sábado, 31 de janeiro de 2015

Paul Craig Roberts: A democracia ocidental morreu?

Sanguessugado do redecastorphoto

Paul Craig Roberts − Institute for Political Economy

Is Democracy Dead In The West?

Traduzido por Mberublue

Povo comemora vitória do Syriza (25/1/2015)

Descobriremos a resposta para a pergunta colocada no título quando soubermos o resultado da contenda entre o novo governo grego, formado pelo partido político Syriza e o Banco Central Europeu que se alinha aos interesses da União Europeia e dos Estados Unidos contra a Grécia.

Os espartanos, cujas capas vermelhas e proezas na guerra enchiam de medo os invasores da terra grega e de seus oponentes de outras cidades-estados, não existem mais. Mesmo a própria Atenas não passa de uma ruína histórica. Os gregos quando confrontados foram capazes, apesar de contar com apenas 300 espartanos aos quais se somaram alguns milhares de coríntios, tebanos e outros guerreiros, de deter um exército persa de cem mil homens nas Termópilas, e que no final derrotaram a frota persa na Batalha de Salamina e o exército persa na Batalha de Plateia só existem nos livros de História.

Os gregos históricos se tornaram um povo legendário. Nem mesmo os romanos conseguiram conquistar a Pérsia, mas um punhado de gregos conseguiu deter a tentativa persa de conquistar a Grécia.

Mas, apesar de sua história gloriosa, os gregos não conseguiram deter um punhado de bancos da Alemanha e da Holanda que invadiram a Grécia. Caso ainda existisse aquela Grécia gloriosa e destemida da historia, os bancos privados da União Europeia estariam tremendo de medo, pois o povo grego está sendo explorado impiedosamente por estes bancos e pela União Europeia, que representam atualmente para a Grécia uma ameaça muito maior do que a Pérsia jamais representou.

A Grécia, espoliada de sua independência pela adesão à União Europeia e pela aceitação do Euro como moeda única, perdeu sua soberania. Não pode financiar a si mesma, pois perdeu o controle sobre o próprio dinheiro. A Grécia tem que contar com bancos privados de outros países. No século XXI os bancos privados europeus não podem contemplar a possibilidade de perder dinheiro simplesmente porque são incompetentes e concederam empréstimos sobre empréstimos aos países membros da União Europeia. Por incrível que pareça, a falha evidente desse procedimento não é creditada aos bancos e sim aos governos mutuários e sua população.

Gold Sacks

Há relatos esclarecendo que os banqueiros norte americanos da empresa Goldman Sachs, também chamada ocasionalmente de “Gold Sacks” (“ouro em sacas” – NT) escondeu o real volume do débito grego, para que os bancos estendessem ainda mais os empréstimos para a Grécia, colocando dessa maneira o país e o povo grego prontos para serem saqueados.

Os banqueiros trapaceiros podem sempre argumentar, mais uma vez desonestamente, que o povo grego se aproveitou dos recursos obtidos através dos empréstimos e, portanto, agora têm que pagar esses empréstimos através do corte das pensões de seus idosos, do desemprego, da redução dos salários e através da venda dos bens nacionais gregos.

Esta é a verdadeira face da austeridade imposta ao povo grego pela União Européia e dos credores da Grécia.

A Grécia se encontra em estado de prostração. Os gregos atualmente estão na realidade cometendo suicídio, por que não podem prover a si mesmos, nas atuais condições de baixa em que vivem e que foram criadas para eles pela União Europeia e pelos bancos privados, sem nenhuma outra razão a não ser a negativa dos bancos, que não devem amortizar (write down – condição econômica em que acontece a depreciação monetária de determinado ativo, porque ele se encontraria supervalorizado em relação ao seu real valor de mercado – NT) os empréstimos.

Então, um dos resultados da “democracia” grega é o suicídio. Com suficiente democracia, poderemos controlar a população mundial e deter a destruição do capital natural. Tudo o que temos que fazer é permitir que os banqueiros saqueiem à vontade o mundo inteiro.

O que o Syriza pode fazer?

Na realidade muito pouco, sem os espartanos.

As intenções do partido e de seus líderes são honestas e merecem o nosso respeito. O Syriza é um partido popular e é exatamente isso o que o marca para a destruição. Jamais se permitirá que a voz do povo afete as políticas do mundo ocidental. As pessoas que eles governam não poderiam ser menos importantes para os poderosos grupos de interesses dos ricos que dominam o mundo ocidental.

Mal o Syriza havia se instalado no gabinete quando a Bloomberg, uma agência de notícias de negócios, comunicou ao novo Primeiro Ministro grego, Alexis Tsipras, que o Syriza tinha que dançar conforme a música dos credores

Tsipras declarou que o novo governo grego não pretende impor um “choque catastrófico” aos seus credores, mas apenas conseguir melhorar as condições irracionais impostas à Grécia, na intenção de poder dar satisfações aos bancos privados que são seus credores e ao mesmo tempo evitar a instabilidade social, política e econômica da Grécia.

Em oposição a estas declarações bem razoáveis, a Bloomberg relatou que o novo gabinete grego teria comunistas que são favoráveis a uma maior aproximação com a Rússia. Na clara intenção de lembrar ao novo gabinete dos dominados gregos quem é o dono do chicote que desce sobre suas costas e sobre o mercado financeiro grego, as ações e títulos gregos sofreram um ataque do qual resultou uma baixa violenta.

O aviso de Wall Street e da União Europeia foi claro: você será destruído se nos desafiar.

A punição do novo governo grego foi imediata. Segundo a Bloomberg:

(...) as ações e títulos gregos tiveram queda por três dias consecutivos, depois que os novos ministros afirmarem que devem cessar com a venda de alguns bens do Estado Grego e aumentar o salário mínimo. Os rendimentos de títulos com vencimento em três anos subiu de 2,99% para 16,69%. O referencial Índice Geral de Atenas decresceu 9,2%, atingindo o menor nível desde o ano de 2012, levado para baixo por um colapso no valor dos bancos.

Entenderá Tsipras que as instituições financeiras gregas continuarão a ser punidas enquanto estiverem por trás de seu governo? A Bloomberg colocou tudo em pratos limpos:

(...) a Alemanha advertiu a nação mediterrânea contra o abandono de acordos de ajuda previamente assinados, depois de analistas afirmarem que a Grécia parecia estar em rota de colisão com seus pares europeus, o que fatalmente levaria a um futuro abandono da zona do euro.

Alexis Tsipras comemora vitória eleitoral (25/1/2015)

As declarações dos ministros recém nomeados “sugerem que em futuro breve deverão acontecer confrontação e negociações tensas”, escreveu em nota a seus clientes Vangelis Karanikas, presidente da Títulos Euroxx, baseada em Atenas.

O que é a “rota de colisão” (aqui, parece ter havido um erro de digitação no original, pois anteriormente o autor grafara “collision course” [rota de colisão] e neste parágrafo “collusion course” - NT) do Syriza? O novo governo quer apenas tornar menos onerosos os acordos feitos pelos governos anteriores que venderam o povo grego. O novo governo quer apenas para de doar os bens gregos a preço vil para os clientes de seus credores e aumentar o salário mínimo para que o povo grego possa ter pão e água o bastante para sobreviver.

No entanto, para os bancos privados que são credores da Grécia, para a Alemanha de Merkel que está por trás dos bancos, para Washington que pouco se importa com o que quer que venha a acontecer com os gregos, para as elites gregas que se veem como “parte da Europa”, o Syriza é apenas um obstáculo a ser removido.

Assim, os títulos e ações gregos são atacados, ameaças que podem influenciar e causar medo em parte da população grega saturada de propaganda no sentido de que ou a Grécia faz parte da União Europeia ou será ignorada pela história são lançadas diuturnamente.

Uma conclusão a ser tirada disso tudo é que o povo grego parece muito com o povo americano em sua despreocupação. O partido Syriza obteve apenas 37% dos votos. São mais votos que os obtidos por qualquer outro partido grego, mas não o suficiente para demonstrar para a União Europeia e para os Estados Unidos que o povo grego está ombro a ombro com seu governo.

Em vez disso, mostra que o novo partido teve que formar um governo em coligando-se com outro partido, o qual poderia cair fora do governo a qualquer tempo em troca, talvez, de um pouco de dinheiro. Mostra também que o partido Syriza pode ser demonizado no ocidente e apresentado ao povo grego como uma ameaça para a Grécia.

O novo partido está ciente de sua fraqueza. O novo Primeiro Ministro afirma não querer confronto, mas que também não pode continuar com a leniência exibida por governos anteriores. É necessário que se alcance uma acomodação razoável de parte a parte.

Syriza - passeata da VITÓRIA (25/1/2015)

Acontece que é pouco provável que haja uma acomodação razoável, pelo simples motivo de que tal acomodação não faz parte dos desejos de Washington, da União Europeia e dos credores da Grécia.

Qual o propósito da criação da “crise financeira da Grécia”? É deixar estabelecido para todos os países membros que não mais existe soberania entre eles e que os bancos que emprestam dinheiro para os tais estados não soberanos não são responsáveis por quaisquer perdas relativamente a esses empréstimos. A responsabilidade é da população dos países endividados. Para garantir que os bancos não tenham perdas, a população é obrigada a aceitar a diminuição de seus padrões e abdicar de sua qualidade de vida.

Assim é a “Nova Democracia”. Nada mais que o ressurgimento da ordem feudal. Alguns aristocratas absurdamente ricos e todo o resto da população como servos obrigados a sustentar a nova ordem vigente. A pilhagem que teve início na Grécia continua agora na Ucrânia. Quem será a próxima vítima?

Terá o partido Syriza condições para levantar o povo grego contra seus saqueadores, levando-se em consideração de que obteve apenas 37% dos votos?

Conseguirá a Grécia obter forças para escapar de uma situação semelhante à Idade das Trevas na Europa, quando as populações foram longa e barbaramente espoliadas por piratas saqueadores?

Talvez, se a Grécia se realinhar com a Rússia e ao grupo de países BRICS em busca de amparo financeiro.

[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal,  Business Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

‘O governo Dilma é totalmente refém do mercado’

Via Correio da Cidadania

Gabriel Brito

O ano econômico brasileiro começou recheado de medidas de contenção de investimentos na área social e trabalhista, plenamente ao gosto do mercado e dos ministros escolhidos para contentá-lo. Como resposta, os sindicatos prometem não aceitar os cortes com a mesma solenidade de outros momentos, o que se explica por um cenário de crise econômica que ameaça seriamente a renda e o emprego de suas bases. Para discutir tal cenário, o Correio da Cidadania entrevistou a economista Rosa Maria Marques.

