sexta-feira, 31 de maio de 2013

Remoções no Rio: 30 mil famílias atingidas

Sanguessugado do Fazendo Média

 

remoçoes

 

As remoções no Rio de Janeiro sob a justificativa dos megaeventos esportivos estão levando caos à rotina de milhares de pessoas. Dados do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas revelam que o número de atingidos chega a cerca de 30 mil pessoas.

A reportagem é de Camila Nobrega e publicada pelo portal do Ibase, 15-05-2013.

No total, 3.099 famílias foram removidas e outras 7.843 estão ameaçadas, segundo o documento “Megaeventos e violação dos direitos humanos no Rio de Janeiro”, um dossiê feito em parceria com moradores das comunidades afetadas e organizações de renome na área de urbanismo, entre eles o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (Ippur), e outras entidades como a ONG Justiça Global. O documento – com base em pesquisas de campo e elaborado com dificuldades, já que há falta de transparência do poder público na liberação de informações – foi lançado nesta quarta-feira, dia 15 de maio de 2013.

Entre os lugares citados no estudo, está o Largo do Tanque, onde mora uma história no mínimo paradoxal. Durante mais de cinco anos, Ravel Gonçalves, de 17 anos, atleta da Confederação Brasileira de Vôlei, saía de sua casa, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro, para treinar. O talento o pôs como candidato a uma das vagas às Olimpíadas no vôlei de praia, mudando radicalmente a vida do rapaz. Mas, se por um lado os treinos e o sonho se intensificaram, de outro a história familiar de Ravel foi atropelada justamente pelo evento esportivo. Há dois meses, ele, o pai, a mãe, um irmão deficiente físico, de 18 anos, e o caçula, de 7, tiveram a casa demolida junto a das outras 66 famílias vizinhas. As transformações urbanas – que ocorrem a passos acelerados, especialmente sob o argumento da realização da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos de 2016 – virou a vida do jogador de cabeça para baixo.

– Primeiro vieram medir nossa casa e não nos explicaram nada. Depois, começou a pressão. Nós havíamos comprado o terreno por R$ 15 mil, cinco anos atrás, e fizemos a casa. Ninguém da prefeitura sequer nos explicou até hoje de quem era a posse na realidade, só nos expulsaram – contou Rosinaldo Luiz de Mendonça, pai do atleta.

Retirada de famílias dá lugar à valorização imobiliária

A casa demolida da família Mendonça deu passagem às obras do BRT (Bus Rapid Transit) Transcarioca. A proposta inicial da prefeitura era dar a eles uma indenização de R$ 18 mil pelas benfeitorias no terreno (a casa). Com o valor, não é possível comprar nem um terreno próximo. O acordo final foi de R$ 40 mil, e com esta indenização a família só conseguiu uma casa de dois quartos inacabada, no alto de um morro. A situação se repete em várias outras obras que estão reconfigurando o município quase de forma silenciosa.

Para entender o processo, é preciso lembrar, em primeiro lugar, que a maioria das remoções está localizada em áreas de extrema valorização imobiliária, como explicou um dos coordenadores do levantamento, doutor em planejamento urbano e professor do Ippur Orlando Alves dos Santos Junior:

- O que estamos vendo é um projeto de reestruturação urbana, sem participação alguma da sociedade. São três pontos principais: o fortalecimento da Zona Sul, da Zona Portuária e a criação de uma nova centralidade na Barra da Tijuca, sob o guarda-chuva olímpico. Na verdade, o que ocorre sob esse argumento é uma grave intervenção urbana em função da indústria imobiliária. A presença dos moradores de classes mais pobres se tornou um entrave no meio do caminho a ser removido.

Na apresentação do dossiê, o texto esclarece que as comunidades foram agrupadas tendo como critério o tipo de justificativa utilizada para as remoções. No caso da cidade, elas estariam concentradas em quatro eixos: as obras viárias associadas aos corredores dos BRTs; as obras de instalação ou reforma de equipamentos esportivos; obras voltadas à promoção turística na área portuária e áreas de risco e interesse ambiental. Foram incluídas áreas removidas e ameaçadas de remoção não relacionadas diretamente a esses megaeventos, mas que “podem ser consideradas como parte da estratégia da prefeitura de promover a renovação urbana, a expansão imobiliária e o potencial turístico, envolvendo a remoção de famílias de baixa renda”, explicita um trecho do documento.

Fizeram parte da equipe de elaboração do dossiê urbanistas, arquitetos, geógrafos e voluntários de varias outras áreas, com o objetivo de chamar atenção para o fenômeno das remoções em curso sob o argumento dos megaeventos. Segundo o dossiê, trata-se de uma forma de violação de direitos e de pressão psicológica sobre populações vulneráveis. Vale lembrar que a moradia foi elevada à condição de direito constitucional em 2000, a partir de emenda à Carta da República que ampliou o rol dos direitos sociais.

Enquanto isso, a indústria imobiliária só tem a comemorar. O preço médio dos imóveis anunciados na capital carioca neste mês foi de R$ 8.358, contra R$ 8.143 no Distrito Federal e R$ 6.806, em São Paulo, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE / Zap – relativo a janeiro de 2013). Entre os imóveis vendidos, a valorização do metro quadrado foi de 116,60 %, entre os anos de 2010 e 2012. Para os imóveis alugados, a valorização foi de 68,50 % no mesmo período, a maior valorização no país.

Para a cientista política Sônia Fleury, coordenadora do Programa de Estudos da Esfera Pública, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), há um processo de subordinação do planejamento da cidade aos interesses do capital, em detrimento da cidadania.

- Há um desrespeito geral, inclusive ao Plano Diretor da cidade. A discussão participativa, inclusive com órgãos públicos, foi completamente posta de lado. A Secretaria municipal de Habitação (SMH) identifica as casas a serem demolidas com a própria sigla, com a mesma violência com que, no século XIII, identificava-se um leproso. É um retrocesso na democracia, e as pessoas na Zona Sul só começam a perceber quando arrancam árvores na praça sem avisar, ou quando o aluguel sobe.

(*) Charge do cartunista Latuff, disponível na internet, publicada pela edição do Fazendo Media,

Mauro Santayana propõe O Dia do Torturado

Via Jornal do Brasil

Mauro Santayana

A celebração católica do Corpo de Cristo não faz lembrar apenas a Última Ceia e o rito de fé da Eucaristia. Recorda, à margem da liturgia, os açoites, o corpo agonizante de Cristo preso à cruz e os insultos dos soldados romanos, ao feri-lo com a lança, avinagrar os lábios sedentos e a disputar, nos dados, a túnica do morto. A prisão, o açoitamento, a coroação de espinhos, a escalada do Calvário, são atos continuados de tortura, infligida a um prisioneiro político do Império Romano e, além disso, acusado de heresia diante da religião vigente na Palestina. Não faria mal à Igreja se viesse a considerar esse dia de ofício religioso, também, como o Dia do Torturado.

Não é provável que ela vá tão longe, quando há, em sua História, atos semelhantes de ignomínia, na Inquisição Espanhola e nos tribunais do Vaticano, que condenaram, entre outros, o grande pensador Giordano Bruno à fogueira. Mas nada impede aos verdadeiros cristãos lembrar, na mesma data, os que foram assassinados, sob tortura, no mundo inteiro, por suas ideias e seus atos. Embora a mensagem cristã recomende o perdão, a condição humana recomenda a resistência política e o desprezo contra os torturadores.

Assumir o corpo de Cristo, no ato da Eucaristia, é assumi-l'O em sua grandeza maior, na escolha que Ele faz, de absorver, na carne e na alma, a Humanidade sofredora de seu tempo e, no mistério da Fé, a Humanidade de todos os séculos. É, na visão teológica, a contrapartida simbólica da entrega de Cristo ao martírio. Os que são torturados, humilhados e mortos nas masmorras, na defesa de seu verdadeiro evangelho, vivem, em sua agonia, a plena e absoluta Eucaristia.

Os que são torturados e mortos na defesa de seu verdadeiro evangelho vivem a plena e absoluta Eucaristia

O mundo de nosso tempo não é muito diferente daquele de que falam os evangelistas. Havia ali a presença de um império mundial, com seus interesses. Havia ali um governo títere, imposto pelos romanos, e delegados do dominador, como o representante do consulado, com seu pró-cônsul, ou seja, um governador da potência colonizadora. Hoje, as coisas são um pouco diferentes. Como estamos vendo, na divulgação de documentos norte-americanos, em nosso tempo o pró-consulado é exercido pelos embaixadores, com a assessoria ativa de seus adidos militares.

Na cumplicidade com os interesses imperiais, há a permanente guerra interna dos poderosos contra os débeis. Nas delegacias policiais e presídios, longe de testemunhas, homens e mulheres continuam a ser torturados por agentes do Estado. Acusados de delitos comuns, não têm os que podem denunciar o seu sofrimento, nem lhes prestar a mínima solidariedade. Raramente, os fatos chegam ao conhecimento do Ministério Público. E nem se fale das execuções sumárias, registradas oficialmente como legítimo exercício da força policial contra a resistência “armada” dos suspeitos.

O Dia do Torturado deve ser o da Memória, com a localização dos mortos e o sepultamento digno, sob a cruz e com as lágrimas dos enlutados — como foi o de Jesus, entregue aos seus familiares. A memória nos servirá para evitar a volta do carrossel diabólico e fortalecer a esperança de que não haja mais o sofrimento dos torturados. O  seu martírio não pede vingança mas a vigilância contra os golpistas de sempre e atos pela construção da paz.

Se Cuba é um estado terrorista, que neologismo deve qualificar os EE.UU?

GilsonSampaio

Cuba exporta médicos e educadores pra onde o mundo precisa, notadamente para os países formados de não-pessoas ou não-gentes ou gentes invisíveis.

Cuba não está envolvida e nem patrocina nenhuma guerra.

Se isto é terrorismo, é preciso que seja criado um neologismo para qualificar o que os EE.UU praticam mundo afora.

Fraternidade e solidariedade são duas armas usadas pelo “terrorismo cubano” e, sim, podem instalar o terror no imperialismo da direita trevosa mundial.

A própria acusação contra Cuba é um ato terrorista.

 

Via CubaInformacion

Cuba rechaza acusación de terrorismo y recuerda que EEUU acoge y ampara terroristas como Posada Carriles

Declaración del Ministerio de Relaciones Exteriores de Cuba.- El 30 de mayo, el Departamento de Estado de los Estados Unidos repitió la insólita acusación de que Cuba es un “Estado Patrocinador del Terrorismo Internacional”. Nuevamente, esta decisión bochornosa ha sido tomada faltando de manera deliberada a la verdad e ignorando el amplio consenso y el reclamo explícito de numerosos sectores de la sociedad estadounidense y de la comunidad internacional para que se ponga fin a esa injusticia.

El único propósito de este ejercicio desprestigiado contra Cuba es intentar justificar el mantenimiento del bloqueo, una política fracasada que el mundo entero condena. También pretende complacer a un grupo anticubano, cada vez más pequeño, que se aferra a apuntalar una política que ya no tiene sustento y que ni siquiera representa los intereses nacionales de los Estados Unidos, de la mayoría de la población estadounidense y de la emigración cubana residente en ese país.

