domingo, 28 de fevereiro de 2010

Aécio já aceitou ser vice de Serra

GilsonSampaio
Através do ComTextoLivre, excelente blog do gaúcho ZCarlos, descobri o hilariante blog do Professor Hariovaldo Almeida e seus trocentos comentários nitrosos.
Dois pontos de luz neste blog chinfrim.

Aécio já aceitou ser vice de Serra


Chapa pura

Ao que pese as mentiras dos petralhas, dos mais de 800 jornalistas petistas filiados à CUT e do PTPress em dizer que Aécio ainda não aceitou ser vice de José Serra, e que este último estará nas Minas Gerais nos dias 3 e 4 de março para se encontrar com o governador mineiro e implorar de joelhos, se humilhando de todas as formas para que ele aceite o cargo de vice, o que não passa de uma deslavada mentira na intenção maldosa de desfigurar a linda e harmoniosa relação café-com-leite tucana entre os dois amados governantes, a verdade é que Aécio já aceitou a vice-presidência desde o início das combinações eleitorais visando o pleito vindouro. A demora para o anúncio oficial faz parte de um jogo de estratégia e um pouco de charme do mesmo para atrair a atenção e ocupar espaço na parte boa da mídia. É como o atraso da noiva na cerimônia de casamento, apenas para dar mais emoção a união.

Mesmo diante da humildade de Serra, que se ofereceu várias vezes a cabeça de chapa para Aécio, colocando a si mesmo como vice do político mineiro, Aécio não pôde aceitar senão o cargo secundário, pois reconhece em Serra o mais preparado dos políticos brasileiros e o único que tem o perfil certo para remir o país das agruras do petismo atroz e restaurar a nação da calamitosa gestão Lula. Está aceita pois, em nome de Minas Gerais, a vice-presidência por Aécio Neves, na chapa puro-sangue azul que fará virar pó a candidatura terrorista de Dilma.

Alvíssaras!

Não deixe de ler os comentários. É de rolar de rir.

O Narcotraficante nº 82

GilsonSampaio
A conversa safada dos EU e do narcopresidente da Colômbia para justificar a instalação de 7 bases militares é o combate ao narcotráfico.
Depois de ver o vídeo, dá pra acreditar?
Atenção para as fontes citadas no final do vídeo.



O Tombo da Credibilidade da Óia

GilsonSampaio
Sinopse:
No QG do carro-chefe da imprensa golpista, a revista nazifascista Óia,o chefão num faniquito apoplético ameaça fechar o semanário e joga praga de desemprego no seu principal capanga.




Vídeo sanguessugado do blog Escrevinhador.

Foia, de rabo preso com a direita golpista

Sanguessugado do Tijolaço

O “rigor estatístico” do Datafolha

Não vou me estender mais sobre os resultados da pesquisa Datafolha divulgada na noite passada, porque ela, embora mostre Dilma em rápida ascensão e Serra em descenso – o que é evidente – continua dando motivos para não ser considerada confiável.

Motivos objetivos, que vou listar a seguir e que não são “achismo”, e motivos subjetivos, como o fato de o jornal ter destinado uma coluna a um “perguntas e respostas” destinado a dar credibilidade ao levantamento.

Perguntas e respostas que levam a outras inúmeras perguntas que, é claro, ficam sem resposta.

A primeira, e mais evidente é o tamanho da amostra, que o Datafolha diz não ser importante, mas sim sua estratificação.

Então, qual a razão de terem feito a pesquisa de dezembro de 2009 com 11.429 pessoas, a de agosto com 4.100 pessoas e a de agora, fevereiro de 2010, com apenas 2.623? Qual é o tamanho confiável para uma amostra de 100 milhões de pessoas com a diversidade que tem a população brasileira?

Vejam que eu não estou dizendo que uma pesquisa não pode ser rigorosa com 2.600 entrevistas. Apenas gostaria de saber porque este número numa pesquisa é multiplicado por dois, na outra por quatro… Pesquisa custa caro demais para dobrar ou triplicar seu custo , como se diz no Rio Grande, assim no más

A segunda coisa que a Folha diz é que, agora que Dilma encostou em Serra, o empate estatístico entre ambos, devido à margem de erro, “não é bem assim”. Dizem que, para haver o empate, seria preciso que ocorresse – palavras do Datafolha – “a raríssima hipótese” de Serra e Dilma estarem nos limites negativo e positivo da margem de erro.

Aí vem a explicação sobre a margem de erro. Depois de termos passado anos e anos ouvindo que ela poderia fazer com que o candidato tivesse dois (ou três, quatro) pontos a mais ou a menos, agora somos informados de que não é assim e que a margem de erro varia de acordo com o percentual obtido pelo candidato.

Não duvido disso, mas como é que o Datafolha permitiu, tantas vezes, aquela divulgação pela Rede Globo dizendo que os candidatos, independentemente de seu percentual, estivessem “entre tantos e tantos por cento”.

Não estou discutindo que isso seja correto ou incorreto. Mas o fato de não ter sido dito, jamais, até hoje.

Bem, mas vamos ver mais outra coisa curiosa. É natural que, á medida em que as eleições se aproximam, que aumenta o conhecimento dos candidatos. Mas não é o que acontece na pesquisa Datafolha, como você pode comprovar nos dois resultados de pesquisa espontânea que reproduzo neste post.

Em dezembro, como você pode ver, 47% dos entrevistados não sabiam em quem ia votar e 5% escolhiam a opção branco, nulo ou nenhum deles.

Em fevereiro, como você pode observar no gráfico de baixo, os indecisos passaram a 58% por cento, enquanto o “branco, nulo ou nenhum deles” mantinha-se estatisticamente estável, com 4%.

Portanto, não houve um crescimento à rejeição ao processo político. Mas 11 em cada cem brasileiros, em dois meses, perderam a intenção de votar num determinado candidato. Vejam bem, 11% de crescimento na “indecisão” de voto, o contrário da definição e da cristalização de voto que marca a aproximação do processo eleitoral.

Bastaria isso para acender o sinal amarelo em qualquer pesquisa eleitoral, ainda mais quando o tamanho – e consequentemente a distribuição - da amostra é tão grande, com a redução de 11.429 entrevistas para apenas pouco mais de 2.600.

Agora observe de onde vieram tantos “indecisos”. O lado tucano (Serra, Aécio e Alckmin) perdeu quatro pontos – um de Serra, dois de Aécio (o que é natural com a retirada de sua candidatura) e um de Alckmin.

O lado pró-governo (Lula, Dilma, “candidato do Lula”, “candidato do PT”), que somava 32% em dezembro, agora reduziu-se a 24% – Lula perde 10, Dilma ganha 2%, “candidato do Lula” ganha um e “candidato do PT” desparece – , perdendo oito pontos, o dobro da oposição.

E houve algum abalo na popularidade de Lula ou na avaliação de seu Governo que o justificasse?

Não, muito pelo contrário. A avaliação positiva de Lula permanece estável (sobre de 72% para 73%) e a negativa até cai, de 6 para 5%. O conceito regular fica estatisticamente estável – 21 e 20%.

Ou seja, o crescimento da tal “indecisão” se deu, majoritariamente no lado da esquerda, como ocorreu naquele tristemente famoso caso Proconsult, quando o inexplicável aumento dos votos em branco se dava sobretudo em em cima da votação de Leonel Brizola.

Estatística é um ciência séria. Todas as questões que apontei deveriam ser explicadas pelos estatísticos que fizeram este “laudo” sobre a opinião pública. Mas pesquisa eleitoral eleitoral no Brasil não tem de mostrar nada.

E às vezes, tenta esconder tudo.

Ditadura: a mentira sobre documentos queimados

Sanguessugado do Viomundo

Aeronáutica entrega arquivos secretos da didatura

Atualizado em 28 de fevereiro de 2010 às 11:00 | Publicado em 28 de fevereiro de 2010 às 10:56

Aeronáutica entrega documentos secretos que dizia ter destruído
São 189 caixas, com 50 mil papéis de 1964 a 1985, com relatos sigilosos sobre Che, Fidel e Lamarca, entre outros

por Felipe Recondo e Marcelo de Moraes, em O Estado de S. Paulo

Após quatro anos de pressão do governo, a Aeronáutica entregou ao Arquivo Nacional, no início do mês, pelo menos parte dos documentos secretos que produziu durante a ditadura militar. A própria Aeronáutica informara anteriormente que esses itens haviam sido destruídos, o que reaviva a suspeita de que as Forças Armadas mantêm escondidos papéis sigilosos da ditadura.

O arquivo inédito faz parte do acervo do Centro de Segurança e Informação da Aeronáutica (Cisa). São 189 caixas, com aproximadamente 50 mil documentos acumulados nos governos militares, entre 1964 e 1985. O lote inclui informações sobre Ernesto Che Guevara, Fidel Castro e Carlos Lamarca. Mas há indícios de que registros importantes tenham sido retirados antes de efetivada a entrega, no último dia 3.

No acervo estão fichas pessoais, relatórios de monitoramento, segredos diplomáticos, instruções a militares e papéis referentes à Guerrilha do Araguaia, tudo o que a Aeronáutica negou existir em 2006.

Foi preciso a intervenção da Casa Civil, chefiada pela pré-candidata à Presidência Dilma Rousseff, exigindo a entrega dos arquivos para que ocorresse a liberação. A Aeronáutica acatou a ordem, mas não aceitou a entrega por civis. Oficiais de alta patente comandaram a transferência dos documentos, sob a proteção de soldados.

A Aeronáutica chegou a comunicar à Casa Civil, em 2006, a existência de um acervo com "documentação genérica" e conteúdo "de fortuito componente histórico". Além disso, negou existir qualquer papel que tratasse de monitoramento, infiltração de agentes, perseguição política e estratégias de ação. Mesmo assim, a documentação não foi entregue à época.

O conteúdo só apareceu depois que o Ministério Público Militar cobrou das três Forças informações sobre a destruição de papéis secretos. Mas a disponibilização, autorizada pelo próprio comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, ficou inicialmente restrita ao Ministério Público Militar.

COBRANÇA

A informação de que esses documentos não foram queimados e estão agora no Arquivo Nacional intrigou o Planalto e levou a Casa Civil a pedir oficialmente ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, a apuração dos fatos. Em 2006, o então comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Luiz Carlos da Silva Bueno, enviou ofício ao então ministro da Defesa, o vice-presidente José Alencar, negando a existência dos papéis - não foram entregues nem mesmo os documentos "inofensivos" que estão no Arquivo Nacional e que não envolvem ações de repressão interna contra brasileiros.

Segundo Bueno, parte do acervo foi deliberadamente destruída, como permitia a legislação da época. Os termos dessa destruição, porém, também teriam sido inutilizados. Outra parte dos arquivos foi eliminada em incêndio no Aeroporto Santos Dumont, onde funcionava o Ministério da Aeronáutica.

