quinta-feira, 30 de junho de 2011

OAB apóia a causa dos CINCO

Sanguessugado do Solidários

 

Respaldam no Brasil causa de cinco antiterroristas cubanos

Fonte: PRENSA LATINA

Brasília, 30 jun (Prensa Latina) O subprocurador-geral, Eugenio José Guilherme, o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Fernando Collor, e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) respaldaram hoje a causa dos cinco antiterroristas cubanos.

Essas personalidades e a OAB manifestaram seu apoio à libertação imediata de Fernando González, Antonio Guerrero, Gerardo Hernández, Ramón Labañino e René González ao receber, por separado, a uma delegação cubana integrada por Magali Llort, mãe de Fernando, um dos Cinco, como são conhecidos internacionalmente.

Depois de indicar que está ao tanto da situação dos cubanos presos injustamente nos Estados Unidos há quase 13 anos, o subprocurador geral da República expressou a disposição a realizar os gerenciamentos necessários a fim de conseguir a libertação.

A deputada e presidenta do Instituto Cubano de Amizade com os Povos, Kenia Serrano, o membro do Comitê de Familiares dos Cinco Carlos Parra e o embaixador de Cuba no Brasil, Carlos Zamora, acompanharam à mamãe de Fernando nos três encontros.

Em seu despacho na sede do Senado Federal, Collor, ex-presidente brasileiro entre 1990 e 1992, externou sua disposição a ajudar em todo o que se requeira em prol da libertação dos Cinco.

A presidenta em exercício da OAB, Márcia Machado, o secretário-geral, Marcus Vinicius Furtado, e o presidente da Comissão Nacional de Relações Internacionais e ex-presidente dessa entidade, Cezar Britto, coincidiram na necessidade de uma maior divulgação para conseguir mais apoio dos advogados brasileiros.

A delegação cubana agradeceu à OAB o amicus curiae (amigos do corte) apresentado em favor dos Cinco no processo de apelação de Atlanta, e em particular a Britto quem nesse então presidia a entidade e pessoalmente assistiu à vista do tribunal, efetuada nessa cidade norte-americana.

Na reunião, efetuada no gabinete da Presidência Nacional da OAB, os membros do Conselho Federal manifestaram que acolheram a causa dos Cinco porque se trata de um tema de direitos humanos, um dos objetivos de luta da organização de letrados brasileiros.

Petição contra a contribuição dos países pobres ao FMI

Via Informação Incorrecta

Iniciativas Incorrectas: Proposta publicada. Agora é só assinar!

Informação Incorrecta de Max

Eis cópia do artigo de Iniciativas Incorrectas:

No dia 01 de Julho de 2011 foi publicada no site Petições OnLine o Pedido de revisão do sistema de contribuição do Fundo Monetário Internacional nos seguintes termos:

 

Pedido de revisão

do sistema de contribuição

do Fundo Monetário Internacional

Os assinantes da presente proposta,

CONSIDERADO

que o Fundo Monetário Internacional (de seguida designado FMI) é financiado com contribuições dos Estados Membros;

que as contribuições são expressas em percentuais do Produto Interno bruto (de seguida designado PIB) Per Capita;

que segundo os dados fornecidos pelo FMI, os Estados que mais contribuem em percentagem são os Estados que pertencem ao assim chamado "Terceiro Mundo";

PEDEM

que o FMI proceda a uma revisão urgente do sistema de contribuição, para que os Estados com menor capacidade económica possam ver as suas participações reduzidas e, nos casos mais graves, ser isentos do pagamento de tal participação contributiva.

Em particular, destacamos as condições económicas dos seguintes Estados, os quais apresentam um PIB extremamente reduzido e onde somas monetárias particularmente reduzidas constituem a fronteira entre a sobrevivência e a morte (dados do FMI, World Economic Outlook Database, Outubro de 2010):

Estado: Burundi

PIB Per Capita: 180 U.S. Dólares

Contribuição para FMI (% do PIB Per Capita): 8,23

Estado: República Democrática do Congo

PIB Per Capita: 186 U.S. Dólares

Contribuição para FMI (% do PIB Per Capita): 6,46

Estado: Libéria

PIB Per Capita: 226 U.S. Dólares

Contribuição para FMI (% do PIB Per Capita): 21,10

Estado: Sierra Leoa

PIB Per Capita: 326 U.S. Dólares

Contribuição para FMI (% do PIB Per Capita): 8,66

Estado: Zimbabwe

PIB Per Capita: 594 U.S. Dólares

Contribuição para FMI (% do PIB Per Capita): 7,52

Estado: Guiné

PIB Per Capita: 448 U.S. Dólares

Contribuição para FMI (% do PIB Per Capita): 3,68

Como termo de comparação, eis alguns dados relativos aos Países desenvolvidos:

Estado: Emirados Árabes Unidos

Contribuição para FMI (% do PIB Per Capita): 0,32

Estado: Brasil

Contribuição para FMI (% do PIB Per Capita): 0,32

Estado: Estados Unidos de América

Contribuição para FMI (% do PIB Per Capita): 0,46

Estado: Italia

Contribuição para FMI (% do PIB Per Capita): 0,61

Estado: Reino Unido

Contribuição para FMI (% do PIB Per Capita): 0,76

Estado: Israel

Contribuição para FMI (% do PIB Per Capita): 0,79

Nota: O PIB Per Capita indica o valor anual.

 

Objectivo desta primeira fase é a recolha de 10.000 assinaturas; quota que uma vez alcançada poderá ser ulteriormente ampliada.

A iniciativa decorre actualmente em língua portuguesa e será nas próxima semana seguida por outras, idênticas nos termos, em línguas inglesa e italiana.

Lembramos que o Pedido de revisão é uma iniciativa independente do autor e dos Leitores do presente blog, sendo o mesmo desligado de qualquer movimento ou formação política, religiosa, económica ou de qualquer outra natureza.

Uma vez alcançado o objectivo final, as assinaturas assim reunidas serão envidas à atenção do Fundo Monetário Internacional, Sede central de Washington, Estados Unidos de América.

Para assinar a petição é favor clicar no seguinte link:

Petições OnLine - Pedido de revisão do sistema de contribuição do Fundo Monetário Internacional

Obrigado pela atenção.

Este foi a parte do trabalho mais simples. Agora vem a parte que requer mais trabalho.

Nos próximos dias serão tomada as seguintes acções:

- apresentação das versões em língua inglesa e italiana

- difusão da iniciativa trâmite e-mail dirigida a vários blog e sites de língua portuguesa

- idêntico procedimento com blog e sites de língua inglesa e italiana uma vez publicadas as respectivas versões da proposta.

- comunicado de imprensa para sensibilizar os meios de comunicação (língua portuguesa; inglesa e italiana a seguir).

- sensibilização dos Leitores de Iniciativas Incorrecta e de Informação Incorrecta para que seja possível publicitar a iniciativa no âmbito das próprias famílias/amigos/colegas.

- criação dum post que fique de forma permanente logo abaixo o título do presente blog, de forma a ganhar a máxima visibilidade.

Por enquanto não lembro de nada mais.

Ah, sim, uma coisa: assinem, s.f.f.!

Ipse dixit.

De dossiê, o Serra entende. E, muito

GilsonSampaio

O JB mancheteia:

Serra: até paredes sabem do envolvimento de Mercadante com "dossiê"

Só pra refrescar a memória o tal dossiê  era sobre a Máfia das Ambulâncias durante a gestão de Serra e depois da do seu sucessor executivo no Ministério da Saúde, Barjas Negri.

Segundo a agência Pública que divulga telegramas do Wikileaks, Serra, à revelia do governo federal, pediu ajuda ao EE.UU para combater o PCC. Num movimento de vassalagem explícita negociou com o império à revelia do governo federal. Um pedido em especial chamou minha atenção:”…pediu ajuda, incluindo tecnologia para “grampear telefones”.”

O jornalista Amaury Jr. prometeu no ano passado a publicação de um livro de sua autoria contando como Serra detonou Aécio na disputa pela indicação do PSDB a candidatura à presidência nas eleições do ano passado e o troco de Aécio. O anúncio do livro jogou um pouco de água fria na fervura da tucanalhada, causou uma enorme expectativa e … até agora, nada. (leia o prefácio)

Temos ainda a empresa Decidir, uma parceria entre a filha de Serra e a irmã de Daniel Dantas, que violou o sigilo bancário de ‘apenas’ 60 milhões de brasileiros  e se apresentava para assessorar licitações do governo federal.

Com um curriculum desse (ou seria folha-corrida?) qualquer petista seria crucificado em praça pública pela mídiazinha sem-vergoinha e golpista.

De dossiê, o Serra entende. E, muito.

 

PT e ruralistas partem para o ataque final contra a biodiversidade sob o patrocínio da Monsanto

Via  MST

Entidades condenam legalização das sementes Terminator

O deputado Cândido Vacarezza (PT-SP) apresentou o PL 5575/09, em 2009, que prevê a liberação das sementes Terminator no Bra­sil.

A tecnologia Terminator (que quer dizer “exterminador” em inglês) se refere a modificações ge­néticas feitas nas plantas para produzir sementes estéreis, ou seja, que não se reproduzem.

A Campanha Por um Brasil Ecológico e Livre de Transgênicos fez uma denúncia de que o arquivo que está disponível no site da Câmara dos Deputados com a proposta do PL tem como origem o computador de uma das advogadas da empresa Monsanto.

Foi lançada um moção contra a aprovação desse projeto pelas entidades e os 4.000 participantes da 10ª Jornada de Agroecologia do Paraná, como agricultores familiares e camponeses, assentados de reforma agrária, povos e comunidades tradicionais, reunidos em Londrina entre os dias 21 e 25 de junho.

Abaixo, leia a moção.

CARTA ABERTA PELO DIREITO ÀS SEMENTES, À AGROBIODIVERSIDADE E

CONTRA AS TECNOLOGIAS DE RESTRIÇÃO DE USO (TERMINATOR)

As sementes são o maior patrimônio dos agricultores. São a base para a produção agrícola, por­tanto para a alimentação de qualquer nação. Durante dez mil anos, comunidades de agricultores, indígenas e povos tradicionais melhoraram e multiplicaram suas sementes livremente, fazendo da troca de sementes um momento de união e partilha entre povos e nações.