El Gobierno de los Estados Unidos insiste en mantener esta designación arbitraria y unilateral, a pesar del desplome total de las acusaciones ridículas y de los argumentos endebles que tradicionalmente ha utilizado en los últimos años como excusas para ello, como la presencia en nuestro país de fugitivos de la justicia estadounidense, ninguno de los cuales, por cierto, ha sido acusado de terrorismo. También alega que Cuba acoge a militantes vascos de ETA, desconociendo que esto respondió a una solicitud de los gobiernos concernidos en el tema. Señala, además, que miembros de la guerrilla de Colombia viven en nuestro país, lo cual constituye una acusación absurda pues desde el 2011, Cuba acompaña, como garante, el proceso de paz en Colombia.

El territorio de Cuba nunca ha sido utilizado y nunca se usará para cobijar a terroristas de ningún origen, ni para organizar, financiar o perpetrar actos de terrorismo contra ningún país del mundo, incluyendo los Estados Unidos. El Gobierno cubano rechaza y condena inequívocamente todo acto de terrorismo, en cualquier lugar, bajo cualquier circunstancia y cualesquiera que sean las motivaciones que se aleguen.

Por el contrario, el Gobierno de los Estados Unidos emplea el terrorismo de Estado como un arma contra países que desafían sus intereses, causando muertes en la población civil. Ha usado aviones no tripulados para perpetrar ejecuciones extrajudiciales de supuestos terroristas, incluso estadounidenses, resultado de lo cual han muerto cientos de civiles inocentes.

Los Estados Unidos han sido históricamente refugio de terroristas y asesinos confesos de origen cubano y hasta el día de hoy cobija a Luis Posada Carriles, autor intelectual del primer atentado terrorista contra la aviación civil en el Hemisferio Occidental, que provocó la explosión en pleno vuelo, frente a las costas de Barbados, de un avión de Cubana de Aviación, el 6 de octubre de 1976 y el fallecimiento de sus 73 pasajeros, incluyendo a los integrantes del equipo nacional juvenil de esgrima. Posada vive libre y tranquilamente en Miami, mientras Gerardo Hernández, Ramón Labañino, Antonio Guerrero y Fernando González permanecen encarcelados injustamente por luchar contra el terrorismo en los Estados Unidos, acusados de delitos que no cometieron.

Cuba ha sufrido durante décadas las consecuencias de actos terroristas organizados, financiados y ejecutados desde el territorio de los Estados Unidos, con un saldo de 3 478 muertos y 2 099 discapacitados. El Gobierno cubano no reconoce al Gobierno de los Estados Unidos la más mínima autoridad moral para juzgarlo.

Desde el año 2002, el Gobierno de Cuba propuso al de los Estados Unidos adoptar un acuerdo bilateral para enfrentar el terrorismo, oferta que reiteró en el 2012, sin haber recibido respuesta.

El Ministerio de Relaciones Exteriores rechaza enérgicamente la utilización con fines políticos de un asunto tan sensible como el terrorismo internacional, demanda que se ponga fin a esta designación vergonzosa que ofende al pueblo cubano, tiene como único objetivo intentar justificar a como dé lugar el bloqueo anacrónico y cruel contra Cuba y desacredita al propio Gobierno de los Estados Unidos.

Los 10 atentados terroristas más graves de la última década. ¿Alguno fue patrocinado por Cuba?

Jorge Legañoa Alonso - @cronicasdecuba.- El Departamento de Estado de Estados Unidos ha vuelto a incluir a Cuba en su lista de países patrocinadores del terrorismo; una designación que, más allá de consideraciones simbólicas como muchos quieren hacernos ver, implica sanciones económicas y limita las relaciones entre los gobiernos y pueblos.

Este jueves conocimos de la publicación del informe anual del Departamento de Estado sobre terrorismo –correspondiente al año 2012–, en el que Washington mantiene a Cuba entre los países que tienen prohibiciones, incluidos vetos a la venta de armas, a la ayuda económica y controles sobre las exportaciones por ser –supuestamente– patrocinadores del terrorismo.

Pero vayamos un poco más allá. ¿Qué implican esas sanciones al país patrocinador del terrorismo? Lo deja claro el informe: la prohibición de transacciones financieras sin licencia, la prohibición de ayuda financiera y técnica directa del gobierno estadounidense, la prohibición de exportaciones de determinadas mercancías como productos industriales pesados, equipos de alta tecnología, y productos de uso dual, la prohibición de transferencia de municiones, y la prohibición del otorgamiento de visas temporales a los nacionales del país sin una decisión especial del Secretario de Estado.

Nuestra Isla entró a formar parte de esta lista en 1982 y, aunque “no hay indicios de que el Gobierno proporcione armas o entrenamiento militar a grupos terroristas”, como afirma el documento, Estados Unidos considera que damos amparo a miembros de organizaciones como ETA o las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (FARC). ¿Qué paradoja, verdad? ¿Acaso pretenden desconocer que en Cuba se gestan los diálogos de paz entre el gobierno de Juan Manuel Santos y las FARC?

Nuevamente aparece el gobierno estadounidense con su lista Made in USA de países patrocinadores del terrorismo y no se incluye. Los sinsentidos no terminan ahí. El informe del Departamento de Estado llega en mayo; el mismo mes en el que en 1998 el gobierno cubano, por conducto del Premio Nobel de Literatura Gabriel García Márquez, le pasó información al presidente Bill Clinton, donde se alertaba de posibles actos terroristas contra aeronaves civiles –incluidas estadounidenses– que volaban entre centroamérica y Cuba. Conducta que habla mucho de la posición cubana sobre el tema.

El gobierno de Obama oculta tras su informe burocrático de terrorismo que Cuba rinde información periódica, verídica y pormenorizada a los organismos de las Naciones Unidas sobre su apoyo al enfrentamiento del terrorismo internacional.

¿Alguien olvida que el gobierno de Estados Unidos ha utilizado el terrorismo de Estado como un arma de su política contra Cuba? En nuestro país han muerto 3 478 personas a lo largo de más de cinco décadas y 2 099 han quedado discapacitados a causa de las operaciones de terrorismo de Estado perpetradas por mercenarios al servicio de ese país.

En más de una ocasión Cuba ha reiterado la disposición de establecer tratados internacionales de lucha antiterrorista con Estados Unidos, país que ignora, con toda mala intención, la propuesta de un acuerdo bilateral de enfrentamiento a ese flagelo que data de 2001 y que fuera renovado en febrero de 2012. La Mayor de la Antillas ha suscrito todos los tratados internacionales en esta materia y tiene una Ley –aprobada por el Parlamento nacional– la No. 93, titulada LEY CONTRA ACTOS DE TERRORISMO, que invito a consultar aquí: http://www.lajiribilla.cu/2005/n194_01/194_17.htmlEl gobierno de Estados Unidos vuelve con su tozudez a incluirnos en su lista personal de patrocinadores del terrorismo. Les dejo los 10 atentados terroristas más graves de la última década. ¿Acaso alguno fue orquestado o financiado por Cuba?

- 11 de septiembre de 2001. Cerca de 3 000 personas mueren y otras 6 000 son heridas en los atentados del World Trade Center en Nueva York y el Pentágono en Washington.

- 12 de octubre de 2002. Un atentado con coche bomba contra una discoteca de la isla indonesia de Bali deja 202 muertos y cerca de 300 heridos, en su mayoría australianos.

- 11 de marzo de 2004. 10 explosiones casi simultáneas sacuden cuatro trenesdel Metro en Madrid, España, justo en la hora de mayor afluencia de la mañana. Fallecieron 191 personas, y 1.858 resultaron heridas.

- 7 de julio de 2005. Cuatro explosiones paralizaron el sistema de transporte público de Londres. A las 8:50 AM explotaron tres bombas con intervalos de 50 segundos entre una y otra, en tres vagones del Metro. Una cuarta bomba explotó en un autobús a las 9:47 AM en la Plaza Tavistock. Fallecieron 56 personas y 700 personas resultaron heridas.

- 14 de febrero de 2005. En el Líbano el ex primer ministro Rafic Hariri es asesinado en un atentado con coche-bomba en el centro de Beirut, que causa 21 muertos y más de cien heridos y provoca una violencia desatada en las calles del Líbano.

- 14 de febrero de 2005. Un triple atentado provoca 12 muertos y más de 130 heridos en Manila, Filipinas, y en el sur en General Santos y en Davao.

- 16 de mayo de 2006. En Marruecos son perpetrados cinco ataques casi simultáneos en restaurantes y hoteles frecuentados por extranjeros y objetivos judíos en Casablanca, con un saldo de 45 muertos y un centenar de lesionados.

- 11 de julio de 2006. Siete explosiones estremecieron al sistema ferroviario de Bombay a la hora de mayor congestión, matando a más de 200 personas y dejando heridas a 300, en lo que las autoridades calificaron como una serie de ataques terroristas bien coordinados.

- 14 de diciembre de 2012. Un hombre de unos 20 años lleva a cabo una masacre de la Escuela Primaria de la localidad de Sandy Hook de Newtown, Connecticut. Ejecutó el atentado con tres armas: una pistola SIG Sauer 9mm, otra pistola Glock 10mm y un rifle Bushmaster AR-15. Mueren 27 personas, de las cuales al menos 18 serían niños.

- 15 de abril de 2013. Al menos tres personas y otras 282 resultaron heridas en dos explosiones ocurridas casi al concluir un maratón deportivo en la ciudad de Boston, Estados Unidos.

Países terroristas: ¿una lista sin Estados Unidos? (+ Infografía)

Una vez más, el Departamento de Estado norteamericano colocó a Cuba en la lista de países que patrocinan el terrorismo, una acción cuyo único propósito es intentar justificar el mantenimiento del bloqueo.

Cubahora

El Departamento de Estado norteamericano colocó nuevamente a Cuba como parte de una lista de naciones que patrocinan el terrorismo, en la que solo aparecen, además, Irán, Siria y Sudán. Desde 1982, Cuba ha sido incluida en esa lista, una acción unilateral y arbitraria, ampliamente condenada por nuestro país.

“El único propósito de este ejercicio desprestigiado contra Cuba es intentar justificar el mantenimiento del bloqueo, una política fracasada que el mundo entero condena. También pretende complacer a un grupo anticubano, cada vez más pequeño, que se aferra a apuntalar una política que ya no tiene sustento y que ni siquiera representa los intereses nacionales de los Estados Unidos, de la mayoría de la población estadounidense y de la emigración cubana residente en ese país”, señala la declaración oficial del Ministerio de Relaciones Exteriores.

De acuerdo con el documento, el gobierno norteamericano insiste en mantener esta designación, “ignorando el amplio consenso y el reclamo explícito de numerosos sectores de la sociedad estadounidense y de la comunidad internacional, para que se ponga fin a esa injusticia”.

Entre los supuestos argumentos manejados por el Departamento de Estado, resaltan la presencia en nuestro país de fugitivos de la justicia estadounidense, así como de militantes vascos de ETA. Según la nota oficial, el Departamento de Estado desconoce que la presencia de los etarras se debió a una solicitud de los gobiernos involucrados en el tema.

Por otro lado, Cuba acompaña, como uno de los garantes internacionales, el proceso de paz en Colombia, por lo que resulta injustificable cualquier acusación en torno a la relación de Cuba con la guerrilla de Colombia.

Pero estas decisiones ignoran, sobre todo, que ha sido el propio gobierno norteamericano el que ha utilizado al terrorismo de Estado como un arma de su política contra la Revolución.

