sábado, 1 de agosto de 2015

Hora de banir as armas “inteligentes”

Sanguessugado do Outras Palavras

Redação

Nova geração de robôs armados permitirá a exércitos identificar e matar seres humanos de modo automático. Stephen Hawking, Noam Chomsky e centenas de pesquisadores pedem proibição total

Captura de tela de 2015-08-01 11:18:37

Projeto da Lockheed Martin, empresa de tecnologia militar norte-americana, para primeiro jato de combate não-tripulado. EUA mantêm, há anos, o UCLASS – https://goo.gl/iqeeC -, programa para criar aviões de espionagem e combate (com poder de fogo muito superior ao dos drones) sem pilotos

Doug Bolton, no The Independent | Tradução: Inês Castilho

Mais de mil cientistas, especialistas em robótica e pesquisadores em inteligência artifical (IA) — entre eles o físico Stephen Hawking, o filósofo Noam Chomsky, o co-fundador da Apple, Steve Wozniak acabam de assinar uma carta aberta pedindo a proibição de “armas autônomas ofensivas”, ou, como são melhor conhecidas, os “drones e robôs assassinos”. A carta (leia na íntegra, ao final deste texto), divulgada pelo Institute Future of Life, um grupo que trabalha para mitigar “riscos existenciais enfrentados pela humanidade”, alerta para o perigo de iniciar uma “corrida armamentista militar de inteligência artificial”.

O conceito “armas robóticas” pode incluir drones armados que conseguem localizar e matar determinadas pessoas com base em programação — um passo adiante da geração atual de drones, pilotados por seres humanos que frequentemente encontram-se milhares de quilômetros distantes da zona de guerra.

A carta dos cientistas diz: “A tecnologia de IA atingiu um ponto em que a implantação desse sistema é – pratica, se não legalmente – factível dentro de alguns anos.” Acrescenta que armas autônomas “têm sido descritas como a terceira revolução da indústria bélica, depois da pólvora e das armas nucleares”. Diz que o Instituto vê o “grande potencial [da inteligência artificial] para beneficiar a humanidade de várias maneiras” — mas acredita que o desenvolvimento de armas robóticas, ao contrário, seria útil para terroristas, ditadores brutais e os grupos interessados em executar “limpezas” étnicas.

As armas a que o texto se refere ainda não existem de verdade, mas a tecnologia que permitiria construí-las e colocá-las em uso não está longe. Os que se opõem a isso, como os signatários da carta, acreditam que, ao eliminar o risco de mortes humanas entre os exércitos agressores, as armas robóticas (a tecnologia para chegar a elas vai se tornar barata e onipresente, nos próximos anos), rebaixaria o desgaste que significa fazer guerras – o que iria torná-las muito mais comuns.

No ano passado, a Coreia do Sul revelou possuir armas deste tipo – robôs-sentinela armados, atualmente instalados ao longo da fronteira com a Coreia do Norte. Suas câmeras e sensores de calor possibilitam que detectem e rastreiem serem humanos automaticamente, mas as máquinas necessitam de um operador humano para disparar suas armas.

A carta alerta também sobre o risco de as novas armas prejudicarem, entre a opinião pública, a imagem da inteligência artificial — cujos usos pacíficos podem trazer benefícios significativos à humanidade. A construção de armas robóticas, avisa o texto, pode multiplicar a oposição pública à IA, restringindo seus benefícios genuínos. A carta parece muito futurista, mas esse campo da tecnologia está avançando a passos largos, e a oposição ao uso bélico de IA começou a crescer.

A Campanha para Deter os Robôs Assassinos, um movimento iniciado em 2012 por uma rede de ONGs que inclui o Human Rights Watch, trabalha pela proibição preventiva de armas robóticas. Atualmente, age para levar a questão das armas robóticas à Convenção de Armas Convencionais em Genebra, grupo ligado à ONU que busca proibir o uso de certas armas convencionais tais como minas terrestres e armas a laser, preventivamente proibidas em 1995.

A Campanha reivindica que a Convenção crie um grupo de especialistas governamentais para debruçar-se sobre o tema, com o propósito de conseguir a proibição desse tipo de armamento. No início deste ano, o Reino Unidos opôs-se à proibição de robôs assassinos numa conferência da ONU. Um funcionário do ministério das Relações Exteriores afirmou ao The Guardian que “não vê necessidade da proibição” de armas autônomas, e que seu país não as está desenvolvendo. A seguir, o texto da carta de cientistas e intelectuais.

