terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Feliz 2014 para os pacientes dos médicos cubanos

GilsonSampaio

medico-cubano1 

Bases militares na América Latina e Caribe: Yankees Go Home

Via O Diario.info

FARC-EP

Há 36 bases militares norte-americanas disseminadas por todo o continente. Só na Colômbia há doze, escrevem as FARC em novo comunicado

 

Para além da dominação económica, o imperialismo estado-unidense tem mantido um domínio militar sobre todo o continente, domínio para o qual promoveu invasões directas, golpes de Estado, eleições presidenciais fraudulentas…

Governos surgidos dessa forma são incondicionais das suas políticas, aceitam submissos a instalação de bases militares nos nossos países, sem se importarem de que representem violações da soberania nacional e que sirvam para agredir os vizinhos ou povos de outros continentes.
Os primeiros a sofrer a humilhação foram Porto Rico e Cuba, esta última com a base de Guantánamo, que hoje em dia serve de cárcere para os prisioneiros acusados de terrorismo e que foram sequestrados em diversos países. Aqueles que têm a desgraça de chegar ali recebem tratamento de inimigo e não têm direito algum, nem sequer o de legítima defensa. A tortura é abertamente exercida, sem que muitos governos e organismos internacionais se atrevam a condená-la publicamente. É uma afronta à comunidade internacional e uma mancha indelével que a “injustiça Norte-americana” jamais poderá apagar.

Face ao avanço dos processos democráticos e da unidade latino-americana e caribenha ao mesmo tempo que se consolidam processos como: MERCOSUR, UNASUR, CARICOM, ALBA Y LA CELAC, o império prossegue sem pausa a ocupação militar.
Assim, na actualidade encontram-se 36 bases militares disseminadas por todo o continente, ocupando posições estratégicas na região. O pretexto: a luta contra o narcotráfico e o terrorismo.

O caso colombiano é muito elucidativo. O presidente Álvaro Uribe Vélez (2008-2010), entregou todo o território nacional aos falcões da guerra. É reconhecida a existência de 7 bases militares, mas na realidade há doze e os Estados Unidos dispõem de autorização para usar, caso “necessário”, todos os portos e aeroportos do país para fins bélicos.

A Colômbia ficou militarmente coberta, mas as operações militares não têm apenas a Colômbia como alvo. A base de Palanquero foi modernizada para receber aviões de guerra de última geração, com capacidade para operar em toda a parte sul do continente, controlar o oceano Atlântico e intervir em países africanos.

Ao anteriormente referido há que acrescentar a deslocação da Quarta Frota, e então deparamo-nos com o facto de que os EUA actuam de forma ameaçadora, com uma supremacia absoluta e com uma velocidade assombrosa, para dissuadir ou intervir em qualquer nação do continente.
Podem desembarcar em minutos milhares de soldados em qualquer das bases na Colômbia. As suas forças avançadas estão em posição. Dispõem de inteligência estratégica táctica e sobre objectivos militares a ser aniquilados ou neutralizados.

A Colômbia tem a força militar mais numerosa da América do Sul, 500 mil soldados homens e mulheres treinados para a guerra, com armamento moderno, aviões de combate, drones equipados com mecanismos de espionagem da más alta tecnologia, satélites com sensores que detectam luz, calor, fumo e presença de seres humanos; dispõem de equipamentos de fotografia que podem captar uma pessoa a muitos de quilómetros de distância. Com a particularidade de que esta tecnologia é manejada directamente por pessoal estado-unidense e em muitas dessas bases há lugares em que o acesso do pessoal de nacionalidade colombiana está restringido.

Na Colômbia a vida civil foi militarizada. Os gerentes, administradores, funcionários públicos, profissionais independentes, receberam formação militar e patentes militares, que os acreditam como capitães, majores ou coronéis da reserva que num momento dado podem entrar a dar ordens a militares de menor graduação.

Em muitas áreas do país os assessores e pessoal militar estado-unidense circula livremente. É indigno e antipatriótico ver como militares colombianos se acostumaram a realizar operações sob as suas ordens. São vários os casos reportados de pilotos norte-americanos que morreram em acidentes ou ao serem derrubados os seus aviões pela guerrilha.

Nenhuma destas notícias chega à imprensa devido ao cerco informativo que é exercido sobre este tema.

O mesmo se está a passar por todo o continente. As oligarquias no poder alinhadas com esta política nem se incomodam, nem criticam, nem denunciam a instalação de bases em Salvador, Honduras, Costa Rica, Panamá, Peru, Paraguai, Chile, Haiti, Porto Rico, Bolívia, Brasil e outras.
Tem sido um trabalho lento, mas seguro; nenhum país está em condições de responder militarmente ao império, mas pode obrigá-lo a sair do seu território como fez Rafael Correa com a Base de Manta, no Equador. Isto demonstra que desde que haja governos democráticos e povos erguidos, para o império nem tudo são favas contadas.

O despertar da nossa América é inegável, contamos hoje com governos patrióticos que levantam as bandeiras da dignidade e do anti-imperialismo, a mobilização e o protesto social crescem cada vez mais e entre as suas palavras de ordem aparece a luta contra o Imperio, o capitalismo, o neoliberalismo; pela autodeterminação dos povos, a defesa da soberania nacional e o repúdio face à presença militar ianque no continente; palavras de ordem que todos os revolucionários, democratas e patriotas estamos obrigados a agitar para que se enraízem na consciência popular e dessa forma se possam deter os planos de dominação continental.
Tarefa urgente e necessária é organizar uma campanha simultânea em todos os países da América Latina e do Caribe contra as bases norte-americanas.

¡Fora do nosso continente com as bases militares estado-unidenses!

¡Viva a Pátria Grande e o Socialismo.

Contra o Imperialismo; pela Pátria.

Contra a oligarquia, pelo povo.

Comissão Internacional das FARC EP.

Havana, Novembro de 2013.

No quinto aniversário da operação "chumbo fundido"

Via Resistir.info

MPPM [*]

 

Criança assassinada pela aviação israelense.

 

Cidade de Gaza, 27 de Dezembro de 2008. É um sábado e pouco falta para o meio-dia. As crianças regressam da escola e as ruas estão repletas de pessoas. Poucos minutos mais tarde, mais de 200 estarão mortas e cerca de sete centenas estarão feridas. Israel acaba de desencadear o seu covarde ataque que baptiza de "Operação Chumbo Fundido". Dezenas de caças F-16, helicópteros Apache e veículos aéreos não tripulados bombardeiam, em simultâneo, mais de uma centena de locais em toda a Faixa de Gaza. Nos dias seguintes, continuam os bombardeamentos, culminando numa invasão terrestre em 3 de Janeiro de 2009. Quando termina a operação, em 18 de Janeiro, debaixo de forte pressão internacional e dois dias antes da tomada de posse de Barack Obama, deixa mais de 1400 mortos palestinos – entre os quais 138 crianças – e um enorme rasto de destruição que paralisa a vida de Gaza.

A operação foi cuidadosamente planeada ao longo de meses e as vítimas civis não são "danos colaterais". São uma consequência da política de terror (doutrina Dahiya) que Israel tinha testado no Líbano em 2006 e que visa provocar o grau máximo de destruição e de sofrimento nas populações para as levar a revoltar-se contra os seus governantes. A população de Gaza estava ser punida por, em eleições internacionalmente reconhecidas como livres e democráticas, ter dado ao seu voto aos candidatos errados, na óptica de Israel e seus aliados.

Inquéritos conduzidos por investigadores internacionais isentos reunirem evidência de que Israel tinha cometido inúmeros crimes de guerra durante a "Operação Chumbo Fundido". Estão documentados, nomeadamente, os massacres das famílias Samouni e Al-Daya, o assassinato de portadores de bandeiras brancas, a utilização de bombas incendiárias de fósforo branco em áreas populacionais, a interdição de prestação de socorro a vítimas.

A "Operação Chumbo Fundido" chocou o mundo civilizado pela sua dimensão e brutalidade. Mas não podemos esquecer que, no prosseguimento da sua política de limpeza étnica da população palestina, que vem pondo em prática desde a sua fundação em 1948, o Estado de Israel, todos os dias, em maior ou menor escala, leva a cabo agressões contra palestinos, cerceando-lhes direitos humanos fundamentais, inviabilizando a constituição do Estado Palestino com total desrespeito pelo direito internacional e humanitário.

Ainda na semana passada, as forças armadas israelenses mataram um habitante de Gaza que procurava sucata dentro da "zona tampão de segurança" (esta "zona" estende-se entre 500 e 1500 metros dentro da Faixa de Gaza, ocupando cerca de 17% do território e 35% da terra arável, afectando a vida de mais de 100.000 habitantes de Gaza). Já esta semana, em Gaza, na terça-feira, uma criança de três anos foi morta e a sua mãe e irmão foram feridos num ataque retaliatório conduzido pela força aérea de Israel, e, na quinta-feira, novos ataques punitivos com mísseis feriram mais dois palestinos. Enquanto isto, Israel anuncia planos para construção de mais 1.400 casas de colonos, em Ramat Shlomo (Jerusalém Leste) e na Margem Ocidental, em claro desafio aos apelos dos Estados Unidos e da União Europeia para viabilizar o frágil processo de paz que John Kerry tenta pôr de pé.

Neste quinto aniversário da bárbara agressão contra a população indefesa de Gaza, evoquemos a memória das vítimas mas, conscientes de que só a solidariedade internacional pode reverter este estado de coisas, unamo-nos para exigir que, ao povo palestino, seja reconhecido o seu direito a viver em paz e liberdade no seu Estado soberano e independente, nos territórios que Israel ocupa desde 1967, com Jerusalém Leste como capital, e com uma solução justa para os direitos dos refugiados.

Lisboa, 27 de Dezembro de 2013

A Direcção Nacional do MPPM

[*] Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Oriente Médio

USAID e ONG´s – A ingerência silenciosa na América Latina

Via Rebelion

Juan Manuel Karg(*)

Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

A recente expulsão da Bolívia da Ong dinamarquesa IBIS abriu novas perguntas sobre o papel das organizações não governamentais nos países da América Latina e Caribe, em especial em relação aos governos pós-neoliberais. Por sua vez., o anúncio da saída da Agência para o Desenvolvimento Internacional dos EUA – USAID – do Equador, após o cancelamento dos projetos que a mesma estava realizando nesse país, mostrou os limites da “cooperação” que o imperialismo pretende oferecer a nossos países.

