sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Nosso destino humano

GilsonSampaio

Eu e minha ameba lobotomizada desejamos a todos que se aventuraram por este bloguezinho sujo e mequetrefe que 2011 ultrapasse todas as expectativas de cada um e que nunca nos afastemos do nosso destino humano.

A todos os compas y compas de quem sanguessuguei textos, uma promessa: vou continuar minha sina sanguessuguesca.

Obrigado a todo mundo.












Reforma Política - Entenda os principais pontos debatidos no Congresso

Sanguessugado do Quem tem medo do Lula?

Entenda os principais pontos da reforma política debatidos há anos pelo Congresso

Lista fechada

Sistema em que o eleitor vota no partido e não mais individualmente nos candidatos. Caberia às legendas definir quem vai assumir o mandato de acordo com listas ordenadas por elas previamente. A distribuição das cadeiras seria semelhante ao método atual, pela proporção dos votos que o partido obtém no pleito.

Voto distrital misto

A votação seria feita pelo método de lista fechada para metade das cadeiras. A outra metade seria selecionada pelo sistema de voto distrital. Estados e municípios são divididos em distritos e cada um deles tem direito a lançar um candidato por partido. Nesse caso, o eleitor votaria no indivíduo.

Financiamento público

As campanhas eleitorais seriam financiadas exclusivamente com dinheiro público. Ficariam proibidas as doações de pessoas físicas e empresas. Conforme a proposta, em ano eleitoral seria incluída verba adicional no Orçamento para cobrir as despesas, com valores equivalentes ao eleitorado do país. Para se chegar ao valor, seria preciso multiplicar o número de eleitores por R$ 7, tendo como referência o eleitorado existente em 31 de dezembro do ano anterior ao pleito.

Federações partidárias

Seria o fim das coligações exclusivamente com fins eleitorais. Os partidos com afinidade ideológica programática teriam de se unir para formar federações partidárias formalizadas e atuar de forma conjunta no Congresso Nacional. As agremiações deveriam ser formadas até quatro meses antes das eleições e durar três anos.

Redução da cláusula de barreira

Se estivesse em vigor, a cláusula de barreira exigiria a obtenção de 5% dos votos apurados para permitir o funcionamento parlamentar de um partido (com direito a liderança e participação em comissões). A proposta em tramitação reduz esse percentual para 2% dos votos apurados nacionalmente, excluídos os brancos e nulos, distribuídos em pelo menos nove estados.

Fidelidade partidária

Assunto já deliberado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é tema de uma proposta que cria aos parlamentares uma janela para a mudança de partido. No terceiro ano de mandato, o congressista poderia trocar de legenda sem perder o mandato. Seriam vedadas mudanças no restante do mandato.

Fim da reeleição

Acaba com a possibilidade de prefeitos, governadores e presidente tentarem a reeleição. Aumenta também o tempo do mandato de chefes do Executivo de quatro para cinco anos.

Escândalos de corrupção, problemas com dinheiro não contabilizado de campanhas eleitorais, trocas de partido e proliferação de legendas de aluguel. Temas que se repetem a cada ano e, ainda assim, não são suficientes para mobilizar os 513 deputados e 81 senadores a votar mudanças na legislação necessárias para restringir práticas que pioram a imagem do sistema político brasileiro. E não é por falta de matéria-prima. Estudo da Câmara dos Deputados mostra que desde 1991 já foram apresentadas 283 propostas para alterar o sistema político e eleitoral do país, entre tentativas de emenda à constituição e projetos de lei. Mais uma vez, os principais temas da tão espinhosa reforma estão parados no Legislativo.

As propostas em tramitação discutem ideias recorrentes entre os parlamentares. Tratam desde o fim da reeleição para os cargos de presidente, governador e prefeito até a redução do mandato dos senadores de oito para quatro anos. Os projetos encontram barreiras entre congressistas da base aliada e da oposição, independentemente daqueles que estiverem no governo. No atual mandato, o Executivo foi autor de algumas iniciativas. Mas o pouco que se mudou teve um estímulo casuístico: tratou das eleições do próximo ano.

O estudo concluído em abril mostra uma série de propostas de emenda à Constituição (PECs) para instituir a fidelidade partidária, que, na falta de votação dos parlamentares, acabou se tornando regra por deliberação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Há quem deseje explicitar a norma pela qual o mandato pertence ao partido e não ao candidato. Discute-se também a mudança no sistema proporcional de votação, que elege os deputados federais. Existem propostas para instituir o sistema de lista fechada ou o voto distrital misto (leia quadro). Em 2007, os parlamentares chegaram a votar uma proposta pela qual os parlamentares seriam escolhidos a partir de listas elaboradas pelos partidos. Mas a tese foi rejeitada.

Outro ponto já aprovado foi a cláusula de barreira, destinada a impedir o funcionamento parlamentar dos partidos nanicos. A Justiça, porém, suspendeu a norma que entraria em vigor em 2006. Diante do obstáculo, alguns querem votar projeto reduzindo de 5% previsto na regra original para 2% o percentual de votação necessário para o partido ter plenos direitos no Congresso, como participar de comissões.

Caixa dois

O financiamento das campanhas também voltou a ser defendido diante de recentes escândalos em que o caixa dois eleitoral retornou à cena. Na visão de alguns políticos e especialistas, deveria ser adotado o financiamento exclusivamente público, segundo o qual o governo destinaria uma verba proporcional ao eleitorado para custear as campanhas. Há também a ideia de se proibir apenas as doações de empresas e permitir pessoas físicas de destinar recursos a seus candidatos.

Discussão sem fim

O deputado federal Flávio Dino (PCdoB), que relatou a minirreforma eleitoral deste ano, argumenta que não são falta de competência ou boa vontade os motivos que impedem os parlamentares de votarem as mudanças estruturais. Para ele, não há consenso sobre muitos dos temas discutidos. “É preciso considerar que não decidir aqui é uma decisão. Então, o que às vezes parece descaso é fruto de uma maioria política”, justifica.

Na visão do parlamentar, pontos como o voto distrital e o financiamento público de campanha não são aceitos por muitos na Casa e falta consenso até mesmo na sociedade. “Combato essa crítica que setores acadêmicos fazem no sentido de uma criminalização do Parlamento. Não existe um momento mágico em que vamos sentar ao redor da mesa e fazer a reforma política salvadora. Nenhum país do mundo fez isso e não vai ser o Brasil que vai fazer”, defende.

Dino diz que a reforma tem sido feita aos poucos, em mudanças como a instituição do cadastro único dos eleitores, a votação das leis dos partidos e das eleições e a norma que proibiu os showmícios. Para ele, o Congresso também contribuiu na votação da lei de autoria popular que pune a compra de votos e ao votar o orçamento que destinou recursos para o TSE introduzir as urnas eletrônicas.

Fonte : site da Câmara dos Deputados e cientistas políticos

Juliana Cipriani - Correio Braziliense

do BlogueDoSouza

LULA DECIDIU: BATTISTI FICA!

 

Celso Lungaretti (*)

Dignamente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu a palavra final do Brasil a respeito da pretensão do Governo Berlusconi, de obter a cabeça do escritor e perseguido político Cesare Battisti para exibi-la como um troféu do suposto triunfo da mais retrógrada e intolerante direita européia sobre os ideais de 1968: o pedido de extradição está definitivamente negado.

Battisti morará e vai escrever seus livros no território brasileiro, a salvo da  vendetta neofascista.

O que resta, doravante, é um exercício de  jus esperneandi  por parte do presidente do Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso, que precisa de mais algumas semanas para digerir a devastadora derrota pessoal que acaba de sofrer. E é apenas isto que terá.

No fundo, o Caso Battisti só está prestes a completar quatro anos porque, desde o primeiro momento, o STF tem agido como um Poder alinhado com um governo estrangeiro, a golpear instituições e tradições brasileiras.

Por que ordenou a prisão de Battisti em fevereiro de 2007, se era um homem que levava existência pacata, honesta e produtiva há quase três décadas? Não seria suficiente a liberdade vigiada?

A detenção já não se constituiu num prejulgamento, além de uma tentativa de influenciar o julgamento propriamente dito com a produção e farta difusão de imagens negativas?

Por que a exibição de algemas choca tanto o ministro Gilmar Mendes quando o algemado é suspeito de estar praticando crimes financeiros aqui e agora, mas nem um pouco quando se trata de um acusado de haver cometido crimes políticos em outro país, no longínquo final da década de 1970?

A GUERRILHA JUDICIAL DA DUPLA DIREITISTA

Se dúvidas havia quanto à necessidade de manter Battisti preso, deixaram totalmente de existir em janeiro de 2009, no exato momento em que o ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu-lhe refúgio humanitário.

Pela Lei do Refúgio e pela jurisprudência consolidada em vários casos, só restava ao STF arquivar o pedido berlusconiano, como arquivara outros, idênticos, no passado.

Mas, na condição de homens de direita que são e sempre evidenciaram ser, o então presidente do Supremo Gilmar Mendes e o relator Cezar Peluso resolveram subverter o Direito, lançando uma espécie de guerrilha judicial contra o Estado brasileiro:

não encerrando o processo nem libertando Battisti, como deveriam ter feito;

permanecendo surdos aos muitos e fundados pedidos de libertação do escritor, nem que fosse para aguardar sob vigilância a pantomima que os dois preparavam com lentidão exasperante;

tudo fazendo para que o Supremo, numa das decisões mais infelizes e grosseiras de sua História, revogasse, na prática, a Lei do Refúgio, o que (legislar) não é, nunca foi nem jamais será  atribuição do STF; e

linchando Battisti, ao julgar seu caso com base não num relatório, mas num panfleto, uma peça da mais gritante e escancarada tendenciosidade.

