathe, fala com jeito de galã e voz melíflua sobre a “importância” da água para o planeta como se fosse um ambientalista, enquanto a empresa explora o líquido para gerar lucro. Ninguém na Nestlé deu entrevista ao documentarista em nenhuma parte do mundo. (Vale a pena assistir, está no Netflix. Nunca mais você vai comprar nada da Nestlé depois, muito menos água.)

No Brasil, um grupo de moradores da cidade de São Lourenço, em Minas Gerais, e o Ministério Público se mobilizam contra a exploração do Parque das Águas da cidade pela Nestlé há 14 anos, sem sucesso (leia aqui reportagem da Agência Pública sobre o caso).

Na Europa, é comum as pessoas beberem água diretamente da torneira. Em São Paulo, como em algumas capitais do Brasil, a água que vem da torneira pode ser consumida, embora seja mais aconselhável que passe antes pelo filtro. A questão é que a indústria de bebidas nos convenceu que só a água de garrafinha é “segura”, ainda que na verdade não saibamos muito bem a origem dela. É um esquema que, como sempre, copiamos dos Estados Unidos. Em 2010, a ambientalista Annie Leonard criou este documentário onde explica como isto ocorreu.

Agora pensem em São Paulo, uma megalópole cuja região metropolitana concentra 20 milhões de habitantes, consumindo água mineral engarrafada sem parar e que agora está passando por uma falta d’água histórica. Não é de ficar com uma pulga atrás da orelha que estes dois eventos possam estar relacionados?

O Brasil é hoje o quarto maior consumidor de água mineral do mundo –só fica atrás dos EUA, México e China. São 7,1 bilhões de litros de água engarrafada por ano, quase 3 bilhões deles só em São Paulo. O consumo de água mineral cresce 10% por ano no país e, em 2014, com a Copa do Mundo e a seca, a ABINAM (Associação Brasileira da Indústria de Água Mineral) fazia previsões de chegar a um consumo de 14 bilhões de litros. Como saber se retirar essa água toda do subsolo não está causando alguma espécie de desequilíbrio?

“Na minha opinião há, sim, uma correlação, mas não há como provar porque simplesmente não existe fiscalização eficiente da água mineral no Brasil”, diz o economista Pedro Portugal Júnior, autor de uma tese de mestrado na Unicamp sobre as empresas de água mineral. “Temos um problema institucional: aqui, a água mineral é considerada um minério, como o ferro, a bauxita, e portanto é fiscalizada não pelos órgãos que regem os recursos hídricos, mas pelo DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral). E o próprio DNPM admite que estes números sobre o consumo são subestimados”.

De acordo com Portugal, as águas minerais deveriam ser integradas à gestão de recursos hídricos o mais rápido possível para que a fiscalização seja descentralizada. “Agora, por exemplo, está chovendo pouco. E se há uma estiagem, o DNPM tinha obrigação de exigir que as empresas diminuíssem a extração”, defende.

Pois o que está acontecendo em São Paulo é o contrário. As empresas de água mineral, que já são isentas do pagamento do PIS/Cofins desde 2012, receberam um presente de Geraldo Alckmin no início do mês de fevereiro: por decreto e atendendo ao pedido da ABINAM, o governador de São Paulo colocou a água mineral na cesta básica e concedeu uma redução no ICMS de 18% para 7% sobre o galão. Quer dizer, enquanto os paulistas choram com a falta d’água, o setor comemora a seca. A expectativa é que a redução do ICMS estimule a produção e que extraiam ainda mais água mineral do exaurido solo de São Paulo.

Se na cidade do México, outra gigante populacional e enorme consumidora de água mineral, o solo está afundando 2,5 centímetros por mês devido à retirada de água dos subsolos, por que São Paulo não sofreria nenhum efeito dessa exploração toda? Será coincidência que a falta de água seja mais grave nos Estados do Sudeste, onde mais se consome água mineral engarrafada no Brasil? Tentei fazer estas perguntas à ABINAM e não fui atendida. Tampouco o DNPM respondeu a meus questionamentos. Não encontrei estudos sobre o impacto da extração de água mineral em São Paulo, mas o professor de Geociências da USP, Reginaldo Bertolo, me tranquilizou dizendo que o volume é “relativamente irrisório”. Será?