Não é por outro motivo que tratados internacionais como o Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura - TIRFAA (art. 5, 6 e 9), e a Convenção da Diver­sidade Biológica – CDB (art. 10c e 8j) protegem e incentivam o empoderamento das práticas comuns como armazenamento, troca, venda e melhoramento de sementes on farm (nas unidades produtivas) pelos agricultores, ações fundamentais para a conservação da biodiversidade e da agrobiodiversidade dos países.

Somente nos últimos 40-50 anos é que as sementes se tornaram um grande negócio. Pequenas mudanças feitas pelas multinacionais podem ser patenteadas, e as sementes, que sempre foram de livre intercâmbio, passaram a ser privatizadas e passaram das mãos dos agricultores, portanto dos cidadãos de cada país, para as mãos das grandes empresas.

Hoje, com a evolução dos transgênicos, as empresas desenvolveram um tipo de transgenia que permite o controle total e absoluto das sementes pelas companhias, fazendo com que os agri­cultores e mesmo os grandes produtores fiquem reféns das multinacionais para poder obter suas sementes. Nosso alimento passará a ser controlado por 4 ou 5 empresas que dominam mais de 60% do mercado mundial de sementes. A esse novo tipo de transgênico se chama de Terminator.

A tecnologia Terminator (que quer dizer “exterminador” em inglês) se refere a modificações ge­néticas feitas nas plantas para produzir sementes estéreis, ou seja, que não se reproduzem. No meio científico, essa tecnologia é chamada de GURTs, que é a sigla em inglês para “Tecnologias Genéticas de Restrição de Uso”. Desse modo, há um controle biológico do uso próprio, já que a semente que é guardada da colheita de uma variedade com tecnologia Terminator não poderá ser usada para plantio na safra seguinte, pois esta não germinará, ela está morta.

Quais as possíveis consequências dessa tecnologia?

Um Grupo Técnico de Especialistas contratado pelas Nações Unidas avaliou os impactos poten­ciais das GURTs sobre agricultores familiares, camponeses e comunidades tradicionais e concluiu que elas se caracterizam como uma forte ameaça à garantia da soberania e à segurança alimentar dessas comunidades.

Entre os impactos da tecnologia Terminator abordados no Relatório, destacam-se que pode:

• Reduzir e limitar as práticas tradicionais de intercâmbio de sementes;

• Reduzir a capacidade de inovação e o conhecimento local das comu­nidades sobre melhoramento de plantas;

• Reduzir ou afetar negativamente a agrobiodiversidade local, resultan­do na deterioração dos sistemas tradicionais de conhecimento;

• Levar à dependência de sementes ou a perdas de cultivos;

• Causar, de maneira irreversível, alterações ambientais negativas resul­tantes do cruzamento entre variedades Terminator e plantas normais.

A mais nova justificativa para a necessidade de empregar tecnologias genéticas de restrição de uso é sua utilização como uma “medida de biossegurança” para evitar a contaminação de plantas convencionais ou agroecológicas por variedades transgênicas.

Essa proposta é particularmente perversa, pois pode desenhar o seguinte cenário para as comuni­dades de agricultores familiares e camponeses: caso admitamos que não haveria continuidade na contaminação, o fato é que na primeira geração há contaminação, e o agricultor convencional ou orgânico contaminado perderia suas sementes dali pra frente, pois já estariam contaminadas pelo Terminator. Ou seja, se, por um lado, a contaminação não prosseguiria, é porque as sementes do agricultor contaminado também teriam se tornado estéreis.

Por essas e outras motivações, os 193 Países-Parte da Convenção da Diversidade Biológica es­tabeleceram uma moratória internacional à tecnologia Terminator ou de restrição de uso, através da Decisão V/5, em 2000. Essa moratória vem sendo renovada nas COPs, e sua manutenção foi apoiada pelo governo brasileiro nesta última COP 10 ocorrida em Nagoya, conforme manifestação da Divisão de Meio Ambiente do Itamaraty, Aviso nº 10/DEMA/CGFOME/AFEPA/SEAN BRAS, de 23/04/2010.

Como está a situação do Terminator no Brasil?

Atualmente, a Lei de Biossegurança proíbe “a utilização, a comercialização, o registro, o patente­amento e o licenciamento de tecnologias genéticas de restrição do uso” (art. 6º, lei 11.105), que envolvam a geração de estruturas reprodutivas estéreis ou a ativação ou desativação de genes relacionados à fertilidade das plantas por indutores químicos externos.

Mesmo sob o peso da moratória internacional e diante da atual proibição nacional, dois Projetos de Lei no Congresso tentam liberar as sementes Terminator no Brasil. O PL 268/07, originalmente apresentado pela hoje senadora Kátia Abreu (DEM-GO), e hoje de autoria do deputado Eduardo Sciarra (DEM-PR).

Em 2009, o deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), que nunca atuou no campo da agricultura, apresentou o PL 5575/09, que prevê a liberação das sementes Terminator no Bra­sil. Ano passado, a Campanha Por um Brasil Ecológico e Livre de Transgênicos fez uma denúncia informando que o arquivo que está disponível no site da Câmara dos Deputados com a proposta do PL tem como origem o computador de uma das advogadas da empresa Monsanto! Evidenciados os claros interesses que estão por trás da aprovação desse Projeto de Lei!

Esse Projeto de Lei foi muito questionado na sua tramitação na Câmara, e agora se propôs a cria­ção de uma comissão especial para agilizar sua tramitação. Quando se cria uma comissão especial, o PL tramita em regime de prioridade, ou seja, diminui das 40 sessões da tramitação ordinária para 10 sessões apenas!

Nós, cerca de 4.000 participantes da 10ª Jornada de Agroecologia do Paraná, sujeito coletivo composto por agricultores familiares e camponeses, assentados de reforma agrária, povos e comu­nidades tradicionais, organizações da sociedade, movimentos sociais de luta pela terra e reforma urbana, reunidos em Londrina-PR entre os dias 21 e 25 de junho de 2011, por uma Terra Livre de Transgênicos e sem Agrotóxicos, pela conquista de um Projeto popular soberano para a Agricultu­ra Camponesa e Familiar, fundado na agroecologia, propomos aos poderes Executivo e Legislativo Federais:

• Que o Governo Brasileiro proíba a utilização de qualquer tecnologia genética de restrição de uso, mantendo o texto da Lei de Biossegurança (11.105/05) que já trata do tema;

• Que o Governo Brasileiro tenha uma posição firme e clara na Convenção da Diversidade Biológica na manutenção da moratória internacional às tecnologias genéticas de restrição de uso (GURTs), garantindo, como Estado-Parte da CDB, que a moratória também se aplica no Brasil;

• Que o Congresso Nacional rejeite os PLs 5575/09 e 268/07 que tramitam na casa, e que os se­nhores deputados Cândido Vacarezza (PT-SP) e Eduardo Sciarra (DEM-PR) arquivem esses PLs da pauta do Congresso, respeitando a moratória internacional à tecnologia Terminator e garantindo a soberania nacional em relação ao uso e reprodução das sementes, a segurança e soberania alimen­tar dos povos, e os direitos dos agricultores, povos indígenas, povos e comunidades tradicionais ao livre uso da biodiversidade e da agrobiodiversidade.

Mais sobre o assunto

Projeto de Vaccarezza é redigido por lobby da Monsanto

E os bichos, vão viver aonde?

Pela proibição imediata de produção, comercialização e uso do metamidofós

GilsonSampaio

O veneno metamidofós foi banido pela Anvisa, mas, porém, todavia, contudo, com uma ressalva: poderá ser usado até 2012 quando os estoques estiverem esgotados.

Anvisa bane agrotóxico, mas você tem o direito de comê-lo até 2012

Sanguessugado do Viomundo

Conceição Lemes

Manifesto da 10ª Jornada de Agroecologia

Excelentíssima Chefe da Casa Civil Senhora Gleize Hoffman,

Excelentíssimo Ministro da Saúde Senhor José Padilha e,

Excelentíssimo Presidente da ANVISA Senhor Dirceu Barbano,

Nós, participantes da 10ª Jornada de Agroecologia, abaixo assinados, requeremos a proibição nacional imediata da fabricação, comercialização e uso do veneno Metamidofós, conforme determinação da ANVISA pela RDC 10/2008.

Esta determinação se baseou em estudos técnicos científicos da Fiocruz, que em nota técnica detectou que o referido veneno traz graves consequências para a saúde pública, em especial se tratando de um neurotóxico (com características imunotóxicas, além de ser tóxico para o sistema endócrino, reprodutor e também para o desenvolvimento embriofetal) e influindo negativamente e com graves impactos no desenvolvimento reprodutivo dos seres humanos (desregulador endócrino). Esta medida, além de ser uma imposição legal de acordo com o que dispõe o art. 3., § 6, alíneas c e d da lei 7.802/89 e art. 31 do Decreto 4074/02, é mais do que necessária e urgente, haja vista que a maioria dos países do mundo já proibiu sua utilização há vários anos, inclusive EUA, Europa e a China, e justificativas meramente econômicas não podem servir para a manutenção dos graves danos que este ingrediente ativo vem causando à saúde humana.

Sabe-se que, de última hora, há pressões empresariais para adiar a finalização definitiva de sua fabricação, por mais seis meses. Isto é inaceitável e injustificável, levando-se em consideração que até os quatro principais fabricantes já cessaram sua utilização. Diante disto, nós agricultores, movimentos sociais, igrejas e pesquisadores, viemos exigir a manutenção da RDC 10/2008 da ANVISA que estabelece a necessidade de reavaliação deste veneno, e a RDC 01/2011 no que tange à definição de limite máximo para finalização de sua formulação até 30 de junho de 2011, mas que, para além dela, tanto a fabricação, como a venda e uso deste veneno sejam finalizados  também até o prazo máximo de 30 de junho de 2011, ou seja, imediatamente!

Agroecologia, soberana e popular – Por uma terra livre de transgênicos e agrotóxicos.

Londrina, 24 de Junho de 2011.

Clique aqui para ouvir a entrevista da pesquisadora DaniellyPalma sobre a contaminação em Lucas do Rio Verde.

Grécia e os banqueiros alemães

Via Diário Liberdade

Laerte Braga

A maior parte dos títulos da dívida pública grega está em mãos de banqueiros alemães e grupos judeus. Vem a ser a mesma coisa. O duro pacote imposto à Grécia pela Comunidade Europeia tem o objetivo exclusivo de salvar esses banqueiros. E governos como o de Ângela Merkel e Nicolás Sarkozy.

