domingo, 19 de maio de 2013

Grupo de Daniel Dantas grilou 25 mil hectares de terras públicas

Via Brasil de Fato

Estudo feito em apenas quatro das fazendas do grupo Santa Bárbara aponta a existência de 25.504 hectares de terras públicas.

O departamento jurídico da Comissão Pastoral da Terra (CPT), da Diocese de Marabá, acaba de concluir um estudo, realizado em quatro das mais de 50 fazendas pertencentes ao Grupo Santa Bárbara, o qual aponta que 71,81% da área que compõe os quatro imóveis são compostas por terras públicas federais e estaduais. O estudo foi feito nas fazendas Cedro e Itacaiúnas (localizadas no município de Marabá), Castanhais e Ceita Corê (localizadas nos municípios de Sapucaia e Xinguara).

Os quatro imóveis juntos possuem uma área total de 35.512 hectares (ha) e de acordo com o levantamento feito, desse total, 25.504 hectares não possuem qualquer comprovação documental de que tenha havido o regular destaque do patrimônio público para o particular, ou seja, mais de 2/3 da área é constituída de terras públicas federais e estaduais.

Em relação à Fazenda Cedro, se apurou que o imóvel de 8.300ha é formado por seis áreas distintas: área 01 com 1.014,82 ha; área 02 com 4.430,42ha; área 03 com 1.15,25ha; área 04 com 791,40ha; área 05 com 520,40ha e área 06 com 528ha. Das seis áreas que compõem o complexo, há documentação legítima apenas das áreas 03 e 04, totalizando 1.543,25 hectares, ou seja, 22,8% do imóvel. O restante, 78,02%, trata-se de terras públicas do estado do Pará. O ITERPA (Instituto de Terras do Pará) e a Ouvidoria Agrária Nacional já foram informados da situação e um processo foi instaurado para apurar o caso.

Sobre a Fazenda Itacaiúnas a situação não é diferente. O imóvel de 9.995ha é composto por cinco áreas distintas: área 01 com 3.612ha; área 02 com 2.169ha; área 03 com 2.084ha; área 04 com 1.585ha; e área 05 com 489ha. Das cinco áreas que compõem o complexo, há documentação legítima apenas das áreas 02 e 03, totalizando 4.253ha, ou seja, 42,55% do imóvel. O restante, 58,45% , trata-se de terras públicas federais. Essa parte do estudo já foi encaminhada ao Juiz da Vara Agrária, onde tramita o processo da Fazenda Itacaiúnas.

Já em relação às Fazendas Castanhais e Ceita Corê, que juntas totalizam 17.224 hectares, a fraude para se apropriar da terra pública foi ainda mais escandalosa. Utilizando apenas um título com área de 4.356 ha, expedido pelo estado do Pará em 1962, se forjaram matrículas de outros 12.868 ha que formaram a maior parte das duas fazendas citadas. Ou seja, 74,71% do total da área das duas fazendas são compostos de terras públicas federais, ilegalmente ocupadas pelo Grupo Santa Bárbara. O Ministério Público Federal será acionado para adotar as medidas legais que o caso requer.

O Grupo Santa Bárbara, do banqueiro Daniel Dantas, nos últimos anos comprou mais de 50 fazendas na região com área superior a 500 mil hectares. Grande parte dessas áreas são constituídas de terras públicas federais e estaduais. Contudo, nem o INCRA e nem o ITERPA têm adotado qualquer medida legal para arrecadar as terras e destiná-las ao assentamento de famílias de trabalhadores rurais sem terra, conforme determina o artigo 188 da Constituição Federal, pois seus supostos (e falsos) proprietários são apenas meros detentores dos imóveis, haja vista a proibição constitucional de posse de particulares sobre bens públicos. Há seis anos que cerca de 650 famílias ligadas ao MST e a FETAGRI estão acampadas em quatro fazendas do grupo Santa Bárbara (Cedro, Itacaiúnas, Maria Bonita e Castanhais), esperando serem assentadas. Os 25.504 hectares de terras públicas ocupados ilegalmente pelo Grupo dariam para assentar cerca de 600 famílias.