“É preciso lembrar o já sabido: é o investimento que permite a manutenção de um crescimento contínuo na sociedade capitalista. Ocorre que o investimento está baixo em todo o mundo, com exceção da China. E isso não só porque a economia capitalista enfrenta uma crise profunda e longa, mas por conta da mundialização e a desregulamentação dos mercados, no qual se destaca o financeiro. Assim, à parte as dificuldades que existem no Brasil e que foram aprofundadas com o câmbio valorizado, soma-se esse ‘traço geral’”, explicou.

No entanto, do momento em que o país se encontra rodeado de outras crises, como da água e da energia, é necessário discutir o próprio modelo de desenvolvimento e seu eventual esgotamento. Além disso, Rosa Marques, também professora da PUC-SP, destaca a posição de submissão do governo brasileiro ao mercado, o que contribui para o agravamento do quadro. “No Brasil, sempre foi importante o papel do investimento público. Ocorre que este é limitado pelo poder dos credores da dívida, pela via da realização dos superávits primários”, lembrou.

Quanto às medidas específicas sobre os direitos trabalhistas, a economista relativiza algumas delas, umas por não terem tanto peso, outras porque, na realidade, já eram alvo de debates técnicos desde outros tempos. Apenas lamenta que não se tenha passado pelo crivo do Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador), onde tradicionalmente se tratam tais questões de maneira mais equilibrada.

De toda forma, a entrevista prevê tempos difíceis para os trabalhadores, inclusive para além das medidas mais publicizadas. “O que realmente é digno de nota é que um dos argumentos utilizados foi o déficit da Previdência, mas nada foi dito sobre a desoneração de 56 setores da economia e sobre a Seguridade Social continuar superavitária. O governo Dilma acabou de aprovar a entrada do capital estrangeiro na saúde. Ao mesmo tempo, a PEC 358 está tratando os Royalties do Petróleo destinados à saúde não como um acréscimo de recursos, mas como sendo contabilizados no interior do valor já praticado. Enfim, não é só cortando benefícios ou dificultando o acesso a eles que o governo está pensando em fazer caixa”, destacou.

A entrevista completa com Rosa Maria Marques pode ser lida a seguir.

Correio da Cidadania: Em primeiro lugar, a estagnação da economia em 2014, as perspectivas de um ano ainda mais arrochado em 2015, a crise energética e a crise hídrica são demonstrações de que o modelo de “desenvolvimento” que vigorou durante a era do lulismo está no limite ou até se esgotou?


Rosa Maria Marques: Desde o início de 2014, dizíamos que o crescimento fundado na expansão do mercado interno – via políticas de transferência de renda, crédito para os setores de mais baixa renda, valorização do salário mínimo, entre outras políticas – havia se esgotado. E, pior do que se esgotado, nada havia sido feito para alterar a situação do câmbio “fora do lugar”, isto é, a valorização do real, e impedir a destruição de parte importante da indústria.

As políticas voltadas para a expansão da capacidade de compra dos setores de renda mais baixa, bem como o ciclo expansivo das commodities e o desempenho da China, criaram a falsa impressão de que era possível manter a economia crescendo, mesmo que a taxas não muito expressivas, a despeito do que ocorria no resto do mundo. O ano de 2014 mostrou quão falso isso era.

Evidentemente, não estou dizendo que as políticas de transferência de renda, de valorização do salário mínimo e de ampliação da capacidade de compra dos setores de menor renda não deveriam ter sido feitas. O que estou dizendo é que a capacidade de essas políticas resultarem na ampliação ou sustentação da demanda tem um limite. Na sociedade capitalista, o que permite manter taxas contínuas de crescimento é o investimento, algo sabido.

A questão da crise energética e da crise hídrica não está diretamente relacionada ao governo Dilma, a não ser por sua clara incompreensão do que se passa em termos de mudança climática e por decisões tomadas que aprofundam os problemas nessa área no Brasil. Embora se possa dizer que faltaram investimentos públicos, os especialistas em meio ambiente há muito vêm dizendo que o desmatamento da Amazônia – Antonio Nobre nos diz que são destruídas 2.000 árvores por minuto na região -, que vem se somar ao que foi feito muito antes, tal como a destruição da Mata Atlântica, já alterou o clima no Brasil.

O baixo volume e duração do período de chuva e a ampliação da estação seca são produtos dessa mudança. Mas os poderes públicos continuam a desconsiderar esse fato e, inclusive, a incentivar ou permitir, por sua ausência regulatória, a ocupação de áreas que deveriam ser preservadas e/ou recuperadas. Isso para os negócios de todos os tipos ou mesmo para a ocupação imobiliária.

Correio da Cidadania: Neste contexto, o que diria, especificamente, sobre o investimento público e privado no Brasil nos últimos anos?


Rosa Maria Marques: É preciso lembrar o já sabido: é o investimento que permite a manutenção de um crescimento contínuo na sociedade capitalista. Ocorre que o investimento está baixo em todo o mundo, com exceção da China, e não só aqui. E isso não só porque a economia capitalista enfrenta uma crise profunda e longa, mas porque houve, nas últimas décadas, com a mundialização e a desregulamentação dos mercados, nos quais se destaca o financeiro, a ampliação de maneira absurda das possibilidades de o capital ampliar-se sem ter de se preocupar com investimentos no sentido restrito do termo.

E isso é dado pelo mercado de títulos, ações e derivativos, que perfazem várias vezes o PIB mundial. Vários economistas já chamaram atenção para o fato de que, desde o início dos anos 1990, houve um descolamento entre o investimento e os lucros, isto é, se antes eles evoluíam juntos, criou-se uma brecha, de modo que, cada vez mais, parte dos lucros não é reinvestida, mas, sim, dirigida para o mercado financeiro de capital especulativo ou fictício, com rentabilidade extraordinária.

Assim, à parte as dificuldades que existem no Brasil e que foram aprofundadas com o câmbio valorizado, soma-se esse “traço geral” que caracteriza o capitalismo contemporâneo, o que empurra ainda mais o nível do investimento para baixo.

Mas estamos falando de investimento privado. E, no Brasil, sempre foi importante o papel do investimento público. Ocorre que este é limitado pelo poder dos credores da dívida, pela via da realização dos superávits primários – termo que hoje ficou conhecido por grande parte da população brasileira, tal foi a avalanche de comentários e notícias veiculadas na imprensa, televisiva ou não, sobre um pretenso descontrole total dos gastos públicos...

Na impossibilidade, real ou política (enquanto escolha de governo), de realização de investimentos públicos significativos, e na ausência ou inibição do privado, não há como a economia crescer.

Correio da Cidadania: Como analisa as primeiras medidas econômicas adotadas pelo segundo mandato de Dilma Rousseff, entre os momentos finais de 2014 e iniciais de 2015?


Rosa Maria Marques: As medidas tomadas ao final de 2014 e que prosseguem neste início de ano apenas mostram que o governo Dilma é totalmente refém do que se convencionou chamar de mercado. Foi o mercado que introduziu como inexorável a realização de superávits primários (mesmo que em nível inferior do que já foi obtido no passado), impondo contingenciamentos no orçamento e buscando reduzir gastos em todos os lados.

A opção por reduzir ou conter os gastos públicos, que constituem um importante componente da demanda interna do país, em um quadro de uma economia estagnada ou, como querem alguns, caminhando para uma recessão, certamente irá deprimir ainda mais a situação econômica.

Correio da Cidadania: A partir do reforço dessa ótica conservadora, quais efeitos você espera sobre seguro-desemprego, pensão por morte, abono e auxílio doença?


Rosa Maria Marques: Não há, a princípio, problema em se alterarem as condições de acesso e mesmo certos aspectos da concessão de benefícios. Isso é feito corriqueiramente junto aos sistemas de proteção, sempre que for considerado necessário. Contudo, no caso específico das medidas que foram encaminhadas, embora elas ainda necessitem aprovação do Congresso Nacional, alguns problemas se colocam.

No que se refere ao seguro-desemprego, a primeira coisa que chama atenção é que a medida encaminhada não foi objeto de discussão do Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador), onde participam, paritariamente, empresários, trabalhadores e governo. Não há, contudo, nenhuma regulamentação que determine que matéria desse teor fosse nele discutido, mas, dada a tradição democrática desse conselho, e a importância da mesma sobre a vida do trabalhador, era de se esperar que isso ocorresse. O mais grave é que, se for confirmada a piora da situação econômica, o que implica aumento do desemprego, é possível que parte dos desempregados não tenha como solicitar o seguro-desemprego, caso não comprove vínculo empregatício junto ao mercado formal nos últimos 18 meses. Enfim, é um mau momento para mudar as regras de acesso.

Quanto ao abono, mesmo considerando que isso pode ser entendido como uma perda de direito, não tinha muito fundamento, em termos de justiça no campo da proteção social, a concessão de um salário mínimo para todos trabalhadores que ganhassem até dois salários mínimos, independentemente do número de meses trabalhados no ano. As novas regras exigem que se tenha trabalhado pelo menos seis meses, de forma ininterrupta, no lugar de um, e o pagamento passa a ser proporcional ao tempo trabalhado, tal como ocorre com o 13º. O que se pode discordar é sobre a exigência de seis meses ininterruptos, bem como o fato de, mais uma vez, não ter havido prévia discussão com as entidades e sindicatos que representam os principais interessados. Agora, a bem da verdade, estas e outras propostas de ajustes são discutidas pelos especialistas da área há muito tempo.

No que se refere à pensão por morte, houve piora nas condições de acesso, pois foi ampliado o tempo mínimo de contribuição (e de comprovação da união) para que o cônjuge ou companheiro (a) tenha direito à pensão, bem como foi introduzida a expectativa de vida do cônjuge sobrevivente e dos filhos na definição do tempo de concessão. Em outras palavras, foi extinta a concessão perpétua para qualquer idade: para as condições demográficas atuais, somente aqueles com 44 anos ou mais (com expectativa de sobrevida de 35 anos), têm direito à pensão durante toda sua vida. O tempo para os demais cônjuges ou filhos é função de suas expectativas de vida. Aspectos dessas alterações, principalmente quanto à concessão perpétua, sempre foram objeto de muita crítica entre os especialistas. Contudo, chama atenção que nada mudou quanto às regras dos militares, somente afetando aqueles regidos pelo INSS e os funcionários públicos.

A mudança do auxílio-doença me parece ainda mais problemática, pois o trabalhador irá receber de acordo com a média das últimas 12 contribuições, no lugar de 91% de seu salário (limitado ao teto do INSS). Certamente isso irá significar uma redução do nível do benefício, o que é particularmente preocupante em caso de doença, quando despesas aumentam, ainda que o mesmo tenha cobertura pública ou privada dos cuidados com a saúde.