O neoliberalismo dissolve não só o conceito de nação, como acentua o absoluto desprezo das elites econômicas pelos trabalhadores. Sumiu a democracia. A vontade popular está contida e dominada nos interesses dos que controlam o capital.

Não tem a menor importância para essa gente se a maioria dos gregos não quer saber do pacote e considera a dívida impagável. A dos norte-americanos também o é. Só não são impostos pacotes aos EUA por uma razão simples. São bestas feras, dispõem de um arsenal nuclear capaz de destruir o mundo cem vezes.

As revoltas populares no Oriente Médio, as manifestações de protesto na Grécia, na Espanha (em franco processo de dissolução), na Irlanda, em vários países europeus, ou de trabalhadores nos Estados Unidos contra as grandes corporações e bancos, acentuam o caráter totalitário do capitalismo. Não alcançaram seus objetivos.

Um mundo feito de papéis, privilégios e a exploração da classe trabalhadora sem qualquer resquício de piedade, pelo contrário, escorado em legiões de organizações terroristas como OTAN – ORGANIZAÇÃO DO TRATADO ATLÂNTICO NORTE –, EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A, atos patrióticos (“o último refúgio dos canalhas”).

Não há saída para esse tipo de impasse que não seja a luta popular e nas ruas.

A democracia cristã e ocidental está falida. É arremedo – como sempre foi –, caricatura de um estado de coisas que perpetua o poder de barões e senhores de terras e bancos.

É hora de um novo despertar dos trabalhadores antes que sejam esmagados nesse ataque de hordas bárbaras e sem entranhas.

Não significa que seja o fim do capitalismo. Significa que o capitalismo vive uma crise das maiores em toda a sua história e por isso se mostra cruel e insano na tentativa de superá-la.

É como se os trabalhadores tivessem sido colocados numa jaula imensa e ali disputassem os restos de direitos arrancados pelos parlamentos podres, pelos governos corruptos, na escravidão imposta pela barbárie, hoje recheada de tecnologia e requintes de perversidade nunca vistos.

Por trás das cenas os banqueiros, os grandes complexos empresariais e todo o aparato criado pela mídia na sociedade do espetáculo. Some o ser humano, assoma a bestialidade que pode ser exemplificada em tantos fatos, mas, por exemplo, a rejeição do Estado terrorista e genocida de Israel contra a flotilha da liberdade ante a complacência de um presidente fantoche, despido de dignidade, falo de Barack Obama, porta-voz dos grandes grupos terroristas que de fato controlam o mundo.

Gaza permanece submetida a um cerco implacável dos que se acreditam enviados divinos e usam isso para os juros nossos de cada dia. O Estado nazi/sionista de Israel.

A Europa Ocidental é ficção. Coisa de filme de Romy Schneider vivendo a imperatriz Sissi. Isso não existe mais. Uma grande base militar de EUA/TERRORISMO S/A. E colônias chaves como a antiga Grã Bretanha – hoje Micro-Bretanha – ou a França e a Alemanha.

O resto, resto mesmo, é adereço nesse processo.

Ou os povos se levantam e tomam em suas mãos os seus destinos, ou o preço a ser pago será muito maior que a devastação que se assiste.

Não há saída sem luta diante até da correlação de forças que é bem desigual. Mas há alternativa na luta, pois há fraquezas na podridão capitalista e no mundo de papéis de banqueiros e assemelhados.

Temos a Grécia e os banqueiros, como poderíamos ter a Espanha e os banqueiros, Portugal e os banqueiros, temos os banqueiros senhores do terror norte-americano/sionista, sem qualquer diferença do nazismo da velha Alemanha.

É possível até que Barack Obama aprecie Wagner (que não tem nada a ver com isso) para parecer mais próximo do ideal de boçalidade disfarçado de bom mocismo, no negro que é branco.

Charles De Gaulle concebeu a união dos países da Europa, sem a extinta Grã Bretanha, como Mercado Comum Europeu, em franca oposição ao domínio dos EUA, tanto que retirou a França da OTAN.

De lá para cá a exceção do período de François Mitterand a França é um dos bordéis preferidos dos banqueiros internacionais.

E monte de cafetinas a freqüentar bolsas de valores nas horas vagas.

A resistência dos trabalhadores gregos diz respeito a todos os trabalhadores em todos os cantos do mundo. Uma das formas do capitalismo ir engolindo a classe trabalhadora é a divisão, uma a uma.

Não vai demorar muito a chegar à América Latina.

A luta neste momento é de sobrevivência de trabalhadores e seres humanos diante do monstro nuclear que assassina na Líbia, no Afeganistão, no Iraque, na Colômbia, na Grécia, na Irlanda, na Espanha e vai fazê-lo em todo o mundo.

O ''Socialismo dos Ricos'', ou ''O Polulismo''

Via Diário Liberdade

Milton Temer

O dia começa mal, na leitura da primeira página do "Valor Econômico", um dos espaços de mídia onde se encontra jornalismo de qualidade. Abilio Diniz vai atrás de R$ 3,9 bi do BNDES, para uma operação de fusão Pão de Açúcar-Carrefour, onde não entrará com UM TOSTÃO, mas passará a controlar 32,2% das vendas do varejo nacional. Sem colocar um tostão do seu bolso, vale repetir.

Logo a seguir, “Commodities representam 71% do valor das exportações” mancheteia uma matéria que, no corpo, revela a fragilidade da operação – a maior parte está baseada em produtos, cujo preço não controlamos. Ou seja, se a crise da dívida norte-americana radicalizar por disputas eleitorais entre democratas e republicanos, nos Estados Unidos, e a China mudar o eixo do comércio internacional, diminuindo importações, olha nós, aí, no brejo.

O grave é que o porcentual de commodities sobre manufaturados aumentou na balança de exportações. Em relação ao ano passado, aumentaram 39,1%, enquanto os manufaturados subiram apenas 15,1%.

Resta o plano inferior da página: “Na Olimpíada, uma antevisão da crise grega”. Por que? Simples. Gastos iniciais de US$ 1,5 bilhões, terminaram em US$ 11,9 bi, oficialmente, porque há indícios, diz o texto, de que possa ter chegado a 30 bilhões de Euros – mais que US$ 40 bilhões.

Mas vamos tratar especificamente da manchete principal, porque a lusitana ainda está girando, e a torcida é grande para que o sócio francês de Diniz, o Casino, consiga melar a baderna.

Para quem gerou um “sequestro” suspeitosíssimo na véspera do segundo turno em 1989, com Lula tendo grandes chances de vitória comprometidas pelas suspeitas de ligações políticas com os sequestradores, esse neopetista realmente progrediu. Virou, junto com Gerdau, os controladores do Bradesco e Itaú; junto com os predadores do agronegócio, um dos principais “aliados” do lulismo pragmático.

Esta mais recente ameaça de tenebrosa transação comprova como o polulismo, digo, o populismo lulista, foi competente na metamorfose em que transformou um projeto classista de transformação radical da realidade brasileira no mais eficaz agente do capital monopolista em nosso país.

Em oito anos, conseguiu gerar um modelo em que todos ganham – uns muito mais que outros, evidentemente –, mas suficientemente para colocar colchões amortecedores entre classes em conflito. Sintetizando, esses quase R$ 4 bi que o BNDES pode proporcionar à manobra de Diniz, correspondem à metade do que foi destinado a tornar “felizes” 11 milhões de famílias com a Bolsa, em 2007. E cito 2007, pois foi o último ano em que me preocupei em seguir a relação lucros bancários x combate à miséria por políticas assistencialistas. Naquele então, o destinado à Bolsa família, em 12 meses, correspondia ao lucro, em 9 meses, do segundo maior banco privado brasileiro, o Bradesco. Porque o primeiro, o Itaú, nesses mesmos 9 meses, tivera um lucro exatamente R$ 500 milhões maior que o despendido com o “social”.

Pois bem; sob a ótica do prestígio ao desenvolvimentismo, sobre o monetarismo – na essência, louvável –, estamos, mais uma vez e de fato, diante de uma proposta clara de privatização do lucro, com socialização previsível do prejuízo.

Os recursos que faltam para as políticas públicas em virtude de um criminoso superávit fiscal, voltado a garantir retorno aos bancos, e sem risco de tudo o que se especula com a dívida pública – crescente em progressão geométrica desde que o modelo macroeconômico se iniciou lá no mandarinato tucano-pefelista de FHC – são acrescidos agora pelos constantes “empréstimos” que o Tesouro vem fazendo ao BNDES. Empréstimos que se transformam em transferências subsidiadas para as operações – reitero, sem riscos – do grande capital, em suas operações de fusão. Operações de fusão que, é bom ser dito, em nada vêm impedindo a constante desindustrialização do nosso parque produtivo, em benefício de operações financeiras que ninguém sabem onde vão dar.

Barra pesada que, no dia seguinte ao desligamento de um quadro histórico e simbólico, como Vladimir Palmeira, deve servir de reflexão aos petistas que ainda acreditam que o PT seja “socialista”, como consta do programa.

Ou será que estariam de acordo em defender o que Noam Chomsky definiu como “socialismo dos ricos”?

Os bancos são um novo Império Persa

Sanguessugado do Diário Gauche

As imagens são de ontem, quarta-feira 29/6. Observem que o cachorro baio (que dizem ser anarquista, mas sobre isso nada lhes posso assegurar, haveria que perguntar ao próprio) continua em combate. Ele está em quase todas as tomadas, valente, participativo e vanguardista. Viva o cachorro baio!

De outra parte, é de registrar a observação de Hegel, segundo a qual os fatos relevantes da história ocorrem, por assim dizer, duas vezes. Vejamos: a história antiga ensina que aconteceram grandes guerras de conquista ("guerras de raças", como diz Foucault), povos e territórios foram escravizados, saqueados, destruídos, esbulhados por dezenas, às vezes, centenas de anos. Lembro do velho império persa (século 5 a.C) tão bem reconstruído pela cativante narrativa de Gore Vidal, em sua obra "Criação", de 1981.