Quando assumiu o ministério, mais de um ano depois de os militares terem negado a existência dos papéis, Jobim perguntou às três Forças se, de fato, não havia documentos escondidos. A resposta do Exército, Marinha e Aeronáutica foi a mesma: todo o material foi destruído. A informação foi repassada pelo ministro à Casa Civil.

Depois disso, a pedido do Palácio do Planalto, o ministro da Defesa criou uma comissão para apurar as condições em que isso ocorrera. A lei permitia que certos papéis fossem destruídos, mas impunha condições, como a presença de testemunhas e a produção de um termo de destruição. Agora, a comissão criada na Defesa terá de avaliar se houve insubordinação dos militares e desrespeito à ordem dada por Dilma e amparada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de recolher todos os arquivos da ditadura.

A análise de alguns dos informes do Cisa indica que documentos importantes podem ter sido retirados antes da entrega ao Ministério Público Militar. Um desses sinais está presente no arquivo cujo título é "Top Secret". A folha, com marca de um grampo retirado, faz referência a documento que seguia em anexo. Esse anexo, porém, não seguiu para o Arquivo Nacional.

O acervo, em fase de catalogação, não está disponível para consulta. O Estado, porém, teve acesso aos papéis, que revelam, por exemplo, a busca da ditadura pelo paradeiro de Guevara no Brasil. Incluem cartas inéditas escritas por Carlos Lamarca para colegas de guerrilha.

Solidariedade

Sanguessugado do TERRA BRASILIS

"Os felizes não são piedosos". (Hegel)
(Citação extraída do Blog Tijolaço, do Brizola Neto)

Ao tomar conhecimento do terremoto que se abateu sobre o Chile é impossível deixar de pensar sobre uma palavra que deverá estar presente em nossos corações: "Solidariedade". O povo do mundo inteiro se solidarizou com o sofrimento dos haitianos. Agora é a vez do Chile, infelizmente. Poucas vezes sentimos tanta desesperança com as catástrofes que invadem tantos países ao redor do mundo. Além de tudo isso que vem acontecendo, o que nos espanta, é a violência generalizada, estampada nas diferentes mídias. Mas, nem todas são visíveis. O que se percebe também é um clima de discriminação inconcebível. No que tange à Justiça o que se vê é uma posição negligente em relação aos poderosos, porém, muito severa e implacável com os mais pobres. Não se vê que a pobreza é um problema social, que só com políticas públicas eficientes, poderá ser amenizada. Os rigores da Lei jamais resolverão tais problemas. A solidariedade, sim. De TODOS. Josué de Castro diz que: "A fome é a manifestação biológica de um problema sociológico". Certíssimo. Mas, infelizmente, inúmeros são os países que ainda estão sujeitos a essa degradação . Os causadores desta miséria querem garantir seus privilégios, a qualquer custo. Basta um olhar crítico para ver o que fazem pelo mundo afora para garantir sua eterna felicidade. Sem dó e sem piedade.
Mas, há sempre alguém que protesta em defesa dos que sofrem e que são marginalizados por esta sociedade que já passou de caduca. Nela só é considerado cidadão quem pode consumir as bobagens que o mercado, aliado à mídia, oferece. Tudo é uma questão de aparência . As necessidades básicas ficam em segundo plano. Felicidade passou a ser sinônimo de consumo desenfreado. Saúde e Educação vêm em último lugar para grande parcela da sociedade. Como o desejo é inerente ao ser humano e a mídia socializa o sonho e privatiza os bens, assistimos, estarrecidos, a tantos crimes acontecendo por motivos fúteis. A solidariedade tem que estar viva no coração dos homens para mudar este cenário de profunda injustiça. Ou vamos sucumbir, não resistiremos... Esta solidariedade e o protesto diante de tantas catástrofes estão contidos num belíssimo poema, de um grande poeta português (Manuel Alegre), citado por Oscar Niemeyer num artigo do JB, de 18/06/00:
Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu país.
O vento cala a desgraça,
O vento nada me diz.
Mas há sempre uma candeia
Dentro da própria desgraça.
Há sempre alguém que semeia,
Canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
Em tempo de servidão,
Há sempre alguém que resiste,
Há sempre alguém que diz não.
por Leda Ribeiro (Colaboradora do Blog do Saraiva 13, do Cumpadi Saraiva)

O Correspondente - VII

DoLaDoDeLá – Marco Aurélio Mello

O colega não tinha aparecido para trabalhar. Telefonou dizendo que houve um contratempo qualquer. Estava tomada de desejo e paixão. Precisava vê-lo. Tomou a iniciativa de ligar. Caixa Postal. Não quis gravar recado. Na hora do almoço, pegou um taxi e foi dar na casa do rapaz. O porteiro anunciou a chegada e ele autorizou a subida. Chegando lá, ele a recebeu. Foi quando aconteceu aquele diálogo que dá início a esta narrativa. Foi alucinante. Ela entrou em transe. A mulher experimentara pela primeira vez na vida o que a ciência conhece por orgasmo múltiplo. Foram tantas vezes que perdera a conta. Durante quase três horas tinha alcançado o céu. Estava exausta e entregue. Pensou em voltar ao trabalho. Desistiu. Seguiu para casa. Quando ligou o celular, notou que muitos colegas procuraram por ela. Nenhum problema que não pudesse esperar até o dia seguinte.
- Su?
- Sim.
- Preciso de outra maquiagem daquela...
- Ah funcionou, né?
- E como.
- Ok, quando você se liberar desce lá no camarim.
- Combinado.
Ela não conseguia trabalhar, estava com dificuldade para se concentrar. Encontrou o colega duas vezes. Uma no corredor e a outra na sala ampla do departamento. Trocaram olhares de cumplicidade, mas não chegaram a se falar. Nessa altura, só eles não sabiam, mas todo o departamento já falava sobre o caso dos dois. A notícia corria como fogo na palha e o jovem jornalista foi chamado pelo diretor.
- Olá.
- Em que posso ser útil, chefe?
- Temos acompanhado a evolução do seu trabalho na reportagem e queremos premiá-lo.
- Que boa notícia! Muito obrigado.
- Nosso plano é mandá-lo para outra capital do país. Lá você começa fazendo jornalismo local e, se tudo der certo, em pouco tempo você já estará entre os grandes da rede. Como é o maior escritório do país, você vai poder conviver com editores e repórteres especiais. Que tal?
- Eu aceito.
- Então você começa na segunda-feira lá.
- Mas já?
- Imediatamente.
- Então tá.
(continua)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Saudades e Reverência

Reverência


Xiiiiiiiii. Agora Zé Aluvião desiste

Dilma cresce em intenção de voto e já encosta em Serra, diz Datafolha

da Folha Online

Pesquisa Datafolha publicada na edição de domingo da Folha, mostra que a ministra petista Dilma Rousseff (Casa Civil) cresceu cinco pontos nas pesquisas de intenção de voto de dezembro para janeiro, atingindo 28%.

No mesmo período, a taxa de intenção de voto no governador de São Paulo, José Serra (PSDB), recuou de 37% para 32%.

Com isso, a diferença entre os dois pré-candidatos recuou de 14 pontos para 4 pontos de dezembro para cá.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. No entanto, é impreciso dizer que o levantamento indica um empate técnico entre Serra e Dilma.

A pesquisa foi realizada entre os dias 24 e 25 de fevereiro. Foram ouvidas 2.623 pessoas com maiores de 16 anos.

Educação paulista: coitadas das crianças e professores

Paulo Renato

Em São Paulo, aluno sai da rede pública 3 anos defasado

da Folha Online

Os resultados do Saresp, prova de português e matemática aplicada pelo governo paulista, mostram que, na rede estadual, o desempenho dos alunos do 3º ano do ensino médio não chega ao esperado para a 8ª série. A informação é de Fábio Takahashi e Talita Bedinelli, em reportagem publicada na Folha .

O exame avalia os estudantes da 4ª e da 8ª séries do ensino fundamental e da 3ª série do médio. Em 2009, foi registrada melhora na 4ª série: a média subiu de 180 para 190,4 em português, numa escala que vai até 500.

O avanço foi mais tímido na 8ª série e inexistente no 3º ano do ensino médio, ambos com desempenho abaixo do que é considerado ideal.

A gestão José Serra alega que, embora a situação não seja satisfatória, políticas adotadas pelo governo melhoraram os resultados. Especialistas classificaram como "pífio" ou "tímido" o desempenho dos alunos.

Matemática e Português

Os alunos da 3º série do ensino médio apresentaram redução de rendimento na disciplina de matemática no ano de 2009 em comparação a 2008 (de 273,8 para 269,4). Ao todo, 58,3% dos estudantes que concluem o ensino médio têm conhecimento insuficiente.

Já a avaliação do desempenho dos estudantes em língua portuguesa teve melhoria em todas as séries, com destaque para os alunos da 4º série que tiveram elevação de 10,4 na escala de avaliação da secretaria, subindo de 180 para 190,4. Além disso, a porcentagem de alunos nos níveis suficiente (de 66,8% para 68,8%) e avançado (6,5% para 10,3) apresentaram elevação, enquanto os insuficientes registraram queda.

Clique em Paulo Renato para ter acesso a um verdadeiro dossiê sobre a educação paulista, formado ao longo do tempo pelo blog NaMariaNews.

Aqui, fraude na SARESP

Para Paulo Renato a culpa do resultado desastroso deve-se “à idade rebelde” e ao despreparo dos professores.

Colômbia nega reeleição a Narcopresidente

GilsonSampaio

Como era de se esperar, quando o narcopresidente da Colômbia fraudou um pedido de referendo visando a sua segunda reeleição o PIG sobrevoou o fato sem muitas considerações.

Já em relação a Honduras, quando Zelaya propôs o mesmo referendo para uma reeleição e foi derrubado por isto, o PIG só faltou dizer que Zelaya comia criancinhas com salada de frutas ao som de um mambo.

Tenho dúvidas se a situação da Colômbia está resolvida. O narcopresidente Uribe, sem o poder, pode ter gravíssimos problemas por conta de assassinatos de lideranças sociais. Sendo ele, vassalo de fidelidade canina ao império e tendo o império interesses estratégicos na ocupação da Colômbia, não será surpresa um golpe a lá Honduras.

Justiça da Colômbia veta segunda reeleição de Uribe

Claudia Jardim

De Caracas para a BBC Brasil

Álvaro Uribe

Uribe foi eleito presidente da Colômbia em 2002 pela primeira vez

A Corte Constitucional da Colômbia declarou como inconstitucional, nesta sexta-feira, o projeto de referendo que permitiria ao presidente colombiano Álvaro Uribe concorrer a um terceiro mandato nas eleições presidenciais de maio.

Com 7 votos contra e 2 a favor, a Corte determinou que o projeto não cumpriu com os procedimentos legais que sustentassem uma reforma constitucional que abriria caminho a uma segunda reeleição presidencial.

Considerada como uma decisão histórica, o parecer é visto como uma derrota política para Uribe, que de acordo com pesquisas poderia ser reeleito com facilidade ainda no primeiro turno.

