terça-feira, 2 de setembro de 2014

Carta do MST às candidatas e candidatos à Presidência da República e aos governos estaduais

Via MST

Lutamos e exigimos uma política efetiva, estruturante e massiva de Reforma Agrária Popular, indispensável para a permanência das famílias no campo, com produção e distribuição de riquezas.

Da Direção Nacional do MST

Carta do MST às candidatas e candidatos à Presidência da República e aos governos estaduais

"Os períodos eleitorais devem ser momentos de debate sobre as grandes questões estruturais da sociedade brasileira, apontando a natureza de nossos problemas e as soluções necessárias. Infelizmente, cada vez mais, o poder do capital sequestra a política e as instituições públicas, impedindo as transformações políticas e econômicas, que interessam ao povo brasileiro.

Há 30 anos, o MST tem contribuído com a democratização da terra, através da luta pela Reforma Agrária. Em fevereiro de 2014, realizamos nosso VI Congresso, com a aprovação de nosso Programa Agrário em defesa da Reforma Agrária Popular. Lutamos por mudanças na relação com os bens da natureza, na produção de alimentos e nas relações sociais no cam­po. Queremos contribuir de forma permanente na construção de uma sociedade justa, igualitária e democrática.

A terra precisa ser democratizada e cumprir com sua função social. O campo dever ser um espaço bom de viver, onde as pessoas tenham seus direitos respeitados, com a garantia de condições dignas de vida. Lutamos e exigimos uma política efetiva, estruturante e massiva de Reforma Agrária Popular, indispensável para a permanência das famílias no campo, com produção e distribuição de riquezas.

Reforma agrária

Exigimos a atualização imediata dos índices de produtividade prevista na legislação brasileira, possibilitando o acesso à terra a milhares de famílias. Precisamos da elaboração e execução de um novo Plano Nacional de Reforma Agrária - PNRA, com metas de assentamento de famíliase estabelecimento de prioridades por regiões. É necessário a arrecadação das terras griladas da União e a desapropriação de latifúndios em todos os estados. Além disso, as terras devolutas invadidas por fazendeiros e principalmente, pelo capital bancário e pelas empresas transnacionais do agronegócio, devem ser desapropriadas para fins de Reforma Agrária. O mesmo deve acontecer com as fazendas endividadas com os bancos públicos e órgãos do governo, com as áreas onde houver identificação com exploração de trabalho escravo e as que não cumprem a função social.

Cobramos o assentamento imediato das mais de 120 mil famílias que estão vivendo em condições precárias em centenas de acampamentos por todo o país. É necessário destinar para a Reforma Agrária as terras dos projetos de irrigação e as do entorno dos canais de transposição das águas. Para isso, faz-se necessário o fortalecimento, reorganização e qualificação do INCRA, como órgão responsável pela Reforma Agrária e que garanta as condições de implementá-la.

Nos somamos às lutas e às reivindicações, junto às demais forças sociais do campo, para a imediata demarcação e legalização de todas as áreas indígenas e quilombolas e as de posse de ribeirinhos, pescadores e comunidades tradicionais, como estabelece a Constituição Federal de 1988.

A não realização da Reforma Agrária agrava os conflitos sociais no campo. Clamamos por justiça e pela punição aos mandantes e assassinos dos trabalhadores e trabalhadoras no campo.

Agroecologia

A agricultura brasileira deve priorizar a produção de alimentos saudáveis, como um direito humano e como princípio da Soberania Alimentar. Alimento não pode ser mercadoria, fonte de exploração, lucro e especulação. Para isso, exigimos políticas públicas que garantam condições para a produção agroecológica, sem agrotóxicos, com qualidade, diversidade e preço barato para toda a população brasileira. Os governos, federal e estaduais, precisam incentivar e garantir a produção, seleção e armazenamento de sementes pelos próprios camponeses, combatendo assim as sementes transgênicas e a dependência política e econômica das empresas transnacionais que monopolizam sua produção e comercialização. Somos contra as leis de patentes e a privatização de nossas sementes.

