quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Nova Reforma da Previdência: trabalhadores continuarão pagando a conta

Via Correio da Cidadania

Ivan Valente

Ocupamos a tribuna nesta tarde para dizer que basta surgir a crise econômica e a primeira palavra de ordem do governo e da grande mídia passa a ser: enxugar custos e fazer a Reforma da Previdência. O Brasil talvez seja um dos únicos países do mundo em que se faz Reforma da Previdência de 4 em 4 anos. O governo Fernando Henrique fez reforma da Previdência, o governo Lula fez reforma da Previdência e agora o governo Dilma aparece com Reforma da Previdência do setor privado e do setor público também.

Na Europa está se estendendo o tempo de contribuição. Agora, com a crise na Grécia, em Portugal, na Irlanda, na Espanha, na Itália, a primeira coisa que se fala é no aumento do tempo de contribuição dos trabalhadores de 60 para 62, para 65, para 67 e vai a 70. Quem causa crise são os bancos, mas quem paga a conta são os trabalhadores.

Aqui no Brasil, uma nova Reforma da Previdência está em curso, em debate nos gabinetes do Planalto. E, mais uma vez, como sempre ocorre quando o governo decide mudar as regras do jogo, quem pagará a conta serão os trabalhadores. Como já noticiado pela imprensa, em declarações do ministro Garibaldi Alves Filho, da Previdência Social, o governo pretende enviar até setembro para o Congresso um projeto de lei alterando os critérios e cálculos para aposentadoria no país, exigindo mais tempo de contribuição da classe trabalhadora. Fala-se em extinção do fator previdenciário, mas não para acabar com este mecanismo perverso, aprovado no governo FHC e mantido por Lula, que retira em média 30% das aposentadorias, mas para substituí-lo por medidas mais drásticas no que se refere ao adiamento para o recebimento do benefício.

A pior proposta em estudo é a que pretende aumentar a idade mínima para o trabalhador se aposentar, e que ignora as enormes diferenças que existem no país entre ricos e pobres, que necessariamente começam a trabalhar mais cedo. Homens só teriam direito à aposentadoria após os 65 anos e as mulheres, após os 60.

Outra “idéia” é aumentar em sete anos o tempo de contribuição para se requerer a aposentadoria. Assim, em vez de contribuir com 35 anos de serviço, os homens teriam que trabalhar no mínimo 42; e as mulheres, em vez de 30, 37 anos. Os setores mais retrógrados defendem, inclusive, que se acabe com a diferenciação entre os gêneros, já que, para eles, a jornada dupla – ou até tripla – das mulheres é coisa que não mais existe…

Para supostamente combater tamanha barbaridade, a maioria das centrais sindicais colocou na mesa de negociação um remendo, ao qual o governo se agarrou, e que agora pode se tornar o grande tiro na culatra nos trabalhadores. A proposta é combinar tempo de contribuição com idade do trabalhador. O chamado “fator 85/95″, inventado pelas centrais, garantiria a aposentadoria integral apenas quando a soma do tempo de contribuição e da idade for igual a 85 para as mulheres e a 95 para os homens. O governo Dilma gostou da idéia, mas está pensando na fórmula 95/105, empurrando mais dez anos de serviço para o trabalhador poder se aposentar.

O discurso do governo para defender o fator 95/105 é o de sempre: “a conta não fecha”. Ora, essa continua sendo uma falácia da história brasileira. Em recente audiência pública na Comissão de Seguridade Social e Família desta Casa, promovida para discutir a situação da Previdência no país, o presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip), Álvaro Solon França, afirmou novamente que o déficit da Previdência é um mito. Pelo contrário, em 2010 houve um superávit nas contas da seguridade social de R$ 58 bilhões!

Dizem que a conta não fecha porque insistem em fazer os cálculos com base apenas na contribuição sobre a folha de pagamento dos trabalhadores e dos empresários, quando as receitas da Previdência devem ser analisadas no conjunto da seguridade social, que engloba, além da Previdência, as áreas da saúde e da assistência social.

Outro fator para as contas da Previdência aparecerem deficitárias, também ressaltado pela Anfip, é a retirada de dinheiro do setor para o pagamento de juros da dívida pública. Com a Desvinculação de Receitas da União (DRU), para alegrar os bolsos dos banqueiros, já foram retirados R$ 48 bilhões da Seguridade Social. É um crime contra os trabalhadores! Na mesma audiência pública, o secretário de Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência, Leonardo Rolim, disse que o governo não pode abrir mão do fator previdenciário sem colocar nada no lugar porque até hoje a medida já “economizou” R$ 31 bilhões para a Previdência.

Somente em 2011, seriam R$ 9 bilhões “economizados”, ou seja, retirados dos trabalhadores. “Não dá pra ficar sem este recurso”, disse Rolim. Não dá, na verdade, porque a prioridade do governo federal é pagar religiosamente, sem ter feito a auditoria que a Constituição Federal determina, juros e amortizações da dívida pública. Em 2010 foram mais de R$ 640 bilhões, incluindo o assalto aos cofres da previdência. É por isso que os R$ 9 bilhões do fator previdenciário precisam continuar saindo do bolso dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras.

Segundo o governo, com o envelhecimento e a mudança do perfil etário da população nas próximas décadas, as despesas do Regime Geral da Previdência, que hoje correspondem a 6,9% do PIB, chegarão a 12,5% em 2050. Mas em vez de pensar em medidas que favoreçam a formalização de empregos, e assim aumentem as receitas da Previdência, e em mudanças estruturais na política econômica, o governo federal, mais uma vez, escolhe o caminho mais fácil e ataca dos direitos dos trabalhadores.

É a mesma lógica de ajuste fiscal que esteve por trás do veto da presidenta Dilma ao aumento real que seria concedido aos aposentados em 2012 pela LDO. Cerca de 10 milhões de aposentados e pensionistas que ganham acima do piso e que não têm ganho real nos benefícios desde 1997 seriam beneficiados. Mas o Planalto preferiu se “precaver” e, mesmo com recursos em caixa, vetou “por antecipação” dos gastos. Foi o mesmo que aconteceu no início do ano, com o corte de R$ 50 bilhões para despesas sociais no orçamento, para depois dar R$ 150 bilhões para os banqueiros e empresários enfrentarem a crise que criaram. Ou com a Medida Provisória 540, aprovada este mês, que desonera a folha de diversos setores, que não pagarão mais o INSS. Ou seja, menos recursos para a Previdência.

O governo também está se movimentando para aprovar na Câmara o Projeto de Lei 1992/2007, que iguala a previdência dos setores público e privado, alterando substancialmente a Previdência Social. O PL, enviado por Lula ao Congresso há quatro anos, foi abraçado pelo ministro Garibaldi e já recebeu parecer favorável do presidente da Comissão de Trabalho, deputado Silvio Costa (PTB-PE). Está entre as prioridades da Comissão para este semestre legislativo.

O projeto estende ao funcionalismo federal o teto para a contribuição e para pagamento de aposentadorias e pensões válido para os trabalhadores da iniciativa privada, que hoje é de R$ 3.691,74. Para ter uma aposentadoria acima desse valor, o servidor deverá fazer uma contribuição complementar, em favor de um novo fundo de pensão, também criado pelo PL – a Fundação de Previdência Complementar do Serviço Público Federal (Funpresp). Ou seja, é a privatização da Previdência Social. Países como o Chile fizeram isso e os resultados foram desastrosos. É preciso considerar as diferenças entre o funcionalismo e o setor privado e compreender que uma aposentadoria digna é um estímulo para a qualificação do funcionalismo público brasileiro, que só tem benefícios a trazer à nossa população. Esta é uma obrigação do Estado, que não pode ser descartada em mais um flerte neoliberal deste governo.

Portanto, há um pacote de maldades que se anuncia no horizonte dos trabalhadores. Enquanto os movimentos populares se organizam para tentar recuperar direitos retirados, com a aprovação da PEC 555 – que acaba com a contribuição previdenciária dos inativos – e a PEC 270 – que dá integralidade e paridade aos aposentados por invalidez -, o governo já prepara um novo rol de ataques à classe trabalhadora. Tais medidas favorecem e estimulam diretamente a previdência privada, e a mídia, patrocinada com muito peso pelos bancos, propagandeia o tempo todo essa idéia de que a previdência está falida. É, portanto, um conluio em torno de interesses econômicos poderosíssimos.

O PSOL nasceu da luta contra a Reforma da Previdência implementada pelo governo Lula. Esta é uma questão central para o nosso partido. Por isso, nos somamos aos movimentos populares e sindicatos de todo o país que nesta quarta-feira realizam um grande ato da Jornada Nacional de Lutas aqui em Brasília, que tem entre as suas reivindicações a defesa da aposentadoria e da Previdência pública, a defesa do serviço público, da suspensão do pagamento da dívida pública e contra os cortes no orçamento federal.

Por dignidade aos aposentados e pensionistas! Pela valorização do funcionalismo público! Todo apoio à luta dos trabalhadores e nenhum direito a menos!

Ivan Valente é deputado federal pelo PSOL/SP.

Fôia Ditabranda: de estilingue a vidraça

GilsonSampaio

A audiência servirá para expor mais ainda o espírito ditatorial/golpista do jornal que emprestava seus carros para transporte de prisioneiros da ditadura para os porões do DOI-CODI, onde era torturados e/ou mortos. Não esperem por mais alguma coisa além disso. E, isso, já é uma grande vitória.

Pra quem, a qualquer sinal de regulação dos meios de comunicação, se junta aos outros da mesma laia no Instituto MIllenium para acusar as forças democráticas de planejar a volta da censura, essa audiência expõe as vísceras de quem cultiva os valores da ditadura.

Sanguessugado do Viomundo

Câmara aprova a audiência da Falha

CENSURA

Câmara aprova audiência no congresso para discutir caso do blog Falha de S. Paulo

Do Última Instância, sugestão do Betinho2

A Comissão de Legislação Participativa da Câmara aprovou a realização de uma audiência pública para discutir o caso de censura contra o blog Falha de S. Paulo.

A iniciativa do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) quer debater o processo e a decisão judicial que tirou o blog do ar a pedido do jornal Folha de S. Paulo. O requerimento do deputado prevê convites para ouvir representantes da Falha e da Folha.

Do blog serão convidados os irmãos criadores do site, Lino e Mario Ito Bocchini. E da parte do jornal serão chamados para falar publicamente no Congresso Nacional o dono da Folha Otavio Frias Filho, o editor-executivo Sérgio Dávila, a advogada do jornal Taís Gasparian e o secretário de redação Vinícius Mota.