Entre outros aspectos, a Corte considerou como irregulares o financiamento da campanha de arrecadação das assinaturas e a mudança feita por parlamentares da frase que constava no abaixo assinado, que inicialmente não dizia se a disputa ao terceiro mandato seria imediata ou somente para as eleições de 2014.

Reação

"Não se trata de meras irregularidades formais e sim de violações substanciais do princípio democrático", diz o parecer lido por Mauricio González , presidente da Corte Constitucional.

A Corte qualificou como "inexecutável" o referendo. Os magistrados consideraram também que uma segunda reeleição imediata "atenta" contra os princípios da Constituição.

Minutos depois do pronunciamento da Corte, Uribe discursou, acatando a decisão.

"Tenho um desejo de poder servir a Colômbia em qualquer circunstância, em qualquer trincheira, até o último dia da vida", disse Uribe, ao acrescentar. "Me anima uma ilusão. Que nossa democracia melhore o rumo, mas que não perca o rumo".

Para o senador Armando Benedetti, da bancada oficialista, o "círculo íntimo" de Uribe foi o responsável pelo fracasso da iniciativa que coloca um ponto final na era Uribe.

"Quem tem a culpa é o círculo íntimo do governo. Estúpido o que fez a pergunta, o que arrecadou o dinheiro, o mal desempenho da bancada (aliada)", disse Benedetti.

Campanha

A decisão da Corte também dá início a campanha presidencial no país. Com a saída de Uribe do campo eleitoral, o ex-ministro de Defesa, Juan Manuel Santos, é visto como o possível candidato oficialista à sucessão.

"Juan Manuel Santos é o homem mais feliz do país por esta decisão", disse o opositor Gustavo Petro, candidato presidencial pelo partido Pólo Democrático.

Santos foi um dos responsáveis pela aplicação da controvertida política de Segurança Democrática.

Carro chefe da administração Uribe, essa política estabelece, entre outros aspectos, a saída militar e não negociada para o conflito armado colombiano, determina o acirramento do combate contra as guerrilhas e o incremento da militarização do país.

Histórico do projeto

Em agosto de 2008, mais de cinco milhões de assinaturas foram entregues ao organismo eleitoral da Colômbia solicitando a realização de um referendo.

Em seguida, o projeto foi levado ao Congresso.

A tramitação do projeto, que se arrastou durante meses, foi marcada por polêmicas, como supostas irregularidades na arrecadação dos fundos para a promoção da iniciativa e depoimentos de chefes dos cartéis do narcotráfico que dizem ter apoiado a reeleição do presidente colombiano.

Apesar da controvérsia, em agosto do ano passado os congressistas aprovaram por maioria absoluta a iniciativa, abrindo caminho para Uribe - principal aliado dos Estados Unidos na região - disputar um terceiro mandato.

Eleito em 2002, Uribe só pôde ser reeleito, em 2006, depois da aprovação de uma controvertida emenda constitucional promovida pela base aliada no Congresso.

No ano passado, veio à tona o escandalo conhecido como "yidispolítica", que revelou a compra de votos de parlamentares para aprovação da emenda.

A parlamentar Yidis Medina admitiu ter vendido seu voto em troca de "favores" de "altos funcionários do governo”, voto que teria sido determinante para aprovação do projeto de reeleição.

Ela foi condenada a 47 meses de prisão pela Corte Suprema.

O mandato de Álvaro Uribe terminará em agosto de 2010.

O Correspondente - VI

DoLaDoDeLá – Marco Aurélio Mello

Na vitrola Elis e os versos da Canção do Sal: "Trabalho o ano inteiro, para vida de gente levar." E pensar que esse disco tem a idade do escritor... Ela parecia inspirada por sua companheira das noites de luar. Sacou outro disco, considerado obra prima da Pimentinha: Falso Brilhante. Largada no sofá da sala cantou em coro a magnífica letra de Tatuagem. "Que te rabisca o corpo todo, mas não sente." Adormeceu um sonho caudaloso e quente. Despertou com o sol no rosto e o interfone.
- Bom dia! Encomenda para a senhora.
- Pode subir.
- ding-dong.
- Olá.
- Flores para a senhora.
- Obrigada.
- O cartão está anexo.
- Ok. Deixa só eu pegar uma caixinha para você. Aqui.
- Obrigado e até logo.
- Até logo.
As flores eram brancas e delicadas. Um arranjo oriental cheio de originalidade, pensou. No pequeno cartão dois versos: "Quero ficar no seu corpo, feito tatuagem, que é pra te dar coragem, pra seguir viagem, quando a noite vem." A mulher enlouqueceu. Cantarolou mais dois versos, tomou um banho demorado e foi para o trabalho. Naquele dia os colegas notaram algo de mais luminoso em seu jeito e no olhar. Ela estava no céu. Até o porteiro ela cumprimentou.
(continua)

Lula: bloqueio não é justificável

GilsonSampaio

A mídia venal e golpista não se conforma com a alegria e igualdade, prefere a posição de quatro dos tempos fernandistas.

Como diz o amigo Cappacete:

Pode espernear a direita, só não vale rasgar a roupa e rolar no chão

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Lula: o bloqueio econômico contra Cuba não tem razão de ser

Juan Diego Nusa Peñalver

O presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, exigiu na quinta-feira, 25 de fevereiro, do presidente norte-americano, Barack Obama, o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba, pois essa medida não tem nenhuma razão de ser.

"Como os cubanos, eu acredito que o bloqueio não tem razão de ser, não tem nenhuma explicação política, econômica, a Guerra Fria acabou, pelo qual basta tomar uma decisão" (dos EUA), disse o estadista sul-americano minutos antes de concluir sua visita em declarações à imprensa no aeroporto internacional "José Martí", onde foi despedido pelo presidente cubano, Raúl Castro Ruz.

No que diz respeito ao tema, instou Obama a ter a mesma audácia com que o povo norte-americano o elegeu presidente dos EUA e "a resolver o problema do bloqueio a Cuba".

Após expressar sua alegria por sua terceira visita à Ilha como chefe de Estado, destacou que foi muito importante o encontro que teve com Fidel Castro Ruz.

A respeito disso, indicou que ficou muito satisfeito, muito feliz de ver o chefe da Revolução Cubana com boa saúde e ressaltou que ele falava de economia como se fosse um jovem, pensando no futuro de Cuba e da América Latina e do Caribe, e também, pensando no futuro do mundo.

Da mesma maneira, assinalou a importância de sua reunião com o presidente cubano, Raúl Castro Ruz, e dos acordos bilaterais assinados nesta ocasião, que contribuirão para o desenvolvimento de Cuba.

Além do mais, assinalou que "esta viagem foi muito significativa para que pudéssemos aprofundar a política de solidariedade de Cuba, do Brasil e de outros países da América Latina ao Haiti".

Explicou que se leva uma proposta de Havana na área da saúde para que ambos os países ajudem os haitianos à construção de um sistema de sanidade.

Lula reconheceu que, provavelmente, os cubanos são no mundo os maiores especialistas em solidariedade, "são os mais preparados e, portanto, queremos construir juntos para devolvermos a esperança aos haitianos", asseverou.

O presidente brasileiro finalmente assegurou que o gigante sul-americano trabalha com a firme convicção de ser o primeiro aliado da nação caribenha na política de investimentos e desenvolvimento de Cuba.

Elogiou o potencial da Ilha e acrescentou que o Brasil tem hoje melhores condições que há 10 anos, pelo qual "não vamos faltar na hora de discutir os projetos mais importantes para Cuba".

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Rede Bandalha bate nos ruralistas

GilsonSampaio

Juro por essas orelhas que a terra há de comer, a rede bandalha, ainda que sem aquela carga virulenta de quando ataca o MST, bateu nos ruralistas.

Tudo por causa do álcool. Não, não sei se ele bebeu. Não é esse o assunto, o assunto é o preço do álcool. Todo ano é a mesma coisa, o preço do açúcar sobe, os ruralistas da cana – todos patriotas verde-amarelos, deixam a produção de álcool de lado. Ganham nas duas pontas, com o preço alto do açúcar no mercado internacional e, depois, pelo forçado preço alto do álcool no mercado interno. Bão, né?

Houve um momento em que pensei que Joelmir Betting iria pedir a criação da Alcoolbras quando culpou o governo de não ter estoque regulador. Acusou os ruralistas da cana de não repassarem a redução de 10% dos custos de produção ao preço final do álcool. Esperei que intimasse o governo a não prorrogar os vencimentos das dívidas dos ruralistas da cana com carência de uma geração. Aí, já era esperar demais e tratei de baixar minha expectativa. Por fim, num tom paternal, aconselhou os ruralistas da cana a baixarem a bola sob pena de verem fechados os caminhos para o mercado internacional do álcool combustível.

Não entendi nada.

Agora estou na expectativa da reação da senadora e presidenta da CNA Kátia demo feudal Abreu.

O Assassinato de Jango

Via FazendoMédia

Operação escorpião: o passo a passo da armadilha contra Jango

Por Gabriel Bernardo, 26.02.2010

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Em entrevista concedida ao Fazendo Media, o historiador Oswaldo Munteal Filho comenta sobre o lançamento do seu novo livro João Goulart: A Operação Escorpião e o Antídoto da História. O livro, que será publicado nos próximos meses, relata o passo a passo da perseguição feita ao ex-presidente da República João Belchior Marques Goulart logo após o suicídio do ex-presidente Getúlio Vargas, terminando no seu assassinato por envenenamento pela Operação Escorpião, no período do governo militar de Ernesto Geisel. Oswaldo Munteal é pesquisador da Fundação Getúlio Vargas e professor universitário da PUC, UERJ e FACHA.

Como foi sua trajetória de pesquisa até culminar no tema Jango e a Operação Escorpião?

Desde 2005 eu venho trabalhando com esta temática, no entanto, foi a partir do meu pós-doutorado que eu tive contato com a documentação dos órgãos da repressão do Serviço Nacional de Informações (SNI) e do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) que está em Brasília, sob a guarda do Instituto Presidente João Goulart.

Esta documentação foi encaminhada pela Casa Civil, através da Ministra Dilma Rousseff, à família Goulart, e no início de 2008 recebi o convite da família para organizar essa documentação. Atualmente esta documentação está sendo administrada e organizada pela família Goulart sob a minha colaboração.

Minha trajetória começou quando fui procurar documentos referentes às Reformas de Base, mas só encontrava documentos do exílio que incriminam fortemente personalidades da República como o General Ernesto Geisel, General Sylvio Frota e o ex-ministro da Justiça Armando Falcão. Esses documentos mostram que estes homens estavam vinculados a uma operação chamada Escorpião, que tinha como objetivo assassinar o Presidente da República no exílio.