É indispensável, para o desenvolvimento social e econômico do campo, retomar, ampliar e garantir os instrumentos de compra de todos os alimentos produzidos pela agricultura camponesa, para atender escolas, sistema de saúde, de segurança e universidades, a exemplo do Programa de Aquisição de Alimentos - PAA e Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE.

A educação é um direito fundamental de todas as pessoas e deve ser atendido no próprio lugar onde vivem, respeitando o conjunto de suas necessidades humanas, culturais e sociais.Necessitamos que todas as áreas de assentamentos e acampamentos tenham sua própria escola, com condições necessárias para o seu funcionamento. Não aceitamos o fechamento de nenhuma escola do campo e exigimos a implementação de um programa massivo de erradicação do analfabetismo. Lutamos pela defesa, universalização, ampliação de recursos e o acesso efetivo ao Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária – PRONERA, garantindo que jovens e adultos, que vivem no campo, possam avançar na escolarização.

Campo

O assentamento é nosso território de luta, produção, reprodução e garantia de nossa vida, lugar de defesa e construção de um modelo de agricultura, com a produção de alimentos saudáveis e acesso aos bens sociais e culturais. Para isso, é necessário assegurar condições dignas de vida às populações camponesas e urbanas, produzindo uma nova sociabilidade.

Exigimos políticas de proteção dos bens naturais, das águas e fontes, assegurando que todas as famílias camponesas tenham acesso à água potável e de qualidade, com saneamento básico. Repudiamos o processo de privatização da água.

Lutamos pela implementação de um programa de moradia popular no campo, que garantao seu acesso de forma rápida e desburocratizada, eliminando o déficit atual de mais de 1 milhão de casas para a população camponesa.

Reivindicamos a ampliação e execução de um programa de agroindustrias nas áreas de Reforma Agrária, a partir das cooperativas de trabalhadores e trabalhadoras, de forma desburocratizada.  É preciso assegurar o desenvolvimento de tecnologias apropriadas à realidade das comunidades camponesas com o desenvolvimento de programas de máquinas e equipamentos agrícolas.

É urgente a reorganização e fortalecimento do sistema público de Assistência Técnica e Extensão Rural, voltado e subordinado às necessidades e objetivos dos camponeses e das camponesas. A ele deve somar-se um programa de crédito rural que contribua para a estruturação do conjunto de todas as unidades e sistemas produtivos, estimulando e fortalecendo o cooperativismo, a comercialização e a industrialização da produção. Exigimos a garantia e ampliação dos direitos trabalhistas e previdenciários aos trabalhadores e trabalhadoras do campo e assalariados rurais.

É necessário o compromisso de todos e de todas para a realização de uma ampla reforma política,que democratize as instituições e possibilite ao povo o direito de escolher seus representantes.  E para isso exigimos a convocação de uma Assembleia Constituinte soberana e exclusiva, ainda em 2015.

São essas algumas das mudanças urgentes e necessárias, para melhorar as condições de vida e de renda no campo, que todos os governantes eleitos devem implementar. Reafirmamos nossa disposição em lutar, de forma permanente, em defesa e na construção da Reforma Agrária Popular e de uma sociedade socialista.

Cronicas de uma sociedade racista II

Via Oriente Midia

 

Charge da NaT (Natalia Forcat)

Charge da NaT (Natalia Forcat)

Abdel Latif Hassan Abdel Latif, Médico palestino

  • A ORIGEM DO RACISMO EM ISRAEL
  • “Para mim, os árabes são algo que não posso olhar, nem tolerar. Eu sou racista, cresci em uma família racista. No exército, matarei árabes sem pensar duas vezes. Minha educação me ensina que os árabes são educados para serem terroristas e nós não podemos confiar neles. Eu desejo a morte deles”.

    Essas são declarações de uma aluna judia, no ensino secundário, em uma escola israelense.

    O que arrepia nessas declarações é que o serviço militar em Israel é obrigatório e a partir dos dezoito anos, os jovens israelenses servem o exército, onde podem matar impunemente árabes, sem pensar duas vezes.