Pois bem, hoje, a Grécia repete um pouco - sob novos métodos, agora, bem mais ideológicos - a saga sacrificial dos povos da Babilônia, da Índia e de partes da China, então, submetidos aos reis da Pérsia, obrigados a se despojarem de tudo para satisfazerem a grandeza material de um reino de força militar e ambição desmedida. A "nova Pérsia", hoje, são os bancos, o sistema financeiro, que obriga países inteiros a se submeterem aos mais severos sacrifícios a fim de manter as burras do sistemão abastecidas do sangue, do suor e das lágrimas de populações inteiras. Sempre contando com autoridades locais (no caso o Pasok - Partido Socialista Grego) para fazerem o trabalho sujo de limpar a área para propiciar o pleno e completo (legalizado sob cerrada chantagem ideológica) saqueio nacional.

Cocaína-Cola

Sanguessugado do Informação Incorrecta

 

Qual uma das lutas mais difíceis que os Países Ocidentais travam? A luta contra a droga.

Qual uma das bebidas mais vendidas no Mundo Ocidental? A Coca Cola.

Não sei se repararam: "Coca", como "cocaina".

Sim, mas a Coca Cola Company não utiliza a droga, só o nome ficou.

Não é bem assim.

The New York Times, 1988:

Esta semana surgiram, a partir de entrevistas com representantes do governo e cientistas envolvidos em programas de pesquisa sobre drogas, alguns detalhes sobre como a Coca-Cola obtém a coca e como esta é processada.

Eles identificaram a Stepan Company, no Illinois, qual importadora e empresa que processa a cocaína usada na Coca-Cola. Depois dos representantes da Stepan terem declarados os laços com a Coca-Cola, a gigante das bebidas confirmou os detalhes das operações.

Em entrevista telefónica com a sede da Coca-Cola em Atlanta, Randy Donaldson, porta-voz da empresa, disse: "Usamos ingredientes da folha de coca, mas não há cocaína e tudo é rigidamente controlado pelas autoridades ".

Nos Andes, as folhas de coca são mastigadas e usadas ​​como chás de ervas desde milhares de anos.

São ricos em nutrientes essenciais, reduzem as dificuldades respiratórias e digestivas e são um estimulante e um calmante natural.

Os estudos confirmaram que no estado natural, as folhas são totalmente seguras e não levam ao vício: é para a produção da cocaína que são utilizados ingredientes químicos tóxicos.

No entanto, os EUA ainda têm uma política de erradicação, que apela para que os Países andinos queimem as florestas com produtos químicos tóxicos, tudo para eliminar esta planta medicinal.

Para travar a expansão da cocaína nas próprias terras, Washington pede que outros Países destruam tradições milenárias e inócuas.

Segundo a Lei dos Estados Unidos, é ilegal importar ou estar na posse de folhas de coca.

No entanto, há uma excepção: a Coca-Cola. Na tentativa de manter o sabor tradicional da bebida best-seller, a empresa de Atlanta convenceu o governo dos EUA a isentá-la de respeitar a lei. O que vale para um traficante não vale para uma empresa privada.

Mas atenção: as coisas não são assim simples. Vamos ver porque.

A Stepan Company importa a cada ano cerca de 100 toneladas de folhas de coca com uma "autorização especial" da DEA. Não esqueçam este "pormenor", sabendo que os jovens Africano-americanos recebem penas de 10 anos por posse de algumas gramas de cocaína enquanto uma das maiores corporações da América está a importar as folhas utilizadas para a produção de cocaína.

A cocaína é extraída das folhas, uma vez entradas nos Estados Unidos, com uma permissão especial da DEA. A Coca-Cola não usa cocaína, como sabemos, hoje não há cocaína na Coca-Cola.

E chegamos a uma pergunta óbvia: para onde acaba a cocaína em forma de pó branco que é extraída das folhas de coca mas que não é utilizada na Coca-Cola?

Acontece que esta cocaína é vendida a uma empresa chamada Mallinckrodt Incorporated, de St. Louis.

A Mallinckrodt recebe não só as importações de cocaína da Coca-Cola, mas também ópio importado da Índia. Além disso, compra também THC extraído da marijuana cultivada nos Estados Unidos.

Nada mal como "Guerra contra as drogas", nao é?

Mas quanta cocaína é adquirida pela Mallinckrodt Incorporated?

Mais de um quarto de tonelada.

É razoável perguntar para onde vão toda esta cocaína e ópio depois de terem chegado nos armazéns da Mallinckrodt. A explicação oficial é que destinam-se a "uso medicinal".

Vamos fazer duas contas.

De acordo com vários sites, são precisos cerca de 300 gramas de folhas de coca para produzir 1 grama de cocaína refinada.

Isso significa que 100 toneladas de folhas de coca podem produzir cerca de 333 quilos de cocaína a cada ano.

É um monte de cocaína. Lembrem que são 333 quilos de cocaína aprovada pela DEA, agência que pretende combater a "Guerra contra as Drogas", mas que de alguma forma concede imunidade aos fornecedores da Coca-Cola. Porque se a Coca-Cola goza de uma autorização especial para a importação, deve haver fornecedores com uma autorização especial também.

Tudo isso leva à segunda óbvia pergunta: o que faz a Mallinckrodt Incorporated com 333 quilos de cocaína refinada a cada ano? É impossível imaginar que 333 quilos de cocaína possam ser usados para "fins médicos", a menos que você tenha uma idéia bastante ampla deste conceito.

Mas vamos em frente com os cálculos.

333 quilogramas são, obviamente, 333 mil gramas de cocaína. De quanta cocaína falamos? Segundo The Goods Drugs Store, uma "normal pista" de cocaína (uma tira que o consumidor inala para assumir a droga) contem 50-75 mg, um vigésimo de grama.

Isso significa que uma grama é suficiente para obter 20 tiras. Multiplicamos tudo vezes 333 mil gramas de cocaína produzida com as 100 toneladas de folhas de coca importada legalmente pela Coca-Cola e obtemos 6,66 milhões de tiras de cocaína anuais.

100 toneladas de folhas de coca = 100 mil quilogramas de folhas de coca

100 mil quilogramas de folhas de coca = 333 quilogramas de cocaína

333 quilogramas de cocaína = 333 mil gramas de cocaína

333 mil gramas de cocaína = 6,66 milhões de tiras de cocaína.

Só como curiosidade: 333 mil gramas de cocaína representam 16,7 milhões de Dólares (50 Dólares/grama).

333 mil gramas que acabam onde?

Nota: se quanto acima parece ao leitor um bocado "esquisito", é bom lembrar que este é o fruto duma pesquisa de Natural News, um site de confiança, e que o material faz parte dum projecto maior, condensado no livro 25 Amazing Facts About Food, que é possível descarregar de forma livre neste link (livro em Inglês).

Ipse dixit.

Fontes: The New York Times, The Good Drugs, Natural News

Fatos em foco

Via Brasil de Fato

Tudo indica que a oposição de direita e a mídia conservadora já deixaram o caso Palocci provisoriamente de lado

Hamilton Octavio de Souza

Irresponsável

Já pode ser incluída entre as maravilhas do capitalismo brasileiro a nova lei aprovada pelo Senado que livra os empresários individuais de arcar com os bens pessoais para pagamentos de débitos de suas empresas, inclusive as dívidas trabalhistas. Se a lei for sancionada, só reforça a tradição brasileira de manter empresas falidas com donos muito ricos. As centrais sindicais e os trabalhadores vão silenciar diante dessa manobra?

Caso Palocci

Tudo indica que a oposição de direita e a mídia conservadora já deixaram o caso Palocci provisoriamente de lado, com certeza para ser retomado em melhor oportunidade. O fato de o ex-ministro não ter fornecido para a sociedade o devido esclarecimento de seu faturamento de R$ 20 milhões, em 2010, deixa em aberto a suspeita sobre tráfico de influência e/ou caixa dois da campanha eleitoral. É refém da direita contra os governos Lula e Dilma!

Malandragem

O governo federal publicou, dia 15, nota no Diário Oficial e no jornal O Globo, para tentar cumprir o que foi determinado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos sobre a condenação do Brasil no caso da Guerrilha do Araguaia. No entanto, a nota é parcial e não explicita outros aspectos da sentença, como a exigência de apuração dos fatos e dos culpados pelas torturas e assassinatos. Estão brincando com a violação dos direitos humanos!

Gastança - 1

Assim que foi anunciada a realização da Copa do Mundo de Futebol no Brasil, os críticos alertaram que seria muito difícil conter a cobiça dos aproveitadores e corruptos em torno da dinheirama canalizada para o evento. Os fatos estão aí a comprovar que os orçamentos e as isenções fiscais se multiplicam, nem tudo terá transparência para a sociedade e algo cheira muito mal nas relações público-privadas, nas obras dos estádios e de reurbanização.

Gastança – 2

Muito tempo depois de anunciado, finalmente começou a ser construído o novo Estádio do Corinthians, em São Paulo, a ser tocado por empresa privada com apoio do dinheiro público. Entre as surpresas do empreendimento, agora se sabe, o novo campo de futebol obrigará a realocação de dutos da Petrobras instalados no terreno, com custo adicional mínimo de R$ 7 milhões. Vai sobrar para o trabalhador-contribuinte!

Jogo social

Já que as elites nacionais – e seus subordinados – são especialistas em inversão de prioridades, vale reforçar os dados oficiais do último censo: 16 milhões de brasileiros estão na condição de extrema miséria, e desses 25,5% residem no campo, 71% são negros e pardos e 26% são analfabetos. Sem contar a tradicional precariedade no saneamento básico, já que 53% dos domicílios não estão ligados à rede de esgoto!

Mudança real

De acordo com dados divulgados pelo Incra, de 2003 a 2010 aumentou em 48% a área de concentração da terra no Brasil, que tem hoje 130.515 grandes propriedades (área média de 2.440 hectares), das quais 69.233 imóveis são considerados improdutivos, com um total de 228 milhões de hectares passíveis de desapropriação. Ou seja, existem motivos e condições para se fazer uma ampla reforma agrária. Só não faz quem não quer!

Danos gerais

Movimentos sociais e entidades populares do Brasil, Argentina e Paraguai, reunidos dias 16 e 17 de junho, em Foz do Iguaçu, no Encontro Água e Energia: soberania e sustentabilidade dos povos, aprovaram uma declaração com 10 itens, entre os quais os que denunciam o setor elétrico por violações dos direitos humanos, por acentuar as desigualdades sociais e pela prática de “cobrança de tarifas abusivas” em vários países da América Latina.

