sábado, 28 de agosto de 2010

SILICONE - “A CULPA É DE CHÁVEZ” – TERROR EM HONDURAS

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Laerte Braga

Um candidato do Partido Primeira Justiça, Venezuela, de oposição ao governo do presidente Hugo Chávez, faz campanha prometendo cirurgias plásticas para implante de silicone ao eleitoral feminino. Gustavo Rojas disse estar preocupado com o fato de miss Venezuela não ter ganho o concurso miss Universo de 2010, depois de duas vitórias consecutivas, em 2008 e 2009.

Segundo disse a Agência Reuters a procura por cirurgias plásticas e implante de silicone é grande. O candidato está preocupado com a derrota no concurso miss Universo deste ano, segundo ele, “símbolo da decadência da Venezuela sob o regime de Chávez”. Deve imaginar filial FIESP/DASLU por lá.

É a proposta mais sedutora da oposição ao governo bolivariano do presidente Chávez. É a síntese do pensamento de elites políticas e econômicas varridas do poder após destroçarem o país, como fazem em qualquer parte do mundo.

Guarda semelhança com a obsessão do candidato de extrema-direita no Brasil, José Arruda Serra, que fala de saúde como se esse direito do cidadão fosse um grande mutirão de cirurgias e uma seqüência de seqüelas e velórios no delírio tucano/DEM, tudo privatizado e terceirizado no melhor estilo neoliberal.

O senador John McCain, do Partido Republicano e que coordena a central de golpes de estado para a América Latina deve estar cogitando de ações mais drásticas, tipo enviar Silvester Stallone e Robin Willians para resgatar a “democracia cristã e ocidental”.

Não usam balas de silicone, mas urânio empobrecido. E bases na Colômbia.

O ditador hondurenho Pepe Lobo desfechou nesta semana que termina uma onda de brutais ataques contra forças da resistência popular e como tem acontecido em quase todos os países latino-americanos, cooptou boa parte do movimento sindical (corporações pelegas), centrais inclusive, para acordos com o regime de repressão e barbárie instalado naquele país desde a derrubada do presidente constitucional Manuel Zelaya.

Jornalistas são assassinados em seus locais de trabalho, camponeses têm suas casas destruídas, massacres no interior do país e corpos despejados em valas comuns, tudo isso com assessoria do general norte-americano comandante da base militar de Tegucigalpa, a maior de todas as bases da corporação EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A para a América Latina.

Escola de golpes.

Não sei se tem estoque de silicone. Mas numa só empreitada contra camponeses que protestavam contra a ditadura e o regime escravo imposto pelo latifúndio, mais de 30 mortos e cem bombas de natureza diversas, digamos assim.

As forças populares hondurenhas vivem o dilema da divisão das chamadas esquerdas. O movimento sindical, se é que pode ser chamado de esquerda, faz a oposição comportada e acordada com a ditadura, enfraquece a resistência nas cidades e permite, pois fecha os olhos ao negociar com o ditador Pepe Lobo, a estupidez de militares (redundância lógico, estupidez de militares) e policiais (idem) contra trabalhadores do campo.

Honduras vive da exportação de produtos primários, o latifúndio é a grande força da economia voltada para as elites e os norte-americanos controlam cada banana que é colhida num cipoal de bananeiras e coisas que tais.

A mídia privada em toda a América Latina esconde essa violência organizada e diária e chama Lobo de presidente eleito e Chávez de “ditador”.

Haja silicone.

Na cabeça de um político corrupto e cínico como Gustavo Rojas o silicone “está no imaginário de nossas mulheres”, ou seja, mulher para ele é objeto. Reflete o pensamento das grandes empresas, do latifúndio, dos banqueiros e dane-se o resto.

Não é diferente de José Arruda Serra ou qualquer outro Álvaro Uribe da vida.

No fim a culpa é de Hugo Chávez. Ou do Irã.

O canal NATIONAL GEOGRAFIC apresentou um programa especial vinculando as FARCs ao tráfico de drogas e insinuando que Venezuela e Bolívia seriam responsáveis pelo grande volume de drogas que entra nos EUA todo ano. Os documentos secretos das guerras do Afeganistão e do Iraque, revelados por um site na Austrália, mais de 90 mil documentos, mostram que as empresas contratadas para substituir o exército regular, agora é privatizado, além das tarefas guerreiras, cuidam do tráfico de drogas e mulheres e agora até de petróleo.

As ações contra governos populares na América Latina e a criminalização de movimentos sociais ocorrem em todos os setores possíveis e a comunicação talvez seja o mais importante deles.

Desde o silicone às montagens feitas pelo NATIONAL GEOGRAFIC, nos milagres da tecnologia contemporânea, boa parte dela receita de terrorismo de estado para sufocar reações à barbárie capitalista.

Ou como disse alguém, para uma “alta autoridade não importa quantos inocentes morram desde que os objetivos sejam alcançados”. A última foi a ex-secretária de Estado Madeleine Albright quando perguntada sobre a morte de 200 mil crianças no Iraque, antes da guerra, por conta do bloqueio econômico – “é um preço que a democracia tem que pagar”.

Tem sido assim no Afeganistão, no Iraque, na Colômbia e agora a descoberta da receita democrática e cristã, o silicone.

É fácil colocar um bobão como Silvester Stallone nas selvas do Vietnã resgatando soldados da pátria amada que por lá ficaram perdidos depois da surra que os EUA tomaram, ou “libertando” países latino-americanos de “ditaduras cruéis”, tanto quanto assassinar a média de cinqüenta resistentes por semana em Honduras, tudo em nome da liberdade.

No Brasil a GLOBO está aí para atestar com imagens candentes de falta de ranhuras na pista do aeroporto de Congonhas, o patriotismo e o desvelo dessa gente na sórdida mentira do capitalismo.

Não importa que tenham morrido duzentos, importa o dossiê fajuto para garantir o faturamento nosso de cada dia.

Se a coisa apertar é simples. Ana Maria Braga arranja um novo namorado, Susana Vieira vai às compras com o cachorrinho e haja silicone.

De quebra Edir Macedo manda um “guia turístico” tentar distribuir prospectos evangélicos no Egito para que muçulmanos descubram a “fé verdadeira”.

Um universo de milhões para pagar dízimo.

O silicone de Gustavo Rojas, candidato de um dos partidos de oposição a Chávez, é tudo isso. E mais alguma coisa.

O problema é que no meio do caminho Miriam Leitão achou que poderia vir a ser um Ícaro dos nossos tempos e com asas de cera tentou voar um vôo destrambelhado rumo a Washington (romaria para beijar os pés de Bush e dos chefões de Wall Street) e de carona levava Lúcia Hipólito e Alexandre Garcia.

Não tem asa que agüente.

Derreteu. O negócio hoje é silicone.

É a culpa é de Chávez. Se não for do presidente venezuelano é do piloto, tanto faz que seja do avião que caiu, como do que vai cair.

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