Carta aberta sobre Armas Autônomas

As armas autônomas selecionam e atacam alvos sem intervenção humana. Elas incluem, por exemplo, um helicóptero quadrimotor armado capaz de localizar e eliminar pessoas segundo determinados critérios pré-definidos, mas não incluem mísseis de cruzeiro ou drones pilotados remotamente, cujas decisões sobre os alvos são todas tomadas por seres humanos. A tecnologia de inteligência artificial (IA) chegou a um ponto em que a utilização desse sistema é possível – na prática, mesmo que não na lei – dentro de anos, não décadas. As apostas são altas: as armas autônomas têm sido descritas como a terceira revolução da indústria bélica, depois da pólvora e das armas nucleares.

Muitos argumentos foram usados a favor e contra armas autônomas: por exemplo o de que substituir soldados humanos por máquinas é bom, por reduzir o número de vítimas entre quem as possui; mas ruim, por rebaixar os limites do que significa ir à guerra. Hoje, a questão chave para a humanidade: vamos iniciar uma corrida global por armas de Inteligência Artificial ou evitar que ela se inicie? Se uma grande potência militar qualquer tomar a dianteira no desenvolvimento de armas de IA, uma corrida armamentista global será inevitável, e o fim dessa trajetória tecnológica parece óbvio: armas autônomas serão os fuzis Kalashnikov de amanhã.

Ao contrário das armas nucleares, elas não requerem matéria-prima cara ou difícil de obter, de modo que se tornarão onipresentes e baratas para produção em massa por todas as potências militares importantes. Será apenas uma questão de tempo até que apareçam no mercado clandestino e nas mãos de terroristas, ditadores querendo controlar melhor sua população, senhores da guerra desejando executar limpezas étnicas etc. Armas autônomas são ideais para tarefas como assassinatos, desestabilizando nações, subjugando populações e matando seletivamente um grupo étnico particular. Acreditamos portanto que uma corrida por armas de IA não seria benéfica para a humanidade. Há várias maneiras por meio das quais a inteligência artificial pode tornar o mundo mais seguro para os seres humanos, especialmente civis, sem criar novas ferramentas para matar pessoas.

Assim como a maioria dos químicos e biólogos não têm interesse em construir armas químicas ou biológicas, a maioria dos pesquisadores de IA não têm interesse em construir armas de IA – e não querem que outros manchem sua área fazendo isso. Tal passo criaria uma grande oposição contra a inteligência artificial, o que poderia restringir seus benefícios sociais futuros. De fato, químicos e biólogos têm apoiado amplamente os tratados internacionais de proibição de armas químicas e biológicas, assim como a maioria dos físicos apoiaram os tratados que proíbem armas nucleares espaciais e armas laser que causam cegueira.

Em suma, acreditamos que IA tem grande potencial para beneficiar a humanidade de várias maneiras, e sua meta deveria ser essa. Iniciar uma corrida armamentista militar de IA é má ideia, e a prevenção deveria ser a proibição de armas autonômas ofensivas além de significativo controle humano.

A lista de signatários pode ser encontrada aqui

Ignorância + fanatismo farisaico = neofascismo

Via Correio do Brasil

As manifestações de intolerância que vão se fazendo corriqueiras, especialmente em São Paulo, fazem o prenúncio de um neofascismo aterrador. Onde estão as causas disso? Obviamente há uma grande causa: o horror que a imagem de Lula provoca em determinados segmentos da população. Demais genérica, e mesmo que verdadeira, a explicação não satisfaz. Vamos em busca de uma apreensão mais ampla do fenômeno?

Maria Fernanda Arruda é escritora, midiativista e colunista do Correio do Brasil, sempre às sextas-feiras
Maria Fernanda Arruda é escritora, midiativista e colunista do Correio do Brasil, sempre às sextas-feiras

Primeira situação favorável à radicalização: temos no Brasil um quadro dividido entre dois partidos (e que, no correr do tempo, se corromperam): o PT, nascido um partido “obreiro”, interessado em defender salários melhores para os operários e condições dignas de vida, e que se tornou um grêmio populista ao defender a integração social dos pobres e miseráveis; e o PSDB, que surgiu como protesto à corrupção do velho PMDB, chegando ao poder e tornando-se a representação do neoliberalismo que trazia a ‘globalização modernizadora’ para o Brasil. A proposta do PT adequa-se à prática democrática de eleições livres, enquanto a do PSDB é um convite à rejeição nas urnas. Comprovada essa rejeição, o partido das elites encontrou, como filão a ser explorado eleitoralmente, as acusações de corrupção desenfreada dos adversários.