    Dois educadores israelenses Idan Yaron e Yoram Harpaz publicaram um livro sobre o cotidiano de uma escola secundária israelense. A obra entitula-se “Imagens de uma vida escolar” e é baseada nas observações antropológicas coletadas durante três anos de acompanhamento.

    No capítulo sobre etnicidade e racismo entre os jovens, os autores coletaram comentários dos alunos judeus após uma aula de religião (o ensino da religião judaica é obrigatório em todas as escolas de Israel). O tema da aula era o Velho Testamento e Vingança.

    Um dos alunos declarou que a vingança é uma emoção saudável e importante e baseado no que aprendeu, é dever dos judeus matar todos os árabes.

    Outro aluno declarou que escutou na sinagoga que os árabes são lixo, iguais aos amalecitas, inimigos dos hebreus de milênios atrás. Segundo ele, o Torá manda matar todos os árabes.

    Os poucos alunos que não concordaram com os colegas racistas foram insultados e classificados como inimigos de Israel. Segundo os racistas, aquela minoria de alunos com posturas anti-racistas, assim comos os árabes, não têm lugar em Israel.

    Os autores chamam a atenção que o racismo é tão enraizado que faz parte da vida e sociedade israelense. É verdadeiro “way of life”, característica essencial daquela sociedade e não há meios ou vontade de combatê-lo.

    Nas escolas de Israel, temas como Nakba, direitos humanos ou moralidade dos crimes de Israel contra os palestinos, não são discutidos.

    O livro identifica a origem do racismo israelense: educação.

    Como na Alemanha nazista, os jovens israelenses recebem educação exclusivista e assassina, pela qual são doutrinados a pensar que matar árabes é a única maneira de ter paz e segurança.

    Não é de estranhar que 90% dos israelenses apóiam os genocídios em Gaza, onde milhares de civis foram martirizados, inclusive milhares de crianças e bebês.

    Nazismo e sionismo têm o mesmo DNA: duas ideologias racistas, que ameaçam a humanidade.

     

  • EXÉRCITO DE DEUS
  • As piores atrocidades são cometidas usando o nome de Deus.

    No mais recente massacre de Israel contra Gaza, o exército judeu cometeu crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

    Milhares de civis palestinos foram mortos e centenas de milhares perderam seus bens. Milhares de escolas, casas, indústrias, templos, foram destruídos. A infraestrutura foi arrasada e acredita-se que a reconstrução levará 20 anos e valores bilionários.

    Observadores independentes perceberam que a matança e a destruição em Gaza foram por matar e destruir, sem um objetivo militar que justificasse os crimes.

    Há vários anos, estudiosos internacionais e israelenses chamam a atenção para um fenômeno que acontece no seio da sociedade israelense: aumento do número de soldados fanáticos “religiosos” nas unidades de elite israelense.

    Para esses extremistas fanáticos, a guerra de Israel contra os palestinos é idêntica dos antigos hebreus contra os cananitas, jebuseus e filisteus: uma guerra santa contra os infiéis, onde todos devem morrer, crianças, mulheres e idosos.

    Um dos chefes da ofensiva contra Gaza é Ofer Winter, da unidade Givati, em ordem do dia para os soldados, escreveu: “A história nos escolheu para ocupar a posição de vanguarda na luta contra os inimigos em Gaza, que profanam, amaldiçoam e abusam do Deus de Israel. Deus, senhor de Israel, nos guia nesta luta, porque estamos lutando por seu povo, contra os inimigos que difamam seu nome. Os soldados da Givati e da unidade de Winter foram os responsáveis pelas piores atrocidades cometidas contra a população de Gaza, principalmente das aldeias Khuza e Rafah. Eles riscaram a aldeia de Khuza do mapa, ela não mais existe!

    Conforme o relato do jornalista judeu Jesse Rosenfeld, centenas de corpos de civis palestinos estão sob os escombros das casas arrasadas. Lá há total silêncio, o silêncio da morte, afirma o jornalista.