Nos últimos cinco anos, seguranças e pistoleiros do Grupo Santa Bárbara já assassinaram um trabalhador sem terra e feriram à bala outros 33, nas ocupações em suas fazendas. O Grupo tem sido também, frequentemente, denunciado por despejo ilegal, uso de veneno pulverizado por avião, contratação de pistoleiros e uso ilegal de armas de fogo, com o objetivo de expulsar as famílias que ocupam cinco de suas mais de 50 fazendas na região.

Marabá, 13 de maio de 2013

Comissão Pastoral da Terra - CPT da diocese de Marabá

sábado, 18 de maio de 2013

Ex-agente: “Coronel Perdigão deu um tiro na nuca de cada um deles”

Sanguessugado do Viomundo

“Seqüestraram, espancaram, pintaram de vermelho e deixaram nu numa estrada o bispo de Nova Iguaçu, Dom Adriano Hipólito…”

Conceição Lemes

Nesta quinta-feira 16, o ex-agente da repressão Valdemar Martins de Oliveira prestou depoimento na audiência pública realizada da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo.

Ex-paraquedista, Valdemar disse a Rodrigo Vianna, em reportagem exclusiva veiculada nessa quarta-feira 15 pelo Jornal da Record, que abandonou o Exército brasileiro por discordar de torturas e assassinatos cometidos pelos militares contra militantes políticos que se opunham à ditadura.

Valdemar foi testemunha do assassinato do casal Catarina Abi-Eçab e João Antônio dos Santos Abi-Eçab, em 1968, no Rio de Janeiro.  Os dois militavam no movimento estudantil e eram suspeitos de ter participado da execução do capitão do Exército norte-americano Charles Rodney Chandler, em 12 de outubro de 1968, feita pela ALN e pela VPR.

Durante muito tempo prevaleceu a versão policial que atribuiu a morte do casal à explosão do veículo em que viajavam, em consequência da detonação de explosivos que transportavam,  no km 69 da BR-116, próximo a Vassouras (RJ).

A versão divulgada na imprensa foi a de que ambos foram vítimas de um acidente de automóvel: “[…] chocaram-se contra a traseira de um caminhão que transportava pessoas em sua caçamba”. No veículo em que estavam, teria sido encontrada uma mala com armamentos e munição.

No boletim de ocorrência, que registrou o suposto acidente, consta:

Foi dado ciência à Polícia às 20h de 08/11/68. Três policiais se dirigiram ao local constatando que na altura do km 69 da BR116, o VW 349884-SP dirigido por seu proprietário João Antônio dos Santos Abi-Eçab, tendo como passageira sua esposa Catarina Helena Xavier Pereira (nome de solteira), havia colidido com a traseira do caminhão de marca De Soto, placa 431152-RJ, dirigido por Geraldo Dias da Silva, que não foi encontrado. O casal de ocupantes do VW faleceu no local. Após os exames de praxe, os cadáveres foram encaminhados ao necrotério local.

O laudo da exumação, elaborado pelos legistas Carlos Delmonte e Isaac Jaime Saieg, em 23 de julho de 2000, concluiu que a morte foi conseqüência de “traumatismo crânio-encefálico” causado por “ação vulnerante de projétil de arma de fogo”.

Sua morte ocorreu em decorrência de um tiro que a atingiu pelas costas. Além disso, os legistas não encontraram sinais de autópsia feita anteriormente. A causa mortis apresentada em 9 de novembro de 1968, pelos médicos Pedro Saullo e Almir Fagundes de Souza, do IML de Vassouras, foi “fratura de crânio, com afundamento (acidente)”.

A reportagem feita pelo jornalista Caco Barcellos, veiculada no Jornal Nacional (TV Globo) em abril de 2001, desmentiu a versão policial de acidente e demonstrou que João Antonio e Catarina foram executados.

Na entrevista ao repórter Rodrigo Vianna, Valdemar deu detalhes: “O capitão Pereira deu um tiro na nuca de cada um deles”.

Nesta quinta-feira 16, em depoimento à Comissão da Verdade do Estado de São Paulo, na Assembleia Legislativa, Valdemar revelou o nome do “capitão Pereira”: “O coronel Freddie Perdigão deu um tiro na nuca de um e outro tiro na nuca do outro”.

Em depoimento à Comissão Nacional Verdade, o ex-militar já havia revelado o nome de Freddie Perdigão. Como lá a audiência foi fechada, a informação não veio a público.