Certamente, o medo que inspira a figura do ‘Metalúrgico de 9 Dedos’, mais a corrupção apontada em vários momentos e lugares, elas duas comovem as classes médias mais tradicionais, moralistas e medrosas, que se fazem o bolsão eleitoral de homens como Geraldo Alckmin e Jose Serra. Mas não são os que fizeram as arruaças de 2013, nem as passeatas de 15 de março, na avenida Paulista. Gente extremamente conservadora. Não podem conceber um operário chegando à Presidência. Não odeiam, mas não respeitam o Lula. Acreditam que a Academia Brasileira de Letras representa algo muito grande.

Os fascistas cunharam seu ódio a Lula com a exploração de um defeito físico
Os fascistas cunharam seu ódio a Lula com a exploração de um defeito físico

Os exaltados, que agridem quem use a cor vermelha nas suas roupas ou externe de alguma forma suas preferências pelo PT, são recrutados em quantidade maior entre os que foram e estão submetidos ao processo de formação de imbecis, promovido com afinco pela ditadura e no que se empenharam ardentemente os meios de divulgação, onde a televisão pontifica como a mais eficiente máquina de construção de idiotas. Pesquisa feita com os participantes dos desfiles promovidos nas ruas de São Paulo comprovou a sua completa ignorância, não só política, confundindo alhos e bugalhos, aceitando lorotas toscas que se espalham pelos cantos, agrupando aterrorizados pela revista Veja, junto a eles ficando exibicionistas, fantasiados, mocinhas nuas e todo o tipo de débeis mentais.

Essa gente não odeia o Lula, que não conhecem, nãos sabem quem é. Dedicam seu ódio mortal a uma lenda criada pela Globo, com o mesmo ódio que um flamenguista dedica a um vascaíno. Não são politicamente deformados, pois não chegam a ter consciência política mínima. É um típico fenômeno de expressão de massas: irracional, que nos remete, não ao texto de algum sociólogo, mas ao escrito por Freud sobre elas.

Menor, mais preocupante, capaz de voos mais extensos, não contente com os passeios pelas ruas, aos gritos e xingamentos, há uma classe média ascendente, a que aderiu aos encantos da corrupção. São executivos de empresas privadas e gestores da coisa pública, empresários de pequenos negócios e grandes negociatas, os que andam por fora da ordem legal, os que não pagam impostos e nem salários dignos aos seus empregados; profissionais liberais que prestam serviços sem recibo. Uma fauna variada, que vai do empreendedor que explora o lenocínio de luxo em São Paulo, aos que agridem com palavras cínicas um ex-ministro. Gente habituada a trabalhar com vários RGs, papéis falsos, gente como os que fazem a máfia do Mercadão e da rua Florêncio de Abreu, frequentadores dominicais do Clube Paulistano, onde a pureza branca somente existe no uniforme das babás que servem às crianças e, eventualmente, também aos pais. Um tipo de desonestidade que veio crescendo, inaugurou-se aos tempos de Brasília, fortaleceu-se na ditadura e ganhou maioridade com os oito anos de FHC. Esse é o segmento que não tem medo, que pode comprar – e compra – a autoridade e que é fanfarrão. Essas figuras só desaparecerão na medida em que o segmento social onde se instalaram seja reincorporado à ordem de uma sociedade ética. E por isso mesmo, alimentam ódio mortal pelo PT, um ódio que nasceu junto com as primeiras administrações petistas. De um gestor municipal ligado a Paulo Salim ouvia-se a exclamação: “aquela vaca (Luiza Erundina) era 100% honesta”. São os gentis moços e moças que dirigem automóveis cada vez maiores e mais altos e que estacionam, em ato de autocrítica, nas vagas destinadas a deficientes.

Coxinhas, em São Paulo, pedem até a volta da ditadura
Coxinhas, em São Paulo, pedem até a volta da ditadura

Esses são os que não aceitam a ascensão da classe operária e a integração social dos milhões que viviam à margem da sociedade. O “oportunismo” liga essa gente à típica burguesia nacional, aquela que concebe o lucro exatamente como somente é possível através de pequenas, médias e grandes espertezas, explorando seus funcionários, comprando e vendendo sem nota, subornando e se deixando subornar.