“Vamos também convidar a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) e outras entidades para participarem dessa audiência”, afirmou Pimenta.

O caso

Em setembro de 2010, os irmãos Mário e Lino Ito Bocchini criaram o blog Falha de S. Paulo, uma paródia ao jornal a Folha de S. Paulo. Após um mês no ar, o jornal entrou na Justiça para censurar o blog, e conseguiu. Além de cassar o endereço na web, a Folha abriu um processo contra os criadores do site, pedindo indenização em dinheiro por danos morais.

O jornal alega “uso indevido de marca”, por causa da semelhança entre os nomes Folha e Falha e porque o logotipo do site era inspirado no do jornal. A censura de um blog, ainda mais seguida de um pedido de indenização, é uma ação judicial inédita no Brasil.

Argelia manda mensaje a Occidente

Via La Jornada

Robert Fisk

Cuando el emir de Qatar visitó al presidente de Argelia, Abdelaziz Bouteflika, a principios del verano, sólo le transmitió un mensaje: que no debía ayudar al régimen de Kadafi. En otras palabras, quedaba prohibido remplazar los tanques del dictador que fueron destruidos por la OTAN con vehículos iguales provenientes del ejército argelino. Se dice, (más bien, lo dicen fuentes militares árabes muy confiables) que Bouteflika prometió todo lo que le pidieron, a sabiendas de que no cumpliría. Las fuentes añaden que el presidente es una fachada del ejército de Argelia tanto como el presidente Assad no es más que una tapadera para el partido Baaz de Damasco. No es casual que mucho del armamento de fabricación rusa que en los últimos meses Kadafi usó en el desierto parecía nuevo. No es posible que estuviera así de flamante después de haberse estado pudriéndose ahí por cinco años.

El papel de Qatar en el conflicto de Libia consta de historias de guerra nunca contadas; había banderas qataríes ondeando la semana pasada en la Plaza de los Mártires, pero también hubo banderas argelinas. A nadie sorprende en el mundo árabe que tantos miembros de la familia de Kadafi hayan aparecido en Argelia. Durante años, los argelinos apoyaron las políticas independientes –aunque delirantes– de Kadafi porque su propia historia les ha enseñando a no aceptar órdenes del extranjero.

En el momento en que los franceses –que han ocupado, colonizado y perseguido a los argelinos por 132 años– bombardearon Libia, la lucha del régimen de Kadafi por sobrevivir se volvió un símil de la lucha del argelino Frente de Liberación Nacional en la lucha que protagonizó de 1954 a 1962 por la independencia del mandato francés. Aunque los libios no han tenido libros de historia serios en las escuelas por más de 40 años, todos conocen las vivencias de su país muy bien. La zona montañosa de Fezán, en Libia, llena de desiertos y montes al sur de las ciudades costeras fue ocupada por las tropas francesas hasta mucho después de terminada la Segunda Guerra Mundial con el fin de proteger la frontera de Argelia, que entonces aún era parte del imperio francés. Esa árida frontera entre Libia y Argelia ha sido camino de contrabandistas durante siglos. Por eso, sacar a la familia Kadafi hacia el exilio seguramente no requirió de una operación militar mayor.

Ciertamente, fue un acto muy típico de la cancillería argelina anunciar la presencia de la familia Kadafi en su territorio nacional. A los argelinos les gusta demostrarle a Occidente, especialmente a los franceses, lo libres que son y el orgullo que sienten por su nación soberana. Aunque dicha nación resultó dañada en los levantamientos islamitas de 1990 a 1998, los argelinos no harán tratos a cambio de favores con los occidentales.

No habrá titulares en los diarios sobre el exilio secreto en Argelia de la familia Kadafi; la nación africana tenía todo el derecho de tratar con solidaridad humanitaria a otros árabes; la OTAN y los opositores libios podrán decir, si quieren, que el asilo ofrecido por Argelia es un acto de agresión.

Por otra parte, la lucha de Kadafi contra sus propios enemigos islamitas, minúscula si se le compara con la feroz guerra que el gobierno argelino mantiene con sus opositores de estilo Al Qaeda, convirtió la dictadura de Kadafi en aliada automática de los sucesivos gobiernos militares democráticos de Argelia.

¿Por qué debía la orgullosa Argelia abandonar ahora a su hermano Muammar, nada más porque los árabes del Golfo y las potencias europeas (algunas de ellas, al menos) decidieron darle la espalda? Tal vez para el presidente francés, Nicolas Sarkozy, sea muy fácil abrazar a Kadafi en 2007 y bombardearlo menos de cuatro años después. Pero Argelia no traiciona a sus amigos.

Así es como se explica, de entrada, la postura de Argelia. Pero existen nexos más oscuros y sangrientos entre los servicios secretos de ambos países norafricanos, que se han valido de la tortura, el asesinato político y matanzas para afianzar su poder sobre el pueblo. Muchas veces los argelinos transmitieron a los lugartenientes de Kadafi los frutos de sus experiencias antiterroristas.

La historia de Argelia contiene más baños de sangre –150 mil muertos, en su mayoría civiles– y no se compara con el menor número de torturas y asesinatos perpetrados en la Libia de Kadafi, pero ambos gobiernos supieron que para conservar el poder debían emplear una terrible mano dura.

Asimismo, Argelia no pretende ser una segunda Libia: el país es más libre y marginalmente más democrática de lo que fue durante la horrenda década de los 90. Las autoridades del país están convencidas además, y con justa razón, de que la revolución Libia obtuvo el apoyo de Occidente porque la tierra de Kadafi es rica en petróleo.

Argelia, a su vez, posee la octava reserva de gas natural más grande del mundo y es el cuarto exportador mundial de este combustible. Bajo su desierto hay más de 12 mil millones de barriles de petróleo y 27 por ciento de sus exportaciones de crudo son compradas por Estados Unidos. Los argelinos saben que si Libia hubiese exportado primordialmente papas, Occidente no hubiera intervenido de la misma forma en que el Irak de Saddam Hussein no habría sido objeto de invasión si su principal recurso fueran espárragos.

Así que si alguien más desafía el mandato de los poderes occidentales, esto no llevará al colapso y a una subsecuente y nueva primavera democrática. Dar asilo a la esposa y familiares de Kadafi es más un gesto para Occidente que para lo que queda de la tiranía elitista de Libia.

© The Independent

Traducción: Gabriela Fonseca

La Jornada: manifestação estudantil em Brasília

Via La Jornada

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Enquanto isso, na Bolívia … Condenados los ex ministros y ex militares responsables de los asesinatos del "Octubre negro" en 2003

Pergunta intrigante da minha ameba lobotomizada:

O que leva a todo criminoso da direita latinoamericana a fugir para o EE.UU?

Via Rebelion

La Corte Suprema los sentenció por genocidio, el próximo paso será extraditar al fugado Sánchez de Lozada

Rebelión/ Bolpress

La Corte Suprema de Justicia de Bolivia sentenció este martes en Sucre a cinco ex jefes militares y a dos ex ministros en el juicio de responsabilidades por genocidio que se instauró hace ocho años al ex Presidente Gonzalo Sánchez de Lozada y sus colaboradores. Los ex jefes militares Roberto Claros y Juan Veliz Herrera fueron condenados a 15 años y seis meses de reclusión; el general José Quiroga y el almirante Luis Alberto Aranda, a 11 años de presidio, y el general Gonzalo Mercado, a 10 años. Los ex ministros de Medio Ambiente y de Trabajo Erick Reyes Villa y Adalberto Kuajara, respectivamente, fueron condenados a tres años de reclusión por el cargo de complicidad por genocidio.El abogado defensor de las familias de las víctimas Rogelio Mayta consideró establecidas las condiciones para "extraditar" al ex mandatario refugiado en Estados Unidos. El juicio de responsabilidades, por la denominada masacre de octubre de 2003, que se saldó con la muerte de más de 60 personas y más de 500 heridos, se inició el 22 de octubre de 2003 con la primera denuncia presentada ante el Fiscal General de la Nación.

El 18 de mayo de 2009 se instaló el juicio oral a Sánchez de Lozada y sus colaboradores acusados de genocidio, lesiones gravísimas, lesiones graves y leves, vejaciones y torturas, delitos contra la libertad de prensa, allanamiento de domicilio o sus dependencias y resoluciones contrarias a la Constitución y las leyes. En el juicio declararon al menos 320 testigos entre ellos ex presidentes, viceministros, dirigentes y otras autoridades.

Los únicos Ministros que respondieron al proceso presente fueron Kuajara y Reyes Villa, quien es hermano del ex prefecto de Cochabamba Manfred Reyes Villa, quien igualmente huyó a Estados Unidos. Otros ex ministros de Sánchez de Lozada huyeron al exterior. Junto a Sánchez de Lozada salieron a Estados Unidos a mediados de octubre de 2003 Carlos Sánchez Berzaín y Jorge Berindoague. Mientras que los ex ministros Mirtha Quevedo, Javier Tórrez, Jorge Torres Obleas y Dante Pino Archondo se refugiaron en Perú.

"En nombre del Estado Plurinacional de Bolivia por unanimidad y en única instancia falla: declarar a Roberto Claros Flores y a Juan Veliz Herrera, autores mediatos del delito de genocidio bajo la modalidad de masacre sangrienta condenando a la pena de presidio de 15 años y seis meses a cada uno", señala la sentencia leída después de varios días de deliberación.

La sentencia declara a José Quiroga Mendoza y Luis Alberto Aranda Granados, autores mediatos del delito de genocidio bajo la modalidad de masacre sangrienta y los condena a 11 años de presidio; mientras que sanciona a Gonzalo Mercado Rocabado con una pena de 10 años de presidio.

Los ex militares sentenciados formaron parte del Alto Mando Militar del ex presidente Sánchez de Lozada: Claros Flores fue Comandante de las Fuerzas Armadas; Rocabado Mercado Jefe de Estado Mayor de las FFAA; Veliz Herrera, Comandante del Ejército; Aranda Granados, Comandante de la Fuerza Naval y Quiroga Mendoza, Comandante de la Fuerza Aérea.

El fallo puntualiza que todos los sancionados deben cumplir la sentencia en el penal de San Roque de la ciudad de Sucre, la capital constitucional de Bolivia.

"Declarando a Erik Reyes Villa y Adalberto Kuajara autores mediáticos en grado de complicidad en delito de genocidio bajo la modalidad masacre sangrienta, condenándoles a la pena de presidio de 3 años a cumplir en el penal de San Roque", complementa la sentencia en referencia a los dos ex ministros de Sánchez de Lozada.