FREDDIE PERDIGÃO, O DR. NAGIB

Segundo o Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, o nome de Freddie Perdigão, conhecido como o dr. Nagib nos porões da ditadura, aparece em duas listas do Projeto Brasil Nunca Mais, como Major atuando no DOI/CODI do Rio de Janeiro, em 1970.

Em documento de 2008, o Tortura Nunca Mais/RJ, relata:

“Na primeira destas listas, a de “Elementos Envolvidos Diretamente em Torturas”, à página 39 do Tomo II, volume 3 “Os Funcionários”, seu nome é denunciado por Tânia Chao que, em dezembro de 1970 era professora, tendo 25 anos. Seu depoimento encontra-se à pág 769 do Tomo V, volume 3, “As Torturas” do Projeto BNM, transcrito abaixo:

( ) … que a declarante anteriormente a assinatura de suas declarações foi agredida de diversas maneiras sofrendo, inclusive, choques elétricos pelo corpo sendo que esses fatos foram presenciados pelo Encarregado do IPM; que a declarante foi agredida, inclusive, pelas pessoas de nome Plínio e Nagib, e, também, por Timóteo Ferreira por palmatória; que a declarante na prisão não tem obtido tratamento médico necessário uma vez que sofre de artrite rematoide e de úlcera; que em sua prisão não tem o mínimo conforto necessário no que se refere a higiene uma vez que não há banheiro na cela …( )

Estas declarações de Tânia Chao encontram-se no Processo N.º 81/70 da 1ª Auditoria da Militar, da 1ª RM/CJM, com Apelação no STM de n.º 39.519 consta de dois volumes e dois apensos ( informações contidas à pág 209, Tomo II, Volume 1 “A Pesquisa BNM” do Projeto Brasil Nunca Mais).

Este processo, trata de réus acusados de pertencerem a ALA, no Rio de Janeiro, em 1970, tendo conseguido do dono de uma gráfica autorização para imprimirem identidades falsas, o que efetivamente fizeram. Alguns réus fundaram um curso para obter fundos para a Ala, onde era impresso em mimeógrafo o jornal “Unidade Operária”

Na segunda lista, a de “Membros dos órgãos da Repressão”, à página 233 do Tomo II, Volume 3 “Os Funcionários”, o nome de Nagib é denunciado também em abril de 1971 e aparece no mesmo Processo citado acima.

O Coronel Freddie Perdigão foi denunciado pelo estudante Sérgio Ubiratan Manes em depoimento ao Tribunal Superior Militar (STM), em 1969, segundo reportagem do Jornal O Globo de 04/07/99, como um dos torturadores que o espancaram na Polícia do Exército, na Rua Barão de Mesquita.

Nessa mesma reportagem, o General Newton Cruz revela que o Capitão Perdigão o avisou da Operação Riocentro e esteve no local do atentado com o grupo de militares que colocaram a bomba no estacionamento do Riocentro, durante um show em homenagem ao Dia do Trabalhador, em 30/04/81, onde morreu o sargento Guilherme do Rosário e ferindo o capitão Wilson Machado, ambos agentes do DOI/CODI.

Segundo o jornalista Elio Gaspari, publicado na sua coluna, no Jornal O Globo, no dia 24/10/99 “…O grupo terrorista a que Perdigão estivera ligado em 1968 voltou a agir em 1976.

Seqüestraram, espancaram, pintaram de vermelho e deixaram nu numa estrada o bispo de Nova Iguaçu, Dom Adriano Hipólito…”

EUA: Muitos agricultores decidiram abandonar o cultivo de milho e soja por causa da “contaminação inevitável que ela provocaria”

Via Rebelion

A Monsanto contra a população

Charlotte Silver

Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti

Al Jazeera Magazine

Na semana passada, a Monsanto comunicou a seus acionistas os assombrosos lucros obtidos em 2012. Ao mesmo tempo, agricultores norte-americanos participavam de um julgamento em Washington para desafiar o direito dos gigantes da biotecnologia de processarem os agricultores cujas semeaduras tinham sido contaminadas pelas sementes da Monsanto. Em 10 de janeiro, começaram as apresentações orais diante da Corte de Apelações dos EUA, para decidir-se se seria revertida a recusa de aceitação da causa, de fevereiro passado.