Pelo sim, pelo não, aqui na minha casa não entra mais garrafão algum. O governo, se fosse responsável, deveria estimular os cidadãos a fazer o mesmo. E viva o filtro de barro.

Tribunal dos EUA condena Palestina a pagar US$ 218 milhões a vítimas de atentados em Israel

Via Opera Mundi

Redação

Advogado de acusação argumenta que ataques foram financiados por ANP e OLP; palestinos negam participação em ataques que mataram cidadãos norte-americanos

Um júri popular de Nova York ordenou que a ANP (Autoridade Nacional Palestina) e a OLP (Organização para a Libertação da Palestina) paguem mais de US$ 218 milhões a vítimas de atentados realizados em Jerusalém entre 2002 e 2004, que feriram e mataram cidadãos norte-americanos.

De acordo com o tribunal, ambas as entidades tiveram responsabilidade nos ataques. O valor da multa pode ser triplicado se os atos forem considerados terroristas, de acordo com a legislação norte-americana. A decisão foi tomada na última quinta-feira (19/02), mas o resultado só foi divulgado nesta segunda (23/02).

Agência Efe

Protesto realizado na sexta (20/02) em Qadomen contra assentamentos israelenses na localidade

De acordo com a France Presse, os condenados poderão recorrer da decisão.

O advogado do grupo que entrou com a ação, Kent Yolowitz, argumentou que os ataques realizados pelos grupos Brigadas al-Aqsa Martyrs e Hamas— nos quais morreram 33 pessoas e 450 ficaram feridas — só ocorreram porque a ANP e a OLP “deram oxigênio aos terroristas”.

Ambas as entidades negaram qualquer responsabilidade com o atentado. “Não há evidências concretas de que altos cargos da ANP ou da ONP participaram do planejamento ou aprovaram atos específicos de violência”, afirmou o advogado dos palestinos, Mark Rochon.

O juiz George Daniels, por sua vez, declarou que os palestinos não gozam da imunidade conferida a governantes de países reconhecidos como Estado.

Agência Efe

Soldado utiliza rifle em meio a protesto em Qadomen

Diante dos crimes cometidos por Israel na Palestina, a ANP ameaça levar o país ao Tribunal Penal Internacional de Haia.

Corte de energia

Também nesta segunda, a companhia nacional de eletricidade de Israel cortou termporariamente o fornecimento a duas cidades palestinas como forma de retaliação ao não pagamento de uma dívida de US$ 489 milhões.

O vice-primeiro-ministro e ministro de Economia, Mohamed Mustafa, afirmou que a conta anual de fornecimento de energia “esgota as finanças palestinas”, dependentes de doações internacionais e da transferência de dinheiro arrecado por Israel.

Mas, desde janeiro, o governo do primeiro-ministro israelense, Benjamín Netanyahu, congelou as transferências como retaliação à campanha da Palestina contra o país na Corte Penal Internacional para acabar com a ocupação da Cisjordânia e de Jerusalém. Desta forma, a Palestina não tem recursos para pagar os funcionários públicos.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Governo Dilma e PT perderam a batalha da comunicação. Agora, é tentar evitar o impeachment

Sanguessugado do Viomundo

 

Luiz Carlos Azenha

chavez

 

No dia em que Hugo Chávez foi derrubado, na Venezuela, em 2002, um episódio foi decisivo. Uma falsa notícia disseminada pelos meios de comunicação locais, que repercutiu em todo o mundo e deixou os próprios venezuelanos em choque. Mesmo eleitores de Chávez, aqueles que acompanhavam a crise à distância, ficaram sem ação.

A falsa notícia era de que chavistas haviam atirado contra uma manifestação de oposicionistas que estava a caminho do Palácio Miraflores. Havia imagens para comprovar. Lá estavam eles, sobre a Ponte Llaguno, disparando suas armas. As imagens viriam a ser desmentidas, mais tarde, pelo documentário A Revolução Não Será Televisionada.

Na verdade as emissoras venezuelanas haviam suprimido um dos ângulos do episódio. Por este ângulo, era possível ver que os chavistas, na verdade, eram alvo de franco atiradores e disparavam aleatoriamente. Eles não atiravam contra uma passeata, que nem havia passado por perto daquele lugar.