A burguesia brasileira, passando muito rapidamente pelo capitalismo industrial, logo tornou-se rentista, acomodada à entrega da indústria aos enormes grupos multinacionais, negando-se ao risco e não tendo conseguido transformar o patrimônio em capital. Ainda que por caminhos diferentes, são grupos sociais formados por gente enamorada do próprio umbigo. O “lulismo” é, para eles, o desafio da igualdade social, a defesa dos direitos dos assalariados, como se “essa gente” pudesse ter direitos. Estão convencidos de que o Brasil não exporta e não fica rico por causa de um fantasma, o “custo brasil”, causado pelos salários que são obrigados a pagar, os “direitos trabalhistas” excessivos, com férias, descanso semanal. 13°salário, Fundo de Garantia e INSS.

Por isso mesmo não suportam a ideia de um Lula na Presidência, da mesma forma que seus pais não suportaram Vargas, o inventor de tudo isso. Lula surge, ele queira ou não, saiba ou não, como o herdeiro daquele aventureiro vindo da fronteira, como Júlio de Mesquita Filho referia-se a Getúlio Vargas.

São Paulo é, no momento, a sede das manifestações neofascistas. O que se tem visto pelas ruas e logradouros de São Paulo é coerente em tudo com o passado do Estado que, em 1932, levantou-se contra Vargas numa luta armada da qual saiu derrotado. Os barões do café perderam definitivamente as rédeas com as quais conduziram toda a Primeira República. E se foram esses barões que geraram a economia do ciclo do café, construindo ferrovias e abrindo bancos, também foram os que não souberam ser industriais, deixando esse espaço aos imigrantes. Manteve-se uma empáfia, ostentada pela aristocracia paulistana, avenida onde, mais tarde, erigiu-se a sede da FIESP, espaço em que, simbolicamente, a aristocracia paulista sofreu a segunda derrota, essa imposta por Lula, com as greves dos metalúrgicos lideradas por ele. Os empresários, líderes da FIESP, não tolerando sentar-se à mesa de negociações para discutir com “gente de macacão”, nascida para ouvir ordens, assistiram à vitória de Lula e seus comandados.

Empresários e empresas que subsidiaram a ditadura não têm capacidade para dialogar com operários, sempre entendidos como “os meus empregados”, nem competência para aceitar democraticamente um governo petista. Enfim, a burguesia paulista, depois de ter nascido e dominado a República Velha, tendo perdido a hegemonia com o período Vargas, retomou-a durante a ditadura, orientada a partir daquela FIESP erguida com luxo e riqueza na grande avenida, consolidando-a durante os oito anos de FHC. Não podendo justificar sua rejeição ao PT, externando seus interesses e vontades, essa burguesia e mais seus satélites assumem passionalmente o ódio, emoção pura, a Lula.

O ódio que motiva alguns políticos, como Aécio Neves e mesmo FHC, em parte decorre da incapacidade de aceitação de uma rejeição natural de seus nomes pelo povo. Por certo, há a sede de poder, a vontade de exercê-lo em proveito próprio, mas há o medo imenso. FHC e seu séquito temem – e muito – uma continuidade de exercício do poder pelo Partido dos Trabalhadores. Até agora, por força de algo que se assemelha a um pacto de sangue, Lula apenas se referiu a uma herança maldita, sem explica-la. Se um dia fizer isso estará apontando FHC à execração definitiva e definindo a extinção do PSDB, pondo ponto final a carreiras indignas de muitos nomes políticos do primeiro escalão.

O medo também move um tipo de imprensa “marrom”, desenvolvida durante a ditadura, e que domina os meios de informação no país, contrariando a pequena legislação reguladora existente. A continuidade do PT no Poder quase que inevitavelmente colocará ponto final a um monopólio catastrófico, que teve exatamente a força suficiente para idiotizar gerações. A imprensa e os políticos rejeitados são a grande corrente que luta para dar ao povo ignorância e fanatismo, conduzindo-o ao neofascismo que lhe daria o poder sem contestações.