Os lucros da Monsanto quase que duplicaram as projeções dos analistas, e o total das suas receitas alcançou 2,94 bilhões de dólares em fins de 2012. O aumento de preços do herbicida Roundup continuou dominando o mercado dos Estados Unidos, e talvez o mais significativo é que os mercados da América Latina se constituem em fatores que contribuem para o florescente negócio da Monsanto.

Ao explorar seu milho, soja e algodão transgênicos patenteados, a Monsanto assegura um odioso controle sobre as indústrias agrícolas dos EUA e pressiona com eficácia aos agricultores convencionais, ou seja, os que não utilizam sementes transgênicas. Assim, elimina as possibilidades daqueles de participarem do mercado e de serem competitivos (Até o final de 2012, o Departamento de Justiça investigava a Monsanto por violar as leis anti-truste com suas atividades contra a competição de outras companhias biotecnológicas, mas essa investigação foi discretamente encerrada antes do final do ano).

Há um processo legal em andamento, aparentemente modesto: Osgata et al versus Monsanto, que tinha sido iniciado em março de 2011, e consiste em conseguir proteção legal para os agricultores de cultivos orgânicos convencionais contra as agressivas ações judiciais que a Monsanto aplica às violações das suas patentes. Contudo, as conseqüências desse julgamento são transcendentais. Se a Corte de Apelações do DC (Capital) reverte a recusa, será iniciado um processo de descoberta que poderá revelar a reserva de informação que a Monsanto vem ocultando ao conhecimento público, tanto por escondê-la como por impedir as pesquisas independentes.

A Monsanto abusa das patentes

Entre 1997 e 2010, a Monsanto abriu 144 processos contra famílias de agricultores, e solucionou 700 casos fora da Corte. Mais ainda: grupos relacionados com a alimentação calculam que a Monsanto investiga a centenas de agricultores em busca de possíveis culpados por infração às patentes.

As vítimas das ações judiciais depredadoras da Monsanto são os agricultores que usaram as sementes da grande empresa sem ligar para a patente, e também os que jamais tiveram a menor intenção de semear plantas transgênicas. Osgata et al versus Monsanto se ocupa desse segundo grupo, e representa 31 granjas e agricultores, 13 empresas de venda de sementes e a 31 organizações agrícolas que representam mais de 300 mil indivíduos e 4,5 mil granjas e agricultores.

Os demandantes exigiram uma declaração legal que assegure que a Monsanto não tem o direito de processa-los por descumprimento de patentes.

Jim Gerritson, presidente da OSAGA (Organic Seed Growers and Trade Association – Cultivadores de Sementes Orgânicas e Associação Comercial), e precursor da demanda, explicou-me que os agricultores de sementes orgânicas e não transgênicas são “... um exemplo clássico do porquê o Congresso ter aprovado a Lei do Juízo Declaratório: se há um grupo que teme sofrer com a prepotência de alguma grande empresa, pode pedir proteção contra reclamatórias e infrações a patentes”.

Contudo, as cortes federais sempre têm protegido os direitos da Monsanto a seus lucros através de um sistema de patentes que cada vez mais obstaculiza a liberdade individual e de mercado, ao permitir que a empresa abuse de seus direitos de patente. A Osgata está representada por seu advogado Dan Ravicher e pela Fundação Pública de Patentes, uma organização que se dedica a criar um sistema justo de patentes, e que busca um equilíbrio entre a liberdade individual e a emissão ética de patentes.

A Monsanto criou para si uma reputação convenientemente intimidatória como implacável fiscal dos agricultores não transgênicos cujos campos tem sido contaminados pelo milho geneticamente modificado semeado por seus vizinhos, pela polinização cruzada ou pela mistura acidental de sementes durante a colheita.

Na raiz desses exemplos aterradores, os agricultores assumiram a responsabilidade de impedir a contaminação, estabelecendo limites para as experiências genéticas e, em alguns casos, abstendo-se diretamente de semear.

