quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

SOS Rio: A POLÍTICA E AS BACTÉRIAS

Sanguessugado do Mauro Santayana

A população carioca deve mobilizar-se e exigir que os responsáveis sejam punidos e que o esgoto hospitalar seja tratado totalmente nos próprios locais em que é produzido.

(Hoje em Dia) - Quando alguém se declara “apolítico”, ou diz que “odeia a política”, nos lembramos de que a palavra política deriva de Politeía, vocábulo relativo a tudo que acontecia nas antigas Polis, cidades-estado gregas, e da velha constatação aristotélica de que “o homem é um animal político”.

Querendo ou não, todo ser humano participa, no convívio, no aprendizado e no debate com outros seres humanos, da atividade política, mesmo quando não exerce nenhum cargo público, se assume “apolítico” e declara o seu “ódio” à política.

A política, como ocorre com Deus, para a maioria das religiões, está em todas as coisas, das maiores às que são aparentemente mais ínfimas.

Um estudo que acaba de ser divulgado pelo governo britânico, alerta que as superbactérias matarão, em poucos anos, mais que o câncer, e que o custo de seu tratamento chegará a 100 trilhões de dólares nas próximas décadas.

Foi a economia no combate à infecção hospitalar e a ausência de fiscalização rigorosa em hospitais públicos e privados, assim como o incentivo, durante anos, do uso indiscriminado e desnecessário de antibióticos em diversos países do mundo, incluído o Brasil, que deu origem à transformação destes organismos.

E é a mesma ausência de fiscalização e controle que está fazendo com que novas gerações de bactérias resistentes mesmo aos mais modernos medicamentos estejam ultrapassando os limites dos hospitais e postos de saúde, ameaçando transformar-se em uma pandemia, atingindo diretamente a população.

A Fiocruz, que já havia detectado, antes, por duas ocasiões, superbactérias no esgoto lançado clandestinamente, no rio Carioca, no Rio de Janeiro, acaba de anunciar que detectou sua presença também na água do mar, nas praias do Flamengo e de Botafogo, com possibilidade de que se multipliquem e acabem chegando ao Leblon, Copacabana e Ipanema.

Que turistas e banhistas deixem de frequentar o Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, que as crianças não possam mais se sentar na areia, ali ou no vizinho bairro de Botafogo, que a Cidade Maravilhosa possa transformar-se, de chamariz, em ameaça para milhões de turistas que a visitam, é um absurdo.

A poluição de nossos rios e lagos, com a diminuição da oferta de água potável à população, e agora da orla marítima da segunda cidade do país, é uma questão ambiental, mas, como muitas outras mazelas de nosso país, também uma questão política, e tem que ser enfrentada com determinação e rapidez.

A população carioca deve mobilizar-se e exigir que os responsáveis sejam punidos e que o esgoto hospitalar seja tratado totalmente nos próprios locais em que é produzido.

Não se trata apenas de uma questão de saúde. Se houver uma epidemia, milhares de empregos e empresas estarão em risco, assim como as Olimpíadas de 2016.

Adriano Benayon: Brasil e a Petrobrás

Via Diário Liberdade

Adriano Benayon

1. O Brasil vive batalha decisiva de sua História: a da sobrevivência da Petrobrás como empresa nacional. E isso com qualquer resultado, pois a eventual derrota poderá ser o marco, a partir do qual o povo brasileiro resolva partir para o basta e reverter o lastimável processo dos últimos 60 anos em que praticamente só acumula derrotas do ponto de vista estrutural.

2. Principalmente desse ponto de vista, porque, mercê da estrutura que se formou na Era Vargas, ainda foram colhidas - por muito tempo e até os dias de hoje - grandes vitórias em termos de desenvolvimento de tecnologia e capacidade produtiva no País.

3. O progresso estrutural do Brasil ocorreu, até 1954, não apenas em função de investimentos do Estado, mas também por ter este agido como promotor da indústria privada, tendo, antes daquele ano fatídico, surgido firmas nacionais de ótima qualidade, algumas das quais já se tinham tornado grandes.

4. Essas foram as primeiras e grandes vítimas do modelo de dependência financeira e tecnológica adotado desde 1955 e no quinquênio de JK, quando o Estado, foi usado como promotor da desnacionalização da indústria, o que gradualmente levou à da dos demais setores da economia.

