quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Nova polêmica na Venezuela

Via Brasil de Fato

Elaine Tavares

Na noite de hoje (27), o presidente Maduro convocou os representantes de movimentos sociais, missões, militantes, que lotaram o teatro Tereza Carrenho e pediu vigilância contra os que atentam contra a revolução bolivariana. Segundo ele, o governo está no controle, tem garantido uma união cívico-militar, e vencerá a guerra econômica. 

O principal nome da oposição, Henrique Capriles, criou mais uma polêmica essa semana para o governo da Venezuela, buscando caracterizar a atual administração do país como autoritária. Ele convidou os ex-presidentes Sebastián Piñera, do Chile, Andrés Pastrana, da Colômbia, e Felipe Calderón para uma vista ao ex-prefeito de Chacao, Leopoldo Lopez, um dos presos por participação direta no chamamento e organização das “Guarimbas”, como ficaram conhecidas as manifestações violentas promovidas pela extrema direita venezuelana pouco depois da eleição de Nicolás Maduro e que deixaram mais de 20 mortos. Nesses protestos houve trancamento de ruas, queima de pneus, incêndios de prédios públicos, destruição de centros de saúde nos bairros e uso de armas de fogo contras as forças policiais.

Os ex-presidentes, que estavam na Venezuela para um fórum promovido pela oposição chamado "Poder Cidadão e a Democracia de hoje” chegaram até o local onde está encarcerado Lopez e não puderam entrar. Segundo os dirigentes governamentais ninguém comunicou sobre a visita ou pediu autorização, como acontece com qualquer outra pessoa que queira encontrar algum prisioneiro. Mas, Capriles foi aos jornais acusar Maduro de autoritário e antidemocrático. Na verdade, mais um factoide promovido pela oposição nesses dias em que a população segue acossada com os problemas de falta de produtos nas prateleiras.

Naqueles dias das “guarimbas” em que os protestos promovidos pela oposição se expressaram de forma violenta, quem esteve à frente das manifestações foram a deputada Maria Corina Machado, que segundo se soube depois, recebeu financiamento dos Estados Unidos para a organização que dirige, a Súmate,  o governador do estado de Miranda, Henrique Capriles, que tinha acabado de perder as eleições e Leopoldo López, ex-prefeito de Chacao, o que convocou abertamente os protestos com o objetivo de derrubar o governo. Também os meios de comunicação que fazem oposição ao governo bolivariano divulgaram a exaustão imagens e informações falsas sobre o que diziam ser violações de direitos humanos por parte do governo.

A visita dos ex-presidentes e todo o protesto que fizeram gerou indignação junto às forças populares bolivarianas que trataram de se expressar nos meios de comunicação públicos e estatais defendendo a posição do governo. “Não é porque eles foram presidentes de países que vão ter tratamento diferenciado. Tinham de ter pedido autorização para a visita como qualquer pessoa faz. Tudo isso foi mais uma tentativa de criar problemas para o governo. Não funcionou”.

O presidente Maduro também se manifestou dizendo que esses três presidentes estavam na Venezuela com o dinheiro do narcotráfico e que tinham vindo ostensivamente apoiar um golpe contra o governo bolivariano. Também falou à nação sobre como esses mandatários dirigiram seus países quando estavam no poder.

O mantra da oposição é de que o governo bolivariano não permite a liberdade de expressão. Pode-se dizer tudo do governo da Venezuela, menos isso. Todos os canais de televisão e de rádio que estão na mão da oposição fazem a crítica sistemática ao governo bolivariano. Ninguém é impedido de falar. O mesmo acontece com os jornais. O que acontece é que o governo tem seus canais de comunicação de massa e a luta se dá também nesse campo da comunicação.

Assim, tudo o que a oposição divulga, é imediatamente explicado pelos jornalistas e apresentadores dos canais públicos. A população tem, o tempo todo, a possibilidade de acessar as duas ou mais versões dos fatos. Outra coisa importante no campo da comunicação é que os canais estatais divulgam as falas completas, sem edição, permitindo que a opinião pública conheça a totalidade das informações. O que acontece, cotidianamente, é a luta de classe se expressando também no campo da comunicação.