Efeito do monopólio

A Osgata mostra em detalhes quantos agricultores convencionais desistiram de semear determinados cultivos, com a intenção de ressaltar a monopolização que é conseqüência da agressiva perseguição da Monsanto aos casos de infração de patentes. Estima-se que 88% da soja e 93% do milho sejam geneticamente modificados, e a maioria nas mãos da Monsanto. Bryce Stephens, agricultor de culturas orgânicas do noroeste do Kansas é um dos que decidiu deixar de cultivar milho e soja, em conseqüência da inevitável contaminação que ocorreria. “Meu temor à contaminação por meio do milho e da soja transgênicos e o conseqüente risco de ser acusado de violar a patente me impedem de fazer esses cultivos em minhas terras. Não existe outro motivo pelo qual não semeio essas plantas, embora gostaria muito de poder faze-lo”.

Gerritson me explicou a questão assim: “Os agricultores sofreram perdas econômicas. Já não cultivam milho e soja por que sabem que seus plantios serão contaminados. Não podem arriscar suas terras e suas famílias diante da possibilidade de serem processados por infração à patentes”.

A Monsanto sabe que os consumidores não comprariam seus produtos por sua própria vontade, lição que aprenderam na Europa quando exigiu-se que os alimentos transgênicos tivessem essa caracterização. Nos EUA, a empresa e seus aliados gastaram milhões para impedir as iniciativas locais de etiquetagem, como por exemplo as ocorridas há pouco na Califórnia. Mas, se bem que a empresa consiga deixar os agricultores convencionais de fora, os americanos não tem alternativa... com ou sem rotulagem.

Apesar da criação desse perigoso monopólio, em fevereiro de 2012 a juíza Naomi Reice Buchwald aprovou a solicitação da Monsanto e rechaçou a ação inicial, qualificando as preocupações dos agricultores como “exageradas” e instando-os a confiar nas promessas da empresa (que não eram legalmente vinculantes), de que não exerceria seus direitos de patente pela contaminação involuntária com traços de transgênicos nas plantas; declarou que os agricultores tinham inventado uma controvérsia que, na realidade, não existia.

Se a ação iniciada pelos agricultores consegue ir adiante, o mínimo que vai acontecer é de fundamental importância: que, através dos dados levados à luz através do processo, o público terá acesso a um veio de informações que a empresa tem conseguido manter ocultas. Ravicher está convencido, de que então aí poderá se determinar que os produtos traficados pela Monsanto não são sãos e, conseqüentemente, não são bons para a sociedade. Citou um caso de 150 anos atrás, e o lembra a nós: “... uma invenção para envenenar a população não é patenteável”.

É evidente que está crescendo o movimento para derrotar a Monsanto. Ganhe ou perca esta rodada, a população não vai desistir na sua luta para derrubar esse monstro.

Charlotte Silver é uma jornalista radicada em San Francisco e West Bank. Obteve seu título na Universidade de Stanford.

O psiquiatra de Caruaru: “Homofobia é veadagem enrustida”

Sanguessugado do Assaz Atroz

 

Fernando Soares Campos

Caruaru é a maior cidade do interior de Pernambuco, conhecida como Capital do Agreste, terra da feira que “faz gosto a gente vê, de tudo que há no mundo, nela tem pra vendê”, conforme cantava Luiz Gonzaga. Mas o que pouca gente sabe é que em Caruaru também tem pelo menos um psiquiatra bageguiano ― adepto dos métodos gauchescos do analista de Bagé, com adaptações aos costumes nordestinos. Ele recebe a clientela trajado de gibão, alpercatas e chapéu de couro. Em vez de divã, tem uma rede rosa-shocking instalada no consultório, na qual os pacientes se deitam, desfiam queixumes e resenham seus pecados.

Outro dia, o filho de respeitado coronel midiático entrou no consultório aparentemente avexado, com as mãos nos bolsos, talvez para dissimular o nervosismo. Mas não passou despercebido pelo tarimbado terapeuta.

― Que foi que aconteceu, cabra? Parece que viu lobisomem!

― Não é nada não, doutor. Já faz muito tempo que eu queria falar com o senhor... Mas tava evitando, porque dizem que só vem aqui quem tá com o miolo mole...

― Nada disso, meu jovem. O que mais atendo aqui é cabeça-dura.

― Apois eu quero me consultar.

― Então, deite aí na rede e desembuche.

― Deitar?! Precisa isso?!

―Sim, que é pra você relaxar e liberar a alma do cabresto.