Quais são as funções que uma ONG pode oferecer a nossos países? Até onde é permitido que as mesmas possam intervir em assuntos internos, sem desprezar a soberania da população e do governo em questão? São perguntas que tem sido feitas nestes dias na Bolívia, na raiz da decisão do governo de Evo Morales de expulsar a IBIS do país. Segundo declarou Juan Ramón Quintana, Ministro da Presidência, a ONG dinamarquesa “abusou da hospitalidade de nosso Estado, e estamos cansado de que ela interprete de maneira errada seu papel no país, o qual se limita ao desenvolvimento das comunidades”.

Quintana afirmou que essa não era uma decisão “por capricho”, ao dizer que o governo boliviano conta com provas fidedignas das tentativas da IBIS em incidir na conjuntura política do país. “A IBIS não estava promovendo o desenvolvimento, mas sim operava politicamente dizendo que o governo Evo Morares está perdido, desorientando as organizações sociais”, foram suas palavras sobre essa ONG questionada, que já tinha sido expulsa de forma similar – ou seja, pelos mesmos motivos -, do Equador. As palavras de Quintana deixaram algo bem claro: na decisão do governo boliviano primou uma tentativa – quase instintiva – de salvaguardar a soberania de um país (e um governo) que tem sido, nestes anos, um dos mais assediados de nosso continente.

Ao mesmo tempo em que isso acontecia, em Quito se produziam novidades relacionadas à presença da USAID no Equador. É que, neste momento estão chegando ao fim diversos programas de “ajuda técnico-econômica” entre ambos, que tinham sido assinados no ano de 2007, durante a primeira presidência de Rafael Corrêa. De acordo com a informação fornecida pela agência de notícias Reuters, a USAID enviou uma carta a Quito para comunicar o cancelamento da sua ajuda pela impossibilidade de chagar a um acordo bilateral sobre sua distribuição. Segundo a Reuters, da USAID também teria se referido à decisão das autoridades equatorianas de não aceitar novos projetos nem ampliar os já existentes como razão para cancelar sua ajuda.

O chanceler Ricardo Patiño foi claro à respeito, ao questionar os programas assinados, chamando-os de “pouco transparentes”. Inclusive, foi mais longe, afirmando que se “a USAID decidiu ir embora, não vamos suplicar a eles que voltem”. Assim, e sem mencionar diretamente o caso, colocou em consideração o acontecido na Bolívia, ao afirmar que “conhecemos algumas más experiências que a USAID teve com alguns países irmãos, onde houve uma clara intervenção e participação de funcionários da entidade em tentativas de desestabilização”. Foi no dia 1º de maio deste ano, quando em um ato público relacionado ao Dia Internacional dos Trabalhadores, Morales anunciou a expulsão da USAID da Bolívia por “conspirar” contra seu governo. A justificar sua decisão diante dos meios, o mandatário boliviano tinha afirmou que “trata-se de uma questão de soberania, de segurança para o Estado”.

Como primeira conclusão, uma certeza: não é casual que ambos os governos adotem medidas similares diante dessas tentativas de ingerência externa. Trata-se dos processos de mudança sociais mais radicais que tem lugar no nosso continente. São, por isso mesmo, experiências por demais assediadas por um imperialismo que tenta avançar sobre aquilo que não pode controlar. As respostas, portanto, mostram uma maturidade crescente desses processos.

Ficam algumas perguntas: Até que ponto se pode chegar a acordos com esses atores, tendo em vista e considerando os casos que mencionamos neste artigo, sem afetar a soberania nacional? Qual poderia ser o interesse dos governos da América Latina e do Caribe em estabelecer “cooperação “ com agências que, como vemos, apresentam uma difusa reputação democrática em nossa região? Podem as ONGs e a USAID atuar “despojados” de uma finalidade política que parece ser o fundamento de sua própria existência?

Os governos pós-neoliberais de nosso continente deverão analisar seriamente esses tópicos. Trata-se, nem mais nem menos, de proteger a soberania desses países, tentando evitar erros geopolíticos que podem dar sustentação a uma possível – e perigosa – restauração conservadora na região, para a qual já estão trabalhando firmemente os governos da Aliança do Pacífico.

(*) Juan Manuel Karg. Licenciado em Ciencia Política pela  UBA.Pesquisador do Centro Cultural de la Cooperación 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Aos vencedores, as batatas

Sanguessugado do Cinema & Outras Artes

Maurício Caleiro

Final de ano, época de listas e premiações. O Cinema & Outras Artes, como todo blog sem personalidade, não poderia fugir da regra. Assim, traz abaixo a lista de premiações aos que mais se destacaram neste ano que - antes tarde do que nunca - chega ao fim. Em bom português: enjoy it!

Troféu Pinóquio: a Fernando Haddad, prefeito paulistano, por afirmar que o novo IPTU só aumentaria em bairros ricos (Sé, Brasilândia, Tremembé e Grajaú que o digam, né?)




Troféu Houdini: aos Perrella, políticos tucanos amigos de Aécio Neves e fazedores de linguiça, em cujo helicóptero "apareceram" 450kg de pó. Mágica pura.

 

Troféu Pequeno Ditador: a Sérgio Cabral Filho, responsável pela atuação assassina da PM nas UPPs, nas ruas e nas manifestações populares, reprimidas de forma brutal e inaceitável em uma democracia, enquanto ele se desloca de helicóptero pelos céus do Rio de Janeiro.

Troféu João Sem Braço: aos governistas, pelo eterno chorume contra a mídia que o próprio governo Dilma, via Secom, sustenta fartamente, trabalhando contra a democratização do oligopolizado setor comunicacional.

 

Troféu SEU LINDO!: a José Mujica, presidente do Uruguai, por estar provando que, mesmo em um pequeno país e na era da economia globalizada, é possível fazer um governo de esquerda avançada, com atenção tanto à seguridade socioeconômica quanto a questões de gênero e política de drogas. E com a serena humldade no lugar do autoritarismo tacanho que entre nós viceja.

 

Troféu Hipocrisia: aos petistas que jamais deram a minima para as condições dos presídios no país – e já tratam de privatizar novas unidades -, mas "descobriram" o tema quando os condenados pela AP470 foram presos na Papuda.


Troféu Masoquista: a Geraldo Alckmin (PSDB/SP)por garantir que vai investigar o trensalão tucano, "doa a quem doer". Aiii!

 

 

Troféu Rio de Lágrimas: aos governistas em geral, pelo #mimimi sem fim contra a Justiça e os ministros do STF – sobretudo Joaquim Barbos -, em sua maioria nomeados por Lula e Dilma.

 

Troféu Nero: a Eduardo Paes. Precisa mesmo explicar por quê?

 

 

Troféu PIG do B: à blogosfera "progressista", que surgiu como alternativa à mídia corporativa e virou linha auxiliar do PT, distorcendo, falseando, escondendo fatos e manipulando tanto quanto a velha mídia, só que, chapa-branca, a favor das forças ora no poder.


Troféu Carlos Lacerda: a José Serra, ex-líder estudantil que se bandeou à pior direita, tornando-se useiro e vezeiro em armar, manipular, intrigar e, sobretudo, utilizar sua forte influência na imprensa para destruir adversários, inclusive no próprio partido. Mas, ao final e felizmente, nunca vai ser presidente.

 

Troféu Estelionato Eleitoral: a Dilma Rousseff, por trair seu principal compromisso eleitoral e cometer o, em suas próprias palavras, "crime" de privatizar o Pré-Sal.


Troféu Esperança Restante: aos manifestantes,vândalos, protestantes, black blocs e participantes de rolezinhos, que ousam enfrentar a hipocrisia e a repressão reinantes e denunciar a falácia do paraíso social petista.

Mulheres curadoras

via feicibuqui da Thelma Nascimento

Mani Alvarez

Erveiras, raizeiras, benzedeiras, mulheres sábias que por muito tempo andaram sumidas, ou até mesmo escondidas. Hoje retornam com um diploma de pós-graduação nas mãos e um sorriso maroto nos lábios. Seu saber mudou de nome. Chamam de terapia alternativa, medicina vibracional, fitoterapia, práticas complementares…são reconhecidas e respeitadas, tem seus consultórios e fazem palestras.

As mulheres curadoras fazem parte de um antigo arquétipo da humanidade. Em todas as lendas e mitos, quando há alguém doente ou com dores, sempre aparece uma mulher idosa para oferecer um chazinho, fazer uma compressa, dar um conselho sábio. Na verdade, a mulher idosa é um arquétipo da ‘curadora’, também chamada nos mitos de Grande Mãe.

Não tem nada a ver com a idade cronológica, porque esse é um arquétipo comum a todas as mulheres que sentem o chamado para a criatividade, que se interessam por novos conhecimentos e estão sempre a procura de mais crescimento interno. Sua sabedoria é saber que somos “obras em andamento’, apesar do cansaço, dos tombos, das perdas que sofremos… a alma dessas mulheres é mais velha que o tempo, e seu espírito é eternamente jovem.

Talvez seja por isso que, como disse Clarissa Pinkola, toda mulher parece com uma árvore. Nas camadas mais profundas de sua alma ela abriga raízes vitais que puxam a energia das profundezas para cima, para nutrir suas folhas, flores e frutos. Ninguém compreende de onde uma mulher retira tanta força, tanta esperança, tanta vida. Mesmo quando são cortadas, tolhidas, retalhadas, de suas raízes ainda nascem brotos que vão trazer tudo de volta à vida outra vez.

Por isso entendem as mulheres de plantas que curam, dos ciclos da lua, das estações que vão e vem ao longo da roda do sol pelo céu. Elas tem um pacto com essa fonte sábia e misteriosa que é a natureza,. Prova disso é que sempre se encontra mulheres nos bancos das salas de aula, prontas para aprender, para recomeçar, para ampliar sua visão interior. Elas não param de voltar a crescer…

Nunca escrevem tratados sobre o que sabem, mas como sabem coisas! Hoje os cientistas descobrem o que nossas avós já diziam: as plantas têm consciência! Elas são capazes de entender e corresponder ao ambiente à sua volta. Converse com o “dente-de-leão” para ver… comunique-se com as plantas de seu jardim, com seus vasos, com suas ervas e raízes, o segredo é sempre o amor.

