terça-feira, 30 de abril de 2013

Ao quilo: guerra a serviço do tráfe(i)co de órgãos

Sanguessugado do Informação Incorrecta

A guerra é um negócio.

O canal televisivo libanês Al-Mayadin publica uma reportagem que tem como base fontes turcas, segundo as quais existe uma rede que opera no âmbito do tráfego de órgãos humanos. A rede opera em vários Países e vê envolvidos elementos da Turquia, da França e dos Estados Unidos.

Segundo o analista turco Barakat Fares, o tráfego de órgãos não é uma novidade na Turquia, onde existe há anos uma rede sionista activa em particular no sector do fígado e dos rins.

A guerra na Síria teria intensificado as operações perto da fronteira entre Turquia e Síria, onde seria possível actuar com relativa "tranquilidade"; e mesmo no interior da Síria há pessoal médico de várias nacionalidades que utiliza as unidades móveis de primeiro socorro para recuperar órgãos.

Os "doadores" não seriam apenas cadáveres, mas também civis feridos, cujos órgãos seriam sucessivamente enviados para a Turquia. Segundo as notícias, os terroristas que matam na Síria, em particular no Norte do País, receberiam prémios em dinheiro (6.000 Dólares) por cada ferido enviado para além do confim de forma ilegal.

Para confirmar estas notícias, o site internet de Al-Mayadin disponibiliza os testemunhos de alguns paramédicos e de parentes que viram os corpos de entes queridos devolvidos após terem sido privado de algumas partes.

Por enquanto, a associação de médicos turcos já expulsou seis dos próprios associados envolvidos neste rentável negócio.

Ipse dixit.

Fonte: Al-Mayadin

Herbert Vianna: Cirurgia de lipoaspiração?

Sanguessugado do Cidadão do Mundo

Herbert Vianna

Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as e muito mais piração?

Uma coisa é a saúde e outra é obsessão. O mundo pirou, enlouqueceu. Hoje, Deus é a auto-imagem. Religião é a dieta. Fé, só na estética. Ritual é a malhação.

Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo e sentimento é bobagem.

Gordura é pecado mortal. Ruga é contravenção. Roubar pode, envelhecer não. Estria é caso de policia. Celulite é falta de educação e Filho da Puta bem sucedido é exemplo de sucesso.

A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?

A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem, imagem, estática, medidas, beleza. Nada mais importa. Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.

Não importa o outro, o coletivo. Jovens não têm mais fé, nem idealismo, nem posição política. Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.

Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber na roupas, quero ficar legal, quero caminhar, correr, viver muito, ter uma aparência legal mas…

Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulimicas, de jovens lipoaspirados, turbinados, aos vinte anos não é natural. Não é, não pode ser.

Que as pessoas discutam o assunto. Que alguém acorde. Que o mundo mude.

Que eu me acalme. Que o amor sobreviva.

“CUIDE BEM DO SEU AMOR, SEJA ELE QUEM FOR.”

É preciso contar a verdadeira história da Palestina

Sanguessugado do redecastorphoto

 Ramzy Baroud- Palestine Chronicle

Time for a Credible Narration of History

Traduzido por Baby Siqueira Abrão

Ramzy Baroud, palestino da diáspora, é colunista internacional e editor do site Palestine Chronicle. Seu mais recente livro é My Father Was a Freedom Fighter: Gaza’s Untold History [Meu pai era um revolucionário: a história não contada de Gaza], publicado pela Pluto Press.

No início de abril os palestinos do mundo inteiro relembraram o massacre de Deir Yassin, ocorrido em 9 de abril de 1948. Na consciência palestina, o massacre, que tirou a vida de mais de 100 pessoas inocentes, representou a face cruel do sionismo – a base ideológica sobre a qual o Estado de Israel foi fundado. Ao longo dos anos, as lembranças aterradoras associadas a Deir Yassin transformaram-se em algo mais do que sua representação imediata como ato criminoso deliberado, com objetivos políticos, e sobreviveram como uma cicatriz permanente no centro de uma memória coletiva carregada de muitos massacres como o de Deir Yassin.

Deir Yassin, o genocídio praticado pelos sionistas em 9/4/1948 contra mulheres e crianças

Deir Yassin, como acontecimento e como representação política, permanece como componente decisivo da luta palestina por liberdade, mas a história da qual o massacre faz parte continua a sujeitar-se ao preconceito – ou, mais especificamente, ao racismo – da academia e da mídia.

O massacre de Deir Yassin é amplamente aceito no pensamento israelense e ocidental porque os líderes sionistas da época desejavam destacá-lo como uma tática terrorista bem-sucedida para tirar centenas de milhares de palestinos das terras que lhes pertenciam.

Crianças assassinadas pelos judeus durante a Nakba (catástrofe)

Entretanto, outros massacres cometidos pelas forças sionistas durante a Nakba (catástrofe) palestina passam ao largo do conhecimento israelense e ocidental sobre a Palestina e sua história encharcada de sangue, e isso porque esses massacres foram contados, em sua maioria, apenas pelos palestinos.

Trata-se de uma tragédia na qual nem a vítima obtém justiça nem sua vitimização é admitida por aquilo que foi e é. Muitos massacres cometidos contra palestinos estão ocultos porque, a menos que sejam reconhecidos por historiadores israelenses, para as audiências ocidentais é como se eles nunca tivessem acontecido.

Somente quando o jornalista israelense Amir Gilat decidiu publicar um artigo, alguns anos atrás, no jornal israelense Ma’ariv, citando a pesquisa de Theodore Katz, estudante de pós-graduação de Israel, foi que a mídia ocidental reconheceu, ou ao menos concordou em debater, o massacre de Tantura.  Pouco lhes importou que descendentes e familiares das 240 vítimas dessa vila destroçada, assassinadas a sangue-frio pelas tropas da Brigada Alexandroni, nunca cessassem de relembrar seus entes queridos.

Massacre de Tantura

Ao longo dos 65 anos da conquista sionista da Palestina e do início do “problema dos refugiados palestinos” – que também pode ser lido como “genocídio” por quem ousa enfrentar as sensibilidades israelenses-ocidentais – a história da Palestina vem sendo filtrada pelos mesmos mecanismos de décadas atrás. No entanto, é hora de o direito à narrativa verossímil, até agora reservado aos historiadores israelenses, ser assumidamente desafiado.

Quem cavar fundo o texto histórico palestino ficará admirado com a história verdadeira de seu povo, suas muitas tragédias e suas volumosas, fascinantes narrativas de uma civilização profundamente arraigada, insuperável em suas singularidade e continuidade históricas. A representação – ou falsificação – da narrativa palestina, porém, existe na academia, na mídia e até mesmo na imaginação popular ocidentais, tecida por um “conhecimento” cuidadosamente fabricado com o qual os narradores israelenses gentilmente decidiram revesti-la. Remova-se o vínculo israelense com a compreensão ocidental sobre tudo o que diz respeito à Palestina e ter-se-á um espaço vazio de textos desconexos que têm muito pouco de um discurso alternativo.

Benny Morris

O caso de Deir Yassim foi largamente aceito como massacre porque historiadores israelenses como Benny Morris – um pesquisador razoavelmente honesto que permaneceu comprometido com o sionismo, a despeito da história macabra que ele mesmo descobriu – admitiram sua existência como fato histórico.

Famílias palestinas inteiras foram perfuradas por balas [...] homens, mulheres e crianças foram chacinados à medida que saíam de suas casas; indivíduos eram postos de lado e assassinados. A inteligência da Haganah relatou: ‘Havia pilhas de mortos. Alguns dos detidos, levados a locais de encarceramento, incluindo mulheres e crianças, eram cruelmente assassinados por seus captores [...].

Foram as milícias sionistas do Irgun, de Menachem Begin, e da Stern Gang, lideradas por Yitzhak Shamir, que receberam o crédito pela infâmia cometida naquele dia – e ambos os líderes foram generosamente recompensados pela atrocidade de seus atos. Anos depois, esses homens passaram da condição de criminosos procurados para a de primeiros-ministros.

O massacre de Tantura tem uma boa chance de deixar de ser mera ficção palestina e tornar-se história verdadeira porque um estudante israelense resolveu desafiar o discurso oficial de seu país, que insiste em retratar Israel como um oásis de democracia e de pureza histórica.

Numerosas vilas palestinas e seus habitantes, submetidos ao genocídio de 1948 (conhecido, nos círculos polidos, como “limpeza étnica”), não conseguiram fazer o corte histórico, como se continuassem a esperar que um historiador israelense validasse a afirmação de que esse genocídio realmente ocorreu.

Dr. Salman Abu Sitta

Numa comunicação recente, o dr. Salman Abu Sitta, um dos principais historiadores palestinos da Nakba, disse:

A ironia é que aquilo que o suspeito Benny Morris e o respeitado Ilan Pappé escreveram é o que os palestinos vêm dizendo há mais de seis décadas. A mídia dominada pelo sionismo é surda e muda. Trata-se do orientalismo em sua pior forma.

Sem dúvida.

O assunto, entretanto, é tão relevante hoje como era há 65 anos. Os descendentes dos que sobreviveram à Nakba e às subsequentes guerras e massacres são, em sua maioria, refugiados na própria Palestina ou em outros países do Oriente Médio e do mundo. Nem seus ancestrais receberam justiça, nem a geração atual obteve a restituição do que pertencia a seus ascendentes. De Deir Yassim a Tantura, de Ain Al Hilweh a Yarmouk e Jabalya, a escala de sofrimento é a mesma, e permanente.

Ilan Pappé

Mas isso precisa mudar. Sem uma narrativa palestina autêntica, isenta de adulterações, nenhum entendimento verdadeiro da Palestina e de seu povo – até mesmo por aqueles considerados simpáticos à causa palestina – pode ser alcançado. Uma narrativa centrada em relatos que reflitam a história, a realidade e as aspirações da gente comum permitirá uma compreensão genuína da verdadeira dinâmica que move o conflito. Essa narrativa, que faz justiça a toda uma geração de palestinos, é poderosa o bastante para desafiar a parcialidade e a polarização atuais.