 

Jamais eu vira, numa vida inteira de participação em lutas sociais e exercício do jornalismo, o relator de um caso polêmico encampar TODOS os argumentos de uma parte e NENHUM da outra. Mais unilateral, impossível.

Mesmo assim, a escalada de arbitrariedades foi detida quando um dos ministros que até então sustentatva a frágil maioria de 5x4 recuou, horrorizado, ante a tentativa de usurpar-se do presidente da República a prerrogativa de dar a palavra final no caso.

O que não impediu Mendes e Peluso de, após o fim do julgamento, ainda daram um jeito de reabri-lo para alterar o já decidido, numa manobra sem precedentes nos anais do STF, como notou o ministro Marco Aurélio de Mello: a pretexto de esclarecer um voto, enxertaram um condicionamento.

ITALIANOS TRAMARAM ASSASSINATO DE BATTISTI

Mas, obrigando Lula a ater-se aos termos do tratado de extradição entre Brasil e Itália, não lhe criaram real embaraço.

Pois, se o fundado temor de que o extraditado venha a sofrer "atos de perseguição e discriminação" é motivo suficiente para deixar de entregá-lo ao solicitante, não há mais o que discutirmos:

 

é público e notório que o Serviço Secreto Italiano tramou com mercenários o assassinato de Battisti na América do Sul, só não levando o plano adiante por divergência quanto ao preço do  serviço;

autoridades e entidades italianas estão, desde fevereiro/2009, dando as mais despropositadas e furibundas declarações a respeito de Battisti, incluindo ameaças de retaliação ao Brasil, promessa de vingança de uma associação de carcereiros e a bizarra confissão do então ministro da Justiça Clemente Mastella, ao reconhecer que a promessa de reduzir a pena de Battisti, de prisão perpétua para o máximo que a legislação brasileira permite (30 anos) estava sendo feita de má fé, só para nos iludir.

 

Tal incontinência verbal, aliás, veio ao encontro do que o principal jurista brasileiro vivo, Dalmo de Abreu Dallari, já alertara: a Itália não dispõe de nenhum instrumento jurídico que lhe permita adequar sua sentença à exigência brasileira. Recorre a subterfúgios espúrios, simplesmente.

Só não sei como qualificar a    de juristas brasileiros que supostamente ignoram aquilo que tinham a obrigação de saber, pois foi noticiado pela própria imprensa italiana.

É simplesmente inegável e insofismável, salta aos olhos e clama aos céus, que Battisti não só vai ser perseguido e discriminado, como correrá enorme perigo de vida caso seja despachado para a Itália.

AUTORIDADE PRESIDENCIAL EM XEQUE

Caso Cezar Peluso esteja querendo apenas dividir a responsabilidade pelo arquivamento do pedido italiano com o restante dos ministros, isto já deporá contra ele, pois a característica mais marcante de sua gestão está sendo exatamente a paralisia do Supremo.

Pior: se, como faz supor a indicação de Gilmar Mendes para relator, o que ele pretende é questionar a decisão do presidente da República, aí entraremos num terreno perigosíssimo.

O Supremo já decidiu que cabe ao presidente da República o papel de última instância, respeitando os termos do tratado de extradição Brasil-Itália.

Foi o que Lula fez, utilizando argumentação cabível e consistente, como condutor que é da política externa brasileira e contando com as informações privilegiadas (muitas das quais sigilosas) de que dispõe exatamente por exercer tal função.

Se o STF se dispuser a esmiuçar os elementos de convicção de um presidente, este será obrigado a revelar aquilo que tem por obrigação guardar para si, o que poderá gerar graves transtornos e prejuízos para o Brasil, conflitos internacionais e até guerras.

Então, há um limite para a invasão das prerrogativas presidenciais por parte do STF. E este limite será ultrapassado se o Supremo se puser a esmiuçar esta decisão do Executivo, respaldada num parecer tecnicamente inatacável da Advocacia Geral da União e que, ao senso comum, evidencia-se como o chamado  óbvio ululante.

Até o  sujeito da esquina -- aquele personagem ao qual o ministro Gilmar Mendes se referiuu como se fosse o cocô do cavalo do bandido -- percebe que Cesare Battisti não terá seus direitos respeitados na Itália.

É um país:

 

que fechou os olhos a torturas e maus tratos durante os  anos de chumbo;

que fez, então, leis retroagirem para abarcar fatos ocorridos antes de sua promulgação.

que admitiu estender prisões preventivas (ou seja, de meros suspeitos que ainda não haviam recebido sentença nenhuma) por mais de dez anos;

que julgou réus ausentes, aceitando que fossem representados por advogados munidos de procurações forjadas e não voltando atrás quando a falsificação ficou indiscutivelmente provada;

que tramou atentado pessoal contra Battisti e moveu-lhe uma campanha de difamação tão falaciosa quanto enormemente dispendiosa.

 

NOVA FORMA DE GOLPISMO EM EMBRIÃO?

Aliás, pateticamente, o governo italiano acaba de afirmar em nota oficial que "o presidente Lula deveria explicar tal escolha não apenas ao governo, mas a todos os italianos e, em particular, às famílias das vítimas e a um homem reduzido a viver em uma cadeira de rodas".

A referência é a Alberto Torregiani, autor de um livro que o projetou como vítima profissional,  é pertencente a um agrupamento assumidamente neofascista, tem ambições políticas e já admitiu que Battisti não estava entre os assassinos do seu pai Pierluigi Torregiani, conforme declarou em 30/01/2009 à Agência Ansa (vide aqui ):

"Torregiani revelou que Battisti não participou da ação que culminou no assassinato de seu pai porque havia ido à localidade de Mestre, onde teria matado o açougueiro Lino Sabbadin. 'Está tudo nos autos do processo', explicou".

Mas, demagogias, mentiras, ameaças, bravatas e  buffonatas  italianas à parte, permanece o fato de que a dupla reacionária do STF parece querer colocar o Supremo no papel de uma corte internacional  que estivesse julgando uma pendência entre o Brasil e a Itália, e não como um Poder brasileiro obrigado a respeitar as decisões tecnicamente consistentes de outro Poder.

Francamente, acredito que ficará falando sozinha, com os demais ministros não a acompanhando nessa aventura insensata e potencialmente catastrófica para nossa democracia.

Mesmo assim, cabe a todos os cidadãos brasileiros avessos ao totalitarismo, imbuídos de espírito da justiça e ciosos da soberania nacional manterem-se alerta contra o linchamento de Battisti e vigilantes contra essa nova forma de golpismo que habita os sonhos da direita inconformada com a hegemonia petista: a ditadura judicial.

* jornalista, escritor e ex-preso político. http://naufrago-da-utopia.blogspot.com

Espírito de Nostradamus baixa no Max

Sanguessugado do Informação Incorrecta

Profecias para 2011

 

31 de Dezembro: é altura dum artigo épico.

Um daqueles artigos que deverão guardar religiosamente, para mostrar aos netos. E, com as lágrimas nos olhos, dizer "Eu, netinho meu, eu li estas palavras no dia em que foram publicadas".

Prontos? Vamos.

Epicamente podemos dizer que o nosso sistema politico-económico atingiu um ponto delicado: um ponto de viragem.

Começou com a queda do Muro de Berlim, continuou com a expansão militar dos Estados Unidos no Médio Oriente, a crise de 2008, a erosão da Zona Euro, e a subida duma nova potência na cena mundial: a China.

Sem esquecer outras realidades quais Índia, Brasil e Rússia, que no futuro poderão ter um papel cada vez mais importante e até decisivo.

Mas voltamos aos Países Ocidentais: após quatro séculos de liderança, Estados Unidos e Europa "sentem" que chegou uma altura em que é preciso avançar com escolhas. A crise começada em 2008 demonstrou não ser uma das tantas crises típicas do sistema capitalista, mas algo de mais profundo.

O fim do capitalismo? Não. Por duas razões, pelo menos.

A primeira é que não há uma alternativa ao capitalismo.

Não podemos acordar um dia e dizer "Tudo bem, basta com o capitalismo, vamos com um novo sistema". Para acabar com um sistema é preciso optar por um outro: e qual? Este é o problema.

China e Rússia, como já referimos no passado, podem ser o berço dum novo tipo de sociedade.

"Podem", mas por enquanto não são.

A segunda razão é que o capitalismo já morreu. A versão clássica, pelo menos.

Entrou em coma profundo na década dos anos '70, enfrentou sem sucesso uma paragem cardíaca nos '80, expirou nos '90, hoje é só lembrança.

Na verdade, vivemos numa época não prevista pelos vários Marx e A. Smith: depois do turbo-capitalismo temos o "capitalismo financeiro", definição incorrecta que todavia bem descreve uma sociedade gerida por corporações não de produção mas de exploração financeira.

Acho que um bom termo seria "capitalismo parasitário" .

Meios de produção? Aonde? Na China talvez, não aqui. Onde está o capitalista que hoje emprega a plusvalença para adquirir novos meios de produção? Onde estão os bancos que emprestam dinheiro para a aquisição de tais meios?

Hoje quem manda é a finança: o dinheiro é obtido a partir do dinheiro, sem outros meios.

Talvez Marx tivesse intuído tal cenário, mas não aprofundou o assunto convencido de que a classe operária teria abatido o sistema antes deste ponto. Mas não aconteceu.

Paralelamente nos Estados Unidos e na Europa assistimos ao desaparecimento da Esquerda.