5. Os governos militares (1964-1984), embora se tenham submetido às regras e imposições do sistema financeiro mundial - criaram estatais importantes, como a EMBRAER, em 1969, possibilitada pela criação do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em 1946, e do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em 1950.

6. A EMBRAER foi uma das inúmeras grandes estatais criminosamente privatizadas pela avalanche de corrupção dos anos 90, que atingiu também a TELEBRÁS, fundada em 1972, a qual igualmente gerara excelentes resultados em produções realizadas com tecnologia nacional, e foi totalmente esvaziada pelas concessões entreguistas do sistema de telecomunicações.

7. Em 1990, Collor, o primeiro presidente eleito pelo voto direto – de resto, mediante incríveis manipulações, negadoras da essência da democracia – encaminhou a Lei de Desestatização, juntamente com denso pacote de legislação antibrasileira, formulado em Washington e meteoricamente aprovado pelo complacente Congresso.

8. Interessante que os governos militares – não só haviam mantido as estatais da Era Vargas - mas criaram várias outras. Entretanto, os indivíduos ideologicamente amestrados atribuem comunismo ou esquerdismo aos que, em favor do desenvolvimento, reconhecem a importância de empresas e de bancos estatais.

9. Se não estivessem mentalmente controlados pelo sistema de poder mundial veriam que as estatais, além do que realizam diretamente, são fundamentais para viabilizar, ao abrir concorrências, encomendas e financiamento a empresas privadas nacionais, que, com isso, geram empregos qualificados e elevam o padrão tecnológico do País.

10. Ademais, acabar com as estatais significa deixar à mercê dos carteis e grandes grupos privados o grande espaço estratégico – como é o caso da indústria do petróleo e derivados – inevitavelmente ocupado por empresas de grande porte, nos quais a dimensão inviabiliza a concorrência honesta entre empresas privadas.

11. Antes de explicar por que a corrupção não é inerente à natureza das estatais – ao contrário do que imaginam os impressionados pelos inegáveis escândalos de corrupção que têm assolado a Petrobrás – convém lembrar a incoerência dos que se escandalizam com a brutal concentração de renda, cada vez mais acentuada em todo o mundo, e propõem privatizações, cujo efeito tem sido tornar a concentração econômica ainda mais aguda e sociamente insuportável.

12. De fato, todos estão tendo acesso a informações de que, neste mundo de mais de seis bilhões de habitantes, pouco mais de cinquenta grupos financeiros controlam praticamente todas as transnacionais em atividade no Planeta. Fosse isso pouco, o analista da moda, Thomas Piketty, tem observado que a concentração de riqueza tem sido grandemente subestimada, mesmo nos países sedes da oligarquia financeira mundial.

13. E por que foi implantada a corrupção na Petrobrás? Porque a estrutura de poder político já se tornara dominada pelos interessados em desmoralizá-la e eventualmente privatizá-la e/ou liquidá-la. Amiúde, o primeiro passo dos agentes imperiais é minar e desmoralizar a administração estatal, para justificar a privatização.

14 De fato, a corrupção foi intensificada durante governos aqui instalados (Collor e FHC) com o projeto de tornar definitivo e irreversível o atraso do Brasil e sua submissão aos centros de poder mundial, na vil posição de fornecedor de recursos naturais, presidindo a abertura de buracos no lugar das estupendas reservas de minerais estratégicos e preciosos, sem que isso sequer impedisse o crescimento vertiginoso dos déficits de comércio exterior e do endividamento público.

15. A desnacionalização predadora não começou com os dois que foram os primeiros eleitos sob o novo regime pretensamente democrático. Mas eles fizeram profundas reformas na estrutura de mercado – com o usual beneplácito do Congresso - para torná-la ainda mais talhada de acordo com os interesses dos carteis transnacionais. E o PT não fez reverter essa tendência.

16. Em relação à Petrobrás, FHC promoveu a aprovação da Lei 9.478, de 06.08.1997, que eliminou, na prática, a norma constitucional do monopólio da União na produção, refino e transporte do petróleo, não formalmente revogada.

17. Essa lei permitiu, assim, a exploração de imensas jazidas descobertas pela Petrobrás na plataforma continental, por carteis transnacionais, liderados pelas gigantes empresas angloamericanas - que, há mais de um século, têm preponderado no produto de maior expressão no comércio mundial.