Agenda combativa

Os movimentos sociais estão organizando várias jornadas de luta para o 2º semestre: a da CUT, dia 6 de julho, pela redução da jornada de trabalho; a do MST, UNE, Andes, de 8 a 12 de agosto, em defesa da educação; a da Intersindical, Conlutas, Andes, de 16 a 24 de agosto, em defesa dos trabalhadores; e a da Via Campesina, de 23 a 27 de agosto, em defesa da reforma agrária e do meio ambiente. Toda força às lutas populares!

Luta quilombola

A titulação do território ainda é a principal luta das milhares de comunidades remanescentes de quilombos em todo o Brasil. Estimativa da Comissão Pró-Índio de São Paulo aponta a existência de 3,5 mil comunidades no país – apenas 6% delas têm o título de suas terras.

Libia es nuestro futuro

Sanguessugado do redecastorphoto

São os mesmos financistas cujo latrocínio custa à humanidade o atual colapso econômico: não perguntes a quem os banqueiros roubam: assaltam a ti”.

Luís Britto Garcia

Blog de Luis Britto Garcia, Venezuela - Luís Britto Garcia

Libia es nuestro futuro

Traduzido pelo pessoal do Plisnou

1 Nenhum homem é uma ilha; a morte de qualquer pessoa me atinge, pregava John Donne. Nenhum país está fora do planeta: o genocídio cometido contra um povo me assassina.

Tudo o que acontece na Líbia me fere, te machuca e nos afeta.

2 Falemos como homens e não como chacais ou monopólios de informação/comunicação. A Líbia não está sendo bombardeada para proteger a sua população civil. Nenhum povo é protegido lançando-lhe explosivos, nem despedaçando-o com 4.300 ataques “humanitários” durante mais de cem dias. A Líbia é incinerada para lhe roubarem seu petróleo, suas reservas internacionais, suas águas subterrâneas. Se o latrocínio triunfa, todo os países com seus recursos serão saqueados.

Não perguntes sobre em quem caem as bombas: cairão sobre ti.

3 Encarceraram os comunistas; não me importei porque não sou comunista”, ironizava Bertold Brecht. O Conselho de Segurança da ONU aprova uma zona de “exclusão aérea” a favor dos divisionistas líbios, mas permite um bombardeio infernal; a China e a Rússia se abstêm de vetar a medida porque como não são líbios nada poderia importar-lhes menos. De imediato os Estados Unidos ameaçam a China com a declaração de uma “moratória técnica” da sua impagável dívida externa e agridem o Paquistão. A China replica que “toda nova ingerência dos Estados Unidos no Paquistão será interpretada como ato não amistoso” e arma o país islâmico com cinquenta caças JF-17.

Nenhum povo está fora da humanidade: se não proibires a agressão contra outro povo, a desencadeias contra ti e teu povo.

4 Tolstoi contava que um urso ataca dois camponeses: um sobre a uma árvore, cedendo ao outro o privilégio de defender-se só. Este vence e conta que as últimas palavras da fera foram: “Quem te abandona não é teu amigo”. A Liga Árabe, a União Africana, a OPEP trepam a árvore da indecisão esperando a vez de serem esquartejadas.

Ao abandonar as vítimas abandonas a ti mesmo.

Resultado do "bombardeio humanitário"

5 Tal como nos tempos em que o fascismo assaltava a África, hoje a Itália, Alemanha, Inglaterra, França e outros pistoleiros da OTAN sacrificam armamentos e soldados numa guerra que só favorecerá os Estados Unidos. Impedido pelo seu Congresso de investir abertamente fundos no conflito, Obama queixa-se dos seus cúmplices da OTAN porque sacrificam à despesa militar menos de 2% dos seus PIB e ordena-lhes que imolem pelo menos 5% (“El futuro de la OTAN”, Editorial El País, 15/06/2011). São instruções inaplicáveis quando o protesto social, a crise financeira, a dívida pública impagável e o próprio gasto armamentista minam os governos do G-7. Perante tais exigências, a Itália opta por não participar mais dessa súcia criminosa.

A Agência Internacional autoriza a gastar das reservas que não tem 60 milhões de barris de petróleo em dois meses. Os Estados Unidos desbaratam em 2010 uma despesa militar de 698 bilhões de dólares, 43% do total mundial de 1,6 trilhões de dólares (Confirmado.net 17/06/2011). Assim se dilapidam em forma de morte os recursos que deveriam salvar vidas.

Se construíres guerras para devorar o outro, as guerras te devorarão a ti.

6 Como na época de Ali Babá e os quarenta ladrões, os banqueiros internacionais que tão benevolamente receberam 270 bilhões de dólares em depósitos e reservas da Líbia assaltam o butim e estudam trespassá-lo àqueles que tentam assassinar os legítimos donos. Também criam para os monárquicos de Bengazi um banco central e uma divisa própria.

São os mesmos financistas cujo latrocínio custa à humanidade o atual colapso econômico: não perguntes a quem os banqueiros roubam: assaltam a ti.

7 No estilo das blitzkrieg nazis, o presidente dos Estados Unidos inicia guerra sem a autorização dos seus legisladores e prolonga-as ignorando o Congresso, onde dez deputados denunciam o presidente e o secretário da Defesa cessante Robert Gates e vetam os fundos para a agressão contra a Líbia tachando-a de ilegal e inconstitucional.

Não verifiques se deves impor a tiros a democracia a outros povos: acaba antes com os vestígios que restavam dela no seu próprio país.

8 Cada homem é peça do continente, parte do todo, insiste John Donne. Os inimigos do homem não cessam de fragmentá-lo para destruí-lo melhor. Os impérios, que são quebra-cabeças instáveis de peças juntadas à força, no exterior fomentam ou inventam o conflito de civilização contra civilização, o rancor do iraniano contra o curdo, do xiíta contra o sunita, do hindu contra o muçulmano, do sérvio contra o croata, do descendente contra o ascendente, do ancestral contra o menos ancestral, do líbio contra o líbio, do venezuelano contra o venezuelano. De cada variante cultural pretendem fazer um paisinho e de cada paisinho um protetorado. Quem nos separa nos faz em pedaços, quem me divide me mutila.

Não indagues como despedaçam a Líbia: esquartejam a ti.

9 Toda pilhagem arranca com promessa de golpe fácil e atola-se na carnificina insolúvel. As guerras do Afeganistão, Iraque, Líbia, Iêmen e a agressão contra o Paquistão arrancam passeios triunfais, espatifam-se em holocaustos catastróficos e nenhuma conclui, nem se decide. A resistência dos seus povos retarda a imolação da qual não te livrarão, nem vetos omitidos, nem organizações abstencionistas, nem banqueiros cartelizados, nem Congressos olvidados.

Não perguntes por que são assassinados os patriotas líbios: estão morrendo por ti. 

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A REPÚBLICA E OS MANDAMENTOS DO DIA

Via Mauro Santayana

 

Seria conveniente que fôssemos ao indo-europeu, a fim de encontrar outras raízes etimológicas e com elas construir sinônimo para ética, tão gasto se encontra o vocábulo grego.

Aristóteles, ao tratar da sociedade, estabeleceu os fundamentos da filosofia da práxis (ou, seja, da vida ativa) em três idéias: a ética, a política e a economia.

Elas são, em sua evidência, os fundamentos do estado democrático. Mas, sem qualquer dúvida, a ética terá que ser o esteio em que as duas devam amparar-se.

Onde ética não existe, a política não é: trata-se apenas de um simulacro, uma aparência. Ainda que a aparência intua a realidade, ela não é a realidade, embora possa expô-la. Como disse Hoffmannsthal, o profundo se esconde na superfície.

A realização democrática é utópica. Como tudo na vida, a democracia é uma construção, um processo, com momentos mais felizes e momentos menos felizes.

Estamos vivendo momento curioso, no Brasil.

A economia vai bem, e muito bem, convenhamos, apesar dos pessimistas engajados.

Há menos de dez anos estávamos sob o signo do desalento, sendo fustigados por uma crise de credibilidade, dependurados no FMI e outros organismos internacionais, e o governo cavalgando uma quimera, híbrida da ilusão neoliberal com a arrogância de seus dirigentes, a começar pelo chefe.

O presidente Lula partiu para a solução menos elaborada, quase ingênua – de acordo com alguns analistas – mas, no caso, amarrada à ética: a da distribuição de parcela modesta da receita tributária às famílias mais pobres.

O resultado foi imediato: não só muitos dos que não comiam passaram a comer, e, assim estimularam a cadeia de consumo, como, nesse simples ato, obtiveram o senso da dignidade.

A ajuda do Estado não só lhes matou a fome, como os libertou dos oligarcas. Os empresários, tão empenhados em produzir para exportar, de repente descobriram vasto mercado que desprezavam, e desprezavam até mesmo ao pagar salários ínfimos a seus trabalhadores: o mercado interno.

A ética é o exercício radical de solidariedade. Essa solidariedade se exerce primeiro entre os da mesma nação, da mesma pátria. O mundo é dividido pelas fronteiras físicas, culturais e políticas. Por isso mesmo, a solidariedade começa na soberania nacional.

Temos que ser solidários primeiro conosco: com nossa família, nossos amigos, nossos compatriotas, para depois ampliarmos essa solidariedade ao continente e ao mundo.

Não basta aos governantes e seus agentes – como não basta aos cidadãos comuns – o exercício da solidariedade em medidas políticas coletivas. Ser solidário é também não desviar os recursos comuns da sociedade, mediante o peculato, a prodigalidade com os recursos públicos, o conluio entre a política e os negócios.

A presidente Dilma Roussef, a quem assiste o benefício de seus esforços em um quadro de dificuldades políticas gerais, não está conseguindo peneirar os conselhos que recebe.

Ainda que entendamos a urgência das obras públicas, que assumimos o compromisso de realizar, ao pleitear para o país a realização do campeonato mundial de futebol de 2014, é inadmissível aceitar que as licitações e contratos se façam em sigilo.

É muito mais importante saber quanto iremos gastar para reformar esse ou aquele estádio, do que conhecer os atos do Barão do Rio Branco, a fim de obter os êxitos diplomáticos que obteve, ao resolver os dissídios fronteiriços com os nossos vizinhos.

Por mais seja o nosso interesse sobre o passado distante, os acordos reais entre os estados, sendo negociados por seres humanos, estarão sempre cobertos, pelo menos no mais grave, pelo véu opaco do sigilo.