O rapaz deitou-se, mas manteve as mãos nos bolsos.

― Por que não tira as mãos dos bolsos?

― É que o ar condicionado tá fazendo muito frio...

― Acho que você tá é com medo de desmunhecar na minha frente.

― Hein?!

― Deixa pra lá. Vamos ao que interessa. O que foi que trouxe você aqui? Que bicho te mordeu?

― Num é nada demais não, doutor. É que ando cismado comigo mesmo... ― ficou meio alheado, olhando para o teto.

― Continue.

― De repente, perdi o interesse por quase tudo: parei de andar com os amigos de sempre, larguei a namorada e até deixei de assistir televisão, coisa que eu gostava muito... ― continuou com olhar fixo no teto.

― Bom, parar de andar com amigos e largar a namorada, a gente até que entende, não parece coisa tão grave. Mas deixar de assistir televisão é um tanto esquisito, preocupante. Isso, sim, pode indicar um comportamento anormal. Tem alguma ideia dos motivos que levarem você e se comportar assim?

― Sei não, doutor, sei não...  ― pensou um pouco e concluiu: ― Acho que deve ser por causa dessa campanha toda que tão fazendo contra nós...

― Nós, quem?! De que campanha você tá falando?

O jovem mexeu-se inquieto, e a rede balançou suave.

― Dessa que diz que ninguém pode mais nem dar umas porradas num boiola. Toda hora tem alguém na tevê dizendo que a gente tem que parar com o preconceito, com a violência contra os gays, essas coisas. Isso aperreia a gente.

― Peraí! Na verdade, isso quer dizer que você é homofóbico.

― Chame como quiser. Só sei que não gosto de baitola. Tenho raiva de pirobo.

― Nesse caso, você procurou a pessoa certa. Homofobia é doença, precisa ser tratada. Aliás, qualquer fobia é sinal de neurose e pode evoluir para uma psicose.

― Num é nada disso, doutor! Doença mesmo é boiolice. Doente é quem queima a rosca.

― Mas homofobia é veadagem enrustida, cabra!

― Como assim?! O senhor tá me chamando de viado?

― Não, porque acho que você ainda não deu... Entende?

― Nem dei nem pretendo dar.

― Aí é que tá o problema: você reprime o seu impulso homossexual, não tem coragem de se revelar, por isso descarrega nas pessoas assumidas. Inveja dos ânus libérrimos. Sacou?

O terapeuta se levantou, foi até a estante, pegou uma garrafa contendo uma beberagem, encheu uma caneca e se aproximou do paciente.

―Isso aqui é uma garrafada que inventei com ervas da caatinga, uma verdadeira panaceia: amansa corno brabo, mulher arengueira e biriteiro valentão, entre outras serventias. Só não cura político corrupto, que esse aí não tem mais jeito. Acho que vai resolver seu problema. Tome.

O rapaz ficou meio cabreiro, mas pegou a caneca e bebeu devagar. Fechou os olhos, parecendo meditar. Súbito, saltou da rede, agarrou o psiquiatra de Caruaru pelo guarda-peito do gibão, sacudiu o homem violentamente, fazendo o chapéu de couro voar longe, e gritou histérico:

― Agora me bate! Me cospe! Me joga na parede! Me chama de lagartixa!

Empurrou o terapeuta cabra da peste, que se estatelou no chão. Saiu disparado. Na porta, ouviu o psiquiatra lhe perguntar:

― Não vai pagar a consulta?

― Pagar?! Que pagar que nada, eu vou é processar você e pedir indenização por danos morais.

― Como assim? Baseado em quê?

O ex-machão pôs as mãos nos quadris, respirou fundo, sacudiu a cabeça para os lados e respondeu:

― É proibido tratar bichice como doença, e você tratou um homofóbico, que, como você mesmo diz, é um viado enrustido. Agora liberei de vez. Morou?!