El 14 de octubre de 2004 el Congreso autorizó el juicio por dos tercios de votos del total de los miembros y en diciembre de 2005 la Sala Penal Primera impuso medidas cautelares a los ex ministros del Gobierno de Sánchez de Lozada, que huyó a Estados Unidos tras la revuelta popular que se opuso a su idea de vender gas natural a Estados Unidos por puertos chilenos.

Mayta va a por Goni

El abogado defensor de las familias de las víctimas de la represión militar de septiembre y octubre de 2003, Rogelio Mayta, consideró establecidas las condiciones para "extraditar" al ex presidente Gonzalo Sánchez de Lozada (2002-03), refugiado en Estados Unidos desde hace ocho años.

"Estamos listos para conseguir nuestro próximo reto que es la extradición de Sánchez de Lozada. Éste es nuestro próximo camino y estaremos seguramente prestos a seguir luchando", afirmó un sereno Mayta luego de escuchar las sentencias de la Corte Suprema de Justicia, en la ciudad de Sucre, sede del Poder Judicial boliviano. La sentencia, que Mayta calificó de histórica, fue leída en la sala de la Corte Suprema poco después del mediodía.

Mayta, que representa a los familiares de 67 muertos y cerca de 500 heridos de bala durante la represión militar que bañó en sangre una insurrección popular alzada, en las ciudades de El Alto y La Paz, contra la decisión de Sánchez de Lozada de exportar gas a Estados Unidos y México por una puerto de Chile, dijo que este momento será reconocido como "hito" en la historia de la justicia y política bolivianas.

"Nunca antes dentro un gobierno democrático se había sancionado a un gobierno también democrático, el de Sánchez de Lozada", afirmó. Con tal antecedente, el segundo desde 1989, cuando la Corte Suprema sentenció a 30 años de cárcel sin derecho a perdón judicial al ex dictador militar Luis García Meza (1980-81), "seguramente nunca más los militares actuarán al margen de la ley".

La condena a siete procesados en el caso Octubre Negro, cinco ex jefes militares y dos ex ministros "abre las puertas a la extradición del ex presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, manifestó el fiscal Milton Mendoza. Dijo que hasta hoy, Sánchez de Lozada "era un sindicado, pero al existir una sentencia emitida por el máximo tribunal de justicia de Bolivia, forma parte de los acusados en este caso".

Los familiares de las víctimas reciben con "satisfacción" el fallo judicial

Los familiares de las victimas de "octubre negro" recibieron con "satisfacción" el fallo judicial dictaminó este martes la Corte Suprema de Justicia. Estas personas realizaron una vigilia a las puertas de la Fiscalía del Distrito de La Paz.

La presidenta de la Asociación de heridos y afectados de 2003, Elena Kullahua Ticona, aseguró que luego de la vigilia de 53 días efectuada en puertas del Tribunal Supremo de Justicia en la capital del Estado y después de ochos años se logró "por fin hacer justicia".

Sin embargo, repudiaron que la determinación judicial no haya contemplado sentencia en contra del ex presidente de la República, Gonzalo Sánchez de Lozada y el ex ministro Carlos Sánchez Berzain. Afirmó que esa será la próxima tarea de la justicia boliviana, la de "poner a los principales responsables tras las rejas".

"Varios meses de vigilia, pero Dios es grande por fin la justicia llegó, pero no estamos conformes con la decisión judicial a los ex ministros Erick Reyes Villa y Adalberto Kuajara, sólo tres años, nos sentimos realmente indignados, es muy poca la sentencia", lamentó.

"La sentencia es clara y se debe cumplir en la cárcel de San Pedro", dijo el fiscal General del Estado, Mario Uribe, al finalizar la audiencia judicial en la capital del país, tras ocho años que duró el proceso y que no logró enjuiciar al expresidente Gonzalo Sánchez de Lozada y al ex ministro Carlos Sánchez Berzaín.

Fotografías realizadas por Óscar García

Más información en: http://juiciogoniya.org.bo/

Por que Gaddafi recebeu cartão vermelho

Sanguessugado do redecastorphoto

Pepe Escobar, Asia Times Online

Why Gaddafi got a red card

Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu

Observando a Líbia devastada, num gabinete aconchegante recheado de televisões de plasma mais fininhas que panqueca, num palácio em Pyongyang, o Amado Líder da República Popular Democrática da Coreia, Kim Jong-il, balançava a cabeça, pensando no suplício do coronel Muammar Gaddafi.

“Grande tolo”, murmura o Amado Líder. Claro. Ele sabe que o Grande Gaddafi assinou virtualmente a própria sentença de morte, num dia em 2003, quando aceitou a sugestão daquela sua lamentável prole – arrogantemente europeizados –, para que cancelasse seu programa de armas de destruição em massa e quando, no mesmo ato, pôs o futuro de seu governo nas mãos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Sim. Saif al-Islam, Mutassim, Khamis e o resto do clã Gaddafi ainda não conheciam a diferença entre detonar em farra barra-pesadíssima em St. Tropez e ser detonado por Mirages e Rafales. O Grande Gaddafi, esteja onde estiver, em Sirte, no deserto central ou numa silenciosa caravana para a Argélia, com certeza os está amaldiçoando para toda a eternidade.

Gaddafi supunha que fosse parceiro da OTAN. Agora, a OTAN quer arrancar-lhe a cabeça. Que parceria é essa?

O monarca sunita ditador permanece no Bahrain; nada de bombas “humanitárias” sobre Manama, nada de recompensa por sua cabeça. O clube de ditadores da Casa de Saud permanece; nada de bombas “humanitárias” sobre Riad, Dubai ou Doha – nada de recompensa por aquelas cabeças coroadas apaixonadas pelo ocidente. Estão pegando bem leve até com o ditador sírio – pelo menos por enquanto.

Portanto, a pergunta, levantada por vários leitores de Asia Times Online, é inevitável: qual a linha vermelha crucial que Gaddafi transgrediu, transgressão que lhe valeu o cartão vermelho?

“ Revolução’ made in France

Há tantas linhas vermelhas transgredidas pelo Grande Gaddafi – e tantos cartões vermelhos – que a tela do computador acabaria tingida de vermelho sangue.

Comecemos pelo básico. É coisa dos franceses. Vale a pena repetir: a guerra na Líbia é guerra francesa. Os americanos nem chamam a guerra na Líbia, de guerra: é só “ação cinética”, ou coisa que o valha. O Conselho Nacional de Transição ‘rebelde’ é invenção francesa.

E, sim, sim – sobretudo é guerra do neoplatônico presidente Nicolas Sarkozy. Sarkozy é o George Clooney do filme (coitado do Clooney). Todos os demais, de David das Arábias Cameron, ao ganhador do Prêmio Nobel da Paz e inventador emérito de guerras Barack Obama, são coadjuvantes.

Como o Asia Times Online noticiou, a guerra da Líbia começou em outubro de 2010, quando o chefe de protocolo de Gaddafi, Nuri Mesmari, desertou e voou para Paris. Ali foi contatado pela inteligência francesa e, para todas as finalidades práticas, construíram um coup d'état militar, envolvendo desertores na Cyrenaica.

Sarkô tem uma mala de motivos para desejar vingar-se do Grande Gaddafi.

Bancos franceses contaram-lhe que Gaddafi preparava-se para transferir seus bilhões de euros para bancos chineses. E Gaddafi não podia, de modo algum, servir de exemplo para outras nações ou fundos soberanos árabes.

Empresas francesas contaram a Sarkô que Gaddafi decidira não comprar aviões Rafale e não contratar franceses para construírem uma usina nuclear; preferia investir em serviços sociais.

A gigante francesa de energia Total queria fatia maior do bolo energético líbio – que estava sendo devorado, do lado europeu, pela italiana ENI, sobretudo porque o premiê Silvio “bunga bunga” Berlusconi, fã de carteirinha do Grande Gaddafi, já tinha acertado negócio complexo com Gaddafi.

Assim, o golpe militar foi aperfeiçoado em Paris, até dezembro; as primeiras manifestações populares na Cyrenaica em fevereiro – instigadas em larga medida pelos golpistas – foram capturadas. O filósofo da autopromoção Bernard Henri-Levy meteu num avião para Benghazi a sua camisa branca aberta no peito e foi encontrar-se com os “rebeldes”, de onde telefonou para Sarkozy e virtualmente ordenou que reconhecesse os tais “rebeldes”, já no início de março, como ‘governo legítimo’ (como se Sarkô carecesse de estímulos).

O Conselho Nacional de Transição foi inventado em Paris, mas a ONU também providenciou para inflá-lo como “legítimo” governo da Líbia. E a OTAN, que não tinha mandado da ONU para converter uma zona aérea de exclusão em bombardeio “humanitário” indiscriminado. Tudo isso culmina hoje no cerco da cidade de Sirte.

Os franceses e os britânicos redigiram o que viria a ser a Resolução 1.973 da ONU. Washington uniu-se alegremente ao convescote. O Departamento de Estado dos EUA combinou um negócio com a Casa de Saud, pelo qual os sauditas assegurariam um voto da Liga Árabe, como prelúdio à resolução da ONU; em troca, os sauditas seriam deixados em paz para reprimir qualquer protesto pró-democracia no Golfo Persa – o que os sauditas fizeram, com selvageria, no Bahrain.

O Conselho de Cooperação do Golfo (então convertido em Clube Contrarrevolucionário do Golfo) também tinha toneladas de razões para querer livrar-se de Gaddafi. Os sauditas adorarão acomodar um emirado amigo no norte da África, sobretudo se, simultaneamente, se livrarem da furiosa animosidade que separa Gaddafi e o rei Abdullah. Os Emirados querem novo local para investir e “desenvolver”. O Qatar, muito íntimo de Sarkô, queria fazer dinheiro – gerindo os novos negócios de venda de petróleo dos “legítimos” “rebeldes”.

A secretária de Estado dos EUA Hillary Clinton pode até ser muito amiga da Casa de Saud ou dos al-Khalifas assassinos no Bahrain. Mas o Departamento de Estado também vergastou Gaddafi pesadamente por suas “políticas cada vez mais nacionalistas no setor energético”; e, também, por estar “libianizando” a economia.

O Grande Gaddafi, jogador esperto, deveria ter visto o escrito no muro. Desde que o primeiro-ministro Mohammad Mossadegh foi deposto essencialmente pela CIA no Irã em 1953, a regra é que ninguém se mete a antagonizar o Big Oil globalizado. Para nem falar de antagonizar o sistema financeiro/banqueiro internacional – promovendo ideias subversivas como usar a economia nacional em benefício da população local.