Maria Fernanda Arruda é escritora, midiativista e colunista do Correio do Brasil, sempre às sextas-feiras.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Ataque a bomba ao Instituto Lula: Terrorismo midiático libera fascismo de imbecis mal informados

Sanguessugado da Revista Fórum

Vídeo mostra momento exato do ataque ao Instituto Lula



Vídeo mostra momento exato do ataque ao Instituto Lula
 
Nas imagens da câmera de segurança é possível ver um artefato sendo lançado de dentro de um veículo preto em movimento, o que desmonta os boatos de que a explosão seria falsa; polícia investiga se o episódio tem alguma ligação com um protesto realizado por pessoas usando verde e amarelo no mesmo dia em frente ao Instituto. Assista ao vídeo
Por Redação
Foto: Jornalistas Livres
Foto: Jornalistas Livres
Foram divulgadas da tarde desta sexta-feira (31) imagens de câmera de segurança que mostram o momento exato em que a sede Instituto Lula, em São Paulo, sofreu um ataque a bomba na noite desta quinta-feira (30). No vídeo, é possível ver um Honda Civic preto em movimento passando em frente ao Instituto e um artefato sendo jogado a partir do banco traseiro do veículo. As imagens já foram encaminhadas para análise da polícia.
O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, entrou em contato com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e conversou sobre o ataque. Cardozo, por sua vez, disse que acionaria a Polícia Federal para colaborar com as investigações da polícia paulista que, inclusive, já identificou algumas pessoas para trabalhar na apuração do caso. Na tarde desta quinta-feira (30), mesmo dia do ataque, um grupo com cerca de dez pessoas vestidas de verde e amarelo fizeram um protesto “contra a corrupção” em frente a sede do Instituto.
Relatos de médicos e funcionários do hospital São Camilo, que fica em frente ao Instituto, falam de momentos de “pânico” dentro do hospital por conta do forte barulho da explosão.
Em nota, a bancada do PT na Assembleia Legislativa diz que esse “não é um caso isolado”, e lembra que a sede do diretório do PT de Jundiaí foi incendiada e vários ataques contra militantes do PT têm sido registrados.
Confira abaixo o vídeo que registrou o momento em que o artefato é lançado:

Bob Fernandes: Com o investigado Eduardo Cunha, Gilmar Mendes conversa sobre impeachment de Dilma

Via Jornal da Gazeta

Bob Fernandes

Collor, Casa da Dinda, Ferrari, denúncias, milhões em propina... Já vimos esse filme. Mas nunca é demais recordar...

Aquele filme foi precedido por dois anos de reportagens de capa, e horário nobre, sobre o heroico "Caçador de Marajás" das Alagoas.

Valia, valeu tudo para enfrentar o escalado para o papel de "grande vilão" na primeira eleição direta: Brizola. Não foi Brizola e o resto é história.

Gilmar Mendes fez História em 2008, quando preso o banqueiro Daniel Dantas.

Presidente do Supremo, o ministro produziu dois habeas corpus em 48 horas e uma torrente de críticas à Satiagraha, operação sepultada no rastro de vasta pancadaria.

Gilmar atacou o uso de algemas e o que chamou de "ameaça ao Estado de Direito" e "espetacularização das prisões". Sobre operações da Polícia Federal disse:

-Têm notório caráter de retaliação (...) e de controle ideológico contra juízes, terrorismo lamentável (...) Quem faz isso não é agente público, é gângster...

Citando grampo fantasma, suposta gravação que ninguém ouviu, Gilmar e o então senador Demóstenes Torres chamaram o presidente, Lula, "às falas".

Lula, em gravíssimo erro que viria a custar muito, demitiu da ABIN Paulo Lacerda, o delegado que reestruturou e fortaleceu a Polícia Federal.

Gilmar Mendes não tem se pronunciado sobre a atual onda de prisões espetaculares. Mas as repórteres da Folha, Marina Dias e Natuza Nery, revelaram movimentos de Gilmar.

Na última quinta-feira, 9 , o ministro do Supremo foi até a residência do Presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Presente também o deputado Paulinho, da Força Sindical.

Paulinho, já alvo de 5 inquéritos, tem condenação por improbidade administrativa.
Eduardo Cunha, investigado no escândalo de corrupção na Petrobras, pode vir a ser julgado pelo mesmo Supremo.

Com Paulinho da Força e Eduardo Cunha o ministro do Supremo discutiu, em detalhes, cenários da crise. Inclusive um processo de impeachment da presidente Dilma.

O que diria o ministro Gilmar Mendes sobre...o ministro Gilmar Mendes em tal companhia e tertúlia?

A GENTE MORRE TODOS OS DIAS. MAS SE ESQUECE E LEVANTA

Via Revista Bula

 

A gente morre todos os dias. Mas se esquece e levanta

 

 Graça Taguti    

Se tem algo que desperta muita ira em nós é o descontrole sobre a hora da nossa morte. E sobre o momento da nossa concepção e nascimento. Sentimo-nos, paradoxalmente, cada vez mais empoderados, tendo como cúmplices as sucessivas invenções das novas tecnologias. O domínio sobre o universo, objetos coisas e pessoas. A era glass, a era touch e a era do controle (a última apontando a implacável vigilância da internet sobre nossa minuciosa intimidade) convivem na atualidade, aparentemente de mãos dadas. Fato é que simulando nosso império volitivo e ditatorial sobre joysticks materiais e virtuais sentimo-nos firmes comandantes de navios nas ondas da web e da vida.