Minha mãe dizia que as árvores são passagens para os mundos místicos, e que suas raízes são como antenas que dão acesso aos mundos subterrâneos. Por isso ela mantinha em nossa casa algumas árvores que tinham tratamento especial. Uma delas era chamada de “árvore protetora da família”, e era vista como fonte de cura, de força e energia. Qualquer problema, corríamos para abraçá-la e pedir proteção.

O arquétipo de ‘curadora’ faz parte da essência do feminino, mesmo que seja vivenciado por um homem. Isso está aquém dos rótulos e definições de gênero. Faz parte de conhecimentos ancestrais que foram conservados em nosso inconsciente coletivo.

Perdemos a capacidade de olhar o mundo com encantamento, mas podemos reaprender isso prestando atenção nas lendas e nos mitos que ainda falam de realidades invisíveis que nos rodeiam. Um exemplo? Procure saber mais sobre os seres elementais que povoam os nossos jardins e as fontes de águas… fadas, gnomos, elfos, sílfides, ondinas, salamandras…

As “curadoras’ afirmam que podemos atrair seres encantados para nossos jardins! Como? Plantando flores e plantas que atraiam abelhas e borboletas, gaiolas abertas para passarinhos e bebedouros para beija-flores.

Algumas plantas ‘convidam’ lindas borboletas para seu jardim, como milefólio, lavanda, hortelã silvestre, alecrim, tomilho, verbena, petúnia e outras. Deixe em seu jardim uma área levemente selvagem, sem grama, os seres elementais gostam disso. Convide fadas e elfos para viverem lá.

Este artigo foi publicado pelo Jornal 100% Vida de maio/2012

por Mani Alvarez

* Coordenadora do curso de pós-graduação em Práticas Complementares em Saúde

Marqueteiro tem ideia genial e garante a presidência pra Serra em 2014

GilsonSampaio

Corram para as colinas. Entoquem-se nas cavernas.
Marqueteiro tem ideia genial e garante a presidência pra Serra, o mitômano.

 

jenio

Bestialidade à vontade

Via fôia ditabranda

Jânio de Freitas

Quatorze decapitados, entre 59 assassinados de janeiro às vésperas do Natal. Primeiro, o que explica tamanha ferocidade? Além disso, o que fez com que tais crimes e números pudessem se acumular, com o decorrer do ano, sem alarmar o meio político, social e cultural que os circundaram, ainda hoje não alarmados? Por fim, a localização e a situação onde tamanhas monstruosidades podem ocorrer serão mesmo um país, um regime constitucional democrático, um Estado de Direito?

O horror é ainda mais extenso, sem parecer que pudesse sê-lo. Mulheres e irmãs em visita a presos são obrigadas a deixar-se estuprar, para que seus parentes não sejam assassinados naquele "complexo prisional" de Pedrinhas, São Luís, Maranhão.

A bestialidade como forma de vida em Pedrinhas não se torna conhecida, afinal, porque o sistema administrativo que a mantém –governo e varas de execuções penais– decidisse combatê-la. Foi, sim, por força do inesperado. Uma rebelião causou mais quatro mortes, com três decapitações, e representantes do Conselho Nacional de Justiça e do Ministério Público foram verificar o que houvera. Contra a submissão imposta nas cadeias, e a todo risco, detentos tiveram a hombridade de defender suas mulheres e denunciar as violências sexuais.

Pensava-se ter noção da desumanidade que o nosso pretenso Estado Democrático de Direito e seus Direitos Humanos mantêm nos cárceres do Brasil todo. A decapitação como método e a violação de familiares levam a perguntar menos sobre o sistema carcerário do que sobre quem está fora e acima dele. Nos governos, no Ministério Público e, sobretudo, no Judiciário.

CAUSA PRÓPRIA

Enquanto os honrados do PSDB bloqueiam as investigações de seus feitos contra os cofres públicos de São Paulo, o líder de sua bancada na Câmara, deputado Carlos Sampaio, se ocupa com incriminações também do governo ou do PT. Sua ideia mais recente é uma ação contra Dilma Rousseff, na Justiça Eleitoral, por mandar cartões de Boas Festas aos funcionários. Sampaio, promotor de origem, considera que os cartões são abuso de poder, com finalidade eleitoral.

Então Dilma faz campanha desde o primeiro ano de governo. E Carlos Sampaio, para ser coerente, terá de processar muitos ministros, governadores e secretários de governo, inclusive do PSDB. Mas tem alternativa a esse trabalhão: é ser um pouco mais sério e menos ridículo, já que está pensando na sua própria reeleição.

VIAS DE ROUBO

Os estragos feitos pelas enchentes nas estradas expõem, e as fotos e vídeos mostram, um elemento comum tão importante quanto desprezado: o asfaltamento finíssimo das pistas, diretamente sobre terra instável, contra a necessária técnica de camadas preliminares de sustentação. Daí a curta duração dos asfaltamentos e a péssima qualidade das estradas, com a buraqueira causadora de tantos danos e desastres.

Mas, para as empreiteiras, um modo de aumentar ainda mais os lucros, com a realização apenas parcial do serviço necessário e a repetição dele em futuro muito mais próximo.
Estradas são vias de roubo em muitos sentidos.

Dica do bloguezinho mequetrefe

A barbárie no Maranhão tem muitos precedentes, como esse no Espírito Santo:

Se você é muito sensível, as fotos podem chocar profundamente

O funesto império mundial das corporações

Via Leonardo Boff

O individualismo, marca registrada da sociedade de mercado e do capitalismo como modo de produção e sua expressão política o (neo)liberalismo, revelam toda sua força mediante as corporações nacionais e multinacionais. Nelas vigora cruel competição dentro da lógica do ganha-perde.

Pensava-se que a crise sistêmica de 2008 que afetou pesadamente o coração dos centros econômico-financeiros nos USA e na Europa, lá onde a sociedadade de mercado é dominante e elabora as estratégias para o mundo inteiro, levasse a uma revisão de rota. Ainda mais que não se trata apenas do futuro da sociedade de mercado mundializada mas de nossa civilização e até de nossa espécie e do sistema-vida.

Muitos como J. Stiglitz e P. Krugman esperavam que o legado da crise de 2008 seria um grande debate sobre que tipo de sociedade queremos construir. Enganaram-se rotundamente. A discussão não se deu. Ao contrário, a lógica que provocou a crise foi retomada com mais furor.

Richard Wilkinson, epidemiologista inglês e um dos maiores especialistas sobre o tema desigualdade foi mais atento e dissse, ainda em 2013 numa entrevista ao jornal Die Zeit da Alemanha:”a questão fundamental é esta: queremos ou não verdeiramente viver segundo o princípio que o mais forte se apropria de quase tudo e o mais fraco é deixado para trás?”.

Os super-ricos e super-poderosos decidiram que querem viver segundo o princípio darwinista do mais forte e que se danem os mais fracos. Mas comenta Wilkinson: “creio que todos temos necessidade de uma maior cooperação e reciprocidade, pois as pessoas desejam uma maior igualdade social”. Esse desejo é intencionalmene negado por esses epulões.

Via de regra, a lógica capitalista é feroz: uma empresa engole a outra (eufemisticamente se diz que se fizeram fusões). Quando se chega a um ponto em que só restam apenas algumas grandes, elas mudam a lógica: ao invés de se guerrearem, fazem entre si uma aliança de lobos e comportam-se mutuamente como cordeiros. Assim articuladas detém mais poder, acumulam com mais certeza para si e para seus acionistas, desconsiderando totalmente o bem da sociedade.

A influência política e econômica que exercem sobre os governos, a maioria muito mais fracos que elas, é extremamente constrangedor, interferindo no preço das commodities, na redução dos investimentos sociais, na saúde, educação, transporte e segurança. Os milhares que ocupam as ruas no mundo e no Brasil intuíram essa dominação de um novo tipo de império, feito sob o lema:”a ganância é boa” (greed is good) e “devoremos o que pudermos devorar”.

Há excelentes estudos sobre a dominação do mundo por parte das grandes corporações multilaterais. Conhecido é o do economista norte-americano David Korten ”Quando as corporações regem o mundo”(When the Corporations rule the World, Berret-Koehler Publisher 1995/2001)). Mas fazia falta um estudo de síntese. Este foi feito pelo Instituto Suiço de Pesquisa Tecnológica (ETH)” em Zurique em 2011 que se conta entre os mais respeitados centros de pesquisa, competindo com MIT. O documento envolve grandes nomes, é curto, não mais de 10 páginas e 26 sobre a metodologia para mostrar a total transparência dos resultados. Foi resumido pelo Professor de economia da PUC-SP Ladislau Dowbor em seu site. Baseamo-nos nele.

Dentre as 30 milhões de corporações existentes, o Instituto selecionou 43 mil para estudar melhor a lógica de seu funcionamento. O esquema simplificado se articula assim: há um pequeno núcleo financeiro central que possui dois lados: de um, são as corporações que compõe o núcleo e do outro, aquelas que são controladas por ele. Tal articulação cria uma rede de controle corporativo global. Essse pequeno núcleo (core) constitui uma super-entidade(super entity). Dele emanam os controles em rede, o que facilita a redução dos custos, a proteção dos riscos, o aumento da confiança e, o que é principal, a definição das linhas da economia global que devem ser fortalecidas e onde.

Esse pequeno núcleo, fundamentalmente de grandes bancos, detém a maior parte das participações nas outras corporações. O topo controla 80% de toda rede de corporações. São apenas 737 atores, presentes em 147 grandes empresas. Ai estão o Deutsche Bank, o J.P. Morgan Chase, o UBS, o Santander, o Goldes Sachs, o BNP Paribas entre outros tantos. No final menos de 1% das empresas controla 40% de toda rede.

Este fato nos permite entender agora a indignação dos Occupies e de outros que acusam que 1% das empresas faz o que quer com os recursos suados de 99% da população. Eles não trabalham e nada produzem. Apenas fazem mais dinheiro com dinheiro lançado no mercado da especulação.

Foi esta absurda voraciade de acumular ilimitadamente que gestou a crise sistêmica de 2008. Esta lógica aprofunda cada vez mais a desigualdade e torna mais difícil a saída da crise. Quanto de desumanidade aquenta o estômago dos povos? Pois tudo tem seu limite nem a economia é tudo. Mas agora nos é dado ver as entranhas do monstro. Como diz Dowbor: ”A verdade é que temos ignorado o elefante que está no centro da sala”. Ele está quebrando tudo, critais, louças e pisoteando pessoas. Mas até quando? O senso ético mundial nos assegura que uma sociedade não pode subsistir por muito tempo assentada sobre a super exploração, a mentira e a anti-vida.

A grande alternativa é oferecida por David Korten que tem trabalhado com Joanna Macy, uma das mais comprometidas educadoras com o novo paradigma e com um futuro diferente e otimista do mundo. A grande virada (The Great Turning) se dará com a passagem do paradigma “Império” para o da “Comunidade da Terra”. O primeiro dominou nos últimos cinco mil anos. Agora chegou seu ponto mais baixo de degradação. Uma virada salvadora é a renúncia ao poder como dominação imperial sobre e contra os outros na direção de uma convivência de todos com todos na única “Comunidade da Terra”, na qual seres humanos e demais seres da grande comunidade de vida convivem, colaboram e juntos mantém uma Casa Comum hospitaleira e acolhedora para todos. Só nesta direção poderemos garantir um futuro comum, digno de ser vivido.

Nota Pública sobre os fatos ocorridos em Humaitá-AM

Via ReporterBrasil

A Operação Amazônia Nativa (OPAN) vem por meio desta nota pública externar a sua preocupação com os fatos ocorridos em Humaitá, no sul do Amazonas, nos últimos dias e cobrar das autoridades competentes o reestabelecimento da ordem e a garantia de segurança para todos os cidadãos da região. Não obstante a importância de se conseguir uma resposta para a angústia das famílias das três pessoas desaparecidas, fatos ainda não apurados passaram a ser tratados como verídicos causando uma onda de ódio contra os indígenas da etnia Tenharin, fortemente incentivada pelas redes sociais na internet e pela imprensa local, que passou a acusá-los pelo desaparecimento.

Reconhecemos a importância de que essas famílias obtenham uma resposta, da mesma forma que entendemos que não são essas famílias as responsáveis pela onda de ataques ao patrimônio público da União. Os financiadores e líderes do movimento são madeireiros da região do distrito de Santo Antônio do Matupi, que se aproveitaram da dor alheia em favor próprio. O maior alvo dos ataques foi a Funai, coincidentemente principal responsável por provocar operações conjuntas com Ibama e  Polícia Federal, que culminaram no fechamento de madeireiras ilegais naquela localidade.

No dia de ontem (27/12), um grupo de aproximadamente 300 pessoas invadiu aldeias Tenharin, que em sua maioria estão ocupadas apenas por crianças e mulheres. Outro grupo de cerca de 160 pessoas, fundamentalmente composto pelas lideranças desse povo, encontra-se isolado no quartel do Exército, em Humaitá. Os “manifestantes” atearam fogo em algumas casas e nas barreiras que os indígenas Tenharin e Jiahui utilizam para a cobrança de pedágio a título de compensação ambiental pela estrada que corta seu território (BR 230 – Transamazônica).

Esses dois pontos são o pano de fundo para os acontecimentos. Muito mais que aliviar a dor das famílias ou cobrar providências do governo sobre o desaparecimento desses três cidadãos, políticos locais e madeireiros aproveitaram-se do momento de comoção para um “ajuste de contas” com os indígenas e com a Funai. Eles consideram o fechamento das madeireiras e a cobrança da compensação ambiental uma afronta. Humaitá é terra de gente honesta e trabalhadora, mas infelizmente parte da população está sendo manipulada de forma vil.

Esperamos que a ordem seja reestabelecida o mais prontamente possível, por meio da apuração dos fatos e que haja punição para os envolvidos. É lamentável perceber que interesses escusos foram colocados diante da dor de famílias e da segurança dos indígenas. A legislação brasileira prevê punição para crimes, sem distinção de raça, cor ou credo. Há meios legais para quem se sinta injustiçado cobre, mas é inadmissível aceitar a ideia de destruição do patrimônio público, cerceamento do direito de ir e vir, crimes de racismo e ameaças de morte sejam tomados como instrumentos legítimos para tal.

Conselho Diretor da OPAN
Cuiabá, 28 de dezembro de 2013

domingo, 29 de dezembro de 2013

Usina nuclear às margens do São Francisco. Você sabia?

Via ConsciênciaNet

Agora a usina nuclear será em Piranhas/Alagoas? A insensatez continua.

Heitor Scalambrini Costa

no nuke

A construção de usinas nucleares no país significa a disposição do poder público de aceitar mais riscos do que recomendaria a prudência.

A formulação de políticas públicas, em particular na área energética, tem sido calcada em diagnósticos superficiais e imediatistas, influenciados por interesses econômicos poderosos, com clara reincidência em erros cometidos no passado. Na verdade o governo pensa o Brasil do futuro com idéias do passado.

Hoje no chamado mundo moderno, se discute e executa uma completa mudança de direção no que concerne à questão nuclear. Mais e mais paises decidiram refrear e mesmo abandonar a construção de novas usinas nucleares. Decisões essas tomadas com largo apoio popular. A obvia conclusão é que o risco de tal tecnologia não compensa os ganhos (se é que existem!!!).

Aqui no Brasil tudo é diferente. Projeta-se até 2030 a instalação de quatro novas usinas nucleares sendo duas no Nordeste. Falou-se na cidade de Itacuruba no sertão pernambucano (480 km de Recife) como provável local para esta instalação a beira do Rio São Francisco. Houve uma total repulsa a esta proposta. As populações, os movimentos populares, sindicais e religiosos, se expressaram no documento “Carta de Itacuruba” (http://blogs.diariodepernambuco.com.br/meioambiente), subscrito por mais de 50 entidades.

Agora no final do ano toda atenção é dirigida ao município de Piranhas (291 km de Maceió) no sertão oeste alagoano, em função da declaração pública do chefe do escritório da Eletrobrás/Eletronuclear de Recife, apontando o município como o provável destino para a instalação da usina nuclear nordestina, as margens do Rio São Francisco.

Com esta informação um inquérito civil foi instaurado pelo Ministério Público Federal (MPF) em Arapiraca/Alagoas para investigar o processo de instalação da usina nuclear. O MPF enviou ofício a Eletrobrás/Eletronuclear solicitando informações sobre o andamento do projeto, e detalhes, como a localização exata das duas usinas nucleares anunciadas pelo Governo Federal a serem instaladas no Nordeste, bem como a data prevista para o início da construção. Ainda foi solicitado o esclarecimento de que forma as populações afetadas foram consultadas sobre a implantação da usina, como exige a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

De acordo com a procuradora da República em Arapiraca, responsável pela instauração do inquérito, a instalação de uma usina nuclear no Sertão de Alagoas é passível de afetar diversas populações tradicionais locais, como ribeirinhos, quilombolas, indígenas e pescadores artesanais. Motivo pelo qual o MPF instaurou o inquérito, de forma a reunir informações sobre eventual violação de direitos, pelo poder público federal, às normas internacionais sobre populações tradicionais e ao meio ambiente.

O procedimento adotado é característico da área energética, em particular pelos gestores da energia nuclear no país, que agem na surdina. Na calada da noite, sem nenhuma discussão com os maiores interessados, as populações próximas do local que os “sábios” decidiram como o mais adequado (?), a noticia vem a público, é vazada.

A reação nesse caso foi imediata visto que existe um sentimento e um desejo da maioria da população de que tal forma de geração de energia elétrica não ocorra no Brasil. Não importando em que região, a quase unanimidade contrária a estas usinas existe fortemente. Todavia o governo e setores minoritários, mas com grande poder de decisão, insistem nessa insanidade que parece não ter limites.

Mas uma certeza é muito clara. As usinas nucleares não terão espaço em nosso país, e por uma única razão, os brasileiros e brasileiras não a desejam. Em 2014, vem pra a rua você também.

O autor é professor da Universidade Federal de Pernambuco

Dia deste bloguezinho mequetrefe

Para saber mais digite Fukushima na caixa de pesquisa

Pesquisador se descobre psicopata ao analisar o próprio cérebro (quem estará livre?)

Via BBC Brasil

Mônica Vasconcelos

Da BBC Brasil em Londres

James Fallon (foto: Daniel Anderson)

Neurocientista americano descobriu que tinha "cérebro de psicopata" ao estudar criminosos

Um neurocientista americano que fazia estudos com criminosos violentos descobriu, por acaso, que ele próprio tinha "cérebro de psicopata".

Casado e pai de três filhos, James Fallon, professor de psiquiatria e comportamento humano da University of California, Irvine (UCI), disse à BBC Brasil que a descoberta fez com que ele reavaliasse seus conceitos a respeito de quem era. E transformou suas convicções enquanto cientista.

A experiência de Fallon, descrita no livro The Psychopath Inside, teve grande repercussão na internet.

Comentando o caso, um neurologista ouvido pela BBC disse que estamos interpretando os conhecimentos gerados pela genética de maneira "perigosa".

"Os profissionais estão atribuindo importância excessiva para a carga genética de uma pessoa, como se isso, por si só, fosse capaz de determinar o futuro de um ser humano", disse Eduardo Mutarelli, professor do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Para ele, a experiência de Fallon ajuda a reequilibrar o debate que contrapõe a influência da herança genética à do meio (nesse caso em particular, a influência civilizadora da família e da sociedade sobre o indivíduo).

Revelação Perturbadora

A descoberta de Fallon aconteceu em 2005, quando ele analisava tomografias de cérebros de assassinos em série na universidade. Ele queria ver se encontrava alguma relação entre os padrões anatômicos dos cérebros desses pacientes e seu comportamento.

Fallon explicou que, para ter uma base de comparação, tinha colocado na pilha tomografias de membros de sua própria família – a ideia era usá-los como modelos de cérebros "normais".

Ao chegar ao fim da pilha, onde estavam os exames de sua família, o cientista viu uma tomografia que mostrava um padrão claro de patologia. "O exame mostrava baixa atividade em certas áreas dos lobos frontal e temporal que estão associadas à empatia, moralidade e ao auto-controle".

Fallon contou que, no começo, pensou que fosse um engano. Mas feitas as checagens, o neurocientista, que estudava psicopatas há mais de duas décadas, viu-se às voltas com uma realidade um tanto quanto incômoda: o cérebro representado naquele exame era seu.

"As mesmas áreas do cérebro estavam completamente apagadas, como nos piores casos que eu tinha visto", disse Fallon.

Para se certificar, Fallon fez mais algunas investigações.

Exames do seu DNA confirmaram que ele tinha genes alelos associados à ausência de empatia e comportamento agressivo e violento.

Fallon também se submeteu a um teste usado por muitos pesquisadores e psicólogos para avaliar tendências antisociais e psicopáticas, a Robert Hare Checklist.

"Psicopatas alcançam acima de 30 pontos no teste de Robert Hare", disse Fallon. "A pontuação máxima é 40. Eu alcanço 18, 20 ou 22. Tenho vários traços em comum com psicopatas, só não sou criminoso. Nunca matei nem estuprei ninguém e prefiro vencer uma discussão com argumentos do que com força física", diz.

Charme Perigoso

Imagem de exame do cérebro de Fallon em comparação a um exame de controle

Análise mostrou que cérebro de Fallon tinha traços em comum com psicopatas

Fallon contou que quando compartilhou suas descobertas com a família e com amigos, eles não se surpreenderam. Gradualmente, o neurologista começou a se ver do ponto de vista das pessoas que o conheciam bem.

"Tive várias conversas reveladoras com minha mãe. Ela me disse que sempre percebeu um lado sombrio em mim e tomava cuidado especial para neutralizar essas tendências e incentivar outras, mais positivas", conta.

Nessas conversas, a mãe também contou ao filho que vários antepassados dele pelo lado paterno tinham sido criminosos temidos. Entre eles, Lizzie Borden, acusada de matar o pai e a madrasta em 1892.

Para a esposa, era como se existissem dois James Fallon convivendo num único homem.

"Sou casada com duas pessoas, uma é inteligente, engraçada e afetuosa. A outra é um sujeito perverso, de quem eu não gosto", disse a mulher do neurologista em uma entrevista para a TV.

"Tenho muito jeito para lidar com estranhos, faço muita caridade. Mas sou uma decepção como marido. Posso ver um bebê que não conheço e ficar com os olhos cheios de lágrimas, mas não sinto uma conexão emocional profunda com minha própria família", diz.

Fallon descreveu alguns dos traços típicos de um psicopata: "Psicopatas possuem um narcisismo agressivo, charme, desenvoltura aliada a superficialidade, senso de superioridade, tendência a manipular, são emocionalmente rasos, não sentem culpa, remorso ou vergonha".

"Podem ser magnânimos e generosos, mas são emocionalmente frios", afirma.

Teria Hitler, por exemplo, sido um psicopata?

"Não. Hitler era capaz de sentir empatia pelas pessoas e tinha relacionamentos próximos, então eu diria que ele não era um psicopata. Já Stalin, por exemplo, tenho quase certeza de que sim. Ele não era próximo nem dos próprios filhos", observa.

"A capacidade – ou não - de sentir empatia é essencial para se establecer se uma pessoa é um psicopata", diz o neurologista.

Amor de Mãe

James Fallon diz não ter dúvidas de que foi o amor da família que impediu que ele realizasse seu "potencial" e se tornasse um criminoso violento.

"Sou uma pessoa agressiva e vingativa, gosto de manipular as pessoas, sinto prazer no poder. Mas todos foram tão amorosos comigo, tenho uma mãe afetuosa e uma esposa maravilhosa", afirma.

"Além disso, não tive experiências de abandono, abuso ou traumas violentos na infância. Tudo isso neutralizou minha biologia", relata.

O neurologista confessou que não teria feito essa afirmação cinco anos antes. "Eu costumava achar que a genética era tudo. Hoje, estou convencido de que a biologia é importante, mas a genética pode ser modificada pelo meio ambiente", diz.

Gene X Meio

James Fallon

Para Fallon, descoberta lhe mostrou importância do ambiente sobre o desenvolvimento pessoal

As revelações de James Fallon, descritas no seu livro e em palestras - algumas disponíveis na internet - revivem um debate que há muito intriga especialistas: somos produto da nossa herança genética ou do meio em que vivemos?

Para o neurologista da USP e do Hospital Sírio Libanês Eduardo Mutarelli, o caso de Fallon reforça o papel da sociedade (ou seja, do meio) na formação do indivíduo. E ajuda a combater uma certa tendência "determinista" na forma como nosso potencial genético vem sendo interpretado por médicos hoje.

"A genética hoje trabalha muito com probabilidades, com potencial genético e fatores de risco", disse Mutarelli.

O médico citou como exemplo doenças como o Mal de Alzheimer ou o Mal Parkinson.

"Com o conhecimento atual, sabemos que existe uma certa carga genética associada a essas doenças. Mas você carrega um certo fator de risco e isso vai se transformar em doença caso outras coisas contribuam para isso", explicou.

"Você não se cuida, não come direito, esses são fatores de risco para que a pessoa venha a desenvolver a doença", observa.

Mas trazendo a discussão de volta para o caso de James Fallon, Mutarelli faz uma ressalva: "No caso dele, se ele tem um exame de imagem de cérebro que é igual ao de um psicopata, ele só não é psicopata porque foi bem educado".

"O lobo frontal está desregulado, a alteração existe na experiência dele e a ressonância mostra a alteração, ou seja o gene foi ativado. Ele só não é um serial killer por causa da família", reforçou o professor.

E concluindo: "O jeito de mudar o mundo é educando".

NÃO SOU UMA QUALQUER - STANISLAW PONTE PRETA

Sanguessugado do Cultura, Esporte e Política

Ela notou que ele estava meio bronqueado por causa das respostas monossilábicas que dava às suas perguntas. Conhecia-o muito bem. Quando ele ficava emburrado para falar é porque estava com minhoca na cuca.

- Que é que há, meu bem? Você tá meio chateado!

Ele não respondeu logo, meteu um suspensezinho legal, puxando uma tragada forte do cigarro. Depois caminhou até o armário da sala, tirou uma garrafa de uísque e deu aquele gole prolongado no mais belo e ultrapassado estilo Humphrey Bogart. Depois sentou-se na poltrona, cruzou as pernas e disse:

- É... andaram me buzinando aí umas coisas.

- A meu respeito? – e ela espalmou a mão sobre o cobiçado busto.

Novo silencio, e a distinta, muito preocupada, levantou-se de onde estava e foi se aninhar no colo dele. Fez vozinha de crinaça:

- Meu queridinho, contra pra ela, vá! Deve ser mais uma fofoca dessa gente, mas é melhor você contar logo pra ela, sabe? Assim a gente tira logo as dúvidas. Não gosto de ver o meu querido zangado não – e começou a enfiar os dedos esguios e bem tratados pelos cabelos dele.

O cara suspirou, todo despenteado, e foi soltando o que tinham contado pra ele. Tinha sido na noite de apresentação do Charles Aznavour, no Copacabana Palace, a mais recente badalação de grã-fino com renda para excepcionais. Agora a moda é esta: tudo o que é festa de grã-fino é para dar renda para excepcionais, pois ninguém é mais excepcional que um grã-fino.

Ela tinha ido à tal apresentação do cantor francês e fizera muito sucesso. A Lea Maria deu até uma nota no Caderno B, dizendo que ela estava um show. De fato (enquanto ele falava ela ia se recordando), o seu vestido op-art, com mini-saia, foi um sucesso. Era daquela saia que, quando a mulher senta, a saia some e aparece o que a saia tinha obrigação de fazer sumir. Um fenômeno da elevação dos costumes – como diz a veneranda Tia Zulmira.

- Me disseram que você flertou a noite toda – o cara falou.

Ela esticou-se, ainda sentada nas suas pernas. Outra vez a mão espalmada sobre o cobiçado busto:

- Eu????

Ele ratificou. Ela mesma. Tinham contado para ele que ela dançara de rtosto colado com um tal de Collatini.

- Cola aonde? – perguntou ela.

- Collatini.

Ela ficou indignada. De fato, os Collatini, de SãoPaulo, estavam na mesa dela, mas isto era uma infâmia. Imaginem logo quem? O Collatini, aquele velhote. De maneira nenhuma. De mais a mais, a Bequinha, mulher do Collatini, era sua amiga de infância. Essa gente é assim mesmo. Quando não tem nada para comentar sobre uma mulher... inventa. Dela eles não podiam dizer nada, tá bem? Absolutamente nada. Nunca deu margem para falatório nenhum. Pelo contrario: procurava se portar em público – aliás, procurava se portar em qualquer lugar, ora esta! – com a máxima dignidade, justamente por isso. Porque sabia que essa gente de sociedade é fogo; não pode ver uma mulher bonita fora da panelinha desses cretinos, que começa logo a tentar descobrir coisas, para fazer dos outros gente igual a eles. É isso mesmo: falam só para justificar a vida que levam, esses amorais. Mas com ela não.

- Comigo não – repetia indignada: – Eu não sou uma qualquer!

Ele, impressionado com a reação dela, puxou-a para o seu regaço. Deu-lhe mais um beijo e falou bainho que sabia disso, sabia que ela não era uma qualquer.

Pouco depois ela se levantava do colo dele, ia até o banheiro: ajeitou-se, pintou-se e de lá mesmo perguntou:

- Meu beem! Que horas são?

- Quase 6! – respondeu o cara.

Ela veio espavorida lá de dentro, deu-lhe um beijinho rápido, apanhou uns embrulhinhos de compras que deixara sobre a mesa, quando chegara, e despediu-se:

- Tchau, querido! Deixa eu correr se não meu marido me mata!

Foi embora

Noites em La Paz

Sanguessugado do Palavras Insurgentes

Elaine Tavares

Dona Vivi é uma mulher baixinha, pequena, de olhos apertadinhos que vive em Oruru, Bolívia, com o marido Juan. Naquela noite, em La Paz, no fevereiro de 2003, ela chegou espavorida, agarrada ao braço do velho companheiro, o rosto moreno corado de ansiedade. Tinham ido tomar um café na rodoviária e viram a confusão. Pela rua acima vinha a turba de gente quebrando e queimando tudo. Ela percebeu que algo estava errado porque conhecia bem a turbulência da vida boliviana. Mulher de mineiro e filha de cocaleiro, ela mesma já tinha passado por coisas assim sua vida inteira. Nunca fora fácil ser trabalhador na Bolívia.

Dona Vivi tentou sair em direção ao hotel, mas Juan não estava muito bem. Tinha dificuldade para andar. Fora por isso mesmo que tinham vindo para La Paz. Ele iria fazer alguns exames no Hospital Obrero. Os seguranças da rodoviária fecharam as portas de ferro, ninguém mais podia entrar ou sair. Entre os turistas que esperavam ônibus, o medo era palpável. Os gritos da gente lá fora ecoavam fortes e parecia que um imenso vagalhão iria assomar por sobre o pavilhão.

A confusão começara horas antes em frente ao Palácio Presidencial. Policiais militares, que estavam em greve há dois dias, tinham ido fazer um protesto e foram recebidos a bala pelo exército boliviano. Em poucos minutos a guerrinha particular das forças armadas gerou 13 mortos. Em frente a Praça Morillos os corpos se estendiam diante de uma multidão ainda passiva. Mas, quando o sangue escorreu pela calçada, uma espécie de frêmito tomou conta das gentes. Estudantes secundaristas que tinham ido à praça para protestar começaram a função jogando pedras nas janelas do palácio. Foi o estopim de uma revolta represada. As pessoas, em turbilhão, começaram a entrar nos prédios e a quebrar tudo. De dentro dos edifícios voavam mesas, cadeiras, computadores, papéis. Em pouco tempo o fogo irrompeu. Em volta da praça o clima era de completa balbúrdia.

Sem qualquer policiamento e com o exército alheio a tudo, protegendo apenas o palácio, a multidão foi colocando para fora todos os seus demônios. O que era um protesto político virou desaguadouro de outras mágoas. Uma grande loja de departamentos, identificada como “americana” foi completamente saqueada e destruída. A turba seguia, derrubando, queimando, saqueando, destruindo. E, assim, foi descendo em direção à rodoviária, onde estavam Vivi e Juan. Não pouparam nem as bancas das índias. Tudo era arrasado.

Aquela foi uma tarde de terror. Só no início da noite Vivi conseguiu chegar na hospedaria com seu marido Juan. No dia seguinte teriam a consulta no hospital, mas já anteviam que aquilo iria ter de esperar. Durante a noite, os hóspedes se reuniram na sala principal, todos muito assustados. Seria uma madrugada de tensão e medo. Era um hotelzinho barato e talvez por isso tenha ficado de fora da sanha dos saqueadores que assaltaram a cidade por toda a noite. Acordados, todos, ouviam os tiros, os gritos, e sentiam o cheiro da fumaça do fogo que queimava por toda La Paz.

O segundo dia foi o pior. A polícia continuava amotinada. Os saqueadores tomavam a cidade. Nas estradas, outros tantos bloqueavam ônibus e carros. Bancos queimavam, prédios do governos eram destruídos e o exército havia colocado franco atiradores pelos prédios, os quais atiravam contra a multidão que se dividia entre os que protestavam e os oportunistas que saqueavam. As centrais obreras tinham chamado uma greve geral para aquele dia e o clima era de muito pavor. Ninguém sabia o que poderia acontecer. Todos esperavam um rio de sangue.

As caminhadas de sindicalistas e representantes do movimento popular aconteceram em La Paz e nas principais cidades da Bolívia. Bandeiras brancas pediam paz. Franco atiradores balearam uma médica e mataram uma enfermeira que ajudavam os feridos. A cidade entrou em comoção. Ninguém mais queira sair dos hospitais para ajudar. Foi um dia inteiro de completa confusão. Mortos e mais mortos. No meio disso tudo o governo se mantinha calado. Na televisão, os comentaristas exigiam que o presidente Sanchez de Losada resolvesse o caso da polícia para que esta voltasse às ruas, reestabelecendo a ordem.

Vivi e Juan não se assustaram com toda a violência. Durante aquela manhã haviam saído para tomar café e também saíram na hora do almoço. Não podiam ficar sem se alimentar, dissera ela. “A senhora não tem medo?” - perguntava eu. “Isso é a Bolívia, querida”, respondia, serena. No meio da tarde, enquanto pela porta do hotel passavam as gentes carregando portas, janelas, computadores e outros que tais, ela, serena, anotava receitas de comida brasileira que eu lhe passava. “Adoro cozinhar”.

No início da noite o presidente veio à TV falar com o povo. Havia concedido o aumento aos policiais e estes estariam voltando para as ruas. A Bolívia voltaria a ter paz (?), dizia. Na sala, com os companheiros de hotel, ouvi, aparvalhada, a fala de Goni, o presidente. Falava ele com sotaque inglês. “Mas como???” - perguntava eu, perplexa. Ele parece um estadunidense falando. “Ele é um deles”, diziam os homens, irritados. “Viveu a vida toda lá, representa os interesses deles”. “Mas vocês o elegeram?”... “Somos todos uns burros”, vociferou um mineiro de Cochabamba que esperava o fim dos conflitos para voltar para casa. “Somos todos uns burros”, repetia.

Fiquei mais um dia em La Paz esperando que liberassem os ônibus. Pelas ruas, as pessoas falavam do levante com aquela fleuma que é peculiar a um povo calejado nos horrores e nas rebeliões. A vida voltava ao normal. Na rodoviária, os turistas retomavam o movimento. As velhas índias ocupavam seus lugares pelas escadarias a pedir esmolas e os policiais, de volta às ruas, eram saudados com alegria. Vivi e Juan foram, enfim, ao hospital. “Vou experimentar a feijoada, filha”, despediu-se, sorrindo, a mulher de sangue índio e esperança atávica. A Bolívia ficaria para trás, manchada de sangue e fogo...como se o tempo não houvesse passado desde o passado imemorial...

Eu ainda não sabia, mas aquele era um dos tantos episódios da famosa Guerra do Gás, que colocaria para correr o presidente com sotaque de “americano”. E, desde ali, a Bolívia seguira por outros senderos.

Impagável: SAMBA DO CRIOULO ASSAZ ATROZ

Do impagável Assaz Atroz

Fernando Soares Campos

Olha Israel aí, gente!


SAMBA DO CRIOULO ASSAZ ATROZ

Foi lá na Terra Santa
Onde nasceu Jota Kristo
Que a galera palestina
Arresolveu se assentar
Mas Adolfo Hitler
Tinha outros pretendentes
E obrigou os sionistas
A acabar
Com com aquela gente
Lá! Iá! Lá Iá! Lá Iá!
O bode que deu
Vou te contar...(bis)
Oooo... Netanyahu
Que também é
Um desses Zé Mané
Queria ser dono do mundo
E se elegeu Bush Segundo
Das estradas do Egito
Seguiu pra Bahia
E falou com Caetano
No programa do Jô
Declarou seu amor
E aliou-se ao baiano
Da união deles dois
Ficou resolvida a questão
E foi proclamada
A escrotidão...
E foi proclamada
A escrotidão...
Assim se conta
Essa história
Que é dos dos
A maior glória
Shiiiimon Peres virou bomba
E Obama
É uma explosão também...
Oh Oh! Oh Oh Oh Oh!
O pau tá levantado
Ou já baixou...(bis)

sábado, 28 de dezembro de 2013

Sergio Ricardo convoca:A GRANDE LACUNA

feicibuqui do Sergio Ricardo

Fazendo um balanço sobre o ano que se finda, somando-se aos anos passados de quase total abstinência do contato com o público, verifica-se o total desamparo a que chegou nossa cultura, a examinar o que a produção de meus semelhantes conseguiu atingir. Fatores alheios à nossa dedicação produtiva ou disposição de abrir parcerias com quem pudesse dinamiza-la, advindos da soma dos entraves na mecânica estabelecida via produção cultural, e fundamentalmente por estarmos inteiramente desvinculados da mídia ou patotas específicas de penetração nas intrincadas modalidades de captações de recursos, etc. não nos foi permitido objetivar nossos projetos, entre livros, filmes de longa metragem, peças de teatro, música etc. Ha uma escassez ou como que um impedimento a gestores voltados para o gerenciamento das artes periféricas distanciadas daquelas envolvidas com o modismo e o sucesso fácil, descartável, ao mesmo tempo que uma inoperante negligência política. Há uma lacuna gigantesca onde vegetam os artistas que não se encaixam nos escaninhos da descartabilidade, portadores do novo a dignificar nossa estirpe.

Para 14 conta-se com o inicio de um movimento que atraia os interessados a alavancar a cultura brasileira esfacelada pelos caminhos. Os poucos que conseguem furar seu bloqueio comprovam, conquistando prêmios e glórias, enfrentando posteriormente as consequências de voltar a estaca zero e enfrentar novas epopeias. Chegou a hora de um movimento como aquele que fez surgir a Bossa Nova, o Cinema Novo o Teatro de Arena etc. articulado por um chamamento de socorro de nossa cultura e que se perpetuou pela importância em revelar os verdadeiros talentos da época, impondo nossos valores através das artes identificadas com o espírito verdadeiro de nossa gente, escondido pelas grades de um sistema nada interessado em sua fisionomia transformadora, impondo o modelo vigente a deteriorar nossos verdadeiros valores culturais. Somados a um partido político descomprometido com os ditames do sistema, ter-se-ia condições de deflagrar esta revolução, atraindo uma parcela dos investidores e abrindo uma frente, a começar pelas reestruturações das leis de incentivo e levantando a bandeira da recuperação cultural do país.