Deir Yassin deve ser tão relevante para o presente como essencial para revelar o passado. Não apenas existiram muitos massacres como Deir Yassin, de variadas formas, como Deir Yassim é o microcosmo de um drama muito maior, que continua acontecendo na Palestina. Se o Deir Yassin original, e outros massacres, forem desprezados, considerados anomalias históricas irrelevantes, então o presente permanecerá contaminado e incompreendido.

É tempo de os historiadores palestinos darem um passo adiante e reivindicarem o que é, essencialmente, a sua narrativa, desafiando os preconceitos da mídia e avançando, com coragem, além dos limites permitidos por Israel, desafiando também, portanto, o controle intelectual sobre o discurso palestino.

Mauro Santayana: HORA DE REAGIR

Sanguessugado do Mauro Santayana

 

(JB)-Em sua cruzada contra o totalitarismo, Arthur Koestler disse que é possível explicar o racismo e identificar a origem da brutalidade dos torturadores e dos genocidas. Mas é necessário combatê-los, isola-los, impedir que nos agridam e matem. Em alguns casos, podemos até mesmo curá-los. Mas isso não significa que devamos perdoá-los.

       A aceitação das idéias alheias, que é o sumo das sociedades democráticas, tem limites e eles se encontram na intolerância dos fanáticos e extremistas.

       Na verdade, dois são os vetores da brutalidade: o medo e a loucura. Os grandes assassinos são movidos pela paranóia, e a paranóia oscila entre o ilusório sentimento de absoluta potência e a frustração da impotência. É dessa forma que Adorno, em Mínima Moralia, diz que o fascista é um masoquista, que só a mentira transforma em sádico, em agente da repressão.

       Quem são esses jovens embrutecidos que agrediram um nordestino junto à Estação das Barcas, em Niterói – e foram contidos pelas pessoas que ali se encontravam? São trastes humanos, ainda que sejam trabalhadores e estudantes, tenham família e amigos. O que os faz reunir-se, armar-se, sair às ruas, a fim de agredir e - quando podem – matar outras pessoas?

       Individualmente, apesar de suas artes marciais, seus socos ingleses, seus punhais e correntes de aço, são apenas seres acoelhados, agachados atrás de si mesmos, que só crescem quando se agrupam e se multiplicam, em suas patas, seus punhos, suas armas.

      Eles não nasceram com garras, nem tendo a cruz suástica e outros símbolos  riscados  na pele. Foram crianças iguais às outras, que encontraram pela frente uma sociedade brutalizada pelo egoísmo.

     Não é difícil que tenham sentido no lar o eco de uma civilização corrompida pela competição e destruída, em sua alma, sob o capitalismo sem freios. Às vezes nos esquecemos que só um por cento dos homens controla toda a riqueza do mundo.

      Tampouco nasceram assim os que matam os moradores de rua, movidos pelo mesmo medo e pela mesma idéia de que é preciso manter as cidades “limpas”. Nestes últimos meses, tem aumentado o número de moradores de rua assassinados em todo o país – mas mais intensamente em São Paulo, no Rio, em Belo Horizonte,  em Goiânia.

      De acordo com as estatísticas, 195 deles foram mortos em 2012 e nos primeiros meses deste ano. A imprensa internacional está debitando o massacre à conveniência de “sanear” as maiores cidades, antes do afluxo de visitantes que se esperam para a Jornada Internacional da Juventude e a Copa das Confederações, neste ano, e para a Copa do Mundo, no ano que vem.

      É bom lembrar que a matança  de crianças na Candelária, foi atribuída a uma “caixinha” de comerciantes da região, interessados em varrer as ruas desses bichos “incômodos e sujos”, que são os meninos pobres.  

      Há historiadores e antropólogos que amenizam o mal-estar contemporâneo diante dessa realidade, com a afirmação de que, desde as cavernas, o homem é naturalmente predador. Ocorre que, contra essa perturbadora condição de bichos que somos, prevaleceu o sentimento de solidariedade que nos tornou humanos, e foi possível sobreviver às catástrofes naturais, como os terremotos e as pestes, e às guerras continuadas. Mas, dentro da idéia dialética de que a quantidade altera a qualidade, chegamos a ponto insuportável.  

      Há dois caminhos na luta contra essa nova barbárie. Um é o da fé religiosa, outro o da razão materialista. A fé – um acordo entre o homem primitivo e o mistério da vida, a que ele deu o nome de Deus – tem sido o principal suporte da espécie, sempre e quando ela não se perde no fanatismo.

       A razão se encontra com a fé no exercício do humanismo. Mas há sempre razão na fé, como há  fé na lógica do ateu. As duas posturas são de autodefesa da sociedade humana e se realizam na coerente ação política. Como disse Tomás de Aquino, a filosofia das coisas humanas só se concretiza com a prática da política.

       Há novos pensadores, sobretudo na velha França, que buscam recuperar o humanismo de Marx, o do jovem filósofo dos Manuscritos Econômicos e Filosóficos, de 1844, e as suas reflexões sobre a alienação. O trabalho de Marx correspondeu à necessidade de defesa dos trabalhadores contra o liberalismo do século 19, e a desapiedada exploração dos pobres pelas oligarquias burguesas, substitutas do velho feudalismo.

       Retornar a Marx é buscar novas e mais eficazes respostas contra o neoliberalismo de nossos dias. É ainda possível a aliança entre o humanismo cristão e os pensadores agnósticos, fundada em uma constatação fácil, a de que é preciso salvar o homem de si mesmo. É urgente salva-lo do barbarismo reencontrado na estupidez do egoísmo neoliberal. Isso faria do planeta o seguro espaço da vida. O retorno esperado à Teologia da Libertação é uma das vias de acesso à Terra Prometida.

       O filósofo francês Dany-Robert Dufour, em um de seus ensaios, pergunta que homem emergirá do ultraliberalismo de hoje. Não é necessária a pergunta: ele já está aí, no corpo volumoso adquirido nas academias e nutrido de anabolizantes; na cabeça reduzida pelas mensagens de uma cultura castradora, fundada no efêmero e no inútil; na pele usada como o anúncio de cada um, mediante as tatuagens; na ilusão da fama e da eternidade, nas postagens arrogantes no Facebook; no ódio ao outro, celebrado no culto à morte.

       Essa  visão nublada do mundo está contaminando grande parte de nossa juventude, nas escolas e universidades. É preciso que as escolas deixem o tecnicismo que as reduz, e voltem ao módulo ético, para fazer dos homens, homens, e deles afastar os instintos dos predadores.

       É preciso reagir. Os alemães dos anos 20 e 30 não reagiram, quando grupos de nazistas atacavam os judeus e comunistas. Os democratas europeus não reagiram contra as chantagens de Hitler no caso do Sarre, da anexação da Áustria, do ultimato de Munique.  Dezenas de milhões pagaram, com o sofrimento e a vida, essa acovardada tolerância.

Mercadante e a Folha e Ivan Seixas

Sanguessugado do Rodrigo Viana

“O jornal Folha da Tarde estampou manchete comemorando a morte de meu pai quando ele ainda estava vivo.” – Ivan Seixas

“Perplexos ficamos nós com essa carta”, diz Ivan Seixas

A ficha falsa que a Folha publicou em 2009: reencontro do jornal com sua história

Ivan Seixas era um jovem militante de esquerda  quando foi preso pela ditadura, ao lado do pai, Joaquim Alencar de Seixas. No dia 16 de abril de 1971, os dois foram levados para o DOI-CODI/OBAN, em São Paulo, e barbaramente torturados.

Em 2009, quando a “Folha” publicou o famoso texto chamando a ditadura de “ditabranda”, Seixas enviou várias cartas ao jornal – jamais publicadas. Numa delas, fez referência ao passado do grupo “Folha”, jornal que “empregava carros para nos capturar e entregar para sessões de interrogatórios, como sofremos eu e meu pai.” E completou: ”Ninguém me contou, eu vi carro da “Folha” na porta da OBAN/DOI-CODI.” (Para saber mais, clique aqui)

Prestem atenção: a “Folha” jamais publicou as cartas de Ivan. Mas publicou, semana passada, a simpática cartinha de Aloisio Mercadante, em que o petista se revela “perplexo” com as notícias de que “seu Frias” (dono do jornal) era muito próximo do aparato repressivo e até daria apoio financeiro à “irmandade” que operava as torturas.

O Escrevinhador entrevistou Ivan Seixas, por e-mail, sobre a tal carta de Mercadante (clique aqui para ler a carta na íntegra, e para saber a opinião deste escrevinhador sobre o episódio). Abaixo, a entrevista, na íntegra. (Rodrigo Vianna)

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- (Escrevinhador) O ministro Aloisio Mercadante (que é do PT), enviou uma carta à Folha de S. Paulo declarando-se “perplexo” com a noticia de que Otavio Frias de Oliveira (o “seu” Frias, já falecido, pai dos atuais controladores do jornal) visitava frequentemente o centro de torturas do DOPS, além de ser amigo pessoal do delegado torturador Sergio Paranhos Fleury. O que achou da carta de Mercadante? Há motivo para se sentir “perplexo”?

(Ivan Seixas) Perplexos ficamos nós com essa carta. O proprietário do Grupo Folha tinha uma relação tão íntima com o sistema repressivo da ditadura que até cedeu um de seus jornais para o DOI/CODI fazer propaganda de seus assassinatos; chegou a emprestar os carros de distribuição desse mesmo jornal (Folha da Tarde) para os torturadores montarem emboscadas contra os militantes da resistência.