Na terra do Tio Sam, Obama acabou o namoro com os eleitores: a sua popularidade entre o povo atingiu níveis ínfimos e, salvo milagres da última hora, os Republicanos irão ganhar as próximas eleições. Reaparecerão elementos quais Sarah Palin. Mais do que com o 2012, eu ficaria preocupado com isso.

Na Europa a situação é ainda mais complexa. Os partidos de centro-esquerda ou enterraram-se (caso da Italia) ou estão a tentar faze-lo (Portugal, Espanha, Grécia), com um certo sucesso, diga-se. A técnica deste suicídio colectivo foi simples mas eficaz: adoptar politicas de direita.

Um extraterrestre que chegasse agora numa capital europeia qualquer poderia observar cortes salariais, nos serviços, na educação, nas reformas, dinheiro público utilizado para salvar bancos privados. E seria complicado convencer o alienígena que está num Pais governado pela Esquerda.

Não deixa de ser irónico: a Esquerda tradicionalmente ganhou com as crises do capitalismo. Mas não desta vez.

Entretanto na Europa está em curso uma interessante experiência: União Europeia e Fundo Monetário Internacional tentam transformar um Estado soberano (a Grécia) em...pois: em quê?

Alguém consegue ver nisso uma mão invisível que tornará o Ocidente numa Nova Ordem. Possível.

Mas não podemos afastar uma outra hipótese: que não haja um verdadeiro plano. E aqui cada um está livre de escolher o cenário que menos assusta.

Para completar, e ficando ainda na Europa, temos uma União Europeia que faz lembrar aqueles casais que gostariam de divorciar mas não avançam com o medo de perturbar o filho. Com a única diferença que neste caso foi o filho, o Euro, que mandou para o ar a família toda.

Até aqui o resumo da situação.

Podemos avançar com umas previsões?

Afinal está a acabar o ano, é nesta altura que os vários astrólogos avançam com os vaticínios para os próximos 12 meses.

Por isso vamos com as profecias do Mestre Incorrecto.

As profecias

À noite, entrego-me a estudos secretos.

Só, tomo assento na frente do ecrã.

A minúscula chama surge da solidão,

Não há crise, é o cigarro.

O rato colocado no meio da mão

O disco rígido trabalha e procura.

Através dos rato o internet começa. A minha voz treme.

Mudar de microfone. Trocar de altifalantes.

(livre interpretação das quadras 1 e 2 de Nostradamus)

Janeiro: frio.

Nos restantes meses: frio mas calor também.

(para o hemisfério sul: é só inverter)

Bom, até aqui as previsões mais simples. Agora passamos à economia e à politica.

Portugal

Portugal: Benfica campeão e FMI em Lisboa. Quando? O Benfica em Maio, o FMI antes: Março parece-me um bom mês, chegam as andorinhas e pode chegar também a "ajuda" internacional.

Espanha e Italia

União Europeia: após a venda de Portugal, o sucessivo alvo dos "investidores" estrangeiros será a Espanha. E aqui a coisa fica divertida, pois salvar Madrid custa uma enormidade.

Mas, sobretudo, pode ser um resgate sem utilidade: após Madrid seria a vez da Italia. E ninguém tem o dinheiro para salvar Roma, que continua a representar a terceira economia europeia.

As Duas Europas

Por isso algo terá que ser feito. Criação de duas Europas? Uma rica, com Alemanha, Áustria, Holanda, Finlândia, e uma pobre? Parece ser a única solução. Que um País possa sair sozinho da União está fora de discussão: seria como entrar na gaiola dos leões e engolir a chave.

Por isso a ideia das duas Europas está a ganhar força.

Esperamos que a parte rica fique com as Mentes Pensantes de Bruxelas também.

Estados Unidos

O Quantitative Easing 2 ainda não deu resultados. Talvez seja cedo, mas a economia não consegue reabsorver os milhões de desempregados, os consumos não partem. A única coisa que funciona é a Bolsa de Wall Street, que cortou definitivamente qualquer laço com a realidade.

Seja como for, seria preciso um evento "forte" que pudesse obrigar as empresas a funcionar. Pena ter desperdiçado as Torres Gémeas numa altura ainda boa do ponto de vista económico, agora dariam jeito.

Mas há sempre novas possibilidades. O Irão, por exemplo.

Irão

O Irão é como o boneco do luna-park: sabemos que será atingido, só não sabemos quando. 2011 será o ano certo? Acho que sim.

Uma guerra daria imenso jeito aos Estados Unidos: relançamento da economia, satisfação do aliado israelita, ataque à esfera de influência russa.

Único problema: o Irão não é o Iraque. Por isso inútil ficar à espera duma invasão, seria só um massacre. E, além disso, os EUA não têm dinheiro para isso agora. Melhor esperar para uma série de ataques cirúrgicos, aqueles que matam centenas de civis e são vendidos como estrondosos sucessos. Servem sempre para manter a tensão alta e distrair o povo.

Coreia

Onde não estou a ver uma guerra é na Coreia. Se Teheran pode ser complicada, Pyongyang pode ser uma catástrofe. E não é só por uma questão da capacidade militar norte-coreana: o verdadeiro problema é que atrás de Kim Sung II (ou do filho dele, em caso de sucessão) está a China.

Se há um País que Washington gostaria de rasgar do mapa, bom, este não seria o Irão, nem a Coreia do Norte: seria a China. Mas a China é a China. E está tudo dito.

China

Os analistas ocidentais estão a prever todas as desgraças possíveis e imagináveis para a China: uma enorme bolha imobiliária, o perigo inflação. Mas há uma diferença entre nós e os Chineses: nós olhamos para o calendário para saber que dia será amanhã, os Chineses olham para saber que dia será daqui a um ano.

E se nós, blogueiros de tanga, podemos prever estas desgraças agora, é provável que os Chineses estejam a implementar já as contra-medidas.

A minha ideia é que a China veio para ficar. Ao longo de muito, muito tempo. Na minha óptica, por exemplo, será Pequim a resolver o problema Coreia. Por enquanto Pyongyang dá jeito, não permite a avançada da economia pro-EUA na península coreana. Mas cedo ou tarde também Seul terá de perceber que Washington "já foi". E a Coreia do Norte, nesta altura inútil, deixará de ser um problema e de existir.

Brasil

Pois, o Brasil.

Não gosto da Dilma. Posso estar enganado, mas desconfio dela. Aliás: espero estar enganado, pois a minha esperança (e meu voto também) é que a Rousseff possa estar pelo menos à mesma altura de Lula.

O trabalho desenvolvido pelo Presidente que hoje acaba o mandato foi excepcional. Transformou o País e deu-lhe uma dimensão internacional. Hoje em dia, o Brasil é incontestavelmente o País-guia da América Latina e pode propor-se como jogador essencial no tabuleiro mundial.

Os detractores afirmam que foi uma evolução natural e que qualquer outra pessoa poderia ter feito o mesmo nesta altura. É uma observação idiota: é precisa a pessoa certa, no lugar certo, na altura certa. Lula foi tudo isso, e os resultados estão à vista.

O Brasil arrisca tornar-se o terceiro pólo da geopolítica mundial: além da China e da Rússia no bloco euro-asiático, Brasília pode ser o novo modelo de referência na América do Sul. E com a progressiva mas inevitável queda dos Estados Unidos, quem sabe. Mas isso já seria além de 2011.

Economia

Para evitar que a próxima crise chegue ainda mais depressa e assegurar assim um período de prosperidade, este "capitalismo parasitário" deveria modificar alguns dos próprios aspectos.

Irá ser feito? Nem por isso.

O capitalismo parasitário representa uma das últimas fases, talvez a última da involução.

O economista espanhol Nuno Becerra prevê a queda do capitalismo por volta do ano 2050. Se isso for verdade, é provável que a actual crise não seja a final mas uma das derradeiras. Por isso podemos esperar um 2011 com algumas melhorias: uma lenta retoma, muito lenta.

Depois, claro, é preciso distinguir.

Em Portugal, por exemplo, estamos à espera duma recessão. Em outros Países, tais como Irlanda, Espanha, Italia, Bélgica e talvez França, é difícil que a recuperação possa levar a resultados estrondosos: corta salários, corta reformas, e quem gasta?

E a Alemanha? A situação de Berlim é curiosa: dum lado é a única economia que actualmente funciona no continente. Mas deve esperar que os Países "atrasados" recuperem e depressa também, pois os bancos alemães estão muitos expostos em relação às dívidas públicas dos partners europeus.

Isso pode explicar, talvez, a atitude "esquizofrénica" de Angela Merkel, que dum lado demonstra estar preocupada com os destinos da União e doutro lado tem que responder às perspectivas dos concidadãos.

O que torna a ideia das "Duas Europas" ainda mais próxima.

Do outro lado do Atlântico, os Estados Unidos observam e esperam. Se o projecto da dupla União Europeia se concretizar, os bancos deverão encontrar uma nova táctica para atacar as economias europeias: ter "invadido" só três ou quatro Países (Grécia, Irlanda, Portugal e talvez Espanha) com o disfarce do FMI não fornece suficiente vantagem a um Dólar que é obrigado a defender-se também da moeda chinesa.

E esta vantagem é fundamental: a sobrevivência pertencerá a quem conseguir recolher a maior quantia de capitais estrangeiros. Nessa altura o Euro está mal, mas também as perspectivas do Dólar não são boas. Quando Washington perceber que um bom banqueiro não é sinónimo de bom economista, talvez a situação melhore. No entanto, a Federal Reserve continua na posse dos bancos privados.