Quem seja pró-o-próprio-país é automaticamente inimigo dos que mandam – bancos ocidentais, megacorporações, “investidores” nebulosos à caça de lucrar com qualquer coisa que cada país produza.

Gaddafi não só atropelou todos esses limites como também tentou escapar do petrodólar: tentou vender à África a ideia de uma moeda unificada, o dinar de ouro (foi apoiado por muitos países africanos); investiu num projeto multibilionário – o Grande Rio Feito pelo Homem, uma rede de dutos que bombeiam água potável do deserto para a costa mediterrânea – sem, para isso, ter de ajoelhar ante o altar do Banco Mundial; investiu em programas sociais nos países subsaharianos mais pobres; financiou o Banco da África, com o que tornou possível, para muitos países, também escapar das garras do Banco Mundial e, principalmente, do Fundo Monetário Internacional; financiou um sistema de telecomunicações para todo o continente africano, graças ao qual escapou das redes ocidentais de telecomunicações; e ofereceu aos líbios excelente padrão de vida. A lista dos pecados de Gaddafi é infinita.

Por que não telefono para Pyongyang

E há ainda o ângulo militar crucialmente importante do Pentágono/ Africom/ OTAN. Nenhum país africano quis receber uma base do Comando Africano (Africom) do Pentágono. O Africom foi inventado no governo George W Bush, como meio para controlar de perto a África e para combater, escondido, os avanços comerciais da China.

Dado que ninguém quis acolher o Africom na África, o Africom escolheu local super africano: Stuttgart, na Alemanha.

A tinta em que se escreveu a Resolução 1.973 ainda nem secara, e o Africom, de fato, já estava bombardeando a Líbia com mais de 150 Tomahawks – antes de o comando das operações ser transferido para a OTAN. Foi a primeira guerra africana do Africom, e prelúdio do que virá. Fixar uma base permanente na Líbia é negócio já praticamente resolvido – parte da militarização neocolonial, não só do norte da África mas de todo o continente.

A agenda da OTAN para dominar todo o Mediterrâneo e convertê-lo em lago da OTAN, é tão definida quando a agenda do Africom para converter-se em Robocop da África. Os únicos pontos difíceis eram a Líbia, a Síria e o Líbano – três países que não são membros da OTAN nem ligados à OTAN por qualquer tipo de “parceria”.

Para compreender o papel de Robocop global que a OTAN aspira a desempenhar – legitimado pela ONU – basta prestar atenção à boca dura do secretário-geral da OTAN general Anders Fogh Rasmussen. Trípoli ainda estava sendo bombardeada, quando ele disse que “Quem não consiga manter tropas além das próprias fronteiras não terá influência internacional, e o vácuo será ocupado por potências emergentes que não necessariamente partilham nosso pensamento e nossos valores”. [1]

Portanto aí está, tudo dito. A OTAN é uma milícia high-tech ocidental para defender interesses dos EUA e de países europeus e isolar os BRICS emergentes e outros, e para manter curvados os “nativos”, sejam africanos ou asiáticos. O negócio fica mais fácil, porque a coisa está fantasiada de R2P – “responsabilidade de proteger”, não os civis, mas o saque subsequente.

Jogando contra todas essas forças, não surpreende que o Grande Gaddafi tenha recebido cartão vermelho, expulso do jogo para sempre.

Poucas horas antes de o Grande Gaddafi ter de começar a lutar pela própria vida, o Amado Líder bebericava champanhe russa com o presidente Dmitry Medvedev, trocando ideias sobre o gambito em curso no Oleodutostão. Lembrou, por acaso, que gostaria de conversar sobre seu arsenal nuclear ainda ativo.

Aí está o motivo pelo qual o Amado Líder sobe, enquanto o Grande Gaddafi despenca.

Nota dos tradutores

[1] Wall Street Journal, 24/8/2011

Correa ensina como enfrentar a Veja

Sanguessugado do Miro

Altamiro Borges

A mídia golpista do Equador está desesperada. Em setembro de 2010, o jornal El Universo publicou matéria mentirosa afirmando que Rafael Correa havia ordenado abrir “fogo” contra os policiais que intentaram um golpe contra seu governo. O presidente não vacilou e entrou com processo na Justiça exigindo a retratação do jornal e do editor responsável pela calúnia, Emílio Palácio.

Como não houve a retratação, em julho deste ano a Justiça condenou os diretores do jornal e Palácio a três anos de prisão e fixou multa de US$ 40 milhões. Os donos do El Universo, apavorados, afirmam que o pagamento levará o jornal à falência. Mas Rafael Correa já disse que não recuará um centímetro e que doará todo o dinheiro da indenização. “Não ficarei com 20 centavos”.

Os “capangas da tinta”

Em carta publicada ontem no jornal El Ciudadano, o presidente se dirigiu aos funcionários da empresa. “Lamento pelos momentos difíceis que vocês e suas famílias estão passando, mas sou eu o responsável por esta situação ou são aqueles que utilizam o disfarce da 'imprensa livre e independente' para transbordar todo seu ódio contra nossa revolução de forma ilegal e ilegítima?".

Correa também tentou acalmar os funcionários, preocupados com a falência da empresa. Ele garantiu que tomará todas as medidas para “garantir” os empregos dos atingidos pela irresponsabilidade criminosa do jornal. Em várias oportunidades, o presidente do Equador já afirmou que não será refém dos “capangas da tinta”, que fazem uma oposição sistemática e golpista ao seu governo.

Se houvesse a mesma firmeza de postura no Brasil, a Veja e outros “capangas” da mídia seriam mais cautelosos com as suas ações criminosas que maculam o jornalismo e a ética.

"Israel deve decidir se quer ser uma democracia ou Estado de apartheid"

Via PCB

imagemCrédito: www.deia.com

Entrevista com Ilan Pappé – Historiador israelense

 

Erika Jara

Filho de dois judeus alemães que fugiram da perseguição nazista nos anos 30, Ilan Pappé trabalha na Universidade britânica de Exeter desde que os insultos, as ameaças e sua adesão ao boicote acadêmico à Israel o levaram a deixar sua Haifa natal em 2007.

Desde a publicação de antigos documentos oficiais israelenses e britânicos, no início dos anos 80, o historiador Ilan Pappé se dedica a reescrever a história de Israel. Uma nova e incômoda versão em que os supostos heróis, cujas estátuas adornam as ruas do país, resultam ser criminosos. Por trás de livros tão polêmicos, como Historia de la Palestina moderna o La limpieza étnica de Palestina [História da Palestina moderna ou A limpeza étnica da Palestina], Pappé foca agora sua atenção nos cidadãos palestinos com nacionalidade israelense, que, segundo reza o título de seu novo livro, são Los palestinos olvidados [Os palestinos esquecidos].

Sua atenção está centrada nos palestinos dos territórios ocupados. Quem são esses ‘palestinos israelenses’ e o que é necessário saber sobre eles para entender o conflito?

São os palestinos que foram autorizados a permanecerem em Israel, aqueles que não foram expulsos depois da catástrofe de 1948. Então, eram 150.000. Agora são mais de um milhão. São importantes por muitas razões, sobretudo por serem palestinos que vivem em 80% da Antiga Palestina e conhecem os israelenses muito bem, posto que vivem com eles há mais de 60 anos e estão familiarizados com as duas comunidades. O processo de paz e as conversações sobre o futuro tendem a excluí-los, porém enquanto não se tem em conta seu destino, não existe solução. A maneira com que estes palestinos são tratados é o teste mais importante para a democracia israelense e, lamentavelmente, este exame está suspenso.

Estes ‘palestinos israelenses’ viveram uma história melhor do que aqueles que vivem nos territórios ocupados?

Até 1966, os palestinos israelenses viveram sob um regime militar brutal, logo que foi transferido à Cisjordânia e Gaza, em 1967. A partir de então, os palestinos israelenses tem se saído melhor, porém são duramente discriminados em comparação com os cidadãos judeus de Israel.

Em seus livros anteriores foram utilizadas antigas evidências: documentos do Exército britânico, o diário do primeiro presidente de Israel, David Ben Gurión... Em quais documentos o senhor se apóia desta vez?

Usei dois tipos de documentação. Por um lado, os arquivos oficiais israelenses para o período entre 1948 e 1967, e as publicações oficiais e da imprensa israelense para a história posterior a 1967. Por outro lado, entrevistas e material privado que alguns dos mais importantes ativistas da comunidade colecionaram ao longo dos anos.

Em seu discurso junto ao Congresso norte-americano, o primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que Israel é o único país do Oriente Médio onde os árabes podem desfrutar da democracia. É assim?

Como muitas outras coisas em seus discursos, este ponto foi uma magna mentira. O tratamento dos palestinos em Israel e, em particular, as políticas contra eles, desde que Netanyahu chegou ao poder, questionam seriamente a afirmação israelense de que o país é uma democracia. A sociedade judia em seu conjunto é racista em sua atitude com relação aos cidadãos palestinos, os quais observam que grandes aspectos de suas vidas são segregados em uma sociedade de apartheid.

Netanyahu exige que o presidente palestino, Mahmud Abbas, reconheça Israel como um estado judeu para voltar às negociações. Qual seria o papel dos palestinos nesta suposta ‘democracia judia’?

Num estado judeu como o entendido por Netanyahu, os palestinos permaneceriam como cidadãos de segunda, discriminados em todos os aspectos de sua vida e sob o risco constante de limpeza étnica.

Israel reconhece sua própria história?

Israel nega sua história e chama historiadores, como eu, de mentirosos. Sem nenhuma prova, é claro.

Que consequências têm essa postura?

A consequência é que Israel continuará acreditando que o mundo está contra ela, devido ao anti-semitismo. Na verdade, é um reflexo às próprias políticas adotadas. Essa é a razão de seu crescente isolamento na comunidade internacional.

O senhor aprova o boicote à Israel. O que pensou quando viu que era aprovada a Lei Anti-boicote na Knesset?

Creio que a Lei Anti-boicote demonstrou o sucesso da campanha Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS). Também fez com que muita gente da esquerda israelense passasse a defender o boicote. É uma prova da validade e utilidade desta campanha, mas ainda é necessário convencermos os políticos ocidentais para unirem-se a nós.

Em qual capítulo da história israelense nos encontramos?

Num capítulo muito crucial, em que Israel deve tomar uma decisão final sobre se quer ser uma democracia ou um estado de apartheid. Não existem mais opções.

A esquerda israelense vem perdendo grande poder e influência desde o estabelecimento do estado. Por que isto está ocorrendo?

Porque a esquerda israelense sempre foi sionista, e o principal problema em Israel e neste conflito é o sionismo. Se esta questão permanece como marco mental dessa esquerda, ela passa a ter muito pouco a oferecer que seja diferente das ideias do centro ou da direita.