O ministro não deve ler muito as publicações do próprio Grupo Folha, pois o livro da série “Folha Explica”, da jornalista Ana Estela de Souza Pinto, conta tudo isso sem rodeios:

- Na página 51 está escrito que “na Folha da Tarde o endurecimento do regime pós-AI-5 trouxe mudanças radicais. Sem ter conseguido transformar a simpatia dos estudantes em aumento de vendas, o jornal amargou baixa circulação até ser entregue, em 1969, à chefia de Antônio Aggio Jr, jornalista que tinha ligações com órgãos de segurança e adotou uma linha editorial de apoio ao regime militar (…) Na redação, militantes de esquerda foram substituidos por jornalistas ligados à polícia, alguns com cargo de delegado ou patente de major ou capitão da PM

- Na página 52, informa-se que queA Folha de São Paulo se mantinha distante da linha policial da Folha da Tarde, mas não enfrentou a ditadura. Desde 1968, praticava a autocensura e acatava instruções repassadas diariamente pela repressão. (…)

- Na página 56, a jornalista afirma quedo lado da Folha, a direção não nega a possiblidade de a  ocorrido, mas sem o conhecimento da empresa. Em 2006, em depoimento para a biografia do empresário, o diretor de redação, Otávio Frias Filho, militante no movimento estudantil no final dos anos 1970, disse considerar possível que veículos da empresa tenham sido usados por policiais e que, ao questionar o pai sobre o episódio, ele sempre negou ter sido consultado sobre emprétimos deles. Frias Filho também não acredita em envolvimento do sócio de seu pai, Carlos Caldeira, que tinha afinidade com integrantes do regime militar e era amigo do Coronel Erasmo Dias.

Caldeira não era o único com conexões militares. Nas redações da empresa havia policiais civis e militares, tanto infiltrados como declarados – alguns até trabalhavam armados.

O ministro da Educação não lê? Militante da resistência, como se diz, desconhece tudo isso?

- O ex-agente da repressão Claudio Guerra disse, em depoimento à Comissão da Verdade da Cãmara de Vereadores de São Paulo, que “seu” Frias colaborava com dinheiro para a “irmandade” dos torturadores, além de ser amigo pessoal de Fleury. As  afirmações de Guerra merecem crédito? São compatíveis com as informações que você já conhecia?

(IS)A ser verdadeira a informação dada por agentes repressores ouvidos, de que a segurança pessoal do senhor Otávio de Oliveira Frias era feita pelo delegado Roberto Quass, do DEOPS/SP, chefiado pelo torturador Sérgio Fleury, podemos concluir que a ligação entre eles não era mera retórica. Como ninguém daria recibo de contribuição para o caixa da tortura, não é possível atestar a veracidade dessa informação do ex-delegado Cláudio Guerra. No entanto, até agora ninguém o desmentiu nem suas informações foram desmentidas pelos fatos.

- Qual o testemunho pessoal que você, ex-preso político que teve o pai morto sob tortura, pode dar sobre a Folha e a parceria do jornal com a ditadura?

(IS) O jornal Folha da Tarde estampou manchete comemorando a morte de meu pai quando ele ainda estava vivo. Todos os outros jornais publicaram apenas a nota oficial que o II Exército os obrigou publicar. Por outro lado, vi carros da Folha estacionados diante da sede do DOI-CODI em duas ocasiões. Como alí não havia bancas de jornal nem era estacionamento, conclui que eram os carros usados em esquemas para a montagem de emboscadas pra captura de militantes, que seriam depois torturados.

- A ALN chegou a explodir carros de entrega da Folha, nos anos 70? Por que isso ocorreu? A esquerda armada sabia, naquela época, da ação do jornal em apoio aos torturadores?

(IS) Sim. A resistência sabia que havia esse esquema de cessão de carros da Folha para a montagem de emboscadas. Por causa disso, a ALN queimou carros da Folha para avisar que já sabia disso e que não iria tolerar a continuação dessa prática.

- Há um brilhante documentário, chamado “Cidadão Boilesen”, que narra a história do empresário, diretor da Ultragaz, que financiava e participava das sessões de torturas (Boilesen acabou morto, em represália, pelos guerrilheiros de esquerda). Quais as semelhanças entre Boilesen e Frias? Não falta um documentário “Cidadão Frias”?

(IS) Nesse documentário o empresário José Papa Júnior afirma sem nenhuma cerimônia ou constrangimento que “todos nós empresários dávamos dinheiro para a OBAN e para o DOI-CODI”.

Creio que seria bem interessante a realização de um documentário “Cidadão Frias”. No Chile foi feito um documentário sobre o dono do jornal El Mercúrio, que tinha essa mesma relação com a ditadura Pinochet. O nome do filme chileno é “Diário de Miguel”.

- O ministro petista afirma em sua carta: “tive a oportunidade de testemunhar o papel desempenhado pelo jornal, sob comando de seu Frias, na luta pelas liberdades democráticas (…) Frias merece meu reconhecimento”. O que poderia explicar que o minstro Mercadante tenha escrito essa carta? O ministro faz alguma cálculo político? Está desinformado? Ou tomou uma atitude pura e simplesmente bajuladora?

(IS) Talvez seja uma mistura de um pouco de cada um desses ingredientes. Mas a bajulação aos donos da mídia, colaboradores e beneficiários da ditadura, é uma constante em nosso país. Do mesmo modo que a estreita relação com as grandes empreiteiras. Durante a ditadura, essas empresas se lambuzaram com as verbas para a construção de obras faraônicas ao mesmo tempo que davam dinheiro para as torturas. Hoje elas recebem verbas para obras grandiosas ao mesmo tempo que contribuem com TODOS os partidos.

Não por acaso, há anos que os familiares de desaparecidos insistem para que os currículos escolares oficiais incluam o ensino sobre a ditadura militar e nunca conseguiram sensibilizar os ministros da educação para isso. Acho que achamos agora a resposta para esse mistério.

E por falar em crianças...

Sanguessugado do Bourdoukan 

Amigo, não se engane!

Você é livre enquanto não ameaça o sistema.

Vivemos num mundo onde os novos escravos são as crianças. Uma em cada três vive sob a servidão do lucro e da exploração. São crianças que nunca ouviram falar em infância, não freqüentam escola e ignoram o lazer. São míseras peças de uma engrenagem que idolatra a mais-valia.

A esperança para elas é uma quimera.

Esse é o mundo perfeito do capitalismo.

E essas crianças ainda são privilegiadas diante do horror que a “civilização ocidental” representa.

No Iraque, por exemplo, a Cruz Vermelha Internacional informa que registrou a prisão de mais de cem crianças, a maioria delas em Abu Ghraib.

E nessa mesma prisão o jornalista Seymour Hersh, do New Yorker, primeiro jornalista a denunciar as torturas praticadas pelos soldados americanos, declarou durante uma palestra que assistiu a tapes “onde podíamos ver as crianças sendo sodomizadas.

O pior de tudo era ouvir seus gritos”, ressaltou.

Sodomia de crianças é a última manifestação da “democracia de exportação”.

Essa mesma democracia que fala em liberdade de imprensa, mas não permite que essas verdades sejam divulgadas.

Crianças com 8 anos de idade servindo a apetites medonhos de alienígenas que invadiram seu país para aumentar os lucros de empresas.

Amigo, não se engane!

O capital é isso. Vive da posse e da exploração do alheio. Nem que para isso seja necessário invadir países, assassinar populações e estuprar crianças.

Hoje, a miséria é a principal transmissora de doenças e epidemias já extintas.

Graças a esse sistema, vivemos numa sociedade onde o individualismo é levado ao extremo.

O homem deixou de ser um animal social, para se transformar num ser solitário, triste e egoíst

Nem amigos, nem vizinhos, apenas solidão.

Esse sistema seja qual for a fé, governa a matéria e o espírito.

Transformou o ser humano num animal cruel, contra si e contra os outros.

O capitalismo matou os anjos. Hoje, são os demônios que falam em nome de Deus.

Pobres semitas - antes, os arianos, agora, os israelianos

OS MILICOS RESOLVERAM ME INTIMIDAR

Blog do Laque via facebook da Flávia Leitão

 

Coronel Antônio Paiva Rodrigues

Depois de me xingar dessa forma,
quais serão as providências do pessoal do Guararapes

em ralação a mim e a meu livro?


Se você pensa que os militares estão conformados com a redemocratização do Brasil, com a instalação da Comissão da Verdade ou em ter uma ex-guerrilheira sentada na cadeira de presidente, leia o e-mail que recebi esta semana de um oficial.

Só a acusação de terrorista contida no texto já me iguala, em periculosidade e desvio de conduta, aos irmãos que atacaram a Maratona de Boston ou, até mesmo, ao próprio Bim Laden, com perdão da imodesta comparação.

     O fato de dizer que tenho cara de diabo ou sou comunista frustrado não mexe muito com meu ego, já que acho o demo até charmoso e nunca fui um "comunista" propriamente dito.

      Agora, a gravidade do fato é que o referido e-mail não é uma simples ameaça anônima, dessas que viraram febre na internet. A intimidação tem nome, sobrenome, patente militar graduada e endereço eletrônico.

     E o que deixou o coronel Antônio Paiva Rodrigues tão irado? Ora, uma singela propaganda do livro Pedro e os Lobos - Os Anos de Chumbo na trajetória de um guerrilheiro urbano enviada a sua caixa-postal.

conheça Pedro e os Lobos acessando http://osanosdechumbo.blogspot.com.br/

     O milico simplesmente não gostou de saber que meu trabalho discorre sobre as mazelas praticadas pelos seus pares durante o regime militar e, de quebra, trata os Anos de Chumbo a partir da ótica da guerrilha.

   Ele também deve ter torcido o nariz para o tratamento de herói que dei ao ex-sargento Pedro Lobo de Oliveira e a todos os seus companheiros de luta que atazanaram o governo de coturnos naqueles distantes anos 1960 e 1970.  
      Na visão de Antônio Paiva, Pedro e os Lobos é um livro nefasto que confunde a mente dos brasileiros.

    O perigo maior, entretanto, é a questão não ter parado no gabinete do referido coronel. Ele encaminhou "meu caso" a um oficial mais graduado ― o general de divisão reformado Francisco Batista Torres de Melo, coordenador dum grupo chamado Guararapes ― para a devida tomada de providências.

     E, vindas de um general de divisão das antigas, que chefia uma entidade de ultra-direita cujo lema é ― Estamos Vivos!, já imagino quais serão as providências cabíveis.

     Portanto, caros perseguidores, se esta for minha última aparição aqui neste espaço ou em qualquer outro espaço existente sobre a face da Terra, se conformem.