Porém, a falsa notícia já havia feito o estrago. Chávez salvou-se por vários motivos: apoio popular, lealdade entre os militares e um esquema que permitiu a ele comunicar-se indiretamente com a população. Além, é lógico, das besteiras feitas por Pedro Carmona, o empresário escolhido para substituí-lo, que ao assumir fechou o Parlamento!

Através da rede CNN, partidários de Chávez conseguiram superar o bloqueio informativo para dizer que o presidente não havia renunciado. Fizeram o mesmo através de meios comunitários para levar a mensagem aos morros de Caracas, onde ainda vive a grande maioria dos chavistas. Os morros desceram para diante do Palácio Miraflores para defender Chávez, que acabou reinstalado no poder.

O episódio deixou marcas profundas no chavismo. A partir de então, uma das prioridades do governo foi equilibrar o jogo no campo das comunicações. Ao contrário do que diz nossa imprensa, nunca houve censura na Venezuela.

Houve, sim, investimento em desenvolver meios através dos quais o governo pudesse falar diretamente à população. Além de um acerto de bastidores com o principal empresário do ramo, Gustavo Cisneros, que comandava então a principal emissora golpista.

O Brasil, obviamente, nunca enfrentou um episódio tão dramático. No auge do assim chamado escândalo do mensalão, com várias CPIs instaladas ao mesmo tempo, o ex-presidente Lula decidiu ir às ruas se defender. Politicamente, virou o jogo. Obteve a reeleição, mas nunca saiu da defensiva. Já são 13 anos de noticiário desequilibrado, que poupa tucanos e criminaliza petistas.

Lula optou, sempre, pela composição. O quadro econômico positivo permitiu que ele elegesse a sucessora, que se reelegeu pela menor das margens.

Hoje, além do desgaste natural de três mandatos no Planalto, o projeto petista na economia dá sinais de esgotamento e o escândalo na Petrobras detonou a boa vontade da população com aqueles que promoveram a ascensão social de milhões de brasileiros. O desgate do PT ficou óbvio nas eleições mais recentes, quando as bancadas do partido encolheram.

Como escreveu Valter Pomar, petista histórico, o governo Dilma enfrenta a “tempestade perfeita”, também por conta dos próprios caminhos que escolheu:

Implementar mesmo que parcialmente o programa dos derrotados na eleição contribui para confundir e desorganizar as forças que venceram as eleições presidenciais de 2014, facilita as operações de sabotagem implementadas pela oposição de direita e também por setores da base do governo, não ajuda a bloquear eventuais tentativas de interromper nosso mandato, além de criar um ambiente favorável aos que desejam nos derrotar nas eleições de 2016 e 2018.

É nestas circunstâncias que o governo Dilma e o PT poderiam tirar proveito, mais que nunca, de um esquema de comunicação que permitisse a eles falar diretamente à população, sem passar pelos intermediários da grande mídia corporativa.

Este esquema não existe. De maneira um tanto caricata, isso ficou demonstrado num episódio recente envolvendo o ministro da Justiça. José Eduardo Cardozo, todo pimpão, deu uma entrevista à TV Veja, crente de que estava abafando. Passaram-se alguns dias e lá estava ele, denunciado na capa da revista à qual deu a credibilidade de sua presença física! O governo Dilma continua hoje sendo o principal financiador da mídia que pretende não só derrubá-lo, mas salgar a terra por onde passaram petistas.

O partido vai enfrentar uma eleição de vida ou morte em São Paulo, em 2016, quando Fernando Haddad tentará se reeleger para dar sustentação a um eventual retorno de Lula em 2018.

Por causa da própria incompetência e mediocridade no campo das comunicações, o PT e Dilma estão perdidos diante da grande revolução que se deu nos últimos anos com o surgimento e fortalecimento das redes sociais. Mesmo a blogosfera, aos poucos, vai ficando com cheiro de naftalina. A comunicação instantânea e pessoal, especialmente via Facebook e whatsapp, equivale a um tsunami.

O governo e o PT não estão preparados para esta disputa, que pressupõe que ambos deveriam estar em um dos polos da geração de conteúdo bombardeado e contra-bombardeado nas redes sociais. Esta disputa exige competência e rapidez, que são a antítese do comportamento que vemos vindo do Planalto ou de petistas com posições de poder.