O senhor apóia a solução de um só estado e o direito de retorno dos refugiados palestinos. Quão realista e viável é pensar que palestinos e israelenses possam viver juntos num estado depois do obscuro e triste passado que descobrimos em seus livros?

Já estamos vivendo num só estado. Será muito difícil mudar o regime atual e criar uma democracia em que todos sejamos iguais. Custará muito tempo, porém acredito que é o único caminho adiante. A história nos serve como professora. Olhe o mundo árabe. Às vezes, os eventos menos esperados aceleram o processo pelo qual uma situação injusta se converte em justa.

O senhor vê, no espectro político israelense atual, alguém que possa mudar a situação e fazer história?

Não. Porém não acredito que serão os políticos que vão resgatar, mas a sociedade civil. Sem líderes, porém unida. Os políticos serão os que organizam nossas vidas depois de uma revolução, mas nunca farão com que isso aconteça.

Fonte: http://www.deia.com/2011/08/15/mundo/israel-debe-decidir-si-quiere-ser-una-democracia-o-un-estado-de-apartheid

Tradução: Maria Fernanda M. Scelza

Veja vídeo-entrevista:

Illan Pappe: historiador israelense fala sobre o Holocausto Palestino

Infames imágenes: Soldados de Israel detienen a niños palestinos por jugar con armas de juguete

Via CubaDebate

Ilan Pappé

En memoria de Juliano Mer-Khamis

Soldados israelíes vigilan hoy en Hebrón a diversos niños palestinos que fueron arrestados en el primer día del Eid al-Fitr en Hebron, Cisjordania,por jugar con sus armas de juguete en Hebron – EFE/ABED AL HASHLAMOUN

Soldados israelíes vigilan hoy en Hebrón a diversos niños palestinos que fueron arrestados en el primer día del Eid al-Fitr en Hebron, Cisjordania, por jugar con sus armas de juguete en Hebron – EFE/ABED AL HASHLAMOUN

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Las imágenes hablan por si solas. Desde 1967 Israel ha detenido a 700.000 palestinos, un 20% de la población de los territorios ocupados aquel año. Muchos son menores de edad que sufren torturas en el Campamento Offer y son condenados sin juicio

Aparecen en mitad de la noche cuando los niños están profundamente dormidos, tal vez soñando con una vida mejor. Con los ojos tapados, amordazados, esposados, los menores son llevados a los camiones y esa misma mañana apriscados en el Campamento Offer, departamento número 2 del Juzgado Militar, también conocido como Departamento Infantil. Durante ese día -y todos los demás- tendrán que permanecer sentados en una especie de clase donde no hay profesores y tampoco padres, pero sí jueces, fiscales y muchos guardias. Tienen entre 10 y 13 años los mayores y están acusados de tirar piedras a las fuerzas armadas israelíes, probablemente denunciados por sus propios compañeros de clase. Serán brutalmente interrogados: golpes en la cara y el abdomen, privación de sueño, pinchazos de aguja en manos, piernas y pies, amenazas de violencia sexual y, en algunos casos, electrochoques. Suelen confesar enseguida, están aterrorizados, pero solo cuando aceptan convertirse en colaboradores les sueltan, si es que les sueltan.

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Ofra Ben-Zevi, una de las pocas y valientes mujeres israelíes que trabaja sin descanso por el despertar nacional e internacional de las conciencias dormidas, dice que a esta política criminal y odiosa hay que llamarla la cacería del niño.

Resulta fácil olvidarse de Palestina cuando Damasco, El Cairo y Saná están en plena ebullición. El ruido de los disparos contra los manifestantes, el espectáculo de los dictadores sentados en el banquillo, la genuina necesidad de los ciudadanos árabes de encontrar su propia vía hacia la democracia ocupan los titulares de prensa.

La destrucción de Palestina es mucho más lenta, y su tragedia invisible para el mundo exterior, pero es también mucho más antigua que todas estas revoluciones y me temo que seguirá todavía ahí mucho después de que cualquiera de ellas llegue a dar fruto en alguna nueva y esperanzadora realidad. Y puesto que Palestina no forma parte de esta positiva transformación, esto afectará al éxito de su supervivencia.

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Esta es una herida que no sanará fácilmente. ¿Por qué? Porque, después de años de cacería diaria, miles de niños palestinos han terminado por convertirse en una generación de tenaces resistentes, una generación que no sucumbirá jamás ante la presión de Israel aunque sus líderes sí lo hagan. Ellos nunca fueron tratados como niños por Israel, sino como criminales (al contrario de lo que sucede dentro de Israel, donde los delitos menores de los más jóvenes son borrados de los archivos o prescriben, algo que no ocurre en ningún caso con los jóvenes de la Palestina ocupada, lo que facilita a la policía israelí la posibilidad de utilizar como colaborador en cualquier momento a cualquiera de ellos).

Según la ONG Adamer, desde que Israel sobrepasó las fronteras que le fueron adjudicadas antes de 1967, ocupando Gaza, Cisjordania y Jerusalén Este, han sido detenidos aproximadamente unos 700.000 palestinos, es decir el 20% de la población total de estos territorios. Según esta misma fuente, siguen en sus cárceles más de 5.600 y por eso los abusos que aquí relatamos constituyen solo un pequeño ejemplo de una realidad acumulativa, una escena de una película que todavía no se estrenó y que probablemente no se estrene nunca.

Os sofismas do jornalismo brasileiro contra o financiamento público de campanha

Sanguessugado do Idelber Avelar

Aqui e acolá, o jornalismo brasileiro anda sofismando com o tema do financiamento público de campanhas eleitorais. Os recursos retóricos são os conhecidos: inconsistências lógicas, non sequiturs, falsos silogismos, analogias enganosas, enfim, a matéria de todos os dias da imprensa brasileira. Em boa parte dos casos, a coisa se resume a uma ou outra versão de um conhecido sofisma: o jornalista reconhece que o conluio entre o dinheiro privado e o Estado é a fonte da corrupção, mas retruca que o financiamento público não acabará com ela. Em termos formais, é como descartar a Lei Maria da Penha dizendo que ela não acaba com a violência contra as mulheres. Ora, não façamos nada, então? Eliminemos, pois, o artigo 121 do Código Penal, já que homicídios continuam acontecendo por aí. E voltemos ao mundo de Hobbes.

O debate é difícil, porque esse raciocínio sofístico já está tão arraigado no senso comum – alimentado por uma imprensa que sempre noticia a corrupção do agente público, mas nunca quem é o corruptor – que uma felicíssima pesquisa da agência de comunicação APPM, publicada por Carta Capital, colocou os pingos nos i’s. Os números são sensacionais e quem conhece o senso comum não duvidará de sua veracidade. Se perguntados se são contra ou favor da corrupção, claro, 100% dos eleitores, ou algo próximo disso, se declararia contrário. Nada menos que 84% por cento dos eleitores pesquisados disseram que o fato de um candidato receber doações de empresas aumenta as chances de corrupção política. Ou seja, o eleitor sabe de onde vem a grana que corrompe, mesmo que 45% não saiba que o modelo brasileiro atual mescla dinheiro privado e dinheiro público (do fundo partidário e da isenção fiscal do horário político em TV e rádio). No entanto – e eis aqui o pulo do gato –, nada menos que 81% por cento dos eleitores se declara contra o financiamento público de campanhas.

Não é sensacional? Ele sabe que é a doação privada que corrompe, mas é contra o financiamento público. Como explicar essa bizarríssima combinação? Ora, é muito simples: a esmagadora maioria do eleitorado não sabe que, com o financiamento privado, ele também está pagando a conta. Com a singela diferença de que não temos contabilidade da coisa. A empresa repassa os valores gastos aos produtos ou, pura e simplesmente, recolhe depois, via corrupção, as benesses em nome das quais investiu no político. Paga-se a conta sem saber, porque, afinal de contas, “dar dinheiro público para político” não pode. Só pode se não houver contabilidade, porque aí, claro, mantemos nosso direito de gritar contra os safados dos políticos e “toda essa corrupção que está aí”. O financiamento privado é despolitizador por excelência, pois favorece o discurso que reduz a política à moral.

O jornalista Elio Gaspari cometeu uma espantosa sequência de sofismas em seu recente libelo contra o financiamento público. Limito-me a citar o parágrafo que trata dos EUA:

A proposta [de financiamento público] instala uma ditadura financeira dos partidos. No atual sistema, os diretores das empresas privadas tiram dinheiro do cofre dos acionistas e jogam-no nas campanhas de seus candidatos. Esse tipo de financiamento poderia ser limitado, ou mesmo proibido, como sucede nos Estados Unidos. Lá, nas últimas décadas, ao longo de 16 eleições, apenas 18 bilionários tiraram de seus bolsos quantias que, somadas, superaram a marca de US$ 1 milhão. Todas as doações desses magnatas totalizaram US$ 41,6 milhões. Na última eleição brasileira, sozinha, a Camargo Correa doou o equivalente a US$ 51 milhões do patrimônio seus acionistas.

Nada do que Gaspari diz aqui é incorreto, mas o problema está no que ele omite. Parece-me espantoso que alguém argumente contra o financiamento público usando como referência justamente os EUA, país onde o dinheiro corrompeu todo o sistema político. Porque se é verdade, como diz Gaspari, que poucos bilionários contribuíram a campanhas eleitorais com quantias vultuosas, também é verdade que Gaspari omite as duas grandes fontes de circulação de grana no sistema político dos EUA: as 527s e o chamado soft money. Para esses enormes balcões de negócios, não há nenhum limite. O resultado é o que temos hoje: 86% dos cidadãos norte-americanos desaprovam o Congresso do país, mas não têm nenhuma condição de mudá-lo. Realmente, deve ser uma beleza de sistema, prontinho para o Brasil copiar.

Em primeiro lugar, só num sentido bem superficial é verdadeiro que as empresas não podem financiar campanhas nos EUA. Sim, elas não podem doar dinheiro diretamente a um candidato. Mas, especialmente depois da decisão da Suprema Corte Citizens United vs. Federal Electoral Commission (que quem tiver paciência pode ler na íntegra aqui), os limites praticamente inexistem, porque a própria legislação cria as alternativas para o capital. Comentando na época, Nathaniel Persily, professor de ciência política em Columbia University, afirmou: “esta decisão só não abriu totalmente as porteiras para o capital privado porque, para começar, as porteiras já estavam abertas”.