Eles infiltraram o chamado “Agente B” dentro da fazenda onde morava o Presidente Goulart no Uruguai e depois na Argentina. E conclui-se que com certeza o Presidente vinha sendo diuturnamente monitorado pelos órgãos brasileiros de repressão, pela Polícia Federal e pelos demais órgãos ligados ao Executivo, desde o suicídio de Getúlio Vargas em 1954 e até a sua morte em 1976. Desde essa época havia uma preocupação com relação as suas articulações e influências políticas e seus demais contatos.

Porque Jango foi vigiado desde 1954?

Após o suicídio do Presidente Getúlio Vargas, João Goulart era visto como um grande continuador de sua obra política. Vargas deixou uma Carta Testamento assinada endereçada à João Goulart. Quando Jango chegou a Porto Alegre, abriu a carta e lá está escrito: “Jango, agora eles me pegaram. O próximo será você.” Jango foi Ministro do Trabalho do Presidente Getúlio Vargas e o homem por quem Vargas tinha grande admiração. Acreditava-se que ele seria o político das grandes reformas no Brasil, e, diga-se de passagem, talvez até à esquerda de Vargas, ainda que Jango jamais fosse comunista. Isso foi algo criado pela Ditadura Militar.

O Presidente Castelo Branco passou a imagem de Jango como subversivo e a esquerda brasileira comprou essa ideia que, posteriormente, veio a nos prejudicar sobre a análise à figura de João Goulart; prova disso é que somente agora é que estamos requisitando esta temática. O Governo Federal, em dezembro de 2008, através do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anistiou o ex-presidente João Goulart e a Dona Maria Teresa Fontela Goulart, isso parece até piada, mas não é. Mas o ato do Presidente Lula foi um gesto muito importante e histórico para o Brasil. Daqui a 20 ou 30 anos este ato será analisado como um ato histórico para Brasil. Para se ter uma ideia, Jango foi a primeiro da lista das 100 pessoas mais perigosas cassadas no Ato Institucional n°1.

Durante seus primeiros dias de trabalho há algum documento que inclinou para uma prova mais contundente sobre o assassinato de Jango?

Os primeiros 40 dias de trabalho foram de muito choque para mim, porque eu vi os documentos do SNI nos quais tinham os relatos do “Agente B” e logo depois pude ver os relatos da Polícia Federal, além dos relatos do ex-agente de segurança do serviço secreto de inteligência uruguaio, Mario Neira Barreiro. Ele escreveu um livro na prisão em 2003, sua autobiografia, utilizando-se do teclado do celular. Ele é uma fonte muito importante.

Portanto, a prova mais concreta é a soma dos documentos do “Agente B” somado à proibição feita ao Presidente João Goulart de ter um passaporte brasileiro, além dos controles que ele sofria desde 1954. E também dos documentos que eu pude registrar do Presidente Geisel, acho improvável que tenha um documento único que diga: “Mate o Presidente!”. Essa expectativa seria quase de um folhetim.

Nós da sociedade brasileira nos habituamos a uma espécie de novela. A Rede Globo de Televisão, um câncer nacional, que pretende fazer até minissérie sobre João Goulart, é uma das grandes culpadas pelo o que nós estamos vivendo, nos habituamos a uma espécie de folhetim esperando o último capitulo que nunca virá. Porque as autoridades da ditadura poderiam não ser de uma grande capacidade intelectual, mas tinham algum bom senso, a repressão também pensa. Nesta questão concluo que o nosso trabalho é de garimpagem. Este é o ofício do historiador.

O que precisa ser feito para descobrir a identidade deste “Agente B”?

Eu pude ter acesso ao arquivo da Polícia Federal de Brasília, onde realizei um breve levantamento, e é bem provável que o “Agente B” seja um funcionário público. Mas para se alcançar a identidade do “Agente B” será necessário abrir os arquivos com as fichas dos agentes da Polícia Federal, onde existe uma tabela de equivalência do que corresponde o código do agente ao nome dele

É possível que essa documentação ainda exista. Fala-se muito nos arquivos do Exército, mas do Poder Judiciário e da Polícia Federal até hoje não foram abertos. Estima-se que exista por volta de 50 mil documentos fechados, que estão sob a guarda do Itamaraty e dizem respeito à Ditadura Militar. Seria muito importante que o Chanceler Celso Amorim, um homem com uma história de lutas no Brasil, sobretudo pelas liberdades individuais, contribuísse para abertura destes arquivos que ainda não foram abertos.

Em que o depoimento do ex-agente uruguaio Neira Barreiro se encaixa com os documentos pesquisados?

O depoimento de Neira Barreiro se encaixa com os mais de 40 documentos que circulam do Itamaraty, controlando o dia-a-dia do Presidente. O pedido, na época, do Ministro da Justiça Armando Falcão, assinado por ele, solicitando que não se dê o passaporte ao Presidente Jango e que ele não se responsabiliza pela sobrevivência dele caso retornasse. Este e outros indícios me fazem crer que a liquidação de João Goulart era uma questão de tempo.

Por que era uma questão de tempo, já que ele estava exilado?

Porque o Presidente naquele momento esticou a corda, estando muito perto do território nacional. Ele podia estar na Europa, mas preferiu ficar no Cone Sul, particularmente no Uruguai ou a Argentina, próximo da fronteira com o Brasil. Existia uma perspectiva de volta do Presidente. Ele tinha aliados importantes no plano internacional, como os presidentes: Charles de Gaulle (França), Salvador Allende (Chile), Juan Velasco Alvarado (Peru), Carlos Andrés Peres (Venezuela), personalidades democráticas nos Estados Unidos e diversos movimentos sociais.

Goulart contava com uma grande rede de relacionamentos. Um exemplo disso foi a visita do Presidente da França Charles de Gaulle ao Brasil, que visitou o país na condição de não cumprimentar o Presidente da República Castelo Branco, afirmando que ele não cumprimentava um Presidente espúrio e que era solidário ao Presidente exilado.

A informação que se tem, através do ex-agente uruguaio Neira Barreiro, é de que o envenenamento do Presidente Goulart foi no Hotel Liberty em Buenos Aires. É verdade esta informação?

Sim, todos os indícios apontam para uma troca de frascos do remédio do Presidente, visando sua eliminação, pois havia no Uruguai um laboratório para preparar essas substâncias venenosas.

Como era o perfil político do Presidente João Goulart diante deste complô conspiratório?

Jango era reconhecido como um grande articulador político nacionalmente e internacionalmente, e frequentemente isso é desprezado, além da sua capacidade de ser criticado. Foi um dos presidentes mais criticados da História Republicana do Brasil. Criticado dia-a-dia. Goulart, eu ouso dizer, pecou por ser democrata demais. Ele era incapaz de responder a uma crítica de natureza pessoal que fosse do mais baixo nível possível.

Outro fator importante, o Presidente nunca tentou contra a imprensa. No período de Jango o Brasil viveu um momento amplamente democrático. Ele não era um comunista, nem um socialista, era um político de esquerda, trabalhista, que levava muito em consideração as reivindicações sindicais. Pode-se dizer que ele era um democrata radical, que pensava a partir do ponto de vista do igualitarismo jurídico, não defendendo nenhuma medida que fosse além da lei. Mas no Brasil da época cumprir a lei era algo difícil, pois a nossa elite não permitiu a reforma mínima da sociedade brasileira. Ela é muito resistente até mesmo que as pessoas comam.

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“Uma questão mais marcante do Presidente Goulart é que ele nunca abdicou das Reformas de Base. Para ele isso era uma questão inegociável”, ressaltou o historiador. Foto: arquivo Insituto Presidente João Goulart.

Outra questão marcante do Presidente Goulart é que ele nunca abdicou das Reformas de Base. Para ele isso era uma questão inegociável. É importante para o leitor compreender que na política não se entrega o essencial, e que para o Presidente Goulart eram as Reformas Base que retirariam o Brasil da situação de uma má distribuição de renda muito complexa. E aquela visão de que o Presidente Goulart era um político inerte, desinteressante e desinteressado pela política brasileira, isso está equivocado.

Trabalhos realizados em instituições universitárias de peso no Brasil, lamentavelmente trazendo à Karl Marx, irão ser entregues à critica roedora dos ratos. Somente os ratos irão fazer a crítica destes trabalhos ditos acadêmicos, e eu atribuo a estes trabalhos uma perigosa tentativa torpe de fazer do ex-presidente General Ernesto Geisel um homem da redemocratização e da abertura política ou até mesmo um General moderno. Imagina um general moderno, isso não existe.

E fica uma pergunta no ar: por que Jango deixou um rastro de ódio e destruição atrás dele após o seu exílio? A partir deste período o Brasil cai em uma espécie de caos administrativo, porque governar sobre tanques e baionetas é uma questão totalmente irregular.

Muitos alegam que o ex-presidente tinha problemas de saúde, o que ocasionou a sua morte. Essa informação não entra em confronto com a versão do assassinato por envenenamento?

Na verdade, quando o Presidente Goulart voltou da França estava com exames médicos muito bons. Nós tivemos acesso aos exames médicos do presidente. Acho que eu fui um dos poucos pesquisadores que tive acesso a esse material médico dele na França. Nesta época o Presidente praticava exercícios físicos, tinha perdido 8 kg e mantinha uma pressão arterial estável, além de ter melhorado da depressão devido ao exílio. Enfim, estava bem de saúde. Por isso, creio que é muito grave o fato de colegas meus historiadores, alguns até com certo nome, terem a petulância de atribuir, com base em nada, a morte do Presidente Goulart ao fato de comer carne gordurosa e fumar. Eu tenho muitas dúvidas se isso foi realmente determinante para o homem que não tinha nem 60 anos de idade.

Outro fato que contraria essa alegação é que não foi permitida pelas autoridades brasileiras a autópsia do corpo. Ele morreu sem que fosse feito nenhum tipo de exame. Porém, hoje já existe a perspectiva do exame DNA, através de uma exumação cadavérica que pode comprovar a morte do Presidente por envenenamento e a História do Brasil muda completamente.

E na minha opinião, mesmo que não se comprove tecnicamente o assassinato por envenenamento, eu tenho a convicção hoje que a perseguição ao Presidente Goulart, esta sim mais do que comprovada, já é um fator importante que a historiografia precisa mudar.

Você teve acesso a cartas, memorandos e outros documentos mais pessoais que mostram pressões políticas contra o Goulart. Quais as principais informações nestes documentos que apontam provas mais contundentes?

O presidente Goulart desejava voltar ao Brasil. Neste desejo de retorno, ele pretendia fazer uma frente ampla, mas os militares desejavam que ele renunciasse ao seu Programa de Reformas de Base. Cartas dele para o Brizola, Miguel Arraes, Apolônio de Carvalho, Luiz Carlos Prestes, entre outros, jamais chegaram aos seus destinatários porque foram interceptadas pelo SNI. Estas cartas mostram que o Presidente se articulava para voltar ao Brasil, mas voltar ao Brasil sem abdicar do programa das Reformas de Base. Esse é um traço importante do nosso Presidente da República.