18. Ademais, dita Lei criou a Agência Nacional do Petróleo (ANP) no esquema de esvaziar a administração do Estado, terceirizando-a para agências ditas públicas, dotadas de autonomia e postas sob a direção de executivos e técnicos ligados à oligarquia financeira angloamericana.

19. Um desses, genro de FHC, David Zylberstajn, foi nomeado diretor-geral da ANP. Como lembrou o engenheiro Pedro Celestino, em excelente artigo, teve início, sob o comando de Zylberstajn, "o leilão das reservas de petróleo brasileiras, em modelo que não se aplica no mundo desde o primeiro choque do petróleo, permitindo à concessionária apossar-se do petróleo produzido, remunerando o Governo com royalties, ao invés de receber por prestação de serviços."

20. As constatações de corrupção nas encomendas da Petrobrás - em inquérito da Polícia Federal, ainda não terminado - estão servindo de tema para a campanha de desestabilização e impeachment da presidente da República, e também de argumento favorável à privatização.

21. Nenhum desses objetivos sustenta-se em bases justificadas, pois o autor da delação premiada tornou-se diretor da Petrobrás no governo de FHC, mentor do partido que se pretende beneficiar com a derrubada de Dilma Roussef ou sua transformação em títere completo do capital estrangeiro, o qual tem no PSDB seus principais serventuários locais.

22. Ademais, o delator Paulo Roberto Costa praticou, ele mesmo, os crimes que denuncia, em prejuízo do patrimônio público e em ofensa à moralidade da Administração, como também cometeram políticos de diversos partidos que têm exercido cargos diretivos na Petrobrás.

23. Paulo Metri, outro competente e experiente engenheiro da Petrobrás, reafirma ser indispensável investigação profunda na estatal. Ressalva, porém, que a exposição antecipada de fatos investigados pode ter tido por meta somente derrubar as intenções de votos pró-Dilma.

24. Assinala que a presidente não tolheu as ações da Polícia Federal, nem tem um engavetador para sumir com os processos. Nota: alusão ao PGR de FHC, conhecido como engavetador-geral da República.

25. Metri considera imprescindível punir, com rigor, os agentes públicos comprovadamente corruptos e também os esquecidos corruptores. Até porque, mais que o desvio de dinheiro, a corrupção com a Petrobrás atinge a auto-estima de que o País precisa para realizar seu projeto nacional.

26. Em relação à Petrobrás, é fundamental corrigir os vícios nela implantados e viabilizar seus investimentos, cuja enorme rentabilidade está assegurada em função das colossais descobertas que a estatal obteve na plataforma continental e no pré-sal.

27. A Petrobras – aduz Metri - tem vencido obstáculos, como extrair, de grandes profundidades e a distâncias da costa cada vez maiores, petróleo escondido abaixo de camadas incomuns, mercê de tecnologias especiais desenvolvidas por técnicos da estatal.

28. A qualidade destes depende da motivação e de que não sejam preteridos por políticos em cargos de direção nem por terceirizados.

29. Celestino e Metri lembram que FHC elevou desmesuradamente o salário de gerentes e superintendentes, o que os fez, por demais, temerosos de perder seus empregos, e omissos em resistir contra decisões suspeitas, tal como ocorre com terceirizados. Ademais, FHC liberou a Petrobrás de cumprir a Lei de Licitações, apoiado por decisão do ministro Gilmar Mendes, no STF.

30. Não basta para reverter o descalabro, evitar que Dilma seja substituída por alguém mais propenso a aceitar as imposições imperiais. Há que dar passos na restauração da soberania nacional, ferida inclusive pela alienação, quase graciosa, de 40% das ações preferenciais da Petrobrás, após a promulgação da Lei 9.478/1997, e pelos leilões do petróleo da plataforma continental e do pré-sal, nos governos do PT.

Os EUA não aceitam um mundo multipolar

Sanguessugado do Crônicas do Motta

Carlos Motta

 

A jogada do petróleo feita por americanos e sauditas foi certeira.

De imediato, golpeia fortemente os inimigos Rússia, Irã e Venezuela.

E, junto com o ataque intestino que sofre a Petrobras, lança uma série de dúvidas sobre o futuro do pré-sal brasileiro.

Os EUA não brincam em serviço.