    Ofer Winter declarou aos jornalistas: “prometi e cumpri minha promessa – nem os moradores de Khuza conseguirão reconhecer sua aldeia, tamanha a destruição”.

    Em Rafah, os soldados de Winter, mataram em poucas horas, mais de cento e cincoenta civis palestinos.

    O novo deus de Israel é idêntico ao falso deus, que não passa de um chefe militar, racista e capaz de cometer atrocidades contra crianças, mulheres e idosos indefesos e inocentes, mas incapaz de conseguir uma real vitória. È um deus marcial, destruidor e não Deus criador e amor.

    Matar tudo que respira era a ordem do deus-vingança-destruição dos antigos hebreus. Hoje, a ordem é a mesma: não há inocentes em Gaza, matem todos!

  • “MAD DOG” – CACHORRO LOUCO

  • O então general israelense e ministro da defesa, finado Moshe Dayan, descreveu certa vez, a estratégia do seu Estado: “Israel deve se comportar como um cachorro louco, perigoso demais para alguém se aproximar dele”.

    O atual ministro da defesa israelense, Moshe Yaalon, reconheceu que seu exército comportou-se de forma maluca “mad way” em relação à população palestina durante a recente ofensiva em Gaza. Afirmou que “nosso comportamento será o mesmo no futuro”.

    Israel, desde sua concepção, comporta-se sempre da mesma maneira: o cachorro louco.

  • OS ASSASSINOS
  • O Ministro da indústria israelense, Naftali Bennet, afirmou em entrevista a radio de Israel, em 01/09/2014, que “quando matamos palestinos, estamos garantindo a vida dos israelenses”.

    O ministro, famoso por suas declarações genocidas, afirmou que já matou muitos árabes. Relata tal fato como medalha de mérito.

    Em qualquer país do mundo, a prisão é o único lugar para assassinos e racistas. Em Israel, o lugar deles é no parlamento, governo, exército e na lista dos reverenciados.

    Abdel Latif Hasan Abdel Latif, medico palestino.

    Brasil, como sobreviver?

    Via Correio da Cidadania

    Golpes de Estado podem ser dados através de parlamentos, poderes judiciários, além de lances como os que estão em andamento. Agora, a moda adotada pelo império anglo-americano, como se viu em Honduras e no Paraguai, na suposta primavera árabe, na Ucrânia etc., é promover golpes de Estado, sem recorrer às forças armadas, as quais, de resto, no Brasil, têm sido esvaziadas e enfraquecidas, a partir dos governos dirigidos por Collor e FHC.

    Adriano Benayon

    1. As TVs e a grande mídia promovem intensamente a candidata que surgiu com a morte do desaparecido na explosão. Marina da Silva costuma ser apresentada como defensora do meio ambiente e como diferente de políticos que têm levado o país à ruína financeira e estrutural, como foram os casos, em especial, de Collor e de FHC.

    2. Mas Marina não representa ambientalismo honesto algum, nem qualquer outra coisa honesta. O que tem feito é, a serviço do poder imperial anglo-americano, usar a preservação do meio ambiente como pretexto para impedir – ou retardar e tornar absurdamente caras – muitas obras de infraestrutura essenciais ao desenvolvimento do país.

    3. Pior ainda, a tirania do poder mundial, com a colaboração de seus agentes locais, já ocupa enormes áreas, notadamente na região amazônica, para explorar não só a biodiversidade, mas os fabulosos recursos do subsolo, verdadeiro delírio mineral, na expressão do falecido Almirante Gama e Silva, profundo conhecedor da região e, durante muitos anos, diretor do projeto RADAM.

    4. Além da pregação enganosa sobre o meio ambiente, o império vale-se de hipocrisia semelhante em relação à pretensa proteção aos direitos dos indígenas, a fim de apropriar-se de imensas áreas, que os três poderes do governo têm permitido segregar do território nacional, pois brasileiro não entra mais nelas.

    5. As ONGs ditas ambientalistas, locais e estrangeiras, financiadas pela oligarquia financeira britânica, como a Greenpeace e o WWF (Worldwide Fund for Nature), trabalham para quem as sustenta, não estando nem aí para o meio ambiente.