Exige uma atitude guerrilheira, como a demonstrada pelo senador Roberto Requião, armado com sua conta no twitter, um blog dinâmico e a TV 15, que transmitiu ao vivo os acontecimentos recentes no Paraná.

Enquanto isso, a oposição nada de braçada, agora que conta com alguns milhares de militantes digitais dispostos a disseminar qualquer informação para minar as bases do governo.

Recentemente, fui procurado pela minha diarista, que estava assustada: “É verdade que a Dilma vai confiscar a poupança?”.

Respondi que havia acabado de publicar um desmentido do Ministério da Fazenda. Um desmentido, aliás, chocho, que duvidava da própria veracidade dos boatos que pretendia desmentir.

Segundo a minha diarista, o boato era tema de discussão dentro do ônibus, com a maioria dos presentes desancando a presidente. Há dezenas de outros relatos a respeito no Facebook. Deixam claro que foi um boato de forte circulação via whatsapp. Que pode ter chegado a milhões de pessoas.

É esse tipo de boato, que toca diretamente a vida das pessoas — o confisco, afinal, é uma ameaça! — que vai minando aos poucos o que resta da credibilidade do governo com aqueles que ainda não foram convencidos pelo Jornal Nacional de que o mundo vai acabar por culpa de petistas. Vai criando, silenciosamente, o caldo de cultura que alimenta a campanha do impeachment.

Leiam o relato de Maria Luiza Quaresma Tonelli, no Facebook:

A diarista que presta serviços em minha casa me perguntou hoje se eu estava sabendo sobre “um negócio muito grande que vai acontecer nas ruas”. Perguntei: quando? Ela: no dia 15 de março. Então falei para ela que se trata de uma manifestação que estão organizando para tirar Dilma da presidência da república. Perguntei para ela como ficou sabendo disso e ela disse que as duas filhas e um genro receberam o “convite” pelo WhatsApp e que hoje no ônibus o assunto era esse. Disse que muitas pessoas falavam no ônibus coisas assim: “precisamos tirar Dilma de lá, ela quer acabar com a gente”. “Dilma é uma ladra”. Outros diziam: “Lula também”. Daí para pior.

Enfim, é assustador o poder e a capacidade da direita em atingir a classe trabalhadora com propaganda contra um governo que justamente beneficiou a classe trabalhadora, que majoritariamente é conservadora e despolitizada. Por isso não é capaz de pensamento crítico e cai no moralismo barato da oposição. Tem gente que diz que a massa trabalhadora não tem tempo para ficar vendo TV nem no Facebook, por isso não há perigo de ser influenciada pela extrema direita. Concordo. Mas pelo tal do WhatsApp a oposição está fazendo um trabalho e tanto. Vamos aguardar o dia 15 para ver qual será o tamanho da coisa.

A batalha da comunicação, em nossa modesta opinião, está perdida. Talvez só mesmo uma grande derrota eleitoral seja capaz de provocar o despertar dos burocratas.

PS do Viomundo: Recentemente, o prefeito Haddad deu uma entrevista à rádio Jovem Pan, que só repercutiu de fato depois de ir parar nas redes sociais! Sinal dos tempos.

Adriano Benayon: Brasil já entregou um pre-sal em serviço da dívida

Sanguessugado do Adriano Benayon

Momento decisivo

1. O momento é decisivo, pois exige resposta urgente da sociedade: aproxima-se o ponto da irreversibilidade do processo de exploração predatória do povo brasileiro e de seus recursos naturais.

2. Nos últimos 60 anos, a oligarquia mundial tem regido sucessivos golpes – com e sem participação militar – para desnacionalizar a indústria e impedir o desenvolvimento tecnológico do Brasil.

3. Desse modo, os carteis financeiros e industriais transnacionais lograram alcançar extrema concentração de poder econômico em suas mãos, o que lhes proporcionou também o crescente controle do sistema político, abrangendo todos os poderes do Estado.

4. Só os que não se indagam sobre a essência das coisas, iludem-se com as aparências da democracia supostamente instaurada em 1988.