Mas pouco importa se parte dessas medidas encontra apoio em termos de justiça previdenciária. O que realmente é digno de nota é que um dos argumentos utilizados para seu encaminhamento foi o déficit da Previdência Social, e nada foi dito sobre a desoneração permanente na contribuição sobre a folha de salários, de 56 setores da economia, e que a Seguridade Social, a despeito de tudo, continua superavitária. Vale lembrar que os recursos da Seguridade, entre os quais estamos incluindo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), são recursos dos trabalhadores, muito embora a Desvinculação de Receitas da União (DRU) promova um “confisco” de 20%, exatamente com vista ao superávit primário.

Correio da Cidadania: O que se pode, por sua vez, esperar dos ministros escolhidos por Dilma na área econômica no longo prazo, considerando que os próprios representantes do governo anunciam que os ajustes serão necessários por pelo menos dois anos?


Rosa Maria Marques: Não há longo prazo à vista. O que iremos assistir, e já estamos assistindo, é ao recrudescimento das lutas em defesa do emprego, dos salários e dos direitos sociais. Para alguns setores da esquerda, enquanto o governo, mesmo fazendo inúmeras concessões ao capital financeiro, ao agronegócio e às empresas em geral (vide as desonerações), continuasse a manter nível baixo de desemprego, elevação do salário mínimo, ampliação do acesso à universidade, políticas de transferência de renda, entre tantas outras ações que sem dúvida beneficiaram parcelas importantes da população brasileira, tudo estaria bem.

Contudo, quando aquilo que parecia ser uma concessão – para acalmar os mercados – passa a ser o determinante dos rumos gerais do governo, parte de sua base de apoio se desloca e se põe a lutar pela defesa daquilo que lhe é mais caro: emprego e renda, sendo que nesta última se incluem os direitos sociais.

E para completar, gostaria de tocar em um assunto da maior importância. O governo Dilma acabou de aprovar a entrada do capital estrangeiro na saúde, o que era vetado pela lei 8.080, de 1990. Ao mesmo tempo, a PEC 358 está, entre outras coisas, tratando os Royalties do Petróleo destinados à saúde não como um acréscimo de recursos para a área, mas como sendo contabilizados no interior do valor já praticado. Ainda nessa PEC, a proposta do Projeto de Iniciativa Popular, conhecida como Saúde +10, subscrito por 2,2 milhões de brasileiros, foi totalmente desconsiderada. Enfim, não é só cortando benefícios ou dificultando o acesso a eles que o atual governo está pensando em fazer caixa.

Correio da Cidadania: Que efeitos podem ser projetados sobre a sociedade brasileira e os trabalhadores?


Rosa Maria Marques: Serão tempos muito difíceis. A capitulação ao mercado, em matéria de política econômica, com todos os desdobramentos que acarreta, terá consequências negativas para os trabalhadores. Elas só não serão maiores se estes continuarem (como já estão fazendo) a se mobilizar na defesa do emprego, dos salários e dos direitos sociais, como disse anteriormente.

Rabino israelí: EIIL es un aliado de Israel

Via HispanTV

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Un rabino israelí aseguró el viernes que la presencia del grupo takfirí EIIL (Daesh, en árabe) en la región de Oriente Medio es un apoyo para que el régimen de Tel Aviv alcance sus objetivos.

“Dios ha lanzado al EIIL contra las naciones que quieren acabar con Israel”, alegó Nir Ben Artzi durante su sermón semanal en los territorios ocupados citado por la agencia palestina de noticias ‘Sama News’.
La incorporación de los europeos a las filas de EIIL y su posterior retorno a sus países para perpetrar actos terroristas, estimula la emigración judía a los territorios palestinos, razón por la cual a juicio de Ben Artzi, este grupo takfirí es aliado del régimen de Israel en la región.
Los integrantes de EIIL, en su avance en Irak y Siria, cometen crímenes de lesa humanidad contra todos los grupos étnicos y religiosos, incluidos chiíes, suníes, kurdos y cristianos.
El rabino israelí ha hecho estas declaraciones mientras que según el portal norteamericano ‘Veterans Today’, el líder de Daesh, Ibrahim al-Samarrai, recibió entrenamiento militar de los servicios secretos del régimen de Tel Aviv.
Según agrega la fuente, la inteligencia del régimen israelí, el Mossad, sometió durante dos años al líder del EIIL a un entrenamiento militar, contra guerras psicológicas y de propaganda de terror y miedo entre los musulmanes.
El exanalista de la Agencia de Seguridad Nacional de EE.UU. (NSA, por sus siglas en inglés), Edward Snowden, dio a conocer recientemente que el EIIL había sido creado mediante un trabajo conjunto de los servicios de Inteligencia de Estados Unidos, el Reino Unido y el régimen de Israel.
En sus memorias ‘Hard Choises’ (Decisiones Difíciles), la exsecretaria de Estado de EE.UU., Hillary Clinton, confiesa que el EIIL fue creado en Oriente Medio por Washington, para utilizarlo en la materialización de sus objetivos.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Queremos ser normais ou bem comportados?

Carta Capital via feicibuqui da Rachel Teixeira

Tivemos sorte por não ver visionários como Einstein, Newton e Beethoven em uma sala de aula. Com dificuldade de aprendizado, seriam transformados em bons alunos, diagnosticados e medicados

Redação — última modificação 04/08/2014 17:53

 

Wikicommons

Einstein

Se medicado, Einstein seria um gênio?

“Foco” é a palavra de ordem nas escolas e no mercado de trabalho. Para vencer na vida, a dispersão de atenção para outros interesses além das tarefas do dia a dia é não apenas mal vista: é diagnosticável como um transtorno mental passível de cura. De acordo com uma ala da psiquiatria, essa ideia de “transtorno” parte de duas premissas. Uma é semântica. Ela suaviza a ideia de “doença mental” e passa a ser usada como uma espécie de identidade psíquica por meio de nomenclaturas como “TOC”, “TDAH”, “hiperatividade”, “bipolaridade”, “ansiedade” e “transtornos de humor”.

A outra dita que, por trás da desordem, existe uma ordem. Nesta ordem, o estudante estuda e o trabalhador trabalha. Em nome dela nos medicamos. Cada vez mais e, segundo especialistas, sem que sejam levados em conta os impactos, para as crianças e suas famílias, do diagnóstico e da medicação.

Quem analisa os índices de tratamento à base de drogas psicoativas imagina que o planeta enfrenta hoje uma “epidemia” de transtornos mentais. Nos EUA, uma em cada 76 pessoas são hoje consideradas incapacitadas por algum tipo de transtorno – em 1987, este índice era de uma em cada 184 americanos. O número de casos registrados aumentou 35 vezes desde então.

Segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA, 46% da população se enquadrariam nos critérios de doenças estabelecidos pela Associação Americana de Psiquiatria. Tais diagnósticos criaram um mercado poderoso de medicamentos psicoativos – o que significa medicar tanto pacientes com crises agudas de ansiedade até crianças diagnosticada com grau leve de “hiperatividade” ou “espectro de autismo”, a chamada síndrome de Asperger. Essas crianças precisam manter o “foco” na sala de aula se quiserem ter alguma chance de passar no vestibular.

A pressão sobre elas em um mundo cada vez mais competitivo cria um consumidor fidelizado: a criança que hoje precisa de medicamento para se manter em alerta será, no futuro, o adulto dependente de medicamentos para dormir. Essa pressão, apontam estudos, tem origem na sala de aula, passa pela sala da direção, chega aos pais como advertência e desemboca na sala do psiquiatra, incumbido da missão de enquadrar o sujeito a uma vida sem desordem.

Mas como cada categoria de transtorno mental é construída e delimitada? Quais pressupostos fazem com que determinados comportamentos e/ou estados emocionais sejam considerados normais e outros, não? Quem definiu que uma criança com foco na sala de aula é normal e uma desconcentrada é anormal? Qual é, enfim, a “ordem” que a prática psiquiátrica visa a garantir?

Essas questões serão temas de debates em um ciclo de encontros do Café Filosófico CPFL, sob curadoria do professor livre-docente em Psicopatologia do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp Mário Eduardo Costa Pereira, a partir de 8 de agosto. As palestras serão gravadas todas as sextas-feiras ao longo do mês, às 19h, e os interessados de todo o País podem acompanhar as gravações e enviar perguntas ao vivo pelo portal. Além de Costa Pereira, participam do módulo o psiquiatra infanto-juvenil e professor da Uerj Rossano Cabral Lima, o professor da Universidade da Califórnia Naomar Almeida Filho e o psiquiatra da infância e adolescência e consultor do Ministério da Saúde Fernando Ramos.

Se for esta a normalidade que tanto buscamos, o mundo teve sorte por não ver visionários como Bill Gates, Einstein, Newton e Beethoven em uma sala de aula nos dias atuais. Todos eles tinham dificuldade em socialização, comunicação e aprendizado. Sofriam, em algum grau, de espectro de autismo, e seriam facilmente transformados em bons alunos, diagnosticados, tratados e medicados. O mundo perderia quatro gênios, mas ganharia excelentes funcionários-padrão, contentes e domesticados.

Liberdade, onde estás? Não na América ou na Europa

Via Resistir.info

Para onde mais o dinheiro pode ir? Algum irá para Francos suíços e algum para o ouro enquanto ele ainda está disponível, mas para a maior parte o BCE está a activar as impressoras a fim de promover a riqueza dos Um Porcento que possui acções. O Federal Reserve e o BCE levaram o Ocidente outra vez aos dias em que um punhado de aristocratas possuía tudo.

Paul Craig Roberts

Mario Draghi, cartoon de Fernão Campos. Quando o antigo executivo da Goldman Sachs que dirige o Banco Central Europeu (BCE) anunciou que ia imprimir 720 mil milhões de euros por ano e com eles comprar dívidas não pagas (bad debts) de grandes bancos politicamente conectados, o Euro afundou e tanto o mercado de acções como o Franco suíço subiram. Tal como nos EUA, a facilidade quantitativa (quantitative easing, QE) serve para enriquecer o que já são ricos. Ela não tem outro objectivo.

As bem endinheiradas instituições financeiras que compraram as perturbadas dívidas soberanas da Grécia, Itália, Portugal e Espanha a baixos preços agora venderão os títulos ao BCE a altos preços. E apesar do desemprego a nível de depressão na maior parte da Europa e da austeridade imposta sobre os cidadãos, o mercado de acções ascende na antecipação de que grande parte dos 60 mil milhões de novos Euros que serão criados a cada mês encontrará o seu caminho para os preços das acções. A liquidez alimenta o mercado de acções.