Sociedade

Aqui as previsões para 2011 são simples: na Europa e nos Estados Unidos, aumento da criminalidade. Normal, há mais pobreza.

Os States terão que enfrentar a bancarrota de muitos condados. A Europa a bancarrota das famílias. E greves. E protestos. Mas isso já começou, portanto como profecia não é grande coisa.

Politica

Nesta área é ainda mais fácil: os rostos serão os do costume. São sempre os do costume.

Mais em geral: em 2011 continuará a faltar a politica, sobretudo porque faltam políticos. Os que temos são burocratas ao serviço dos interesses financeiros, desprovidos duma visão de médio-longo prazo. 

Terrorismo

Bin Laden aparecerá em dois vídeos.

No primeiro será alto, loiro, com um brinco e sem barba: amaldiçoará os Estados Unidos, ameaçará Israel e admitirá ter vendido armas atómicas à Coreia do Norte, Irão e Yemen.

No segundo vídeo será mais baixo, gordo e sem um olho: explicará porque, mesmo tendo tantas armas atómicas, os terroristas nunca as utilizam. Infelizmente o áudio estará estragado, assim permanecerá a dúvida.

Ambos os vídeos serão declarados autênticos pela agência americana Site Intelligence Group.

Vários

Outras previsões:

     

cada leitor festejará apenas um aniversário de nascimento

haverá terramotos

cairá um avião

após 12 meses o ano 2011 acabará.

loto: 13, 44, 59, 77, 89

     

Por acaso, estas últimas são previsões que deverão bater mais certo.

As anteriores: não sei. Apenas ideias.

É tudo?

Epicamente, acho que sim.

Feliz Ano Novo para todos.

Ipse dixit.

Mineirice à parte …

GilsonSampaio

O Clube da Esquina  foi tão grande ou maior do que os Beatles.

Tenho dito.

Trem de Doido

Milton Nascimento e Lô Borges

Sentinela

Milton Nascimento, Nana Caymmi

e Coral dos Monges Beneditinos

 

Clipe sobre o Clube da Esquina

 

Para Lennon e McCartney

Tudo o que você podia ser

El principal estímulo a nuestros esfuerzos

Via CubaDebate

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Fue tan impactante el reportaje gráfico de la periodista Gladys Rubio sobre la epidemia de cólera en Haití, publicado en la “Mesa Redonda” de ayer, que decidí posponer para hoy miércoles la Reflexión que anuncié el lunes. La misma se proponía analizar, desde otro ángulo, el dramático golpe que significó para el pueblo haitiano el terremoto del 12 de enero de este año, al que siguió, en menos de 10 meses, una epidemia generalizada de cólera y un huracán.

Tales hechos tenían lugar en un país que había sido víctima de los conquistadores, del colonialismo y la esclavitud. Su población autóctona había sido eliminada por la conquista y la búsqueda forzosa de oro.

La nación haitiana tiene como raíz los cientos de miles de seres humanos arrancados de África por los comerciantes europeos de esclavos, y vendidos a los agricultores esclavistas de Haití para producir café, azúcar y otras mercancías tropicales con las cuales suministrar los emergentes mercados capitalistas.

El pueblo de Haití protagonizó, en los primeros años del siglo XIX, la primera revolución social en la historia de este hemisferio; fue fuente de inspiración y punto de apoyo en armas para los que llevaron a cabo la proeza de liberar Suramérica del dominio español.

Nuestra solidaridad con el pueblo de Haití tiene doble raíz: nace de nuestras ideas, pero también de nuestra historia.

Después de la revolución social que allí tuvo lugar, el colonialismo español convirtió a Cuba, donde también incontables africanos habían sido arrancados del África y vendidos como esclavos, en la principal suministradora de café, azúcar y otros productos tropicales.

Como consecuencia de ese proceso, cuando las colonias españolas de Sur y Centroamérica se independizaron en cruenta y heroica lucha, la colonia cubana aportaba a la metrópoli española más ingresos netos que el conjunto de aquellos países antes de que los mismos se independizaran, un hecho que influyó decisivamente en el destino de nuestra Patria a lo largo de casi dos siglos que transcurrieron posteriormente.

Hace dos días explicaba cómo surgió la cooperación médica con Haití, la cual nos llevó a la formación de cientos de jóvenes médicos de ese hermano país y al envío de una fuerza de profesionales cubanos de la salud. No se trata de algo que surgiera por azar.

Tampoco nos sorprenden los esfuerzos de Estados Unidos y Europa por desinformar, ocultar y mentir sobre los móviles de la conducta de Cuba.

Un conocido periódico británico, The Independent, con incuestionable prestigio en los medios liberales de Gran Bretaña -aunque no disfruta el privilegio que Wikileaks concedió a The Guardian y otros cuatro conocidos órganos de prensa, que consultaron con Washington los puntos más sensibles de la información recibida- publicó, hace tres días, un atrevido artículo de la periodista Nina Lakhani, titulado “Médicos cubanos en Haití ponen al mundo avergonzado”. Es el asunto que deseaba analizar, por la osadía con que llama a las cosas por su nombre en ese tema, aunque ello no implica que comparta cada una de sus apreciaciones sobre las motivaciones que determinaron nuestra conducta. Lo explicaré usando el texto de la traducción y de forma tan sintética como sea posible.

“Son los verdaderos héroes -dice- del desastre del terremoto de Haití, la catástrofe humana a las puertas de Estados Unidos frente a la cual Barack Obama prometió una monumental misión humanitaria de los EE.UU para aliviarla. Sin embargo, los héroes de los que hablamos son ciudadanos del archi-enemigo de los Estados Unidos, Cuba, cuyos médicos y enfermeras han hecho que los esfuerzos de Estados Unidos sean motivo de sonrojo.

“Una brigada médica de 1 200 cubanos está funcionando en todo Haití, devastado por el terremoto e infectado por el cólera, como parte de la misión médica internacional de Fidel Castro, que ha ganado al Estado socialista muchos amigos, pero poco reconocimiento internacional.”

“…los organismos de ayuda internacional estaban solos en la lucha contra la devastación que mató a

250 000 personas y había dejado sin hogar a cerca de

1,5 millones. [...] profesionales de la salud cubanos han estado en Haití desde 1998, [...] en medio de la fanfarria y la publicidad en torno a la llegada de la ayuda de los Estados Unidos y el Reino Unido, centenares de nuevos médicos, enfermeras y terapeutas cubanos llegaron sin que nadie los mencionara apenas…”

“Estadísticas publicadas la semana pasada muestran que los médicos cubanos, trabajando en 40 centros a través de Haití, han tratado más de 30 000 pacientes de cólera desde octubre. Son el mayor contingente extranjero, tratando alrededor del 40 por ciento de todos los pacientes de cólera. Otro lote de médicos de la Brigada cubana ‘Henry Reeve’, un equipo de especialistas para desastres y emergencias, llegó recientemente cuando se hizo evidente que Haití estaba luchando por hacer frente a la epidemia que ya ha matado a cientos.”

“…Cuba ha formado a 550 médicos haitianos gratuitamente en la Escuela Latinoamericana de Medicina (ELAM), una de las más radicales iniciativas médicas del país. Otros 400 actualmente están siendo preparados en la escuela, que ofrece educación gratuita -incluyendo libros gratis y un poco de dinero de gasto- a cualquiera lo suficientemente calificado, que no pueda permitirse estudiar medicina en su propio país.

“John Kirk es un profesor de estudios de América Latina en la Universidad de Dalhousie, en Canadá, que investiga sobre los equipos médicos internacionales de Cuba. Él dijo: ‘la contribución de Cuba en Haití es como el secreto más grande del mundo. Son apenas mencionados, a pesar de que están haciendo mucho del trabajo pesado’.

“Esta tradición se remonta a 1960, cuando Cuba envió a un puñado de médicos a Chile, golpeado por un fuerte terremoto, seguido por un equipo de 50 a Argelia en 1963. Esto fue cuatro años después de la revolución, que vio a casi la mitad de los 7 000 médicos del país [...] partir para los Estados Unidos.”

“…El programa más conocido es la Operación Milagro, que comenzó con oftalmólogos tratando a enfermos de cataratas en empobrecidos pueblos venezolanos a cambio de petróleo. Esta iniciativa ha restaurado la visión de 1,8 millones de personas en

35 países, incluido la de Mario Terán, el sargento boliviano que mató a Che Guevara en 1967.

“La Brigada ‘Henry Reeve’, rechazada por los estadounidenses después del huracán Katrina, fue el primer equipo en llegar a Pakistán tras el terremoto de 2005 y el último en salir seis meses más tarde.”

“…de acuerdo con el profesor Kirk. ‘…También es una obsesión de Fidel y le gana votos en las Naciones Unidas’.

“Una tercera parte de los 75 000 médicos de Cuba, junto con otros 10 000 trabajadores de la salud, están trabajando actualmente en 77 países pobres, incluyendo El Salvador, Malí y Timor Oriental. Esto deja aún en Cuba un médico por cada 220 personas, una de las tasas más elevadas del mundo, [...] uno para cada 370 en Inglaterra.

“Dondequiera que se les invita, los cubanos aplican su modelo integral centrado en la prevención, visitando familias en sus casas, monitoreando proactivamente la salud infantil y materna. Esto ha producido ‘resultados sorprendentes’ en partes del Salvador, Honduras y Guatemala, bajando las tasas de mortalidad infantil y materna, reduciendo las enfermedades infecciosas y dejando detrás a los trabajadores locales de salud mejor capacitados, de acuerdo con la investigación del profesor Kirk.