A superpotência, pressionada pelo avanço econômico da China, pelo poderio militar russo, pelos governos de esquerda da América do Sul, pela teimosia de Assad em se manter no poder na Síria, pela resistência iraniana - pelo fato de que muitos países ainda não se curvaram às ordens imperiais -, faz um lance de alto risco, na tentativa de dar um golpe mortal no czar Putin, estrangulando a economia da Rússia.

A Otan se expande cada vez mais para o leste.

O governo central da Ucrânia se transformou num escritória da CIA.

Em meio a isso tudo, Obama e Raul Castro dizem ao mundo que estão dispostos a enterrar 50 anos de desentendimento.

Dá para acreditar nas boas intenções americanas?

O governo cubano não teria sido ingênuo demais ao se acertar com os americanos?

Ao fundo dessas questões tão sérias, persiste a mais grave crise econômica já vivida no mundo desde o crash de 29.

A distensão EUA-Cuba lança um pouco de oxigênio na atmosfera quase irrespirável que toma conta do planeta.

Mas não é suficiente para derrubar o muro quer vai se erguendo entre os EUA e seus satélites e seus "inimigos".

No governo americano há quem advogue a tese de que os russos têm de ser combatidos - literalmente.

Como há muitos precedentes sobre o belicismo dos EUA, essa ideia não é uma simples teoria da conspiração.

O fato é que o planeta nunca esteve tão perto, nos últimos anos, de uma grande conflagração como agora.

Isso porque  construção de um mundo multipolar é algo inconcebível para os americanos.

Janio de Freitas: O significado da indiferença dos EUA por Cuba

Via GGN

 

da Folha

O significado da indiferença, por Janio de Freitas

Por que tantos anos de sofrimento imposto a um povo cujo país nada poderia contra os Estados Unidos?

Os 53 anos do bloqueio americano a Cuba não foram ao regime comunista cubano. Foram a milhões de crianças, e a milhões de mulheres, e a milhões de homens, que compuseram na infância, na juventude, como adultos e como velhos as sucessivas gerações submetidas a mais de meio século do flagelo inútil de carências terríveis.

O regime sobreviveu muito bem, deu-se mesmo ao luxo de derrotar todas as investidas, nas mais variadas formas, que a maior potência bélica não cessou de lhe dirigir. As afirmações de que o regime mudou não são inteligentes, são apenas vulgares. O que mudou foi o mundo, e o regime se adaptou às circunstâncias, como sempre fizera, e por isso sobreviveu. Em Nova York, há 50 anos, ver negros entrando no elevador com brancos era prova de estar na ONU. Hoje a discriminação continua, porque o segregacionismo está na índole do país, mas os brancos vão à Casa Branca (um nome sugestivo) para falar com um negro.

E por que tantos anos de sofrimento imposto a um povo cujo país nada poderia contra os Estados Unidos?

Os motivos do bloqueio e seus antecedentes perderam-se na vaguidão "cultural" da atualidade. Mas não diferem dos outros que têm movido os Estados Unidos mundo afora. Apoiadores da ditadura de Fulgencio Batista --simbolizável nos órgãos genitais mandados à noiva do estudante oposicionista que os perdeu em tortura--, os Estados Unidos exigiam que a revolução democrática de Fidel Castro preservasse os negócios de americanos no seu quintal cubano: a maior concentração de cassinos e bordéis do mundo, bebidas alcoólicas, grandes plantações de cana com mão de obra semiescrava e exportação de açúcar. Cuba era dividida entre negócios e grupos da máfia americana.

Os problemas começaram com o fechamento dos cassinos e bordéis. Os chefes mafiosos haviam sido importantes para a eleição de Kennedy. A escalada foi intensa: reação americana, avanços revolucionários com nacionalizações e com reforma agrária. Kennedy ordenou a invasão, derrotada pelos cubanos, e o bloqueio total a Cuba. Fidel, em seu primeiro grande movimento de manipulação das circunstâncias, compõe-se com a oferta de ajuda da União Soviética, típica da Guerra Fria. Até então, e desde a luta contra Batista, o grupo de Fidel e os comunistas mantinham hostilidade frontal. Também isso mudaria, e mudaria tudo mais.