Para onde mais o dinheiro pode ir? Algum irá para Francos suíços e algum para o ouro enquanto ele ainda está disponível, mas para a maior parte o BCE está a activar as impressoras a fim de promover a riqueza dos Um Porcento que possui acções. O Federal Reserve e o BCE levaram o Ocidente outra vez aos dias em que um punhado de aristocratas possuía tudo.

Os mercados de acções são bolhas enchidas pela criação de dinheiro do banco central. Na base do raciocínio tradicional não há razões saudáveis para estar nas acções e investidores lúcidos tem-nas evitado.

Mas já não há ponto de retorno em parte alguma e os bancos centrais são dirigidos pelos ricos para os ricos, o raciocínio lúcido demonstrou ser um erro durante os últimos seis anos. Isto mostra que durante um período indeterminável a corrupção pode prevalecer sobre os princípios fundamentais.

Como demonstrei, conclusivamente, no meu livro, The Failure of Laissez Faire Capitalism, primeiro a Goldman Sachs enganou prestamistas ao emprestar em excesso ao governo grego. A seguir antigos executivos da Goldman Sachs assumiram o comando dos assuntos financeiros da Grécia e impuseram austeridade sobre a população a fim de evitar perdas aos prestamistas estrangeiros.

Isto estabeleceu um novo princípio na Europa, o mesmo que o FMI tem aplicado implacavelmente a devedores latino-americanos e do Terceiro Mundo. O princípio é que quando prestamistas estrangeiros cometem erros e emprestam excessivamente a governos estrangeiros, carregando-os com dívida, os erros dos banqueiros são rectificados roubando as populações pobres. Pensões, serviços sociais e emprego público são cortados, recursos valiosos são vendidos em liquidação a estrangeiros por centavos e o governo é forçados a apoiar a política externa dos EUA. As "Confissões de um pistoleiro económico" ("Confessions of an Economic Hit Man") [NR] , de John Perkins descrevem o processo perfeitamente. Se não leu o livro de Perkins, não faz ideia de quão corrupto e vicioso são os Estados Unidos. Na verdade, Perkins mostra que os empréstimos excessivos são intencionais, a fim de preparar o país para o saqueio.

Foi isto o que o Goldman Sachs fez à Grécia, intencionalmente ou não.

Levou muito tempo para os gregos perceberem isso. Aparentemente, 36,5 por cento da população foi despertada pelo aumento da pobreza, do desemprego e das taxas de suicídios. Esse número, pouco mais de um terço do eleitorado, foi suficiente para colocar o Syriza no poder nas eleições que acabam de terminar, expulsando o corrupto partido da Nova Democracia que sistematicamente entregou o povo grego aos bancos estrangeiros. No entanto, 27,7 por cento dos gregos, se a contagem for correcta, votou pelo partido que sacrificou o povo grego aos banksters. Mesmo na Grécia, um país habituado a manifestações populares nas ruas, uma percentagem significativa da população está com os cérebros suficientemente lavado para votar contra os seus próprios interesses.

Pode o Syriza fazer alguma coisa? Isto está para ser vista, mas provavelmente não. Se este partido político tivesse recebido 55% ou 65% ou 75% dos voto, sim. Mas a votação máxima de 36,5% não mostra um país unificado consciente dos seus apuros e do seu saqueio nas mãos dos banksters ricos. A votação mostra que uma percentagem significativa da população grega apoia o saqueio estrangeiro da Grécia.

Além disso, o Syriza enfrenta os vilões: os bancos alemães e holandeses que possuem empréstimos da Grécia e os governos que apoiam os bancos, a União Europeia que está a utilizar a crise da dívida soberana para destruir a soberania dos países individuais que compreendem da União Europeia, Washington que apoia o poder soberano da UE sobre os países individuais pois é mais fácil controlar um governo do que um par de dúzias deles.
Os prostitutos (presstitutes) media financeiros do Ocidente já advertem o Syriza para não por em perigo sua condição de membros da divisa comum desviando-se do modelo de austeridade imposto de fora sobre os cidadãos gregos, com a cumplicidade da Nova Democracia.

Aparentemente, há uma falta de meios formais de saída da UE e do Euro, mas mesmo assim a Grécia pode ser ameaçada de expulsão. A Grécia deveria saudar calorosamente a expulsão.

Sair da UE e do Euro é a melhor coisa que pode acontecer à Grécia. Um país sem a sua própria divisa não é um país soberano. É um estado vassalo de uma outra potência. Um país sem a sua própria divisa não pode financiar as suas próprias necessidades. Embora o Reino Unidos seja membro da UE, o RU mantém a sua própria divisa e não está sujeito ao controle do BCE. Um país sem a sua própria moeda é impotente. É uma não-entidade.
Se os EUA não tivessem o seu próprio dólar, o EUA não teriam qualquer importância na cena mundial.

A UE e o Euro foram fraude e trapaça. Países perderam sua soberania. Chega de "autogestão", "liberdade", "democracia" ocidentais, tudo slogans sem conteúdo. Em todo Ocidente não há nada excepto o saqueio do povo pelos Um Por Cento que controlam os governos.

Na América, o saqueio não repousa no endividamento, porque o US dólar é a divisa de reserva e os EUA podem imprimir todo o dinheiro que necessitarem a fim de pagar suas contas e resgatar sua dívida. Na América o saqueio do trabalho tem sido através da deslocalização de empregos (jobs offshoring).

As corporações americanas descobriram, e se não o fizessem eram informadas pela Wall Street que deviam ir para o exterior ou serem tomadas, que podiam aumentar os lucros deslocalizando suas operações manufactureiras no estrangeiro. O custo do trabalho mais baixo resultava em lucros mais altos, partilha de preços mais altos, enormes bónus para as administrações com base no "desempenho" e ganhos de capital para os accionistas. A deslocalização aumentou grandemente a desigualdade de rendimento e riqueza nos EUA.

O capital teve êxito no saqueio do trabalho.

Os bem pagos trabalhadores manufactureiros que foram deslocados, se foram capazes de encontrar empregos substitutivos, trabalhavam em tempo parcial em emprego de salário mínimo na Walmart e no Home Depot.

Economistas, se é que merecem tal designação, tais como Michael Porter e Matthew Slaughter, prometeram aos americanos que a ficcional "Nova Economia" produziria melhor, com pagamentos mais altos e empregos mais limpos para os americanos do que os empregos de "unhas sujas" e que foi afortunado nossas corporações estarem a deslocalizar-se.

Anos depois, como provei conclusivamente, não há sinal destes empregos da "Nova Economia". O que temos ao invés é um agudo declínio na taxa de participação da força de trabalho pois os desempregados não podem encontrar empregos. Os empregos substitutivos para os empregos da manufactura são principalmente nos serviços domésticos em tempo parcial.

As pessoas têm de ter dois ou três destes empregos para conseguirem sustentar-se.

Agora que este facto, outrora controversa acredite-se ou não, provou-se completamente verdadeiro, os mesmos porta-vozes comprados e pagos para roubar o trabalho e destruir os sindicatos clamam, sem uma réstia de evidência, que os empregos deslocalizados estão a voltar para casa.

Segundo estes propagandistas, temos agora o que é chamado "re-escoramento" ("reshoring").

Um propagandista do "re-escoramento" afirma que o crescimento do mesmo ao longo dos últimos quatro anos é de 1.775 por cento, um aumento de 18 vezes. www.manufacturingnews.com/... Não há sinal de quaisquer destes alegados empregos "re-escorados" nas estatísticas de empregos com base em folhas de pagamento do Bureau of Labor Statistics (BLS).

Este re-escoramento é nada mais que propaganda para neutralizar a tardia percepção de que os acordos de "livre comércio" e a deslocalização de empregos não foram benéficos para a economia americana ou para a sua força de trabalho, mas foram benéficos só para os super-ricos.

Tal como povos através da história, o povo americano está a ser transformado em servos e escravos porque os loucos acreditam nas mentiras com que os alimentam. Eles sentam em frente à Fox News, CNN e tudo o mais. Eles lêem o New York Times. Se quiser saber quão mal os americanos têm sido serviço pelos assim chamados media, leia "Uma história do povo dos Estados Unidos" (A People's History of the United States) de Howard Zinn e "A história não contada dos Estados Unidos" (The Untold History of the United States), de Oliver Stone e Peter Kuznick.

Os media ajudam o governo e os interesses privados que lucram com o seu controle do governo, com controle da lavagem cerebral do público. Temos de invadir o Afeganistão porque uma facção ali a combater pelo controle político do país está a proteger Osama bin Laden, a quem os EUA acusam sem qualquer prova de embaraçar os poderosos EUA com o ataque de 11/Set. Temos de invadir o Iraque porque Saddam certamente tem "armas de destruição em massa" apesar dos relatórios em contrário dos inspectores de armas. Temos de derrubar Kadafi por causa de uma lista de mentiras que era melhor esquecer. Temos de derrubar Assad porque ele utilizou armas químicas muito embora toda a evidência seja em contrário. A Rússia é responsável por problemas na Ucrânia, não porque os EUA derrubaram o governo democrático eleito mas porque a Rússia aceitou uma votação de 97,6% dos habitantes da Crimeia para se reunirem à Rússia, à qual aquela província tem pertencido desde há centenas de anos antes de um líder ucraniano soviético, Krushev, ter fincado a Crimeia na Ucrânia, naquele tempo parte da União Soviética juntamente com a Rússia.

Guerra, guerra, guerra, é tudo o que Washington quer. Ela enriquece o complexo militar e de segurança, o maior componente do PNB dos EUA e o maior contribuidor, juntamente com a Wall Street e o lobby de Israel, para campanhas políticas estado-unidenses.

Toda e qualquer pessoa ou organização que apresente a verdade ao invés das mentiras é demonizada. Na semana passada o novo chefe do US Broadcasting Board of Governors, Andrew Lack, listou o serviço russo de Internet e TV Russia Today como o equivalente dos grupos terroristas Boko Haram e Estado Islâmico. Esta acusação absurda é um prelúdio para encerrar a RT nos EUA, tal como os fantoches de Washington no governo britânico encerraram a Press TV do Irão.

Por outras palavras, aos anglo-americanos não são permitidas quaisquer notícias diferentes daquelas que lhes são servidas pelos "seus" governos.
Este é o estado da "liberdade" no Ocidente de hoje.