Normalmente o Presente João Goulart é considerado na historiografia oficial como um Presidente fraco, vacilante; alguns chamam até de covarde, mas um covarde vacilante e fraco não tomaria essa posição. Eu também não tomo partido da outra posição, em afirmar que ele é heróico, corajoso e destemido. O Presidente Goulart era um político, um fino articulador. Ele sabia a hora certa de se articular. Exemplo disso foram as mais de 300 emendas enviadas ao parlamento e todas foram aprovadas, sendo que o PTB(partido do Presidente) não dava a maioria no parlamento e mesmo assim ele conseguiu que as emendas passassem.

Imagina um governo que tinha Darcy Ribeiro, Neiva Moreira, Miguel Arraes, Celso Furtado, Evandro Lins e Silva e Josué de Castro. Ele contava com articuladores políticos de primeira categoria capazes de grandes manobras intelectuais. Ocorriam debates que eram verdadeiras aulas no parlamento.

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“Existem indícios muito fortes de que o nosso congresso foi comprado pelo governo norte americano e pelos interesses da burguesia brasileira”, afirmou Munteal. Foto: Gabriel Bernardo/Fazendo Media.

Naquele parlamento da época tinha muitos senadores e deputados, tanto da UDN quanto PSD e PTB de grande erudição. O político Afonso Arinos de Melo Franco, golpista, mas de grande capacidade intelectual. Tínhamos uma bancada governista de oposição de grande envergadura, setores golpistas como no caso do Presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, que fez um o discurso de vacância ao Presidente Goulart.

Como anda a sua pesquisa atualmente? Quais as informações mais recentes?

Recentemente chegaram outros documentos inéditos entregues pelo Congresso Nacional, encaminhados ao Instituto Presidente João Goulart, sobre a CPI de 1963 – referente aos documentos do IPES e do IBAD (Instituto de Pesquisa Estudos e Sociais e Instituto Brasileiro de Ação Democrática) - que foi aberta a pedido do Presidente da República João Goulart. Estes institutos tinham a coordenação do General Golbery do Couto e Silva, estavam atrelados à figuras importantes que contribuíram para o Golpe de 1964: empresários que faziam doações a estes órgãos e tinham forte influência na mídia. Esta CPI não foi concluída por causa do Golpe Militar, arquivado pelo SNI quando o Presidente Castelo Branco tomou posse.

Como funcionou a cadeia hierárquica da Operação Escorpião através das divisões de poder da Operação Condor e da CIA, até chegar à tarefa de vigiar o Presidente João Goulart?

A Operação Escorpião funcionou como um braço brasileiro da Operação Condor, ela tinha alguns dados importantes que ainda estamos pesquisando e finalizando a pesquisa. Mas podemos afirmar preliminarmente que ela tinha dupla orientação, funcionava de maneira bifronte: primeiro a dimensão militarizada, com objetivo de eliminar fisicamente o Presidente, e do outro lado a sua dimensão civil, político e empresarial que recebia recursos dos Estados Unidos, basicamente do governo norteamericano.

Qual é a porcentagem de recursos que vinha do governo dos Estados Unidos e como vinha?

Podemos dizer que era uma média de 80%. E não é difícil afirmar isso porque a CPI do IPES e do IBAD mostra, dentre outras coisas, as contas bancárias dos parlamentares e suas contas nos bancos americanos, e a CPI solicitou o saldo e o extrato dessas contas. Depósitos colossais foram feitos nas contas destes parlamentares. Existem indícios muito fortes de que o nosso Congresso foi comprado pelo governo norteamericano e pelos interesses da burguesia brasileira.

E Como era a comunicação da Operação Condor?

Ainda é complicado ter todos os passos, porém nós temos algumas informações. Ela passava por informantes do Itamaraty, estes se comunicavam com o Ministério da Justiça, e estes aos órgãos da repressão.

Quais as empresas brasileiras que financiavam esta Operação aqui no Brasil?

Nós estamos chegando ainda ao nome de algumas empresas nacionais que participaram do indício através da formulação do IPES e do IBAD.

E empresas internacionais?

O Governo americano entrava como grande guarda-chuva, para que suas empresas entrassem sem nenhum tipo de restrição. O primeiro ato do Presidente Castelo Branco é revogar o decreto de taxação do capital, a Lei de Remessa de Lucros.

Como a instituição CIA atuou dentro da Operação Condor?

A princípio, na época, o agente da CIA Michael Townley foi importantíssimo. Um indivíduo conhecido, porque ele teria participado da liquidação física de Orlando Letelier (ex-chanceler de Allende), de Carlos Prats, do Chile (ex-comandante geral do Exército) e do Senador Miquelini do Uruguai. O agente Townley teria ajudado a montar um laboratório no Uruguai para tratar de venenos. Podemos afirmar que a instituição CIA trouxe uma profissionalização da máquina repressiva: técnica de investigação, de tortura e de repressão.

Existe uma versão de que João Goulart, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda foram eliminados pela Operação Condor. As causas de suas mortes então foram bastante diversas?

Seus motivos foram totalmente diversos. Em 1965 Juscelino apóia a ditadura. Inclusive no Filme Os anos JK, de Silvio Tendler, Renato Archer dá um depoimento dizendo que o Presidente Juscelino deu um mau passo. Ele acreditava, aparentemente, na transição que os militares fariam no poder civil. E o Carlos Lacerda sempre foi o homem de confiança dos conservadores. Por isso é muito improvável que JK e Lacerda foram assassinados. É bem diferente do caso do Jango, mas eu não me dediquei a pesquisa história destes dois casos.

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Jango antes do golpe de 64. Foto: arquivo Instituto Presidente João Goulart.

Há uma coincidência, mas os motivos eu acho que são totalmente diversos. Ambos foram cassados por motivos pontuais. Lacerda, por exemplo, foi por corrupção e JK, talvez, por uma desconfiança de que ele não fosse tão leal aos golpistas. Nem JK e nem Lacerda estavam incluídos na lista do Condor. A Operação Condor era muito determinada a uma auto posição da América Latina e o Presidente Goulart participava politicamente no exílio, como por exemplo, tentou mediar o caso da Militante do Movimento do Tupamaro, Elena Quinteros, seqüestrada na Venezuela, torturada e assassinada. Inclusive cortou-se relações diplomáticas entre os Governos do Uruguai e da Venezuela durante 20 anos por conta deste episódio.

Em 2008 a família Goulart entrou com uma ação na Procuradoria Geral da República, na qual pediu uma investigação sobre este suposto complô que teria levado o Presidente ao seu assassinato por envenenamento. Como está esta investigação atualmente?

É muito triste pois a Procuradoria geral da República não reconhece a Operação Condor historicamente. Neste caso, o que acontece é um esquecimento histórico que a alta burocracia estatal precisa estar mais bem aparelhada. Como pode não reconhecer a Operação Condor!? Por exemplo, o trabalho do Jornalista John Dinges que mostra o vôo do Condor.

Como o Ministro da Justiça Armando Falcão controlou o Presidente João Goulart no exílio?

O Ministro Falcão controlou o Presidente através do Itamaraty, que tinha o seu serviço de investigações através dos seus representantes consolais. O esquema funcionava no Itamaraty, Ministério da Justiça, o SNI e retornando novamente ao Itamaraty. Neste ciclo. Todos trabalhavam em conjunto a fim de controlar os passos do Presidente Goulart. Seria muito importante que o ex-ministro Armando Falcão tivesse se pronunciado. Acho que o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra também deveria ser analisado em profundidade pelo seu papel. Necessitaria de uma investigação profunda nos arquivos do Exército, Marinha e Aeronáutica.

Existem informações de que foram queimados documentos…..

É difícil que se tenha certeza sobre isso. É necessário investigar. O Arquivo Nacional do Brasil precisa ser mais atuante. Precisa-se fazer um trabalho de investigação rápida sobre o seu acervo da Polícia Federal para urgência que nós temos. A urgência da cidadania brasileira.

Você e sua equipe já sofreram alguma ameaça ou alguma intimidação?

Eu acho que dos fatores mais constrangedores, um deles é o silêncio. A equipe sofreu ameaças e telefonemas suspeitos aqui no Rio de Janeiro e em Brasília. Mas para mim, que tenho mais de 20 anos de profissão, não cheguei até aqui para ter medo. Isso não vai barrar o nosso trabalho. Nós vamos até o fim nesta análise, e este ano vamos publicar um livro sobre a Operação Escorpião e o Presidente Goulart com todos os detalhes passo a passo.

Qual a sua linha de pesquisa em relação ao Presidente João Goulart?

O Professor e cientista político uruguaio René Armand Dreifuss, em saudosa memória, no livro, 1964: A Conquista do Estado, dá indicadores que esta CPI do IPES e do IBAD é muito importante. Dreifuss sabia da importância desta CPI, porém ele não conseguiu ter acesso, mas nós agora estamos tendo. Ela mostra a articulação no parlamento contra o Presidente Goulart. Se nós agregarmos todos estes dados, chegaremos facilmente à conclusão que estava se preparando uma grande armadilha, uma grande articulação política. Nosso trabalho se guia por essa linha, do Direito à verdade e à Memória. Dentro desta linha é que nós estamos investigando o caso Goulart.

Como você avalia a cobertura midiática da Operação Condor?

Muito fraca. Acho que agora é que estamos começando a levar a sério este problema. Mas eu creio que o assunto está bastante distante da população, mesmo dos segmentos médios. E a imprensa trata deste problema como se fosse uma mera especulação.

Alguma consideração final?

Eu considero que a retomada do presidente Goulart é a retomada do próprio Brasil. Eu tenho participado desta “cruzada” e onde eu vou defendo a abertura dos arquivos da Ditadura. O Brasil tem direito à sua História. E não é à toa que segmentos truculentos e reacionários não querem a retomada deste processo histórico, porque isso levaria a uma revisão da nossa vida, do nosso tempo profundo.

Saúde e Choque de Gestão Tucana

Sanguessugado do Democracia & Política

DESCOBERTO OUTRO CRIME DOS GOVERNOS DOS DEMOS E TUCANOS

SP (PSDB), MG (PSDB), RS (PSDB) e DF (DEM) usam repasse do SUS para equlibrar orçamento

Manobra serviu para incrementar programas estaduais de "choques de gestão"...

Saiu na Carta Capital:

Remédios por juros

Leandro Fortes

Auditoria aponta que governos de SP, DF, MG e RS usaram recursos do SUS para fazer ajuste fiscal

"Sem alarde e com um grupo reduzido de técnicos, coube a um pequeno e organizado órgão de terceiro escalão do Ministério da Saúde, o Departamento Nacional de Auditorias do Sistema Único de Saúde (Denasus), descobrir um recorrente crime cometido contra a saúde pública no Brasil.

Em três dos mais desenvolvidos e ricos estados do País, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, todos governados pelo PSDB, e no Distrito Federal, durante a gestão do DEM, os recursos do SUS têm sido aplicados, ao longo dos últimos quatro anos, no mercado financeiro.

