sexta-feira, 25 de abril de 2014

Canonização e excomunhão

via feicibuqui do Milton Temer

Canonizar num mesmo momento dois Papas com vidas e pontificados totalmente distintos, para não dizer antagônicos, é o exemplo mais recente da capacidade da Igreja Católica de ajustar seus extremos para garantir sua sobrevivência.

João XXIII foi o Papa da tolerância,da Reforma por dentro de uma Igreja ainda empestada pelas sequelas morais e éticas da cumplicidade de Pio XII com o fascismo italiano e o nazismo alemão durante boa parte do século XX, em especial durante a II Guerra Mundial. Suas Encíclicas deram fundamento teórico Teoria da Libertação, e cobertura mora; a movimentos políticos libertários e anticolonialistas por todo o mundo.

João Paulo II vem no veio contrário. Aliado mais próximo de Ronald Reagan na tarefa de desmontar tudo o que havia sido anteriormente feito por João XXIII. Foi o apóstolo do anticomunismo e principal agente da mais cruel e predatória fase do capitalismo em sua financeirização radical no privilégio dos grande bancos privados. Abrigou como principal assessor, o Papa (tipo Prada) que o sucedeu, Bento XVI (ou qualquer outro número, tanto faz), membro ativo da juventude hitlerista e inquisidor dos tempos modernos, para além de protetor dos padres acusados de pedofilia.

O que tem um a ver com o outro? Nada, embora ambos tenham sido autoridades maiores, imunes a falhas, segundo as regras irracionais da Igreja fundada exclusivamente na fé e na alienação do senso comum prevalecente em boa parte dessa parte mundial, imbecilizada, que a direita considera feudo próprio, sob o codinome de "maioria silenciosa".

A tragédia nisso é justamente a proliferação da ideía de que a perspectiva do êxito está na adesão à mediocridade, e à tendência a nunca se colocar contra a corrente, para não se submeter a Inquisições.

Aos que resistem, Luta que Segue!!!

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