[NR] O livro de John Perkins pode ser descarregado em resistir.info/livros/
O original encontra-se em http://www.paulcraigroberts.org/2015/01/25/freedom-america-europe-pcr/

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Nova polêmica na Venezuela

Via Brasil de Fato

Elaine Tavares

Na noite de hoje (27), o presidente Maduro convocou os representantes de movimentos sociais, missões, militantes, que lotaram o teatro Tereza Carrenho e pediu vigilância contra os que atentam contra a revolução bolivariana. Segundo ele, o governo está no controle, tem garantido uma união cívico-militar, e vencerá a guerra econômica. 

O principal nome da oposição, Henrique Capriles, criou mais uma polêmica essa semana para o governo da Venezuela, buscando caracterizar a atual administração do país como autoritária. Ele convidou os ex-presidentes Sebastián Piñera, do Chile, Andrés Pastrana, da Colômbia, e Felipe Calderón para uma vista ao ex-prefeito de Chacao, Leopoldo Lopez, um dos presos por participação direta no chamamento e organização das “Guarimbas”, como ficaram conhecidas as manifestações violentas promovidas pela extrema direita venezuelana pouco depois da eleição de Nicolás Maduro e que deixaram mais de 20 mortos. Nesses protestos houve trancamento de ruas, queima de pneus, incêndios de prédios públicos, destruição de centros de saúde nos bairros e uso de armas de fogo contras as forças policiais.

Os ex-presidentes, que estavam na Venezuela para um fórum promovido pela oposição chamado "Poder Cidadão e a Democracia de hoje” chegaram até o local onde está encarcerado Lopez e não puderam entrar. Segundo os dirigentes governamentais ninguém comunicou sobre a visita ou pediu autorização, como acontece com qualquer outra pessoa que queira encontrar algum prisioneiro. Mas, Capriles foi aos jornais acusar Maduro de autoritário e antidemocrático. Na verdade, mais um factoide promovido pela oposição nesses dias em que a população segue acossada com os problemas de falta de produtos nas prateleiras.

Naqueles dias das “guarimbas” em que os protestos promovidos pela oposição se expressaram de forma violenta, quem esteve à frente das manifestações foram a deputada Maria Corina Machado, que segundo se soube depois, recebeu financiamento dos Estados Unidos para a organização que dirige, a Súmate,  o governador do estado de Miranda, Henrique Capriles, que tinha acabado de perder as eleições e Leopoldo López, ex-prefeito de Chacao, o que convocou abertamente os protestos com o objetivo de derrubar o governo. Também os meios de comunicação que fazem oposição ao governo bolivariano divulgaram a exaustão imagens e informações falsas sobre o que diziam ser violações de direitos humanos por parte do governo.

A visita dos ex-presidentes e todo o protesto que fizeram gerou indignação junto às forças populares bolivarianas que trataram de se expressar nos meios de comunicação públicos e estatais defendendo a posição do governo. “Não é porque eles foram presidentes de países que vão ter tratamento diferenciado. Tinham de ter pedido autorização para a visita como qualquer pessoa faz. Tudo isso foi mais uma tentativa de criar problemas para o governo. Não funcionou”.

O presidente Maduro também se manifestou dizendo que esses três presidentes estavam na Venezuela com o dinheiro do narcotráfico e que tinham vindo ostensivamente apoiar um golpe contra o governo bolivariano. Também falou à nação sobre como esses mandatários dirigiram seus países quando estavam no poder.

O mantra da oposição é de que o governo bolivariano não permite a liberdade de expressão. Pode-se dizer tudo do governo da Venezuela, menos isso. Todos os canais de televisão e de rádio que estão na mão da oposição fazem a crítica sistemática ao governo bolivariano. Ninguém é impedido de falar. O mesmo acontece com os jornais. O que acontece é que o governo tem seus canais de comunicação de massa e a luta se dá também nesse campo da comunicação.

Assim, tudo o que a oposição divulga, é imediatamente explicado pelos jornalistas e apresentadores dos canais públicos. A população tem, o tempo todo, a possibilidade de acessar as duas ou mais versões dos fatos. Outra coisa importante no campo da comunicação é que os canais estatais divulgam as falas completas, sem edição, permitindo que a opinião pública conheça a totalidade das informações. O que acontece, cotidianamente, é a luta de classe se expressando também no campo da comunicação.

Mas, apesar de toda a publicidade que a mídia deu ao episódio da visita não-realizada, o tema acabou se esgotando. No dia seguinte ao frustrado intento, os familiares dos que morreram durante as “guarimbas” foram procurar os ex-presidentes para falar de sua dor e explicar o que foram aqueles protestos, mas também não conseguiram o encontro. Os políticos não aceitaram conversar. Essa recusa acabou colocando a eles como os que se negaram ao diálogo.

No meio de todos esses conflitos e tentativas de desestabilização, a população venezuelana segue vivendo os problemas de desabastecimento. Ainda se podem ver longas filas nos mercados populares e seguem faltando alguns produtos importantes para as famílias. Nas ruas, a vida segue na azáfama de ganhar o dia, mas a população espera respostas mais efetivas do governo. Uma boa parte não está muito preocupada com quem está no comando, o que quer é a comida na mesa e a certeza de que poderá encontrar os produtos necessários para sua sobrevivência. Esses estão no silêncio. Por outro lado, seguem atuando as máfias que controlam a distribuição de produtos, 70% na mão privada, e as que especulam com o dólar, provocando o aumento sistemático da inflação.

São dias tensos, mas, ao que parece, nada muito diferente do que tem sido desde 1998 quando Hugo Chávez venceu as eleições. Na noite de hoje (27), o presidente Maduro convocou os representantes de movimentos sociais, missões, militantes, que lotaram o teatro Tereza Carrenho e pediu vigilância contra os que atentam contra a revolução bolivariana. Segundo ele, o governo está no controle, tem garantido uma união cívico-militar, e vencerá a guerra econômica. Ao mesmo tempo anunciou uma séria de medidas para aumentar a produção de alimentos, com a garantia de insumos e financiamento. “Nós estendemos a mão aos bons empresários, chamamos ao trabalho. Vamos ganhar essa guerra nas ruas, junto ao povo”.

AS SOMBRAS DE AUSCHWITZ

Sanguessugado do Mauro Santayana

(Hoje em Dia) - O mundo comemorou, ontem, na Polônia, os 70 anos da libertação (foto), por soldados da antiga União Soviética, do campo de extermínio de Auschwitz,  talvez o mais terrível exemplo do exercício da discriminação e do mal, na história humana,  e da máquina de genocídio nazista.

Auschwitz destacou-se, entre os outros e numerosos campos de concentração e de extermínio.

Não pela perversidade de seus oficiais, dos guardas e dos kappos, prisioneiros que controlavam as barracas em que se amontoavam, às centenas, seres humanos esquálidos e  sub-alimentados, doentes e torturados pelas ameaças, as pancadas, o frio e assombrados pela perda de seus pais, mulheres e filhos, assassinados, muitas vezes, na sua frente,  comuns a outras sucursais do inferno, como Sobibor, Maidanek, Belsen e Treblinka.

Mas, principalmente, por sua escala inimaginável, gigantesca, da qual tomava parte o campo vizinho de Birkenau, e pela organização metódica, planejada, de suas instalações. Elas foram planejadas para o roubo dos pertences, a exploração e a morte de milhares de pessoas por dia, da recepção dos prisioneiros, em sua dantesca estação ferroviária, até sua execução a tiros, por extenuação, espancamento ou em câmaras de gás, com a posterior destruição do corpo em fornos crematórios, em uma especie de matadouro tão bem organizado, que tudo era aproveitado, do ouro das jóias e dos dentes, ao cabelo dos prisioneiros, usado para forrar botas de inverno.

O fato de o presidente Vladimir Putin, líder do país herdeiro da URSS, potência que libertou Auschwitz, e venceu a batalha de Berlim, derrotando a Alemanha Nazista e levando Hitler ao suicídio, não ter sido convidado, é significativo.

Principalmente, quando se leva em consideração, que, na cerimônia,  como convidado, esteve presente Petro Poroshenko, presidente da Ucrânia, país de origem de muitos dos guardas que trabalhavam em Auschwitz, e em outros campos, auxiliando prazeirozamente os SS nazistas, na vigilância, tortura e morte de milhares de homens, mulheres e crianças das mais diferentes origens.

Na Ucrânia de hoje, desfilam orgulhosamente neonazistas, e cresceram, vertiginosamente, depois da derrubada do governo que estava no poder anteriormente,  os ataques a judeus, ciganos - dos quais milhares também morreram em Auschwitz - e outras minorias.

Por mais que os revisionistas e deturpadores da história - extremamente ativos nos últimos tempos -  insistam em equiparar russos e nazistas, a verdade é que quando um criminoso nazista era capturado pelos soviéticos, ele era julgado, e na maioria das vezes, condenado  à morte ou a pesadas penas de prisão, enquanto a maioria dos que foram apanhados pelos norte-americanos e pelos alemães ocidentais, mais tarde, permaneceram impunes, ou se tornaram colaboradores de organizações como a CIA durante a Guerra Fria -  morrendo gordos e velhos, na cama, como não mereciam.

30% da água de SP foge pelo ladrão. Quem é o ladrão e quem mais consome a água que falta na sua casa

Sanguessugado do Mello

Antônio Mello

Para tentar tirar o corpo fora, o governador Alckmin e a Sabesp estão querendo criar uma rede de intrigas entre vizinhos para que um denuncie o outro por lavar o carro, a calçada ou dar descarga demais.

Isso tudo é uma impostura. E explico por quê:

31% de toda a água de São Paulo é desperdiçada, vai para o lixo, graças aos vazamentos que a Sabesp não corrigiu.

Sobram 69%. A agricultura fica com 70% deles. A indústria com 22% e o consumidor, que está sendo apontado como vilão esbanjador, com míseros 8% - ou seja, em torno de 5,6% do total da água distribuída.
Portanto, meu amigo paulista, não caia na empulhação que querem lhe enfiar goela abaixo. Se todos os paulistas não consumirem uma gota de água sequer a economia para o sistema será de míseros 5,6%.

O maior vilão, aquele que não economiza, não produz, não gera riqueza é o vazamento que a Sabesp não cuida nem cuidou.

Repito: se todos os paulistas não usarem uma gota de água a economia será de 5,6%.

O desperdício pelos vazamentos não consertados pela Sabesp é de 31%.