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Ilustração: AIPC - Atrocious International Piracy of Cartoons

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PressAA

Genocida argentino foi cumprir resto da pena na cadeia do capeta

Sanguessugado do Pragmatismo Político
Morte de genocida Videla gera reações diversas na Argentina
Avós da Praça de Maio sobre Videla: “ser desprezível deixou este mundo”. Nobel da Paz argentino diz que Videla traiu Argentina. Políticos, ativistas de direitos humanos e artistas criticam trajetória de ex-ditador; veja reações
A morte do ex-ditador argentino argentino Jorge Rafael Videla, ocorrida nesta manhã (17/05), em Buenos Aires, gerou uma rápida reação de políticos e ativistas argentinos nos meios de comunicação e em redes sociais, todos críticos ao passado e à postura do líder da junta militar que comandou violentamente o país entre 1976 a 1983. O ex-ditador morreu por volta das 6h30 em sua cela na prisão Marcos Páz.
general jorge videla argentina
General Jorge Videla comandou a sangrenta ditadura argentina (Foto: Arquivo)
O Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquível classificou Videla, que morreu aos 87 anos de “causas naturais”, como “um homem que passou a vida fazendo muito mal e traindo os valores de todo um país”. No entanto, o ativista de Direitos Humanos, que ficou 28 meses preso durante o regime, diz que “não se alegra com a morte de ninguém”.
“Jamais me acusaram ou julgaram por nada, sou um sobrevivente dos voos morte. Mas a morte de Videla não deve alegrar a ninguém, temos de seguir trabalhando por uma sociedade melhor, mais justa, mais humana, para que todo esse horror não volte a se repetir nunca mais”.
“Isso (a morte de Videla) não fecha um ciclo. (A ditadura) vai além de Videla, é uma política que se implementou em todo o país e na América Latina”.
Nora Cortiñas, integrante e fundadora das Mães da Praça de Maio, seguiu a mesma linha ao preferir não festejar a morte do ditador. “Mesmo com minha dor, não festejo a morte. Porque eles (os ditadores) se vão e levam junto consigo alguns dos segredos mais importantes da história”.
A associação de direitos humanos H.I.J.O.S., (acrônimo em espanhol para Filho pela Identidade e Justiça contra o Esquecimento e o Silêncio) da capital, Buenos Aires, postou em sua conta no Twitter: “Morreu sem dizer onde eles (os desaparecidos) estão”. Fundada em 1994, essa organização, dividida em diversas filiais pela Argentina, reúne, filhos de desaparecidos e assassinados, e outros que se consideram “filhos da geração ditatorial”. Entre outras ações, investigam casos de bebês sequestrados, e organizaram “escrachos” com ex-participantes do regimes. A H.I.J.O.S. de Tucumán, por sua vez, postou: “nem esquecimento nem perdão. Morreu o genocida Videla”.
Políticos
General Jorge Rafael Videla
General Jorge Rafael Videla encontrava-se preso pelo assassinato e tortura de milhares de argentinos durante a ditadura militar
O líder da oposicionista UCR (União Cívica Radical) na Câmara dos Deputados, Ricardo Gíl Lavedra, que também foi integrante de um tribunal que condenou a última junta militar, afirmou que Videla será “lembrado como um ditador que semeou a morte na Argentina e produziu a ditadura mais sangrenta e terrível” na história do país. Em entrevista à rede de TV Todo Notícias, ele lembrou que o ditador, assim como outros integrantes do regime “lamentavelmente nunca mostrou arrependimento sobre os fatos, tampouco considerou uma reparação às vítimas”.
O porta-voz do partido de esquerda FAP (Frente Ampla Progressista), Hermes Binner, postou, em sua conta no microblog Twitter, ao saber da morte do ex-ditador: “Morreu Videla: choremos as 30.000 vítimas de sua ditadura”.
O ministro de Cultura de Buenos Aires, Hernán Lombardi, recordou Videla como um “tirano sangrento” o qual “a democracia argentina teve o valor de julgar e condenar”.
O secretário nacional de Direitos Humanos, Martín Fresneda, defendeu que “o Estado não deve nunca celebrar a morte de ninguém”, mas sim “comemorar o fato de que foi feita justiça”. “Pudemos reparar a maioria dos crimes que esses homens cometeram” com os julgamentos realizados.
Sociedade
Em declarações ao canal C5N, o músico e compositor Víctor Heredia disse que “morreu um criminoso”: “Foi uma monstruosidade o que ele fez em vida”, disse o artista, cuja irmã foi sequestradas e dada como desaparecida quando estava grávida. Ele também foi perseguido pelo regime, período o qual afirmou que ficará marcado para o resto de sua vida.