Dez anos depois da morte de Stálin, o Partido Comunista Cubano conservava o stalinismo em sua forma mais ortodoxa. Integrado a um governo que precisava apegar-se às relações com a União Soviética, o PCC e suas concepções tornaram-se a força predominante na caracterização do regime.

A crise da União Soviética desnorteou o regime cubano, e o fim do comunismo soviético lançou-o em circunstâncias que enfraqueceram a ortodoxia. No tempo das aberturas, o poder voltou ao reformismo, com uma peculiaridade: passou de irmão a irmão, com o sisudo e inflexível Raul retomando o Fidel extrovertido e aberto do princípio. E agora, o papa Francisco, o segundo papa cristão em nosso tempo, com João 23.

A tão longa indiferença americana com o sofrimento de milhões de vítimas do bloqueio não tem originalidade. É a mesma que, em certa manhã de verão, lançou sobre os habitantes de Hiroshima uma tempestade de fogo e gases que os carbonizou, quando o seu país já queria discutir os termos da rendição. E, passadas pouco mais de 48 horas, a mesma indiferença jogou uma segunda bomba atômica, sobre os habitantes de Nagasaki, incandescendo-os todos. É a mesma indiferença que lançou sobre o pequeno Vietnã mais bombas com o fogo pegajoso do napalm do que todas as suas bombas lançadas na Europa e na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial. É a mesma indiferença de um país, em palavras recentes do seu presidente, que "está em guerra permanente".

Indiferença pode ser sinônimo de perversão e de perversidade. Significado que, parece provável, os futuros historiadores vão preferir.

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Carta Maior irá processar a Folha de São Paulo

Via CartaMaior

A Carta Maior jamais recebeu qualquer quantia do Partido dos Trabalhadores. O grupo Folha deveria checar suas 'fontes' antes de fazer afirmações falsas.

reprodução

Com obsessiva recorrência, o oligopólio midiático que domina a sociedade brasileira desembainha armas para fustigar qualquer ensaio de pluralidade na estrutura de comunicação do país.

Interditar a participação, mesmo que tangencial, como acontece hoje, dos veículos progressistas na programação da publicidade estatal, é um dos carros-chefes dessa guerra diuturna.

Mais uma vez, o jornal Folha de São Paulo bateu continência nesse cerco, nesta 4ª feira, com a veiculação da reportagem  ‘Sites alinhados ao governo foram beneficiados com gasto em publicidade’.

Nela, o principal diário da família Frias, cuja empresa ostentaria em seu histórico um intercurso explícito com órgãos de repressão da ditadura militar, exercita o que sabe fazer de melhor: a falsificação dos fatos em benefício de teses preconcebidas.

Estamos falando de uma expertise reconhecida.

Recorde-se o desconcertante episódio da ‘ficha falsa da Dilma’, de 2009. 

Na edição de 5 de abril daquele ano, em aquecimento para a campanha presidencial de 2010, quando seu candidato eterno, o tucano José Serra, enfrentaria a então ministra Dilma Roussef, a Folha veiculou, junto com reportagem que tratava de um suposto plano de sequestro do então ministro Delfim Netto, durante a ditadura, um documento falso sobre a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Meses depois, à fórceps, o jornal admitiria parcialmente que ‘a ficha’ publicada fora obtida por e-mail, e pinçada de um site de extrema-direita, ‘Ternuma’.

Não havia qualquer traço de veracidade no documento e, menos ainda, de responsabilidade jornalística na forma como a Folha o veiculou, dando como origem, não checada, o Arquivo Público do Estado de São Paulo, onde estaria guardado com outros documentos do Dops.

Era mentira.

A mesma receita de jornalismo de cavalaria ligeira   –vamos dizer assim--   repete-se agora na reportagem desta 4ª feira, com a qual o diário dos Frias lança uma sombra de suspeição sobre o que denomina  ‘sites alinhados ao governo’ , que tiveram acesso a verbas de publicidade estatal.

De saída é forçoso reconhecer: a própria Folha estampa na reportagem números francamente desfavoráveis à sua tese.

A saber: nos últimos 14 anos, as estatais brasileiras investiram R$ 15,7 bilhões em publicidade. Desse total, oito veículos apontados como ‘alinhados’ pelo jornal – entre os quais ela inclui Carta Maior--  receberiam menos de R$ 75 milhões em publicidade.