A manobra serviu aparentemente para incrementar programas estaduais- de choques de gestão, como manda a cartilha liberal, e políticas de déficit zero, em detrimento do atendimento a uma população estimada em 74,8 milhões de habitantes.

O Denasus listou ainda uma série de exemplos de desrespeito à Constituição Federal, a normas do Ministério da Saúde e de utilização ilegal de verbas do SUS em outras áreas de governo.

Ao todo, o prejuízo gerado aos sistemas de saúde desses estados passa de 6,5 bilhões de reais, sem falar nas consequências para seus usuários, justamente os brasileiros mais pobres.

As auditorias, realizadas nos 26 estados e no DF, foram iniciadas no fim de março de 2009 e entregues ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão, em 10 de janeiro deste ano. Ao todo, cinco equipes do Denasus percorreram o País para cruzar dados contábeis e fiscais com indicadores de saúde. A intenção era saber quanto cada estado recebeu do SUS e, principalmente, o que fez com os recursos federais. Na maioria das unidades visitadas, foi constatado o não cumprimento da Emenda Constitucional nº 29, de 2000, que obriga a aplicação em saúde de 12% da receita líquida de todos os impostos estaduais. Essa legislação ainda precisa ser regulamentada."

Piratas do Tietê

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Ato contra a conspiração do Instituto Millenium

Blog do Miro
Protesto contra a direita midiática


Na próxima segunda-feira (01/03), às 10h30, em frente ao Hotel Golden Tulip (Alameda Santos, 85, na capital paulista), movimentos sociais e entidades que lutam pela democratização da comunicação realizarão um ato, irreverente e pacífico, contra a direita midiática. Na ocasião, os barões da mídia e seus colunistas de aluguel estarão conspirando no luxuoso hotel num evento cinicamente intitulado “Fórum democracia e liberdade de expressão”. O preço do convescote é de R$ 500 por participante.


Conspiração do Instituto Millenium


O evento é organizado pelo Instituto Millenium, entidade que reúne banqueiros, industriais e donos de emissoras de televisão, jornais e revistas – como João Roberto Marinho (Globo), Roberto Civita (Abril) e Otávio Frias Filho (Folha). Ele terá como debatedores notórios direitistas, como Marcel Granier, golpista da RCTV da Venezuela, Denis Rosenfield, Demétrio Magnoli, Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Alberto Di Franco, o líder da seita Opus Dei, além de várias “estrelas” da TV Globo.
O objetivo deste fórum é unificar a pauta da imprensa golpista para a batalha sucessória de 2010 e se opor às resoluções democráticas da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada em dezembro passado – apesar da sabotagem dos barões da mídia. Os expoentes da direita midiática também atacarão o Plano Nacional de Direitos Humanos e o programa recém-aprovado da pré-candidata Dilma Rousseff, que defende medidas para a democratização dos meios de comunicação.


Ato irreverente e pacífico


Como contraponto a esta farsa, os movimentos sociais farão um irreverente protesto, batizado de “Fórum de rua pela democracia, liberdade de expressão e contra a criminalização dos movimentos sociais”. Como diz sua convocatória, “quem acha que a mídia é uma palhaçada, venha a caráter”. A idéia é montar um circo, reunir palhaços e fanfarra e abrir espaço para os que não têm voz e vez na mídia nacional, altamente concentrada e manipulada ditatorialmente por nove famílias oligárquicas.
Os manifestantes distribuirão panfletos demonstrando que a mídia hegemônica não tem moral para falar em democracia, já que apoiou o golpe e a ditadura militar e continua golpista, tentando desestabilizar governos legitimamente eleitos. Também exigirão a verdadeira liberdade de expressão, com o fim da criminalização das lutas sociais e da estigmatização de mulheres, negros e de outros setores da sociedade. Denunciarão que a “liberdade de imprensa” pregada pelos barões da mídia é, na verdade, a “liberdade das empresas”, que manipulam informações e deformam comportamentos.

O manu véi, num pode executar civis

Todas as vidas valem o mesmo. Ou não?

Tijolaço - O blog do Brizola Neto

Não se pode contestar que é muito preocupante a notícia da morte de Orlando Zapata, em Cuba, um condenado que cumpria pena em uma prisão naquele país. O fato deve ser investigado e verificado se o governo cubano de tudo fez para evitar esse desfecho , depois de quase três meses de greve de fome. O caso merece repercussão internacional e a diplomacia brasileira, pelos canais adequados, deve manifestar a Havana sua preocupação e o interesse brasileiro no esclarecimento do caso e nas condições dos presídios e presos cubanos, que a Anistia Internacional estima serem 55 pessoas.

Agora, pretender que o Presidente Lula faça isso, pessoal, direta e publicamente ao outro chefe de Estado e lá no seu país, convenhamos, é pura exploração política.

Isso é simples de demonstrar, não com uma, mas com dez mortes. E não por greve de fome, mas por assassinato a sangue frio, confirmado ontem.

Imagine que Lula desembarque hoje em Washington e conceda uma entrevista coletiva ao lado do presidente Barack Obama. Aí ele questiona o presidente americano sobre a morte de dez crianças e jovens, de 12 a 18 anos, numa aldeia no interior do Afeganistão. Eles foram arrancados de suas casas, dormindo, e executados. A Otan admitiu ontem o “erro”, mas não esclareceu se a execução foi feita pelos soldados americanos ou por afegãos sob seu comando.

Você não soube disso?

Pois é, a imprensa brasileira não divulgou, praticamente. Aliás, a imprensa mundial também não. Tem muito espaço para o atentado feito por um homem-bomba hoje cedo em Kabul, e quase nada para esta barbaridade. Você só vai ler no The Times, de Londres, de onde tirei a foto aí de cima.

Os jornais que exploram o fato de Lula não ter questionado publicamente o governo cubano, o que diriam se ele falasse sobre isso isso em plena Casa Branca ao presidente americano?

O melhor jornal do mundo da semana corrente

GilsonSampaio

Pela quantidade de citações feitas pela mídia venal, o jornal fascista El País é o melhor jornal do mundo da semana corrente. Como o papel de peixe espanhol já se declarou engajado na campanha de Zé Aluvião, deve manter este posto por um longo tempo.

O impasse em Cuba e a arrogância de Madri

Mauro Santayana

Em ‘Iogue e o Comissário’, Arthur Koestler discute o problema da desigualdade entre os homens e as teorias para combatê-la. O iogue – ideia que resume o humanismo de fundo ético – busca ajustar o coração do homem, lavá-lo das crostas do egoísmo, torná-lo limpo como o dos santos, para que o mundo volte a ser o paraíso. Os comissários, agentes políticos da esquerda, pensam de forma contrária: só com a mudança total da sociedade, mediante a ditadura dos oprimidos, os homens aprenderão a ser solidários.
As ideias revolucionárias de liberdade, igualdade e fraternidade surgem sempre com o iogue. Foram ideias rousseaunianas que derrubaram a Bastilha, depois de armar a guilhotina, que decapitou o rei e a rainha. A mesma lâmina cortou depois os pescoços dos iogues e comissários de 1792 e 1793, Danton, Robespierre, Saint-Just. Seja como for, há um terceiro caminho, mais seguro, para melhorar a sociedade e o homem: o paciente exercício da política.
A Ilha é um dos casos mais dramáticos de luta histórica pela autonomia política. Os espanhóis a mantiveram sob mão de ferro até que, vencidos pelos norte-americanos, entregaram-na ao destino de canavial e lupanar dos novos senhores, sob tiranetes que Washington sustentava e destituía, conforme interesses ocasionais. A Revolução de 1959, embora seu matiz esquerdista, não propunha aventuras radicais, mesmo contando com o iogue e comissário unidos na personalidade de Guevara. Seu objetivo inicial foi o saneamento imediato da ilha, com o julgamento implacável dos rufiões e criminosos do governo de Fulgencio Batista, e a independência econômica e política do país – submetido à tutela de Washington, desde a ocupação militar em 1898, e a Emenda Platt, de 1901. Quando Castro anunciou a nacionalização do refino do petróleo, a reação dos Estados Unidos não lhe deixou outro caminho que não o de buscar a ajuda soviética. O bloqueio posterior agravou a situação.
Por mais defendamos os êxitos sociais de Cuba e o seu direito à autodeterminação, o sistema envelheceu, e cresce a insatisfação interna. Nem por isso devemos aplaudir a histeria norte-americana e europeia diante da morte do opositor Zapata, que estava em greve de fome. O governo cubano, preocupado em deter a oposição, incentivada desde Miami, manteve-se duro e surdo, diante de uma morte praticamente anunciada. O governo de Havana poderia ter libertado o prisioneiro e, mesmo como medida arbitrária, negociado o seu exílio. Enfrentaria, é certo, o show da imprensa internacional no endeusamento do herói da resistência, o que seria muito mais cômodo do que enfrentar a santificação do mártir.
Os espanhóis se esmeram na hipocrisia. Eles extinguiram os índios caribenhos e, em 1512, queimaram vivo o cacique taino Hatuey, que defendia a liberdade de seus povos. Mantiveram a colônia sob o jugo de seus señoritos durante 400 anos, com o terror e a ignorância. E tivemos em pleno século 20 os anos de franquismo, com a repressão contra os trabalhadores e intelectuais, o “garrote vil” e o fuzilamento sumário, não só durante o confronto de 1936-39 mas até os momentos finais do regime, em 1974 e 1975. Se há um povo, como povo, vítima preferencial do franquismo e da teimosia remanescente de Madri, é o basco – que já vivia nos Pireneus antes que os romanos e celtas chegassem. O que os franquistas fizeram, ao pedir aos alemães que bombardeassem sua cidade sagrada de Guernica, é um dos mais bárbaros crimes contra a Humanidade. Os bascos continuam lutando pela sua independência, sem que os espanhóis se disponham a negociar solução histórica para o problema.
O regime cubano se renova, na aceitação da atividade política republicana, ou corre o risco de fim melancólico. Mas as suas dificuldades não autorizam aos dirigentes espanhóis e americanos o tom arrogante e imperial em exigir de Havana a liberdade dos presos políticos. Antes disso, que soltem os seus, os muçulmanos que se encontram em Guantánamo, território cubano, e os bascos das prisões espanholas.
Como algozes históricos de Cuba, não têm autoridade moral para exprobrar o seu governo.

A canalha bancária


GilsonSampaio

Já faz um bom tempo, estimaram que a grana que circulava no mundo daria para comprar 40 planetas Terra.

Via Vermelho

Dívidas dos EUA, endividamento da União Européia

Imprensa européia silencia e só se ocupa dos 50 bilhões da Grécia. Nesta época, o cidadão não informado ouve, incessantemente, sobre as dívidas e os empréstimos da Grécia e fica impressionado e até assustado. Assustado, por exemplo, quando ouve que a dívida pública e privada da Grécia contraída em bancos estrangeiros atinge o total de US$ 300 bilhões.