    6. Isso é fácil de notar, pois não dão sequer um pio contra a poluição dos mares, produzida pelo cartel anglo-americano do petróleo: a mais terrível poluição que sofre o planeta, pois os oceanos são a fonte principal do oxigênio e do equilíbrio da Terra.

    7. Marina foi designada ministra do Meio Ambiente, em Nova York, quando Lula, antes de sua posse, em janeiro de 2003, foi peitado por superbanqueiros, em reunião após a qual anunciou suas duas primeiras nomeações: Meirelles para o Banco Central e Marina Silva para o Ministério do Meio Ambiente (MMA).

    8. Empossada no MMA, Marina nomeou imediatamente secretário-geral do Ministério o presidente da Greenpeace no Brasil.

    9. Marina foi dos poucos brasileiros presentes, quando o príncipe Charles reuniu, na Amazônia, outros chefes de Estado da OTAN e caciques das terras que ele e outros membros e colaboradores da oligarquia mundial já estão controlando por meio de suas ONGs e organizações “religiosas”, como igreja anglicana, Conselho Mundial das Igrejas etc.

    10. Todos deveriam saber que os carteis britânicos da mineração praticamente monopolizam a extração dos minerais preciosos, e a maioria dos estratégicos, notadamente no Brasil, na África, na Austrália e no Canadá.

    11. Os menos desavisados entenderam por que Marina desfilou em Londres, nas Olimpíadas de 2012 – única brasileira a carregar a bandeira olímpica.

    12. É difícil inferir que o investimento da oligarquia do poder mundial em Marina da Silva visa a assegurar o controle absoluto pelo império anglo-americano das riquezas naturais do país?

    13. Algo mais notório: a mentora ostensiva da candidatura de Marina é a Sra. Neca Setúbal, herdeira do Banco Itaú, o que tem os maiores lucros no Brasil, beneficiário, como os demais, das absurdas taxas de juros de que eles se cevam desde os tempos de FHC, insuficientemente reduzidas nos governos do PT.

    14. Não há como tampouco ignorar as conexões do Itaú e de outros bancos locais com os do eixo City de Londres e Wall Street de Nova York.

    15. D. Marina nem esconde desejar que o Banco Central fique ainda mais à vontade para privilegiar os bancos a expensas do país, que já gasta 40% de suas receitas com a dívida pública, sacrificando os investimentos em infraestrutura, saúde, educação etc.

    16. Contados os juros e amortizações pagos em dinheiro e os liquidados com a emissão de novos títulos, essa é a despesa anual com a dívida pública, a qual, desse modo, cresce sem parar (já passa de quatro trilhões de reais).

    17. Ninguém notou que Marina – além de regida pelo Itaú – já tem, para comandar sua política, uma equipe de economistas tão alinhada com a política pró-imperial como a que teve o mega-entreguista FHC, e como a de que se cercou Aécio Neves?

    18. Como assinalou Jânio de Freitas, Marina e Aécio se apresentam com programas idênticos. Na realidade, é um só programa, o do alinhamento com tudo que tem sido reclamado pela mídia imperial, tanto pela do exterior como pela doméstica.

    19. Da proposta de desativar o pré-sal – a qual fere mortalmente a Petrobrás, que ali já investiu dezenas de bilhões de reais, e beneficia as empresas estrangeiras, as únicas, no caso, a explorá-lo – até a substituição do MERCOSUL por acordos bilaterais –como exige o governo dos EUA -, Marina e o candidato do PSDB estão numa corrida montando cavalos do mesmo proprietário, com blusas idênticas, diferenciadas só por uma faixa.

    20. Por tudo, a figura de Marina antagoniza o pensamento do patrono do PSB, João Mangabeira, e o de seu fundador, Miguel Arraes, cujas memórias estão sendo rigorosamente afrontadas.