     A propósito, o coronel em seu e-mail garante que estamos perto de um débâcle. O grifo em amarelo no e-mail, inclusive, é dele. Alguém saberia me explicar o que ele quis dizer com isso?    

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segunda-feira, 29 de abril de 2013

Mauro Santayana: O GOLPE DA INFORMAÇÃO

Sanguessugado do Mauro Santayana

 

(RB)-Há 48 anos, quando o Brasil vislumbrava reformas constitucionais necessárias a seu desenvolvimento, os Estados Unidos financiaram e orientaram o golpe militar. E interromperam uma vez mais um projeto nacional proposto em 1930 por Vargas. Os acadêmicos podem construir teses sofisticadas sobre a superioridade dos países nórdicos para explicar o desenvolvimento da Europa e dos norte-americanos e as dificuldades dos demais povos em acompanhá-los, mas a razão é outra. Com superioridade bélica, desde sempre, impuseram-se como conquistadores do espaço e saqueadores dos bens alheios, os quais lhes permitiram o grande desenvolvimento científico e militar nos séculos 19 e 20 e sua supremacia sobre o resto do mundo.

Pode-se ver a origem do golpe de 1964 mais próxima uma década antes. Em 1953, diante da resistência de Getulio, que quis limitar as remessas de lucros e criou a Petrobras e a Eletrobras para nos dar autonomia energética, a ação “diplomática” dos Estados Unidos cercou o governo. Com o aliciamento de alguns jornalistas e dinheiro vivo distribuído aos grandes barões da imprensa da época, construiu a crise política interna. Entre a lei que criou a Petrobras e a morte de Getulio, em 24 de agosto de 1954, o Brasil viveu período conturbado igual aos três anos entre a renúncia de Jânio e 1964.

A propósito do projeto de Getulio, seria importante a tradução no Brasil de um livro no qual essa operação é narrada em detalhes:The americanization of Brazil – A study of US cold war diplomacy in the third world, 1945-1954. Um estudo sobre a diplomacia norte-americana para o Terceiro Mundo em tempos de Guerra Fria. O autor, Gerald K. Haines, é identificado pela editora SR Books como historiador sênior a serviço da CIA, o que lhe confere toda a credibilidade.

Haines mostra como os donos dos grandes jornais da época foram “convencidos” a combater o monopólio estatal, até mesmo com textos produzidos na própria embaixada, no Rio. E lembra a visita ao Brasil do secretário de Estado Edward Miller, com a missão de pressionar o governo a abrir a exploração do petróleo às empresas norte-americanas. O presidente da Standard Oil nos Estados Unidos, Eugene Holman, orientou Miller a nos vender a ideia de que só assim o Brasil se desenvolveria. Mas o povo foi às ruas e obrigou o Congresso a impor o monopólio.

A domesticação dos meios de informação do Brasil começara ainda no governo Dutra. Os norte-americanos usaram as excelentes relações entre os intelectuais e jornalistas e o embaixador Jefferson Caffery, nos meses em que o Brasil decidira por aliar-se aos Estados Unidos na luta contra o nazifascismo, em benefício de sua expansão neocolonialista.

A criação da Petrobras levou os ianques ao paroxismo contra Vargas, e os meios de comunicação acompanhavam a histeria norte-americana. A estatal era vista como empresa feita com o amadorismo irresponsável dos ignorantes.

A morte de Vargas não esmoreceu os grupos que tentaram, em 11 de novembro do ano seguinte, impedir a posse de Juscelino. O golpe de Estado foi frustrado pela ação rápida do general Teixeira Lott. Em 1964, a desorganização das forças populares favoreceu a vitória dos norte-americanos, que voltaram a domesticar a imprensa e o Parlamento e manipularam os chefes militares brasileiros.

Os êxitos do governo atual e a nova arregimentação antinacional contra a Petrobras – agora com o pré-sal – devem mobilizar os trabalhadores que não estão dispostos a viver o que já conhecemos. Sabem que a situação internacional tende para a direita, e não podemos repetir apenas que o povo esmagará os golpistas. É necessário não só exercer a vigilância, mas agir, de forma organizada e já, para promover a unidade nacional em defesa do desenvolvimento de nosso país.

Troca-troca: Militantes acusam PSOL de “endireitar” e pulam para o barco do PSTU

Via Esmael

 

Ex-senadora Heloísa Helena em baixa entre militantes do Paraná e no PSOL.

Ex-senadora Heloísa Helena em baixa entre militantes do Paraná e no PSOL.

Não é só nos partidos da burguesia, os PSDB e DEM da vida, que há troca-troca partidário. Há também puladas de cerca no espectro da extrema esquerda. Veja esse caso, do Paraná, envolvendo o PSOL e o PSTU.

A presidenta do Sindicato dos Técnicos Administrativos da UFPR (Sinditest), Carla Cobalchini, e o diretor da entidade José Carlos de Assis anunciaram desfiliação do PSOL, da ex-presidenciável Heoloisa Helena, e ingresso no PSTU.

“O aparecimento contínuo de práticas corruptas, reformistas e eleitoreiras deixou de ser a exceção para se tornar a regra. O financiamento privado de campanha (GERDAU), as alianças espúrias com a direita (Macapá), a incoerência política na reivindicação do apoio do PT e de LULA (Edmilson-Pará), a recusa da defesa das bandeiras programáticas do partido por parte da sua principal figura pública e candidata (Heloisa Helena e a defesa contra a legalização do aborto); são exemplos da prática reformista deste Partido”, diz um trecho da carta conjunta divulgada pelo sindicalistas.

O presidente estadual do PSTU, advogado Avanilson Araújo, ex-candidato a prefeito de Curitiba, diz que agora, com as novas aquisições, a revolução socialista está mais próxima e a burguesia com seus dias contados.

A seguir, leia a íntegra da carta de desfiliação dos militantes do PSOL:

Carta de Desfiliação do PSOL

“…a unidade é transitória e relativa;

e a luta permanente e absoluta”.

Lênin

Comp@s

A Fundação do PSOL foi resultado de um processo de ruptura de parte da esquerda com o PT ainda em 2003. À época, as principais críticas feitas ao PT se referiam ao abandono do horizonte socialista e revolucionário, expresso na política do Governo de Conciliação de Classes de Lula e na burocratização partidária, acompanhada de um funcionamento interno autoritário e anti-democrático. O ato determinante para o lançamento de uma “alternativa” partidária se deu com a expulsão de figuras públicas da esquerda do PT, como a ex-senadora Heloisa Helena.

A proposta então, era de construção de um “guarda-chuva” para a esquerda socialista brasileira que também viesse a romper com o Governo Lula. Existia um sentimento muito forte de que o novo partido não reproduzisse a trajetória petista de degeneração política.

Quase dez anos se passaram e, mesmo que por algumas vezes estes partido tenha ocupado espaços privilegiados na vanguarda da classe trabalhadora, o PSOL foi incapaz de constituir um partido de trabalhadores, revolucionário e comprometido com o socialismo. Em síntese, o PSOL não é mais do que um instrumento para a disputa eleitoral e a atuação parlamentar, caminhando de forma muito segura para um pragmatismo eleitoral.

O aparecimento contínuo de práticas corruptas, reformistas e eleitoreiras deixou de ser a exceção para se tornar a regra. O financiamento privado de campanha (GERDAU), as alianças espúrias com a direita (Macapá), a incoerência política na reivindicação do apoio do PT e de LULA (Edmilson-Pará), a recusa da defesa das bandeiras programáticas do partido por parte da sua principal figura pública e candidata (Heloisa Helena e a defesa contra a legalização do aborto); são exemplos da prática reformista deste Partido.

É claro que sabemos que as organizações dos trabalhadores também podem errar, mas o que vimos no PSOL, tanto nas instâncias partidárias, quanto internamente nas correntes, foi a incapacidade de frear os desvios reformistas e de impedir a reprodução destes “abusos” que ferem o programa do Partido e a sua militância. Infelizmente, a deslealdade e a incoerência entre o discurso e a prática também foram marcas do PSOL no Paraná.

E, por entender que o PSOL não responde mais aos desafios do nosso dia-a-dia militante, bem como não caminha sob o horizonte socialista e revolucionário é que comunicamos aos nossos comp@s de partido que nos desfiliamos do PSOL para buscar outra organização.

Esse novo caminho passa pelo ingresso no Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – PSTU. Um partido que já é companheiro de militância – especialmente no movimento sindical e de mulheres – que resgatou o classismo e que se manteve fiel aos princípios socialistas.

Acreditamos que ainda existam companheir@s valorosos dentro do PSOL e nos orgulhamos de ter dividido nossa militância com est@s. Porém, não é justo para com el@s, compartilhar um projeto no qual não acreditamos mais.

Ainda resta a certeza de que o desejo que move a consciência desses revolucionários nos colocará nas mesmas lutas.

Saudações Socialistas

Curitiba, 28 de abril de 2013

Carla Cobalchini

José Carlos de Assis

Venezuela: WikiLeaks revela como os EUA utilizam as ONGs como instrumento de intervenção

Via Rebelión

Ryan Mallet-Outtrim (*)

Tradução do inglês para o espanhol: S. Legui

Tradução do espanhol para o português: Renzo Bassanetti

Os telegramas transmitidos pelo ex-embaixador do EUA na Venezuela, William Brownfield, filtrados por WikiLeaks, mostram o papel de respaldo do referido embaixador a grupos da oposição ao governo da Venezuela.

Na semana prévia às eleições presidenciais venezuelanas de 14 de abril, WikiLeaks publicou um telegrama classificado no qual se indicava que organizações de ajuda baseadas nos Estados Unidos estavam colaborando para derrotar o governo e defender os interesses das empresas norte-americanas no país andino.

O telegrama, enviado da Embaixada dos EUA em Caracas em novembro de 2006, detalha como dúzias de organizações não governamentais (ONGs) recebem financiamento do governo dos Estados Unidos por intermédio do organismo oficial para o desenvolvimento USAID (US Agency for International Developement) e do Escritório para Iniciativas de Transição (Office for Transition Initiatives – OTI. Esse dispositivo inclui “mais de 300 organizações da sociedade civil venezuelana”, que vão desde defensores de inválidos até programas educativos.