Uma corporação não pode doar dinheiro a um candidato nos EUA, mas pode criar, para esse objetivo, uma PAC (Political Action Committee). Ali os limites já não são US$1.000,00 por ano, como é o caso dos indivíduos, mas pulam para US$ 5.000,00. Ainda é um valor razoável, certo? Sim, se não existisse a instituição do soft money – o dinheiro que não é doado explicitamente para uma campanha eleitoral, mas dado ao partido político ou a organizações político-propagandísticas independentes (por oposição ao hard money, doado à campanha do candidato e para o qual há limites estritos). As típicas organizações receptoras do soft money são as 527s, nomeadas a partir do código de imposto de renda que as regula. Se você não sabe o que é uma 527, você não terá condições de medir o tamanho da monstruosidade que Gaspari quer apresentar como modelo de financiamento de campanha eleitoral.

Não há qualquer limite para doações às 527s. A contrapartida é que ela não pode pedir votos explicitamente para um candidato mas, na maioria dos casos, isso não é necessário. Tomemos um exemplo, a Swift Boat Veterans for Truth, uma organização 527 que investiu dezenas de milhões de dólares em comerciais de televisão que caluniavam o candidato democrata à Presidência em 2004, John Kerry, dizendo que ele havia colaborado com o inimigo na Guerra do Vietnã. Os comerciais manipulavam as posições anti-guerra abraçadas, depois da volta ao país, por um militar condecorado, em favor, evidentemente, do seu único adversário, George W. Bush (que, aliás, escapou da guerra por um estrategema montado por seu pai). O efeito dos comerciais foi devastador, decisivo para o resultado da eleição. Os Swift Boaters não precisavam pedir votos para Bush para que soubéssemos que trabalhavam para ele.

Aí vão, como exemplos, as quantias gastas por algumas 527s para as últimas eleições: a Republican Governors Association gastou 131 milhões de dólares. A Democratic Governors Association gastou pouco menos da metade, 64 milhões. A Citizens for Strength and Security, financiada pelo lobby das armas, levantou quase 7,2 milhões. Por aí vai. E Gaspari diz ao leitor da Folha de São Paulo que nos EUA o financiamento de campanhas por empresas privadas é “proibido”. É como se alguém me perguntasse “Quem foi Pelé?” e eu respondesse “foi o ponta-de-lança vice-campeão paulista de 1959 com o Santos”. Menti? Não. Só omiti tudo o que importa.

Comentando o atual sistema de financiamento de candidatos ao Congresso dos EUA, Michael Barone, que foi editor do Yale Law Journal e do Harvard Crimson, explica as coisas direitinho: “Uma viagem a qualquer capital estadual – por exemplo, Harrisburg, Pennsylvania ou Springfield, Illinois – lhe permite descobrir que tal ou qual pessoa na Califórnia doou US$1.000, 00. Mas permanecerá escondido aquilo que os proprietários do fundo nacional de soft money dos partidos sabem muito bem, ou seja, que esse doador da Califórnia também lhes deu um cheque de US$100.000,00. Em outras palavras, aqueles que se beneficiam do dinheiro sabem de onde ele veio, mas o público está efetivamente barrado de sabê-lo”. Esta última frase de Barone define o sistema de financiamento político que funciona nos EUA. Até as baratas de New Orleans sabem disso, mas os jornalistas brasileiros que querem apresentar o sistema dos EUA como modelo parecem não saber. Eu jamais afirmaria, claro, que eles fingem não saber porque as próprias empresas em que trabalham são doadoras.

Mas os sofismas dos jornalistas não param nos de Gaspari. Alon Feuerwerker critica o financiamento público com o seguinte argumento: O partido majoritário, por ter vencido a última eleição, terá garantida uma vantagem financeira irreversível, pois se não é razoável que a verba seja igualmente distribuída pelas legendas, o único critério alternativo é o apoio obtido na última eleição.

Segundo o raciocínio do Alon, será irreversível a vantagem financeira de um partido que teve, digamos, 45% dos votos sobre um partido que teve, digamos, 38% dos votos! Mais irreversível que a atual vantagem que detêm os candidatos financiados por Camargo Corrêa e Odebrecht contra os candidatos que se financiam com vaquinhas, feijoadas e contribuições de eleitores comuns! Só no jornalismo brasileiro você lê essas coisas.

O financiamento público de campanhas não acabará com a corrupção, da mesma forma como o artigo 121 do Código Penal não acaba com o homicídio. Ele criará, inclusive, um mecanismo para que se entenda de onde vem a corrupção. Porque, afinal de contas, se Gaspari argumenta, contra ele, dizendo que a eleição passada custou R$ 3,23 bilhões pelo Caixa Um, e se ele concede que, com financiamento público, ela poderia custar um terço disso, falta fazer mais um cálculo, não é, caro jornalista? Quanto a eleição passada custou pelo Caixa Dois? Claro, não sabemos. O que é espantoso que não se saiba, como afirmou a tuiteira Renata Garcia, é que, de um jeito ou de outro, somos nós que pagamos a conta. Eu não sei vocês, mas eu quero ver a contabilidade.

Islandia: ¿elegir entre ser Cuba o ser Haití?

Sanguessugado do Atilio Boron

Islandia, un pésimo ejemplo que la derecha y los medios se esfuerzan por ocultar ante los ojos de la opinión pública: ¡recuperación de la soberanía popular, no pago de la deuda, banqueros a la cárcel! Todo esto es inaceptable y peligroso, si en medio de la zozobra que vive Europa se produce un contagio. Por eso, mejor seguir hablando hasta el hastío de Khadafi y las lujosas mansiones en que él y su familia vivían antes del derrumbe del régimen. Y una vez que esta cantera noticiosa se agote, a buscar nuevos distractores. Cualquier cosa, con tal de no hablar de Islandia.

Islandia: un modelo silencioso, sin televisación ...

Se debe mirar a Islandia. Negarse a someterse a los intereses extranjeros: es el ejemplo de un pequeño país que indicó claramente que el pueblo es soberano.

Deena Stryker

www.kaosenlared.net/noticia/islandia-modelo-silencioso-sin-televisacion

Un programa radial italiano hablando sobre  la revolución en curso de Islandia dijo es un ejemplo impresionante de lo poco que nuestros medios de comunicación nos dicen sobre el resto del mundo.

Los estadounidenses pueden recordar que al inicio de la crisis financiera de 2008, Islandia, literalmente, se declaró en quiebra. Las razones se mencionan sólo de pasada, y desde entonces este miembro poco conocido de la Unión Europea volvió a caer en el olvido. Como los países europeos caen uno tras otro, poniendo en peligro el euro, con repercusiones para todo el mundo, la última cosa que los poderes desean es que el caso de Islandia se convierta en un ejemplo.   ... (clic abajo en Más información)

He aquí por qué: Cinco años de un régimen puramente neoliberal había hecho de Islandia, (población de 320.000 personas, sin ejército), uno de los países más ricos del mundo. En el año 2003 todos los bancos del país se privatizaron y en un esfuerzo por atraer inversionistas extranjeros ofrecieron préstamos en línea, cuyos costos mínimos les permitió ofrecer tasas relativamente altas de rendimiento.

Las cuentas, llamadas “Icesave”, atrajeron a muchos pequeños inversores ingleses y holandeses. Pero a medida que las inversiones crecieron también lo hizo la deuda de los bancos extranjeros. En 2003 la deuda de Islandia era igual a 200 veces su PIB, pero en 2007 fue del 900 por ciento.

La crisis mundial financiera de 2008 fue el golpe de gracia. Los tres principales bancos islandeses, Landbanki, Kapthing y Glitnir, quebraron y fueron nacionalizados, mientras que la corona perdió el 85% de su valor con respecto al Euro. Al final del año Islandia se declaró en bancarrota.

Contrariamente a lo que se podría esperar, la crisis dió lugar a la recuperación de los derechos soberanos de los islandeses, a través de un proceso de democracia directa participativa que finalmente condujo a una nueva Constitución. Pero sólo después de mucho dolor.

Geir Haarde, el Primer Ministro de un gobierno de coalición socialdemócrata, negoció 2.100 millones dólares de préstamo, a lo que los países nórdicos agregaron otros 2.500 millones. Sin embargo, la comunidad financiera extranjera presionaba a Islandia para imponer medidas drásticas. El FMI y la Unión Europea querían hacerse cargo de su deuda, alegando que  era el único camino para que el país pague la deuda a Holanda y Gran Bretaña, que habían prometido  reembolsarla a sus ciudadanos.

Las protestas y los disturbios continuaron y, finalmente, obligaron al gobierno a renunciar. Las elecciones se adelantaron a abril de 2009, resultando una coalición de izquierda que condenaba el sistema económico neoliberal, pero de inmediato cedió a sus demandas de que Islandia debía pagar un total de 3.500.000 euros. Esto requiere que cada ciudadano islandés abone 100 euros al mes (o alrededor de  130 dólares) durante 15 años, el 5,5% de interés, para pagar una deuda contraída por el sector privado vis a vis. Fue la gota que colmó el vaso.

Lo que sucedió después fue extraordinario. La creencia de que los ciudadanos tenían que pagar por los errores de un monopolio financiero, que a toda una nación se le debe imponer el  pagar las deudas privadas se hizo añicos, se transformó  la relación entre los ciudadanos y sus instituciones políticas y, finalmente, condujo a los líderes de Islandia al lado de sus electores .

El Jefe del Estado, Olafur Ragnar Grimsson, se negó a ratificar la ley que hace a los ciudadanos de Islandia responsables de sus deudas bancarias y aceptó las llamadas a un referéndum.

Por supuesto la comunidad internacional sólo aumentó la presión sobre Islandia. Gran Bretaña y Holanda, amenazaron con represalias terribles de  aislar al país. Como los islandeses fueron a votar, los banqueros extranjeros amenazaron con bloquear cualquier ayuda del FMI. El gobierno británico amenazó con congelar los ahorros islandeses y cuentas corrientes. Como dijo Grimsson: “Nos dijeron que si nos negábamos a las condiciones de la comunidad internacional, nos convertirían en la Cuba del Norte. Pero si hubiéramos aceptado, nos habrían convertido en el Haití del Norte. “ (¿Cuántas veces he escrito que cuando los cubanos ven el estado lamentable de su vecino, Haití, pueden considerarse afortunados?)

En el referéndum de marzo 2010, el 93% votó en contra de la devolución de la deuda. El FMI inmediatamente congeló sus préstamos. Pero la revolución (aunque no se televisó en los Estados Unidos), no se dejará intimidar. Con el apoyo de una ciudadanía furiosa, el gobierno inició investigaciones civiles y penales de los responsables de la crisis financiera. Interpol emitió una orden de detención internacional del ex presidente de Kaupthing, Sigurdur Einarsson, así como  de otros banqueros implicados  que huyeron del país.