Mas, apesar de toda a publicidade que a mídia deu ao episódio da visita não-realizada, o tema acabou se esgotando. No dia seguinte ao frustrado intento, os familiares dos que morreram durante as “guarimbas” foram procurar os ex-presidentes para falar de sua dor e explicar o que foram aqueles protestos, mas também não conseguiram o encontro. Os políticos não aceitaram conversar. Essa recusa acabou colocando a eles como os que se negaram ao diálogo.

No meio de todos esses conflitos e tentativas de desestabilização, a população venezuelana segue vivendo os problemas de desabastecimento. Ainda se podem ver longas filas nos mercados populares e seguem faltando alguns produtos importantes para as famílias. Nas ruas, a vida segue na azáfama de ganhar o dia, mas a população espera respostas mais efetivas do governo. Uma boa parte não está muito preocupada com quem está no comando, o que quer é a comida na mesa e a certeza de que poderá encontrar os produtos necessários para sua sobrevivência. Esses estão no silêncio. Por outro lado, seguem atuando as máfias que controlam a distribuição de produtos, 70% na mão privada, e as que especulam com o dólar, provocando o aumento sistemático da inflação.

São dias tensos, mas, ao que parece, nada muito diferente do que tem sido desde 1998 quando Hugo Chávez venceu as eleições. Na noite de hoje (27), o presidente Maduro convocou os representantes de movimentos sociais, missões, militantes, que lotaram o teatro Tereza Carrenho e pediu vigilância contra os que atentam contra a revolução bolivariana. Segundo ele, o governo está no controle, tem garantido uma união cívico-militar, e vencerá a guerra econômica. Ao mesmo tempo anunciou uma séria de medidas para aumentar a produção de alimentos, com a garantia de insumos e financiamento. “Nós estendemos a mão aos bons empresários, chamamos ao trabalho. Vamos ganhar essa guerra nas ruas, junto ao povo”.

AS SOMBRAS DE AUSCHWITZ

Sanguessugado do Mauro Santayana

(Hoje em Dia) - O mundo comemorou, ontem, na Polônia, os 70 anos da libertação (foto), por soldados da antiga União Soviética, do campo de extermínio de Auschwitz,  talvez o mais terrível exemplo do exercício da discriminação e do mal, na história humana,  e da máquina de genocídio nazista.

Auschwitz destacou-se, entre os outros e numerosos campos de concentração e de extermínio.

Não pela perversidade de seus oficiais, dos guardas e dos kappos, prisioneiros que controlavam as barracas em que se amontoavam, às centenas, seres humanos esquálidos e  sub-alimentados, doentes e torturados pelas ameaças, as pancadas, o frio e assombrados pela perda de seus pais, mulheres e filhos, assassinados, muitas vezes, na sua frente,  comuns a outras sucursais do inferno, como Sobibor, Maidanek, Belsen e Treblinka.

Mas, principalmente, por sua escala inimaginável, gigantesca, da qual tomava parte o campo vizinho de Birkenau, e pela organização metódica, planejada, de suas instalações. Elas foram planejadas para o roubo dos pertences, a exploração e a morte de milhares de pessoas por dia, da recepção dos prisioneiros, em sua dantesca estação ferroviária, até sua execução a tiros, por extenuação, espancamento ou em câmaras de gás, com a posterior destruição do corpo em fornos crematórios, em uma especie de matadouro tão bem organizado, que tudo era aproveitado, do ouro das jóias e dos dentes, ao cabelo dos prisioneiros, usado para forrar botas de inverno.

O fato de o presidente Vladimir Putin, líder do país herdeiro da URSS, potência que libertou Auschwitz, e venceu a batalha de Berlim, derrotando a Alemanha Nazista e levando Hitler ao suicídio, não ter sido convidado, é significativo.

Principalmente, quando se leva em consideração, que, na cerimônia,  como convidado, esteve presente Petro Poroshenko, presidente da Ucrânia, país de origem de muitos dos guardas que trabalhavam em Auschwitz, e em outros campos, auxiliando prazeirozamente os SS nazistas, na vigilância, tortura e morte de milhares de homens, mulheres e crianças das mais diferentes origens.