Por territorio estadounidense, asegura la declaración del MINREX, aún caminan libremente decenas de terroristas, entre ellos Luis Posada Carriles, quienes han provocado miles de muertes y de personas discapacitadas en Cuba. Esas mismas autoridades que hoy condenan injustamente a nuestro país mantienen prisioneros, desde hace quince años, a cuatro luchadores cubanos, por monitorear a organizaciones terroristas del sur de la Florida.

“El territorio de Cuba nunca ha sido utilizado y nunca se usará para cobijar a terroristas de ningún origen, ni para organizar, financiar o perpetrar actos de terrorismo contra ningún país del mundo, incluyendo los Estados Unidos”, expresa el documento.

Por último, explica que desde el año 2002, el Gobierno cubano propuso al de los Estados Unidos adoptar un acuerdo bilateral para enfrentar el terrorismo, oferta que reiteró en el 2012, sin recibir respuesta alguna.

La siguiente infografía muestra algunos de los atentados terroristas más notorios ocurridos en los últimos 6 meses. No es difícil advertir que ninguno de estos hechos tiene la más mínima relación con Cuba. ¿Quiénes financiaron estas condenables acciones? ¿Quiénes provocaron o estimularon esos actos? Esas respuestas no aparecen en la “lista negra” del Departamento de Estado.

-1 de febrero de 2013: Atentado suicida frente a la embajada de Estados Unidos en Ankara provocó la muerte de un guardia de seguridad turco y del propio terrorista.

-15 de abril de 2013: Atentado en Boston. Dos artefactos explosivos de fabricación artesanal (ollas a presión) causaron la muerte de tres personas y otras 282 resultaron heridas.

-29 de abril de 2013: Un atentado perpetrado con un coche bomba dejó 6 muertos y al menos 15 heridos, en ataque contra el convoy donde viajaba el Primer Ministro sirio, Wael al Halqi, en Damasco.

-20 de mayo de 2013: Ola de violencia en Iraq deja 50 muertos. Horas después de que 24 policías perecieran en enfrentamientos en una región sunita al oeste del país; una serie de atentados dejó 26 muertos en la capital, Bagdad y en Basoraen.

-22 de mayo de 2013: Atentado en Londres. Un atentado terrorista con cuchillos en plena calle del barrio de Woolwich, al sureste de Londres, causó la muerte de Lee Rigby, un joven de 25 años que trabajaba como tamborilero en el Regimiento Real de Fusileros.

A nova "família Scolari"

GilsonSampaio

Coincidências são coincidências.

Militares elogiam liderança de Felipão e preveem ‘família Scolari’

Favor avisar aos nossos técnicos que futebol não é esporte da caserna.

Via CartaMaior

"Eu convoco quem eu quero e vocês fazem o que quiserem", esbravejou um incomodado Felipão durante o anúncio dos selecionados para a Copa das Confederações

Afonsinho — publicado 19/05/2013 09:51, última modificação 19/05/2013 10:10

Daniel Garcia / AFP

Luiz Felipe Scolari

Luiz Felipe Scolari durante treino na Copa em 2002.

Nem kaká nem Ronaldinho ou Nem. E ninguém com capacidade individual para levar uma bola à linha de fundo.

Embora pareça estranho, o nome do jogador do Fluminense nesse grupo explica-se.

Há situações em que é necessária a presença de um jogador com capacidade de abrir uma defesa fechada em partidas muito equilibradas, quando se precisa vencer ou virar um placar adverso. A extraordinária habilidade do Neymar pode não ser suficiente. Concordo que o Nem não tem mantido uma boa sequência de jogos, muitas interrupções, não poderia ser chamado agora, mas o que interessa é ter um jogador com essas características.

Não há nenhum outro no futebol brasileiro? Desolador.

Em uma semana repleta de festejos de campeões regionais brasileiros, nacionais europeus, e expectativa excitante dos que ainda disputam seus títulos, a convocação da Seleção dá o que falar. Em primeiro lugar, há uma tendência a se pensar que este é o time que vai jogar a Copa do Mundo.

Certo que sairá dali a coluna vertebral da futura “família Scolari”. Muita coisa ainda pode, no entanto, mudar. A começar pelo gol, há muitas posições em aberto. Ramires, por exemplo, deve voltar a ser lembrado. Boa oportunidade ao Hernanes, jogador de muitos recursos.

Estranho também a um ano do início do mundial estarmos nessa situação constrangedora. A insegurança vai da cabeça aos pés da CBF. Ato falho do presidente ao dizer que espera contar com Felipão e Parreira também na Copa de 2014. Sua situação não é nada confortável diante das acusações contra ele.

Em tão pouco tempo, por todas as razões, a melhor solução é a saída de José Maria Marin. Os problemas são muitos, e a instabilidade no ambiente só pode prejudicar.

Quanto ao treinador, tem sido evidente o mal-estar de Felipão ao ter de se submeter às circunstâncias. Engolir sapos nunca foi do seu feitio, e as pressões tendem a crescer, sem tempo para diluir a cólera. Na própria coletiva de apresentação da lista de convocados, a certa altura, mandou esta: “Eu convoco quem eu quero e vocês fazem o que quiserem”.

Quanto ao Ronaldinho, sempre me intrigou sua posição no conjunto. Individualista, transformou-se graças ao seu talento numa “prima-dona” do futebol. Ficamos diante de uma contradição.

Sua função na Seleção seria a de emprestar a larga experiência para fazer o cimento entre as diferentes valências do time.

Talvez por isso, ou apenas como “política”, Scolari deu ao conterrâneo a faixa de capitão no jogo de Belo Horizonte contra o Chile. Ronaldinho é estrela, não liderança. Teria o Felipão desistido do craque?

Agora, resta esperar o desfecho.

O gaúcho fica na expectativa de convocação para a Copa, pois não tem nada mais a provar, e está fazendo grande campanha no Atlético. Não acredito, embora seja larga a lista de estrelas barradas por Felipão ao longo de sua história.

Preocupado em não esquecer, deixar para depois e perder o pé dos Jogos Olímpicos, ou só lembrar quando estiver em cima da hora, assisti a uma entrevista excelente com o grande campeão Lars Grael.

Dentro de sua capacidade, tem acrescentado extraordinário conhecimento administrativo à notável bagagem atlética, sem falar em seu grande poder de análise e equilíbrio.

Lembra a pouca importância do esporte na política. Há pouco tempo com “status” de ministério, é o patinho feio servindo de massa de manobra política. Abordou ainda a questão do voto unitário, que dá pesos iguais a clubes de importâncias distintas.

Como resumo de seu comentário, restam duas possibilidades. Fazer uma Olimpíada parecida com a de Barcelona e de outras cidades que avançaram nos ganhos urbanísticos e no desenvolvimento esportivo. Ou acumular prejuízos em todos os sentidos, como Atenas. Responsabilidade.

No varejo, discute-se o interesse,  já negado, do Bayern de Munique por Neymar, indicado pelo seu novo treinador, Guardiola.

Caso o Santos tenha de negociar seu craque talvez seja a melhor opção, mas só deveria ir depois da Copa de 2014.

Nova viagem do executivo da Fifa para acompanhar o andamento dos compromissos gera falsa crise com o Corinthians e desilusão por aqui. Revelou que cuida das exigências do Mundial. Os ditos “legados” podem ficar pra depois. Deixa pra lá.

Entre nós, não seria nada mal termos um Evo como presidente no Brasil, ainda que fosse por um tempinho! –(plágio de frase de Atílio Boron)

“Entre nós, não seria nada mal termos um Evo como presidente na Argentina, ainda que fosse por um tempinho!”

Via PCB

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Atilio Boron

24.5.2013

Por estes dias, o periódico digital Rebelión publicou duas notas a propósito do áspero conflito entre os mineiros e o governo de Evo Morales, na Bolívia. Li críticas duríssimas contra Evo, que visaram apenas desqualificá-lo completamente. Isto não é novidade, porém a revitalizada virulência destes ataques me preocupa muito. Por isso, me pareceu importante publicar neste blog as duas campanhas, para que vocês tirem suas próprias conclusões.

Respeitando a ordem cronológica segue primeiro o artigo de Rebeca Peralta Mariñelarena e, depois, o mais recente de Guillermo Almeyra.

Porém, não quis somente limitar-me a compartilhar estas duas visões contrárias. Meu parecer, que também submeto à crítica de meus leitores, é o seguinte: Se Evo fosse esse promotor do capitalismo, como alguns o acusam, a grande incógnita que não consigo elucidar é por que o imperialismo quer acabar com seu governo? Por que os Estados Unidos quiseram dividir a Bolívia em duas em 2008 e não só derrubar Evo? Por que estes dois objetivos da Casa Branca permanecem sendo perseguidos, até o dia de hoje, se o presidente boliviano não tem uma gota de anti-capitalismo e anti-imperialismo?

Outra incógnita: a classe trabalhadora (no caso da Bolívia, os mineiros) nunca se equivoca? É possível pensar que, talvez, os mineiros tenham se deixado levar por seus interesses econômico-corporativos (recordar Gramsci neste ponto) e pressionaram por uma reivindicação irresponsável ou impossível de satisfazer?

Cuidado com o tema da “infalibilidade trabalhadora”! Se não, como explicar a adesão majoritária da classe trabalhadora argentina ao peronismo? Ou a questão é que na Argentina se erra ao apoiar governos burgueses, que não têm no horizonte o socialismo, enquanto na Bolívia, em contrapartida, jamais erram em suas opções políticas?

O tema da repressão policial é grave e se Evo deu a ordem merece toda a nossa crítica. Porém, não esqueçamos que, por décadas, as polícias – e não só na Bolívia – vem sendo adestradas, organizadas e equipadas por diversas agências do governo dos Estados Unidos, entre elas a USAID (que Evo acaba de tirar do país). Não descartaria que a polícia tivesse atuado por sua conta e risco. Ao fim e ao cabo, fazem poucos meses se amotinaram contra ele. Quem estaria disposto a descartar uma operação armada pelo império para desprestigiar Evo? Enfim, são, tão somente, alguns apontamentos que me parecem ajudar a fazermos uma caracterização menos maniqueísta da situação, onde Evo = a maldade e os mineiros = a pureza de uma classe inerentemente revolucionária.

A história real não se apresenta em termos tão simplistas. Um homem que mudou de forma definitiva e irreversível a história da Bolívia e que governa com o apoio majoritário de seu povo – e contra a feroz oposição da direita e do imperialismo – merece um trato um pouco mais respeitoso de seus críticos esquerdistas, sobretudo daqueles que nunca conseguiram deixar uma folha duradoura na história de seus países.

Na Bolívia, em contrapartida, Evo se alça com um alcance histórico extraordinário: nunca mais um indígena poderá voltar a ser (mal) tratado, depreciado e explorado como antes. Entre nós, não seria nada mal termos um Evo como presidente na Argentina, ainda que fosse por um tempinho!

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Outra incógnita: a classe trabalhadora (no caso da Bolívia, os mineiros) nunca se equivoca? É possível pensar que, talvez, os mineiros tenham se deixado levar por seus interesses econômico-corporativos (recordar Gramsci neste ponto) e pressionaram por uma reivindicação irresponsável ou impossível de satisfazer?

Cuidado com o tema da “infalibilidade trabalhadora”! Se não, como explicar a adesão majoritária da classe trabalhadora argentina ao peronismo? Ou a questão é que na Argentina se erra ao apoiar governos burgueses, que não têm no horizonte o socialismo, enquanto na Bolívia, em contrapartida, jamais erram em suas opções políticas?

O tema da repressão policial é grave e se Evo deu a ordem merece toda a nossa crítica. Porém, não esqueçamos que, por décadas, as polícias – e não só na Bolívia – vem sendo adestradas, organizadas e equipadas por diversas agências do governo dos Estados Unidos, entre elas a USAID (que Evo acaba de tirar do país). Não descartaria que a polícia tivesse atuado por sua conta e risco. Ao fim e ao cabo, fazem poucos meses se amotinaram contra ele. Quem estaria disposto a descartar uma operação armada pelo império para desprestigiar Evo? Enfim, são, tão somente, alguns apontamentos que me parecem ajudar a fazermos uma caracterização menos maniqueísta da situação, onde Evo = a maldade e os mineiros = a pureza de uma classe inerentemente revolucionária.

A história real não se apresenta em termos tão simplistas. Um homem que mudou de forma definitiva e irreversível a história da Bolívia e que governa com o apoio majoritário de seu povo – e contra a feroz oposição da direita e do imperialismo – merece um trato um pouco mais respeitoso de seus críticos esquerdistas, sobretudo daqueles que nunca conseguiram deixar uma folha duradoura na história de seus países.

Na Bolívia, em contrapartida, Evo se alça com um alcance histórico extraordinário: nunca mais um indígena poderá voltar a ser (mal) tratado, depreciado e explorado como antes. Entre nós, não seria nada mal termos um Evo como presidente na Argentina, ainda que fosse por um tempinho!

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

Vejam aqui os artigos citados por Atilio Borón, em espanhol:

19-05-2013

Obreros en lucha, ¿qué clase de clase es esa?

Rebeca Peralta Mariñelarena

Rebelión

Desde hace 13 días los mineros de la Central Obrera Boliviana se han declarado en huelga general indefinida por la demanda de incremento en las pensiones, por una“jubilación digna”, dicen. El conflicto ha escalado, de marchas a la sede de gobierno a la voladura de un puente con dinamita en la carretera Oruro-Cochabamba, pasando por el intento de toma del aeropuerto de Trinidad. A las movilizaciones se sumaron otros gremios como el magisterio urbano y rural, los médicos y la policía, ésta última se amotinó y algunas de las esposas de estos policías se declararon en huelga de hambre.

El gobierno de Evo Morales ha sido irreductible al rechazar el aumento del 100% en las pensiones, la solución no parece sencilla, los movimientos indígenas y campesinos se alistan a defender al gobierno, hoy cercado por movilizaciones obreras.

¿Qué hay detrás de todo este enredo? ¿Estamos frente a la justa lucha de los trabajadores sindicalizados que en vez de derechos obtienen porrazos de un gobierno intransigente que ha olvidado que fueron los trabajadores y clases populares del campo y la ciudad los que lo encumbraron?

Para un observador poco avisado y acostumbrado a las fórmulas fáciles la respuesta inmediata será si, punto. Pero la realidad suele ser más compleja. La demanda de los mineros de la COB en las primeras mesas de diálogo con el gobierno consistía en el incremento de las pensiones a su gremio -exclusivamente a los mineros-, por 8 mil bolivianos (1.149 dólares), y por 5 mil bolivianos al resto de los trabajadores (718 dólares). Días después, ante la negativa gubernamental por falta de fondos y riesgo en la sostenibilidad del sistema de pensiones, los trabajadores radicalizarían su demanda y exigirían un aumento en las pensiones al ciento por ciento, considerando el monto salarial obtenido en sus últimas 24 papeletas de pago, lo que dispara las cifras hasta, en algunos casos, pensiones de 40 mil bolivianos al mes (5,747 dólares) en un país donde el presidente gana la suma de 18 mil bolivianos al mes (2,586 dólares). El aumento en las pensiones bien puede considerarse un derecho de los trabajadores, pero no así la exigencia del ciento por ciento planteado por la COB en el contexto boliviano actual.

Contextualicemos: En Bolivia, como en el resto de los países latinoamericanos, en los años ochenta del siglo pasado se impuso un sistema de pensiones de corte neoliberal. Esto es, el trabajador aportaba de manera individual a un fondo propio, sin contribución alguna del empleador y, a veces, con una pequeña aportación del Estado. Así, el trabajador jubilado accedía al fondo de ahorros logrado a lo largo de su vida laboral y cuando el dinero acumulado se acababa el jubilado no tenía más ingresos.

En 2010 el gobierno de Evo Morales aprobó una nueva Ley de Pensiones (Ley No. 065)1 que tiene como base el principio de la solidaridad entre los trabajadores y reestablece el deber del patrón y del Estado de aportar para las jubilaciones de los trabajadores. Cabe apuntar que dicha ley fue consensada con la propia COB y proclamada en la sede de la central obrera. Las principales características de este régimen solidario semi-contributivo son: reducción de la edad de la jubilación (de 65 a 58 años, y las mujeres pueden reducir un año por cada hijo parido hasta un límite de tres, 55 años es la edad mínima de jubilación); establecimiento obligatorio del aporte patronal que había sido eliminando en la ley neoliberal (3% del total de las ganancias del patrón), además de un aporte especial por riesgo profesional; sistema diferenciado de aportaciones de los trabajadores: 1% del salario para los trabajadores de menores ingresos; 5% para los de ingreso medio; y 10% para los de más altos ingresos. Esto es, aportan más quienes ganan más. La nueva ley también establece que el monto de la jubilación se determinará promediando toda la vida laboral del trabajador y no sólo los últimos 24 talones de pago.

Así, se consolida un fondo tripartito al cuál aporta el trabajador, el patrón y el Estado. Se trata de un régimen integral en el que los fondos comunes se distribuyen de manera solidaria al compensar las pensiones de todos los trabajadores, lo que beneficia principalmente a los de menores ingresos. Este sistema compensa a los trabajadores hasta en un 70% de su salario.

La propuesta de algunos grupos de mineros y maestros afiliados a la COB de elevar las pensiones al ciento por ciento de su salario actual liquida el sistema solidario, pues hay trabajadores–específicamente mineros–, que durante toda su vida laboral aportaron cantidades mínimas por sus bajos ingresos y, en los últimos meses –debido al incremento de los precios de los minerales– obtuvieron sueldos elevados, con los que pretenden se les jubile, lo que terminaría por vaciar el fondo común. Algo similar ocurre con los médicos, sector privilegiado de profesionistas con altos ingresos que se ha subido al carro de la COB.

No estamos ante la lucha de los obreros contra un gobierno que conculca sus derechos, sino ante una demanda gremial que beneficia a menos del 17% de los trabajadores bolivianos en detrimento del 83% restante, que es, en gran medida, el que menos ingresos tiene2. Y, dentro de ese 17% serían los trabajadores de mayores ingresos los que más beneficiados se verían al perpetuárseles una jugosa renta mensual.

El problema no está en la negativa del gobierno a aumentar las pensiones, sino en que la demanda en sí es desproporcionada, no existen recursos suficientes para asignar pensiones al 100% del salario actual a todos los trabajadores bolivianos. En unos cuantos años el fondo solidario se evaporaría y las rentas habrían de pagarse con dineros del Tesoro General de la Nación destinados tanto a la inversión como a programas de alcance universal, como la Renta Dignidad, que es una especie de pensión que beneficia, sobre todo, a los trabajadores que ni siquiera pueden aspirar a cotizar un pensión baja pues muchos de ellos se emplean en la economía informal y viven al día. En suma, la demanda de la COB pone en riesgo la propia sostenibilidad de todo el sistema de seguridad social y de redistribución de la riqueza.

Entonces, qué clase de clase son los mineros bolivianos afiliados a la COB que defienden privilegios y los disfrazan de derechos sociales poniendo en peligro un sistema de redistribución que ha reducido la pobreza del 60.1% al 49% de 2007 a la fecha, y la pobreza extrema del 34% al 25.4% en el mismo periodo3. ¿Qué intereses hay detrás del grupo del ex paramilitar Jaime Solares, uno de los principales líderes de las movilizaciones mineras?, ¿A quién beneficia el desgaste de un gobierno que se ha caracterizado por defender los derechos de los sectores más empobrecidos? Muestra de lo anterior ha sido el aumento al salario mínimo nacional en un 127% de 2006 a 20124; la asignación de bonos para niños en edad escolar y mujeres embarazadas, lo que ha reducido la deserción escolar y la mortandad materno-infantil.

¿Qué clase de clase es la COB que por asegurarle hoy una renta estratosférica a unos pocos se apropia de los fondos de las futuras generaciones? ¿Esas son las tareas de la gloriosa clase obrera?, ¿vivir como ricos en un país donde todavía hay quienes carecen de lo indispensable? Está claro que la COB no es un ente monolítico y poco a poco se muestran los matices en las propuestas y acciones de los distintos grupos que la conforman; en las últimas horas líderes mineros se han desmarcado de los posibles intentos de golpe o amotinamiento policial anunciados días atrás, federaciones magisteriales han desconocido a dirigentes que, sin consultarlos, los embarcaron en una huelga general indefinida, y ya han solicitado diálogo con el gobierno.

Y es que resulta paradójico que durante toda la etapa neoliberal la COB no se manifestara con esa fuerza ni constituyera un partido obrero, como lo hace hoy para atacar al gobierno surgido de las organizaciones indígenas y campesinas. Las mismas que ya se aprestan a marchar rumbo a La Paz en una demostración de fuerza y respaldo a su gobierno y su presidente.

Ojalá que la COB sepa comprender su papel en esta revolución llevada a cuestas por los indígenas y campesinos del país, sujetos que si supieron ser sujeto histórico. Ojalá que los mineros y demás gremios dejen de prestarse a los intereses electorales de Jaime Solares y su Partido de los Trabajadores, que asuman la tarea de profundizar el proceso de cambio y no la de ser objeto o instrumento de la contra revolución.

La Paz, 18 de mayo de 2013

Notas:

1. El Sistema Integral de Pensiones, SIP, se compone de tres regímenes, el semi contributivo que es de tipo solidario y se explica arriba; el contributivo y el no contributivo, el primero se financia exclusivamente con los aportes de los trabajadores, el segundo se refiere a la “Renta Dignidad” aprobada en 2007 que consta de 2,400 bolivianos al año más gastos funerales por 1,800.00. Bs., la cual beneficia a los adultos mayores de 60 años.

2. Datos del Ministerio de Economía.

3. Datos de la Comisión Especial Para América Latina, CEPAL. Disponible en: http://www.embolivia.org.br/component/content/article/75-noticias-destacadas/581-cepal-destaca-logros-en-economia-y-reduccion-de-la-pobreza-en-bolivia

4. Véase: http://www.la-razon.com/economia/Aumento-triplica-inflacion-acumulada-periodo_0_1804619590.html

Fuente: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=168384&titular=

24-05-2013

Entrevista a Guillermo Almeyra, editorialista internacional de La Jornada de México

"A Evo hay que medirlo por lo que hace, no por lo que dice"

Mario Hernandez

Rebelión

-Mario Hernandez (MH): Buenos días, Guillermo Almeyra. Hemos estado escuchando música boliviana a lo largo del programa a raíz de la entrevista que vamos a tener con Guillermo en lo que yo definiría como un enfrentamiento del Movimiento al Socialismo (MAS), en el gobierno de Bolivia, con su base social, a partir de la huelga de la COB que comenzó el 6 de mayo y se prolongó hasta el domingo. Luego hubo una tregua de 48 horas que vencía hoy a las 8:00 am. ¿Qué reflexión te merece esta situación?

-Guillermo Almeyra (GA): Se acaba de llegar a un acuerdo que camina sobre cristales pero que es favorable al gobierno. Los mineros, los maestros, el personal de sanidad, los maestros rurales, cesaron sus movilizaciones, volviendo al trabajo. La jubilación se hará con el 70% y no con el 100% como pedía la COB pero sobre la base de los salarios de los dos últimos años y no de los 6 como planteaba el gobierno. También se ha formado una comisión con integrantes de los mineros para discutir la modificación de la Ley de jubilaciones. Es una especie de empate.

La situación de los mineros sigue siendo relativamente grave porque Huanuni arroja pérdidas y según la Constitución ninguna empresa estatal puede dar pérdidas, tiene que ser cerrada, hay toda una discusión si se despiden o no a los 5000 obreros mineros o cómo se hace para reducir las pérdidas. Hay motivos para conflictos futuros.

El problema central es que el MAS que era un pool de organizaciones sociales se ha dividido. Las organizaciones sociales urbanas como los mineros, los fabriles, los maestros, etc., están prácticamente en oposición. El gobierno se mueve con las organizaciones campesinas que lo apoyan, las organizaciones de mujeres indígenas campesinas y los sindicatos campesinos como los cocaleros. Hay un enfrentamiento entre el gobierno y los campesinos con los otros sectores urbanos que en su lucha no vacilan, como lo hizo la COB, en amotinar a la policía, con el argumento que también tenían que darle el 100% de jubilación o negociando con sectores de la oposición como hicieron en su momento algunos indígenas.

Esto tiene su base en que no ha sido resuelto el problema de las autonomías y de la construcción de un gobierno popular. El gobierno es centralizador, con el criterio de que hay que crear una Bolivia moderna, centralizada, que nunca hubo, cosa que es justa, que hay que desarrollarla porque sino no se puede acabar con la miseria.

En cambio, los movimientos históricos buscan satisfacer sus intereses y se enfrentan. En todo ese panorama se está desarrollando en el medio indígena una fuerte burguesía aymara en El Alto y alrededor de La Paz. Resumiendo, el gobierno está perdiendo apoyo en un sector que tradicionalmente lo apoyaba.

-MH: ¿Podríamos decir que está funcionando el“capitalismo andino”?

-GA: Una especie de capitalismo andino.

-MH: Basado en la gran minería, en el extractivismo.

-GA: Eso por parte del gobierno que intenta con un capitalismo de Estado desarrollar la extracción de materias primas, sobre todo minería, petróleo y gas.

-MH: Generalmente, cuando uno escucha a Evo sus discursos apuntan hacia otro lado, a la defensa del medio ambiente, a la reivindicación de la cultura de los pueblos originarios, el “buen vivir”, etc.

-GA: La realidad es otra. Hay que medir a la gente por lo que hace, no por lo que dice. Al rengo se lo ve cuando camina, no cuando habla sobre el movimiento.

-MH: Volviendo a la COB: Días atrás lanzó un Partido de los Trabajadores.¿Eso no se mezcla con la reivindicación por las pensiones?

-GA: También. No te olvides que Evo Morales y Alvaro García Linera, su vicepresidente, han forzado una interpretación de la Constitución, que no permitiría más que una reelección, para una segunda. Irán como candidatos del MAS. La derecha ha sido muy golpeada y no tiene candidatos que puedan enfrentar a Evo, que sigue contando con el apoyo mayoritario porque la mayoría de la población sigue siendo campesina y también cuenta con el apoyo de los indígenas, aunque no tanto de los de Oriente que de todas maneras son muy pocos. La COB está intentando crear con su partido una candidatura alternativa.

-MH: Una COB que por otro lado, no tiene la representatividad de la COB histórica. Tengo entendido que representa alrededor de un 25% de los trabajadores.

-GA: Exactamente. Por empezar los mineros, que eran la base de la COB histórica en los años 50, se han reducido muchísimo en número.

-MH: Se han desarrollado muchas cooperativas mineras.

-GA: Y también ha crecido la industria, pero no bajo la forma de fábricas con patrón, sino que se trata de pequeños talleres familiares, donde no se cumplen horario ni salarios mínimos, pero son muchísimos, sobre todo en El Alto. Esa es la característica de ese desarrollo familiar capitalista aymara que te comentaba.

Los movimientos sociales en el gobierno se han subordinado totalmente a una política desarrollista y extractivista

-MH: He visto que previo a analizar la situación en Bolivia escribiste un artículo sobre la necesidad que los movimientos sociales salieran de las reivindicaciones corporativas.

-GA: Ese es el problema central. Los movimientos sociales en el gobierno, como el MAS, se han subordinado completamente al aparato estatal y éste, por definición, mantiene las estructuras capitalistas del país y actúa en forma capitalista. En cambio, los movimientos sociales, intentan esbozar políticas alternativas al capital. Los movimientos sociales que gobiernan se han subordinado totalmente a una política desarrollista y extractivista que favorece a las grandes empresas transnacionales exportadoras de soja, grandes mineras, etc. No tienen base propia porque no tienen una política propia y están en crisis.

-MH: Muy agradecido por tu participación en “Fe de erratas”. Seguramente vamos a estar en comunicaciónen quince días porque me quedó pendiente la semana pasada abordar el crecimiento de los partidos neo-nazis en Europa. Si la coyuntura no nos apura, como en el caso de Bolivia, me gustaría que tratemos ese tema.

-GA: Con mucho gusto.

Tá faltando Bolsa Família na Inglaterrra

Via CartaMaior

Fome já ameaça meio milhão de pessoas no Reino Unido

Informe da Oxfam e da Church Action on Poverty adverte que mais de meio milhão de britânicos dependem de bancos de alimentos de organizações não governamentais para evitar a fome. Segundo organizações, número de pessoas que recorre a estes bancos de alimentos triplicou por causa da reforma do sistema de seguridade social aplicado pela coalizão conservadora liberal-democrata do primeiro ministro David Cameron.

Marcelo Justo, de Londres.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

Mais de meio milhão de britânicos dependem de bancos de alimentos de organizações não governamentais para evitar a fome. O informe da Oxfam e da Church Action on Poverty revela que o número de pessoas que recorre a estes bancos de alimentos triplicou por causa da reforma do sistema de seguridade social da coalizão conservadora liberal-democrata do primeiro ministro David Cameron.
O gigantesco programa de ajuste da coalizão – equivalente a um corte fiscal de 160 bilhões de dólares em cinco anos – contempla um corte de mais de 20 bilhões anuais na ajuda social. Segundo o informe das ONGs, a profunda reestruturação do estado benfeitor e o desemprego fizeram triplicar o número de pessoas que recorrem aos bancos de alimentos no Reino Unido, sétima economia mundial, ex-império que certa vez pode jactar-se que em seus domínios “o sol nunca se punha”.
As duas organizações exigiram uma investigação parlamentar sobre os níveis de pobreza. “A rede de contenção que protegia a população está sendo destruída de tal maneira que estamos vendo um claro aumento da fome. Os bancos de alimentos não devem ser um substituto de um sistema de seguridade social”, assinalou o diretor executivo de Church Action on Poverty, Nial Cooper.
O mais importante banco de alimentos, o Trussel Trust, fornece um mínimo de três dias de emergência alimentar com as doações de escolas, igrejas, empresas, indivíduos e supermercados. “No inverno, comas baixíssimas temperaturas, muita gente tem que escolher entre a calefação ou a comida. Um casal, Anne Marie e Danny, com uma filha de 18 meses, teve problemas para cobrar os benefícios sociais quando Danny teve uma gripe e não pode ir trabalhar. Os vizinhos deram a elas uma lata de sopa para sobreviver. Quando o banco de alimentos interveio, foi como se tivessem salvo a vida deles”, assinala um porta-voz da organização.
Os conservadores defendem os bancos de alimentos como um exemplo da “Big Society” proposta pelo primeiro-ministro David Cameron. Segundo Cameron, não se pode esperar que o Estado cubra todas as necessidades sociais da população: as ONGs e outras organizações têm que cumprir um papel crescente na sociedade. Em uma visita a um banco de alimentos o líder da oposição, o trabalhista Ed Miliband, ironizou esta postura. “Nunca pensei que a ‘Big Society’ fosse para alimentar crianças famintas no Reino Unido”, disse.
Em resposta, o primeiro-ministro acusou Miliband de politicagem afirmando que o número de usuários de bancos de alimentos aumentou durante o último governo trabalhista. David Cameron não faltou com a verdade. Em 2005, cerca de 3 mil pessoas usavam os bancos de alimentos. Em 2009-2010, após o estouro da crise financeira, sob o governo do então primeiro-ministro trabalhista Gordon Brown, já eram 40 mil.
David Cameron só se esqueceu de um detalhe. Desde que assumiu o poder em 2010 o número de usuários dos bancos de alimentos cresceu dez vezes: só o Trussell Trust recebeu mais de 350 mil pessoas. “Se Cameron acredita que isso é um triunfo, seu manejo das estatísticas é digno do 1984 de George Orwell”, ironizou, no “Evening Standard”, o comentarista Richard Godwin.
Com um desemprego de quase 8%, com uma quarta da população economicamente ativa – cerca de oito milhões de pessoas – com empregos temporários, e com um ajuste econômico que, segundo o governo, deve se prolongar até 2018 para atingir um equilíbrio fiscal, a situação vai se agravar.
O Reino Unido teve em 2012 sua segunda recessão em três anos e neste primeiro trimestre se salvou raspando de uma terceira: a economia cresceu 0,3%. Ainda assim, esta semana, a Organização da Cooperação e
Desenvolvimento (OCDE) baixou de 0,9 para 0,8% as perspectivas de crescimento para este ano. Bem Philips, chefe de campanha da Oxfam, considera que os cortes dos gastos sociais não só não tem sentido moralmente como são um erro econômico. “Empobrecer meio milhão de pessoas é uma má política econômica. “Quem serão os clientes dos supermercados e dos negócios em seus bairros?”, perguntou Phillips.

Israel, Joe Biden e os médicos cubanos

Sanguessugado do Bourdoukan

Israel ataca o Líbano.

Israel ataca a Síria.

Israel continua matando palestinos.

O Papa continua rezando.

Deus continua fazendo-se de surdo.

E o Diabo continua sem assessor de imprensa.

Chegamos ao último dia de maio e o planeta resiste.

Hoje, Joe Biden, o vice-presidente dos EUA vai visitar a presidente Dilma Rousseff.

Pressionar seria o termo correto.

Governantes estadunidenses quando vêem ao Brasil , seja de que escalão, vêm para mandar e serem obedecidos.

É a síndrome da plantation.

Sempre com apoio da mídia vira-lata.

Essa sim, não consegue se livrar da subserviência.

Joe Biden confidenciou que não está conseguindo demover os militares nacionalistas que insistem na bomba atômica.

E o seu encontro com Dilma é para ser o contraponto desses nacionalistas que não abrem mão da soberania.

Conseguirá esse seu intento?

No máximo, em dois ou três dias ficaremos sabendo.

E, sim, não esqueci dos médicos cubanos.

O Brasil possui mais de 450 municípios sem qualquer médico.