A gente morre quando acorda. Morre de tédio, de preguiça, morre de mesmice, ou não, como apregoaria Caetano Veloso, com aquela voz de fruta sumarenta e lenta degustada em algum recanto nordestino. Tem pessoas que já morreram faz tempo. E nunca desconfiaram disso. Morrem de medo de encarar o medo, de colocar a coragem debaixo de um braço e o medo apoiado no outro braço e prosseguir caminhando, como ressaltaria Brecht.

Morre-se de pavor de mudar cacoetes, opiniões, certezas, repetindo automaticamente velhos e ranhetas comportamentos. Morre-se de medo de encarar as verdades da alma, no espelho da consciência, cujos reflexos nem sempre soam agradáveis ou digestivos. Medo de e enfrentar a relação puída, mas mantida apesar do visível desgaste, devido às oportunas muletas financeiras e quiçá psicológicas. A gente morre na repetição infindável de defeitos pra lá de conhecidos, nossos e dos outros, e anunciados instante após instante em nossa gestualidade e fala reveladora.

Chico Buarque já entoava em sua composição “Cotidiano”: “Todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode às seis horas da manhã”. Ou ainda, o seminal poeta clamava em “Construção” — de cuja música reproduzo um trecho:

“Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
“Morreu na contramão atrapalhando o sábado”.

Vivemos rodeados por mortes commoditizadas, sem rosto nem débeis desejos. Como se salvar de tamanha e paralítica incompetência atitudinal? Tornar-se aficionado por séries televisivas centradas em zumbis ou vampiros, como “Resident Evil” e similares. Sabe-se que os zumbis namoram a eternidade. O protótipo da infinitude, ainda que se arrastem apodrecidos por terrenos estéreis.

A gente morre de frio e de mentiras. De amor escondido e expurgado pela covardia. De afeto enrijecido e estanque. Da flor não manifesta num discurso que se pretendia doce. Poetas, filósofos, estudiosos, escritores circularam o fascínio deste tema. Na religião, os espíritas, erguem a vitoriosa e redentora bandeira da reencarnação. O rabino Nilton Bonder especula sobre a salvação na obra “A Arte de se Salvar — Sobre Desespero e Morte”. Especialistas no assunto ocupam-se, como a dra. Elisabeth Kübler-Ross, fundadora da Tanatologia (estudo científico da Morte) de auxiliar doentes terminais em suas despedidas.

O cineasta Ingmar Bergman em “O Sétimo Selo”, elege a morte como personagem central da trama. Ariano Suassuna, dramaturgo e romancista apregoa: “Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver”.

Muita gente morre de silêncio. Não joga para fora as fecundas cirandas do coração. Morre de ódio, de inveja. E finge que estes sentimentos, tão descivilizados e deselegantes, pertencem somente aos outros. De soberba, arrogância e interjeições também se morre. E ainda quem deixa a paixão morrer no sexo e faz amor sem prazer. Como quem come uma sobremesa de nariz entupido.

Alguns poetas passeiam com naturalidade pela finitude. Pois parece que sempre há algo de romântico em dizer adeus à existência. Mário Quintana divaga: “Se vale a pena viver e se a morte faz parte da vida, então, morrer também vale a pena”.

Há gente que morre de orgulho, mas não dá o braço a torcer. Criaturas que jamais conheceram a grandeza do perdão, do abraço, da palavra sem mascaramentos.

Impossível deixar de citar também o breve excerto de Manoel Bandeira, no poema “A Morte Absoluta”: “Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra. A lembrança de uma sombra. Em nenhum coração, em nenhum pensamento. Em nenhuma epiderme. Morrer tão completamente. Que um dia ao lerem o teu nome num papel perguntem: Quem foi? Morrer mais completamente ainda. Sem deixar sequer esse nome”.

Nosso amantíssimo Drummond, traça versos em carne viva em “Os Ombros Suportam o Mundo”. Sem qualquer anestesia metafórica, declara na estrofe final deste seu poema: “Alguns, achando bárbaro o espetáculo, prefeririam (os delicados) morrer. Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação”.