sexta-feira, 25 de abril de 2014

Barracão de zinco ou uma hora o morro desce

GilsonSampaio

Barracão de zinco
Sem telhado, sem pintura
Lá no morro
Barracão é bangalô

Lá não existe
Felicidade de arranha-céu
Pois quem mora lá no morro
Já vive pertinho do céu

Ave Maria do Morro-Herivelto Martins

Não é preciso de borra de café, nem diploma de cientista social pra prever para breve uma explosão popular. E, não adianta espernear, acusando qualquer partido político porque será por geração espontânea.

Em São Paulo, após a proibição da PM prestar socorro às vítimas de tiroteio o número de mortes diminuiu sensivelmente. No Rio, a pacificação das favelas é manchete constante pela morte de inocentes por policiais.

Não dá mais pra fazer cara de paisagem para o acirramento da luta de classes, como também não dá pra ignorar que a internet,  bem ou mal, deu voz e consciência, ainda que não bem definida e nem sedimentada, a um contingente enorme da população, consequência óbvia de um  assistencialismo financeiro sem a consequente inclusão plena na cidadania. Essas gentes invisíveis ou não-pessoas(Chomsky) sabem que não há canal institucional confiável para serem ouvidas e, sabem também, que somente as ruas se fazem ouvir.

Índios, pretos, pobres, quilombolas, direitos trabalhistas e direitos humanos já não são apenas ameaçados, a cada dia sofrem um massacre com a complacência e cumplicidade dos poderes em todas as instâncias.

O empoderamento das cidades-sedes da Copa do Mundo pela corrupta FIFA é uma das páginas mais vergonhosas na nossa história.

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