Na Ucrânia de hoje, desfilam orgulhosamente neonazistas, e cresceram, vertiginosamente, depois da derrubada do governo que estava no poder anteriormente,  os ataques a judeus, ciganos - dos quais milhares também morreram em Auschwitz - e outras minorias.

Por mais que os revisionistas e deturpadores da história - extremamente ativos nos últimos tempos -  insistam em equiparar russos e nazistas, a verdade é que quando um criminoso nazista era capturado pelos soviéticos, ele era julgado, e na maioria das vezes, condenado  à morte ou a pesadas penas de prisão, enquanto a maioria dos que foram apanhados pelos norte-americanos e pelos alemães ocidentais, mais tarde, permaneceram impunes, ou se tornaram colaboradores de organizações como a CIA durante a Guerra Fria -  morrendo gordos e velhos, na cama, como não mereciam.

30% da água de SP foge pelo ladrão. Quem é o ladrão e quem mais consome a água que falta na sua casa

Sanguessugado do Mello

Antônio Mello

Para tentar tirar o corpo fora, o governador Alckmin e a Sabesp estão querendo criar uma rede de intrigas entre vizinhos para que um denuncie o outro por lavar o carro, a calçada ou dar descarga demais.

Isso tudo é uma impostura. E explico por quê:

31% de toda a água de São Paulo é desperdiçada, vai para o lixo, graças aos vazamentos que a Sabesp não corrigiu.

Sobram 69%. A agricultura fica com 70% deles. A indústria com 22% e o consumidor, que está sendo apontado como vilão esbanjador, com míseros 8% - ou seja, em torno de 5,6% do total da água distribuída.
Portanto, meu amigo paulista, não caia na empulhação que querem lhe enfiar goela abaixo. Se todos os paulistas não consumirem uma gota de água sequer a economia para o sistema será de míseros 5,6%.

O maior vilão, aquele que não economiza, não produz, não gera riqueza é o vazamento que a Sabesp não cuida nem cuidou.

Repito: se todos os paulistas não usarem uma gota de água a economia será de 5,6%.

O desperdício pelos vazamentos não consertados pela Sabesp é de 31%.

Nao brigue com seu vizinho. Una-se a ele e cobre dos culpados, a Sabesp e o governo de São Paulo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

ANTECEDENTES DO MENOR:

Vina Guedes via feicibuqui da Raquel Teixeira

ANTECEDENTES DO MENOR:
Furto, roubo, lesão corporal, ameaça, e mais furto e mais roubo. A lista de condutas praticadas por ele que são descritas, pela lei, como “crime” era, de fato, muito considerável.
É um daqueles casos em que olhamos para o adolescente com total desesperança, sem conseguir deixar de lado o olhar de desaprovação. Um jovem estudante de Direito chegou a comentar: “Num caso desse, só matando”. O que ele não sabia é que aquele adolescente já havia morrido há, pelo menos, 11 anos.
Aquele “bandidinho repugnante”, assim se referia a ele uma das vítimas, “é um lixo, Doutor, ele fede. Isso nem é gente”, fora abandonado pela mãe quando tinha apenas 6 anos de idade. Deixado nas ruas de uma cidade com cerca de 300 mil habitantes, num semáforo. Segundo me disseram, a mãe foi morar com um senhor que, embora tivesse o bom senso de sustenta-la, não aceitava o menino.
A partir de então, essa criança cresceu na rua, praticando favores sexuais aos meninos maiores em troca de alimento, furtando uma coisinha aqui e ali. Sofreu toda sorte de abusos, toda forma de violência que se possa imaginar.
Mas ninguém fala (será por quê?) em prender quem passe de olhos fechados diante dessas inúmeras crianças e adolescentes abandonados à própria sorte, cuja vida só ensinou sentenças de dor, de morte e de revolta íntima.
O Estudante de Direito falou:
Tem que prender esse troço. Não dá pra andar na rua seguro com isso solto, não. Daí perguntei: Ele ameaçou o Senhor de que jeito? Colocou a mão dentro da blusa e falou que se eu não obedecesse eu ia me dar mal.
E o que ele exigiu do Senhor, pode dizer? Ele queria o quê?
Ele queria água e comida.
Senti uma imensa vontade de mandar o doutorzinho para o inferno junto com a lista de antecedentes do menino. Aquela lista de antecedentes não servia à condenação ou à absolvição do menino. Aquele lista de antecedentes condenava a todos nós. Documento inconteste da hipocrisia do mundo e da precariedade, da inconsistência de uma palavra tão recorrente na boca dos “cidadãos honestos”: justiça.