Que venham pois os cubanos.

E assim o mês das noivas chega ao fim.

Mia Couto: "Não há outro caminho que não seja a insubordinação"

Sanguessugado do Aldeia Gaulesa

O escritor moçambicano venceu a 25ª edição do Prêmio Camões e voltou a defender a urgência de uma insubordinação que questione o atual sistema mundial e abra o caminho para alternativas.

Mia Couto falou com a agência Lusa pouco depois do anúncio da decisão do júri, no Rio de Janeiro. "Logo hoje, que é um daqueles dias em que a gente pensa: vou jantar, vou deitar-me e quero me apagar do mundo. De repente, apareceu esta chamada telefônica e, obviamente, fiquei muito feliz", disse Mia Couto, mostrando-se surpreendido com a decisão.

"Não espero nunca uma coisa destas. Tenho com os prêmios uma relação de distância, não de arrogância, mas pensando que não vale a pena olhar para eles porque a gente trabalha por outra razão, que são outros prêmios mais importantes que este", declarou o escritor. Para Mia Couto, o segundo moçambicano a ganhar o Prêmio Camões desde José Craveirinha em 1991, ele é também um "contributo" para acabar com o pessimismo em relação a África. "Acho que é bom que este continente dê contas de si e sinais de si por via da produção artística", assinalou.

Homenageado há dois anos, em Penafiel, nas Escritarias, Mia Couto deixou um apelo para o tempo presente: “É preciso sair à rua, é preciso revoltarmo-nos, é precisa esta insubordinação”. Agora, repete esse desafio à agência Lusa: "As pessoas, acho que todas, se compenetraram, principalmente nos últimos anos, que isto não é uma crise localizada, não é uma falha, nem é um erro de um certo sistema, mas que é o próprio sistema que tem que ser radicalmente questionado".

"Ou nós vamos melhorar a miséria, ou nós vamos resolver o mundo, a nossa vida e a nossa esperança. Portanto, acho que não há outro caminho que não seja a insubordinação", realçou. "Não digo insubordinação como se ela, por si mesmo, trouxesse as respostas automaticamente. Mas tem que haver uma insubordinação, primeiro, em termos do espírito, em termos daquilo que nós temos que não aceitar deste mundo e da explicação que se dá do mundo", explicou o escritor moçambicano.

Mia Couto conseguiu “passar do local para o global”

A escolha do júri foi justificada pela “vasta obra ficcional caracterizada pela inovação estilística e a profunda humanidade”, em trinta livros que extravasaram as fronteiras do seu país e foram reconhecidas pela crítica, fazendo a sua obra “passar do local para o global”. José Carlos Vasconcelos disse que foi “ponderado tudo o que significa [a obra de Mia Couto] nas literaturas de Língua Portuguesa e na de Moçambique". "Inicialmente, foi muito valorizada pela criação e inovação verbal, mas tem tido uma cada vez maior solidez na estrutura narrativa e capacidade de transportar para a escrita a oralidade", acrescentou o diretor do Jornal de Letras, em nome dos restantes jurados do Prêmio Camões: Clara Crabbé Rocha, catedrática da Universidade Nova de Lisboa, o escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho, o escritor angolano José Eduardo Agualusa, Alcir Pécora, crítico e professor da Universidade de Campinas e o diplomata Alberto da Costa e Silva, membro da Academia Brasileira de Letras, pelo Brasil.

"Já estava à espera há muito tempo que ganhasse o prêmio. É mais do que merecido pela obra notável que tem publicado", sublinhou o editor da Editorial Caminho, que tem publicado a obra de Mia Couto há trinta anos, por entre livros de poesia, contos, crônicas e ficção.

Fonte: Agência Lusa

quinta-feira, 30 de maio de 2013

O Bode Gaiato

O Bode Gaiato

Ação de reintegração de posse contra Terenas deixa um morto e vários feridos no MS

Sanguessugado do Lingua Ferina

Foto

 

Na semana em que o governo federal anunciou a suspensão da demarcação de terras indígenas também no Mato Grosso do Sul, a execução de uma ação de reintegração de posse em Sidrolândia, a 70 quilômetros de Campo Grande, deixou um indígena morto e vários feridos.
Informações iniciais divulgadas pela grande imprensa dão conta de que agentes da Polícia Federal e da tropa de choque da Polícia Militar estadual teriam usado balas de borracha e bombas de efeito moral contra indígenas da etnia terena, que retomaram várias fazendas nas últimas semanas, em área declarada como indígena. No conflito durante a desocupação da fazenda Buriti, vários indígenas teriam ficado feridos e um teria sido morto, informação confirmada pela imprensa.
Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), conforme informações de lideranças Terena, o indígena Osiel Gabriel morreu na manhã desta quinta-feira, 30, depois de ser levado com graves ferimentos de arma de fogo para um hospital. Outros indígenas estariam refugiados numa mata.
A área alvo da ação de reintegração foi declarada como de posse dos terenas em 2010 a partir da delimitação por laudo antropológico produzido 2001, dependendo apenas do governo federal para homologada.
Após a declaração, o processo seguiu para a Casa Civil, para a homologação da presidência da República, o que ainda não foi feito, enquanto nessa o governo o governo federal se reunia com representantes de sindicatos ruralistas e anunciavam a suspensão da demarcação de terras indígenas em todo o estado do Mato Grosso do Sul, seguindo o que já havia sido também anunciado para os estados do Paraná e Rio Grande do Sul.

Na foto. os ministros Gleise Hoffmann (Casa Civil), Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário), Luís Adams (Advocacia Geral da União) reunidos com a presidente da Confederação Nacional da Agricultura, Kátia Abreu e ruralistas do Mato Grosso do Sul no dia 28 de maio. Após a conversa, é anunciado o "mapeamento das propriedades rurais invadidas por índios" e a suspensão das demarcações.

A fazenda Buriti foi a primeira a ser ocupada e única que ainda continua com indígenas dentro de seus limites. Os terena também chegaram a entrar em outras três propriedades, Santa Helena, Querência e Cambará, mas já deixaram esses locais.

A área fazenda Buriti, a única que ainda não havia sido desocupada é reivindicada pelo fazendeiro Ricardo Bacha, que já foi deputado estadual e candidato ao governo do Mato Grosso do Sul pelo PSDB.

Um camarada

Via Boitempo

“Não era uma pessoa comum, isso não. Era um comunista e há algo de excepcional em ser comunista. Um ser estranho porque não é mais só um indivíduo, é um ser composto, coletivo, destes que já assustava à Aristóteles, às classes dominantes de todos os tempos e continua preocupando as autoridades constituídas.”

13.05.29_Mauro Iasi_Um camarada

 Mauro Iasi.

Em memória ao camarada Valdomiro

Nós temos o hábito, compreensível, de celebrar grandes personalidades revolucionárias. Afinal são pessoas que se destacaram por suas realizações, por seu pensamento, por sua trajetória heroica  São aquilo que Heller um dia denominou de indivíduos genéricos, que em sua singularidade apresentam um traço da genericidade; nos quais nos reconhecemos e através deles entre nós nos identificamos, nós os simples mortais. Neles projetamos, afirmou Freud, nosso ideal de ego e passamos a incorporar em nós traços daqueles que se destacam, que assumem papel de líderes.

Assim, em atitude de veneração olhamos para nossos grandes camaradas, Fidel e sua liderança incontestável da Revolução Cubana, ao lado de Che e seu incrível carisma, Lenin e sua firmeza estratégica e flexibilidade tática, Mao e sua capacidade de traduzir para a realidade chinesa os caminhos próprios da revolução, como Allende procurou no Chile, como Amíclar Cabral, Agostinho Neto e Samôra Machel em nossa terra distante da África de onde viemos todos. Outros por seu pensamento que descortina caminhos, constrói valores, desconstrói certezas e desvenda aparências, como Mariátegui, como Lukács, Gramsci e, antes e acima de todos, os gigantes alemães: Marx e Engels. Como os poetas que roubam nossa alma para devolve-las molhadas com suas palavras.

Parece que temos a necessidade de projetar em certos indivíduos representativos nossos desejos e anseios, e, por certas características, ver neles o que nos faz ser como somos. Muitas vezes, por ocupar este papel, apagamos as particularidades destes personagens e suas trajetórias. Os idealizamos, os colocamos para fora da humanidade, cultuamos suas personalidades, exteriorizamos aquilo que é nosso na objetivação do líder, e, por vezes, ela se distancia e se volta contra nós como uma força estranha, alienada.

Como em Che, transformado em guerrilheiro heroico e mistificado, como nosso Mariguella em seu sacrifício, como, talvez, o maior personagem histórico da revolução brasileira, o camarada Luiz Carlos Prestes. Quando era um estudante de história, nos primeiros anos da faculdade e já tendo que dar aulas para sobreviver, peguei alguns livros sobre a história do Brasil para preparar aulas que iam desde o Brasil colônia até o presente, ao mesmo tempo em que estudava a história do movimento operário no Brasil. Naquele painel que se descortina diante de meus olhos, a figura de Prestes saltava como algo de excepcional. Perpassava todas as etapas do Brasil republicano, submergia no mar agitado da história, para reaparecer adiante com a classe trabalhadora que tateava os caminhos de sua constituição revolucionária.

Sua vida, seus acertos e equívocos, sua epopeia na Coluna, a resistência clandestina, seu amor, sua prisão, sua tragédia, sua vida, seu desterro, sua sobrevivência, sua volta ao Brasil, pareciam para mim, naquele momento, tão inacreditável como se o mar diante de meus olhos se transformasse nas páginas da Ilíada e delas saíssem batalhões helênicos em guerra, ou outras das quais saltavam sereias e serpentes marinhas, ou Moby Dick elevando-se das águas escuras enquanto o capitão Haab tenta alvejá-la com seu arpão. Assim me parecia Prestes quando o vi envolto em uma multidão que o cercava junto ao Teatro Ruth Escobar chegando para uma palestra em seu retorno do exílio. Quando o conheci pessoalmente, por um momento, ele me parecia pequeno, magro. Almoçamos em seu apartamento no Rio, arroz feijão, bife, salada. Mas, quando começa a falar, nos transportava para dentro da história e ali emergia o gigante, sua cores iam desaparecendo, tornava-se aos poucos em branco e preto, sépia, amarelo velho, com sua barba e seu uniforme de tenente. Depois, tomamos café.

Nas peripécias de Prestes, nas tortuosas trilhas da clandestinidade e depois, uma pessoa podia ser vista, algumas vezes de perto. Não creio que haja uma foto que o prove, um depoimento em um livro, em algum documento perdido em algum arquivo escrito em sangue nos porões de nossos algozes. Mas estava ali, foi, por um tempo, seu segurança. Chamava Valdomiro e nem sei se daqueles cuja vanguarda de seu nome é um W ou um V, mas gosto de acreditar que seja com V, pois seu Valdomiro não era chegado a estas coisas de sofisticada estrangeirice de dois vs em um só.

Não era uma pessoa comum, isso não. Era um comunista e há algo de excepcional em ser comunista. Um ser estranho porque não é mais só um indivíduo, é um ser composto, coletivo, destes que já assustava à Aristóteles, às classes dominantes de todos os tempos e continua preocupando as autoridades constituídas.