    21. Não há, portanto, como admitir que os militantes do PSB fiquem inertes vendo a sigla tornar-se instrumento de interesses rapinadores das riquezas nacionais e prestando-se a que oligarcas internos e externos se aproveitem do crédito que os grandes nomes do partido granjearam no coração de milhões de brasileiros de todos os Estados.

    22. Há, sim, que recorrer a medidas apropriadas, previstas ou não, nos Estatutos do Partido, para que este sobreviva e ajude o Brasil a sobreviver.

    23. De fato, estamos diante de um golpe de Estado perpetrado por meios aparentemente legais, incluindo as eleições. Parafraseando o Barão de Itararé, há mais coisas no ar, além da explosão de avião contratado por um candidato em campanha.

    24. A coisa começou quando políticos e parlamentares notoriamente alinhados com os interesses da alta finança, e outros enrustidos, articularam a entrada de Marina na chapa do PSB, acenando a Eduardo Campos com o potencial de votos e de grana que ela traria.

    25. Fazendo luzir a mosca azul, a Rede o pegou como peixes de arrastão.

    26. Alguém viu a foto de Marina sorrindo no funeral do homem? Alguém notou que, imediatamente após a notícia da morte dele, a grande mídia, em peso, dedicou incessantemente o grosso de seus espaços à tarefa de exaltar D. Marina?

    27. Os golpes, intervenções armadas e outras interferências, por meio de corrupção, praticadas a serviço da oligarquia financeira anglo-americana, em numerosos países, inclusive o nosso, desde o século 19, deveriam alertar-nos para dar mais importância a contar com bons serviços de informação e de defesa.

    28. Golpes de Estado podem ser dados através de parlamentos, poderes judiciários, além de lances como os que estão em andamento. Agora, a moda adotada pelo império anglo-americano, como se viu em Honduras e no Paraguai, na suposta primavera árabe, na Ucrânia etc., é promover golpes de Estado, sem recorrer às forças armadas, as quais, de resto, no Brasil, têm sido esvaziadas e enfraquecidas, a partir dos governos dirigidos por Collor e FHC.

    Adriano Benayon é doutor em Economia, autor do livro Globalização versus Desenvolvimento, e ainda filiado ao PSB.

    CARTA ABERTA `A PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF

    Via Aloisio Palmar

    À Excelentíssima Senhora Presidenta da República
    DILMA ROUSSEFF,

    Senhora Presidenta,

    O general Enzo Peri, comandante do Exército, acaba de afrontar os poderes da República, aos quais deve obediência. O general encaminhou a todas as unidades do Exército uma ordem ilegal, segundo a qual nenhuma delas deve fornecer informações requisitadas por órgãos como o Ministério Público Federal (MPF) ou outros interessados, cabendo exclusivamente ao gabinete do comandante decidir sobre as respostas.

    Portanto, o general Enzo está zombando do ordenamento jurídico, que dá ao MPF a prerrogativa de investigar. Pior ainda, Presidenta Dilma.

    O general Enzo está zombando dos brasileiros, incluindo a comandante em chefe das Forças Armadas, a Presidenta da República, que sancionou a lei que criou a Comissão Nacional da Verdade (CNV).
    Mas há um agravante nessa história, Presidenta Dilma. É que o general Enzo é reincidente.

    Como Vossa Excelência deve recordar, ainda no governo Lula o general foi um dos pivôs de uma grave crise política, em 2009, ao acompanhar o ministro Nelson Jobim, da Defesa, num verdadeiro motim contra o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3). Jobim e os comandantes militares ameaçaram demitir-se caso o presidente não alterasse o PNDH-3, retirando dele modestos avanços democráticos relacionados à revogação da Lei da Anistia e à investigação dos crimes da Ditadura Militar. Infelizmente, o presidente Lula cedeu à chantagem e preferiu mutilar o PNDH-3.

    Já no atual governo, mantido no cargo apesar da rebelião antidemocrática que encabeçou, o general Enzo mantém-se na linha da resistência ativa à CNV e às políticas de direitos humanos da Presidência da República. Deu suporte às seguidas negativas e embaraços criados aos pedidos de documentos feitos pela CNV às Forças Armadas.

