terça-feira, 15 de abril de 2014

Petistas defendem que oposição a Sarney no MA tem “caráter humanitário”

Snaguessugado do Sakamoto

Leonardo Sakamoto

A ala do Partido dos Trabalhadores que faz oposição ao grupo político do senador e ex-presidente da República José Sarney reuniu-se, neste domingo (13), na capital São Luís, e divulgou um documento de apoio à candidatura de Flávio Dino (PC do B) ao governo do Estado, fazendo duras críticas ao grupo político do senador e ex-presidente José Sarney – aliado de Dilma e Lula.

Na ''Carta dos Petistas pela Mudança do Maranhão'', eles afirmam “que no momento em que o controle político do grupo Sarney impede que o povo maranhense usufrua dos benefícios da República'', “declaramos apoio à candidatura de Flávio Dino (PC do B) ao governo do Estado do Maranhão''. Segundo eles, em razão dos indicadores sociais do Maranhão, decorrência de uma “política predatória dos grupos que governam'' o estado, a campanha de 2014 “ganhou caráter humanitário''.

Não é uma decisão de diretório, mas o movimento mostra que não vai ser fácil garantir apoio ao grupo de Sarney na disputa, ainda mais que Dino aparece em primeiro lugar nas pesquisas.

Dilma Rousseff e José Sarney são aliados, da mesma forma que seu antecessor, Lula também era. Sarney contribuiu com vitórias de ambos, não apenas no âmbito eleitoral, mas também em votações no Congresso Nacional. E o diretório nacional do PT apoiou a eleição de Roseana Sarney (PMDB) ao governo, desautorizando decisão do Diretório Estadual do partido, que queria dar suporte a Flávio Dino em 2010.

A parceria com os Sarney foi uma das justificativas da saída do deputado federal Domingos Dutra para o Solidariedade e do deputado estadual Bira do Pindaré para o PSB.

A primeira assinatura do documento é de Manoel da Conceição, um dos mas importantes líderes sociais do país. Na ditadura, ele se dedicou à organização e educação de trabalhadores rurais no Maranhão. Foi baleado e preso em julho de 1968, durante o mandato do governador José Sarney, quando teve parte da perna direita amputada por falta de atendimento médico. Foi preso e torturado em 1972 e 1975 e ficou exilado fora do Brasil de 1976 a 1979. Manoel da Conceição fez, ao lado de Domingos Dutra, uma greve de fome para protestar contra o apoio a Roseana Sarney na última eleição.

Também estiveram presentes membros de diretórios municipais, vereadores, secretários de governo e intelectuais maranhenses.

O Maranhão apresenta a menor expectativa de vida na média de homens e mulheres - 68,6 anos – de acordo com dados divulgados pelo IBGE. São cinco anos abaixo da média nacional (73,76). E possui a segunda pior taxa de mortalidade infantil do país, apenas atrás de Alagoas, com 29 crianças com menos de um ano mortas para cada mil nascidas vivas. A média nacional é de 16,7 para 1000. As três piores cidades em renda per capita pertencem ao Maranhão, de acordo com o recentemente divulgado Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) – Marajá do Sena (R$ 96,25), Fernando Falcão (R$ 106,99) e Belágua (R$ 107,14). Na média dos municípios, o Estado possui o segundo pior IDHM do país, perdendo apenas para Alagoas.

Veja a íntegra da carta:

“No momento em que a vida humana é ameaçada por uma política predatória dos grupos que governam o Maranhão; no momento em que o controle político do grupo Sarney impede que o povo maranhense usufrua dos benefícios da República e dos efeitos dos governos Lula e Dilma; no momento em que os indicadores sociais do Estado revelam o caráter concentrador e excludente do modelo de desenvolvimento regional, nós, petistas, coerentes com o programa do PT, nos reunimos em encontro estadual e declaramos apoio à candidatura de Flávio Dino ao governo do Estado do Maranhão e à reeleição de Dilma Rousseff à Presidência da República.

Tomamos essa decisão convencidos de que somente um governo estadual comprometido com as mudanças estruturais do Brasil pode ajudar a presidenta Dilma a fazer as reformas que o país precisa e o povo pede. Apenas um governo que tenha como horizonte as mudanças da política pode impulsionar um programa de desenvolvimento que altere os indicadores sociais do Estado. Para que isto aconteça, nós defendemos a construção de uma ampla aliança com todos os grupos políticos e movimentos sociais que desejam encerrar nesse momento da história do Maranhão e criar novas condições para o exercício da cidadania, dos direitos, em nosso Estado.

Em razão dos indicadores sociais do Maranhão, a campanha de 2014 ganhou caráter humanitário. A candidatura de Flávio Dino é uma candidatura em defesa da vida e da cidadania. Por esta razão, nós defendemos um programa de governo baseado em três pilares: (a) combate a corrupção e à privatização do Estado, que transfere recursos públicos para grupos privados; (b) adoção de modelo desenvolvimento que eleve de forma sustentável os indicadores sociais, através de políticas públicas democráticas e transparentes; (c) estabelecimento de relações justas e democráticas entre Federação, Estado e Municípios e entre poderes executivo, legislativo e judiciário.”

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