A lacuna deixada em aberto, impedindo o fechamento do círculo de várias e preciosas conquistas, foi a lacuna cultural. A cultura é a alma da pátria. É o verdadeiro instrumento a revelar as mazelas e os valores de nossa gente, com poderes de envolver a identidade e a personalidade do povo nas lutas necessárias para o seu crescimento. O Brasil está semi-imbecilizado, envolto no falso amálgama de um processo decadente dos valores fundamentais e orgânicos de uma natureza que vai perdendo sua exuberância em detrimento dos falsos valores que lhe são impostos. Há que se abrir o ciclo da retomada da cultura, sob pena de deterioração por completo de nossa cidadania. Já não se sabe mais quem somos. Só a cultura nos devolverá a verdadeira identidade.

Nós, os artista, por nos considerarmos umas verdadeiras toupeiras como produtores, em quase a sua totalidade, sem o menor talento para administrar a comercialização de nossos produtos, estamos à mercê de uma possível parceria com quem se disponha a assumir este papel, abrindo um atalho por esta selva, empunhando a tocha com a chama de nosso verdadeiro destino, a exemplo dos países civilizados que preservam a intactilidade em seu patrimônio cultural. Quem se habilita!

Feliz ano novo.

A POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA E SEUS INTERESSES NA SIRIA

Sanguessugado do Politica Economica do Petroleo

A POLÍTICA ENERGÉTICA EUROPEIA E SEUS


INTERESSES NA SIRIA

Wladmir Coelho

O Estado, como sabemos, atua diretamente no processo econômico viabilizando recursos financeiros e militares para a concretização, inclusive, dos projetos de abastecimento energético. A política econômica das potências não conhece fronteiras e caso necessário criam guerras e derrubam governos.

Um exemplo: Durante a década de 1990 a empresa estadunidense Noble Energy anunciou a descoberta de grande quantidade de gás a 5170 metros de profundidade no Mar Mediterrâneo.

O campo ficou conhecido como Leviatã e estima-se a existência de 450 bilhões de metros cúbicos de gás e 600 milhões de barris de petróleo. Recentemente a empresa Turcas Petrol – subsidiária da estatal SOCAR do Azerbaijão – apresentou-se disposta a gastar US$ 2,5 bilhões para a construção de um gasoduto para escoar a produção de gás de Leviatã até a Turquia e deste aos países da União Europeia.

Uma empresa do Azerbaijão interessada em construir os meios para exportar o gás do Mediterrâneo para a Europa? Exatamente.

Aos crentes da separação entre interesses de Estado e empresas privadas vamos aos detalhes: A citada Turcas Petrol possui como principal executivo o estadunidense Mattew Bryza ex-embaixador no Azerbaijão. Este país – segundo o site do U.S. Energy Information Administration – é um importante fornecedor de gás para a Europa.

O Azerbaijão integra a área de interesse de abastecimento petrolífero dos russos, chineses, estadunidenses e potências europeias. A disputa pelo controle deste combustível movimenta, inclusive, o polêmico projeto para a criação do gasoduto Nabuco que contornando a Rússia levaria o gás da região diretamente à Europa terminando de vez com a dependência da região do gás russo.

O executivo Bryza também é membro do Conselho da Fundação Jamestown cuja missão – segundo informações retiradas de seu site – consiste em apoiar lideranças políticas nas nações que representam importância para a segurança nacional dos EUA orientando ações locais para a concretização dos interesses deste país.

Vejam o quanto é precária a ideia de espionagem associada exclusivamente aos microfones escondidos nos gabinetes. A Fundação Jamestown financia ações diretas na imprensa destes países e financia acadêmicos, dirigentes de empresas públicas ou privadas além de políticos com discursos pró-EUA.

A efetivação do projeto do gasoduto Leviatã apresenta, entretanto, um problema: Quem controla a produção? Chipre, Líbano, Israel, Palestina e Síria compõem a área com potencial produtivo.

No caso sírio a Rússia apresenta vantagem e assinou recentemente o contrato para iniciar as pesquisas, Israel ofereceu à Noble Energy a condição de operadora do seu pré-sal.

Desta disputa observamos a inexistência de uma separação entre os interesses das empresas privadas e Estados. A elaboração da política energética da União Europeia e Estados Unidos encontram-se, desta forma, como fator principal da elaboração da política econômica do petróleo da Síria, Líbano, Israel, Palestina....

No caso brasileiro estes mesmos princípios foram ignorados no momento da entrega do pré-sal e continua na imprensa, no governo e oposição a prevalência do discurso, ao modo da Fundação Jamestown, da necessidade de entrega do petróleo nacional como forma de garantir um dia o progresso econômico.

Evolução cientifica x Ética, Como se dá essa relação?

Pravda.ru  via  Assaz Atroz

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Evolução cientifica x Ética, Como se dá essa relação?

Nascida de uma resposta da sociedade organizada aos demandos da ciência, a Bioética é a ética aplicada a vida, a qual envolve temas que vão desde uma simples relação interpessoal à fatores que interferem a sobrevivência do próprio planeta.

Legenda: Bioquímico brasileiro, Jolival Soares

Juliana Tito*

Nascida de uma resposta da sociedade organizada aos demandos da ciência, a Bioética é a ética aplicada a vida, a qual envolve temas que vão desde uma simples relação interpessoal à fatores que interferem a sobrevivência do próprio planeta.

Dentre as razões que originaram a ciência, alguns escândalos nos Estados Unidos foram essenciais para o seu desenvolvimento. Na cidade de Tuskegee, ao sul da Geórgia, um grupo de negros foi separado para se estudar a fisiopatologia da Sífilis. Eles foram tratados por médicos e enfermeiros do governo que aplicavam placebo nos pacientes, no intuito de ver como a doença se desenvolveria e chegaria ao seu estado final. De acordo com o bioquímico brasileiro, Jolival Soares, que esteve presente na região nesta época, dentre os resultados obtidos, muitos voluntários ficaram paralíticos e outros cegos, além de chegarem a óbito, "se não for impossível é quase impossível você conseguir um negro para ser voluntario em uma pesquisa medica nos Estados Unidos", disse o especialista.

De acordo com Soares, além desse escândalo com os negros, tiveram casos de senhoras que tiveram todos os tipos de células de câncer injetadas para estudar a doença, crianças que apresentavam síndromes tiveram todos os tipos de hepatite injetados para ver como a doença mata, dentre outras formas de estudos realizados em seres humanos. Foi ai que a sociedade americana ao saber do que vinha acontecendo, pressionou o governo e foi criada a convenção de Vermont, a qual serviu para o nascimento da bioética.

Em um mundo cada vez mais desenvolvido tecnologicamente, a ciência pôde crescer muito com o passar dos anos, mas o que muitas vezes entra em divergência é até onde a ética é realmente seguida. Segundo o bioquímico, a ciência é importante "mas ela não está acima de qualquer outro conhecimento humano, do filosófico ou ético, ela é integrante da herança cultural da humanidade", então ela precisa ter uma ética normativa, ou a própria ciência que colabora com os seres humanos, pode vir a acabar com a espécie.

Técnicas, doenças e questionamentos

Uma técnica que também levanta muito o questionamento dos profissionais de bioética é a utilização de células-tronco embrionárias. A pesquisa tem como principal objetivo utilizar as células para recuperar tecidos danificados por doenças e traumas. Porém existem barreiras éticas e cientificas que apresentam limitações para esse tipo de estudo. "Nós já estamos a um passo a frente, porque não se precisa mais das células-tronco embrionárias. Há um paradigma científico que foi rompido. Antigamente nós achávamos que as células que transferiam a herança, aquilo que nós herdamos de nossos pais, era só o que estava no espermatozóide ou no óvulo, chamadas pela biologia reprodutiva de células gênicas. Hoje nós sabemos que a célula da sua pele contém toda a programação genética de qualquer célula do seu corpo" relata o bioquímico.

Há uma discussão muito grande em torno de quando se inicia a vida humana e para Jolival Soares essa é uma questão muito difícil de ser respondida. Porém, ele acredita que desde o processo em que o espermatozóide consegue penetrar no óvulo, um projeto de ser humano já começa a se desenvolver, "desde aquela fusão do espermatozóide com o óvulo, todo o projeto de um ser humano já está ali, aquilo é um ser em potência, só precisa cuidar, cercar de proteção". Para o estudioso a ética em torno do aborto está proporcional a um filho que tem um pai muito idoso e que não tem condições de fazer mais nada sozinho ,e devido a isso o filho gostaria de dar fim na vida dos pais.

Ainda se tratando de temas polêmicos, Soares define a clonagem humana como utopia. "Não existe a menor possibilidade de ninguém clonar você, por uma razão simples, temos os cromossomos nas células gênicas, os espermatozóides e óvulos, porem a 1% de DNA humano que está na mitocôndria do óvulo e só quem tem óvulo é mulher, resumo: só quem passa 100% do que recebe é a mulher, nos homens não, então nunca será possível ter uma copia sua".

Dentre técnicas adotadas para a cura de determinadas doenças, o especialista defende a utilização do transplante de medula. Segundo ele, o transplante de medula é uma alternativa fantástica "porque pode ser doado enquanto você está sadio para um banco de medula", então caso você adquira uma doença auto-imune, como Lúpus Eritromatoso, doença reumática grave, doenças degenerativas, câncer de sangue, alguns deles, você pode utilizar a sua própria medula sadia guardada para se curar "pelo mecanismo da Hemocaterese no fígado e baço destruídos vão sendo alimentados".

Mesmo com a evolução constante da ciência e dos medicamentos, o bioquímico aponta duas doenças que ate hoje causam questionamentos entre a classe de estudiosos, a AIDS e a gripe. A AIDS foi descoberta há mais de 25 anos e até hoje não tem cura, apenas o coquetel que ajuda os pacientes a estenderem a vida e que ainda trazem inúmeros efeitos colaterais. Já a gripe, que não é uma doença do mesmo patamar da AIDS, apesar de ter cura de uma maneira muito simples a base de medicamentos e alimentação, ainda não há uma definição do que ela é para a ciência "nós não temos resposta se eu quiser definir para você o que é uma gripe" conta Soares.