    Mais recentemente, em gesto que chocou a consciência democrática, ademais de humilhar os familiares das vítimas e os ex-presos políticos, o comandante do Exército passou da resistência dissimulada ao escárnio, ao endossar os debochados resultados da “sindicância” realizada a pedido da CNV a respeito das instalações militares que, sabidamente, notoriamente abrigaram aparatos de tortura e execução de presos políticos durante a Ditadura Militar.

    Diante desses fatos, Presidenta Dilma Rousseff, só nos resta exortá-la a demitir o general Enzo Peri, para o bem da democracia e da sociedade brasileira.

    Não é admissível que alguns generais continuem asfixiando a democracia brasileira. Não é razoável que chefes militares continuem zombando da luta por memória, verdade e justiça sem que sejam punidos. O que está em jogo é a democracia e o futuro do Brasil!

    Presidenta Dilma, reafirme a soberania popular: demita o general Enzo.

    Em 28 de agosto de 2014 - 35 anos da votação da anistia

    Coletivo Catarinense Memória, Verdade, Justiça

    Coletivo Contra a Tortura

    Coletivo Merlino

    Coletivo MVJ João Batista Rita de Criciuma - SC

    Coletivo pela Educação, Memória e Justiça – RS

    Coletivo Político Quem

    Comissão da Verdade de Bauru "Irmãos Petit"

    Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo (CDHPF)
    Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos

    Comitê Catarinense Pró Memória

    Comitê Popular de Santos por Memória Verdade e Justiça

    Comitê Verdade, Memória e Justiça de Pelotas e Região

    Fórum de Reparação e Memória do RJ

    Fórum Direito à Memória, Verdade e Justiça do ES

    Grupo Tortura Nunca Mais Rio de Janeiro – GTNM/RJ

    Instituto de Estudos da Violência do Estado – IEVE

    Movimento Camponês Popular - MCP

    Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH) Nacional

    Movimento Nacional de Direitos Humanos no Rio Grande do Sul (MNDH-RS)

    Movimento Reforma Já

    Núcleo de Preservação da Memória Política

    Rede Brasil - Memória, Verdade , Justiça

    Rede Social de Justiça e Direitos Humanos

    As escolhas de Marina (pra lá de temerárias)

    Via Jornal do Brasil

    A Bolívia de Evo Morales, com baixíssima dívida externa e reservas internacionais que já chegam a metade do PIB, está virando exemplo de administração econômica bem-sucedida.

    Mauro Santayana

    A política, assim como o futebol, é uma caixinha de surpresas.

    Lembrando isso, recomenda-se avaliar com atenção as que, parece, podem estar nos reservando a candidata do Partido Socialista à Presidência da República.

    Marina Silva e sua agremiação precisam tomar cuidado para não querer ser “mais realistas que o rei”, com relação ao “mercado”. Uma entidade etérea, inefável, incongruente e contraditória, alçada, pela incompetência estratégica dos últimos governos, e vontade de parcela da mídia convenientemente azeitada para fazê-lo, a invisível fiador, diríamos quase um condutor, do processo político brasileiro.

    Ansiosa por agradar ao sistema financeiro e aos especuladores, que estão fazendo fortuna na bolsa com o jogo de expectativas em torno das eleições de outubro, a senhora Marina Silva apressou-se a divulgar, entre outros pontos de seu programa de governo, sua intenção de rever o Mercosul – citando, para isso, a Aliança do Pacífico – e a política de empréstimos do BNDES. 

    Com relação a tratados comerciais, o mundo já aprendeu que é melhor negociar em grupo do que separadamente.

    A Europa, que por aqui costuma ser apresentada – junto com os EUA – como paradigma de livre comércio, até agora não conseguiu fechar sua proposta para o Mercosul, porque o viés protecionista de muitos setores de sua economia, especialmente a agricultura, não lhe permitiu fazer isso.

    Quanto ao BNDES, vários segmentos  do empresariado nacional já declararam, em alto e bom som, que sem o apoio da instituição não é possível concorrer, nem aqui nem no exterior, com empresas multinacionais que contam com generosos subsídios de bancos estatais de fomento semelhantes, em seus respectivos países.