“La formación médica en Cuba dura seis años -un año más que en el Reino Unido- [...] cada graduado trabaja como un médico de familia durante tres años como mínimo.”

“Este modelo ha ayudado a Cuba para lograr algunas de las mejoras de salud más envidiables de todo el mundo, a pesar de gastar sólo 400 dólares por persona el año pasado en comparación con 3 000 en el Reino Unido y 7 500 dólares en los Estados Unidos, de acuerdo con las cifras de la Organización para la Cooperación Económica y el Desarrollo.

“La tasa de mortalidad infantil, una de las medidas más confiables de la salud de la nación, es 4,8 por 1 000 nacidos vivos, comparable con el Reino Unido y menor que los Estados Unidos. Sólo el 5 por ciento de los bebés nacen con bajo peso, un factor crucial para la salud a largo plazo…”

“Imti Choonara, un pediatra de Derby [...] que participa en talleres anuales en la tercera ciudad de Cuba, Camagüey, afirma: ‘La Salud en Cuba es fenomenal y la clave es el médico de familia, [...] se enfoca en la prevención… La ironía es que los cubanos llegaron al Reino Unido después de la Revolución para ver cómo funcionaba el NHS (Sistema Nacional de Salud). Ellos tomaron lo que vieron, lo refinaron y desarrollaron; mientras tanto, nosotros nos movemos hacia el modelo estadounidense’.

“…el embargo norteamericano [...] impide a muchas de las compañías estadounidenses comerciar con Cuba y persuade a otros países a seguir su ejemplo. El informe de 2009/10 incluye fármacos para el cáncer infantil, VIH y artritis, algunos anestésicos, así como los productos químicos necesarios para diagnosticar infecciones y preservar órganos.”

“…los cubanos están inmensamente orgullosos y apoyan su contribución en Haití y otros países pobres, encantados de estar golpeando por encima de su peso en la escena internacional…”

“La formación médica es otro ejemplo. Actualmente hay 8 281 estudiantes de más de 30 países enrolados en la ELAM, que el mes pasado celebró su aniversario 11. El Gobierno pretende inculcar un sentido de responsabilidad en los estudiantes con la esperanza de que trabajarán dentro de sus propias comunidades pobres durante al menos cinco años.

“Damien Joel Suárez, 27 años, un estudiante de segundo año de Nueva Jersey, es uno de los

171 estudiantes norteamericanos; ya se han

graduado 47. Él rechaza las acusaciones de que la ELAM es parte de la maquinaria de propaganda cubana. ‘Por supuesto, el Che es un héroe aquí, pero no estás obligado a reverenciarlo’.”

No todas las cosas que se afirman sobre Cuba son favorables. El artículo contiene igualmente críticas, varias de las cuales compartimos, y en ocasiones somos, incluso, más severos que The Independent. Se habla en él de bajos salarios y escaseces. Con independencia de nuestros errores, no se menciona el hecho de que a lo largo de más de 50 años de bloqueo, agresiones y amenazas, nuestro país ha sido obligado a invertir enormes energías, tiempo y recursos para resistir los embates del imperio más poderoso que ha existido en la historia.

No obstante, es admirable la sinceridad y claridad con que Nina Lakhani expone, y The Independent publica, ese valiente artículo sobre lo que significa para el sufrido pueblo de Haití una tragedia que en su primera etapa ha costado ya la vida de casi 3 000 víctimas, entre niños, jóvenes y adultos, muchos de los cuales sufren desnutrición y otros azotes de salud, sin que a veces dispongan de leña para hervir el agua que consumen.

Las noticias llegadas de ese hermano país informan que hasta hoy miércoles 29 otras 717 personas habían sido atendidas por la Misión Médica Cubana. No se reportan fallecidos en cinco días consecutivos. La tasa de letalidad entre los asistidos por Cuba, que ascienden ya a 48 931, se redujo a 0.55%. La cifra oficial de ciudadanos afectados por la enfermedad ascendía a 130 534, y la de fallecidos a 2 761 para una tasa de 2.1%. Se lucha para que métodos más eficientes se apliquen en todos los centros que combaten la epidemia. Los Grupos de Penetración de la Brigada “Henry Reeve” -cubanos, latinoamericanos y haitianos graduados de la ELAM- se elevan ya a 42, y pueden penetrar en cualquiera de las subcomunas más aisladas de Haití. Cuentan además con 61 unidades de atención al cólera.

El esfuerzo de nuestro país en favor de la salud humana, que comenzó desde el triunfo mismo de la Revolución, como expresa el artículo publicado por The Independent, se puede apreciar en el hecho de que el próximo año se graduarán en la República Bolivariana de Venezuela 8 000 médicos que fueron capacitados en la teoría y en la práctica con la cooperación de los especialistas cubanos de la salud. Venezuela también alcanzará niveles de salud que la ubicarán entre las primeras del mundo. Tan alentadores resultados constituyen el principal estímulo a nuestros esfuerzos.

Fidel Castro Ruz

Blade Runner: o futuro chegou

Via Vermelho

Blade

30 anos de “Blade Runner”

Quando a ficção científica se transforma em realidade. O filme de Riddley Scott se transformou num ícone de um futuro terrível e, hoje, muito do que ele registrou em forma artística passou a fazer parte do cotidiano de uma sociedade globalizada, empobrecida e ameaçadora.


Paco Arnau

30 anos de “Blade Runner”

O filme se tornou ícone de um futuro terrível - de uma sociedade globalizada, empobrecida e ameaçadora.

Quase 30 anos depois de sua filmagem, em 1981, Blade Runner – produção norte-americana dirigida pelo britânico Ridley Scott estreada em junho do ano seguinte – é um filme que resistiu à passagem de três décadas “sem despentear-se” e tem sido considerado ela melhor crítica do gênero de ficção científica como uma obra prima em toda a extensão do termo, por muito que a Academia de Hollywood não tenha pensado o mesmo ao não lhe conceder nenhum dos Oscars de 1982 (teve apenas duas indicações no ano da estreia).
Sem dúvida, para a imensa maioria dos cinéfilos e aficionados do gênero, muitos dos quais seguramente perderam a conta das vezes que o assistiram, Blade Runner não é apenas um filme a mais de ficção científica, e inclusive vai além do clichê de filme “cult”: é “o filme”. Sem esquecer, claro, 2002 Uma Odisseia no Espaço, a obra prima de Kubrick de 1968 e verdadeiro ponto de inflexão de uma nova época na sétima arte.
O roteiro de Blade Runner é um trabalho coletivo inspirado – embora não baseado em estrito senso – no romance publicado em 1968 (o mesmo ano da estreia de 2001 Uma Odisseia no Espaço) – Sonham os androides com ovelhas elétricas? (Do androids dream of electric sheep?, no título original) do escritor norte-americano Philip Dick que, infelizmente, não chegou a assistir ao filme pois faleceu apenas três meses antes da estreia nos EUA.
A trilha sonora é de Vangelis, o conhecido e magistral compositor grego de música eletrônica. Os cenários e a ambientação estão baseados nos trabalhos da excelente geração de autores de histórias em quadrinhos dos anos 70 e 80, entre os quais se destaca Jean Giraud, desenhista francês reconhecido internacionalmente como Moebius e um dos principais autores da revista cult Métal hurlant (Heavy Metal em sua versão em outros países, como Espanha, Alemanha, Grã Bretanha, Brasil ou EUA).

Punk-KrishnaÉ um filme de contrastes. A estética, as roupas e a ambientação de Blade Runner criaram tendência e ainda hoje parece “moderna”... ou pós-moderna. Uma mistura explosiva de vintage, afterpunk e futurismo... Brilhante arquitetura de vanguarda do século 21 sobre uma camada “sedimentar” de avantajados edifícios de cortiços de princípios do século 20. Elegantes trajes e penteados que homenageiam a moda da década de 1940 junto a quinquilharias póspunkies. Sofisticados veículos aero terrestres desviando-se de massas de pessoas que só podem deslocar-se a pé em uma macroconurbação onde não há transporte público... Tudo isso manchado de uma obscuridade nevoenta provocada pela contaminação de poços de petróleo que esgotam as últimas reservas californianas em pleno solo urbano desta cidade fundada pelos espanhóis como Nossa Senhora de Los Ángeles em 1781. Os detalhes nos adereços e na decoração beiram à perfeição.
Sem necessidade de recorrer ao abuso de efeitos especiais (enfeites baratos usados para esconder a debilidade do argumento na maioria dos fracos filmes que estreiam na atualidade) apenas com profissionalismo e boa qualidade cinematográfica, Blade Runner consegue deslumbrar e surpreender cena após cena.
A direção desta grande produção da Warner esteve a cargo, como já dissemos, do britânico Ridley Scott (Inglaterra, 1937), um verdadeiro virtuose da telona que não precisa de apresentação e que também foi autor de filmes imperecíveis com Alien (1979, outra obra prima de referência obrigatória no pouco prolífico gênero da ficção científica), Thelma & Louise (1991) ou Gladiador (2000), entre outras.