5. A Constituição foi produto híbrido das articulações reacionárias do Centrão e de avanços democráticos. Só que a maioria destes se tornou letra morta. Além disso, os mais importantes foram suprimidos por emendas constitucionais.

6. Outra não poderia ter sido a evolução (involução), dadas as relações de poder real, correspondentes às estruturas de mercado, econômicas e financeiras, caracterizadas pela concentração e pela desnacionalização, muito grandes desde o final dos anos 60.

7. Esse quadro não cessou de se agravar, foi acelerado, de 1990 a 2002, e prossegue em marcha.

8. Isso lembra o conceito de enteléquia, de Aristóteles: um princípio de “desenvolvimento” ou programa (como um software), que contém, desde a origem, os elementos conducentes à sua plena realização. No caso, um processo de degradação, como uma doença degenerativa.

9. Na Constituição promulgada em 1988, há, pelo menos, dois pontos incompatíveis com a soberania nacional: o artigo 164 e a inserção fraudulenta – durante o processo da Constituinte – do acréscimo ao art. 166, em seu parágrafo 3º.

10. O art. 164 sujeita o Tesouro – portanto a União Federal e o próprio País – a endividar-se junto aos bancos privados e demais concentradores de capital, pois: 1) dá ao Banco Central a competência exclusiva para emitir moeda; 2) o dinheiro que o BACEN cria, só o pode repassar aos bancos privados, sendo proibido de provê-lo ao Tesouro ou a qualquer ente público.

11. O acréscimo ao § 3º do art. 166 (“excluídas as que incidam sobre: a) …; b) serviço da dívida; c) …”) libera os juros e amortizações da dívida dos requisitos a que estão sujeitas outras despesas para serem autorizadas.

12. Em consequência desses dispositivos e do desequilíbrio nas relações de poder econômico e político, o serviço da dívida já nos custou, de 1989 a 2014, em moeda atualizada, mais de R$ 20 trilhões. Sim, mais de R$ 20.000.000.000.000,00, o equivalente a quatro PIBs de 2014.

13. Apenas doze dealers (10 bancos e duas distribuidoras de títulos) determinam as taxas efetivas dos juros dos títulos públicos vários pontos percentuais acima da já injustificadamente elevada SELIC, novamente em aumento, todo mês, desde novembro.

14. Embora só uma parte dos mais de R$ 20 trilhões tenha sido paga com recursos tributários, a maior parte é paga com a emissão de novos títulos do Tesouro. Por isso, a dívida mobiliária interna cresce sempre e ultrapassou R$ 3 trilhões.

15. Muitos dos manipuladores da opinião publicada (como diz o ex-ministro Roberto Amaral), negam os números reais do serviço da dívida, pretextando que ela se paga com novos títulos do Tesouro, mas, se fossem coerentes, deveriam negar também a própria dívida, pois foi assim que ela cresceu.

16. Além do serviço da dívida, há mais mecanismos – também escondidos do conhecimento público – através dos quais o Brasil se descapitaliza em dezenas de trilhões de reais, a cada ano, e transfere renda em favor dos concentradores, principalmente os sediados no exterior, estrangeiros e brasileiros.

17. Em contraste, escancaram-se e magnificam-se, perante o público, casos de corrupção na Petrobrás e nas empreiteiras, a fim de fulminar o que resta da indústria e da tecnologia nacionais.

18. Esses são casos reais, e sua repetição tem de ser coibida, punindo exemplarmente todos os indivíduos responsáveis e sem privilegiar os corruptíssimos delatores premiados.

19. Mas isso não será viável, sem modificar profundamente o presente sistema político, em que as instituições e os partidos estão viciados no fisiologismo.

20. As eleições são movidas a dinheiro grosso e pela corruptíssima grande mídia, que abusa da exposição sensacionalista da corrupção, inerente ao sistema, como arma a serviço dos interesses da oligarquia transnacional. E as propostas só tem chances de ser aprovadas no Congresso, à base do “é dando que se recebe”.

21. É imperioso fortalecer a Petrobrás, o maior dos patrimônios do País, bem como os conglomerados privados nacionais que desenvolvem valiosas tecnologias, como fornecedoras da Petrobrás e prestadoras de bens e serviços em áreas de igual significação estratégica.