Nao brigue com seu vizinho. Una-se a ele e cobre dos culpados, a Sabesp e o governo de São Paulo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

ANTECEDENTES DO MENOR:

Vina Guedes via feicibuqui da Raquel Teixeira

ANTECEDENTES DO MENOR:
Furto, roubo, lesão corporal, ameaça, e mais furto e mais roubo. A lista de condutas praticadas por ele que são descritas, pela lei, como “crime” era, de fato, muito considerável.
É um daqueles casos em que olhamos para o adolescente com total desesperança, sem conseguir deixar de lado o olhar de desaprovação. Um jovem estudante de Direito chegou a comentar: “Num caso desse, só matando”. O que ele não sabia é que aquele adolescente já havia morrido há, pelo menos, 11 anos.
Aquele “bandidinho repugnante”, assim se referia a ele uma das vítimas, “é um lixo, Doutor, ele fede. Isso nem é gente”, fora abandonado pela mãe quando tinha apenas 6 anos de idade. Deixado nas ruas de uma cidade com cerca de 300 mil habitantes, num semáforo. Segundo me disseram, a mãe foi morar com um senhor que, embora tivesse o bom senso de sustenta-la, não aceitava o menino.
A partir de então, essa criança cresceu na rua, praticando favores sexuais aos meninos maiores em troca de alimento, furtando uma coisinha aqui e ali. Sofreu toda sorte de abusos, toda forma de violência que se possa imaginar.
Mas ninguém fala (será por quê?) em prender quem passe de olhos fechados diante dessas inúmeras crianças e adolescentes abandonados à própria sorte, cuja vida só ensinou sentenças de dor, de morte e de revolta íntima.
O Estudante de Direito falou:
Tem que prender esse troço. Não dá pra andar na rua seguro com isso solto, não. Daí perguntei: Ele ameaçou o Senhor de que jeito? Colocou a mão dentro da blusa e falou que se eu não obedecesse eu ia me dar mal.
E o que ele exigiu do Senhor, pode dizer? Ele queria o quê?
Ele queria água e comida.
Senti uma imensa vontade de mandar o doutorzinho para o inferno junto com a lista de antecedentes do menino. Aquela lista de antecedentes não servia à condenação ou à absolvição do menino. Aquele lista de antecedentes condenava a todos nós. Documento inconteste da hipocrisia do mundo e da precariedade, da inconsistência de uma palavra tão recorrente na boca dos “cidadãos honestos”: justiça.

A Globo não ataca o Governo, ataca o Estado nacional

Sanguessugado do Cultura Esporte & Política

O Jornal da Globo de ontem, terça-feira, ultrapassou todos os limites da manipulação no sentido de execrar com a Petrobras através de uma análise distorcida de fatos e estatísticas. Os dois comentaristas tomaram por base valor de mercado, comparando-o com dívidas, para sugerir que a empresa está quebrada. É puro charlatanismo, economia de botequim, violação das mais elementares regras de jornalismo sério.

J.Carlos de Assis

 

O noticiário da Globo é tendencioso. Ninguém que seja medianamente informado pensará diferente. Entretanto, não sei se as vítimas desse noticiário perceberam que no afã de denegrir o Governo, o que está perfeitamente dentro de suas prerrogativas de imprensa livre, a Tevê Globo, sobretudo nas pessoas dos comentaristas William Wack e Carlos Sardenberg, passaram a atacar o Estado brasileiro, o que sugere crime de lesa-pátria.

O Jornal da Globo de ontem, terça-feira, ultrapassou todos os limites da manipulação no sentido de execrar com a Petrobras através de uma análise distorcida de fatos e estatísticas. Os dois comentaristas tomaram por base valor de mercado, comparando-o com dívidas, para sugerir que a empresa está quebrada. É puro charlatanismo, economia de botequim, violação das mais elementares regras de jornalismo sério.

Valor de mercado não mede valor de empresa; é simplesmente um indicador de solvência de ações num dia no ambiente ultra-especulativo de bolsas de valores. O que mede o valor real de uma empresa é seu patrimônio comparado com seu endividamento. As dívidas que a Petrobras contraiu para suas atividades produtivas, notadamente do pré-sal, são muitíssimo inferiores a seu patrimônio, no qual se incluem bilhões de barris medidos de óleo do pré-sal.

Evidentemente que os dois comentaristas da Globo torcem para que o petróleo fique por tempo indefinido abaixo dos 45 dólares para inviabilizar o pré-sal brasileiro. Esqueçam isso.

É uma idiotice imaginar que a baixa do petróleo durará eternamente: a própria imprensa norte-americana deu conta de que os poços em desenvolvimento do óleo e do gás de xisto, os vilões dos preços baixos, tem um tempo de vida muito inferior ao que se pensava antes.

É claro que o preço baixo do petróleo tem um forte componente geopolítico a fim de debilitar, de uma tacada, a economia russa, a economia venezuelana e a economia iraniana – e muito especialmente a primeira. Mas o fato é que atinge também empresas americanas que entraram de cabeça no xisto, assim como países “aliados” que produzem petróleo. No caso do pré-sal, ele só se tornaria inviável no mercado internacional com o barril abaixo de 45 dólares.

Os ataques dos dois comentaristas da Globo à Petrobras têm endereço certo: é parte de uma campanha contra o modelo de partilha de produção  do pré-sal sob controle único da Petrobras, contra a política de conteúdo nacional nas encomendas da empresa e contra a contratação das grandes construtoras brasileiras para os serviços de construção de plataformas e outras obras civis, principalmente de refinarias.

Esses três pontos foram assinalados no discurso de Dilma como inegociáveis. É uma decisão de Estado, não apenas de Governo. Sintomaticamente, os dois comentaristas da Globo sequer mencionaram esses pontos. Preferiram dar destaque maior ao noticiário pingado da Lava Jato, que, cá pra nós, já está ficando chato na medida em que não tem nada realmente novo, mas simples repetição à exaustão de denúncias anteriores.

P.S. Talvez os dois comentaristas teriam maior simpatia pela Petrobras se parassem para dar uma olhada nos anúncios televisivos sobre a performance vitoriosa da empresa,  e que ela está pagando para serem exibidos na Globo, para mim de forma absurda e injustificável.

J. Carlos de Assis - Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Vazamento seletivo das operações da PF tem três objetivos. Nenhum a favor do país

Sanguessugado do Mello

A divulgação pela mídia corporativa de dados de investigações da Polícia Federal protegidos por sigilo, por determinação da Justiça, tem três objetivos, um claro e dois escondidos.

O claro é fustigar o governo até o limite da exaustão, buscando o maior lucro possível, que é seu enfraquecimento até o ponto de um possível impeachment.

Os outros dois são:
Dar aviso aos corruptos para que limpem suas contas.

Temos vários exemplos sobre isso, e o caso do diretor da Petrobras Cerveró é apenas mais um.

Corrupto ou não, culpado ou não, ele correu ao cartório em setembro do ano passado, assim que seu nome entrou na berlinda, como mostra esta nota da coluna do Ancelmo, de O Globo, de 21 de setembro de 2014.

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O ex-diretor internacional da Petrobras Nestor Cerveró esteve terça-feira, dia 16, no cartório do 14º Ofício, em Ipanema, no Rio, com direito a uma sala reservada.
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O último objetivo é, depois de esgotado todo o fustigamento ao governo, dar a porta de saída a seus pares, anulando toda a investigação, POR CAUSA DOS VAZAMENTOS ILEGAIS, como aconteceu na Satiagraha e na Castelo de Areia.

Anotem ai: a operação Lava Jato vai ser anulada e todos os acusados vão ficar impunes, porque o objetivo de todo esse processo não é melhorar o país, mas apenas ajustar o governo às demandas do capital.

'Pacote de maldades' de Dilma fez a alegria do Mercado, dos banqueiros e tucanos, e aumentou o descrédito na política e nos políticos

Sanguessugado do Mello
O pior do "pacote de maldades" de Dilma (Levy é subordinado a ela) não é o pacote em si, mas o descrédito da política como mediação das demandas da sociedade. A desmoralização do PT.Dar razão aos risinhos debochados dos que acham que políticos são todos iguais.

O simbólico do pacote fica mais explícito em números: o governo pretende economizar R$ 18 bilhões com as novas regras para o seguro desemprego (lado do trabalhador), mas com a outra mão aumenta a Selic três vezes, o que significa praticamente tirar os 18 bilhões dos trabalhadores e repassá-los aos rentistas (lado do Mercado).

Dilma tenta se blindar com o silêncio e a sinalização da ida à posse de Evo Morales e não a Davos.

Foi importante para marcar nossa união com a América Latina. Mas em Davos é que estava sendo jogado o jogo, aquele quem é quem e como se define no mundo, e a mensagem do Brasil foi oposta à que se escolheu e se votou na campanha.

Qual eleitor de Dilma se sentiu representado por Joaquim Levy e suas declarações neolibelês em Davos?

Dilma cometeu seu pior erro, o que não é de se estranhar para quem se cerca de CardoZzzzzo e Mercadante: feriu de morte a imagem da "Coração Valente". Acovardou-se diante dos rentistas, do Mercado, deu a eles mais do que os cortes no seguro desemprego e os três aumentos da Selic. Deu a eles aos olhos da população, especialmente aos eleitores de Dilma, que foram os derrotados que venceram a eleição.
Só nos resta torcer para que o estrago sofrido não tenha sido grande para o governo.

Mas para a política com certeza foi.

E, de sobra, para o PT, que com o pacotão da Dilma (embora seja governo o partido não é o governo) cai ainda mais em descrédito.

Vamos esperar que o silêncio de Dilma seja quebrado por um pacotão de bondades, em respeito aos que lhe deram votos confiando em sua história e seus compromissos, estabelecidos desde o governo Lula, ao qual ela sucedeu como CONTINUIDADE.

Que ela se lembre disso. Porque muitos de nós não nos esquecemos.

A caça aos judeus foi, durante séculos, o esporte preferido dos europeus

Sanguessugado do Bourdoukan

Eduardo Galeano (*)

 

Um país bombardeia dois países. A impunidade poderia ser assombrosa, se não fosse costumeira. Alguns tímidos protestos dizem que houve erros. Até quanto os horrores continuarão sendo chamados de erros?

Esta carnificina de civis começou a partir do seqüestro de um soldado. Até quando o seqüestro de um soldado israelense poderá justificar o seqüestro da soberania palestina?

Até quando o seqüestro de dois soldados israelenses poderá justificar o seqüestro de todo o Líbano?

E os 700 soldados libaneses que, desde que Israel foi expulso do Líbano em 2000, foram levados prisioneiros para Israel? Por que Israel nunca aceitou trocar prisioneiros de guerra?

A caça aos judeus foi, durante séculos, o esporte preferido dos europeus. Em Auschwitz desembocou um antigo rio de espantos, que havia atravessado toda a Europa. Até quando palestinos e outros árabes continuarão pagando por crimes que não cometeram?