PrisSob suas ordens atuou em Blade Runner um conjunto de atores encabeçado pelo protagonista Harrison Ford no papel de Rick Deckard (trabalho responsável pela consagração definitiva de Ford como estrela internacional) e o “holandês errante” Rutger Hauer, que fez o papel do líder dos androides replicantes Roy Batty; junto ao lado de outros de carreiras mais ou menos irregulares: uma jovem e belíssima (beirando os cânones da perfeição) Sean Young no papel da glamourosa Rachael, a também jovem e linda Daryl Hannah no papel da replicante Pris, e Edward James Olmos, representando o misterioso, sinistro e intrigante detetive Gaff do LAPD.
O contexto social e “histórico” é verossímil porque hoje ele já não parece ficção científica. Não nos estenderemos sobre o argumento de Blade Runner. A ação se desenrola na obscura, caótica, empobrecida e contaminada grande metrópole californiana de Los Angeles no final de 2019 ou princípios de 2020, centro de poder de grandes multinacionais privadas que se converteram, substituindo o Estado, em donas e senhoras da vida (humanas ou humanoides), fazendas e tudo de tudo o que acontece... No início da década de 1980, quando o filme foi rodado, era um futuro distópico, ou utopia perversa (na época a correlação de forças econômicas e sociais globais era certamente diferente da de hoje). Hoje, é mais verossímil, menos distópico e em boa medida descritivo do mundo atual.
As ineficientes e hostis, embora muito lucrativas e onipotentes grandes multinacionais privadas já superam com folga a metade do PIB planetário e também o de muitas nações e também – em consequência – detém o poder real em grande parte deles. As chamadas democracias ocidentais e seus empobrecidos países satélites, sejam vassalos ou submetidos à ocupação e à guerra, como podemos constatar dia a dia.
Deixando de lado os avanços nos campos científicos e tecnológicos que se refletem o 2019 de Blade Runner, e é altamente improvável que os vejamos chegar na próxima décadas, esse mundo empobrecido cujos desígnios dirigem oligopólios privados dominados por um punhado de criminosos a partir de suas torres de cristal opaco (que este filme descreveu tão bem como ficção científica na época em que foi rodado) se parece muito ao mundo atual, nesta etapa de retrocessos sociais globais que teve início no final dos anos 80 e início dos 90 como acontecimentos históricos europeus de consequências nefastas para o planeta e para nossas gerações.
Certamente é por isso que Blade Runner não envelheceu com a passagem de praticamente três décadas desde sua estreia. Sem esquecer, claro, sua excelência desde o ponto de vista artístico, algo que não deixa de surpreender por mais que revisitemos esta obra prima... É por isso que, para terminar, deixamos uma pergunta no ar: por que já não se fazem filmes como este?
Serviço:
No original deste texto podem ser encontrados fotogramas de censas, fotografias de produção e outros recursos gráficos inéditos relacionados com Blade Runner
Fonte: ciudad-futura.net

Da cadeira do dragão* para a cadeira presidencial

Sanguessugado do Maria Frõ

 

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Lugar de honra para as amigas de cárcere

Evandro Éboli

O Globo via Clipping Planejamento

Presidente eleita convidou 11 ex-companheiras de cela para a posse

BRASÍLIA. Um grupo de 11 antigas militantes de esquerda e ex-companheiras de cela de Dilma Rousseff na ditadura militar está entre os convidados especiais da presidente eleita e acompanhará sua posse no sábado, no Palácio do Planalto. Juntas com Dilma, elas estiveram presas na década de 70 na Torre das Donzelas, como era chamado o conjunto de celas femininas no alto do Presídio Tiradentes, em São Paulo. Para o local eram levados os presos políticos, depois de passarem por órgãos da repressão como o Dops e o DOI-Codi.

Entre as convidadas, que também estarão no coquetel no Itamaraty, está a economista Maria Lúcia Urban, que, na época, chegou grávida ao presídio e recebeu todos os cuidados de Dilma.

- A Maria Lúcia e a Dilma tinham uma relação muito forte, que se manteve – disse a socióloga Lenira Machado, outra integrante do grupo e responsável pelo convite da posse às outras colegas do Tiradentes.

Maria Lúcia hoje é diretora do Centro de Formação Estatística do Paraná. Lenira trabalha com projetos e programas do Ministério do Turismo.

Dilma ficou presa, foi condenada e passou três anos na cadeia. Antes de seguir para o Tiradentes, foi torturada durante 22 dias seguidos. A chegada da companheira à Presidência da República é motivo de orgulho para as colegas de militância política, ainda que atuassem em grupos de esquerda distintos e com pensamentos diferentes sobre como enfrentar o regime militar.

- Éramos de diferentes organizações, mas ocupávamos o mesmo espaço. Se não fosse a cadeia, jamais teríamos nos encontrado. Essa coisa nos unia – disse Rita Sipahi, que atuou na Ação Popular.

Dilma era da Var-Palmares. Rita é advogada e integra a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.

Os grupos de esquerda divergiam em especial sobre a adesão ou não à luta armada. Lenira e Dilma tinham uma posição idêntica e defendiam o confronto com os militares.

- Eu e ela concordávamos com a luta armada, embasada na formação de quadros. Não para ser uma simples aventura – disse Lenira, que foi torturada no DOI-Codi e, em 2008, reconheceu seu torturador e o denunciou publicamente.

Ela comemora a eleição de Dilma.

- Não tenho postura feminista, mas é uma vitória ter uma mulher presidente. E nem em sonho imaginava que alguém da luta armada chegaria um dia a esse posto – disse Lenira.

A jornalista Rose Nogueira, que também estará na festa da posse, ficou alguns meses no presídio e tem muitas lembranças de Dilma. Ela se recorda do apego da petista aos livros. De todos os tipos, de teorias da economia aos clássicos da literatura universal. Nos trabalhos manuais na cela, Dilma tinha predileção, segundo Rose, pelo crochê. Fazia bordados em pano.

- Naquela época, Dilma já tinha uma presença forte. Era naturalmente uma líder e muito solidária. Quando a vi num cargo importante no governo Lula, não tinha dúvida que chegaria a presidente do Brasil – disse Rose, que lembrou ainda do gosto de Dilma pela música.

- Ela gostava de cantar “Chico mineiro” – contou Rose, citando uma música caipira que fez sucesso com a dupla Tonico e Tinoco.

As outras colegas de cela que estarão na posse são: a arquiteta Maristela Scofield; a uruguaia Maria Cristina de Castro, que trabalha no Ministério das Minas e Energia; a psicóloga Lúcia Maria Salvia Coelho; a arquiteta Ivone Macedo; Francisca Eugênia Soares e as irmãs Iara de Seixas Benichio e Ieda de Seixas, de uma família que atuou na oposição aos militares.

Nota do mequetrefe

As eternas e inconformadas viúvas da ditadura estão vivendo seus piores momentos pós democratização. Um pensamento único assoma essas mentes tortuosas a acusar os torturaradores de incompetentes. É possível, que durante a transmissão da faixa presidencial, os pronto-socorros fiquem lotados com pacientes vítimas de síncope cardíaca. Presidenta guerrilheira e mulher, sobretudo esta última condição, é demais pra essa gente(?).

 

*Cadeira do dragão

Wikipédia

Cadeira do dragão foi um instrumento de tortura utilizado pela polícia política do Brasil, DOPS, e também pelo DOI-CODI na época do regime militar para se obter informações de pessoas suspeitas de participarem de ações subversivas ao governo brasileiro.

Descrição

Era um tipo de cadeira elétrica, com assento, apoio de braços e espaldar de metal onde um indivíduo era colocado e amarrado aos pulsos por cintas de couro. Eram amarrados fios em suas orelhas, língua, em seus órgãos genitais (enfiado na uretra), dedos dos pés e seios (no caso de mulheres). As pernas eram afastadas para trás por uma travessa de madeira que fazia com que a cada espasmo causado pelo choque elétrico sua perna batesse violentamente contra a travessa de madeira causando ferimentos profundos.

A cadeira possuía um terminal elétrico, onde era conectada a um dínamo que gerava energia manualmente através de uma manivela usada pelo torturador. Esta máquina era chamada pelos torturadores de "pimentinha" e gerava uma voltagem em cerca de 100 volts com uma forte corrente elétrica de 10 amperes, era jogada água sobre o corpo completamente nu do torturado o que fazia com que a força do choque fosse elevada ao extremo. Era também comum a prática de espancar o torturado entre um choque e outro.

Esse método, bem como outros, são descritos no livro "Brasil: nunca mais" de Paulo Evaristo Arns.

Por um ano melhor

Via Outros Cadernos de Saramago

José Saramago

O que cada um de nós deve fazer em primeiro lugar, pois não temos outro remédio, é respeitar as nossas próprias convicções, não calar, seja onde for, seja como for, conscientes de que isso não muda nada, mas que ao fazê-lo, pelo menos tenho a certeza de que eu não estou a mudar.

A crise econômica na Irlanda

Sanguessugado do Crônicas e Críticas da América Latina

 

irishpuppets

Repudiar a dívida ilegítima. Porquê? Perguntas e respostas por PCI

A dívida de dezenas de milhares de milhões que levou este estado à falência e fez com que fôssemos postos na lista negra dos mercados internacionais e ficássemos sujeitos aos ditames da UE e do FMI, não é uma dívida nossa. Não é uma dívida criada com despesas em escolas nem em hospitais nem em estradas; não é uma dívida que o estado tenha contraído para servir os seus cidadãos: é a dívida de um pequeno número de investidores e financeiros privados e dos seus padrinhos políticos – o Círculo de Ouro – que foi socializada e imposta aos contribuintes e às gerações futuras do nosso povo.

Uma "dívida odiosa" que se define como uma dívida acumulada por um regime, não para satisfazer as necessidades do país, mas para reforçar o regime, contrariando os interesses da nação. A dívida contraída por amigos do Fianna Fáil [1] , que subsequentemente foi assumida pelo estado, não corresponde aos interesses da nação mas serviu para aguentar o regime durante os anos "Tigre Celta" [2] é por conseguinte uma dívida odiosa.

