quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Insanidade de um linha dura

Via Direto da Redação

 

Mário Augusto Jakobskind

Insanidade. É o mínimo que se pode considerar de uma sugestão apresentada pelo linha dura John Bolton (foto), ex-representante dos Estados Unidos na ONU, para que Israel ataque a central nuclear iraniana de Bushehr. Bolton ainda deu um prazo de oito dias, a contar de 17 último, alegando que se isso não for feito o Irã terá uma usina atômica ativa.

Os falcões estadunidenses, aliados de Israel, sonham há tempos com um ataque de Israel ao Irã, que se acontecer terá reflexos em todo o mundo e poderá desencadear um conflito nuclear, como já advertiu nesse sentido o ex-Presidente de Cuba, Fidel Castro. Espera-se que a insanidade dos falcões não prevaleça, mas tudo cuidado é pouco.

De Israel vem a notícia que confirma estarem hoje as mulheres na linha de frente em várias partes do mundo. As israelenses, segundo a BBC, conduziram várias palestinas para que pela primeira vez conhecessem o mar em Tel Aviv. Foi um ato de grandeza de desobediência civil, pois a legislação pune com prisão de até dois anos quem desobedece a chamada Lei de Entrada em Israel.

Por estas e muitas outras Israel se torna um estado delinquente e cada vez mais se isola da comunidade internacional. Não é à toa inclusive que os dirigentes israelenses são exortados pela linha-dura estadunidense a bombardear o Irã.

Por aqui. As Organizações Globo dão o ar de sua graça lembrando os velhos tempos em que o grupo conseguiu grandes vantagens no período em que o Brasil vivia sob uma ditadura. A revista Época, das Organizações Globo, estampou na capa a foto de Dilma Roussef extraída dos arquivos daquele período e elaborou um texto baseado exatamente nas informações processadas pelos que detinham o poder de fato. Ou seja, fica claro porque até hoje as Organizações Globo nunca fizeram autocrítica por terem apoiado a ditadura e volta e meia se apresentam como democratas desde criancinha.

Não é à toa também que o grupo em questão impede que os jornalistas lá empregados evitem a todo custo que a questão midiática entre na pauta das discussões dos candidatos à Presidência da República. Não é à toa também que combatem com unhas de dentes qualquer tipo de questionamento do setor, cujas regras do jogo estão completamente defasadas e precisam ser revistas. Qualquer movimento nesse sentido os barões midiáticos apelam e elaboram editoriais advertindo que a liberdade de imprensa corre perigo. Recebem o apoio da Sociedade Interamericana de Imprensa acionando, como já foi visto no Direto da Redação, o presidente Alejandre Aguirre que imediatamente adverte que no Brasil a liberdade de imprensa corre perigo ou que Lula não é democrático.

A propósito da questão midiática. No XXXIV Congresso de Jornalistas da Federação Nacional de Jornalistas, encerrado no último sábado (21) foi aprovada, por unanimidade, tese em defesa da Voz do Brasil, o programa radiofônico mais antigo do rádio e que possibilita a milhões de brasileiros terem acesso à informações sobre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e questões de cidadania. A Comissão de Ciência e Tecnologia  do Senado aprovou a flexibilização do horário do programa por sugestão do Senador Antonio Carlos Magalhães Júnior, do Dem, uma figura notoriamente vinculada aos grandes proprietários dos veículos de comunicação. O projeto aprovado ainda terá de passar pelo plenário do Senado e posteriormente irá para a Câmara dos Deputados.

Flexibilização do horário da Voz do Brasil, que há mais de 70 anos ocorre das 19 às 20 horas,significa na prática o início do fim do programa mencionado. Uma pergunta que os senadores que aprovaram a flexibilização não fizeram: quem fiscalizaria se a Voz do Brasil estaria sendo veiculada ou não?

Na verdade, não é de hoje que o patronato do setor de rádio tenta acabar com a Voz do Brasil. Até Caetano Veloso em uma ocasião foi convocado para falar contra o programa com alegações que não resistem a menor análise, uma delas a de que a emissão da Voz do Brasil representa intromissão do Estado em veículos de comunicação.

Caetano e os que defendem o fim da Voz do Brasil esqueceram-se  de informar aos interessados que o espectro eletromagnético pertence ao Estado brasileiro e não é propriedade privada. Por que então impedir a difusão de um espaço informativo histórico e que é ouvido por milhões de brasileiros?

Por estas e muitas outras é fundamental levar em conta e repetir sempre que o papel do Poder Público é garantir também que os brasileiros tenham acesso irrestrito à informação, um direito humano da maior relevância .

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