Muitas das iniciativas tem aspecto aparentemente bem intencionado, como as de apoio a um grupo de pressão ambiental, e a um programa de coleta de lixo em Caracas.

Contudo, o apoio da USAI/OTI a esses grupos de aspecto tão benévolo faz parte de um projeto mais amplo que tem quatro vertentes.

O citado embaixador na Venezuela, William Brownfield, descreve os objetivos da Embaixada em última instância, a saber: “a infiltração na base política de Chávez... a divisão do chavismo...a proteção dos interesses vitais dos EUA.. [e] o isolamento internacional de Chávez”.

Segundo Brownfield, o “objetivo estratégico” de desenvolver as “organizações da sociedade civil” (sic) alinhadas com a oposição... representa a maior parte do trabalho da USAID/OTI na Venezuela.

Contudo, entre as dezenas de grupos mencionados no documento, aparecem também os suspeitos habituais no universo intervencionista estadunidense.

Segundo o documento, a OTI financiou com U$ 1.100.000 um programa da Freedom House na Venezuela, enquanto que Development Alternatives Inc. (DAÍ) concedia à esta subvenções num total de U$ 726.000 no próprio nome.

A DAÍ tem um longo histórico de atividades destinadas a debilitar os governos que se opõem à hegemonia dos EUA, e não é a primeira vez que suas operações na Venezuela levantam dúvidas.

Em 2002, a DAÍ colaborou com a Fundação Nacional para a Democracia (National Endowment for Democracy – NED) no financiamento de uma campanha de propaganda da extrema direita durante a greve patronal da indústria petrolífera em 2002, dirigida para derrubar o governo de Chávez.

Esses grupos estão sendo agora processados pela família de um subcontratista que foi preso em 2009 quando trabalhava em Cuba.

Alan Gross estava trabalhando em uma iniciativa da USAID para instalar sistemas de comunicação por satélite para uso civil, quando foi detido pelas autoridades cubanas por “atos contra a integridade do Estado”, e agora cumpre uma pena de prisão de 15 anos. Sua esposa, Judy Gross, acusa a DAÍ de tê-lo enganado e de não proporcionar-lhe uma formação adequada.

Documentos divulgados pela DAÍ diante do tribunal indicam, sem dar lugar a dúvidas, que a iniciativa da USAID e da DAÍ apresentava aspectos mais obscuros que os admitidos no primeiro momento.

Em 18 de janeiro, a DAÍ apresentou documentação relativa ao caso que demonstra que se estavam disponibilizando equipamentos de comunicações às comunidades com a finalidade de “proporcionar uma base de onde os cubanos pudessem desenvolver visões alternativas do futuro”.

Na sua apresentação diante da Corte, a DAÍ afirmou também que causa-lhe “profunda preocupação que o desenvolvimento deste dossiê durante a resolução deste litígio possa criar riscos significativos para a segurança nacional do governo dos EUA, sua política exterior e seus interesses nos direitos humanos”.

Em outras palavras, a DAÍ prefere manter em segredo seu programa em Cuba porque a segurança nacional tem prioridade sobre um subcontratista preso.

Como a DAÍ, a Freedom House prioriza as preocupações geopolíticas dos EUA acima dos direitos humanos.

Algumas das passadas façanhas da Freedom House incluem seu apoio à Guerra do Vietnam, sua oposição às iniciativas de integração dos EUA à Corte Penal Internacional , sua não condenação a Guantánamo, e seu recebimento de fundos da extrema direita, como os da Lynde & Harry Bradley Foundation.

Contudo, onde a Freedom House realmente mostra sua excelência é quando se trata de interferir em eleições, como em 2004 na Ucrânia.

Durante a campanha presidencial da Ucrânia, a Freedom House administrou fundos da Iniciativa de Cooperação Polônia-América-Ucrânia (PAUCI, por sua sigla em inglês), que supostamente financiou grupos que fizeram campanha a favor do candidato presidencial Victor Yuschenko.

Nesse momento, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Richard Boucher respondeu as acusações de que se estavam encaminhando fundos públicos para a campanha de Yuschenko com as seguintes declarações aos meios de comunicação: “Nosso dinheiro não vai para as mãos dos candidatos. Ele é distribuído para as instituições necessárias para levar a cabo uma eleição livre e justa”.

Uma dessas ONGs financiadas pelos EUA era o Centro Internacional de Estudos Políticos, de cuja junta diretiva Victor Yuschenco era membro.

Quando Brownfield escreveu o telegrama agora revelado em 2006, a Freedom House contava com o financiamento de U$ 1.100.000 em fundos da USAID e OTI para manter seu jogo na Venezuela.

Segundo seu site WEB, a Freedom House continua operando na Venezuela com a finalidade de “reforçar as instituições democráticas com a finalidade de melhorar a governabilidade democrática”.

Entre suas atividades mais recentes, incluem-se sua oposição às sentenças da Corte Suprema em janeiro e em março.

Em ambas as ocasiões, a Freedom House regurgitou sem críticas as interpretações da Constituição da Venezuela que a principal coalizão de oposição, a Mesa da Unidade Democrática (MUD).

Da mesma forma que nas eleições da Ucrânia em 2004, parece que a Freedom House decidiu centrar seus esforços no apoio ao seu candidato preferido, em vez de perseguir seu objetivo declarado de “reforçar as instituições democráticas”.

Como se ilustra no documento de WikiLeaks, a relação entre a Embaixada dos EUA em Caracas e grupos como Freedom House e DAÍ é estreita.

Em 2007, Brownfield foi acusado pelo governo de Hugo Chávez de interferir nos assuntos internos da Venezuela. Em 5 de março deste ano, dia em que Chávez falecia, dois funcionários da embaixada dos EUA foram expulsos depois que o governo os acusou de tratar de fomentar outro golpe.

Não há dúvidas de que existe um imperativo comum para pôr fim à revolução, seja através da violência ou das aparentemente inocentes atividades da “sociedade civil”.

Embora os métodos variem, há uma constante no enfoque de Washington sobre a Venezuela: conseguir a mudança de regime a todo custo e voltar à relação neocolonial dos anos anteriores à Chávez.

(*) Ryan Mallett-Outtrim é jornalista de Green Left Weekly, residente en Mérida, Venezuela

Fonte: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=167323

As crianças podem combater o mosquito da dengue

GilsonSampaio

Que efeito teria a mosquitérica de combate à dengue depois que as crianças aprendessem a fazer a armadilha? (veja vídeo abaixo)

Porquê as autoridades da saúde não se pronunciam a respeito?

Porquê os prefeitos não a adotam?

Talvez o caminho contra essa insanidade sejam as escolas.

image

Dengue e estupidez

(26/01/2011)

GilsonSampaio

Ao fazer a armadilha observe rigorosamente as instruções do professor Maulori Cabral,  caso contrário você estará fazendo um criatório do mosquito.

ATENÇÃO: não é qualquer paninho ou filó, tem de ser micro-tule.

Vamos a um dado e um pequeno e simplório exercício.

Cada fêmea do mosquito transmissor (Aedes aegypti) põe 100 ovos em três dias, o que equivale a 1000 ovos/mês.

Apenas como exercício, admitamos que 100 mosquitéricas capturem, cada uma, apenas 20 ovos durante os três dias. Continha fácil, 100 mosquitéricas vezes 20 ovos equivalem a 2.000 mosquitos fora de circulação. 1000 mosquitéricas eliminariam quantos? Quantas gerações de mosquitos transmissores seriam eliminadas?

Cabe agora um pedido a algum iluminado cientista que me esclareça em quê o desempenho da armadilha interfere na metodologia do combate à dengue?

Como verão no vídeo, o custo da mosquitérica é praticamente zero e deveria ser adotado, junto com outras metodologias, pelas prefeituras.

Talvez o problema seja a relação custo-benefício.

Terrorismo americano: Há coisas que não mudam

Sanguessugado do Informação Incorrecta

Há coisas que não mudam

Dallas, EUA, 1963

- Chefe, temos que tramar um gajo com o homicídio do Presidente.
- E quem é este?
- Um tal Oswald.
- E como é que teria morto o Presidente?
- Com uma carabina.
- Então, Smith, não há crise: ponham o recibo de compra da carabina na secretária dele.
- Genial, Chefe, genial!
- Pois, é por isso que sou chefe...
E foi assim que a policia encontrou na secretária de Oswald o recibo da carabina Mannlicher-Carcano adquirida três meses antes via correio.
- Chefe, pensava...sabe, este é um caso duma certa importância...o recibo não será pouco?
- Achas? Então tira uma foto de Oswald com a carabina.
- Ó Chefe, Oswald está morto, lembra-se? Enviámos o Ruby...
- Eu sei que está morto. Smith, nunca ouviste falar de fotomontagem?
Nasceu assim a fotografia de Oswald com a carabina na mão e a sombra do nariz diferente das sombras do ambiente.

Duas provas: agora sim que o caso podia considerar-se fechado. 

Oklahoma City, EUA, 1995

- Chefe, temos que tramar um gajo por causa do Murrah Building.
- E quem é este?
- Um tal Timothy McVeigh.
- Não há crise, Smith, não há crise: ponham o recibo de compra da carabina na secretária dele.
- Ó Chefe, foi uma bomba, não uma carabina...
- Uma bomba? E como é que conseguiu pôr uma bomba no Murrah Building?
- Com um furgão cheio de estrume.
- Então encontrem um pedaço do furgão e liguem-no ao gajo.
- Fantástico, Chefe, fantástico!
- Óbvio, sou o chefe...
E foi assim que a quatro prédios de distância foi encontrado um pedaço do furgão, com tanto de número de série: com isso foi possível descobrir que o meio tinha sido alugado por McVeigh, três dias antes do atentado.
- Chefe, pensava...sabe, aquela do furgão foi uma boa ideia mas...não será pouco?
- Achas? Ponham um recibo na secretária dele.
E foi assim que a policia encontrou na secretária de McVeigh o recibo do estrume adquirido três meses antes.