Por Petros Panayotídis, no Monitor Mercantil

Seu coração palpita mais forte ainda, quando fica sabendo que a Grécia contrairá neste ano cerca de 50 bilhões de euros, cuja parcela maior contrairá com capitalistas estrangeiros. Não tendo fator de comparação com as dívidas e/ou os empréstimos que contrairão neste ano outros países, o mundo inteiro entra em pânico e pensa que a Grécia já faliu.
Contudo, alguém com o sangue-frio fica em pânico quando toma conhecimento quanto, por exemplo, devem os EUA a emprestadores estrangeiros ou quanto pretendem se endividar com a União Européia vários outros países-membros de nomes sonoros, cujos "empoados" líderes e outros burocratas de somenos importância que apontam e balançam o dedo indicador ameaçando e humilhando a Grécia.
Quem é quem
Começando pelos EUA, a superpotência do capitalismo mundial, anotem, registra uma dívida pública (atenção, sem a dívida privada, que também é gigantesca) da inacreditável altura de mais de US$ 3 trilhões.
Em dezembro do ano passado, o erário norte-americano devia somente ao Japão US$ 768,8 bilhões, e outros US$ 755,4 bilhões à China (a apuração dos totais baseou-se em dados da Secretaria de Tesouro dos EUA).
Se, aliás, alguém somar os US$ 152,9 bilhões que o Governo de Washington deve à província de administração especial de Hong Kong, os EUA devem à China quase US$ 1 trilhão! Assim, se o Governo de Beijing ou o de Tóquio resolvessem liquidar os bônus estatais norte-americanos que possuem em custódia em seus respectivos bancos centrais, os EUA e o dólar iriam à falência em uma noite.
Mais de US$ 300 bilhões devem os EUA à Grã-Bretanha, quase US$ 200 bilhões devem aos Emirados do Golfo Pérsico e outros US$ 160 bilhões ao emergente Brasil. Ao contrário, a Alemanha emprestou ao erário norte-americano apenas US$ 53 bilhões, ou apenas 1/4 do total que emprestou à pequena Irlanda.
Os EUA acusam os gregos de que vivem acima de suas possibilidades, com empréstimos da União Européia. Mas por que não dizem que seus cidadãos vivem com empréstimos tomados de, pelo menos, 1 bilhão de miseráveis cidadãos chineses, cuja renda é menos de 1 dólar por dia? E por que não dizem que vivem com os empréstimos tomados dos japoneses, porque os venceram na guerra há 65 anos?
Mas, deixando de lado os EUA e os norte-americanos, voltemos à Europa. Contrairá, então, a Grécia neste anos empréstimo superior a 50 bilhões de euros. É mau, péssimo. Mas por que ninguém comenta nada sobre, por exemplo, a Bélgica, país cuja população é ligeiramente menor do que a da Grécia e que contrairá este ano um empréstimo de 100 bilhões de euros?
Também, ninguém comenta nada acerca do empréstimo que contrairá neste ano a pequena Holanda, também superior a 100 bilhões de euros. Anotem que o endividamento não é, de forma alguma, fenômeno que será observado neste ano somente em pequenos países. Senão, vejam:
Alemanha na lista
A Alemanha é obviamente uma economia cujo Produto Interno Bruto (PIB) é nove vezes superior do grego. Sim, contudo, os cerca de 370 bilhões de euros que tomarão emprestados os sisudos e severos alemães não é nada um volume insignificante. A poderosa Alemanha contrairá empréstimo sete vezes superior ao da em "estado de falência" pequena Grécia.
A lista dos "poderosos" e outros nem tanto prossegue. A França contrairá empréstimo superior a 450 bilhões de euros. Também a Itália tomará emprestados outros 400 bilhões de euros.
Mas, o que está acontecendo? Será que a França e a Itália estão em "estado de falência", considerando que contraem empréstimos analogicamente iguais aos da Grécia para corresponder às suas obrigações? Estão falindo e escondem isso de nós? Ou talvez seja um "conto do vigário" que atende a objetivos políticos e especulativos a suposta "derrocada" da Grécia? Ao que tudo indica, está ocorrendo o segundo.
Os quatro, supostamente, "grandes" da União Européia contrairão neste ano empréstimos totalizando 1,5 trilhão de euros. E ninguém comenta nada! Novos empréstimos de 450 bilhões de euros contrairá a França, outros 400 bilhões de euros tomará a Itália, mas ninguém comenta nada.
Em torno de 280 bilhões tomará a Grã-Bretanha, enquanto a sisuda e severa Alemanha necessitará de cerca de 370 bilhões de euros. Além dos 240 bilhões de euros de que precisa a Espanha e 100 bilhões de que precisam, cada, a Bélgica e a Holanda. E ninguém comenta nada!
Todos estes números são dados oficiais da União Européia. Mas, curiosamente, a imprensa européia e internacional os ignora sistematicamente e, só se ocupa dos 50 bilhões que precisará tomar emprestados a Grécia.

O Correspondente - V

DoLaDoDeLá – Marco Aurélio Mello

Foi como se o jantar tivesse durado apenas um minuto. Beberam muitos saquês gelados, comeram sushis e sashimis dos mais diversos tipos, conversaram e se divertiram bastante. A despedida foi atabalhoada, na rua. Ele caminharia apenas algumas quadras, enquanto ela partiria de taxi.
- Pela orla, senhora?
- Sim.
- A noite está muito agradável, não acha?
- Sem dúvida. Acho até que o senhor poderia me deixar logo adiante, no Arpoador. Vou caminhar um pouco pelo calçadão.
- Ok.
Uma brisa fresca soprava em seu rosto, enquanto divagava. O início da profissão. O esforço de todos para fazer girar aquela engrenagem desafiadora e desconhecida. O velho jornalista que, por muitos anos, foi seu amante e confidente. No fundo, no fundo, a mulher traída sempre soubera da trapaça do esposo e por alguma razão aceitava calada aquela situação. Ousaria apostar que ela até gostava que fosse assim. Tinha tempo de sobra para seus outros interesses, como: a família, os empregados e a culinária, com a qual conquistou prestígio de banqueteira em 'petit comités'. Nos momentos a sós os traidores nunca ousaram falar sobre a outra. Um pacto silencioso e sinistro. Mas sobre a farsa em si ela não tinha dúvidas de que não passava de um arranjo imoral, mas harmonioso. Foi quando se lembrou da morte repentina do parceiro, depois de um enfarte, o que trouxe à mente, de súbido, os acordes de Años De Soledad, de Astor Piazzolla, o que a atormentou. Quanta dúvida, quanta confusão. O que fazer com aquele menino, pensou... Foi quando encontrou um casal de amigos, daqueles que ficamos anos sem ver, mas com os quais temos uma amizade profunda e sincera, como se tocássemos a eternidade.
- O quê? Você caminhando na praia?
- É Maria de Lourdes, pensa que só você tem esse direito?
E ambas caíram na gargalhada e se abraçaram como nos velhos tempos. O marido, também amigo de longa data, não parecia tão interessado no encontro (eles sempre agem assim, talvez por uma questão de gênero). Ele estava distraído com uma luva de saco plástico numa das mãos aguardando pacientemente o cãozinho, que procurava um lugar onde depositar seus dejetos. Foi um encontro rápido, desses típicos de cariocas à beira mar. Entre elogios e afagos, a promessa de se reencontrarem mais vezes, quem sabe um jantar. Na despedida, o homem deixou seu mundo, abraçou-a docemente e disse:
- Que bom te ver assim tão alegre e bonita.
- Obrigada. É muita gentileza sua, Juarez.
Bonita. O adjetivo ficou martelando em sua cabeça. Como assim, bonita? Se há uma coisa que nunca fui foi ser bonita, pensou. Ele só podia estar de sacanagem. Sorriu e seguiu caminhando. Pouco adiante parou outro táxi e seguiu para casa.
(continua)

EU e o trololó contra a pirataria

Sanguessugado do Blog do Sakamoto

Os Estados Unidos e o blá-blá-blá contra a pirataria

Eric Holder, secretário de Justiça dos Estados Unidos, conclamou ao Brasil que aumente os esforços no combate à pirataria de softwares, vídeos, músicas, produtos eletrônicos. Ontem, em evento no Rio de Janeiro, disse que o “roubo de propriedade intelectual” é uma ameaça à segurança nacional de seu país.

De tanto ouvir e ver propagandas em rádios, TVs e cinemas que fazem o consumidor sentir-se um pedaço de lixo, financiador do tráfico de drogas, responsável pelo desemprego e pela fome no mundo, por não se atentar à origem dos CDs e DVDs que compra, creio que se faz necessária uma pergunta: empresas de software, gravadoras e a indústria do entretenimento em geral, muitas delas com sede nos Estados Unidos, aplicam o mesmo terror para as suas relações comerciais?

Inexiste, por parte de muitas delas, uma política para evitar a compra de equipamentos eletrônicos (utilizados na criação de programas, gravação de músicas, filmagens de películas) que contêm crimes contra a humanidade e o meio ambiente em seu processo de fabricação. As únicas restrições que impõem são: que o produto tenha preço baixo e a qualidade técnica desejada. Enquanto isso, a indústria de aparelhos eletrônicos consome proporções cada vez maiores de minérios preciosos e raros encravados pelo mundo. Muitos desses metais são extraídos em minas de países pobres nas quais trabalhadores, crianças e adultos, enfrentam condições aterradoras. Ou comunidades são removidas para dar mais espaço para a mineração. Fora a contaminação da água e a poluição do solo.

Alguns vão dizer que é ilegal baixar músicas e copiar DVDs, mas comprar de quem escraviza e desmata para a produção de matéria-prima não. A resposta sobre o porquê de o mundo ser assim reside no fato de que, historicamente, as leis criadas para proteger a propriedade e o lucro são mais severas e efetivas do que as que foram implantadas para defender a vida e a dignidade. Por isso, não me surpreende que, durante a visita ao Rio, a redução de danos sobre impactos causados pelo consumo norte-americano ao redor do planeta não tenha sido uma das pautas.

Se o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e parte da poderosa indústria da informação e do entretenimento não podem comprovar para o consumidor comum de que o seu processo de produção é social e ambientalmente responsável, como é que eles vão exigir responsabilidade de nós?

A provocação não é uma apologia à pirataria, mas sim um saudável chamado à reciprocidade e à responsabilidade.

Foia de rabo preso com a Eletronet

Sanguessugado do Terror do Nordeste

Eletronet: : o lobby foi da própria Folha, não de José Dirceu

Fecha-se o circuito de um dos grandes lobbies montados recentemente pela mídia.
Por Luis Nassif, em seu blog

Acompanhe:
1. A Folha, através do repórter Marcos Aith, traz a manchete bombástica de que um cliente de José Dirceu, Nelson dos Santos – sócio da massa falida da Eletronet – iria receber R$ 200 milhões do governo, caso saísse o Plano Nacional de Banda Larga, em cima da rede de fibras óticas da empresa – que o governo já tinha pegado de volta, sem nada pagar. Atribuiu a operação – que, segundo Aith, beneficiaria Nelson – ao lobby de José Dirceu.