O ponto de partida da construção duma economia que sirva o povo, e não os investidores e financeiros privados, é o repúdio desta dívida e a procura de investimentos de outras fontes, incluindo fundos de riqueza soberanos que libertem uma nova Irlanda desta carga anquilosante.

Reconquistar os poderes fiscais à UE Porquê?

Para construir uma economia numa direcção orientada pelas necessidades do povo e pelo potencial e forças do nosso país, é fundamental que o estado tenha o controlo soberano da política fiscal.

É essencial uma política de impostos para construir uma sociedade justa e equitativa. É essencial o seu controlo para contrariar as políticas injustas e antipatrióticas que favoreceram os ricos e que nós suportámos durante décadas e que contribuíram em muito para o fraquíssimo fluxo de receitas que o estado tem actualmente. Essa política é também a chave para controlar a inflação.

É vital reconquistar o controlo sobre a nossa moeda e acabar com a sujeição ao Banco Central Europeu. O BCE favoreceu taxas de juros baixas para facilitar a exportação de capitais da economia alemã, que estava a acumular excedentes enormes. Os países periféricos, como a Irlanda, Portugal e a Grécia, foram inundados de capital barato, que alimentou a bolha do imobiliário em detrimento duma economia sustentável. O Banco Central Europeu continua a agir segundo os interesses das economias alemã e francesa e em detrimento dos países mais pequenos.

A capacidade de um estado determinar as suas próprias políticas fiscais e de despesas é a chave para influenciar e orientar a produção e a procura e, por conseguinte, a construção duma economia sustentável.

Nacionalizar o nosso petróleo e gás. Porquê?

O estado irlandês avaliou em 560 mil milhões de euros o valor potencial de petróleo e gás nos mares da Irlanda. Só que isso não é propriedade do estado irlandês.

Os nossos recursos e esta gigantesca soma de dinheiro – mesmo pelos padrões actuais – estão na mão de privados. Portanto, enquanto que por um lado o estado assume a dívida privada, por outro lado abre mão dos nossos recursos e do nosso futuro.

As companhias petrolíferas detêm 100 por cento do petróleo e do gás que encontrarem nas águas irlandesas. Não pagam quaisquer direitos de exploração ao estado irlandês. Podem deduzir 100 por cento dos seus custos nos impostos. Os lucros são tributados em 25 por cento, em comparação com uma média internacional de 68 por cento. O estado norueguês recebe mais dinheiro pelo nosso petróleo e gás do que nós recebemos.

O dinheiro que podia ser obtido através da nacionalização desses recursos podia ser reinvestido na economia, para o desenvolvimento de fontes de energia sustentáveis e renováveis, criando empregos, e para pagar a dívida "legítima" do estado. Também podia ser usada para construir relações comerciais úteis e mutuamente benéficas globalmente.

Nacionalizar todos os recursos marinhos. Porquê?

A abertura dos mares irlandeses ao abrigo da política de pesca europeia custou ao estado irlandês milhares de milhões de receitas e priva-nos de milhares de milhões de receitas tão necessárias actualmente.

Os regulamentos iniciais foram traçados propositadamente para transferir um recurso valioso e receitas dos países periféricos para os países centrais, como a Alemanha, a Bélgica e a França. E as quotas de pesca ultimamente introduzidas deixaram a Irlanda com um dos quinhões mais pequenos, apesar do valor dos nossos recursos.

Calcula-se que a submissão da Irlanda a este roubo custou, e continua a custar, ao estado mais de 200 mil milhões de euros, numa altura em que todas as receitas são necessárias para reconstituir a economia. Em vez de sermos beneficiários dos fundos da UE, conforme se apregoa, cedemos muito mais do que ganhámos.

A política da UE é esbanjadora e ambientalmente insustentável. Deitam-se ao mar, a apodrecer, centenas de milhares de toneladas de vida marinha e pescam-se exageradamente muitas espécies de peixes.

É vital nacionalizar os nossos mares e a sua vida marinha para desenvolver uma indústria ambiental e sustentável, que crie milhares de milhões em capital essencial e crie empregos tão necessários.

Instituir uma Empresa de Desenvolvimento para Toda a Irlanda. Porquê?

A economia irlandesa é estruturalmente muito fraca. Apoia-se no investimento estrangeiro directo, num sector financeiro inflacionado com as concomitantes bolhas especulativas, e na cedência dos nossos recursos nacionais, tanto naturais como estruturais.

Mas existe um potencial enorme. Os recursos naturais da Irlanda devem ser utilizados pelo estado. O estado deve investir e desenvolver fontes e tecnologia de energia renovável, como a eólica e a energia das ondas, para uso interno e para exportação. O estado devia capitalizar a crescente experiência adquirida na farmacêutica para desenvolver uma companhia estatal.

Isto é apenas uma parte do potencial; mas para o desenvolver é necessário planeamento. Não pode ser deixado ao arbítrio de formas voláteis e irresponsáveis do investimento privado como as que temos vindo a suportar até hoje. Os relatórios mostram que, durante os anos da bolha, o investimento público foi muito mais produtivo do que o privado. O investimento privado foi amplamente esbanjador e especulativo.

Devia ser criada uma Empresa de Desenvolvimento para Toda a Irlanda, para investigação e planificação das áreas de investimento mais eficazes e produtivas para o capital. Em ligação com as universidades, o estado poderia assim utilizar o talento e as ideias da nossa população instruída, em oposição aos lucros do sector empresarial, conforme acontece actualmente. Tentaria desenvolver áreas de cooperação inter-fronteiras para desenvolver ambas as economias num modo sustentável para os povos de toda esta ilha.

Fundar um Banco Estatal de Desenvolvimento. Porquê?

A operação de salvamento de instituições financeiras e investidores insolventes aumenta de custo a cada dia que passa. Quando somamos a re-capitalização dos bancos assegurados, o custo crescente da NAMA [3] , e as dívidas ao Banco Central Europeu, acumuladas por estas instituições nacionalizadas, o número que foi calculado aproxima-se do milhão de milhões. E é totalmente impossível de pagar.

O dinheiro que já foi injectado nestas instituições falidas saiu pela porta do cavalo para os bancos alemães, franceses e britânicos. Em nada contribuiu para aumentar o crédito ou estimular a economia.

É necessário instituir um Banco Estatal de Desenvolvimento bem capitalizado, sob o controlo soberano do estado, com um misto de representantes dos accionistas (governo, trabalhadores, pequenos negócios e comunidade) e profissionais competentes no seu conselho de administração. Há dinheiro disponível neste país e, se as pessoas vão ter que passar dificuldades, certamente será melhor se souberem que estão a construir uma economia para o povo. Também se pode utilizar o fundo de reservas de pensões, as poupanças e hipotecas familiares podem ser transferidas, as contas pessoais podem ser canalizadas e pode procurar-se capital noutras fontes que não as da UE e do FMI, e que existem mesmo.

O objectivo do banco estatal seria fornecer crédito a negócios sustentáveis e produtivos e a famílias e indivíduos como um serviço à economia, em vez de ser uma indústria em si mesma, como acontece actualmente.

Funcionaria como o credor às prioridades económicas e às áreas de desenvolvimento democraticamente estabelecidas. Trabalharia em conjunto com a empresa de desenvolvimento para financiar o potencial e para fazer crescer a economia.

Combater a privatização de empresas patrocinadas pelo estado. Porquê?

O Governo patrocinou o infame economista Colm McCarthy para produzir um relatório que recomenda a venda de bens estatais que incluem fornecimentos críticos – e lucrativos – como a ESB, a CIE, a An Post, a An Board Gás, a Iarnród Éireann, a Dublin Bus [4] , três entidades aeroportuárias, dez companhias portuárias, duas estações de televisão e por aí afora.

No seu conjunto, o estudo considera a possível venda de 28 (vinte e oito) companhias em funcionamento. Para além disso, passa em revista uma série de bens intangíveis, tais como espectros de rádio, emissões de carbono e licenças emitidas pelo estado e considera-as boas para venda.

O estudo actualmente em curso não é uma análise objectiva de como tornar mais eficaz ou maximizar a receita para o estado: é um estudo para vender esses bens essenciais, tal como definido claramente no seu mandato: "Avaliar o potencial para venda de bens no sector público, incluindo órgãos estatais comerciais, tendo em conta o endividamento do Estado".

Esta abordagem de rescaldo para a venda de bens nacionais não é apenas uma acção a curto prazo, no sentido de que são empresas lucrativas de responsabilidade estatal, que contribuem com uma receita consistente para o estado e proporcionam serviços infra-estruturais essenciais ao povo: é muito mais ainda, visto que o valor dos dólares recebidos se vai depreciando cada vez mais.

Temos que nos agarrar a esses negócios e procurar desenvolver e fazer crescer esse sector enquanto parte essencial e lucrativa da economia.

Os sindicatos precisam de mudar de rumo. Porquê?

Os sindicatos estão a tentar "apagar o fogo" da perda de empregos, dos cortes nos salários, dos ataques às pensões, e do assalto generalizado às condições do emprego na indústria e nos empregos. Mas é preciso que os sindicatos e os membros sindicalizados combatam a causa do fogo.

Os sindicatos e o movimento mais alargado da força de trabalho e da comunidade têm que começar a cooperar, a mobilizar e a fazer campanha quanto às causas políticas e económicas da perda de empregos e dos cortes. Os sindicatos têm que tratar das questões nacionais do controlo da nossa economia, e da direcção necessária para criar uma economia saudável e sustentável para os membros dos sindicatos e para a sociedade.