Duas provas: agora sim que o caso podia considerar-se fechado.

New York, EUA, 2001

- Chefe, temos que tramar uns quantos islâmicos por causa das Torres Gémeas.
- E quem são estes? Bah, deixa, afinal são islâmicos...ponham o recibo de compra do estrume nas secretárias deles.
- Ó Chefe, foram dois aviões desta vez...
- Dois aviões cheios de estrume? Ó Smith, mas quem é que voa em dois aviões cheios de estrume?
- Chefe, pode esquecer o estrume?
- Posso, claro que posso, sou o chefe. Então ponham os documentos dos islâmicos nos destroços das Torres Gémeas.
- Excelente, Chefe, Excelente!
- Normal: sou o chefe.
E foi assim que o passaporte dum dos terroristas islâmicos foi encontrado a três prédios de distância das Torres Gémeas, com fotografia e nome perfeitamente legível.
- Chefe, pensava...sabe, aquela dos documentos foi uma boa ideia mas...não será pouco?
- Outra vez? Ó Smith, inventem algo, sei lá, peguem numa mala, juntem algumas coisas, algo do género...
E foi assim que em Boston foi encontrada uma mala cheia de testamentos, Corãos e, obviamente, o manual para pilotar um Boeing 767.

Duas provas: agora sim que o caso podia considerar-se fechado.

New York, EUA, 2013

- Chefe, lembra-se daquela coisa dos aviões, dos islâmicos, das Torres Gémeas?
- Eh? Ah, sim, vagamente...
- Sabe, Chefe, há alguém que fala de drones, diz que foi isso que atingiu as Torres e não dois Boeing. Temos que fazer mudar de ideia, não acha?
-  Pois, eu bem tinha dito para pôr o recibo do estrume nas secretárias...então façam isso: ponham um pedaço de avião algures, tá bom?
- Maravilhoso, Chefe, simplesmente maravilhoso! Um pedaço...ehi, Chefe: um avião é grande, um pedaço de avião é grande também. Passaram 12 anos, não podemos pôr um trem de aterragem por cima duma árvore...
- Porque não? Depois explicas que foram os pássaros a esconde-lo no ninho.
- Mas pesa centenas de quilos, ninguém vai acreditar!
- Achas? Experimenta pôr o recibo do trem na secretária dos pássaros, vais ver se não acreditam.
- ...
- Ok, ok, então mudamos: olha, Smith, não temos aí perto uma mesquita? São 5 anos que estamos a vigia-la, dia e noite. Passa no Departamento dos Recursos Avançados, requisita uma corda, vai até a mesquita, diz à policia para deixar-te passar e põe o trem de aterragem num lugar onde não dê nas vistas.
- Chefe, este é o melhor plano alguma vez imaginado!
- Sou ou não sou o Chefe?
E foi assim que na traseira duma mesquita foi encontrado o trem de aterragem dum dos aviões que embateram nas Torres Gémeas, com tanto de número de série.

- Feito, Chefe, engoliram esta também.
- Muito bem. Ah, Smith, ligaram aqueles dos Recursos Avançados: querem a corda de volta.
- A cord...!?!?!

Ipse dixit.

O mundo sempre foi colorido. Mas estava reprimido no armário

Sanguessugado do Sakamoto

- Cor?

- Hum… Não sei bem ao certo.

- Como assim?

- Ah, quais são as opções que você tem aí?

- Isso não uma casa de sucos! Além do mais, é autodeclaratório. Você tem que dizer qual a cor da sua pele por conta própria.

- Ah, sei lá.

- O que está na certidão de nascimento?

- Ué, mas não foi você quem disse que é autodeclaratório? Eu não tinha idade para declarar nada naquela época, concorda?

- É tão difícil dizer de que cor você é?

- Mas para quê você precisa dessa informação, afinal? Faz diferença a minha cor?

- O questionário pede.

- E o questionário pede por quê?

- Não questiono o questionário. Apenas preencho.

- Ah, sim, claro… Olha, não sou negro. Também não sou branco. Quando era pequeno ficava irritado com aquelas crianças pintando seus desenhos de pessoas com lápis cor de rosa. Jesusmariajosé! Parecia um monte de gente que havia tostado na praia sem protetor! Dava vontade de passar pintando todo mundo de lápis branco-cor-de-protetor-solar para ver se a queimadura diminuía! E – ridículo – ninguém era “rosinha” naquela sala de aula… Um dia a professora disse para eu pintar os meus bonequinhos de amarelo. Pô, mas não sou amarelo! Fiquei bege…

- Pardo?

- Não, fico bege com isso.

- Pula, depois a gente vê. Masculino ou feminino?

- Para que você quer saber isso também?

- O questionário pede.

- Só tem duas opções?

- Só são duas opções!

- Não são, não meu bom homem…

- O resto não é reconhecido como tal.

- Resto? Meu amigo, não é, mas deveria! Ou, melhor, não deveria ter divisão nenhuma. Cada um vive como é. Para quê encaixotar sentimentos?

- Mas você é macho ou você é fêmea?

- Tem que ver o momento. Fala a verdade, isso aqui é só para vocês justificarem a contratação de estatísticos, não?

- É importante saber qual o seu sexo.

- Por que? As cadeiras são anatômicas? Eu ganho um parceiro novo se responder?

- Importante para saber com quem estamos lidando.

- Não sei com quem vocês lidam, mas já sei com quem estou lidando.

- Depois a gente preenche. Religião?

- É tanta coisa junto e misturado, né? Olha, eu vou a missas de sétimo dia e quando tem batizado. Ah, e fui num culto de Páscoa um tempo atrás levar a minha mãe, mas tava muito lotado, daí fiquei fumando do lado de fora. Também vou a um terreiro, todos os anos, perto da data do meu aniversário, tomar um passe, fazer a manutenção, sabe como é. E tenho este patuá aqui na carteira…olha só…Ogum, santo guerreiro! Tenho ido a um templo budista muito legal que abriu na minha rua para fazer uma meditação e ver se controlo a ansiedade. Hum, deixa ver… Por conta de uns problemas nas costas, fiz uma operação espiritual dia desses – funcionou que é uma maravilha. E a última coisa foi bater um papo com dois jovens loirinhos, com sotaque suuuuuper carregado, que se achegaram na minha porta dia desses. Gostei deles. Isso faz de mim o quê? Mórmon?

- Vou colocar “ateu”.

- Ei, mas não sou ateu. Não dá para preencher algo genérico, tipo “brasileiro”?

- Pula. Casado, solteiro, separado ou divorciado?

- Agora, danou-se… A resposta é “depende”.

- (suspiro) Depende do que?

- Depende do dia. Dependo do humor das pessoas. Olha, no começo até achei que dava para ter uma vida pão-pão, queijo-queijo. Mas depois, desisti.

- O senhor que acabou de sair marcou “casado”. Foi simples! Por que você não escolhe um desses também?

- Ele escolheu casado? Kkkkkkkk. Mas conheço a figura desde os tempo da faculdade. Não conta para ninguém, mas ele tem uma amante há anos.

- Mas, perante a lei, ele é casado.

- Meu filho, na hora em que a outra vier atrás do patrimônio para garantir o sustento do filho deles, acabou essa história de “casado”.

- Renda familiar mensal?

- Hum, moro sozinho, então sou só eu. Deixa ver…tem que somar aquilo também… é pouquinho, mas entra… isso, não, isso é prejuízo… pagar o contador… ah, varia de dois a 20 salários mínimos por mês.

- Essa faixa não existe

- Helloooo! Eu sou frila, meu bem. Depende do mês.

- Ttodos os dias preencho dezenas desses questionários. E nunca teve problema!

- Se fosse para ser sincero, poucos iriam conseguir preencher esse treco com as opções travadas que vocês dão.

- Na minha época, homem era homem, branco era branco, católico era católico e cada um sabia seu lugar. O mundo mudou muito…

- Olha, meu querido, o mundo sempre foi assim, mas tava dentro do armário de vergonha. Posso dizer que ele é muito mais divertido do que você pensa.

- Humpf.

- E onde é que eu assino?

O JUDICIÁRIO

Sanguessugado do Brasil Mobilizado

Laerte Braga

Segundo o jornal FOLHA DE SÃO PAULO, parte da mídia de esgoto, 16% dos integrantes do Judiciário no Estado do Rio são parentes de outros membros desse poder. As indicações refletem o nepotismo e a descaracterização desse poder.

No Paraná o presidente do Tribunal de Justiça está sendo objeto de investigações, as suspeitas sobre crimes cometidos são vários. No Espírito Santo, de cabo a rabo o Tribunal de Justiça têm o rabo preso e há cerca de dois anos vários deles foram presos.

Esse caráter contumaz que transforma o Judiciário num grande clube de amigos e inimigos cordiais, tudo em detrimento da justiça e da manutenção de uma ordem precária e fundada numa Constituição furada, remendada e constantemente desrespeitada, mostra o caráter precário da democracia brasileira.

A recente decisão do ministro Gilmar Mendes, tucano e ex-ministro de FHC, um dos mais controversos – para ser bondoso – da Corte Suprema, paralisando a discussão e votação de um projeto de lei no Congresso Nacional, dá a medida desse caos que é a democracia brasileira e os limites da competência de cada poder.

Funcionam os interesses político-partidários acima do princípio da Justiça e não há escrúpulos em disfarçar esse caráter. Ou temos ministros como Mendes, Tófoli e , alguns outros, ou temos ministros desprovidos do preceito constitucional de “notável saber jurídico e ilibada reputação. São poucos os que se salvam.

A corrupção e o nepotismo no Judiciário são como que efeito cascata. O exemplo maior dessa forma de ser vem desde a frase de Nélson Jobim, que diante das dificuldades de FHC em aplicar o plano de privatizações, nomeou seu então ministro da Justiça que ao tomar posse declarou que “sou aqui um líder do governo”.

Uma corte suprema não tem líder do governo, mas compromisso com a Justiça. E nem o nepotismo começou por aí.