Entrou no PCB jovem e acompanhou o partido toda a sua vida. Não ficava em casa esperando ser chamado, ia procurar os camaradas onde estes estavam e oferecia solícito sua ajuda. Lembro-me de outro companheiro espanhol, seu Benito, que passou um dia no diretório do PT e entrou porque viu bandeiras vermelhas e trabalhadores se reunindo. Incrível, exilado da república revolucionária de Espanha, era como se houvesse hibernado por décadas até que o vento da luta o despertou e ele procurou seus iguais.

No momento em que o já falecido PPS tentou acabar com o PCB e alguns camaradas se reuniram em baixo de uma árvore como sede provisória, Valdomiro devia estar por ali. Nos duros tempos de reconstrução, numa sala pequena na Rua do Carmo em São Paulo, ele cuidava da sede, não como se o partido fosse sua casa, ao contrário, sua casa era o partido. Colocava uma cadeira à porta e recebia à todos com sua atenciosa conversa e consideração. O que não o impedia de bravejar contra qualquer atitude que lhe parecia ofensiva contra um camarada, o partido ou mesmo uma cadeira de nosso patrimônio.

Sem família por perto, costumava passar o natal, esta festa pagã, na casa de meus sogros que cultivam o hábito de receber a humanidade em sua casa como se fosse sua. Sentava-se ali, conversava pausadamente. Não houve uma única vez sequer, que chegando ao partido ele não me cumprimentasse perguntando por meu sogro e minha família. Não ficava ali por um serviço, um trabalho, ainda que desta atividade, por um bom tempo, tenha garantido seu teto e seu alimento. Desempenhava sua atividade como uma tarefa partidária, tão séria como se fosse definida em resolução da Internacional Comunista ou por Lenin em pessoa.

Como compreender estas pessoas? Disse meu mestre poeta, Silvio Rodriguez, que “os homens sem história são a história, grão a grão se formam as grandes praias”. Quando Marx e Engels subvertiam toda a história ao afirmar que o verdadeiro pressuposto da existência é que os seres humanos precisam, antes de tudo, comer, morar, vestir-se e outras coisas e que, portanto, o primeiro ato histórico é a produção dos meios para garantir a produção da existência, estavam dizendo algo parecido. Aqueles batalhões de pessoas anônimas, sem rosto e sem especial destaque, são quem de fato constrói a história que depois será analisada pelos famosos filósofos que, preocupados com o Homem com maiúscula, quase nunca levam em conta os homens e mulheres que prosaicamente produzem o que eles tentam compreender.

Nestes dias recebi a notícia que meu camarada Valdomiro faleceu. Internado em um hospital, ainda perguntou por nós. Não sei explicar a força com a qual sua morte me atinge. Provavelmente esta data não será lembrada, sua figura incrível não será marcada por legado significativo, pelo que tenha pensado ou escrito, o mundo não saíra dos eixos, nem encontrará seu caminho. No entanto, arrisco dizer que seu Valdomiro foi um indivíduo genérico, pelo simples fato de que nele manifestou-se a humanidade, um modo de ser próprio de homens e mulheres de um possível futuro emancipado. Um pequeno grão nesta imensa praia por fazer. Pequeno, mas insubstituível, como todos nós.

Camarada Valdomiro: Presente! Adeus camarada.

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Mauro Iasi é professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, presidente da ADUFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB. É autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o não ser da consciência (Boitempo, 2002). Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às quartas.

Helio Fernandes: Comissão da Verdade, Eleições, Juros

Via Tribuna da Imprensa

Eduardo Campos tenta acalmar e aplacar inimigos, os adversários ficam para depois. Renan sabe contar nos dedos, mas chama isso de MATEMÁTICA. Há muito tempo digo aqui: só o Brasil aumenta juros com satisfação, pensando que é solução.A emoção e o sofrimento na Comissão da Verdade.

Helio Fernandes

Foi emocionante, comovente, mas improdutiva a reunião na Alerj da Comissão da Verdade.  Assistir o depoimento de tantas vítimas da ditadura, revivendo muitos anos depois, tudo o que sofreram, foi realmente inacreditável. E é tudo duplamente improdutivo, a palavra obrigatória que usei no início.

Primeiro, que é impiedoso, cruel e destruidor. Praticamente ser torturado novamente, numa repetição do que aconteceu não só com os que depunham, mas também com os que desapareceram. Eram lembrados, mais tristeza, angústia, sofrimento.

E segundo, que a Comissão da Verdade sinaliza, claramente, que não vai revogar a tão proclamada “anistia ampla, geral e irrestrita”, que só absolveu os criminosos, assassinos, torturadores. Deixam entrever que não têm poderes para isso. Ou então repetem os que tentam suavizar os que não foram nunca suaves, mas agora seriam e são beneficiados pelo fato de terem morrido.

Repetindo Bernard Shaw: “Morreram fétidos de respeitabilidade, se julgando em odor de santidade”. Nada melhor para identificar esses torturadores, os que assumiram ou os que se esconderam. A Comissão da Verdade tem que restabelecer os fatos. Nem adianta a “justificativa” de que já morreram. Afinal, todos têm que morrer, não podem ser absolvidos, imunizados ou inocentados apenas porque o coração parou de bater. A vida, como esses crimes, não prescreve nunca.

O PRESIDENCIÁVEL AÉCIO, EM MARCHA DESALINHADA

O ex-governador de Minas finalmente dá a impressão de que será candidato mesmo. Anuncia que vai percorrer o Brasil inteiro, “para ficar mais conhecido”. Isso não basta, é perda de tempo.

Pode, e nada contra, que percorra o Brasil todo, mas nas horas vagas. Durante a caminhada para atingir ou conquistar Brasília, precisa “morar” em São Paulo. Quer dizer: não apenas no estado e na capital, mas tentando obter o apoio de Alckmin e de Serra. Sem eles não vai nem para o segundo turno, que é o objetivo quase confessado.

O PARTIDO DE DONA MARINA CHEGA AOS 500 MIL

É o primeiro passo para a candidatura. Nunca tive dúvidas de que ela atingiria o total necessário. Minha restrição, apenas em relação à propriedade ou transferência dos votos que teve em 2010, e se repetiria em 2014.

Nas pesquisas, não está correspondendo. O governador de Pernambuco, decepcionado, aparece bem abaixo dela, o que provoca desespero e quase desistência.

O ponto de referência tem de ser a votação do ex-governador Garotinho, pelo mesmo inexistente PSB: 15 milhões de votos. Longe disso não dá nem para conversar.

EDUARDO CAMPOS: SINAIS DE DESISTÊNCIA

São cada vez mais numerosos e visíveis. Desde os problemas com a própria sucessão, até a sonata e fuga dos governadores que deveriam apoiá-lo, consagrá-lo, carregá-lo até o Planalto. Dia sim e outro também, Eduardo Campos vem com a afirmação de que é candidato e não de “mentirinha” (royalties para Joaquim Barbosa).

A fala de agora: “Sou perseguido por todos os lados, inventam coisas que eu não disse, minha candidatura é irreversível”. E os governadores do Amapá, Espírito Santo e Amapá, eleitos pelo PSB? E que dizem abertamente, “não é a hora do governador”. Digamos, ele tem 10 meses para falar por falar. Depois, acabou o tempo.

Mas para fingir que continua, parte para a ofensiva de desmontar os contrários, puxa, que trabalho. Em vez de começar pelos adversários, dá prioridade aos inimigos. E escolhe logo Ciro Gomes para jantar, quem mais importante e irreversível do que esse?

ESSE É O RENAN CALHEIROS

O presidente do Senado comunicou ao Planalto que não colocaria em votação a MP que permitiria a redução das contas de luz para residências e empresas. Garantiu que, votada na Câmara na terça-feira e na outra segunda no Senado, não cumpriria os 7 dias que ele mesmo estabelecera.

E para que todos entendessem, resolveu decodificar e explicou: “Isso não é política, é matemática”. Ah! Renan, você nunca se preserva? Podiam ter dito a você, presidente do Senado (recusando proposta de um presidente da República), que MATEMÁTICA é o todo, ARITMÉTICA é a parte que trata apenas de números. Eu sei que não é fácil, Renan.

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PS – Na semana passada, escrevi aqui: “Na próxima reunião do Copom, no próximo dia 29 (ontem), não haverá espaço para alta de 0,25. Ou fica nos atuais 7,50 ou sobe 0,50 para 8% cravados”.

PS2 – Subiu 0,50 num dia de notícias inteiramente desagradáveis. O dólar subiu quase 2 por cento, a Bolsa caiu 2,50 e o PIB do tamanho da frustração que provocou.

PS3 – No trimestre, alta de 0,6 do PIB , o que surpreendeu negativamente e desagradou a todos. Esperava-se alta de 1 por cento no trimestre, o que daria, mantida a media, alta de 4 por cento no ano.

PS4 – Como no primeiro trimestre de 2012, a alta foi exatamente desse 0,6%, e no final subiu apenas 0,8%. Todos torcem ou apostam para uma não repetição.

PS5 – E o ministro Mantega, que é sempre naturalmente otimista, não foi. Já se prevê um novo “pibinho”, por enquanto, de 2,9 para 2013.

Além da subida dos juros, a faca no peito do devedor

Nota: essa matéria foi publicada antes do anúncio da elevação dos juros  pelo Copom.

Via Correio do Brasil

Dilma afaga bancos com lei que prejudica devedor

29/5/2013 8:53
Leandro Mazzini - de Brasília

Dilma tirou direitos do cidadão ao mudar texto do Código de Processo Civil

Dilma tirou direitos do cidadão ao mudar texto do Código de Processo Civil

A mesma mão que pressionou a baixa do juro foi a que afagou os bancos, num ato discreto que passou pelo Senado. Desde 15 de Maio, a Lei 12.810 sancionada pela presidente Dilma tirou direitos do cidadão ao mudar texto do Código de Processo Civil. Agora, quem entrar em litígio com o banco sobre financiamento ou empréstimo, é obrigado a continuar a pagar as prestações, até a decisão da sentença – mesmo que a instituição esteja errada. Antes, poderia suspender o pagamento ou depositar em juízo.

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Com Marcos Seabra e Adelina Vasconcelos

Livro apresenta 1.200 casos de camponeses mortos e desaparecidos na ditadura militar

Via CPT

Cerca de 90 trabalhadores rurais sem terra acompanharam, nesta sexta-feira (24), o lançamento do livro Camponeses Mortos e Desaparecidos: Excluídos da Justiça de Transição. A obra pretende auxiliar a Comissão Nacional da Verdade (CNV) no reconhecimento oficial de 1.196 casos de camponeses mortos e desaparecidos no campo, entre setembro de 1961 e outubro de 1988. A publicação será lançada, também, em Goiânia, no dia 29 de maio, próxima quarta feira, a partir das 09h00, na Assembleia Legislativa.

(Agência Brasil)

Apesar do número expressivo (3,5 vezes acima do total de reconhecidos oficialmente como mortos por perseguição política), apenas 51 casos foram analisados pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) e, desses, 29 tiveram a causa da morte relacionada à questão política.

“É importante para os trabalhadores rurais, para os camponeses brasileiros recuperar essa história, porque muito dessa história ainda é atual e o estado tem a responsabilidade de apurar os crimes e, com a Comissão da Verdade, fazer com que isso seja colocado a limpo”, disse o coordenador do projeto Direito à Memória e à Verdade, Gilney Viana, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), que elaborou o estudo que resultou no livro em parceria com a Comissão Camponesa da Verdade.