Jamais saberemos, exatamente, como atuou Alexandre Gusmão, a fim de obter o êxito extraordinário que obteve, ao impor aos espanhóis, no Tratado de Madri, o princípio romano do uti possidetis, ita possideatis, e, com isso, desenhar o mapa do Brasil de nosso tempo.

Nunca saberemos de que habilidades amorosas se valeu o Sargento-Mor Francisco de Mello Palheta, com o fim de conseguir de Madame d'Orvilliers, mulher do governador da Guiana Francesa, em 1727, as sementes que fizeram do Brasil o maior produtor de café do mundo.

Tanto em um caso, como no outro, a astúcia, se astúcia houve, foi decisiva para a construção do Brasil que conhecemos, e não é importante saber como fizeram esses nossos antepassados, mas sim o que obtivemos com seu desempenho.

O que ocorreu entre 1964 e 1979, em nossa forte contemporaneidade, ainda que não possa ser objeto de ação penal, deve ser de conhecimento público – mesmo que, em muitos casos, as fontes oficiais sejam fraudulentas, no que se refere às informações sobre os opositores ao regime militar.

Não é preciso levar os torturadores aos bancos dos réus, basta, para sua sanção moral, que sejam conhecidos e conhecidos os seus atos.

Enfim, voltando aos mandamentos do dia, estamos bem na economia, mas não estamos tão bem na regência política e falta ética em alguns setores dos Três Poderes da República, para que possamos avançar na construção democrática, mediante o controle do estado sobre a economia e a continuada redução das injustiças sociais.

Agrotóxicos no arroz, no feijão, na batata, no leite materno, no ar, nas chuvas...

Via MST

Fernanda Borges

Quando adquire um produto no supermercado o cidadão brasileiro talvez não faça idéia dos riscos que está correndo de consumir um produto que fará mal à sua saúde a médio e longo prazo.

Dados divulgados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) comprovam que diversos tipos de alimentos ainda contam com resíduos de agrotóxicos extremamente deletérios à saúde humana.

O problema reflete a colocação do Brasil num ranking que chama a atenção pela seriedade do assunto; o país é o primeiro no mundo a alimentar o mercado de agrotóxicos.

Letícia Silvia, gerente de normatização da Anvisa ressalta que durante uma coleta de alimentos inspecionados pelo órgão no ano de 2009 foram detectados a presença dos produtos químicos em vários alimentos, como por exemplo; arroz, feijão, batata, cebola, pimentão, entre outros. Segundo ela, só o pimentão produzido no Paraná chegou a apresentar 80% de resíduos tóxicos. Outros alimentos como morango e uva apontaram 50% a 56% da presença dos venenos.

Um estudo levantado pelo órgão no município de Lucas do Rio Verde (MT) onde a produção de soja é predominante no meio agrícola, foram constatados a presença de resíduos tóxicos até mesmo na água da chuva. "Essa preocupação com a contaminação da água é outra questão muito séria que devemos observar. Os estudos feitos nessa cidade chegaram a apontar uma porcentagem de agrotóxicos até mesmo no ar de algumas escolas e também no leite materno das mulheres que vivem próximo às lavouras", diz Letícia.

Para Letícia, o único caminho para a mudança dessa realidade é uma participação efetiva da população para cobrar dos órgãos públicos a mudança e a proibição da comercialização de alguns insumos. "A saúde é um direito de todos e um dever do Estado. É preciso que todos estejam informados dessa realidade de consumo de alimentos com produtos químicos. É preciso que a própria sociedade se mobilize para mudar essa situação", diz.

Em busca de uma cultura sadia

A necessidade de mudança do modelo atual praticado na agricultura brasileira é urgente, afirma o dirigente do MST, João Pedro Stedile.

De acordo com o militante, a agricultura praticada atualmente no Brasil é inviável porque tem como principal interesse o capital, além de atuar contra a preservação da natureza sem responsabilidade social. "O que se está produzindo hoje são commodities por isso não há limites para a busca desenfreada do lucro", reforça.

Entre algumas práticas do agronegócio estão: uso de fertilizantes químicos, cultivo de mudas clonadas e monocultura. Stedile enfatiza ainda que esse modelo de produção busca a exploração da terra, energia (petróleo, hidrelétricas) e concentração cada vez maior de terras.

"Durante todo o século 20 o capitalismo esteve se inteirando das indústrias, hoje ele está no mercado financeiro produzindo uma aliança que faz os grandes proprietários de terra querer cada vez mais terra. O que se busca é aumentar o lucro, um aumento da demanda de trabalho temporário, a substituição de pessoas por máquinas e ainda usam do veneno", reforça.

Para Stedile, a necessidade da mudança é urgente e por isso é necessário a mobilização popular. "Precisamos defender nossas sementes, lutar contra os venenos e ser os principais protagonistas. Um caminho é estimular as prefeituras a priorizar os alimentos da agricultura familiar na merenda escolar, o que já se é limitado hoje a pelo menos 30%. Podemos aumentar essa porcentagem além de fazer com que o espaço da agricultura familiar seja priorizado e valorizado porque o alimento orgânico não deteriora com a natureza e é um alimento saudável", finaliza.

*Fotos - Leandro Taques

Doutrina Monroe e Doutrina ONU & OTAN

Sanguessugado do redecastorphoto

 

*José Flávio Abelha

James Monroe

A Doutrina Monroe surgiu de uma mensagem do presidente norte-americano James Monroe, em 1823. Visando evitar quaisquer interferências de países europeus na América, ficou estabelecido como princípio de direito e regra de governo que:

“Os continentes americanos, pela posição livre e independente que tinham assumido e mantinham, não poderiam mais ser considerados como domínio próprio para futura colonização por nenhma nação europeia”.

A mensagem também aludia à possibilidade das potências européias estenderem seu sistema político à América, considerando tais atos como “... ameaçar a paz, segurança e integridade dos Estados Unidos da América.

Surgiu dessa Doutrina a frase sintetizadora de todo o pensamento dos EUA, face qualquer problema que interfira nas suas relações com os demais países do continente americano...

A América para os americanos!

Ruy Barbosa

O argentino PANTOJA citado por RUI BARBOSA (1) assim se refere à Doutrina Monroe:

La América para los Americanos, quiere decir en romance: la América por los Yankees, que suponen ser destinados manifestamente a dominar todo el continente hasta Magallanes, puesto que South-América para ellos es algo semi-selvage”.

Mais adiante RUI compõe um rodapé que merece maior divulgação, pela sua importância:

“Mr. Evarts, publicista, jurisconsulto, senador federal nos EUA, onde era um dos homens de reputação nacional descobre, assim, as tendências americanas dissimuladas no “monroísmo”: A Doutrina de Monroe é, decerto, boa coisa; mas, como todas as boas coisas, quando envelhecem, necessita ser reformada. Essa doutrina resume-se nesta frase: A América para os americanos. Ora, eu proporia com prazer um aditamento: Para os americanos do norte. Comecemos pelo nosso caro vizinho, o México, de quem já comemos um bocado em 1848. Tomemo-lo. A América Central virá depois, abrindo-nos o apetite, para quando chegue a vez da América do Sul”.

O presidente Buchanan, na sua mensagem de 7 de janeiro de 1857, dizia ao Congresso:

“Está no destino da nossa raça o estender-se por toda a América do Norte; o que se verificará dentro em breve, se os acontecimentos seguirem o seu curso normal (...). A América Central, em pouco tempo, conterá uma população americana, que trabalhará para o bem dos indígenas”.

O senador G. Brocon tinha, em 1858, esta linguagem:

“Temos interesse em possuir Nicarágua. Temos manifesta necessidade de nos apossarmos da América Central e, se a tivermos, o melhor é entrarmos logo como donos daquelas terras. Se os seus habitantes quiserem um bom governo, tanto melhor. Se não, que se mudem. Digam-me embora que há Tratados. Que importam Tratados se precisamos da América Central! Apoderemo-nos dela; e, se a França e a Inglaterra quiserem intervir, avante ó Doutrina Monroe”. (Eduardo Prado: Ilusão Americana, pp. 61-8).

Como que seja, porém, há um esquecimento capital nos excessos da “monroelatria”; não sabem esses inimigos da influência européia que a própria doutrina de Monroe devemo-la à Europa absolutista (J.B. Alberdi: Intereses, peligros y garantias de los Estados del Pacífico em las regiones orientales da la America del Sur, XXVI, Obras Completas, vol. VI p.495).

A declaração de Monroe, como o Congresso do Panamá, foi inspiração da política de Canning, o célebre Ministro inglês, em defesa da independência americana contra a Santa Aliança.

Para completar, surge em 1904 o “Corolário de Roosevelt” (Theo) à Doutrina de Monroe:

Se uma nação mostra saber como agir com razoável eficiência e decência em questões sociais e políticas, se mantêm a ordem e paga seus compromissos, não precisa temer interferência dos EUA. O mau procedimento crônico ou uma impotência que resulte na frouxidão geral dos vínculos próprios de uma sociedade civilizada, seja na América ou alhures, exigem, em última instância, a intervenção de alguma nação civilizada e, no hemisfério ocidental, a adesão dos EUA à Doutrina Monroe poderá forçar este país, ainda que com relutância, ao exercício dos poderes de política internacional, nos casos flagrantes de tal má conduta ou importância”. (2)

Esse “na América ou alhures” do Corolário Roosevelt, desde 1904 até agora vem se ampliando de forma avassaladora. Podemos deixar de lado as intervenções do passado recente ou não e olhar o presente. Quantas “intervenções” alhures os EUA têm feito atualmente? Em nome do quê?

Temos agora a ONU & OTAN fazendo coro aos ditames da super potência e decidindo acatar de joelhos o que determinam a “Doutrina” e o seu Corolário.

É certo, todas as ocasiões em que o Tio Sam, “ainda que com relutância”, força um país a comportar-se de acordo com a sua filosofia, sua cultura, sua religião, seus costumes... e seu comércio internacional, faz uma tremenda lambança e sai com o rabo entre as pernas, mas sempre há uma outra nação ou seu mandatário que, sob a ótica da “Doutrina”, não está “se comportando bem”. Em casos assim, para os EUA, o amigo de ontem passa, hoje, a ser o inimigo nº 1 e, tentando não se expor em demasia, manda a ONU & OTAN agir com a sua força, física ou não, determinando embargos, sabotagens, assassinatos, bombardeios, saques de depósitos em bancos internacionais, tudo em nome da correção de rumo, da “democracia e dos bons costumes”. Os civis que se protejam porque as bombas com baixo de urânio empobrecido são detonadas visando tão somente destruir as forças armadas do governo que não está se comportando... bem como, corolariamente, envenenando e deformando a população civil.