É possível condenar uma cidadã por roubar uma caixa de manteiga a três anos de prisão, ignorando o estado de necessidade e manter soltos Gildevan Fernandes e Jorge Donati, respectivamente deputado e prefeito, acusados de estupro e assassinato.

E é possível tentar manter privilégios vetando ao Poder Legislativo o direito de legislar, numa simples medida de um ministro que concedeu dois habeas corpus em menos de duas horas a um banqueiro criminoso e integrante do seu partido.

O jornalista´Luís Nassif, de caráter e ética indiscutíveis, afirma que Gilmar Mendes “é notório criador de crises institucionais”. Na prática se imagina dono do STF, disputa a posição com seu antigo algoz Joaquim Barbosa.

Não importa o juízo que se faça do Congresso. É um dos poderes autônomos da República, legisla sobre matéria pertinente e chega a ser curioso que o STF queira intrometer-se em discussões sobre legislação partidária, onde, num País como o nosso, três dissidentes formam um partido, num emaranhado que frangiliza a democracia, aprisiona governos em situações complicadas e mantém o atual estado de coisas, um País “avançando” em casuísmos governamentais.

Uma espécie de corda bamba onde cada qual busca manter-se num espaço limitado, mas sujeito a chuvas e trovoadas como agora.

Há uma intromissão indébita do STF nas atribuições e competências do Legislativo e isso tem um único objetivo, o de evitar a reeleição da presidente da República.

É a campanha onde os olhos azuis do governador Eduardo Campos pretende superar o “charme de Aécio e a “virgindade” política de Marina da Silva, associada a grandes grupos, na falácia do desenvolvimento sustentável. Pretendem se transformar em protagonistas principais de um arremedo de democracia.

Os brasileiros, nesse entrevero, nessas disputas espúrias, nessas brigas de poder ficam à margem. O sistema está falido, é hora de ir para as ruas, organizados e conscientes que temos servido apenas de massa de manobra seja dos grupos econômicos, seja dos políticos que os representam, dos juristas de meia pataca a serviço desses grupos e do papel da mídia de esgoto.

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2014, a Copa que o Brasil já perdeu

Sanguessugado do QTMD?

Marin e Ronaldo

Ronaldo e Marín, presidente da CBF e notório apoiador da ditadura civil-militar, estão na linha de frente da “Operação Copa do Mundo”

Thiago Arantes - ESPN

O Brasil será o grande derrotado na Copa do Mundo de 2014. Esqueçam esquemas táticos, análises técnicas, convocações, gols ou arbitragem. A derrota não virá numa zebra nas oitavas de final contra a Bélgica, num duelo épico de quartas contra a Itália, numa semifinal angustiante contra a Espanha ou num Maracanazzo reloaded contra a Argentina.

A derrota já veio. O Brasil perdeu a Copa de 2014.

O Brasil perdeu, leiam bem. O que vai acontecer com a seleção brasileira é outra história. Uma história que muda pouco o que realmente importa. O Brasil perdeu a Copa de 2014.

Um evento como a Copa é a chance de um país mudar, se redescobrir, sanar problemas e construir soluções, mesmo que seja sob a fajutíssima desculpa de “o que o mundo vai pensar da gente se não estiver tudo dando certo?”. Que seja, dane-se a pequenez da desculpa, desde que sejam construídas estradas, linhas de metrô, corredores de ônibus, elevadores, hotéis, e, vá lá, até um ou outro estádio.

A Copa do Mundo é, para os tempos de hoje, o que foram as tais “Exposições Mundiais” no século 19. Era preciso se arrumar para receber visitas em casa.

Mas o Brasil hoje corre para retocar a maquiagem, empurra a vassouradas a sujeira para debaixo do tapete, tranca os cachorros pulguentos na despensa e manda a criançada dormir mais cedo, porque sabe como é criança quando chega visita, desanda a falar cada coisa…

Faltam pouco menos de dois meses para a Copa das Confederações, e o estádio da final não está pronto. Aquele estádio na Zona Norte do Rio, que foi erguido no lugar do Maracanã ao preço mirabolante de 1 bilhão de reais; e que terá de ser reformado para a Olimpíada.

(Aqui, um parêntese: todas as reportagens sobre estádios da Copa têm a obrigação de falar quanto custou e quem financiou a obra; isso é utilidade pública, antes de mais nada).

Faltam menos de dois meses para a Copa das Confederações e nenhum aeroporto teve reformas significativas concluídas. Pouco mais de um ano para a Copa do Mundo e os taxistas que falam inglês continuam a ser uma raridade, as placas de trânsito seguem indecifráveis para estrangeiros, os hotéis e vias públicas não vão dar conta do recado, obras de mobilidade urbana de Manaus, Brasília e São Paulo não ficarão prontas – umas foram canceladas, outras postergadas, todas custaram irreversíveis milhões e não é difícil adivinhar quem pagou a conta.

A um ano e dois meses do começo da Copa, o presidente do Comitê Organizador Local está cercado por denúncias, e não é para menos. José Maria Marin, o homem que gere a operação Copa do Mundo no Brasil, passou seus mandatos de deputado bajulando delegados ligados às torturas da ditadura, superfaturou a sede da CBF, negociou apoio na aprovação de contas da confederação dando cheques a seus eleitores.

Enquanto isso, o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, diz que a organização da Copa do Mundo no Brasil seria mais fácil se o país fosse menos democrático e tivesse menos esferas de governo, legal é a Rússia, que tem um poder centralizado e menos palpiteiros.

A organização da Copa do Mundo seria mais fácil, monsieur Valcke, se ela estivesse nas mãos de gente diferente.

De gente que não estivesse interessada apenas em sugar dinheiro do país com o benefício de isenção de impostos. A organização da Copa do Mundo seria mais fácil se ela fosse feita para, de fato, deixar o país com algumas pequenas vitórias em áreas que vão muito além do campo de jogo.

O Brasil de Felipão, de Neymar, de Ronaldinho ou Kaká, o Brasil pentacampeão, seja com volantes classudos ou brucutus, pode ganhar ou perder a Copa de 2014.

O Brasil de 200 milhões de pessoas, aquele que acordará no dia 14 de julho de 2014 para trabalhar, este sairá da Copa derrotado. Qualquer que seja o resultado da final.

domingo, 28 de abril de 2013

ESTÓRIA DE DOMINGO - O CÉU VARIANTE

Sanguessugado do Mauro Santayana

 

“O céu está sempre mudando, porque as estrelas caminham, de dia e de noite. O céu de mais perto é também assim. Tirando fora os dias encobertos e os só de azul, quando a gente olha é sempre diferente, porque as nuvens não param de mudar de jeito”.

              Eu o ouvia, calado. Tinha 14 anos e  procurava um lugar no mundo. Estávamos em  dia solteiro, dia sem compromisso, na beira do rio. Talvez fosse o Suaçuí Grande, talvez o Santo Antonio; beira de rio é sempre igual. Ainda o vejo, sentado no tronco caído, que servia de banco aos que esperavam cruzar para o outro lado. Ele já batera na lata, servindo de sino, que pendia do galho da goiabeira, chamando o barqueiro. Eu sentara na pedra, em frente. O homem falava como se fosse espírita, padre ou pastor, mas a cara, nunca me engano, era de sujeito ruim. Não disse nada, fiquei procurando aonde ele me queria levar.

           “Com a gente, é a mesma coisa. A gente é como o céu, como o rio, ou aquela matinha, do outro lado. Está sempre diferente. Hoje amanheci pensando uma coisa. Foi só tomar meu café com jacuba, e  virei outro. Nem vinha atravessar o rio; eu tenho lá o que fazer do outro lado? Tenho não, mas  deu vontade, e vontade eu acompanho, se a gente não acompanha a vontade, não é dono da vida. E da minha, sou dono. Você não é dono da sua”?

          Sorri, de leve. Só era dono do meu companheiro Granadeiro, que,  ao lado, rosnava, divertido, contra a lagartixa que subia o tronco meio seco de um barbatimão. No caso que minha vida tivesse dono, o dono seria o cachorro. Meu irmão ele já era, sem raça, sem frescura, sem medo. A gente era um do outro.

Granadeiro esqueceu o bicho, olhou-me,  do sério jeito dele; fiquei atento. Quando o barqueiro chegou, o cão desapareceu, latindo ao longe. Disse ao desconhecido que fosse só. Não podia viajar sem o cão. O homem quis ajudar a procurá-lo, agradeci.

         Tive logo a certeza de que Granadeiro, mais uma vez, me salvara a vida.

Janio de Freitas na mosca: Com o Congresso e o STF, a Constituição está na lona.

Via fôia ditabranda

JANIO DE FREITAS

No picadeiro

O ato cogerador da 'crise' é de Gilmar Mendes, a pedido de um partido do próprio Congresso, o PSB

A "crise" entre o Supremo Tribunal Federal e o Congresso não está longe de um espetáculo de circo, daqueles movidos pelos tombos patéticos e tapas barulhentos encenados por Piolim e Carequinha. É nesse reino que está a "crise", na qual quase nada é verdadeiro, embora tudo produza um efeito enorme na grande arquibancada chamada país.

Não é verdade, como está propalado, que o Congresso, e nem mesmo uma qualquer de suas comissões, haja aprovado projeto que submete decisões do Supremo ao Legislativo. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara nem sequer discutiu o teor do projeto que propõe a apreciação de determinadas decisões do STF pelo Congresso. A CCJ apenas examinou, como é de sua função, a chamada admissibilidade do projeto, ou seja, se é admissível que seja discutido em comissões e eventualmente levado a plenário. A CCJ considerou que sim. E nenhum outro passo o projeto deu.

Daí a dizer dos parlamentares que "eles rasgaram a Constituição", como fez o ministro do STF Gilmar Mendes, vai uma distância só equiparável à sua afirmação de que o Brasil estava sob "estado policial", quando, no governo Lula, o mesmo ministro denunciou a existência de gravação do seu telefone, jamais exibida ou comprovada pelo próprio ou pela investigação policial.