Para explicar o por que de doenças, como o câncer por exemplo, serem mais graves e devastadoras em alguns pacientes do que em outros, o bioquímico aponta a fé como um "remédio" muitas vezes milagroso e mais eficiente do que ate mesmo os tratamentos aplicados. Com base em pesquisa realizada na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos - uma das mais conceituadas e onde se gasta milhares de dólares por dia em pesquisas, a qual Soares pode acompanhar em algumas instancias, "temos no hipotálamo, uma glândula que fica no cérebro acima da hipófise, que de lá, se você receber uma noticia que tem um câncer, ou que você está com uma doença grave, tipo AIDS" e a pessoa acredita em Deus e tem fé na sua cura "estas obras do espírito capacitam o Hipotálamo e você começa a produzir uma droga que foi descoberta lá em Stanford que é chamada pro-opiomelanocortina, essa droga que cai no teu cérebro, ela dispara para estimular o teu sistema imunológico", passa por alguns processos e se transforma em plasmocito, responsável pela produção dos anticorpos IGA, IGG, IGM e IGE, que segundo o especialista, são de total importância para a nossa saúde e disposição diária.

A ciência e a fé possuem uma coisa em comum: ambas estão em busca da verdade. A ciência em busca de respostas que as vezes não conseguem ser encontradas e a fé dando o suporte para a limitação da razão. Como o próprio Soares declarou, a fé é algo que quem tem não consegue explicar, é abstrato, "ela vem ao auxílio da minha razão que não consegue me dar respostas para questões profundas da minha existência". Com isso percebe-se a importância da ciência ser acompanhada de ética e fé na realização do seu desenvolvimento. "Eu e você somos homens. Deus sem você e sem mim, ele continua Deus, mas eu e você sem Deus somos nada", finaliza o estudioso.

*Juliana Tito é jornalista e editora do portal de turismo Pelo Mundo.

O texto foi extraído a parti de uma entrevista de Jolival Soares publicada pelo semanário NoiteDia.

Israel mata mais uma criança palestina em Gaza

Sanguessugado do Bourdoukan

 

Ei-los que me assombram!

O que pretendem?

Não completamos nossa missão!

Vês aquele abismo?

Não respondo.

Vês aquela nuvem?

Não respondo

És surdo?

O que desejam?

Queremos retornar!

Impossível!

Nada é impossível!

Minhas decisões são irrevogáveis!

Mesmo quando injustas?

Minhas decisões jamais são injustas!

O que dizes?

Minhas decisões jamais são injustas!

Vês aquele corpo?

Vejo pedaços...

Não vire o rosto!

É insuportável...

O insuportável era uma criança!

Malditos!

Vês aquele corpo queimado?

Não vire o rosto!

Horror! Ainda sinto o cheiro...

O cheiro era uma criança de 5 anos!

Basta!

Vês aquele bebê?

Está sem a cabeça!...

Malditos! Malditos!

Vês aquela mãe carbonizada?

O que ela abraça?

O filho que estava amamentando...

Impossível! Loucos! Malditos!

Por que estás tão assustado?

Vocês não vêm?

Vemos mãe e filho carbonizados.

Aquele é meu filho que eu havia mandado de volta...

Apagar das luzes: Governo publica 92 decretos de desapropriação para reforma agrária

Sanguessugado do Lingua Ferina

O governo federal fez publicar no Diário Oficial da União desta sexta-feira (27 de dezembro) 92 decretos de desapropriação de terras para a reforma agrária, completando assim os 100 prometidos pela presidente Dilma Roussef em outubro durante o lançamento do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica. Dias depois do anúncio, foram publicados oito decretos.

A publicação dos decretos não significa a automática criação de projetos de assentamentos, mas apenas o início do processo para tal. Se concretizados todos os decretos, a área destinada por meio das desapropriações totaliza 193,5 mil hectares, com expectativa de assentar 4.670 famílias em 16 estados: Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Espírito Santo, Sergipe, São Paulo, Santa Catarina, Piauí, Pernambuco, Paraíba, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Tocantins. Clique aqui para ver os decretos.

Para a publicação dos Decretos, o Ministério do Desenvolvimento Agrário revogou uma portaria interna que tratava da” nova sistemática de obtenção de terras para assentamentos para reforma agrária”, definida pelo governo em fevereiro, e que prometia a "qualificação" dos novos assentamentos. A medida vem no momento em que Dilma Rousseff foi apontada como a presidiente que menos desapropriou imóveis para Reforma Agrária desde o fim do regime militar.

Humaitá em chamas! – sobre o atual conflito em curso e a posição do Estado brasileiro

Sanguessugado do Pragmatismo Politico

Amazonas: levante popular anti-indígena

Vanessa Nicolav

Neste exato instante, a cidade de Humaitá, no extremo sul do estado do Amazonas, vive um intenso conflito. Como de costume, praticamente toda a informação a respeito desta situação disponível na internet e nos meios de comunicação não dá conta de sua complexidade e tampouco explicita o pano de fundo e as motivações dos fatos que se desenrolam.

Primeiro acompanhe uma breve cronologia dos fatos que levaram à conflagração de um conflito de imensas proporções.

Nos últimos dias os Tenharim foram surpreendidos com a controversa morte de seu cacique Ivan Tenharim. Ele foi encontrado desacordado e ferido próximo à Transamazônica, foi levado ao hospital e não resistiu. As causas de sua morte ainda não foram averiguadas, o que tem gerado profunda indignação entre os indígenas, já acostumados com o descaso do governo brasileiro em relação às suas questões. Após esta fatalidade, uma sucessão de fatos igualmente estranhos levou a um conflito sem precedentes na cidade de Humaitá.

Correm rumores do desaparecimento, desde o dia 16 de Dezembro, de três homens no KM 123 no trecho da BR – Transamazônica, que atravessa a Terra Indígena (TI) Tenharim. Um servidor da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) conversou com as lideranças indígenas, repassando o que estava acontecendo na cidade e as acusações que pesavam contra eles. Nas duas vezes os índios negaram qualquer envolvimento sobre os desaparecidos e ainda disseram que as aldeias estavam abertas para averiguação, buscas e investigação por parte da Polícia Federal (PF) ou do Exercito.

A população saiu às ruas exigindo maior participação da PF para a busca e localização dos desaparecidos que, segundo eles, encontram-se na Terra Índigena dos Tenharins.

Porém, ao invés de um protesto legítimo, o que de fato está ocorrendo é um estado de terror, possivelmente financiado pelos madeireiros, já que, muitas vezes, órgãos como a FUNAI e a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) se colocam como empecilhos aos interesses escusos desses.

Há dois dias servidores da FUNAI e a população de Humaitá pedem apoio e ajuda da PF para conter as ações dos populares, que, sem nenhum impedimento, já atearam fogo em carros, barcos e no prédio da FUNAI e da FUNASA entre os dias 25 e 26 de Dezembro. 11 carros e 2 barcos das FUNAI foram queimados, assim como sua sede, a Casa do Índio e a Casa da Saúde do Índio – todas engolidas pelas chamas e saqueadas sem que a Polícia Militar (PM) impedisse.

Esta ação coloca em risco a vida de diversos moradores da cidade, que residem próximo aos locais incendiados, dos servidores da FUNAI, que neste momento se encontram escondidos em casas de conhecidos, temendo possíveis ataques dos manifestantes e de diversos indígenas da etnia Tenharim.

É importante sabermos que esse conflito oculta interesses econômicos e políticos disfarçados de comoção popular legítima. Não se trata apenas de três pessoas desaparecidas, mas sim de um longo conflito entre uma cultura ocidental, civilizatória e desenvolvimentista, e a existência indígena que, objetivamente, dificulta ou atrasa a realização de interesses do modo de produção capitalista. O agronegócio agradece a cada vez que indígenas se enfraquecem.

Humaitá é uma zona de intensos conflitos com madeireiros, que procuram extrair ilegalmente madeira de áreas protegidas (ou terras indígenas) para comercializá-las. São esses mesmos madeireiros que possuem o poder econômico (e portanto político) na região e, como sabemos, conseguem fazer com que seus interesses sejam levados a cabo. Há indícios de que justamente esses indivíduos estejam se aproveitando da comoção popular para patrocinar o caos, do qual se beneficiam, acirrando o ódio e incendiando os ânimos –assim os manifestantes (que têm sua razão para estar insatisfeitos) são utilizados como massa de manobra para favorecer interesses de uma elite. Afirma-se até que boa parte da gasolina que vem sendo utilizada aos montes esteja sendo paga por eles ou seus representantes, que não concordam, entre outras coisas, com os pedágios das terras indígenas, e se organizam para combatê-los com todo o tipo de recurso.

 

A PM e a PF, compactuando com esse ódio étnico, vêm sendo claramente negligentes, afirmando até mesmo que não é a primeira vez que os índios “causam” uma situação como essa e que até mesmo merecem a represália que vêm sofrendo. Desde que o cacique Ivan foi morto, há mais de 15 dias, a PF nem mesmo foi até a TI averiguar, simplesmente deixando a coisa acontecer; eles se mexeram apenas quando desapareceram homens brancos. O Estado brasileiro está sendo conivente; índios, cidadãos e servidores da FUNAI estão em perigo e não são tomadas as medidas necessárias para divulgar corretamente o que ocorre e conter a violência que se alastra de maneira completamente irresponsável. Até as 14h30 do dia 26 de Dezembro, não havia aparecido sequer uma viatura da PM para fazer prontidão à porta da FUNAI; dezenas de pessoas mexeram na cena do crime, tiraram fotos e pegaram o que quiseram do local, e após quase um dia inteiro de distúrbios é que a polícia decide comparecer ao local.

Não se trata de defender ou atacar indígenas, mas de denunciar a negligência do Estado e dos meios de comunicação brasileiros, prontos a defender os interesses daqueles que os mantêm: industriais, fazendeiros e a burguesia, passando por cima de populações desfavorecidas e/ou marginalizadas.

Precisamos furar esse bloqueio midiático e pressionar o Estado para que haja rapidamente. Centenas de indígenas estão ameaçados apenas por serem indígenas e muitos deles estão sendo conduzidos ao Batalhão de Infantaria do Exército para que possam ser protegidos. Servidores da FUNAI têm sua vida em risco por serem identificados como protetores dos índios.

Por favor, passe esse texto adiante, divulgue essa situação, entre em contato com quaisquer pessoas que você conhecer e que possam ajudar a mobilizar esforços para reverter essa situação calamitosa em curso.
Temos que colocar isso a limpo e no foco das notícias.
Há vidas em risco nesse exato instante. Contamos com toda ajuda.