Tudo, em nome da democracia.

Nesse vale tudo, vale financiar mercenários, destruir “sem querer” residências, colégios e hospitais, bombardeando tudo e todos, não importando se crianças, velhos e mulheres que nada têm com uma guerra não declarada. O fogo amigo é justificado pelo “descuido de programação”, ou “erro de cálculo” ou mesmo “dano colateral” visto que os aviões não são tripulados (drones) e sim dirigidos por satélites, e computadores não tem qualquer sensibilidade, nada enxerga. Cumpre o programado. Depois, uma desculpa e uma declaração hipócrita de algum militar que promete enviar “ajuda humanitária”.

É preciso ter-se em mente que a “Doutrina Monroe” foi elaborada para ser aplicada na nossa América, depois, visando “alhures”, e esse “alhures” já rompeu as fronteiras européias e se localiza, hoje, no Oriente Médio, Asia Central... e alhures!.

E nós não estamos isentos dessa praga.

Será que teremos de consultar os gringos se explorar o pré-sal é um comportamento que se adequa aos ditames “da matriz?” E o etanol? E mais tudo que estamos produzindo agora em escala mundial?

Simples hipótese? Ledo engano!

Um diretor da VALE , segundo um “cable” vazado por WikiLeaks, queixou-se ao embaixador dos EUA em Brasília, sobre a implicância de Lula com a empresa, visto o então Presidente desejar que ela produzisse bens que agregassem valor e não exportar matéria prima bruta para, no futuro, importarmos aço e outros produtos acabados. Foi o noticiário de 28/6/11, através da publicação de um informe da agência “Pública” que traduziu e comentou este e outros documentos obtidos pelo Wikileaks sobre essa verdadeira obediência ao país governado pelo Obama.

Diante da maligna Doutrina e seu Corolário, resta alertar:

Te cuida, Zé Brasil!

Notas de rodapé:

[1]. BARBOSA, Rui, Cartas de Inglaterra, Livraria Editora Ipanema, São Paulo, SP.2a.ed. 1966

[2]. LEUCHTENBURG, William E., O Século Inacabado - A América Desde 1900 (organizador) Trad. De Álvaro Cabral, Zahar Editora, RJ, vol.1, p. 158.

*Mineiro, Inspector of Ecology da empresa Soares Marinho Ltda.. Quando o serviço permite o autor fica na janela vendo a banda passar . Agora, agitante do blog JANELA DO ABELHA.

Correspondência e colaboração favor enviar para: jfabelha@terra.com.br

Dívida pública e Superávit primário: as minhocas do desenvolvimento brasileiro

Via Socialismo e Liberdade

Resposta do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) à revista Veja

Senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP)

Em seu artigo na página da Revista Veja na internet, de 27/6/2011, o colunista Ricardo Setti alega que a minha emenda à Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2012, pleiteando o fim do superávit primário, seria um projeto “estapafúrdio, próximo do ridículo”, e ainda pede que eu “tenha juízo, e não minhoca na cabeça!”.

Porém, é preciso esclarecer que minha emenda foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, para ser apresentada à Comissão de Orçamento, ou seja, já é um projeto de toda a CCJ, e não só meu. Além do mais, para garantir o pagamento da questionável dívida pública e o cumprimento da meta de “superávit primário”, as pessoas morrem nas filas dos hospitais, se apertam em ônibus que mais parecem latas de sardinha, sofrem com a má qualidade do ensino público, esperam indefinidamente pela garantia do direito de acesso a terra, etc.

Segundo o colunista, caso o superávit primário fosse extinto, “o país e todos os bancos quebrariam imediatamente, centenas de milhares de brasileiros levariam um monumental calote, os investidores estrangeiros sairiam correndo, haveria desemprego em massa e a paralisação da economia e o Brasil levaria uns 10 anos, ou mais, para voltar aos patamares de hoje.”.

Porém, os EUA e a União Européia não têm metas de superávit, mas praticam imensos déficits, e nem por isso seus bancos quebram, ou há crise. Na verdade, há uma grande crise global sim, mas causada pela irresponsabilidade dos próprios bancos, que tiveram de ser salvos pelo próprio Estado, à custa do povo, gerando, aí sim, uma imensa dívida pública, que está sendo paga à custa da grande retirada de direitos dos trabalhadores europeus.

No Brasil, os bancos também são sustentados pelo Estado. A maior parte dos títulos da dívida interna (63%) se encontra não mão de bancos e grandes investidores, que assim ganham a maior taxa de juros do mundo. Outros 21% estão na mão dos chamados “Fundos de Investimento”, o que completa o percentual de 84% da dívida, principalmente na mão de grandes investidores.

Apesar de muitos analistas argumentarem que tais “Fundos de Investimento” teriam como principais beneficiários os pequenos investidores, a recente CPI da Dívida na Câmara dos Deputados (proposta pelo Deputado Ivan Valente – PSOL/SP) desmascarou esta informação. Respondendo a requerimento oficial da CPI, que solicitava o perfil (tamanho) dos principais credores da dívida via tais Fundos e outras aplicações bancárias, o governo afirmou simplesmente que não dispunha desta informação.

Interessante ressaltar que o próprio articulista diz que os brasileiros credores da dívida seriam “centenas de milhares”, ou seja, não chegam a um milhão, representando no máximo 0,5% da população.

Na realidade, sabemos que são os grandes investidores os principais beneficiários da dívida pública que, conforme mostrou a CPI possuem diversos e graves indícios de ilegalidade, tais como juros sobre juros, falta de documentos e informações, a não autorização do Senado em operações de dívida externa, e até mesmo a realização de reuniões entre o Banco Central e “analistas independentes” – que, na realidade são, em sua maioria, rentistas – para definir variáveis como inflação e juros, depois usadas pelo COPOM na definição da taxa Selic, que beneficia os próprios rentistas.

Até mesmo o Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, criticou os superávits do governo, criticando as metas anteriores e futuras.

Dessa maneira, a dívida e seus credores agem como verdadeiras minhocas na maçã, e vão fazendo túneis no desenvolvimento brasileiro, acarretando o corte nos investimentos sociais e concentrando renda e riqueza na mão de poucos.

Lembremos que a principal justificativa do corte de R$ 50 bilhões no orçamento do governo federal neste ano, que atingiu centralmente as áreas sociais e estratégicas do País teve como objetivo o ajuste fiscal para cumprir as metas do superávit primário que só nos quatro primeiros meses do ano alcançou em tempo recorde o valor de R$ 57,3 bilhões, o que equivale a 49% da meta para 2011. O objetivo para este ano foi fixado em termos nominais, em R$ 117,9 bilhões. Ou seja, enquanto cortava dos investimentos sociais o governo em um terço do ano, fez a metade da meta de pagamentos ao capital financeiro.

Mas a maior ilegalidade da dívida é o descumprimento do Art. 26 das Disposições Transitórias da Constituição de 1988, que prevê a Auditoria da Dívida, jamais realizada, e que poderia apurar a fundo todos estes fatos, mostrando que dívida é essa, como cresceu absurdamente, e se realmente devemos ou não.

A auditoria da dívida foi executada recentemente com grande sucesso pelo governo do Equador, que assim pôde provar a ilegalidade da dívida, e impor aos rentistas a anulação de 70% do débito com os bancos privados internacionais. Nem por isso houve crise ou desemprego, mas sim, um grande aumento dos gastos sociais.

Auditar a dívida é conquistar a soberania do país frente ao setor financeiro, que no Brasil continua sugando a maior parcela do orçamento, em detrimento da garantia dos direitos sociais.

Serra buscou com EUA tecnologia para grampear

Sanguessugado do Nassif

Por esquiber

Nassif,

Durante toda essa semana a pública divulgará em seu site alguns dos telegramas sigilosos da embaixada americana que estão em posse do Wikileaks.

Um desses telegramas já divulgado chama atenção pelo inusitado da informação. Diz respeito a José Serra e suas movimentações em direção ao embaixador americano em busca de ajuda para resolver os problemas de segurança de São Paulo.

Logo que tomou posse do governo de São Paulo Serra teve uma reunião com o embaixador americano para buscar orientação sobre como lidar com os ataques terroristas ao sistema metroviário e de trens metropolitanos do Estado, atribuidos ao PCC.

Uma parceria formada a revelia do governo federal. O telegrama deixa claro que funcionários do metrô selecionados pelo governo Serra receberam treinamento dos E.U.A sem conhecimento do Itamaraty.

A insistência de Serra em aprofundar essa parceria e estendê-la para outros setores levou o subsecretário Burns e o embaixador Sobel ressaltarem que seria importante obter aprovação do governo federal e destacaram que o Ministério de Relações Exteriores, o Itamaraty, “é às vezes sensível quanto a esses assuntos”. O embaixador americano advertiu que “o governo estadual talvez precise de ajuda para convencer o governo federal sobre o valor de ter os Estados Unidos trabalhando diretamente com o Estado”.

Serra disse que ele gostaria de falar com a mídia sobre a necessidade dessa ajuda.

A íntegra do telegrama conforme divulgada pela pública, poder ser lida aseguir:

Da Agência Pública

Serra, governador, pediu ajuda aos EUA contra ataques de PCC

Nova leva de documentos do Wikileaks revelam que Serra queria treinamento para lidar com bombas e ameaças no transporte público, que seriam de autoria da facção

Por Daniel Santini, especial para a Pública

Assim que assumiu o poder como governador de São Paulo, em janeiro de 2007, José Serra (PSDB) foi procurar o embaixador dos Estados Unidos no Brasil Clifford M. Sobel para pedir orientações sobre como lidar com ataques terroristas nas redes de metrô e trens, atribuídos por membros do governo paulista ao PCC.

O encontro foi o primeiro de uma série em que, como governador, Serra buscou parcerias na área de segurança pública, negociando diretamente com o Consulado Geral dos Estados Unidos, em São Paulo, sem comunicar ao governo federal. É o que revelam relatórios enviados à época pela representação diplomática a Washington e divulgados agora pela agência de jornalismo investigativo Pública, em parceria com o grupo Wikileaks.