Enquanto isso, paladinos daquilo que os Frias possivelmente qualifiquem como jornalismo isento, abocanharam enormes fatias dos gastos totais. Cerca de 1/3 do total dos R$ 15,7 bilhões, portanto, mais de R$ 5 bilhões, aterrissaram no caixa das Organizações Globo, por exemplo. Ao grupo Folha, sozinho, coube um fluxo de R$ 250 milhões, mais de três vezes o total direcionado ao conjunto dos denominados ‘sites alinhados’.

Abatida na aritmética, a tese da suspeição embutida na ‘reportagem’ investe então em outra frente.

Baseada em informações obtidas junto a fontes não declinadas da ‘oposição’ –a exemplo do que fez no episódio da ficha falsa da Dilma’, o jornal afirma que : ‘Acusados pela oposição de serem financiados pelo Palácio do Planalto e o PT, sites e publicações que adotam em linhas gerais uma posição de defesa do governo também receberam recursos de publicidade das principais estatais brasileiras nestes 14 anos’.

Carta Maior nunca omitiu sua linha editorial de esquerda, nem ocultou o apoio crítico aos governos progressistas que dirigem o país desde 2003.

Esse apoio crítico frequentemente se traduz na reprovação a medidas e políticas adotadas em Brasília.

A coerência com seus princípios editoriais está estampado em suas páginas sendo do conhecimento de seus leitores.

Esse veículo que a Folha agora denomina de "alinhado com o governo" foi seu parceiro de conteúdo durante longos quatro (4) anos, período em que centenas de matérias, produzidas pela Carta Maior, foram publicadas no Portal UOL, de propriedade do Grupo Folha.

Foi somente no ano de 2002, na crispação da disputa eleitoral, é que o UOL parou de publicar matérias da Carta Maior, atendendo a um pedido do então candidato José Serra, segundo informações de "congressistas da oposição ".

Mais que isso.

Durante mais de 10 anos o Jornal Folha de São Paulo publicou uma excelente coluna do jornalista Nelson de Sá, denominada TODA MÍDIA, recentemente extinta. Pois bem, esse insuspeito jornalista, na sua insuspeita Coluna Toda Mídia, publicou mais de 300 textos remetendo a Carta Maior, o indigitado veículo de esquerda agora "alinhado ao governo, segundo o jornal. Veja, abaixo, alguns desses links de matérias recomendadas pela coluna da Folha(*).

Carta Maior não mudou.

Ontem como hoje, sua independência se assenta em uma transparência de propósitos políticos claramente assumidos em sua página. Entre eles, o de contribuir para o debate progressista no Brasil e a construção de uma verdadeira democracia social no país.

Avulta assim inaceitável a afirmação da reportagem da Folha de que Carta Maior –a exemplo dos demais veículos arrolados pelo jornal--  se enquadra naquilo que fontes não declinadas afirmam serem sites e publicações ‘ financiados pelo Palácio do Planalto e o PT’.

Diante da fraude mais uma vez ancorada em fontes anônimas – não checadas, insista-se, a exemplo do que se fez deliberadamente com a ‘ficha falsa da Dilma’ pinçada de um site de extrema –direita—  a direção de Carta Maior decidiu acionar a Justiça para que interpele o diário dos Frias sobre suas afirmações, nos seguintes termos:

‘Na data de hoje foi veiculada uma notícia (em anexo) dando conta de que a empresa Carta Maior teria recebido dinheiro do Partido dos Trabalhadores. “Congressistas” seriam a fonte de tal informação.

A Carta Maior (através do seu advogado abaixo assinado) vem por meio dessa solicitar a Vossas Senhorias, em razão dessa afirmação falsa, as seguintes providências:

a) o Grupo Folha deve informar, não só à Carta Maior, mas aos próprios leitores de Vossas Senhorias, quem são os “congressistas” anônimos que fizeram tal afirmação falsa;

b) O Grupo Folha deve publicar matéria com o mesmo destaque dado à informação falsa, informando aos seus leitores que Carta Maior JAMAIS recebeu qualquer quantia do Partido dos Trabalhadores.

Cordiais saudações,

Carta Maior

(*)Links de algumas matérias de Carta Maior recomendadas pela ‘Folha de São Paulo’

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc3005200626.htm

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2906200618.htm

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0802200617.htm

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2908200523.htm

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1002200511.htm

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0601200512.htm

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2908200523.htm