Meios de comunicação e economia

Via CartaMaior

A democratização do setor de comunicações é condição “sine qua non” para que se obtenha um processo de produção e difusão de informações e análises de economia que seja marcado pela efetiva pluralidade. Assim torna-se fundamental a superação do atual modelo, marcado pela concentração de poder e pela olipogolização do setor.

Paulo Kliass

A discussão a respeito da necessidade de uma efetiva regulamentação dos meios de comunicação parece não estar encontrando o eco que merece em nossas terras. Infelizmente, a importância da matéria não tem sido correspondida por uma posição mais efetiva da Presidenta Dilma, que se recusou a colocar sua equipe para atuar no Congresso Nacional em defesa do projeto de lei preparado pelo ex-Ministro Franklin Martins, ainda no governo Lula.

Ao invés de se apoiar nas experiências recentes de outros países, como a Argentina e a Inglaterra, o governo se acomoda, mais uma vez, na postura defensiva no debate e se rende aos interesses das grandes corporações proprietárias dos meios de comunicação. Tanto no caso dos vizinhos “hermanos”, quanto no espaço supostamente liberal britânico, foram aprovados textos legais impondo algum grau de regulamentação e controle públicos sobre as atividades da imprensa, em toda a sua diversidade de difusão nos tempos de hoje.

Por outro lado, além da postura passiva no quesito do marco regulatório, a posição governamental tem sido a de apoiar explicitamente os grandes conglomerados oligopolistas do setor, sem promover nenhuma medida de descentralização dos veículos no que ser refere ao suporte das verbas de propaganda e publicidade. O mesmo ocorre quanto à estratégia de consolidação e fortalecimento de uma rede de veículos públicos de comunicação, capaz de oferecer uma visão distinta daquelas oferecidas pelas poucas e mastodônticas empresas privadas do ramo.

Terminologia envenenada: “mídia” e “economics”

No caso específico da economia, a situação é ainda mais grave, uma vez que o recorte deveria envolver também formas bastante distintas de encarar o fenômeno econômico e as diferentes alternativas para implementação das medidas de política públicas na área. Aliás, a encrenca já começa na própria denominação que o setor se oferece: “mídia”. Prefiro o caminho adotado pelos países de língua espanhola, que adotaram o termo “medios de comunicación”.

Afinal, se falamos tanto em autonomia econômica, social, política e cultural, qual o sentido de usar “mídia” em português? A origem de tudo é o latim “medium”, que se transforma em “media” quando vai para o plural – é assim que se expressa “meios” em latim. Vai daí que os norte-americanos gostaram da expressão encontrada e passaram a usá-la. Porém, com o sotaque de lá, pronunciam aquilo que nós adotamos como sendo o termo em nossa língua: ‘mídia”! Como a hegemonia cultural é enraizada, todo mundo passou a imitá-los, inclusive na nossa gentil maneira de grafar a forma ianque de pronunciar o plural de um termo em latim! Haja criatividade para tamanha submissão!

Por outro lado, observa-se claramente uma opção consciente realizada pelos grandes órgãos de imprensa, ao adotar um único lado no debate econômico. A economia é apresentada como uma ciência quase exata e carregada de um suposto véu de neutralidade técnica. Com isso, oculta-se do leitor ou do espectador o fato de que os pensadores clássicos sempre trataram o fenômeno de forma mais ampla. Para Smith, Ricardo ou Marx, por exemplo, tratava-se de uma área do conhecimento chamada de “economia política”, onde o fenômeno econômico não poderia ser compreendido isolado do conjunto mais complexo das relações na esfera do social e do político. Ocorre que a tradição liberal, capitaneada pelos ingleses e norte-americanos, promoveu uma operação reducionista bastante significativa. “Political economy” tornou-se simplesmente “economics” - em português tudo passou a ser qualificado como economia. Com isso, é claro, perdeu-se muito mais do que o mero adjetivo “política”.

Responsabilidade da sociedade, das universidades e dos meios de comunicação

Não se pode, no entanto, responsabilizar apenas os meios de comunicação como sendo os únicos agentes de tal mudança. Na verdade, o que eles fizeram foi incorporar para dentro das editorias de seus veículos aquilo que se generalizava para o conjunto da sociedade, em razão da hegemonia do pensamento neoliberal que se consolida a partir dos anos 1990. A maior parte das universidades e dos centros de pesquisa também se rendeu a essa forma ortodoxa e monolítica de encarar o fenômeno econômico. Isso implicava uma abordagem acrítica do modo de funcionamento do sistema capitalista de uma forma geral e a concordância ativa e passiva no que se refere aos modelos de ajuste estrutural e da macroeconomia, tal como sugeridos pelo chamado Consenso de Washington. Este último aspecto foi especialmente relevante para o caso de países em desenvolvimento, como o Brasil, que sofreram bastante com tal opção de política econômica durante quase trinta anos.

Com algumas exceções de resistência política e intelectual a essa estratégia de terra arrasada, mais de uma geração de economistas e de jornalistas cobrindo a área de economia foram formadas sob essa batuta. Porém, ao invés de adotar o critério da pluralidade na transmissão das informações e das análises, os meios de comunicação optaram por um alinhamento automático à versão dominante, impedindo que as vozes dissonantes tivessem espaço para divulgação de suas abordagens. A vinculação a uma forma específica de encarar o processo econômico pode ser sintetizada pela trajetória realizada por um grande jornal paulista. Não por acaso, ao longo dessas duas décadas, a empresa optou por mudanças editoriais que implicaram alterações carregadas de significado para aquilo que nos interessa aqui: o caderno “economia” foi transformado em “dinheiro” e mais recentemente em “mercado”. Ou seja, uma transição bastante reveladora da opção adotada pelo grupo e da linha editorial assumida: economia => dinheiro => mercado.

Espaço apenas para a voz monotônica do financismo

A reprodução quase que exclusiva dos interesses e das opiniões vinculadas ao financismo tornou-se prática corriqueira entre os meios de comunicação. A pauta passou a ser coberta com a busca de opiniões de “analistas”, “especialistas” e “consultores de finanças” que se revezavam em oferecer quase sempre a mesma abordagem do fenômeno econômico.

Eram apresentados como verdadeiros interlocutores do oráculo, evidentemente inacessível para os mais comuns dos mortais. De quando em quando, abria-se uma pequena janela para alguma opinião divergente dessa análise hegemônica. Tal postura sofreu um freio de arrumação a partir da eclosão da crise financeira internacional de 2008, uma vez que o receituário oficial – passivamente aceito até aquele momento - não havia sido capaz de evitar, nem mesmo de atenuar, os efeitos devastadores da conturbação. Boa parte dos grandes figurões do “establishment” foram compelidos a realizar uma espécie de “mea culpa” – algumas meio implícitas, outras mais explícitas.

Aqui no país deu-se processo semelhante. Acompanhando também a mudança sutil de discurso de instituições como o Banco Mundial (BM) e o próprio Fundo Monetário Internacional (FMI), economistas passaram a reconhecer a validade das análises ditas heterodoxas. Os elementos de teorias consideradas como heréticas até a antevéspera da crise, a exemplo do keynesianismo, passaram a freqüentar as matérias das editorias de economia.

No entanto, apesar desse recuo tático provocado pela própria realidade, a forma de encarar e refletir a respeito do fenômeno econômico não foi alterada em sua essência, para a absoluta maioria dos grandes meios de comunicação.

Os textos, imagens e as matérias sempre insistem na ideia de que existe apenas uma alternativa adequada para manter a economia “nos trilhos”. E a voz que se expressa pelas editorias de economia é sempre a do financismo.

Os veículos insistem, de forma monotônica, em apresentar uma imagem humanizada à dinâmica econômica, protagonizada pelo capital. Assim, a sensação que passa é de que o “mercado pensa”, o “mercado sugere”, o “mercado exige”, o “mercado se preocupa”. Ao conferir voz e personalidade a esse ente invisível, o que se busca é transformar a implementação de políticas de favorecimento de determinados setores em algo banal, rotineiro, natural e, principalmente, inevitável.

A situação vivida nos Estados Unidos, logo na ante-sala da crise, é bem característica de tal comportamento. A trajetória insustentável dos grandes bancos e demais instituições financeiros era evidente. Porém, a superexposição aos riscos não era mencionada pelos meios de comunicação, que se contentavam em reproduzir as avaliações, sempre otimistas, fornecidas pelas agências de “rating”. Ou seja, como estavam umbilicalmente vinculadas ao modelo de exacerbação dos movimentos especulativos e do chamado “subprime”, as notícias que vinham a público a partir dessas fontes nada isentas - as únicas consultadas, diga-se de passagem - fez com que o caldeirão perigoso e irresponsável do mundo financeiro não fosse conhecido da maior parte da sociedade, senão no dia mesmo da explosão. Como não houve espaço para nenhum alerta prévio, a informação para o grande público só chegou no “day after” do desastre.

No caso brasileiro, por outro lado, a própria institucionalidade do aparelho de Estado contribui para tal unilateralidade na cobertura dos eventos. O comportamento do Comitê de Política Monetária (COPOM) é instruído por uma consulta periódica efetuada pelo Banco Central. A pesquisa Focus pretende aferir as chamadas “expectativas dos agentes econômicos” quanto aos rumos e às principais variáveis de nossa economia. Ocorre que são ouvidos exclusivamente indivíduos e instituições que têm atuação no mercado financeiro, o que torna o resultado bastante tendencioso e viesado. Os meios de comunicação ancoram-se nesse tipo de material para embasar as preocupações e as propostas do tal “mercado”, em sua busca permanente por aumentar a rentabilidade do financismo. Assim, tenta-se oferecer para o público a idéia de que o conjunto da sociedade está a corroborar tal opção, quando na verdade a situação é bem outra. Afinal, não foram ouvidos pesquisadores independentes, instituições de pesquisa vinculadas às universidades ou mesmo economistas que atuam como assessores de entidades do mundo sindical e de associações estranhas ao universo empresarial. Não! O BC ouve apenas “la crème de la creme” da banca e do universo financeiro.

Necessidade de democratização e pluralidade

A democratização do setor de comunicações é condição “sine qua non” para que se obtenha um processo de produção e difusão de informações e análises de economia que seja marcado pela efetiva pluralidade. Assim torna-se fundamental a superação do atual modelo, marcado pela concentração de poder e pela olipogolização do setor. A descentralização do número de veículos e a diversificação das linhas de orientação permitirão, em tese, que os diferentes grupos da sociedade consigam se identificar nesse mosaico mais amplo de alternativas. Além disso, é urgente a consolidação de um núcleo de emissoras e veículos de natureza pública, para que a o Estado tenha condições de oferecer a sua forma particular de encarar e analisar o fenômeno econômico.

Um marco regulatório que avance também pelo caminho da responsabilização e da transparência deverá criar as condições para que a cidadania rompa com os limites estreitos e privadamente orientados das vozes do “mercado”. A função pedagógica dos meios de comunicação também deve ser ressaltada: para além da simples informar, há que aprimorar também sua função de formação. Ao invés de simplesmente oferecer as inúteis cotações de fechamento do mercado fetichizado de bolsas de valores e de câmbio, os veículos deveriam contribuir para que a população consiga efetivamente compreender os movimentos da dinâmica da economia. A maioria de brasileiros e brasileiras têm, com certeza, outros interesses a fazer valer em termos de orientação e análise da nossa política econômica.

Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.