Os documentos, classificados como “sensíveis” pelo consulado, são parte de um conjunto de 2.500 relatórios ainda inéditos sobre temas variados, que foram analisados em junho por uma equipe de 15 jornalistas independentes e serão apresentados em reportagens ao longo desta semana. Os telegramas que falam dos encontros de Serra com representantes dos Estados Unidos também revelam a preocupação do então governador com o poder do Primeiro Comando da Capital (PCC) nas prisões.

Após tomar posse como governador, a primeira reunião de Serra com representantes dos Estados Unidos, realizada em 10 de janeiro de 2007, é descrita em detalhes em um relatório no dia 17.

Na conversa, que durou mais de uma hora, Serra apontou a segurança pública como prioridade de seu governo, em especial na malha de transporte público, disse o Estado “precisava mais de tecnologia do que de dinheiro” para combater o crime e indagou sobre a possibilidade de o DHS (Departament of Homeland Security) treinar o pessoal da rede de metrô e trens metropolitanos para enfrentar ataques e ameaças de bombas.

Semanas antes, três bombas haviam explodido, afetando o sistema de trens, conforme noticiado à época.

Em 23 de dezembro de 2006, um artefato explodiu próximo da estação Ana Rosa do Metrô. No dia 25, outra bomba explodiu dentro de um trem da CPTM na estação Itapevi, matando uma pessoa, e uma segunda bomba foi encontrada e levada para um quartel. Em 2 de janeiro de 2007, um sargento da Polícia Militar morreu tentando desarmar o dispositivo.

Segundo o documento diplomático, “membros do governo acreditam que o Primeiro Comando da Capital (PCC) pode ser o responsável pelos episódios recentes”.

O secretário de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, chegou a entregar uma lista com questões sobre procedimentos adotados nos Estados Unidos e manifestou interesse em conhecer a rotina de segurança do transporte público de Nova York e Washington.

Também participaram desse primeiro encontro o chefe da Casa Civil Aloysio Nunes Ferreira, o secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, o secretário de Transportes, Mauro Arce, o coordenador de segurança do Sistema de Transportes Metropolitanos, coronel Marco Antonio Moisés, o diretor de operações do Metrô Conrado Garcia, os assessores Helena Gasparian e José Roberto de Andrade.

Parceria estabelecida

As conversas sobre as possíveis parcerias entre o governo de São Paulo e os Estados Unidos na segurança da rede de metrô e trens metropolitanos continuaram na semana seguinte, quando Portella se reuniu com o cônsul-geral em São Paulo, o adido do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (Departament of Homeland Security – DHS) no Brasil e o responsável por assuntos políticos do consulado.

O encontro aconteceu em 17 de janeiro de 2007 e foi relatado em relatório no dia 24.

Acompanhado do secretário adjunto de segurança pública, Lauro Malheiros, e de outras autoridades da área, Portella falou sobre as dificuldades encontradas pelo Metrô em garantir a segurança da rede e informou sobre a tragédia ocorida nas obras da estação Pinheiros, dias antes (12 de janeiro de 2007), quando um desabamento provocou a morte de sete pessoas. No relatório, os representantes dos Estados Unidos destacam que a linha amarela é a primeira Parceria Público-Privada do Brasil e que o projeto foi lançado em meio à “grande fanfarra”.

Portella falou sobre os episódios anteriores de bombas e ameaças no metrô e “respondeu a uma série de questões preparadas pelo adido do DHS sobre a estrutura da rede” e disse que depois que as inspeções foram reforçadas, por causa das ameaças de bomba, mais pacotes suspeitos foram encontrados, e que mesmo “um saco de bananas ou de roupa suja” têm de ser examinados, o que provocava atrasos e paralisações no metrô. Novamente o PCC é mencionado: “Autoridades acreditam que a organização de crime organizado Primeiro Comando da Capital (PCC) pode ser responsável pelos ataques e relatam a prisão de um membro do PCC responsável pelo assassinato de um juiz em 2002”.

No final, Portella designou, então, o coronel da Polícia Militar José Roberto Martins e o diretor de Segurança do Metrô Conrado Grava de Souza para dar continuidade à parceria proposta.

Itamaraty

Nos meses seguintes, Serra voltou a se encontrar com representantes dos Estados Unidos e insistir em parcerias para lidar com o PCC.

Em 6 e 7 de fevereiro, conversou com o subsecretário de Estado dos EUA para Negócios Políticos, Nicholas Burns. De acordo com relatório de 1º de março de 2007, falou no encontro sobre a “enorme influência” que a organização tem no sistema prisional no Estado e pediu ajuda, incluindo tecnologia para “grampear telefones”.

Sua assessora para assuntos internacionais Helena Gasparian agradeceu a assistência na questão da segurança nos transportes públicose afirmou que a participação dos Estados Unidos foi “imensamente útil”.

Diante da sugestão de novas parcerias, o subsecretário Burns e o embaixador Sobel ressaltaram que seria importante obter aprovação do governo federal e destacaram que o Ministério de Relações Exteriores, o Itamaraty, “é às vezes sensível quanto a esses assuntos”.

O relatório afirma que “o governo estadual talvez precise de ajuda para convencer o governo federal sobre o valor de ter os Estados Unidos trabalhando diretamente com o Estado”. Serra disse que ele gostaria de falar com a mídia sobre a necessidade dessa ajuda.

Questionado pela agência Pública sobre esses relatórios, o professor Reginaldo Nasser, especialista no estudo de relações internacionais, de segurança internacional e de terrorismo da PUC de São Paulo, criticou a postura dos governador Serra e disse que acordos deste tipo devem ser intermediados pelo Itamaraty.

“Os Estados Unidos têm pressionado o Brasil para colocar terrorismo no Código Penal e o país até agora resistiu. Este tipo de acordo é uma relação de Estado para Estado e precisaria passar pelo governo federal”, explicou, destacando que, desde os ataques de 11 de Setembro, os Estados Unidos assumiram uma postura de polícia internacional. “Agentes agem com ou sem autorização em outros países, prendem, torturam e assassinam”, diz.

A assessoria de imprensa do Itamaraty disse que ninguém se posicionaria sobre as revelações dos documentos. Procurado por meio de sua assessoria, o ex-governador José Serra não retornou o contato da reportagem.

http://apublica.org/2011/06/serra-governador-pediu-ajuda-aos-eua-contra-ataques-de-pcc/

Os vassalos de Washington

Via Brasil, mostra a sua cara

Não é a primeira vez que – de acordo com o WikeLeaks e outras fontes, algumas delas norte-americanas – sabemos que brasileiros se prestam a levar informações sigilosas aos norte-americanos.

Mauro Santayana

A informação, ontem divulgada, de que um diretor da Vale do Rio Doce “se queixou”, junto à Embaixada dos Estados Unidos, contra as “pressões” do Presidente Lula, é muito grave. Segundo se noticia, o então diretor de Finanças Corporativas da empresa, e hoje Diretor-Financeiro e de Relações com os Investidores, Guilherme Cavalcanti, esteve com a encarregada de negócios da Embaixada em Brasília, e reclamou da ingerência do nosso Chefe de Estado, que queria obrigar a Vale a investir na exploração de cloreto de potássio, e em siderurgia – para agregar valor ao minério de ferro e criar empregos de qualidade no país.

Se o presidente da República fez essa pressão, agiu dentro de sua responsabilidade, e em defesa dos interesses nacionais. É inconcebível que continuemos, como há quase um século, sendo dos principais fornecedores de minérios ao mundo, quando podemos exportar aço. Recorde-se que desde Júlio Bueno Brandão e Artur Bernardes, que governaram Minas há quase um século, uma das exigências dos mineiros era a de que devíamos reduzir o minério em fornos próprios. A Vale do Rio Doce surgiu ao mesmo tempo em que criávamos a Usina Siderúrgica Nacional. Quanto ao cloreto de potássio, trata-se de mineral necessário à produção de fertilizantes, indispensáveis à agricultura brasileira. O Brasil importa 90% de seu consumo, embora disponha de grandes reservas de exploração a céu aberto em seu território.

Lula, além de exercer o direito de aconselhar esses investimentos, cumpriu seu dever. A Vale só foi privatizada com a salvaguarda de uma golden share, de que o Estado é portador, e lhe dá o direito de veto em decisões que possam comprometer o interesse soberano do Brasil. Assim, não houve ingerência, mas, sim o exercício de uma responsabilidade do presidente da República.

Além do episódio em si, há uma questão muito mais constrangedora para nós, brasileiros. Não é a primeira vez que – de acordo com o WikeLeaks e outras fontes, algumas delas norte-americanas – sabemos que brasileiros se prestam a levar informações sigilosas aos norte-americanos. Há casos em que ministros de Estado não se pejam de discordar dos rumos do próprio governo. O Ministro Edison Lobão, segundo os documentos revelados por Assenge, disse aos diplomatas americanos que é partidário da privatização das empresas de energia elétrica. Ele deveria ser questionado pela Presidente da República: se é essa a sua posição, não pode continuar fazendo parte do governo.

Podemos tolerar tudo, menos traição. A democracia se faz na luta entre direita e esquerda, entre o capital e o trabalho, entre os neoliberais e os defensores do desenvolvimento autônomo do país. Mas progressistas ou conservadores, heterossexuais ou homossexuais, brancos ou negros, católicos ou protestantes, umbandistas ou budistas, todos os brasileiros temos o dever de fidelidade à Nação. Não podemos prestar vassalagem às potências estrangeiras, sob nenhum pretexto. O exemplo a seguir é o de Floriano Peixoto, que, no alvorecer da República, ameaçou responder à bala a “ajuda” dos ingleses, na repressão à Revolta da Armada.

É natural que os diplomatas conversem com autoridades dos países em que atuam. Mas é necessário que, com toda a amabilidade, essas autoridades sejam discretas, e não façam revelações que comprometam a soberania nacional, nem o governo a que servem – a menos que o façam com o conhecimento prévio de seus superiores, e com propósito bem definido. É uma regra universal, e não devemos dela nos desviar.

Os acionistas da Vale do Rio Doce terão que chamar seu executivo às falas. É intolerável que admitam atos dessa natureza. São necessárias providências que os impeçam.

Registre-se, no final, que a remuneração dos oito diretores da empresa, incluído seu presidente, prevista para este ano é de mais de 80 milhões de reais. O minério que exportam pertence ao povo brasileiro.

E há quem se queixe dos proventos dos juízes de nossos tribunais superiores.