O Hezbollah não existia quando Israel arrasou o Líbano em suas invasões anteriores. Até quando continuaremos acreditando no conto do agressor agredido, que pratica o terrorismo profissional de Estado porque tem direito de se defender do "terrorismo" civil amador?

Iraque, Afeganistão, Palestina, Líbano...

Até quando se poderá continuar exterminando países impunemente?

As torturas de Abu Ghraib, que despertaram certo mal-estar universal, nada têm de novo para nós, os latino-americanos. Nossos militares aprenderam essas técnicas de interrogatório na Escola das Américas, que agora perdeu o nome, mas não as manhas.

Até quando continuaremos aceitando que a tortura continue legitimando, como fez o Supremo Tribunal de Israel, em nome da legítima defesa da pátria?

Israel deixou de ouvir 46 recomendações da Assembléia Geral e de outros organismos das Nações Unidas.

Até quando o governo israelense continuará exercendo o privilégio de ser surdo?

As Nações Unidas recomendam, mas não decidem. Quando decidem, a Casa Branca impede que decidam, porque tem direito de veto. A Casa Branca vetou, no Conselho de Segurança, 40 resoluções que condenavam Israel.

Até quando as Nações Unidas continuarão atuando como se fossem outro nome dos Estados Unidos?

Desde que os palestinos foram desalojados de suas casas e despojados de suas terras, muito sangue correu.

Até quando continuará correndo sangue para que a força justifique o que o direito nega?

A história se repete, dia após dia, ano após ano, e um israelense morre para cada 10 árabes que morrem.

Até quando a vida de cada israelense continuará valendo 10 vezes mais?

Em proporção à população, os 50 mil civis, em sua maioria mulheres e crianças, mortos no Iraque equivalem a 800 mil norte-americanos.

Até quando continuaremos aceitando, como se fosse costume, a matança de iraquianos, em uma guerra cega que esqueceu seus pretextos?

Até quando continuará sendo normal que os vivos e os mortos sejam de primeira, segunda, terceira ou quarta categoria?

O Irã está desenvolvendo a energia nuclear? Bem, se está, é um direito seu, como de qualquer país que deseje acesso à modernidade científica. Argentina, Brasil, México e mais 60 países, no mínimo, estão tentando isso - sob boicote da meia dúzia de potências que não aceitam perder esse monopólio.

O Irã está também tentando desenvolver energia nuclear para uso militar, como fizeram há mais de meio século os EUA, Inglaterra, França, Rússia, China, Índia, Paquistão e Israel? Ninguém sabe ao certo, pairam no ar somente acusações veiculadas pelos EUA, nenhuma prova, ao menos até agora.

Mas até quando continuaremos acreditando que isso basta para provar que um país é um perigo para a humanidade? Pois a chamada comunidade internacional não se angustia em nada com o fato, reconhecido unanimemente por todos os institutos ocidentais de estratégia militar, de que Israel já produziu e tem estocadas 250 bombas atômicas, embora seja um país que vive à beira de um ataque de nervos.

Quem maneja o perigosímetro universal? Terá sido o Irã o país que lançou as bombas atômicas em Hiroxima e Nagasaki?

Na era da globalização, o direito de pressão pode mais do que o direito de expressão.

Para justificar a ocupação ilegal de terras palestinas, a guerra se chama paz. Os israelenses são patriotas e os palestinos são terroristas, e os terroristas semeiam o alarme universal.

Até quando os meios de comunicação continuarão sendo medos de comunicação?

Esta matança de agora, que não é a primeira nem será - temo - a última, ocorre em silêncio? O mundo está mudo, está surdo?

Até quando seguirão soando em sinos de madeira as vozes da indignação?

Até quanto nos conformaremos com essa linguagem infame da grande mídia que, simulando "objetividade" jornalística, nos informa sobre um combate nesta linguagem: tantos "terroristas" do Hizbollah foram aniquilados pelas forças "de defesa" de Israel.

Teremos todos nós nos transformados em estúpidos, a ponto de não percebermos que a forma da linguagem determina o conteúdo da "notícia”?

Estes bombardeios matam crianças: mais de um terço das vítimas, não menos da metade. Os que se atrevem a denunciar isto são acusados de antissemitismo.

Até quando continuarão sendo antissemitas os críticos dos crimes do terrorismo de Estado?

Até quando aceitaremos esta extorsão?

São antissemitas os judeus horrorizados pelo que se faz em seu nome?

São antissemitas os árabes, tão semitas como os judeus? Por acaso não há vozes árabes que defendem a pátria palestina e repudiam o manicômio fundamentalista?

Todos agem em nome de Deus, seja o Deus cristão, o Allah muçulmano ou o vingativo e momentaneamente triunfante Jeová judeu.

Como radical humanista que sou, nada quero com qualquer desses deuses nacionalistas e odiosos. O que não me impede de discernir que, em cada momento há um "deus" dos oprimidos e outro dos opressores.

Somos a única espécie animal especializada no extermínio mútuo. Destinamos US$ 2,5 bilhões, a cada dia, para os gastos militares, uma atividade econômica extremamente lucrativa aos capitalistas que a ela se dedicam.

A miséria e a guerra são filhas do mesmo pai: como todos os deuses cruéis, come os vivos e os mortos.

Até quanto continuaremos aceitando que este mundo enamorado da morte é nosso único mundo possível?

Até quando prolongaremos nossa postura cínica de "neutralidade", de não "tomar partido" ?

É o oprimido, malgrado seja um idiota fundamentalista religioso, igual ao fundamentalista opressor? São moralmente o mesmo? Que se matem entre si, é isso? Não temos mesmo de tomar partido?

(*) Eduardo Galeano, escritor e jornalista uruguaio, autor de As veias abertas da América Latina e Memórias do Fogo.

Paul Craig Roberts: Já é tempo do Irã dizer “adeus” ao ocidente

Sanguessugado do redecastorphoto

[*] Paul Craig Roberts – Institute for Political Economy

It Is Time For Iran To Tell The West “Goodbye”

 Mberublue

Em lugar de ficar cortejando o ocidente, o Irã precisa mesmo é rejeitá-lo. O tempo histórico do ocidente já passou.

Aiatolá Ali Khamenei

Pelo visto, as negociações do regime de Obama com o Irã e com supervisão da Rússia, estavam próximas do fim de um assunto nuclear claramente forçado. Para o governo israelense, assim como para seus agentes neocons nos Estados Unidos um final para essa confrontação é inaceitável. O partido político republicano, totalmente dominado pelo lobby de Israel, convidou apressadamente Netanyahu, o líder insano dos dois países, Estados Unidos e Israel, para que rapidamente viesse dizer ao Congresso majoritariamente republicano que os indiferentes eleitores norte americanos instalaram no poder legislativo, que é estritamente proibida qualquer acomodação com o Irã.

Ao observar o Congresso Republicano, controlado por Israel, e que não passa de uma coleção de belicistas que se direcionam para impedir uma solução pacífica para um problema artificial, o líder do Irã, aiatolá Ali Khamenei, mandou uma carta para os jovens ocidentais, advertindo sobre a descaracterização do Islã pelos propagandistas ocidentais.

Respeito os esforços de Khamenei no sentido de tentar resgatar a consciência dos jovens ocidentais ensinando-os a diferenciar a realidade do Islã do retrato demonizado com que se apresenta o Islã pelos políticos e pela mídia ocidentais.

A questão é: Qual o impacto que pode ter Khamenei? Ainda que se leve em consideração que a voz de Khamenei é importante, ela se torna mínima em comparação com os mentirosos e propagandistas ocidentais. Mesmo a voz de um líder representativo como é Khamenei, dificilmente poderá ser ouvida para além do barulho ensurdecedor causado pela propaganda ocidental contra seu país e sua religião, ambos demonizados.

Ademais, as organizações secretas ocidentais podem desfechar operações terroristas em nome do Islã, como provavelmente já aconteceu com os eventos de 9/11, o atentado da Maratona de Boston e Charlie Hebdo [e agora com a morte de Alberto Nisman, na Argentina (Nrc)].

Apesar de se dizer ao mundo inteiro que o Islã está por trás destes acontecimentos, osexperts afirmam que jamais foi apresentada qualquer evidência válida. Apenas assertivas oficiais, como as que foram fornecidas incorretamente sobre as armas de destruição em massa no Iraque, o uso por Assad de armas químicas na Síria, as falsas acusações contra Kadafi na Líbia e as acusações falsas lançadas à Rússia na Ucrânia. Os propagandistas ocidentais têm muitas vozes e seus trompetes estridentes encobrem a voz do líder iraniano.

Em lugar de ficar cortejando o ocidente, o Irã precisa mesmo é rejeitá-lo. O tempo histórico do ocidente já passou.

O ocidente se transformou em um estado policial no qual os governos não mais se responsabilizam quer pelo povo, quer pela aplicação correta da lei. Não há emprego para os jovens nem segurança financeira para os idosos. O ocidente se encontra em processo de saque de si mesmo. Olhe para o que está acontecendo neste mesmo instante com a Grécia. Para garantir os lucros dos bancos privados fora da Grécia, o povo grego viu suas pensões diminuídas, os empregos sumirem, o corte de serviços sociais e acabaram por forçosamente vender suas propriedades para investidores privados estrangeiros a preço vil. O mesmo tipo de rapinagem está acontecendo agora na Ucrânia, enquanto a Itália, Espanha e Portugal esperam sua vez.

Mesmo nos Estados Unidos a política econômica está inteiramente voltada para ao benefício do “um por cento” obscenamente ricos.

Caso usemos o livro “O Senhor dos Anéis” de J.R.R. Tolkien como metáfora, o ocidente seria Mordor e os Estados Unidos, Sauron.

Mordor

Não há sentido nas negociações levadas a efeito pelo Irã no anelo de ganhar aceitação pelo ocidente. O Irã faz parte da mesma lista fatídica onde estão Saddam, Kadafi e Assad. Só há um meio de ser o Irã aceito pelo ocidente: basta concordar em abdicar de sua soberania para se tornar apenas mais um estado títere de Washington. A desconfiança em relação ao programa de energia nuclear do Irã é totalmente artificial. Caso não fosse isso, seria qualquer outro “problema” tão artificial quanto, como armas de destruição em massa, uso de armas químicas, terrorismo e assim por diante. Os líderes iranianos precisam entender que o problema real é a independência do Irã em relação à política externa de Washington e de suas políticas econômicas. Como Washington não pode declarar abertamente que deseja a mudança de regime no Irã para que este se torne apenas mais um estado fantoche de Washington, então simplesmente finge que o Irã é uma ameaça a ser eliminada.