A Globo não ataca o Governo, ataca o Estado nacional

Sanguessugado do Cultura Esporte & Política

O Jornal da Globo de ontem, terça-feira, ultrapassou todos os limites da manipulação no sentido de execrar com a Petrobras através de uma análise distorcida de fatos e estatísticas. Os dois comentaristas tomaram por base valor de mercado, comparando-o com dívidas, para sugerir que a empresa está quebrada. É puro charlatanismo, economia de botequim, violação das mais elementares regras de jornalismo sério.

J.Carlos de Assis

 

O noticiário da Globo é tendencioso. Ninguém que seja medianamente informado pensará diferente. Entretanto, não sei se as vítimas desse noticiário perceberam que no afã de denegrir o Governo, o que está perfeitamente dentro de suas prerrogativas de imprensa livre, a Tevê Globo, sobretudo nas pessoas dos comentaristas William Wack e Carlos Sardenberg, passaram a atacar o Estado brasileiro, o que sugere crime de lesa-pátria.

O Jornal da Globo de ontem, terça-feira, ultrapassou todos os limites da manipulação no sentido de execrar com a Petrobras através de uma análise distorcida de fatos e estatísticas. Os dois comentaristas tomaram por base valor de mercado, comparando-o com dívidas, para sugerir que a empresa está quebrada. É puro charlatanismo, economia de botequim, violação das mais elementares regras de jornalismo sério.

Valor de mercado não mede valor de empresa; é simplesmente um indicador de solvência de ações num dia no ambiente ultra-especulativo de bolsas de valores. O que mede o valor real de uma empresa é seu patrimônio comparado com seu endividamento. As dívidas que a Petrobras contraiu para suas atividades produtivas, notadamente do pré-sal, são muitíssimo inferiores a seu patrimônio, no qual se incluem bilhões de barris medidos de óleo do pré-sal.

Evidentemente que os dois comentaristas da Globo torcem para que o petróleo fique por tempo indefinido abaixo dos 45 dólares para inviabilizar o pré-sal brasileiro. Esqueçam isso.

É uma idiotice imaginar que a baixa do petróleo durará eternamente: a própria imprensa norte-americana deu conta de que os poços em desenvolvimento do óleo e do gás de xisto, os vilões dos preços baixos, tem um tempo de vida muito inferior ao que se pensava antes.

É claro que o preço baixo do petróleo tem um forte componente geopolítico a fim de debilitar, de uma tacada, a economia russa, a economia venezuelana e a economia iraniana – e muito especialmente a primeira. Mas o fato é que atinge também empresas americanas que entraram de cabeça no xisto, assim como países “aliados” que produzem petróleo. No caso do pré-sal, ele só se tornaria inviável no mercado internacional com o barril abaixo de 45 dólares.

Os ataques dos dois comentaristas da Globo à Petrobras têm endereço certo: é parte de uma campanha contra o modelo de partilha de produção  do pré-sal sob controle único da Petrobras, contra a política de conteúdo nacional nas encomendas da empresa e contra a contratação das grandes construtoras brasileiras para os serviços de construção de plataformas e outras obras civis, principalmente de refinarias.

Esses três pontos foram assinalados no discurso de Dilma como inegociáveis. É uma decisão de Estado, não apenas de Governo. Sintomaticamente, os dois comentaristas da Globo sequer mencionaram esses pontos. Preferiram dar destaque maior ao noticiário pingado da Lava Jato, que, cá pra nós, já está ficando chato na medida em que não tem nada realmente novo, mas simples repetição à exaustão de denúncias anteriores.

P.S. Talvez os dois comentaristas teriam maior simpatia pela Petrobras se parassem para dar uma olhada nos anúncios televisivos sobre a performance vitoriosa da empresa,  e que ela está pagando para serem exibidos na Globo, para mim de forma absurda e injustificável.

J. Carlos de Assis - Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB.