quinta-feira, 24 de abril de 2014

Brasil para principiantes

Via Diário Liberdade

Laerte Braga

Peter Kellerman foi um húngaro que chegou ao Brasil e logo percebeu o tal jeitinho do brasileiro, aquele negócio de levar vantagem.

 
Criou uma corrente através de carnê, nos mesmos moldes do que faz o empresário Sílvio Santos e ao final de tantos pagamentos o otário tinha direito a uma compra num supermercado num valor superior, corrigido, ao que pagou.

Os juros que o otário recebia eram maiores que a inflação. É evidente, a corrente arrebentou e Kellerman foi para o Paraguai, onde até o resto da vida desfrutou dos ganhos do seu carnê.

Seu sucesso começou com um livro que encantou parte da esquerda. "BRASIL PARA PRINCIPIANTES". Em suas páginas a característica do brasileiro, que Nelson Rodrigues definiu como "vocação para feriados".

As sucessões presidenciais como que passam por páginas do livro de Kellerman e cingem-se a posição de dois estados, mesmo que em nenhum deles haja um candidato nativo. São Paulo e Minas Gerais.

Os dois antecessores de Dilma Rousseff, por exemplo, são paulistas sem lá terem nascido, FHC é fluminense e Lula é pernambucano. Dilma é mineira, mas mora no Rio Grande do Sul.

Essa influência tanto decorre do peso do eleitorado, como de questões históricas, já que os dois estados são, respectivamente, o primeiro e o segundo PIBs dentre todos os que formam uma federação que não existe na prática, é de fancaria.

Nas duas vezes que disputou a eleição presidencial José Serra, paulista nativo, foi claramente traído por Aécio Neves, seu companheiro de partido. Nessa que se aproxima, José Serra tem colocado todas as armadilhas possíveis para o ex-governador de Minas, Aécio, que nasceu no Rio, mora no Rio, mas governa Minas.

Serra e sua trupe preparam-se para desembarcar na candidatura de Eduardo Campos e ainda vão tentar inverter a chapa. Transformar Marina da Silva em candidata a presidente e Campos em vice-presidente.

Aécio já se mudou politicamente para São Paulo, vai lançar sua candidatura na capital paulista e Eduardo Campos fez a mudança total, levou até os cachorros (falo dos animais mesmo e não de assessores).

Há uma diferença entre os dois maiores estados da tal Federação. Minas é integrada ao Brasil e São Paulo, sob o controle da FIESP (Federação das Indústrias de São Paulo), acabou por tornar-se um país vizinho que faz fronteira como o nosso e fala a mesma língua. O sonho da classe média paulista e de suas elites é ter a capital chamada de New York latino-americana. Falta molejo, a bem dizer falta tudo, até porque New York não é nos Estados Unidos, mas num ponto qualquer do espaço do planeta e São Paulo, capital, é São Paulo "país", faz fronteira em todos os pontos com o Brasil..

Há uma história que real ou não ilustra bem isso. À época da ditadura, quando Tancredo Neves queria assustar Ulisses Guimarães, o primeiro paulista, o segundo mineiro, Tancredo dizia que leu determinada notícia num dos jornais do Rio sabendo que Ulisses só lia jornais paulistas.

Tancredo é avô de Aécio e Aécio só é alguma coisa por ser neto do Tancredo. Fora isso é como afirmou sua irmã, Andreia, a que segura e mexe as cordinhas, "se deixar por conta do Aecinho vai tudo para o brejo".

Aécio e Eduardo Campos, ou Marina da Silva, são retrocessos sem tamanho para o País e como Sansão derrubou as colunas do tempo pagão, derrubam as colunas fundamentais da integração latino-americana. No caso do ex-governador de Minas, alcoolatra e usuário de drogas, já fez declarações contra o MERCOSUL (aliança de países da América do Sul) e deixou implícito que entre as tais "medidas impopulares" que vai tomar, está o retorno da ALCA (Aliança de Livre Comércio das Américas), uma espécie de escritura que transfere a independência da América Latina para os EUA e nos transforma, novamente, em América Latrina.

Um acordo assinado entre Bil Clinton e FHC, que Lula sepultou. Falta enterrar o acordo de livre comércio com Israel, uma porta escancarada para centenas de agentes da MOSSAD no sul do País, onde é numerosa a comunidade árabe e entre grande a presença de palestinos.

Eduardo Campos é um franco atirador, neto também, esse de Miguel Arraes e Marina da Silva, um estrupício que segundo Plínio de Arruda Sampaio, em 2010, "esqueceu a palavra renunciar". Era ministra do Meio-ambiente no governo Lula. E além do mais traz consigo o atraso evangélico e o Banco Itaú, patrocinador de sua candidatura.

Dilma não é lá essas coisas, pelo contrário. Há um movimento pela candidatura de Lula que pode ou não emplacar. A mídia é toda pró Aécio e vai armar o que sistematicamente tem armado nas últimas eleições, ou em todas as eleições. Criar um espetáculo e tentar favorecer o retrocesso.

Se o brasileiro vai comprar esse carnê de Peter Kellerman, transformado em PSDB, PSB, PPS, REDE GLOBO, FOLHA DE SÃO PAULO, VEJA, etc, é outra história. A classe média é possível que compre. Come arroz com feijão e arrota salmão criado em cativeiro sem nenhuma propriedade que beneficie a saúde.

O Brasil corre o risco de cair de joelhos novamente, como foram os oito anos de FHC, sem contar a chance de golpes brancos, não se pode esquecer o trêfego Joaquim Barbosa e seu ego corrupto (fraudou endereço para não pagar impostos no apartamento que ganhou em Miami).

Com a copa do mundo e a campanha eleitoral a seguir vamos ter um ano de shows e espetáculos. Tomara que os trabalhadores percebam que se trata de ilusionismo.

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