Caso o Irã realmente admire tanto assim o decadente e corrupto ocidente a ponto de admitir ser um servo obediente para provocar a aceitação do ocidente, tudo o que tem a fazer é capitular de sua soberania e alinhar-se com as políticas hegemônicas de Washington.

Mas se o Irã, uma das mais antigas culturas e civilizações do planeta, deseja continuar sua existência sem estar debaixo da dominação dos “excepcionais” norte americanos, deve então virar as costas ao ocidente e aliar-se à Rússia, China, Índia e aos outros países BRICS, afastando-se das políticas criminosas do ocidente. Está fora de qualquer explicação porque uma civilização antiga como a iraniana veria qualquer coisa no ocidente à qual considerasse digno associar-se.

BRICS

Acima de tudo, o Irã precisa parar de lutar contra outros muçulmanos, mesmo aqueles extremistas que traem o profeta Maomé e o solo do Islã. O Irã não deve aceitar o papel que Washington lhe reservou, de mercenário na luta contra o Estado Islâmico. Jamais deve o Irã ajudar Washington a assassinar muçulmanos, mesmo aqueles desorientados que traem o profeta. Em vez disso, o Irã deveria entender que o Estado Islâmico, mesmo sendo originalmente uma criação de Washington, está no momento desfrutando de seu sucesso apenas porque o povo muçulmano está cansado de ser dirigido pelo ocidente, que usa o antagonismo entre sunitas e xiitas para governá-los.

Mesmo sendo verdade que o Estado Islâmico é criação de Washington, os muçulmanos que o apoiam não são. O Estado Islâmico é apoiado pelos muçulmanos porque eles estão cansados de ser governados e arruinados ao mesmo tempo pelos Estados Unidos, Grã Bretanha e a França.

O melhor que Khamenei tem a fazer é esquecer os Estados Unidos, onde o mal já tomou conta, e quanto a isso, Khamenei nada pode fazer. Khamenei deve tentar unir os povos muçulmanos na tentativa de uma nova direção.

O Islã só é fraco porque é desunido. Por séculos, os muçulmanos, divididos por questões políticas antigas, tem permitido que suas diferenças religiosas os tornem meros peões de outros poderes. Eles necessitam de uma liderança que flexibilize essas divisões sectárias, e o Irã pode prover essa liderança. Mas a liderança iraniana não pode surgir a partir de uma imposição de seus pontos de vista. É preciso um compromisso entre muçulmanos que tenha o condão de uni-los. Lutar ao lado dos americanos contra o Estado Islâmico perpetua essa divisão e ratifica o fato de que os muçulmanos não passam de colônias do ocidente.

São grandes os problemas a serem enfrentados pelas lideranças muçulmanas para retificar o que está errado. Não apenas são castigados por suas divisões internas como as populações muçulmanas no ocidente estão em posição tão delicada que seus líderes se veem compelidos a apoiar a guerra contra o Estado Islâmico a fim de proteger a população ocidental de muçulmanos de pogroms. Pode a propaganda e a história fazer dos muçulmanos um povo para sempre colonizado?

[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service. Testemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia,  Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

"Não confio na política dos Estados Unidos", diz Fidel Castro

Via Cuba Debate

Fidel Castro: Para mis compañeros de la Federación Estudiantil Universitaria

Fidel Castro Ruz

Fidel en la Universidad de La Habana, 3 de septiembre de 2010. Foto: Ismael Francisco

Fidel en la Universidad de La Habana, 3 de septiembre de 2010. Foto: Ismael Francisco

Queridos compañeros:

Desde el año 2006, por cuestiones de salud incompatibles con el tiempo y el esfuerzo necesario para cumplir un deber —que me impuse a mí mismo cuando ingresé en esta Universidad el 4 de septiembre de 1945, hace 70 años—, renuncié a mis cargos.

No era hijo de obrero, ni carente de recursos materiales y sociales para una existencia relativamente cómoda; puedo decir que escapé milagrosamente de la riqueza. Muchos años después, el norteamericano más rico y sin duda muy capaz, con casi 100 mil millones de dólares, declaró ―según publicó una agencia de noticias el pasado jueves 22 de enero—, que el sistema de producción y distribución privilegiada de las riquezas convertiría de generación en generación a los pobres en ricos.

Desde los tiempos de la antigua Grecia, durante casi 3 mil años, los griegos, sin ir más lejos, fueron brillantes en casi todas las actividades: física, matemática, filosofía, arquitectura, arte, ciencia, política, astronomía y otras ramas del conocimiento humano. Grecia, sin embargo, era un territorio de esclavos que realizaban los más duros trabajos en campos y ciudades, mientras una oligarquía se dedicaba a escribir y filosofar. La primera utopía fue escrita precisamente por ellos.

Observen bien las realidades de este conocido, globalizado y muy mal repartido planeta Tierra, donde se conoce cada recurso vital depositado en virtud de factores históricos: algunos con mucho menos de los que necesitan; otros, con tantos que no hallan qué hacer con ellos. En medio ahora de grandes amenazas y peligros de guerras reina el caos en la distribución de los recursos financieros y en el reparto de la producción social. La población del mundo ha crecido, entre los años 1800 y 2015, de mil millones a siete mil millones de habitantes. ¿Podrán resolverse de esta forma el incremento de la población en los próximos 100 años y las necesidades de alimento, salud, agua y vivienda que tendrá la población mundial cualquiera que fuesen los avances de la ciencia?

Bien, pero dejando a un lado estos enigmáticos problemas, admira pensar que la Universidad de La Habana, en los días en que yo ingresé a esta querida y prestigiosa institución, hace casi tres cuartos de siglo, era la única que había en Cuba.

Por cierto, compañeros estudiantes y profesores, debemos recordar que no se trata de una, sino que contamos hoy con más de cincuenta centros de Educación Superior repartidos en todo el país.

Cuando me invitaron ustedes a participar en el lanzamiento de la jornada por el 70 aniversario de mi ingreso a la Universidad, lo que supe sorpresivamente, y en días muy atareados por diversos temas en los que tal vez pueda ser todavía relativamente útil, decidí descansar dedicándole algunas horas al recuerdo de aquellos años.

Me abruma descubrir que han pasado 70 años. En realidad, compañeros y compañeras, si matriculara de nuevo a esa edad como algunos me preguntan, le respondería sin vacilar que sería en una carrera científica. Al graduarme, diría como Guayasamín: déjenme una lucecita encendida.

En aquellos años, influido ya por Marx, logré comprender más y mejor el extraño y complejo mundo en que a todos nos ha correspondido vivir. Pude prescindir de las ilusiones burguesas, cuyos tentáculos lograron enredar a muchos estudiantes cuando menos experiencia y más ardor poseían. El tema sería largo e interminable.

Otro genio de la acción revolucionaria, fundador del Partido Comunista, fue Lenin. Por eso no vacilé un segundo cuando en el juicio del Moncada, donde me permitieron asistir, aunque una sola vez, declaré ante jueces y decenas de altos oficiales batistianos que éramos lectores de Lenin.

De Mao Zedong no hablamos porque todavía no había concluido la Revolución Socialista en China, inspirada en idénticos propósitos.

Advierto, sin embargo, que las ideas revolucionarias han de estar siempre en guardia a medida que la humanidad multiplique sus conocimientos.

La naturaleza nos enseña que pueden haber transcurrido decenas de miles de millones de años luz y la vida en cualquiera de sus manifestaciones está siempre sujeta a las más increíbles combinaciones de materia y radiaciones.

El saludo personal de los Presidentes de Cuba y Estados Unidos se produjo en el funeral de Nelson Mandela, insigne y ejemplar combatiente contra el Apartheid, quien tenía amistad con Obama.

Baste señalar que ya en esa fecha, habían transcurrido varios años desde que las tropas cubanas derrotaran de forma aplastante al ejército racista de Sudáfrica, dirigido por una burguesía rica y con enormes recursos económicos. Es la historia de una contienda que está por escribirse. Sudáfrica, el gobierno con más recursos financieros de ese continente, poseía armas nucleares suministradas por el Estado racista de Israel, en virtud de un acuerdo entre este y el presidente Ronald Reagan, quien lo autorizó a entregar los dispositivos para el uso de tales armas con las cuales golpear a las fuerzas cubanas y angolanas que defendían a la República Popular de Angola contra la ocupación de ese país por los racistas. De ese modo se excluía toda negociación de paz mientras Angola era atacada por las fuerzas del Apartheid con el ejército más entrenado y equipado del continente africano.

En tal situación no había posibilidad alguna de una solución pacífica. Los incesantes esfuerzos por liquidar a la República Popular de Angola para desangrarla sistemáticamente con el poder de aquel bien entrenado y equipado ejército, fue lo que determinó la decisión cubana de asestar un golpe contundente contra los racistas en Cuito Cuanavale, antigua base de la OTAN, que Sudáfrica trataba de ocupar a toda costa.

Aquel prepotente país fue obligado a negociar un acuerdo de paz que puso fin a la ocupación militar de Angola y el fin del Apartheid en África.

El continente africano quedó libre de armas nucleares. Cuba tuvo que enfrentar, por segunda vez, el riesgo de un ataque nuclear.

Las tropas internacionalistas cubanas se retiraron con honor de África. Sobrevino entonces el Periodo Especial en tiempo de paz, que ha durado ya más de 20 años sin levantar bandera blanca, algo que no hicimos ni haremos jamás.

Muchos amigos de Cuba conocen la ejemplar conducta de nuestro pueblo, y a ellos les explico mi posición esencial en breves palabras.

No confío en la política de Estados Unidos ni he intercambiado una palabra con ellos, sin que esto signifique, ni mucho menos, un rechazo a una solución pacífica de los conflictos o peligros de guerra. Defender la paz es un deber de todos. Cualquier solución pacífica y negociada a los problemas entre Estados Unidos y los pueblos o cualquier pueblo de América Latina, que no implique la fuerza o el empleo de la fuerza, deberá ser tratada de acuerdo a los principios y normas internacionales. Defenderemos siempre la cooperación y la amistad con todos los pueblos del mundo y entre ellos los de nuestros adversarios políticos. Es lo que estamos reclamando para todos.

El Presidente de Cuba ha dado los pasos pertinentes de acuerdo a sus prerrogativas y las facultades que le conceden la Asamblea Nacional y el Partido Comunista de Cuba.

Los graves peligros que amenazan hoy a la humanidad tendrían que ceder paso a normas que fuesen compatibles con la dignidad humana. De tales derechos no está excluido ningún país.

Con este espíritu he luchado y continuaré luchando hasta el último aliento.

Fidel Castro Ruz
Enero 26 de 2015
12 y 35 p.m