Os dirigentes sindicais têm a obrigação de dirigir, mas os seus membros também têm que contestar, mobilizar e impelir os sindicatos para a frente. Só uma combinação de chefia e de mobilização será capaz de defrontar as causas do assalto aos trabalhadores.

Os sindicatos são políticos e têm que expressar essa política. A questão é: De que lado é que eles estão? Andam a tentar manter a cabeça baixa, esperar pelos seus membros, e reconstruir sobre uma revolução global, ou pretendem liderar um movimento capaz de desafiar a classe dominante e construir uma sociedade progressista para os seus membros?

Construir uma política alternativa para o povo. Porquê?

Não podemos construir uma economia sustentável e a longo prazo sob o domínio da UE e do FMI. Nem podemos fazê-lo ajustando uns impostos aqui e ali, ou cortando algumas despesas, ou alargando o período durante o qual "violamos" o Pacto de Crescimento e Estabilidade. É preciso controlo para construir uma economia, e isso é uma questão política.

As recomendações aqui feitas são necessárias, no seu conjunto, para construir a economia de um povo – uma economia nacionalmente controlada. Mas vão enfrentar a resistência do Governo, da UE, do FMI, dos grandes negócios, dos meios de comunicação, e das instituições académicas e de economistas.

Para ultrapassar essa oposição precisamos de uma política popular e de um movimento político. Chegou a altura de o povo se levantar e se contarem as espingardas. Chegou a altura de o povo fazer um esforço para construir um movimento para fazer campanha e lutar pelos seus princípios.

A União Europeia actuou durante algum tempo, nas suas relações económicas externas, de um modo ameaçador e predatório para com os países mais pobres, ditando acordos comerciais desiguais no interesse das suas corporações transnacionais. Os acontecimentos recentes denunciaram a relação exploradora, neo-colonialista entre os países mais fortes e mais fracos da União Europeia. Isto agora é claro em relação aos antigos países socialistas da Europa do Leste, e também em relação à Irlanda, agora que rebentou a Bolha Céltica. A decisão da UE de avançar sobre a Irlanda foi precedida por uma reunião privada entre os governos britânico, francês e alemão, mostrando quem é que manda na União Europeia.

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N.T:

[1] Fianna Fáil – Partido Republicano, o maior partido político da República da Irlanda; partido do regime estabelecido, com influência dominante no governo e na vida política da Irlanda desde a década de 1930.

[2] Anos 'Celtic Tiger' – termo utilizado para descrever a economia da Irlanda durante o período de rápido crescimento económico entre 1995 e 2007.

[3] NAMA – Agência Nacional de Gestão de Valores – órgão criado pelo governo da Irlanda nos finais de 2009, para resposta à crise financeira e à deflação da bolha imobiliária irlandesa.

[4] ESB – Companhia fornecedora de electricidade

CIE – Companhia ferroviária

An Post – Companhia de serviços postais, comunicações e financeiros

An Bord Gáis – Companhia distribuidora de gás natural

Iarnród Éireann – Companhia da rede ferroviária

Dublin Bus – Principal companhia de transportes na área da grande Dublim.

O original encontra-se em http://www.communistpartyofireland.ie/qa.html

Tradução de Margarida Ferreira.

Este texto encontra-se em http://resistir.info/

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Salário Mínimo: bola em cima da linha a espera do chute de Dilma

GilsonSampaio

Acredito que o aumento ridículo do ridículo salário mínimo seja uma ‘armação do bem’. Depois de 7 anos seguidos de ganho real, Lula, no seu último ano de mandato, não sacanearia o povo gratuitamente e também não jogaria a Dilma na fogueira.

Debaixo desse angu tem carne.

Acho que “depois de exaustivas discussões”, o governo Dilma anuncia um qualquer a mais no salário mínimo, marco o gol e comemora com a galera.

E, não nos esqueçamos dos 62% de aumento que nossos ilustres congressistas deram para si mesmos e o efeito cascata a ser produzido nos estados e municípios.

 

Reajuste do mínimo perde para inflação pela primeira vez no governo Lula, lamenta Dieese

Dieese pensa que reajuste deveria, ao menos, assegurar a recomposição de acordo com o aumento de preços, o que resultaria em um salário de R$ 543

Por: João Peres, Rede Brasil Atual

Reajuste do mínimo perde para inflação pela primeira vez no governo Lula, lamenta Dieese

Dieese vê equívoco em reajuste inferior à inflação (Foto: David Siqueira/Sxc.hu)

São Paulo – A confirmação do salário mínimo a R$ 540 a partir de janeiro de 2011 leva o governo Lula a um fato inédito: em oito anos de mandato, este é o primeiro em que não haverá aumento real. Estudo divulgado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) nesta quinta-feira (30) considera a medida um equívoco.

O reajuste de 5,88% – de R$ 510 para R$ 540 – faz com que o mínimo perca para a inflação em 0,55%. O Dieese defende que deveria ser assegurada, ao menos, a reposição provocada pelo aumento dos preços.

O novo valor do piso salarial nacional foi definido a partir de uma fórmula negociada entre o governo e centrais sindicais. O acordo que define a política de valorização do salário mínimo prevê que a correção se dê pela combinação entre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anteriores mais a variação da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (INPC) no período.

Neste caso, o valor do salário de 2011 é definido pelo PIB de 2009, que teve variação negativa de 0,6%, mais o INPC de janeiro a dezembro de 2010, estimado em 6,47%. “Para que o mínimo tenha a mesma variação do INPC, o valor deveria ser de R$ 543”, pontua o Dieese.

O governo Lula chega ao fim com aumento real de 52,83% para o mínimo, tendo sido o reajuste de 2006 o mais representativo, com ganho de 13% para os trabalhadores. No começo deste ano, a valorização real foi de 6,02%. O poder de compra do salário entre 2003 e 2010 passou de pouco mais de uma cesta básica para 2,04 cestas básicas.

Os dados do Dieese indicam que, mesmo com a elevação menor que a inflação, o mínimo vai injetar R$ 18 bilhões na economia, beneficiando diretamente 47 milhões de pessoas.

Insatisfação

Com um quadro tão favorável nos anos anteriores, as centrais sindicais não esconderam a insatisfação com o reajuste proposto pelo governo e aprovado pelo Congresso. Artur Henrique, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), anotou em seu blog que a elevação a R$ 540 contradiz ao mesmo tempo a postura do atual governo e o mote de campanha de Dilma Rousseff, que era a redução da desigualdade e o fim da pobreza.

“Punem-se os trabalhadores brasileiros pela crise internacional iniciada em 2008, sobre a qual não tiverem responsabilidade alguma, e não se reconhece o papel importante que tiveram na superação dessa mesma crise”, criticou.

As centrais lembram ainda que a política de valorização do salário mínimo é uma das responsáveis pelo ciclo de crescimento da economia e pela redução da pobreza e da desigualdade. Paulo Pereira da Silva, deputado federal e presidente da Força Sindical, informou que vai apresentar uma emenda na Câmara para tentar assegurar o reajuste a R$ 580.

“Os insensíveis tecnocratas, ainda enraizados na área econômica, insistem em dar um pífio aumento para o salário mínimo. O governo não pode esquecer que um salário mínimo digno é uma forma de distribuir renda”, critica o parlamentar, acrescentando que o governo Lula parece se esforçar para que os trabalhadores se esqueçam da avaliação positiva alcançada nos oito anos de mandato.

Vannuchi diz que resgate da história da ditadura é bom para a sociedade e as Forças Armadas

Via RedeBrasilAtual

 Lourenço Canuto

Brasília – O ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Paulo Vannuchi, defendeu nesta quinta-feira (30) a continuidade do levantamento de dados referentes ao período da ditadura “dentro de uma mentalidade de maturidade e coragem”. Ele participou de lançamento de três livros e uma revista sobre direitos humanos e disse que esconder o que ocorreu durante o regime militar envolve “custos sociais e políticos muito maiores para as Forças Armadas e para a sociedade”.

Para Vannuchi, trazer transparência aos fatos desse período não é ser contra as Forças Armadas. “É contra as Forças Armadas quem sustenta que levantar a história do passado é revanchismo e que seria melhor deixar o assunto bloqueado e sufocado", afirmou. Na avaliação do ministro, levantar o que ocorreu durante a ditadura não significa querer "condenar ninguém à masmorra, mas [o que se espera é] que o Judiciário decida se haverá punição com a Justiça restaurativa ou a aplicação de penas alternativas. Essa será a forma da sociedade saber quem matou Rubens Paiva ou Honestino Guimarães [perseguidos e mortos na ditadura]", observou.

Segundo ele, revelar a verdade de um período tão crítico faz parte de um processo de reconciliação. "Em nenhuma situação, é possível construir a história fora de uma reconciliação sem preconceitos, discriminação, com violência ou com qualquer tipo de exploração".

Vannuchi disse que o desafio para o próximo ano será aprovar o Projeto de Lei 7376 que cria a Comissão da Verdade. O ministro lançou os livros Retrato da Repressão Política no Campo, que conta a história de camponeses que viviam sufocados institucionalmente e ainda sofriam com a ação de jagunços; Tortura, obra com textos de autores que participaram do Seminário Nacional sobre Tortura, em maio deste ano, na Universidade de Brasília (UnB); e Direitos Humanos: a Atuação da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República entre 2003 e 2010, com oito capítulos e diversas abordagens temáticas, relatando os avanços históricos e institucionais nessa área.

Além dos livros, foi lançada também a revista Direitos Humanos, com ensaios, fotos, notícias e entrevistas sobre a luta pelos direitos humanos no Brasil e no mundo, com a participação de pessoas da área artística e cultural.

Fonte: Agência Brasil