22. Não fazê-lo implica decretar a queda do Brasil à condição de subdesenvolvido irrecuperável, intensificando a política que vem destruindo o País, ao eliminar seu capital humano e moldar a infra-estrutura segundo o interesse dos carteis transnacionais estrangeiros.

23. O modelo subjacente a essa política determinou nulo ou pífio crescimento do produto interno bruto (PIB), nos últimos anos, e ele teria sido muito negativo, não fossem os desempenhos da Petrobrás, da mineração e da agricultura.

24. Ora, isso reflete a desindustrialização, subproduto da desnacionalização da economia, que se manifesta brutalmente, fazendo o Brasil regredir, de modo devastador, à infra-estrutura colonial e desintegrar economia nacional.

25. O minério de ferro é explorado, há decênios, em quantidades absurdas, mesmo considerando as fabulosas reservas do País, de resto, desnacionalizadas, desde a privatização da Vale do Rio Doce, em 1997.

26. A Vale, que tem 85% da produção brasileira, planeja chegar a 450 milhões de toneladas/ano até 2018. A exportação do Brasil atingiu 340 milhões de tons/ano em 2014.

27. O que fica no País são buracos e poluição, inclusive no caso dos minerais estratégicos como o nióbio e o quartzo, cujos produtos finais são importados por cerca de cem vezes o preço dos insumos exportados, afora o descaminho desses minérios e dos preciosos.

28. Enquanto a produção de bens de alto valor agregado retrocede, a primária cresce. Um dos maiores escândalos é a soja a ocupar 50% das terras em uso. De sua produção (90 milhões de toneladas), 80% são exportados sem processamento e 10% transformados em produtos de baixo valor agregado, como o farelo.

29. Sobra para o Brasil o empobrecimento dos solos, com emprego excessivo de fertilizantes químicos e de agrotóxicos, gasto descomunal de água, além da poluição de solo e águas.

30. Em suma, a desnacionalização da economia – dominada por carteis aqui instalados e por suas matrizes no exterior – acarreta prejuízos anuais ao País assim estimáveis:

1) diferença entre a taxa de juros efetiva da dívida pública e a adequada: 0,13 [13%] x R$ 2,5 trilhões = R$ 320 bilhões; 2) diferença entre a taxa média dos juros, no crédito às empresas e pessoas físicas, e a que deveria prevalecer: 0,2 [20%] x R$ 2,6 trilhões = R$ 520 bilhões; 3) sobrepreços nos bens e serviços produzidos para o mercado interno = 80% do PIB = R$ 4,2 trilhões; 4) sobrefaturamento das importações de produtos finais e insumos para a indústria, e de serviços: 60% de US$ 229 bilhões (bens) = US$ 137,4 x 2,8 = R$ 385 bilhões + R$ 115 bilhões (serviços) = R$ 500 bilhões; 5) subfaturamento das exportações: 50% de US$ 225,1 bilhões = US$ 112,5 bilhões x 2,8 = R$ 315 bilhões; 6) perdas na relação de troca (terms of trade), devidas à primarização da economia: importar, por preços até cem vezes superiores, bens acabados produzidos com matérias-primas exportadas a preço vil.

O item 6 é difícil de quantificar, mas corresponde certamente um múltiplo (2 ou 3) do presente valor do comércio exterior do País, a que se deve aplicar outro múltiplo (no mínimo, 10) decorrente de comparar o atual PIB, com o que teríamos, se o País não se tivesse submetido ao modelo dependente, desde os anos 50: R$ 800 a 1.200 bilhões x 10 = R$ 8 trilhões a R$ 12 trilhões anuais.

Mesmo sem adicionar o item 6, que equivale ao dobro dos cinco anteriores, a soma destes totaliza R$ 5,85 trilhões, cujo cálculo não é exagerado: embora possa conter algumas duplas contagens, aplica alguns percentuais provavelmente subestimados.

As perdas acima resumidas incidem a cada ano. Não incluem as pontuais, como as enormes transferências fraudulentas para o exterior através do BANESTADO nos anos 90, nem os prejuízos superiores a R$ 50 trilhões, decorrentes das privatizações de FHC, afora os que prosseguem, desde então, em função delas.

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Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.