Pero los islandeses no se detuvieron allí: se decidió redactar una nueva constitución que libera al país del poder exagerado de las finanzas internacionales y el dinero virtual. (La que estaba en vigor se había escrito en en momento en que Islandia se independizó de Dinamarca, en 1918, la única diferencia con la Constitución danesa es que la palabra “presidente” fue sustituida por la de “rey”.)

Para escribir la nueva constitución, el pueblo de Islandia eligió a veinticinco ciudadanos de entre 522 adultos que no pertenecen a ningún partido político, pero recomendados por lo menos por treinta ciudadanos. Este documento no fue obra de un puñado de políticos, pero fue escrito en Internet. Las reuniones de los Constituyente se transmitieron  on-line, y los ciudadanos podían enviar sus comentarios y sugerencias, asistiendo al documento, que tomaba forma. La Constitución, que eventualmente surje de este proceso democrático participativo, sería presentada al Parlamento para su aprobación después de las próximas elecciones.

Algunos lectores recordarán el colapso agrario de Islandia del siglo IX que apareció en el libro de Jared Diamond, con el mismo nombre. Hoy en día, este país se está recuperando de su colapso financiero en formas que son del todo  contrarias de las que generalmente se consideraban insoslayables, como confirmó ayer la nueva jefe del FMI, Christine Lagarde, a Fareed Zakaria. Al pueblo de Grecia le han dicho que la privatización de su sector público es la única solución. Y los de Italia, España y Portugal se enfrentan la misma amenaza.

Se debe mirar a Islandia. Negarse a someterse a los intereses extranjeros: es el ejemplo de un pequeño país que indicó claramente que el pueblo es soberano.

Es por eso que no está en la noticias.

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Fuente:http://www.dailykos.com/story/2011/08/01/1001662/-Icelands-On-going-Revolution

Líbia: POR FIM "LIVRES"

Via Resistir.info

Cartoon de Vicman.

 

NÃO HÁ ALEGRIA E SIM TERROR
NÃO HÁ LIBERDADE E SIM OCUPAÇÃO ESTRANGEIRA

A agressão imperialista contra a Líbia consumou-se com a tomada de Tripoli.
Os bandos de "rebeldes" do Conselho Nacional de Transição, arvorando a bandeira da defunta monarquia líbia, serviram apenas como encobrimento da intervenção activa da NATO. Os seus bombardeamentos selvagens contra alvos civis e os seus helicópteros artilhados é que decidiram esta guerra não declarada.
Milhares de líbios morreram sob a agressão da NATO, mandatada pela ONU para "salvar vidas". Registe-se a bravura e coragem do governo Kadafi, que aguentou durante seis meses uma guerra impiedosa promovida pelas maiores potências do planeta. A ficção de que se tratava de uma guerra "civil" foi completamente desmentida pelos factos. Foram precisos 8000 raids de caças-bombardeiros da NATO para decidir esta guerra neocolonial.
O futuro próximo da Líbia é negro. As suas reservas monetárias e financeiras – depositadas em bancos ocidentais – foram roubadas pelas potências imperiais (tal como aconteceu com as do Iraque). E os abutres vão agora à caça dos despojos, à repartição do botim, aos contratos polpudos. Os bandos do CNT, uma vez findo o enquadramento de mercenários, podem começar digladiar-se entre si.
A desinformação sobre a Líbia foi e é gritante em todos os media ditos "de referência". Eles foram coniventes activos da agressão imperialista contra o povo líbio. Hoje, a generalidade dos media já não serve para o esclarecimento e sim para o encobrimento e a mistificação.

A atualidade de San Thiago Dantas

Via  Jornal do Brasil

Mauro Santayana

A Fundação Alexandre de Gusmão, do Itamaraty, comemorou, ontem, o centenário de nascimento de San Thiago Dantas. Poucos brasileiros marcaram o seu tempo, com tanta intensidade e tanto talento, quanto o advogado, acadêmico, jornalista, militante político e diplomata. Sua trajetória foi de um relâmpago: formado aos 21 anos, pela Faculdade Nacional de Direito, Francisco Clementino de San Thiago Dantas, como muitos de seus companheiros de geração e de inquietude intelectual e política, se tornou ativo militante integralista.

“Ele se revelou excepcional advogado, e, aos 29 anos, obteve a cátedra de Direito Civil na faculdade em que se formara”

Pouco tempo depois, no entanto, entendeu que o caminho não era aquele, e se distanciou do movimento quando foi tentado o putsch de 1938 contra Vargas. San Thiago se revelou excepcional advogado, e, aos 29 anos, obteve a cátedra de Direito Civil na faculdade em que se formara. A partir de então tornou-se trabalhador e militante incansável, ao mesmo tempo que construía uma cômoda fortuna pessoal, o que lhe garantia plena independência. Essa independência autorizou-o a ingressar no PTB e a eleger-se deputado federal por Minas Gerais – uma escolha de sua lucidez política.

Sua memória foi evocada por alguns homens que com ele conviveram mais de perto, como Marcílio Marques Moreira, e outros que não tiveram esse privilégio e só o conheceram um pouco à distância, como o ministro Antonio Patriota e os embaixadores Samuel Pinheiro Guimarães, Gilberto Saboia  e Gelson Fonseca — além do professor Marco Aurélio Garcia. O advogado Adacir Reis, presidente do Instituto San Thiago Dantas, só leu suas obras e dele teve testemunhos alheios.

San Thiago foi a síntese dialética de suas contradições, no tempo em que lhe coube viver e influir na vida nacional. Advogado de grandes empresas, não titubeou em defender a justiça social, a partir de um partido de centro-esquerda, como o PTB; não marxista, promoveu o reatamento de relações com a União Soviética; admirador das instituições políticas anglo-americanas, com seu sistema democrático, não titubeou em defender o direito de Cuba à autodeterminação, e foi ferrenho advogado do princípio da não intervenção nos assuntos internos de qualquer nação.

Essa sua posição foi destacada pelos oradores de ontem, no Itamaraty. Se estivesse hoje vivo, San Thiago estaria na irrestrita condenação à posição das grandes potências no caso dos países árabes. O advogado Adacir Reis considerou que San Thiago era a pura razão, e talvez lhe tivesse sido conveniente um pouco mais de emoção.

Conheci-o, não de perto, mas de alguns encontros pessoais, naqueles meses tumultuados de 1961 a 1964. Tive a impressão de que ele racionalizava a emoção, mas não a perdia; controlava-a com o exercício de uma inteligência dominadora. Enfim, vivia sua emoção, ao subordiná-la aos ditados da realidade pragmática. Nele, a escolha política não era a da paixão, mas a da rigorosa inteligência do mundo e de suas possibilidades.

Ao receber, em 1963, o título de Homem de Visão do ano — conferido pela revista Visão, uma das melhores publicações então existentes — San Thiago resumiu o seu ideário político — extremamente atual — neste trecho:

“Se me fosse dado partir de duas afirmativas, ou posições, para nelas procurar envolver toda a minha conduta de homem público, procuraria reduzi-las a este traçado essencial: a) a certeza de que a sobrevivência da democracia e da liberdade, no mundo moderno, depende de nossa capacidade de estendermos a todo o povo, e não de forma potencial, mas efetiva, os benefícios, hoje reservados a uma classe dominante, dessa liberdade e da própria civilização; b) a certeza de que a continuidade da civilização, com o seu resultado final que é a reconciliação dos homens, depende da nossa capacidade de preservar a paz, substituindo a competição militar entre os povos por técnicas cada vez mais estáveis de cooperação e de convivência, e caminhando para uma integração econômica que nivele as oportunidades, com a rápida eliminação dos resíduos do imperialismo e das rivalidades nacionais”.

San Thiago conduziu a política externa brasileira nos poucos meses que coincidiram com a presença de Tancredo na chefia do Gabinete Parlamentarista. Mas eles foram suficientes para que, retomando a conduta do chanceler Afonso Arinos, ministro de Jânio, defendesse o direito dos cubanos à autodeterminação e, como já anotamos, consumasse o reatamento de relações com Moscou. No caso de Cuba, como lembrou o embaixador Gelson Fonseca no encontro de ontem, ele estava disposto a renunciar ao cargo se lhe exigissem conduta diferente no encontro de Punta del Este, em que negou aprovação à expulsão de Cuba da OEA. Era de tal forma sua determinação que, temendo outra instrução do governo Jango-Tancredo, submetido às pressões pessoais de Kennedy, não atendeu aos telefonemas de ambos, dando instruções a seus auxiliares para que dessem a desculpa de que ele se encontrava em articulações secretas com alguns outros chanceleres. O Brasil perdeu, por um voto, o do Haiti – o da maioria de 2/3, que consumou a expulsão de Cuba, com as consequências conhecidas. Naqueles dias circulou uma frase de San Thiago, a de que tanto os Estados Unidos quanto Cuba agiam no episódio como adolescentes despreparados, e era preciso que alguém buscasse conduzi-los ao bom-senso.

“San Thiago: tanto os Estados Unidos quanto Cuba agiam no episódio como adolescentes despreparados”

O mais importante do encontro de ontem foi a constatação de que o múltiplo San Thiago — com sua privilegiada e excepcional inteligência e insuperável erudição, e erudição sem mofo — continua sendo uma referência para a construção da sociedade nacional. Ele — e esta foi outra de suas sínteses admiráveis — sabia que a nossa posição no mundo dependia de nossa realização interna, como sociedade desenvolvida, livre e justa. Não há, e ele soube resumir esta verdade, sociedade soberana e livre no conjunto das nações se seus cidadãos não forem livres e não usufruírem de justiça interna. Uma nação em que parcela de seus cidadãos oprime a maioria, jamais será respeitada no mundo. Retorno ao discurso de San Thiago, de dezembro de 1963 — poucos meses antes de morrer, emblematicamente, em 7 de setembro de 1964, poucos meses depois do golpe militar:

“Meus senhores, desejava agora, pedindo desculpas pela extensão deste pronunciamento, encerrá-lo com uma renovação de minha inabalável confiança no futuro do nosso país e sobretudo na vitalidade do nosso povo. Penso, de maneira especial, nas classes populares, cujo apoio solicitei e cujo convívio procurei ao ir pedir-lhes, na terra mineira que tanto amo e a que tanto devo, a outorga de confiança de um mandato legislativo.

Tomei naquele instante uma posição política e partidária, em que continuo a aprofundar minhas raízes, e que era então, como hoje, a expressão de uma convicção sincera na capacidade das nossas classes populares para impulsionarem, no sentido da renovação, da revolução democrática, o curso de nossa história”.

