sábado, 30 de julho de 2011

Morte de comandante divide rebeldes na Líbia

Via O Livro Verde

A morte do comandante Abdul Fattah Younes, chefe militar dos grupos rebeldes financiados pelo ocidente em Benghazi, enfraqueceu ainda mais a oposição ao líder Muamar Kadafi.

Enquanto o cortejo fúnebre de Abdul Fattah Younes levava o caixão para a sepultura, combatentes mercenários recém-chegados do front de batalha estavam desiludidos e acusavam o golpe da morte do comandante militar dos rebeldes líbios.

Para o povo árabe líbio, que mais uma vez resiste heroicamente a uma guerra de agressão de potências invasoras, Younes mereceu o fim que teve porque traiu a Revolução libertadora Al Fateh, e tentou vender o país a potências sanguinárias e opressoras – EUA, França e Inglaterra, com centenária tradição de escravização e domínio de nações africanas.

Younes foi ministro da Segurança de Kadafi até fevereiro, quando rompeu com o regime em vigor há 41 anos e aderiu aos rebeldes que tentam derrubar Kadafi. Sua morte, ocorrida na quinta-feira, foi um golpe para os rebeldes e para os seus apoiadores ocidentais, e certamente contribuirá com a derrota dos grupos rebeldes financiados pelo ocidente, a serviço do imperialismo norte-americano.

Detalhes sobre o assassinato de Younes permanecem confusos ou não revelados pela imprensa ocidental, mas o chefe rebelde mercenário Ali Tarhouni disse na noite de sexta-feira que combatentes rebeldes que haviam sido despachados para levá-lo do front, perto de Brega, para prestar um depoimento em Benghazi, o mataram e desovaram seu corpo nos arredores da cidade.

Um líder miliciano foi preso e confessou que seus subordinados cometeram o homicídio, segundo Tarhouni, mas outrosrebeldes disseram que foram todos executados.

No enterro, o cemitério de Benghazi mais parecia um campo de batalha, de tão intensos eram os disparos feitos por fuzis AK-47, metralhadoras e baterias antiaéreas. Os participantes eram atingidos pelas cápsulas vazias cuspidas pelas armas, e o cheiro de pólvora dominava o ambiente.

"O general Abdul Fattah Younes era nosso pai. Ele era um símbolo da revolução", disse o coronel Ali Ayad, que voltou do front de combate ao saber da morte de Younes.

Diante do caixão coberto com a bandeira vermelha, preta e verde da monarquia Líbia, os mercenários presentes gritavam "Allahu Akbar" ("Deus é grande"). O féretro passou entre duas filas de combatentes, vários deles portando fotos de Younes, outros agitando bandeiras da monarquia.

Ayad ameaçou com vingança e acusou partidários de Kadafi infiltrados no leste rebelde de terem assassinado Younes. Outros disseram haver traidores entre as fileiras insurgentes. Esses e vários outros rumores e teorias conspiratórias circulavam por Benghazi, a "capital" dos rebeldes, que ainda não foram dizimados porque contam com apoio militar da Otan, isto é, dos EUA, França e Inglaterra.

Analistas dizem que a morte de Younes, ex-comandante das forças insurgentes, é apenas aponta de um iceberg que revela a fragilidade dos rebeldes. Centenas de apoiadores do líder Muamar Kadafi estariam infiltrados nas fileiras dos rebeldes, incentivando divisões e conflitos internos. A disputa pela sucessão de Younes, e o acesso a milhares de dólares das potências estrangeiras, estaria sendo disputada por Khalifa Heftar, que não tem apoio da maioria dos rebeldes porque no passado foi um dos mais leais servidores do governo líbio.

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