2. No mesmo dia, aqui, se desmontou essa tese. Mostrou-se que, na verdade, governo e Nelson estavam em lados opostos. O governo retirando a rede da Eletronet, sem nada pagar; e Nelson querendo manter o controle da empresa.


3. A matéria era maliciosa e relacionava a caução que o governo teve que depositar no processo movido pelos credores (para poder ficar com a rede de fibras óticas) com os supostos benefícios ao Nelson. Ora, a ação era de credores querendo receber pelo que entregaram, não dos ex-acionistas. De que modo Nelson ganharia R$ 200 milhões? A matéria não explicava. E foi duramente cobrado do Aith, aqui, que mostrasse de que forma se daria o pagamento.


4. No dia seguinte, mudou totalmente o enfoque da matéria – mas sempre colocando a União como cúmplice do Nelson. Agora – na matéria do Aith – a Oi estava querendo adquirir as dívidas dos credores para poder assumir a rede da Eletronet. Do que se aproveitou Aith/Folha para relembrar o caso BrOi, Gamecorp, a assessoria do José Dirceu etc. A matéria foi abatida em pleno vôo por outra – esta, séria – do Estadão, informando que Nelson ganharia R$ 70 milhões, mas só na hipótese da Oi entrar. E a Oi não entrou justamente porque foi barrada pela Eletrobras, em função do PNBL. Ou seja, quem gorou a aventura do Nelson (que assumiu 51% da Eletronet por R$ 1,00) foi o PNBL – o oposto do que Aith/Folha falava. Nelson só ganharia se o plano gorasse.


5. Durante dois dias seguidos, Aith/Folha ficaram com a broxa na mão. Afinal, iriam deixar passar batido a barriga ou abririam as cartas sobre as fontes da informação.
Sem alternativa, na matéria de hoje Aith abre as cartas: a fonte da tal matéria era o próprio Nelson dos Santos.
O empresário diz que a autofalência da Eletronet não é culpa dos sócios privados. “O pedido de autofalência foi feito pela Lightpar [que representa o governo na empresa] e não pela AES [sócia majoritária na época]“, disse Santos à Folha antes da publicação da reportagem.
Aí, o leitor mais desavisado perguntaria: mas a troco de quê o próprio Nelson faria uma denúncia sobre uma operação (o PNBL) que, segundo a própria matéria, o beneficiaria? Mania de suicídio?
Qualquer repórter iniciante, mais que isso, qualquer pessoa medianamente inteligente e intelectualmente honesta se perguntaria por que uma fonte estaria lhe passando informações denunciando uma operação da qual supostamente ela seria beneficiária. Aith não é ingênuo, não é novato e não é despreparado. Mesmo assim, não perguntou.


Não há hipótese de Aith/Folha não saberem que as informações vindas de Nelson dos Santos se destinavam a melar o PNBL. E, sendo assim, seria impossível que o PNBL beneficiasse Nelson e a Eletronet. Então por que insistiram nesse falso escândalo? Aliás, pela própria declaração de Nelson – só agora revelada por Aith – se constata que o repórter já sabia das pendências entre governo e Eletronet antes de saírem as denúncias. Estava informado sobre o imbróglio jurídico e sobre a maneira como a lógica do PNBL contrariava os interesses de Nelson. E reportou justamente o contrário, fazendo o jogo da fonte.


A lógica final é simples.
1. Nelson só receberia R$ 70 milhões se não saísse o PNBL e ele pudesse negociar a Eletronet com as teles. Nesse caso, a candidata pagaria os credores (no lugar do governo pagar), a empresa sairia da falência e ele receberia R$ 70 milhões pela venda.


2. A única arma que ele tinha eram os recibos de pagamentos ao José Dirceu. A maneira que encontrou para torpedear o PNBL foi pegar os recibos do que pagou a José Dirceu, chamar o notório Aith e combinar uma matéria que diria que o pagamento foi para viabilizar o PNBL e beneficiar a ele, Nelson. Com essa jogada primária, pretendia inviablizar o PNBL e depois sair com a história de que o setor privado resolveu o problema, pagando as dívidas da Eletronet em lugar de gastar dinheiro público. E, aí, embolsaria algo entre R$ 70 milhões e R$ 200 milhões, pagos pela compradora.
A última matéria de Aith, em que a trama é deslindada, porque obrigado a abrir a fonte, é um fecho clássico para uma das grandes manobras de lobby contemporâneo.
Segundo a última matéria de Aith, o lançamento do PNBL inviabiliza a Eletronet. Mas poderá beneficiá-la, «caso o governo mude de ideia». Ora, quem pretendia fazer o governo “mudar de ideia”? O escândalo bancado pela Folha.
Agora, o governo sinaliza que não precisará mais da Eletronet, já que as fibras foram transferidas. Mas, segundo os advogados envolvidos no processo, no estatuto da Eletronet está definido que ela será a única gestora da rede por mais 11 anos. Caso o governo mude de ideia, os sócios privados terão de ser indenizados, incluindo Nelson dos Santos.
Mudar de ideia, significa manter a Eletronet como espinha dorsal – algo que o Nelson quer e o governo não quer:
Outro cenário é o de que a controvérsia pela posse das fibras seja resolvida e o governo mantenha a Eletronet como “espinha dorsal” do PNBL.
Nesse caso, a Eletronet, saneada, aumentaria sua receita e faria crescer a participação de Santos. Hoje ela não tem valor, mas, diz Santos, pode passar de R$ 200 milhões caso seja reativada com a Telebrás.
Ou seja, Nelson ganharia de R$ 70 milhões a R$ 200 milhões se o lobby da Folha fosse bem sucedido, as informações distorcidas melassem o PNBL e a Eletronet pudesse ou ser negociada com o setor privada ou ser aproveitada para o plano – a empresa inteira (como pretende o Nelson) e não apenas a rede de fibras óticas (como planeja o PNBL).
Há um agravante. Antes de sair essa matéria, o jornal soltou outro factóide contra a Telebras, acusando um twitteiro de ter vazado a informação – que já era de amplo conhecimento geral – de que o governo iria ressuscitar a Telebrás. É evidente que foi um preparativo para o lobby final de melar o modelo Telebrás, abrindo espaço para a manutenção da Eletronet.
E por que, afinal, Aith/Folha teriam bombardeado a Oi, se ela poderia ser uma futura compradora? Porque, segundo a matéria do Estadão, a venda para a Oi renderia R$ 70 milhões a Nelson. Mas havia outro comprador disposto a pagar os R$ 200 milhões. Aliás, finalmente se descobre de onde sairiam os R$ 200 milhões para o Nelson. Sairiam se o lobby tivesse dado certo e a Eletronet fosse reativada com a Telebras – o que só ocorreria se o PNBL fosse para o espaço.
Hoje ela não tem valor, mas, diz Santos, pode passar de R$ 200 milhões caso seja reativada com a Telebrás.
Em jogo, portanto, de R$ 70 a R$ 200 milhões.
Aliás, não há mais o menor motivo para que Dirceu não revele os termos do contrato firmado com Nelson. Alegou sigilo contratual. Agora, está provado que quem vazou as notas de pagamento a Dirceu foi o próprio Nelson. Então, o acordo de confidencialidade foi quebrado unilateralmente.
É um bom momento para Dirceu colocar a história das suas assessorias em prato limpo.


Da Folha
Cliente de Dirceu contradiz versão do governo
MARCIO AITH
JULIO WIZIACK
DA REPORTAGEM LOCAL
Ao contrário do que afirma o governo, o empresário Nelson dos Santos, sócio de 25% da Eletronet, diz ter direito a receber um valor que pode passar de R$ 200 milhões independentemente de a companhia ser ou não incorporada à Telebrás, estatal de telecomunicações que deverá ser reativada com o PNBL (Plano Nacional de Banda Larga).
A Eletronet é uma empresa em processo de falência que a União planeja recuperar para usar seu principal ativo -uma rede de 16 mil quilômetros de fibras ópticas- na oferta de internet a 68% dos domicílios até 2014.
Como revelou a Folha na terça-feira, o ex-ministro José Dirceu recebeu ao menos R$ 620 mil para dar consultoria a Santos. Dirceu nega que tenha sido sobre banda larga.
O governo, por meio da AGU (Advocacia-Geral da União), disse que, independentemente de a Eletronet ser usada como “espinha dorsal” do PNBL, os únicos beneficiados serão os credores. Nenhum outro grupo empresarial privado ou sócios seriam favorecidos, diz a AGU.
Não é o que acredita Santos. O empresário diz que a autofalência da Eletronet não é culpa dos sócios privados. “O pedido de autofalência foi feito pela Lightpar [que representa o governo na empresa] e não pela AES [sócia majoritária na época]“, disse Santos à Folha antes da publicação da reportagem. Procurado ontem, Santos não quis se pronunciar.
“A utilização da rede compartilhada entre o governo e as empresas privadas foi o objetivo inicial quando da privatização [da Eletronet] e só foi interrompida devido ao pedido de autofalência pela Lightpar”, disse Santos. “A rede, mesmo após a falência, nunca deixou de funcionar, em regime de continuidade de negócios, tendo sido permanente a manutenção da estrutura física.”
Por isso, ainda segundo ele, quem deveria negociar com os credores são as empresas estatais que inviabilizaram o funcionamento da Eletronet.
O governo depositou em caução R$ 270 milhões em garantia pelas fibras. Por isso, a Justiça concedeu a transferência por meio de uma liminar. Em janeiro, os credores entraram com uma petição para cassar a liminar, alegando não terem recebido o pagamento. Sem resolver essa disputa, o governo não poderia lançar o PNBL.
Agora, o governo sinaliza que não precisará mais da Eletronet, já que as fibras foram transferidas. Mas, segundo os advogados envolvidos no processo, no estatuto da Eletronet está definido que ela será a única gestora da rede por mais 11 anos. Caso o governo mude de ideia, os sócios privados terão de ser indenizados, incluindo Nelson dos Santos.
O empresário, que contratou Dirceu como consultor entre 2007 e 2009, reforça que o governo tem sócios privados e que, mesmo em posse das fibras, não pode tratar a companhia como estatal. “Se o governo queria transformar a Eletronet numa estatal, teria comprado a parte da AES quando ela decidiu sair da sociedade. A aquisição foi feita pelo valor referencial de R$ 1, registrando que essa participação da AES foi oferecida à própria Lightpar,” disse.
Outro cenário é o de que a controvérsia pela posse das fibras seja resolvida e o governo mantenha a Eletronet como “espinha dorsal” do PNBL.
Nesse caso, a Eletronet, saneada, aumentaria sua receita e faria crescer a participação de Santos. Hoje ela não tem valor, mas, diz Santos, pode passar de R$ 200 milhões caso seja reativada com a Telebrás.

Lambido do Potal Vermelho