Cúmplices aliviam Jaqueline Roriz num movimento de auto-defesa ou Bandidagem explícita na Câma dos Depufedes

GilsonSampaio

Não há outra forma de tratar os parlamentares que inocentaram Jaqueline Roriz  flagrada metendo a mão no dinheiro público. São todos cúmplices, inclusive os que se abstiveram. O resultado não deixa dúvida: 265 votos a 166 contra a cassação.

São os mesmo que podem votar a anunciada Reforma Política, e pelo caminhar da carruagem essa ‘reforma’ vai ser mais um tapa na cara da população.

Democracia não é só o direito de votar e acabou a participação popular.

Democracia, também é o direito do eleitor saber como votou seu representante, diferente do que ocorreu na votação secreta que absolveu a deputada corrupta.

Democracia, também é o direito do eleitor cassar o seu representante 171.

O acompanhante que aparece pegando a grana é marido da deputada corrupta.

Prêmio Nobel denuncia farmacêuticas por bloquear pesquisas

Sanguessugado do Rovai

O pesquisador norte-americano denuncia que os laboratórios só investem em medicamentos que sejam necessários para a vida toda.

Por Redação de La Vanguardia [29.08.2011 16h10]

Tradução de Idelber Avelar

O Prêmio Nobel de Química de 2009, Thomas Steitz (EUA), denunciou nesta sexta-feira que os laboratórios farmacêuticos não investem na pesquisa de antibióticos que possam curar definitivamente, mas que preferem centrar o negócio em medicamentos que seja necessário tomar durante “toda a vida”.

“Muitas das grandes farmacêuticas fecharam suas pesquisas sobre antibióticos, porque eles curam as pessoas e o que estas empresas querem é um fármaco que se tenha que tomar a vida toda. Eu posso parecer cínico, mas as farmacêuticas não querem que as pessoas se curem”, enfatizou.

Pesquisador do Instituto Médico Howard Hughes da Universidade estadunidense de Yale, Steitz assiste em Madri ao Congresso Internacional de cristalografia, o estudo da estrutura ordenada dos átomos nos cristais da natureza.

No caso da tuberculose, Steitz averiguou o funcionamento que deveria ter um novo antibiótico para combater certas cepas resistentes a essa doença, que surgem sobretudo no sul da África.

O desenvolvimento desse medicamento precisa de um grande investimento econômico e da colaboração de uma farmacêutica para avançar na pesquisa, comentou Steitz na coletiva de imprensa. “Fica muito difícil encontrar uma farmacêutica que queira trabalhar conosco, porque para essas empresas, vender antibióticos em países como a África do Sul não gera apenas dinheiro”, lamentou. “Elas preferem investir em medicamentos para a vida toda”.

Por enquanto, segundo Steitz, estes novos antibióticos são “só um sonho, uma esperança, até que alguém esteja disposto a financiar o trabalho”.

Steitz, Enrique Gutiérrez-Puebla e Martín M. Ripoli, ambos do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), fizeram uma chamada a que os países invistam mais em ciência. No caso dos antibióticos, a resistência das bactérias a eles tornará necessário continuar pesquisando “indefinidamente”.

Steitz conseguiu revelar como funciona o ribossomo, a parte da célula encarregada de fabricar proteínas a partir dos aminoácidos, o que lhe valeu o Prêmio Nobel, junto com os colegas Ada E. Yonath e Venkatraman Ramakrishnan.

Essa descoberta abriu uma nova linha de pesquisa em antibióticos, ao dar a conhecer o mecanismo pelo qual as bactérias se tornam resistentes a eles.

Suas pesquisas se centram agora em determinar as regiões do ribossomo para as quais dirigir e fixar os antibióticos, ou seja, os pontos chave em que o medicamento seria mais eficaz.

Atualmente, além da tuberculose, o laboratório de Steitz trabalha em vários compostos para combater cepas resistentes da pneumonia e o estafilococo áureo resistente à meticilina, que causa mais mortes que o HIV em alguns países, como os EUA.

Desagravo aos bravos Tupiniquins

Sanguessugado do redecastorphoto

Injusta e irresponsavelmente utilizados para indicação do que de pior existe no Brasil

Raul Longo

Que a Revista Veja é a pior porcaria que existe na imprensa brasileira, qualquer criancinha em aprendizado das primeiras letras já o sabe. Mais tarde aprenderão que as demais publicações das grandes empresas de comunicação do Brasil são todas a mesma droga, mas é natural que comecem a distinguir em que de fato se constitui isso que chamam de imprensa brasileira, através da Revista Veja. Mas o que os Tupiniquins têm a ver com os Civita e seus associados, asseclas e mercenários contratados como pistoleiros da mentira?

Se desde a instauração da Ditadura Militar as grandes empresas de imprensa se tornaram um dos mais vergonhosos acontecimentos da história do país e do povo brasileiro, o que os Tupiniquins têm a ver com isso?

Por quê tanto se os desvalorizar, recorrentemente como agora em que se afirma que os celerados da Editora Abril são a versão tupiniquim da quadrilha de Rupert Murdoch, o líder do crime organizado internacional em ilícitas promoções de escândalos públicos?

É só alguém ou alguma instituição cometer uma grande besteira para se os associar aos Tupiniquins. Por conta de quê? O que os Tupiniquins têm a ver com o apoio dos Civita ao Collor de Melo? O que os Tupiniquins têm a ver com a intransigente defesa dos Civita aos interesses dos espoliadores internacionais que dilapidam recursos naturais brasileiros? O que os  Tupiniquins têm a ver com as constantes e grandes mentiras veiculadas pela Veja?

Quem chama FHC, Alckmin e Serra pedindo o pé a meu loro são os Civita, Mesquita, Marinho e Frias. Não os Tupiniquins, que a esses nunca pediram sequer informação de às quantas horas sejam as horas do dia!

Se a Veja tenta escandalizar o óbvio, acusando José Dirceu de manter relações com seus coo partidários, qual a implicação dos Tupiniquins na consumação desta tradição especulativa da publicação? Se a Veja não tem noção do ridículo ou se aposta na idiotia de seus leitores, acaso caberia aos Tupiniquins a responsabilidade de esclarecer que escandaloso seria o Fernando Henrique se encontrar com os ministros ou parlamentares da base de apoio à Dilma Rousseff? Ou o Dirceu se reunir com as lideranças do DEM em suas idas à Brasília?

Caberia aos Tupiniquins explicitar a histeria dos Civita ao tentar indispor Dilma com Lula ou, como agora, cogitar das relações de Dirceu com seus colegas de partido uma tentativa de golpe ao governo Dilma?

Seria função dos Tupiniquins demonstrar a evidência de que os celerados da Veja deliram mais com a promoção de um golpe político, do que adolescentes impossibilitados de concretizarem seus delírios onanistas com os cromos das capas e páginas da Playboy?

Se a insídia, a aleivosia, promoção de infundadas intrigas, práticas criminosas, divulgação de mentiras, expressões da mais baixa e solerte covardia é uma manifestação semanal da quadrilha dos Civita através da Revista Veja, nada disso consta do histórico dos bravos Tupiniquins que há séculos defendem sua cultura e seu povo, lutando pelo reconhecimento de seu território com honradez e valorosa valentia.

Apesar de todas as provações e desrespeitos sofridos desde o século XVI, nenhum Tupiniquim caiu na marginalidade nem saiu inventando falsidades ou tentando enganar os outros por aí, praticando atos condenáveis ao mínimo senso de alguma ética profissional.

À saber: os Tupiniquins são um ramo da grande nação Tupi que ocupou as costas brasileiras desde sua porção Amazônica até o litoral norte do que hoje se conhece como Estado de São Paulo. Especificamente este ramo Tupi indicado como Tupiniquins se concentrava, segundo os mais antigos registros de localização deste povo, entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo. Tiveram suas plantações dizimadas por formigas e com a chegada dos Jesuítas sofreram surtos de varíola.

Em 1610 o Padre João Martins conseguiu-lhes uma sesmaria que só foi mensurada em 1760, quando apenas no principal centro desse território os Tupiniquins reuniam-se em cerca de três mil habitantes, mas em censo de 1997 verificou-se que a população Tupiniquim já se reduzira para 1.386 indivíduos.

Só em 28 de agosto de 2007 o governo brasileiro demarcou as terras pleiteadas pelos Tupiniquins, mas esse pleito sempre se baseou em fatos e verdades seculares, e não em algumas décadas de mentiras como as divulgadas pela Veja durante sua existência que em nome da decência profissional se espera o mais breve e efêmera o possível.

Tupiniquins nunca se valeram de manobras escusas e espúrias, ilações e especulações sem qualquer consistência como as recorrentemente praticadas pela Revista Veja ou por toda editora dos Civita e demais empresários da grande imprensa brasileira. Os Tupiniquins nunca foram falsos e venosos, enganadores ou “estafadores”, como no espanhol se classifica os colunistas e reportes dessa vergonhosa publicação brasileira, já desacreditada e advertida até por seus colegas do hemisfério norte.

Em todo o mundo, ninguém tem um “A” a repreender aos Tupiniquins, enquanto com os pistoleiros da máfia dos Civita até um jornalista dos Estados Unidos já bateu boca, indignado pela manipulação de suas informações sobre Ernesto Che Guevara. Ou também vai se culpar os Tupiniquins pela Veja roubar e manipular informações de seus colegas de outros países?

Se a Veja mente quando quer e como quer, a culpa é da Justiça e da Polícia brasileira.

Os Tupiniquins não têm porque serem responsabilizados por esta bagunça e criminalidade que assalta a consciência da população mascarada de “Liberdade de Expressão”. Quem entende que mentira é “expressão jornalística” e os meios de comunicação devem ser livres para mentir a bel prazer são alguns brancos desse país, não os Tupiniquins!

Não há motivo algum para se os desonrar em comparações com o que existe de mais desonrado nas atividades jornalísticas do Brasil e do mundo.

Inclusive ainda hoje, apesar do reconhecimento de suas terras em 2007, os Tupiniquins continuam admoestados por invasores como a Aracruz Celulose, anunciante da Editora Abril, dos Civita e publicações e teletransmissões dos Marinho, dos Frias e Mesquita, tão inimigos dos Tupiniquim quanto de qualquer outro segmento sócio/cultural e étnico do Brasil.

Portanto, mais respeito com os Tupiniquins. Metam “frecha” lá na Abril, na Veja e no Civita, mas não errem o alvo e nem enfiem os Tupiniquins nessa história. Se não vai ter guerra!