De autoria do deputado do PT piauiense Nazareno Fonteles, o projeto, de fato polêmico, não propõe que as decisões do STF sejam submetidas ao Congresso, como está propalado. Isso só aconteceria, é o que propõe, se uma emenda constitucional aprovada no Congresso fosse declarada inconstitucional no STF. Se ao menos 60% dos parlamentares rejeitassem a opinião do STF, a discordância seria submetida à consulta popular. A deliberação do STF prevaleceria, mesmo sem consulta, caso o Congresso não a apreciasse em 90 dias.

Um complemento do projeto propõe que as "súmulas vinculantes" -decisões a serem repetidas por todos os juízes, sejam quais forem os fundamentos que tenham ocasionalmente para sentenciar de outro modo- só poderiam ser impostas com votos de nove dos onze ministros do STF (hoje basta a maioria simples). Em seguida a súmula, que equivale a lei embora não o seja, iria à apreciação do Congresso, para ajustar, ou não, sua natureza.

O projeto propalado como obstáculo à criação de novos partidos, aprovado na Câmara, não é obstáculo. Não impede a criação de partido algum. Propõe, isso sim, que a divisão do dinheiro do Fundo Partidário siga a proporção das bancadas constituídas pela vontade do eleitorado, e não pelas mudanças posteriores de parlamentares, dos partidos que os elegeram para os de novas e raramente legítimas conveniências. Assim também para a divisão do horário eleitoral pago com dinheiro público.

A pedido do PSB presidido pelo pré-candidato Eduardo Campos, Gilmar Mendes concedeu medida limitar que sustou a tramitação do projeto no Congresso, até que o plenário do STF dê a sua decisão a respeito. Se as Casas do Congresso votassem, em urgência urgentíssima, medida interrompendo o andamento de um processo no Supremo Tribunal federal, não seria interferência indevida? Violação do preceito constitucional de independência dos Poderes entre si? Transgressão ao Estado de Direito, ao regime democrático? E quando o Supremo faz a interferência, o que é?

Ao STF compete reconhecer ou negar, se solicitado, a adequação de aprovações do Congresso e de sanções da Presidência da República à Constituição. Outra coisa, seu oposto mesmo, é impedir a tramitação regimental e legal de um projeto no Legislativo, tal como seria fazê-lo na tramitação de um projeto entre partes do Executivo.

O ato intervencionista e cogerador da "crise", atribuído ao STF, é de Gilmar Mendes -e este é o lado lógico e nada surpreendente do ato. Mas o pedido, para intervenção contra competência legítima do Congresso, foi de um partido do próprio Congresso, o PSB, com a aliança do PSDB do pré-candidato Aécio Neves e, ainda, dos recém-amaziados PPS-PMN.

Com o Congresso e o STF, a Constituição está na lona.

John Pilger sobre a mosntruosidades de Thatcher

Via Resistir.info

O Golpe de Thatcher

Funeral digno de um ditador

John Pilger

 

Após o desaparecimento de Thatcher, recordo suas vítimas. A filha de Patrick Warby, Marie, foi uma delas. Marie, com cinco anos, sofria de uma deformidade do intestino e precisava de uma dieta especial. Sem ela, o sofrimento era aflitivo. Seu pai era um mineiro de Durham e gastara todas as suas poupanças. Era o Inverno de 1985, a Grande Greve tinha quase um ano e a família estava empobrecida. Embora a necessidade de operação não fosse contestada, o Departamento de Segurança Social recusou ajuda a Marie. Posteriormente, obtive registos do caso mostrando que Marie fora recusada porque o seu pai era "influenciado por uma disputa sindical".

A corrupção e desumanidade sob Thatcher não conheciam fronteiras. Quando chegou ao poder em 1979, Thatcher pediu uma proibição total de exportações de leite para o Vietname. A invasão americana havia deixado um terço das crianças vietnamitas desnutridas.

Testemunhei muitas visões penosas, incluindo crianças a ficarem cegas devido à falta de vitaminas. "Não posso tolerar isto", disse um médico angustiado num hospital pediátrico de Saigão, quando olhávamos para um rapaz a morrer. A Oxfam e a Save the Children havido deixado claro para o governo britânico a gravidade da emergência. Um embargo conduzido pelos EUA havia forçado o preço local do quilo de leite a subir para dez vezes o do quilo de carne. Muitas crianças podiam ter sido recuperadas com leite. A proibição de Thatcher impediu.

No vizinho Camboja, Thatcher deixou um rastro de sangue, secretamente. Em 1980, ela exigiu que o defunto regime Pol Pot – o assassino de 1,7 milhão de pessoas – retivesse o seu "direito" a representar suas vítimas na ONU. A sua política era de vingança do libertador do Camboja, o Vietname. O representante britânico foi instruído a votar com Pol Pot na Organização Mundial de Saúde, impedindo-a dessa forma de proporcionar ajuda para o lugar onde era mais necessária do que qualquer outro na terra.

Para esconder esta infâmia, os EUA, a Grã-Bretanha e a China, os principais apoiantes de Pol Pot, inventaram uma "coligação de resistência" dominada pelas forças do Khmer Rouge de Pol Pot e abastecida pela CIA em bases ao longo da fronteira tailandesa. Havia uma dificuldade. Na sequência da derrocada do Irangate, armas-por-réfens, o Congresso dos EUA proibira aventuras clandestinas no estrangeiro. "Num daqueles acordos ambos gostavam de fazer", contou um alto responsável do Whitehall [1] ao Sunday Telegraph, "o presidente Reagan sugeriu a Thatcher que o SAS [2] deveria assumir o comando do show do Camboja. Ela prontamente concordou".

Em 1983, Thatcher enviou o SAS para treinar a "coligação" na sua própria e diferente marca de terrorismo. Sete equipes de homens do SAS chegaram de Hong Kong e soldados britânicos começaram a treinar "combatentes da resistência" em estender campos de minas num país devastado pelo genocídio e a mais alta taxa de mortes e mutilações do mundo devido a campos de minas.

Noticiei isto na altura e mais de 16 mil pessoas escreveram a Thatcher para protestar. "Confirmo", respondeu ela ao líder da oposição Neil Kinnock, "que não há envolvimento do governo britânico de qualquer espécie no treino, equipamento ou cooperação com o Khmer Rouge ou aliados dele". A mentira era de cortar o fôlego. Em 1991, o governo de John Major admitiu no parlamento que o SAS havia na verdade treinado a "coligação". "Nós gostamos dos britânicos", disse-me mais tarde um combatente do Khmer Rouge. "Eles foram muito bons a ensinar-nos a montar armadilhas explosivas (booby traps). Pessoas confiantes, como crianças em campos de arroz, foram as vítimas principais".

Quando os jornalistas e produtores do memorável documentário "Death on the Rock" , da ITV, revelaram como o SAS havia dirigido outros esquadrões da morte de Thatcher na Irlanda e em Gibraltar, foram perseguidos pelos "jornalistas" de Rupert Murdoch, então acovardados em Wapping [3] atrás do arame farpado. Embora absolvida, a Thames TV perdeu sua concessão da ITV.

Em 1982, o cruzador argentino General Belgrano navegava fora da zona de exclusão das Falklands [4] . O navio não constituía ameaça, mas Thatcher deu ordens para que fosse afundado. Suas vítimas foram 323 marinheiros, incluindo adolescentes alistados. O crime tinha uma certa lógica. Dentre os mais próximos aliados de Thatcher estavam assassinos em massa – Pinochet no Chile, Suharto na Indonésia, responsáveis por "muito mais do que um milhão de mortes" (Amnistia Internacional). Embora desde há muito o estado britânico armasse as principais tiranias do mundo, foi Thatcher que com um zelo de cruzado procurou tais acordos, conversando empolgada acerca das mais refinadas características de motores de aviões de combate, negociando arduamente com príncipes sauditas que pediam subornos. Filmei-os numa feira de armas, a acariciarem um míssil reluzente. "Terei um daqueles!", disse ela.

No seu inquérito das armas-para-o-Iraque, Lorde Richard Scott ouviu evidências de que toda uma camada do governo Thatcher, desde altos funcionários civis até ministros, mentira e infringira a lei na venda de armas a Saddam Hussein. Eram os seus "rapazes". Se folhear números antigos do Baghdad Observer encontrará na primeira página fotos dos seus rapazes, principalmente ministros do gabinete, sentados com Saddam na sua famosa poltrona branca. Ali está Douglas Hurd e um sorridente David Mellor, também do Foreign Office, na época em que o seu hospedeiro ordenava o gaseamento de 5000 curdos. A seguir a esta atrocidade, o governo Thatcher duplicou créditos comerciais para Saddam.

Talvez seja demasiado fácil dançar sobre a sua sepultura. O seu funeral foi uma proeza de propaganda, adequada a um ditador: uma mostra absurda de militarismo, como se se houvesse verificado um golpe. E foi. "O seu triunfo real", disse outro dos seus rapazes, Geoffrey Howe, ministro da Thatcher, "foi ter transformado não apenas um partido mas dois, de modo que quando o Labour finalmente retornou, a maior parte do thatcherismo era aceite como irreversível".

Em 1997, Thatcher foi o primeiro antigo primeiro-ministro a visitar Tony Blair depois de ele ter entrado na Downing Street [5] . Há uma foto deles, juntos num ricto: o criminoso de guerra em embrião com a sua mentora. Quando Ed Milliband, na sua untuosa "homenagem", travestiu Thatcher como "corajosa" heroína feminista cujas façanhas pessoalmente "admira", fica-se a saber que a velha assassina não morreu de todo.

25/Abril/2013

NT

(1) Whitehall: rua onde está o Parlamento britânico.

(2) SAS: tropas especiais britânicas.

(3) Wapping: bairro de Londres para onde Murdoch mudou a sua empresa, por trás de uma fortaleza a fim de fugir a pressões sindicais da Fleet Street.

(4) Falklands: Malvinas

(5) Downing Street: residência oficial do primeiro-ministro britânico.

O original encontra-se em www.counterpunch.org/2013/04/25/thatchers-coup/