    Sem o apoio do BNDES não é possível concorrer, nem aqui nem no exterior, com empresas multinacionais

    Afinal, vender perfume, como fazem bem-sucedidos empresários do setor no exterior – não é o mesmo que vender aviões, foguetes de saturação, serviços de engenharia de bilhões de dólares para outros países. Isso, ninguém faz sem ajuda, e quem acreditar no contrário, ou é ingênuo, ou não tem a menor noção de estratégia nacional.

    A Aliança do Pacífico não é um acordo de livre comércio, mas um factoide e um mito.

    Não dá para tratar como nações de um bloco comercial à parte, e antagônico politicamente ao Brasil e ao Mercado Comum do Sul, países como o Peru e o Chile, que são membros associados ao próprio Mercosul, e que já possuem, na prática, uma aproximação tão grande conosco na área comercial que somos nós, e não o México, o seu principal parceiro comercial latino-americano.

    O comércio entre os países da Aliança do Pacífico é tão “significativo” que, há 15 dias, em uma primeira rodada de negócios da AP, realizada na Colômbia, o volume de acordos fechados não chegou a pífios 100 milhões de dólares.

    O Brasil quer aprofundar sua integração comercial com todos os países sul-americanos – o intercâmbio brasileiro com o Peru, por exemplo, aumentou em oito vezes nos últimos 10 anos – e já propôs a Santiago, Lima e Bogotá um tratado de livre comércio a partir de 2016.  

    Só não podemos fazer a mesma coisa com o México, nação que está amarrada por tratado aos Estados Unidos, e que seria utilizada como plataforma de exportação por Canadá e EUA para colocar produtos com isenção de impostos em nosso território, como já o fez no caso da indústria automobilística.

    Há estudos mexicanos que mostram que há carros fabricados naquele país que têm apenas 30% de peças locais, enquanto no Brasil o conteúdo local médio quase chega a 60%, e há veículos em que alcança 90%.

    Para se ter uma ideia do que ocorre com o comércio exterior mexicano, esse país importa tantas peças da China que seu déficit com Pequim chegou a 51 bilhões de dólares no ano passado.

    O segredo do “avanço” industrial mexicano está na localização das “maquiladoras”, do outro lado da fronteira de um dos maiores mercados do mundo; em proventos miseráveis – um salário mínimo mexicano equivale a 10,99 reais por dia – e em uma carga tributária de 12%, o que, segundo a Cepal e o FMI, não permite que esse país responda minimamente a suas graves demandas sociais ou de infraestrutura.

    Nos últimos dez anos, o México cresceu menos de 30%, e o Brasil quase 50%. Na educação, para ficar apenas em um exemplo, segundo o ranking de Shangai, recentemente divulgado, os mexicanos têm apenas uma universidade entre as primeiras 200 do mundo, enquanto nós – que segundo aqui se fala estamos muito mais atrasados do que eles – temos seis instituições superiores de ensino  nessa lista,  inclusive, uma, a USP, entre as primeiras 150 do mundo.

    Nem a Aliança do Pacífico é uma maravilha, nem o Mercosul um inferno.

    A Bolívia de Evo Morales, com baixíssima dívida externa e reservas internacionais que já chegam a metade do PIB, está virando exemplo de administração econômica bem-sucedida.

    E a Argentina, com todos seus problemas, transformou-se esta semana no primeiro país latino-americano a fabricar, com recursos próprios, um satélite geoestacionário de telecomunicações, que será lançado no dia 16 de outubro, pela Arianespace, em Kourou, na Guiana Francesa.

    Com um custo de 270 milhões de dólares e fabricado pela estatal Invap e a Empresa Argentina de Soluciones Satelitales, o Arsat-1, de 1.300 quilos e 15 anos de vida útil, é o primeiro de uma série de três, e deverá fornecer serviços de telefonia, acesso à internet e transmissão de dados para a Argentina e países limítrofes, entre eles, o Brasil.